Notas iniciais
Olá, aqui é a Ina! Espero que eu não esteja sozinha nesse shipp que com muita dificuldade sobreviveu ao Solangelo no fandom XD Fugiu um pouco da minha escrita normal mas gostei, uma gracinha. Me conte de você depois, o que achou, se não gostou e mais ainda se gostou. Boa leitura!

A luz que entrava pela janela ardia os olhos claros, cobrando cada minuto a mais de sono. Jason despertou devagar, incomodado com a claridade, espreguiçando-se e jogando para fora da cama os cobertores, os braços, as roupas.

Roupas?

Forçando-se a abrir os olhos, alcançou uma das peças no chão. Uma camisa social preta, amassada e — ah — com o cheiro dele. Largou a roupa antes que tentasse sentir o perfume da gola.

Virando-se na cama, teve que morder os lábios para que o nome lhe escapasse da boca.

Nico era um espécime raro de observar assim, casualmente, tranquilo em seu habitat natural e sem aquela preocupante veia saltando em sua testa; e por isso Jason não emitiu som algum, não moveu um só músculo e fez um esforço tremendo em não suspirar. Só queria que aquela cena durasse.

Inclinado sobre uma gaveta da cômoda, as costas dele adquiriam o tom leitoso da luz que se misturava às cortinas, as pernas finas porém torneadas tremulavam de frio e os arrepios desciam em cascata, eriçando os pelos das omoplatas á base da coluna. Desgrenhados de sono, os cabelos lisos estavam cheios de nós e caiam sobre o rosto do moreno, compridos até quase tocarem os ombros.

Nico não tinha uma cintura fina ou coxas grossas, longe disso; seu corpo era magro e de poucas curvas, anguloso, os ossos marcados sob a pele como tatuagens discretas, a linha das clavículas, os ossos salientes do quadril e a corrente linear que era sua coluna.

Mas Jason admirava cada ponta, beijava cada cicatriz. Ah e adorava quando ele usava somente aquela box preta.

Logo achou o que procurava, e Jason lembraria de escondê-lo melhor na próxima vez. Nico vestiu o grande moletom roxo, com as letras “SPQR” em dourado sobre o peito, que caiu sem empecilhos sobre o seu corpo e quase — quase — cobriu a boxer, deixando alguns centímetros do tecido preto contornando suas coxas. Virou-se, e Jason nunca vira nada mais fofo que aquele rosto pálido, as mãos escondidas sob as mangas, as pernas compridas escapando debaixo do seu moletom.

Nico pressionou os lábios, escondendo o rosto e murmurando baixinho, a voz inerte se não fossem as sílabas trêmulas.

— Você por acaso acabou brigando enquanto dormia?

— Por que? Me atacou enquanto eu dormia, Di Angelo?

Nico rangeu os dentes, encabulado.

— Não, porque seu nariz está sangrando, Grace.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!