Na manhã do domingo, 7 de janeiro de 2007, dia que marcava exatamente uma semana após os fatídicos eventos que culminaram na morte de Irina, os Denali organizaram um funeral privado, restrito à família, para homenageá-la. Os restos de Irina permaneceram onde Tanya e Kate a enterraram, sob a neve da clareira em Forks onde havia sido destruída, mas ali, no terreno de sua casa em Fairbanks, Alasca, a poucos metros da residência da família, eles fariam um enterro simbólico.

Prepararam uma pequena caixa de madeira branca talhada, que funcionaria como um caixão, e dentro dela, cada um colocaria os objetos que para si mais representavam quem Irina havia sido em vida e que carregavam a essência de sua personalidade. Aquele momento não era apenas de despedida, mas de memória, de garantir que a história e o espírito de Irina permanecessem com eles, mesmo em sua ausência.

A neve deu uma trégua naquela manhã penosa, mas o chão estava coberto por uma espessa camada branca. O céu permanecia nublado, cinzento e pesado, como se partilhasse da dor e da solenidade que recaía sobre a família Denali. Diante da pequena caixa de madeira talhada, repousando aberta sobre a neve, formou-se uma fileira silenciosa. Todos estavam vestidos de preto em sinal do seu luto.

Eleazar estava na ponta, seguido de Carmen, à sua direita. Estavam de mãos dadas, com seus dedos entrelaçados. Eleazar usava um terno de três peças em tecido negro, camisa social branca e gravata lisa, preta. Nos pés, ele calçava sapatos sociais de couro pretos. Em sua mão esquerda, Eleazar segurava um livro antigo de capa de couro gasto pela ação do tempo que acompanhou Irina por séculos desde seus primeiros anos como vampira. Se tratava de uma coletânea de poemas escritos em latim, devido à influência da Igreja Católica na Idade Média. Irina sabia recitar trechos inteiros do livro de memória e quando os recitava para sua família, sempre o fazia com um sorriso saudoso no rosto ao lembrar-se de sua terra natal, a Eslováquia. Muitas eram as vezes que Tanya e Kate a acompanhavam na leitura dos poemas que falavam sobre o país, com cada uma lendo uma estrofe.

Ao lado do marido, Carmen vestia um macacão preto de alfaiataria, sem mangas e com decote em lapela estilo blazer. Por cima, Carmen levava um echarpe de pêlos cinza com preto sobre seus ombros. Nos pés, ela calçava um par de sapatilhas pretas.

Carmen segurava contra o peito um porta-retratos com moldura prateada. Nele, estava uma foto tirada em uma viagem à Inglaterra que a família fez a alguns anos. Na imagem congelada no tempo, os Denali posavam felizes e juntos em cima da Ponte de Westminster, com o Big Ben ao fundo. Eleazar aparecia no canto direito, com seu braço direito ao redor da cintura de Carmen, que pousava sorridente ao lado do marido e com o seu braço direito ao redor de Tanya, que por sua vez segurava na mão esquerda de Kate, que por sua vez , estava de costas para Tanya, apesar de suas mãos unidas, e mantinha seu braço direito posto ao redor de Irina, abraçando-a. Irina abraçava Kate, com seus dois braços ao redor dela, e seus rostos estavam unidos enquanto sorriam para a foto.

Em seguida vinha Tanya, que por sua vez, vestia um vestido acima dos joelhos preta de mangas compridas e gola alta, acompanhado de um cinto fino de couro que marcava sua cintura. Tanya ainda usava uma meia calça preta e nos pés, calçava um par de coturnos pretos. Seus cachos loiros caíam sobre seus ombros enquanto ela segurava em sua mão fechada a pulseira de ouro branco que sempre usara no pulso, adornada com três corações, cada um gravado com a inicial de seus nomes: "T de Tanya, K de Katrina e I de Irina". Kate havia feito as três pulseiras idênticas para elas, e durante anos as três as usaram como símbolo de sua união inquebrável que nem mesmo a morte de Irina romperia. Irina que usava sua pulseira, que acabou se fundindo com ela no fogo. Tanya e Kate também usavam as suas pulseiras no momento que tudo aconteceu, mas agora, com a perda de Irina, Tanya não via mais sentido em mantê-la.


Tanya também trazia em mãos algumas fotos. Em algumas deles, Tanya, Kate e Irina posavam juntas, enquanto em outras fotos estavam somente Tanya e Irina ou apenas Kate e Irina. Haviam também fotos das três com Carmen e Eleazar, incluindo fotos tiradas na formatura da faculdade de Irina, meses antes, onde ela posava sorridente vestindo a beca da Universidade do Alasca Fairbanks e segurando um buquê de flores ao lado das irmãs mais velhas, que a abraçavam orgulhosas nas fotos, e de Carmen e Eleazar, que eram como seus pais adotivos e que tanto a amavam. Aquelas eram recordações de uma vida feliz que Irina teve ao lado das pessoas que a amavam mais do que tudo no mundo. Era o símbolo tangível da memória que foi vivido e do vínculo que as três irmãs tiveram e que jamais poderia ser apagado nem mesmo com a morte.

À direita de Tanya, estava Kate, que trajava um vestido midi de viscose preto e corte reto, sem mangas e de decote redondo fechado. Por cima, ela usava um casaco preto estilo sobretudo, que caía até os joelhos, acrescentando ainda mais sobriedade ao visual. Kate usava ainda uma meia-calça preta e um par de botas de couro de cano curto. Seus cabelos loiros estavam soltos como de costume, mas uma tiara de veludo preta de base larga repousava sobre sua cabeça, domando levemente os fios que voavam para seu rosto por causa do vento gélido que batia contra seu rosto, conferindo-lhe um ar solene.

Kate também trazia a sua pulseira da irmandade. Para Kate, também já não fazia mais sentido carregar aquela peça que um dia foi símbolo da união entre as três irmãs. Kate também segurava consigo um pequeno maço de cartas e bilhetes, cuidadosamente amarrados com uma fita de cetim preta. Alguns eram cartões postais trazidos de viagens que ela e Irina fizeram em solitário ao longo das últimas décadas e que estavam endereçados uma à outra. A maioria deles eram de Irina e endereçados à ela, com a caligrafia impecável da mais nova das três irmãs, e eram a prova do amor que Kate sentia por Irina e vice-versa. Aquela era uma parte das cartas, as mais antigas na verdade. A outra parte das cartas, principalmente as que vinheram em envelopes com fotos as acompanhando, Kate manteria consigo, guardadas em uma caixa especial em seu closet.

Ao lado de Kate, estava Garrett, de mãos vazias pois nada tinha a acrescentar naquela caixa além de sua solidariedade e do apoio incondicional a Kate e aos demais. Ele se mantinha firme ao lado de Kate diante da caixa vazia, para onde direcionava seu olhar. Sua mão esquerda pousava delicadamente na lombar de Kate enquanto sua mão direita repousava parada ao lado de seu corpo. Não conheceu Irina de fato, apenas a viu de longe, instantes antes de sua morte trágica, mas isso não o eximia de sentir-se triste por sua perda, que poderia ter sido evitada se os Volturi não fossem tão cruéis em não relevarem o equivoco de Irina acerca da natureza híbrida de Renesmee. Ele vestia sua única calça, uma jeans de lavagem escura, uma camiseta de mangas compridas azul marinha e nos pés, calçava seu par de botas.

Garrett permanece em silêncio, observando um a um dos Denali depositarem os objetos na caixa branca. Primeiro foi Carmen, que cuidadosamente colocou o porta-retratos com a foto da família. Depois, Eleazar deixou o livro de poemas, e ambos retornaram em silêncio às suas posições originais, em respeito ao ritual. Eleazar passa os braços ao redor de Carmen ao sentí-la encostar a cabeça em seu peito enquanto os braços rodeiam a cintura dele.

Tanya foi a próxima. Agachou-se diante da caixa branca e, cuidadosamente, pousou as fotos que trouxera, colocando delicadamente a pulseira sobre elas. Ao terminar suas despedidas finais, ela se curvou diante da caixa, colocando ambas as mãos sobre ela, e encostou a testa, permanecendo assim com os olhos fechados, como se estivesse abraçando o corpo da irmã mais nova. Ali, Tanya se permitiu chorar. Seus murmúrios de despedida eram audíveis para todos os presentes, carregados de dor e amor.

Kate, tomada pela emoção, apertou as cartas que segurava contra seu peito. Kate escondeu o rosto no ombro de Garrett e começou a chorar. Seus cabelos loiros cobriram seu rosto como uma cortina. Garrett passou os braços ao redor de Kate e pousou sua mão direita nos cabelos loiros de Kate enquanto sua mão esquerda pousava na lombar dela, apertando-a contra si. Os ombros de Kate balançavam violentamente com os soluços que escapavam de sua garganta e seu corpo chacoalhava nos braços de Garrett. Carmen e Eleazar se aproximaram silenciosamente e Carmen começa a alisar os cabelos loiros de Kate e a sussurrar perto do ouvido dela palavras de conforto, enquanto Eleazar afaga suas costas. Garrett, firme, encostou a bochecha no topo da cabeça dela, mantendo-a segura, enquanto observava Tanya, imóvel e com a cabeça abaixada, mantendo a testa encostada na caixa, perdida em sua dor silenciosa e profunda.

Quando Tanya finalmente se levantou, virando-se lentamente para encarar o resto da família, seu peito se apertou ao ver o estado vulnerável de Kate, toda encolhida nos braços de Garrett. Sem hesitar, Tanya caminhou até eles e parou diante de Kate. Tanya colocou as mãos no rosto de Kate e inclinou-se para beijar os cabelos da irmã. Depois, Tanya passou seus braços ao redor de Kate, envolvendo-a em mais um abraço, mesmo com Garrett já segurando-a firmemente, agora com as duas mãos na lombar dela. Sem desencostar a cabeça do peito de Garrett, Kate olha para Tanya e as duas permanecem em silêncio, se olhando.


-Eu estou aqui, Kate... — Tanya sussurra e afasta os cabelos de Kate do rosto dela antes de colocar as mãos no rosto dela — e pra sempre estarei


Sem sair do abraço de Garrett, Kate assente, olhando para Tanya em silêncio, com seu queixo trêmulo pelo choro, e estendeu o braço direito em direção à Tanya, segurando com a mão esquerda as cartas que carregava contra o peito. As duas se abraçaram e Kate encostou seu queixo no ombro de Tanya, trocando forças naquele gesto silencioso. Kate então quebrou o silêncio segundos depois e sussurrou no ouvido da irmã que também estaria sempre ao lado dela, garantindo-lhe apoio, lealdade e companhia para eternos, e finalizou o momento com um beijo terno na bochecha da irmã mais velha. Tanya beija a bochecha de Kate em resposta e fica ao lado da irmã, com seu braço esquerdo ao redor da cintura de Kate.

Garrett permaneceu em silêncio à esquerda de Kate, as assistindo sem tirar os braços ao redor dela. Carmen, que estava posicionada à direita de Tanya no círculo que formavam, estendeu seu braço direito em direção à Tanya, a abraçando. Kate troca olhares com Carmen em silêncio e Carmen estende sua mão esquerda em direção ao seu rosto, tocando sua bochecha, o que faz Kate fechar os olhos por um momento.

Em silêncio, Tanya encosta a cabeça na cabeça de Carmen, sem tirar os braços ao redor da cintura de Kate. Ao lado de Carmen, entre ela e Garrett, estava Eleazar, que permanecia em silêncio, com sua mão esquerda repousando na cintura da esposa enquanto a mão direita pousava no ombro esquerdo de Garrett, enquanto o pequeno círculo de afeto e luto se mantinha firme em meio à dor compartilhada.


Foi então a vez de Kate de prestar sua última homenagem à Irina e ao se desvencilhar do emaranhado de braços que se abraçavam e se confortavam, ela andou até a caixa, se abaixando diante dela para depositar ali as cartas e sua pulseira. Garrett, Tanya, Carmen e Eleazar, nessa ordem, ficam em linha reta, assistindo em silêncio a despedida de Kate.

O peso da emoção fez Kate cair de joelhos na neve com as pernas dobradas para trás. Garrett quis ir até ela, mas Tanya pousou sua mão direita no antebraço dele. Garrett olhou para Tanya e ela balançou a cabeça negativamente para ele, o que o fez voltar um passo para trás e a assistir de longe. Kate precisava desse momento à sós para se despedir de Irina.

Kate ficou ali por alguns segundos segurando as lembranças de Irina contra seu peito enquanto observava os objetos deixados dentro da caixa. Beijou as cartas e a pulseira antes de finalmente colocá-las na caixa, como se transferisse para Irina aquele gesto todo o amor, a saudade e a dor contida que carregava no coração.


-Te amo, irmãzinha... — Kate murmura, com sua voz trêmula, e pousa suas mãos, agora unidas, sobre suas pernas — espero que você tenha se encontrado com a mamãe e com o Laurent e agora esteja em paz ao lado deles. Eu e a Tanya vamos ficar bem com a Carmen, o Eleazar e o Garrett... — ao pronúnciar o último nome, Kate sorri triste — você ia gostar do Garrett... eu achei a minha alma gêmea e ele me faz feliz. Queria tanto que você e Laurent estivessem aqui, nós estaríamos todos juntos, felizes...


As palavras de Kate, embora pronúnciadas em volume baixo, inaudível aos ouvidos humanos, puderam ser ouvidas pelos quatro vampiros parados centímetros atrás dela. Tanya sentiu uma pontada profunda no peito ao ouvir as palavras de Kate. Cada palavra dita por ela parecia rasgar seu coração congelado, mas apesar da dor, Tanya ainda contava com Kate, que poderia sempre contar com ela, assim como as duas poderiam contar com Carmen, Eleazar e Garrett e eles por sua vez poderiam contar com elas para seguir adiante, o que era reconfortante de se ouvir.

Depois de fecharem a caixa com chave, Eleazar foi quem transportou até o local escolhido para o enterro. A família, que agora incluía Garrett, se agachou ao redor e com cuidado e reverência, depositaram todos juntos a caixa dentro da cavidade cavada na terra úmida por debaixo da espessa camada branca para em seguida cobrí-la em silêncio. Ao terminarem de colocar a terra e a neve por cima, romperam o silêncio com aplausos suaves, em homenagem à irmã e filha que tanto amavam.

Ajoelhada na neve, Kate encostou a cabeça no ombro de Garrett e pousou sua mão direita na perna esquerda dele, buscando conforto, enquanto observa Eleazar cuidadosamente posicionar sobre a neve uma placa de aço inoxidável. Em resposta, Garrett, que também estava ajoelhado, passou seu braço esquerdo ao redor de Kate e pousou sua mão esquerda na cintura dela, dessa forma puxando-a suavemente para mais perto de si enquanto seus olhos fixavam-se na placa de aço inoxidável e ele lia repetidas vezes a inscrição gravada em baixo relevo na placa.


Irina Denali.

Filha e irmã amada. Sua família te amará por toda eternidade.


Sentada na neve com as pernas cruzadas em posição de índio à esquerda de Kate, Tanya estava em silêncio, com as mãos sujas pela terra molhada unidas. Seus olhos dourados fixavam-se na placa de aço inoxidável e lia repetidas vezes o nome de Irina gravado em baixo relevo nela. Em pensamento, Tanya pedia desculpas à mãe por ter falhado em proteger Irina, mas que manteria sua promessa de proteger Kate a todo custo. Ela sabia que a escória da Itália não perdoariam o que aconteceu naquela clareira e que era uma questão de tempo até os Volturi voltarem para destruir os Cullen e os Denali e assim, obterem para si os talentos que consideravam valiosos: Alice, Edward, Bella e Kate.

Mil anos atrás, Tanya, Kate e Irina apenas escaparam com vida da execução de sua mãe e do pequeno Vasili pois não tinham conhecimento acerca do garotinho, mas a decisão de poupá-las partiu de Aro e de Marcus, enquanto Caius, o mais cruel dos três, foi a favor de exterminá-las, mas não o fez por pressão dos outros dois. O engano cometido por Irina foi a desculpa perfeita para que Caius cumprisse o que ele desejou fazer por um milênio e se Eleazar e Emmett não tivessem detido Tanya e se Garrett não tivesse conseguido segurar Kate com a ajuda do escudo de Bella, o destino delas teria sido o mesmo que o de Irina e ele teria conseguido o que tanto queria: eliminar de uma vez por todas as irmãs Denali.

Eleazar estava agachado ao lado de Tanya e, ao finalizar a fixação da placa sobre a sepultura simbólica, pousa sua mão esquerda em sua perna esquerda ao mesmo tempo que passa seu braço direito ao redor da cintura de Carmen, que estava sentada na neve, sobre suas pernas que estavam dobradas para trás, entre ele e Garrett, completando assim o círculo que os cinco formavam ao redor de onde a caixa foi enterrada, simbolizando o corpo de Irina.


*******

Dois dias se passaram desde o funeral simbólico e embora a ferida ainda fosse recente, a vida precisava continuar. Cada um, à sua maneira, buscava um modo de lidar com o vazio deixado pela mulher cheia de vida, risonha e sonhadora que um dia Irina foi.

Eleazar tinha retornado ao trabalho dois dias após retornarem de Forks, apesar de que poderia ter usufruído da licença que lhe daria até três dias de afastamento, mas preferiu não fazê-lo. Sabia que se manter ocupado seria uma forma de não se perder no sofrimento de ter perdido sua filha adotiva mais nova. Carmen, por sua vez, também retornou à suas atividades profissionais. No dia seguinte ao funeral, foi contratada por um casal de clientes antigo para desenvolver um novo projeto: um chalé luxuoso em Anchorage, e era nisso que mantinha-se focada. Era em seu quarto, a sós, onde Carmen e Eleazar se permitiam chorar pela perda de Irina e consolavam um ao outro, pois não queriam que Tanya e Kate os vissem sofrer quando eram eles que precisavam ser o apoio das duas.

Tanya mergulhou de cabeça em sua produção de velas aromáticas artesanais, transformando seu ateliê em um verdadeiro refúgio. Era naquele espaço acolhedor, impregnado por essências, cores e formas, que ela conseguia canalizar a dor que sabia ser eterna, tão profunda quanto a que ainda carregava pela morte de sua mãe.

Quanto à Kate, ela se desdobrava em várias frentes, tentando manter o equilíbrio entre ajudar Tanya na produção das velas artesanais, na criação de novas peças de jóias com o seu cuidado e perfeccionismo de sempre, e ainda administrava sua loja, controlando o estoque, recebendo e enviando pedidos, cuidando do financeiro, reposição de materiais, etc... Sem contar que, além disso tudo, Kate ainda dedicava-se ao seu relacionamento com Garrett. Os dois agora eram inseparáveis, como unha e carne, e seu vínculo se tornava mais forte a cada dia.

Quando não estavam no quarto, estavam caçando ou passando tempo com os demais, mas sempre estavam juntos. Kate acompanhava Garrett em suas caças quase diárias, nem tanto para se alimentar, mas por apoiá-lo. Linces e ursos-pardos agora eram as opções favoritas de Garrett, que dizia que estes, por serem animais carnívoros, ofereciam um sabor mais próximo ao do sangue humano. O mais importante, porém, era a mudança gradual em seus olhos, que agora exibiam um tom de laranja profundo, prenunciando o âmbar que em breve se tornaria o dourado que ele mostrava-se ansioso para adquirir.

O céu ainda estava escuro lá fora, apesar de já serem 7 da manhã em Fairbanks. No quarto que agora dividia com Garrett, Kate estava sentada em sua cadeira de escritório. O quarto estava mergulhado em penumbra, iluminado pela luz suave vinda do closet e pela luz azulada vinda da televisão que estava no mudo como Garrett tinha deixado para não atrapalhá-la antes de ir tomar um banho, Kate tinha acendido sua luminária sobre sua mesa para ajudá-la. Os lençóis bagunçados sobre a cama e os travesseiros e almofadas fora de ordem indicavam onde ela e Garrett tinham estado nas horas anteriores, maratonando as séries preferidas de Kate enquanto trocavam beijos e carícias.

Kate agora estava concentrada no processo de embalar os pedidos que seriam enviados mais tarde naquele dia. Kate colocava com delicadeza as peças de uma mesma cliente em estojos de veludo vermelho, cada um gravado com sua logomarca em dourado. Uma das peças era uma delicada pulseirinha de bebê em ouro 18 quilates, com uma plaquinha gravada com o nome "Ava Marie", e a outra era uma correntinha, também em ouro 18 quilates, para a mãe, com uma pequena bonequinha e o nome "Ava" logo abaixo. Ao observar os detalhes de sua própria criação, Kate já imaginava o design do presente que levaria para a pequena Renesmee da próxima vez que visitassem os Cullen.

Apesar de vampiros não dormirem, Kate amava trabalhar de pijama pois era confortável e era justamente por não dormir que ela amava trabalhar durante a noite e a madrugada, quando estava sozinha. Acontece que com a chegada de Garrett, ela ainda precisava reaver melhor seus horários para conseguir ter um tempo a sós com ele, embora Garrett fosse um fofo de deixar ela trabalhar sem querer ficar encima. Na ocasião, Kate vestia um shorts preto curto e uma blusa cinza clara de mangas compridas. Seus pés descalços descansavam em ponta contra o piso frio de madeira e seus cabelos loiros estavam soltos como era habitual.

Garrett saiu do banheiro nesse momento e caminhou até o quarto com as mãos em seus cabelos molhados, bagunçando-os. Ele, que levava apenas uma toalha enrolada ao redor da cintura, sorri ao ver Kate de costas, tão concentrada, e aproximou-se dela em silêncio. Garrett parou atrás de Kate e, com cuidado, afastou os cabelos dela da região do pescoço, o colocando para trás, e pousou as mãos firmes na cintura dela antes de se inclinar-se para beijar o pescoço dela.

O gesto de Garrett colocar seus cabelos para trás arrancou um sorriso de Kate e ao sentir o toque suave dos lábios de Garrett em seu pescoço, ela fechou os olhos e esticou o braço direito para trás, passando-o por cima do ombro de Garrett. Sua mão pousa na nuca molhada dele e jogou a cabeça para trás, fazendo um biquinho, o que levou Garrett a se inclinar sobre ela e depositar um selinho breve em seus lábios. Os olhos dele, então, se desviaram para a bancada diante dela, observando as caixinhas de veludo vermelho, e encosta sua bochecha com a bochecha dela. Suas mãos permanecem fixas na cintura de Kate.


-Muito trabalho? — ele perguntou curioso num sussurro. Kate riu suavemente, roçando seus lábios na bochecha dele com os olhos semicerrados. Garrett sorria e deposita beijos seguidos na bochecha de Kate, fazendo ela rir.

-Não... — ela respondeu, entre risos, e tirou sua mão direita da nuca de Garrett para pousá-la no rosto dele, acariciando-o acima da barba dele — mais cinco minutinhos e eu termino...


Kate tira sua mão direita do rosto de Garrett e olha novamente para sua mesa. Novamente ela se concentra em seu trabalho para finalizá-lo o quanto antes e ficar livre para ficar com ele. Garrett permanece em pé atrás dela, agora sem se curvar, mas com suas mãos na cintura de Kate enquanto a observa fazer os últimos ajustes. Ele observa Kate fechar as caixinhas de veludo com cuidado e colocá-las em uma sacolinha, finalizando o fechamento com um adesivo redondo contendo sua logomarca que foi retirado do rolo que repousava diante dela sobre a mesa. Para finalizar, Kate colocou as sacolinhas dentro de uma caixa e a lacrou com fita adesiva transparente e colou a identificação.

Kate solta um suspiro satisfeito ao terminar tudo e se recosta na cadeira ao voltar sua atenção para Garrett. Ela ergueu o queixo e inclinou a cabeça para trás, olhando para Garrett com um sorriso sugestivo se formando em seus lábios.


-Agora acabei... — disse Kate, em tom baixo e abre um sorriso malicioso — eu sou toda sua.


Garrett arqueou uma sobrancelha diante da ousadia na resposta de Kate e deixou escapar um sorriso de cunho provocador, antes de inclinar-se novamente para ela. Seus lábios encontraram os lábios dela em um beijo delicado enquanto seus dedos, ainda pousados na cintura delicada dela, apertavam-na suavemente, como se quisessem marcar sua presença ali, tornando o gesto íntimo e ao mesmo tempo possessivo.



-Toda minha mesmo? — ele murmurou contra os lábios dela, como se quisesse confirmar. Kate murmura um "uhum" contra a boca dele e Garrett a agarra, prendendo os braços dela sob seus braços, igual ele a segurou na clareira durante o enfrentamento com os Volturi, e então começou a distribuir beijos estralados por todo o rosto dela e nos lábios também, descendo em seguida para o pescoço dela. Garrett pressionava o rosto contra o pescoço de Kate, respirando o aroma doce dos cabelos loiros dela, e mordiscava suavemente sua pele fria, intercalando com beijos úmidos e arrastados. Kate fecha os olhos e ria, se encolhendo nos braços dele. Suas mãos contidas pousavam sobre as mãos dele. Garrett riu baixo ao sentir a forma como Kate se encolhia e ria em seus braços. A risada dela soava como música para ele e tudo o que ele mais queria era fazê-la feliz para que Kate nunca mais precisasse chorar.

Garrett a soltou lentamente após a intensa troca de beijos, mas manteve seus braços ao redor de Kate, com as mãos unidas e os dedos entrelaçados sobre a barriga dela, num gesto de posse e ternura ao mesmo tempo. Sua cabeça inclinava-se sobre a dela e sua bochecha roçava nos cabelos dela. Kate sorria nos braços dele, com suas mãos sobre as mãos dele em sua barriga.

O que Kate mais desejava era viver outro milênio, atravessar séculos e eras, ao lado de Garrett, que por sua vez, sentia que a eternidade que tinham pela frente ainda lhe parecia insuficiente para dar à ela todo o amor que transbordava dentro dele. Cada toque, cada beijo, cada abraço se transformava em promessa silenciosa de que jamais deixaria o lado dela, e que cada segundo, mesmo tendo a eternidade toda pela frente, ao lado dela seria precioso demais para ser desperdiçado.


Mesmo sem querer deixar o aconchego daquele abraço gostoso, Kate girou a cadeira giratória para ficar de frente para Garrett, que endireitou-se e colocou as mãos na cintura. Ele sorriu para ela e Kate responde o gesto com um sorriso direcionado à ele. Garrett então volta a se inclinar em direção à ela e, colocando as mãos no rosto dela, a une seus lábios aos lábios dela. Kate sorri contra os lábios dele e coloca sua mãos nos pulsos dele.

Garrett encostou sua testa na de Kate e com um sorriso terno nos lábios e os olhos fechados, ele roçou o nariz no dela — eu te amo — murmurou ele. Kate sorriu, também de olhos fechados, e se levantou da cadeira e ficou de pé junto dele. Suas mãos repousaram nos ombros nus de Garrett, e ela inclinou-se para beijar a ponta do nariz dele, um toque leve que provocou uma risada baixa e rouca dele. Garrett, com um sorriso cúmplice, posicionou a mão direita atrás da cabeça de Kate. Seus dedos mergulharam nos cabelos loiros dela, enquanto sua mão esquerda posava na lombar dela. Ao inclinar seu rosto, Garrett roçou os lábios no canto da boca dela, mordiscando o local de leve, provocando uma eletricidade gostosa que fez Kate se encostar ainda mais nele, perdida naquele instante de intimidade e ternura intensa.


-Também te amo... — Kate mal conseguiu falar porque sua voz quase se perdeu. Ela estava totalmente entregue às carícias de Garrett e inclinou a cabeça para trás, expondo o pescoço. Garrett não hesitou em atacá-la com seus lábios quentes e até lambidas molhadas contra a pele dela, provocando arrepios que subiam por todo o corpo de Kate, que gemeu baixinho ao sentir a língua de Garrett descendo em direção ao seu colo e encostando na parte que estava descoberta pela blusa que ela usava e seu corpo se arqueou nos braços dele, completamente absorvida pelo calor e intensidade que Garrett transmitia em cada toque, sentindo-se ao mesmo tempo vulnerável e segura nos braços dele.


Com um sorriso desenhando-se em seu rosto, Garrett abriu os olhos e sorriu para ela. Kate abria os olhos nesse momento e sorriu de volta. Ele então pegou Kate no colo, sentindo como o corpo dela encaixava-se perfeitamente contra o seu. Ela riu ao ser erguida e passou os braços ao redor do pescoço de Garrett enquanto suas pernas se entrelaçavam na cintura dele, mantendo-os colados e conectados em cada movimento.

Seus rostos ficaram na mesma altura e suas testas encostavam-se. Os olhos dourados de Kate fixaram-se intensamente nos laranja escuros de Garrett e os dele fixos nos dela, como se todo o mundo ao redor deles tivesse desaparecido. Então, Garrett uniu seus lábios aos lábios dela novamente e começou a girar em torno de si pelo quarto, com Kate em seus braços.

Kate ria contra os lábios de Garrett e se agarrava mais nele, afundando sua mão direita nos cabelos castanhos dele enquanto sua mão esquerda permanece pousada na escápula dele. Seus cabelos loiros dançavam pelo movimento. Contra os lábios dela, o sorriso de Garrett se alarga a cada risada dela enquanto eles giravam em direção à cama, juntos e sem pressa, como se o tempo tivesse decidido parar só para eles.

Eles continuaram girando até que Garrett, com cuidado, subiu na cama e sentou-se no meio dela com Kate sentada em seu colo. As pernas de Kate continuavam envoltas à cintura de Garrett enquanto seus braços abraçavam o pescoço dele. Suas mãos repousavam na nuca de Garrett e seus dedos entrelaçados nos fios castanhos e meio compridos dele, puxando-o levemente para perto. As mãos de Garrett deslizavam pelas costas de Kate, explorando cada curva dela.

Por um instante, seus lábios se desgrudam e Kate e Garrett abriram os olhos ao mesmo tempo, permitindo que seus olhares se encontrassem em meio à penumbra do quarto. Os olhos dourados de Kate brilharam intensamente ao fixarem-se nos laranja escuros de Garrett, que, por sua vez, devolvia o mesmo brilho e intensidade ao olhar para os olhos dourados dela. Um sorriso silencioso surgiu nos lábios dos dois, carregado de cumplicidade, e Garrett apertou de leve a cintura dela.

Kate sorri e por iniciativa de Garrett, seus lábios se encontraram novamente. Suas línguas se entrelaçaram em movimentos lentos e provocativos, explorando-se com uma urgência que se eles fossem humanos, já estariam sem fôlego. As mãos de Kate vão parar no rosto de Garrett e seus dedos contornam a linha da mandíbula dele enquanto ela mordiscava o lábio inferior dele, o que arranca um gemido abafado dele. As mãos de Garrett deslizam pelas curvas do corpo de Kate, que parecia ter sido talhada a mão pelos anjos de tão perfeita que ela era aos olhos dele, até encontrarem a barra da blusa cinza que ela vestia.

Cada toque vinha acompanhado do sons molhados dos beijos misturado com o som dos gemidos abafados e suspiros deles que ecoavam pelo quarto, preenchendo o espaço com a intimidade e o desejo que os consumia. Com movimentos ágeis e precisos, Garrett começou a puxar a blusa de Kate, levantando o tecido lentamente e expondo cada vez mais a perfeição do corpo dela. Seus lábios se afastaram apenas o suficiente para permitir que a blusa passasse por sua cabeça, revelando o sutiã preto que Kate usava.

Garrett amassa a blusa de Kate na sua mão e a joga para longe antes de pousar novamente suas mãos na cintura dela. Kate observa, rindo, como sua blusa voa pra longe. Os olhos de Garrett pousaram no colo de Kate, incapazes de desviar da curvatura dos seios dela, que pareciam ter sido feitos sob medida para caberem em suas mãos. Kate desviou o olhar para o próprio colo e sorriu malicioso desenhando-se em seus lábios ao perceber para onde os olhos de Garrett estavam direcionados. Kate empurrou seus cabelos para trás para liberar a vista e de provocação, olhou para seus seios ao fingir ajustar a alça direita de seu sutiã e depois o puxa um pouco para baixo, gesto que não passou desapercebido por Garrett.


- Gosta do que vê? — Kate ergue seu olhar ao perguntar, com um tom sedutor presente em sua voz. Suas mãos pousaram abertas no peito nu de Garrett, sentindo a firmeza de cada músculo sob a pele fria dele, enquanto ela se inclinava para a frente de modo deliberado. Os olhos de Garrett se fecham no momento que a ponta da língua de Kate percorreu seu lábio inferior antes de prendê-lo entre seus dentes num mordiscar provocador. Garrett deixou escapar um gemido e instintivamente, sua mão apertou mais forte a cintura de Kate, enquanto a outra mão subia para a nuca dela, puxando-a ainda mais para si. O gesto dela incendiava cada fibra de seu corpo e, sem controle, ele sentia seu membro endurecer ainda mais sob a toalha, a pressão tornando impossível disfarçar o quanto aquela ousadia o deixava em chamas.

-Você é uma mulher maravilhosa — Garrett sussurra, com sua cabeça inclinada de forma que sua boca roçava contra o pescoço dela. Enquanto ela desfrutava com os olhos fechados dos beijos e chupadas dele em seu pescoço, seu sorriso se alargou, lembrando-se da primeira vez que ele lhe disse isso. Em sua mente, vem a imagem de Garrett caído de joelhos diante dela depois do choque que ela deu nele quando ele a desafiou sobre sua habilidade quando ela ajudava Bella a expandir seu escudo. Mal sabia Kate foi que nesse mesmo momento onde Garrett decidiu que faria tudo que estivesse em seu alcance para que ela fosse dele. E ele conseguiu porque ela era toda dele.


Garrett voltou a beijá-la com intensidade, unindo sua boca à de Kate num ritmo lento e sensual. Suas línguas se encontraram, explorando-se em um compasso que misturava urgência e doçura, como se fosse tanto um desejo quanto uma necessidade. Suas mãos deslizaram pelas costas de Kate à procura do fecho do sutiã. Garrett o abriu assim que o achou e mordiscou o lábio inferior dela de forma provocadora, arrancando um gemido de Kate.

Garrett então apartou seus lábios dos lábios dela por um momento para depositar um beijo no ombro direito de Kate ao deslizar delicadamente as alças do sutiã pelos braços dela. Kate sorri com o gesto dele, mas estava com pressa para estar nos braços dele e por isso tratou de ajudou-o a livrar-se da peça, jogando-a para longe sem se importar com onde cairia. Os dois riem e ela então levou as mãos ao rosto de Garrett ao capturar os lábios dele, que voltou a rodear o corpo dela, colando-o contra o seu. O contato dos seios dela, com os mamilos enrijecidos, contra o peito nu dele arrancou um arrepio conjunto, tornando tudo ainda mais eletrizante.

As mãos de Kate deslizaram pelo rosto de Garrett e descansam em sua clavícula, onde ficaram, sentindo a firmeza da pele dele sob o toque. Em seguida, seus lábios desceram para o pescoço dele, espalhando beijos molhados e provocativos, entremeados por leves mordiscadas que arrancaram um suspiro rouco de prazer de Garrett, que de olhos fechados, deixou-se levar pelas carícias dela, sentindo cada arrepio que os beijos dela despertavam, enquanto sua mão direita se enredava nos cabelos loiros de Kate, a esquerda permanecia espalmada nas costas nuas dela, mantendo-a junto dele.

Kate agora estava mordiscando a linha da mandíbula de Garrett, sentindo a textura áspera da barba dele roçando contra sua pele, quando ergueu o olhar para encará-lo. Mantinha sua boca na mandídula dele, agora chupando-a, quando um sorriso provocador surgiu em seus lábios ao ver Garrett tão entregue e decidiu apimentar a brincadeira. Ela então se afasta dele e tira suas pernas da cintura de Garrett antes de deslizar para fora do colo dele.

A súbita ausência do corpo dela contra o seu fez Garrett abrir os olhos e encará-la com surpresa e desejo. Kate, que tinha se sentado sob suas pernas dobradas para trás ao lado dele, sorriu de forma maliciosa e, sem tirar os olhos dos dele, levou as mãos aos próprios cabelos e, com um movimento ágil e natural, prendeu-os num coque improvisado, amarrado com o próprio cabelo. Os olhos de Garrett percorreram os seios perfeitos até a barriga dela, ansioso para tocá-la e para encher o corpo dela de beijos enquanto a faz gemer como nenhum outro homem antes dele fez.


-Shhhh quietinho — Kate murmura antes que Garrett tivesse tempo de reagir ou de soltar alguma palavra e colocou suas mãos no peito dele antes de empurrá-lo, o fazendo deitar bruscamente de costas para a cama. Garrett nem tenta levantar, só ergue um pouco a cabeça e dobra seus braços para trás, pousando suas mãos atrás de sua cabeça enquanto observa o Kate ia fazer.


Ele sorria ao assistir como Kate desatava o nó improvisado que ele havia dado na toalha para amarrá-la em torno do corpo. Quando o tecido se abriu, Garrett nota a forma com a qual Kate morde o lábio inferior ao ver o membro completamente enrijecido dele. Garrett mantinha os olhos fixos em Kate, gravando cada movimento dela em sua mente. Ele vê como ela firmou-se no colchão, apoiando os joelhos e a mão esquerda para sustentar-se na posição enquanto sua mão esquerda encontra seu membro. Com lentidão provocante, Kate ergueu o olhar e olhou para Garrett de modo provocador ao pegar no membro dele e fechar os dedos em torno dele, sentindo a pulsação intensa contra sua pele.


-Kate.... — o som que escapou da garganta de Garrett ao gemer o nome de Kate foi rouco, presa na garganta. O calor e a firmeza da mão dela envolvendo seu membro o fizeram estremecer inteiro, a respiração falhando enquanto seus músculos se contraíam sob a onda de prazer que o atravessava. Seu peito subia e descia em ritmo acelerado, os olhos semicerrados revelando o quanto cada mínimo movimento dela o deixava à beira de perder o controle.



Um pequeno sorriso que curvava os lábios de Kate revelava o quanto ela se deliciava com o domínio que tinha sobre ele enquanto sua mão deslizava pelo membro de Garrett, envolvendo-o desde a base até a glande, num movimento ritmado de velocidade crescente que o fazia arfar sem conseguir abrir os olhos. Os olhos dourados dela permaneciam fixos em Garrett, intensos e cheios de malícia.

Kate então inclinou-se para a frente de forma lenta e sensual. O rosto dela foi se aproximando centímetro a centímetro, até que sua boca se entreabriu e ponta de sua língua escapou, úmida e quente, e avançou até tocar a glande dele com um toque delicado, quase reverente. Garrett reagiu imediatamente. Um gemido grave escapou-lhe entre os dentes cerrados. Seu corpo se enrijeceu sob o estímulo e sua mão direita foi parar nos cabelos dela, apertando a cabeça dela entra seu membro. Sua respiração, embora vampiros não precisassem respirar para viver, estava mais pesada.

Kate começou a chupá-lo, alternando entre succcionar e lamber, saboreando cada reação que arrancava dele. O ritmo aumentava aos poucos, enquanto a ponta da língua roçava a glande, provocando arrepios involuntários. Garrett gemia e seu quadril se movia levemente contra ela em resposta, enquanto sua mão empurrava a cabeça dela, puxando-a mais para si. A sensação de ser tão totalmente desejado, ao mesmo tempo que a observava tomar controle, intensificava cada reação, deixando-o ao limite do desejo.


-Katie... — seus gemidos se tornaram mais urgentes e seu abdomen se contraía violentamente. Ele sentia a tensão acumula-se em seu corpo atingir um ponto insuportável. Kate ergueu o olhar e sorriu para Garrett enquanto lambia lentamente toda a extensão do membro dele — eu vou...

-Pode gozar que eu chupo... — Kate o provoca com uma voz que sai rouca e lenta, arrastada. Ela manteve os olhos fixos em Garrett e voltou a colocar o membro dele na boca, succionando-o, enquanto sua mão direita deslizava concentrada na base, mais precisamente nos testículos. Foi então que aconteceu. Garrett explodiu na boca dela e um gemido grave e rouco escapou de sua garganta ao mesmo tempo que a mão dele pressionava sua cabeça em direção à ele, o que fazia o membro dele entrar em sua boca e ir até sua garganta. Um sorriso malicioso e triunfante se formou lentamente nos lábios de Kate, contente do efeito que provocava nele. Sem hesitar, continuou a chupá-lo, sugando cada traço de seu prazer. Cada gesto seu era calculado, sensual e provocador, um reflexo de seu controle absoluto sobre o momento, enquanto Garrett se contorcia de prazer sob seu toque, incapaz de resistir à combinação de seu desejo e ousadia.

-Agora eu entendo porque os homens morriam... — Garrett brinca e volta a dobrar os braços para trás da cabeça enquanto observa Kate deslizar para fora de cima dele e se sentar ao lado, acomodando-se por sobre suas próprias pernas dobradas para trás, ainda mantendo o olhar fixo em Garrett.

-Porque eu era tipo uma Viúva Negra que não conseguia me controlar e acabava drenando meus parceiros? — ela ironiza, rindo, e Garrett revira os olhos.

- É porque você é tão perfeita que nenhum deles aguentava a emoção...


Kate revira os olhos. Garrett riu e então ergueu a mão direita, fazendo um gesto para que ela se aproximasse. Kate morde o lábio inferior com um sorriso malicioso, apoiou as mãos no colchão e se inclinou de quatro sobre ele, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Garrett, com cuidado, levou sua mão direita aos cabelos de Kate e o soltou do coque improvisado, fazendo com que os cabelos loiros dela caíssem pelos ombros e pelas costas dela. Garrett rouba um selinho dela, arrancando um sorriso de Kate, e então a agarrou pela cintura com firmeza e, num movimento ágil, rolou com ela em seus braços, deixando-a por baixo. Kate riu novamente, surpresa, e pousou as mãos sobre os ombros dele. Suas pernas rodeiam a cintura dela, fazendo ambos arfarem com o roce de suas genitálias.


-Ainda bem que não sou humano... — ele disse em tom brincalhão, aproximando o rosto do dela de forma que seus narizes roçam um no outro — Se não eu morreria agora mesmo de um infarto.


O riso de Kate preencheu o quarto e logo Garrett também riu, cúmplice. Então, quando os dois se calaram, embora seus lábios continuassem curvados, seus olhos se prendem um no outro e, apesar de não precisarem respirar, suas bocas se entreabriam em intervalos irregulares, como se a intensidade daquilo os obrigasse a ofegar, a buscar ar que não necessitavam. O peito de Garrett roçava o dela a cada falso suspiro, e Kate sentia a presença dele a envolver-lhe por completo.

Garrett mais uma vez não resistiu e inclinou-se sobre Kate para beijá-la. Suas mãos pressionam de leve a lombar de Kate, trazendo-a mais para si, antes de seguirem o caminho até a cintura delicada dela. Kate respondeu ao gesto dele colocando suas mãos, que antes repousavam nos ombros dele, no pescoço. A ponta de seus dedos se enredou nos cabelos castanhos dele, puxando-o ainda mais para perto.

O beijo se aprofundou quando Garrett deixou sua língua invadir a boca dela, encontrando a língua quente de Kate. O contato foi eletrizante, como se cada toque fosse uma descarga de prazer que se espalhava pelos dois sem que Kate precisasse usar de fato o seu dom. Era como se o mundo inteiro desaparecesse, restando apenas eles.

No mesmo compasso do beijo, Garrett começou a mover seus quadris em direção à Kate, pressionando o membro rígido contra a intimidade coberta pela calcinha e pelo shorts preto que ela ainda usava. O atrito, embora ainda não houvesse penetração, era intenso o bastante para arrancar gemidos abafados dos lábios dela, que se misturavam ao som molhado do beijo. Kate arqueava levemente o corpo em resposta, correspondendo ao ritmo dele, perdida entre o prazer da provocação e a antecipação do que ainda estava por vir.

Garrett chupava o lábio inferior de Kate, arrancando gemidos abafados dela, enquanto suas mãos desceram lentamente pela cintura dela até alcançarem o elástico do shorts preto que ainda cobria aquela parte do corpo dela. Ele roçou a ponta dos dedos ali, brincando com a borda, até que o indicador foi mais fundo, pegando também no elástico da calcinha, sentindo o calor que ela guardava por baixo do tecido. Garrett então afasta um pouco seu rosto do dela e a perda do contato com a boca dele faz Kate abrir os olhos. Com um sorriso enviesado, Garrett aproxima sua boca do ouvido dela e mordiscou o lóbulo. Kate revira os olhos e enterra suas mãos nos cabelos dele.


-Me diz... por que você ainda está com isso, hein? — ele murmurou em tom baixo e provocador, puxando o shorts e a calcinha dela para baixo. Kate soltou um suspiro entrecortado e aproxima sua boca da orelha dele.

-Talvez eu só estivesse esperando você tomar a iniciativa... — Kate o provoca de volta, com a voz rouca e arrastada, e mordisca o lóbulo da orelha de Garrett, o fazendo alisar seu rosto no rosto dela enquanto sente o cheiro do pescoço e dos cabelos dela, fazendo-a suspirar com o toque da barba áspera dele. Kate fecha seus dedos nos cabelos dele.


Eles ficam assim, se curtindo em silêncio, até Garrett tomar coragem para sair dali, mesmo que fosse só por uns segundos. Ele se desvencilha dos braços de Kate e se ajoelha ao lado dela, na altura dos quadris. Ela olhava para ele, sorrindo, e dobra suas pernas para cima, levantando o quadril num movimento instintivo. Sem pensar duas vezes, Garrett voltou a colocar suas mãos no elástico do shorts dela e praticamente arrancou as peças de roupa que restavam no corpo de Kate, deslizando-as pelas pernas dela até tirá-los completamente.

Kate estica suas pernas e também seus braços para cima, se espreguiçando. Garrett deixou o olhar vagar lentamente pelo corpo nu de Kate, admirando cada detalhe como se estivesse diante de uma visão impossível de ser real. Kate mantém seus braços, agora dobrados, sobre sua cabeça e sua perna direita esticava-se enquanto a perna esquerda dobrava para cima.


-Você é maravilhosa, mulher... — ele murmurou num tom cheio de desejo e ternura ao mesmo tempo e com um sorriso em seus lábios. Ela riu e afunda a cabeça no colchão. O som de sua risada ecoa pelo quarto e seu corpo chacoalha. Os olhos de Garrett pousaram nos seios dela, que balançavam suavemente com a risada dela, fazendo seu desejo arder ainda mais. Seus olhos estavam presos nesse detalhe até que uma palavra o fez voltar-se por inteiro a ela.

-Garrett... — Kate gemeu seu nome, um chamado quase urgente, e fez os músculos de Garrett se retesarem com a excitação que só aumenta. Ele não pensou duas vezes antes de se mover sobre ela, apoiando-se de quatro, suas mãos firmes pousando na cintura delicada dela para prendê-la sob si.


Garrett voltou a beijá-la, possessivo. Seus lábios se fundiam num ritmo intenso e o som úmido da boca contra a boca preenchia o quarto, misturado às respirações entrecortadas. As línguas se encontraram de novo, deslizando e pressionando-se uma contra a outra, num embate cheio de desejo e entrega, cada movimento provocando arrepios que percorriam seus corpos.

Kate respondeu de imediato, erguendo os braços para ao redor do pescoço dele. Suas mãos deslizaram até a nuca dele e seus dedos se enredam nos cabelos castanhos enquanto os olhos dourados brilhavam com o mesmo desejo que incendiava os dele. Suas pernas ainda envolveram a cintura dele, cruzando-se nas costas de Garrett para prendê-lo ainda mais contra si.

O corpo dele pesava sobre o dela de forma deliciosa, esmagando-a contra o colchão ao mesmo tempo em que a fazia sentir-se envolta, protegida. Os seios de Kate roçavam contra o peito dele, provocando tanto nela quanto nele um arrepio intenso. A cada movimento mínimo, o prazer se intensificava, alimentando o desejo mútuo que parecia prestes a explodir.

Os lábios de Garrett se desprenderam dos de Kate e começaram a traçar um caminho úmido e ardente até o pescoço dela. Ele começa depositando beijos molhados e leves mordiscadas até escolher um ponto para prender os lábios e sugar com firmeza, chupando o local de forma provocadora. Ao mesmo tempo, começou a mover os quadris em um vaivém lento e calculado, pressionando o membro rígido contra a intimidade dela, mas sem penetrá-la, apenas roçando, atiçando, fazendo-a implorar em silêncio.

Garrett interrompeu por um instante o movimento provocador dos quadris e ergueu o rosto apenas o suficiente para encarar Kate. Os olhos dele, intensos e escurecidos pelo desejo, se fixaram nos olhos dourados dela quando, com cuidado, deslizou para dentro dela. Garrett sente como as paredes de Kate se contraem em torno dele. Kate, que olhava nos olhos dele, solta um gemido alto e suas mãos, pousadas nos cabelos castanhos dele, apertam os fios com força.

Um arrepio percorreu sua espinha, e Garrett fechou os olhos e enterrou novamente seu rosto no pescoço dela ao começar a estocar, absorvendo não apenas o prazer físico, mas a intensidade de tê-la ali, tão entregue a ele. Ele volta a chupar o pescoço dela, aumentando cada vez mais a velocidade das estocadas. A sensação de estar dentro dela arrancava-lhe gemidos graves, parecidos com um rosnado, enquanto suas mãos, firmes na cintura dela, apertavam de leve o local.

Garrett a segurava pela cintura com firmeza, conduzindo, enquanto Kate o prendia com as pernas e os braços, como se quisesse nunca mais deixá-lo ir. Kate tombava a cabeça de lado para dar-lhe mais espaço para beijar seu pescoço. Seus olhos reviraram a cada pressão do quadril dele contra o dela. Garrett definitivamente sabia como enlouquecê-la como nenhum outro homem, humano ou vampiro, fez. Garrett sorria contra seu pescoço, sentindo-se o homem mais sortudo do mundo.

Seus corpos se moldavam um ao outro tão perfeitamente como se fossem duas metades que finalmente se encontraram depois de séculos sem saber que esperavam pelo outro. Eles tinham nascido para pertencer um ao outro, e nada poderia separá-los agora que finalmente tinham se encontrado.

Os gemidos de prazer ecoavam pelo quarto, misturado ao som das respirações entrecortadas e dos lábios que se buscavam entre um suspiro e outro, e do choque suave de seus corpos unidos criava uma sinfonia íntima que só eles poderiam entender. Garrett mantinha o ritmo das estocadas enquanto suas mãos deslizam lentamente da cintura de Kate até alcançar as nádegas dela, apertando-as com força e puxando-a contra si a cada investida. Seus lábios colaram-se ao pescoço dela, ora pressionando beijos úmidos que denunciavam sua posse e seu desejo, ora sugando a pele dela. Se fossem humanos, Kate acabaria com o pescoço marcado por chupões.

Kate arqueava o corpo sob o corpo dele, completamente entregue, sentindo cada movimento reverberar em ondas de prazer que percorriam sua espinha. Seus dedos se afundavam nos cabelos castanhos de Garrett, puxando-os em cada estocada mais intensa, como se buscasse prender-se a ele para não se perder na intensidade da sensação.

Kate gemia contra a boca dele. Seus dedos permaneciam enredados nos cabelos de Garrett, segurando-o com força, como se quisesse gravar para sempre a sensação de pertencimento absoluto que aquele momento trazia. O calor em seu ventre crescia de forma avassaladora, tomando-a inteira. Seu corpo inteiro se contraiu em espasmos prazerosos e suas pernas apertam a cintura de Garrett enquanto um gemido alto, cheio de urgência e êxtase, escapou de sua garganta e se perdeu ao pé do ouvido dele, selando o instante em que atingia o auge de seu prazer.

Sentindo-a estremecer e se contrair em torno dele, Garrett perdeu o controle. Um rosnado grave ecoou em sua garganta quando ele também atingiu o ápice, explodindo dentro de Kate com força. O prazer o percorreu inteiro, cada músculo tenso, cada fibra de seu corpo entregue ao momento.

Garrett ergueu o rosto do pescoço de Kate e tomou novamente seus lábios num beijo ardente, profundo e cheio da intensidade que ainda pulsava entre eles. O som úmido do encontro de seus lábios se misturando às respirações pesadas que trocavam. O ritmo de seus quadris começou a diminuir gradativamente. Cada estocada tornava-se mais lenta, mais prolongada, como se ele quisesse prolongar aquele instante ao máximo, sentir cada segundo da intimidade que dividiam. Suas mãos ainda seguravam firme as nádegas de Kate, guiando o corpo dela contra o dele, mantendo-a completamente unida a si.

Garrett, com seu corpo ainda colado ao corpo dela, começou a depositar uma sequência de selinhos suaves nos lábios de Kate, um após o outro. Kate riu baixinho. Sua risada, abafada pelos lábios de Garrett, ecoa pelo quarto e entra nos ouvidos dele como a mais doce das melodias. As mãos de Kate agora pousavam no rosto dele, segurando-o com carinho enquanto retribuía todos os beijos dele ao encher os lábios dele de selinhos seguidos também.

Garrett então afasta seu rosto do rosto de Kate por uns instantes e a observou por um segundo, com um sorriso no rosto e os olhos faiscando com desejo e ternura misturados. Kate sorria para ele, mantendo suas mãos no rosto de Garrett. Ele então afunda mais uma vez o rosto no pescoço dela, deixando ali um beijo quente e possessivo, fazendo ela rir e fechar os olhos, apertando-os pela cócega. Então, com delicadeza, Garrett moveu-se e deslizou para fora dela, arrancando um suspiro suave dela. Garrett mantém-se de quatro sobre Kate, com as mãos apoiadas no colchão ao lado do corpo dela, sentindo ainda a energia pulsante do que haviam acabado de compartilhar.

Kate novamente abriu os olhos e seus olhos dourados se fixam nos olhos laranja escuro dele. Garrett sorri para ela e Kate sorri para ele. Garrett então deposita um beijo na ponta do nariz de Kate, arrancando-lhe uma risada, antes de descer com seus beijos estralados para o pescoço dela e depois para seu colo, fazendo seus lábios vibrarem contra a pele sensível dela.

Os olhos dourados de Kate acompanham cada movimento de Garrett e ela ergue a cabeça, mantendo-a no ar, ao sentir a boca dele explorando seu colo. Ela tira as mãos do rosto dele e a colocam nos cabelos dele, apertando-os, ao sentir o arrepio que percorreu sua espinha quando Garrett abocanhou um de seus seios, sugando-o com intensidade, alternando entre chupadas e mordidas suaves no mamilo rígido. Kate fechou os olhos e jogou a cabeça para trás, soltando um gemido trêmulo.

Com o mamilo direito de Kate na boca e a mão esquerda massageando o seio esquerdo dela, Garrett ergueu o olhar e sorriu ao vê-la gemer. Antes de continuar, ele subiu de novo, apoiando as mãos ao lado do corpo dela contra o colchão que afunda com o peso, e inclinou-se para lhe dar um último selinho nos lábios de Kate. Ela riu com os olhos fechados, surpresa pelo beijo que não esperava, e o beija também, colocando as mãos no rosto de Garrett por uns segundos até ele novamente deslizar para baixo e começar a espalhar beijos estralados pela barriga dela até chegar mais em baixo.

Kate voltou a encostar a cabeça no colchão e mordeu o lábio inferior, respirando entrecortado. Seus cabelos loiros espalhavam-se ao redor de sua cabeça. Seu ventre se contraiu em ondas de prazer e expectativa quando sentiu a ponta da língua de Garrett deslizar lenta e provocante desde o seu umbigo até a linha da pelve, fazendo-a arfar. Era como se cada traço de língua fosse uma promessa do que viria em seguida.

Instintivamente, ao sentir como Garrett abria suas pernas e as segura por baixo, com as mãos em suas coxas, Kate levou as mãos aos próprios seios, massageando-os em movimentos circulares, apertando-os contra os dedos, como se precisasse intensificar ainda mais o prazer que já a consumia. Seus gemidos suaves ecoaram pelo quarto quando sentiu a língua de Garrett explorar o interior de sua virilha, lenta e provocativa, até alcançar o monte de Vênus, onde ele se demorou em beijos molhados e possessivos.

Os olhos de Garrett ergueram-se para ela por um instante, maliciosos e intensos, o olhar faminto encantado pela visão do paraíso. Kate estava totalmente entregue, as mãos apertando os seios, o corpo arqueado em pura antecipação. O sorriso lascivo surgiu em seus lábios antes de ele mergulhar finalmente em sua intimidade molhada, decidido a fazê-la perder completamente o controle.

Kate movia seus quadris na direção à boca de Garrett. Seus dedos apertavam os próprios seios com força enquanto Garrett alternava entre movimentos lentos e longos com a língua e sucções intensas em seu ponto mais sensível, cada investida calculada para arrancar dela novas reações. Kate levou uma das mãos para os cabelos castanhos dele, enterrando os dedos e puxando-o contra si, como se quisesse que ele fosse ainda mais fundo, ainda mais intenso.


-Garrett... — ela gemeu em um sussurro carregado de urgência e se contorceu. Sua voz saiu embargada pelo prazer que crescia em ondas, ao sentir o dedo dele penetrando-a ao mesmo tempo que a ponta da língua dele parecia brincar com seu clítoris.


Garrett ergueu o olhar. Observava cada contração do corpo de Kate com um misto de desejo e fascínio. Cada gemido dela, cada arqueada inesperada, cada puxão de cabelo incendiava ainda mais seu prazer. Ele queria fazê-la esquecer, de uma vez por todas, de todos os outros homens, vampiros e humanos que já estiveram em seu lugar. Cada toque, cada sucção, cada pressão era calculado para marcar sua presença e para convencer Kate de que nenhum outro jamais poderia chegar perto do que ele podia lhe proporcionar.

Os movimentos de Garrett se tornaram mais intensos e certeiros, como se ele soubesse exatamente o que a faria perder o controle. A língua dele circulava e pressionava o ponto mais sensível de Kate, ora lenta, ora rápida, enquanto os lábios sugavam com firmeza. Os dedos dele se cravaram nas coxas dela, mantendo-a aberta para si, não permitindo que ela se afastasse nem um milímetro.


-G-Garrett... eu... — ela gemeu, a voz trêmula, quase implorando.

-Pode vir que eu estou aqui, Katie — ele sussurra e deposita beijos no interior da coxa dela, sem tirar os olhos dela. Ele então pressiona sua língua exatamente onde percebeu nas outras vezes que fizeram amor que Kate mais ficava sensível: o clítoris. Foi o suficiente para quebrar qualquer resistência. O corpo de Kate se contraiu em espasmos deliciosos enquanto um gemido rouco escapou de sua garganta. O clímax a tomou inteira, em ondas avassaladoras que a fizeram tremer sob a boca dele. Suas mãos se fecharam nos cabelos de Garrett, puxando-o com força, enquanto sua cabeça tombava para trás, os olhos se revirando. Garrett, sentindo cada contração do corpo dela, continuou devorando sua intimidade com fome, saboreando cada segundo da explosão dela, até que Kate caiu exausta contra os lençóis, ainda gemendo baixo.


Kate abriu os olhos lentamente, o sorriso ainda iluminando o rosto, e ficou por alguns segundos olhando para o teto do quarto, sentindo-se a mulher mais feliz do mundo. Garrett, ainda ofegante, se deitou de barriga para cima ao lado dela. Os olhos laranja dele focam nela com uma mistura de desejo e ternura. Seus cabelos castanhos, compridos e despontados, espalhavam-se pelos lençóis claros de maneira desordenada.

Kate virou a cabeça em sua direção e olhou para ele com um sorriso, ainda se recompondo. Sua mão esquerda repousava suavemente sobre a própria barriga enquanto, lentamente, estendeu a mão direita para tocar o rosto dele, os dedos roçando a pele quente e macia. Garrett sorriu para ela, sentindo a mesma felicidade e desejo, e colocou as mãos na cintura de Kate, puxando-a com cuidado para si.

Kate se ergueu um pouco, apoiando-se sobre os braços, e passou os braços ao redor do pescoço dele, encostando a cabeça no peito dele e fechando os olhos. Ela entrelaçou suas pernas com as pernas dele ao mesmo tempo que seus braços rodeiam o pescoço dele, com suas mãos no pescoço dele. Garrett inclinou a cabeça e depositou beijos suaves nos cabelos dela, sentindo o cheiro e a textura macia, enquanto suas mãos deslizavam pelas costas nuas de Kate, explorando cada curva com carinho e intensidade.


-Eu te amo... — Garrett murmurou, com os lábios pousados nos cabelos de Kate. Com os olhos fechados e com o rosto pressionado contra o peito dele, ela sorri.

-Eu também te amo... — Kate respondeu, sentindo-se a mulher mais feliz do mundo nos braços dele.


E assim eles permaneceram, de olhos fechados, quase imóveis nos braços um do outro como se o tempo tivesse deixado de existir fora dali. O silêncio era tão profundo que o único sinal de movimento vinha das mãos de Garrett, que deslizavam lentamente pelas costas nuas de Kate, em carícias suaves, repetitivas, que mais pareciam uma forma silenciosa de dizer que ela era dele, e que ele nunca a deixaria ir.

Kate, aninhada contra o peito dele, também não se mexia. Suas pernas entrelaçavam-se com as pernas de Garrett e seus braços rodeavam o pescoço dele. Seus dedos brincavam com os cabelos castanhos de Garrett, junto às orelhas. Se alguém os visse assim, entrelaçados, nus nos lençóis amassados e com os olhos fechados, pensaria, sem sombra de dúvida, que estavam dormindo, pois naquele momento, Kate e Garrett pareciam apenas um casal humano, entregue ao descanso depois de uma noite de amor.

Lá fora, o dia começava a clarear lentamente, mas nenhum dos dois parecia perceber. Primeiro, uma tênue luminosidade invadiu as frestas da cortina clara, e aos poucos, a escuridão da noite cedeu lugar à luz delicada da manhã, que espalhava sua claridade pelo quarto, lançando seu brilho azulado sobre os lençóis amassados e sobre os corpos nús de Garrett e Kate.

Quando Kate voltou a abrir os olhos, o quarto estava mais claro. A luz clara tocava os lençóis ao redor deles e tocava também seus corpos, criando um contraste quase poético. Um sorriso lento surgiu em seus lábios ao perceber que, mesmo com as horas avançando lá fora, nada poderia ser melhor do que estar ali, nos braços de Garrett. Kate suspirou, fechando os olhos de novo e se aconchegando ainda mais no peito de Garrett. Suas mãos deslizam pelo peito nú dele e seus dedos deslizam suavemente pelos braços que a rodeavam. Os lábios de Garrett se curvam em um sorriso.


-Já amanheceu... — Kate murmurou em um tom baixo, quase preguiçoso, como se não quisesse que isso fosse verdade. Tudo o que ela queria era permanecer ali. Garrett abriu os olhos devagar e olhou para a janela para averiguar. Ele então olha para baixo e pressionou de leve a lombar de Kate contra si, fazendo ela deixar escapar uma risada abafada, escondendo o rosto contra o peito dele. Garrett volta a fechar os olhos e ao pousar sua mão direita na nuca dela, mergulha o rosto nos cabelos loiros de Kate.


À medida que os minutos avançam, a luz do dia foi ganhando cada vez mais espaço no quarto, atravessando as frestas da cortina e tingindo os lençóis claros com tons dourados. Kate abriu os olhos novamente e com um movimento suave, se desvencilhou dos braços dele e se ergueu na cama, sentando-se de frente para a janela. O gesto foi gracioso e seus cabelos loiros se moveram em ondas leves, caindo por seus ombros nus até se espalharem sobre os seios. A claridade da manhã invadia o quarto em tons dourados e, ao tocar seu rosto, criava um delicado jogo de luz e sombra, realçando a pele clara e a serenidade em sua expressão.

Garrett a observava em silêncio. Seus olhos brilhavam, fixos nela. Para ele, Kate parecia um anjo perdido entre os mortais. Os lábios de Garrett se curvavam ao perceber cada detalhe que a fazia ser tão perfeita. Ele observou como Kate puxou o tecido amarrotado do lençol e, com um gesto delicado, envolveu seu corpo nu. Então, ele se ergueu também, apoiando-se nos cotovelos antes de se sentar diante dela. Kate ergueu o olhar e sorriu para ele. Garrett sorriu de volta para ela. Os cabelos castanhos, um tanto longos e despontados, caíram desordenados sobre sua testa, realçando o aspecto selvagem e despreocupado que sempre o acompanhava.

Com suavidade, Garrett ergueu as mãos e segurou o rosto dela, prendendo a atenção de Kate em seu olhar intenso. Kate colocou suas mãos sobre as mãos de Garrett enquanto ele inclinou-se e pousou uma série de beijos preguiçosos nos lábios dela, cada um leve e doce, como se o tempo tivesse abrandado.


-Bom dia... — ele murmurou entre um beijo e outro. Kate sorria enquanto respondia aos beijos dele com beijos também.

-Bom dia — ela murmura de volta entre um beijo e outro, com um sorriso no rosto. Seu corpo inclinava-se na direção de Garrett.


Kate sentia-se mais humana ao parecer que tinham acabado de acordar depois de uma noite de amor intensa. Ela gostava dessa ideia de simplesmente ser uma mulher ao lado do homem que amava, sem nada mais. Por um instante, enquanto seus lábios se encontram mais uma vez, sua mente voou. Imaginou como seria se ela e Garrett tivessem se conhecido como humanos, tendo toda uma vida de possibilidades à frente, sem a eternidade imutável que os cercava.

Pensou em como seria dormir todas as noites e acordar todas as manhãs nos braços de Garrett, em como seria ver o tempo passar e seus rostos adquirem marcas de progresso da idade... Ao abrir os olhos, Garrett percebeu o olhar de Kate sobre ele. Parecia diferente. Suas mãos ainda seguravam delicadamente o rosto dela, e ele inclinou-se, encostou sua testa na testa dela, o que leva os dois a fecharem os olhos.


-O que há de errado? — ele pergunta com clara preocupação em sua voz, apertando de leve as bochechas dela, e deposita um selinho demorado no biquinho que se forma nos lábios dela, fazendo Kate rir, ainda com as mãos sobre as mãos dele. Os polegares de Kate agora alisavam o dorso das mãos de Garrett, fazendo ele sorrir contra a boca dela — eu fiz alguma coisa errada?

-Claro que não... — ela responde, inclinando a cabeça para o lado, e roubou outro selinho de Garrett, deixando seus lábios roçarem suavemente contra os dele — só pensei que teria amado envelhecer ao seu lado se fossemos humanos — ela murmura e Garrett sorri contra a boca dela. Seus lábios pressionavam os lábios dela.

-Eu também amaria envelhecer com você — ele respondeu em um sussurro rouco. Seus dedos acariciam o rosto de Kate, que sorria — mas se não é assim, pelo menos tenho uma eternidade para passar ao seu lado — ele completa, inclinando seu rosto e roçando a ponta de seu nariz com o nariz dela. Kate sorriu antes de inclinar-se novamente e beijá-lo, selando aquele instante de intimidade e a certeza silenciosa de que pertenciam um ao outro, para sempre.


******

Depois de se vestirem, Kate agora estava sentada no banquinho diante de sua penteadeira, debruçada com o cotovelo esquerdo sobre o móvel. Com a mão direita, ela aplicava um pingo do blush líquido em cada maçã do rosto antes de recolher o aplicador de volta ao frasco do produto que segurava em sua mão esquerda e rosqueia a tampa antes de pegar um pincel grande que estava sobre sua mesa para espalhar o produto. Seus movimentos eram suaves, quase meticulosos, como se cada traço fosse um pequeno ritual.

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Kate vestia uma calça jeans skinny de lavagem escura, uma blusa preta de mangas compridas e por cima, um colete de pêlos marrons. Nos pés, Kate havia calçado um par de tênis brancos e seus cabelos estavam secos, modelados por sua escova secadora que os deixava perfeitamente alinhados sem frizz.

Depois do blush rosa, Kate ainda delinea as sobrancelhas com sombra própria para isso e aplica uma máscara de cílios. Para finalizar, ela aplica um gloss e borrifa um pouco de perfume em seu pescoço e nos pulsos, esfregando-os um no outro. Ao se levantar do banquinho, Kate parou de costas para sua penteadeira, olhando para as portas transparentes do closet. Ela morde o lábio inferior e coloca as mãos na cintura ao observar que a parte do closet que agora era de Garrett continuava vazio, salvo pelos pouquíssimos pertences que ele tinha trago, um contraste gritante com o resto do closet, que era abarrotado de bolsas, roupas suas, sapatos, saltos...

O Garrett precisa de roupas... urgentemente, pensou Kate. O vazio daquele espaço que agora era dele a incomodava. Era quase impensável que Garrett continuasse vivendo com tão pouco e fazia parecer que Garrett ainda não havia se permitido criar raízes ali. Isso até alimentava o seu medo de que talvez ele pudesse ir embora a qualquer momento. Kate fechou os olhos e os apertou, tentando apagar esse pensamento.

Kate volta a abrir os olhos e começa a andar em círculos pelo closet, imersa em seus pensamentos. Ela tinha algumas coisas para resolver na cidade e seria a primeira vez que saíria do lado de Garrett desde que se conheceram. Ela até poderia comprar roupas pra ele, mas não fazia ideia do tamanho das roupas ou dos pés dele. Foi então que a ideia de levá-lo junto para comprarem roupas surgiu, assim Garrett também poderia conhecer a cidade, afinal não tinham saído de casa desde que chegaram de Forks, exceto pra caçar.

Mas tinha um problema: Garrett ainda estava aprendendo a se alimentar de sangue animal. O início era difícil para todos os que aderiam a dieta, mas podia ser pior para alguns e mais fácil para outros. Tanya, foi quem descobriu que poderiam sobreviver com sangue animal e se adaptou super fácil. Já Kate demorou dois anos pra conseguir de fato não sentir-se atraída pelo cheiro de sangue humano. Já para Irina foi mais difícil e ela demorou meia década.

Outra coisa além da sede a preocupava. Fairbanks era pequena, apenas 30 mil habitantes, e tudo que acontecia virava notícia rapidamente. Se por ventura Garrett não resistisse, os Denali teriam que fugir às pressas, fora o risco que correriam de isso chegar aos ouvidos dos Volturi, que já estavam raivosos o suficiente para quererem acabar com eles. Ela não poderia perder Garrett para os Volturi depois que eles já haviam lhe tirado sua mãe e sua irmã mais nova.

Os primeiros acordes vindos da gaita de Garrett vindos do quarto invadem os ouvidos de Kate, fazendo-a despertar de seus desvaneios. Kate olha em direção ao quarto e sorri, esquecendo-se dos seus receios. Sem perceber, ela tinha levado o dedo indicador na boca enquanto sua mão direita permanecia em sua cintura.


-O que acha de ir comigo para a cidade? — Kate sugere ao chegar ao quarto com um sorriso no rosto e para diante dele com as mãos na cintura.


Ela se deparou com Garrett sentado ao pé da cama que agora era deles. Garrett inclinava-se para a frente e suas pernas balançavam para fora pra fora da cama, como se estivesse prestes a se levantar. Ele ergueu os olhos laranja escuros na direção dela, arqueando uma sobrancelha com aquela expressão que misturava curiosidade e familiar intimidade. A gaita descansava próxima aos seus lábios, sustentada com naturalidade entre os dedos, como se ele tivesse sido interrompido no meio de uma melodia.

Garrett vestia a calça jeans ajustada pelo cinto gasto pelo tempo, a camiseta de mangas três quartos em um tom vinho que realçava os ombros largos, e por cima o colete de couro que trazia o cheiro característico dele. As botas de couro gastas reforçavam o ar selvagem da vida nômade que ele levava anteriormente.


-Eu preciso passar na cidade hoje... e pensei em te levar comigo para fazermos umas compras. Você precisa de roupas, Garrett. Urgentemente.


Garrett deixou escapar um riso baixo, contido, que vibrou contra a própria gaita ainda apoiada entre seus dedos. A ideia de possuir mais do que o necessário era estranha. Nunca tivera muito, nem quando ainda respirava como humano. Garrett nasceu no interior pobre de Massachusetts, na Nova Inglaterra, filho do meio de uma família de fazendeiros que tirava da terra apenas o suficiente para sobreviver. Quando foi transformado por acidente e passou a vagar sozinho pelo mundo, carregar pouco não foi a continuação natural de uma vida sem excessos. Por isso, ainda lhe causava estranhamento e até um certo embaraço estar cercado pelo conforto e luxo dos Denali, essa nova família que o acolheu com afeto e que o tratava como se ele sempre estivesse estado lá com eles.


-Qual o problema de viver só com o essencial? — Garrett pergunta inocentemente, o que fez Kate sorriu com doçura antes mesmo de dar o primeiro passo em direção a Garrett, que a segue com o olhar.

-Nenhum problema — Kate responde com um sorriso ao mesmo tempo que o seu braço direito contornou o pescoço de Garrett e sua mão pousou na nuca dele, puxando-o levemente para perto, enquanto a mão esquerda repousou com carinho na lateral do rosto dele, os dedos deslizando de leve pela pele fria. Os cabelos loiros de Kate caíam soltos pelos ombros, escorrendo como uma cortina suave que roçava o peito e o braço dele conforme ela se ajeitava — mas você não pode ter apenas três ou quatro trocas de roupa... Vamos procurar algo do seu estilo...


Garrett inclinou a cabeça, olhando para ela com aquela mistura de diversão e rendição nos olhos. Kate riu com ele e se inclina para roubar um selinho nos lábios dele.



-Então não tenho escolha, é isso? — ele pergunta divertindo-se e Kate fingiu uma expressão inocente, mas o sorriso entregava seu jogo.

-Nenhuma — ela respondeu, antes de roubar mais um selinho de seus lábios.Kate aproximou-se sem pressa e então se acomodou meio de lado sobre as pernas dele, com naturalidade e intimidade. Garrett, com os olhos fixos nos de Kate, passou a gaita para sua mão direita e envolveu a cintura dela com os braços, com sua mão esquerda pousando na coxa externa dela, firmando-a contra si com um toque protetor e apaixonado.

-Eu nunca tive muito, Katie... Antes da Revolução Americana, eu vivia em uma fazenda no interior de Massachusetts com meus pais, um irmão mais velho, a esposa dele, minha sobrinha pequena e uma irmã mais nova. Nosso sustento vinha de lá e o que sobrava, vendíamos para comprar roupas e animais — Garrett conta e seus olhos laranja perdem o foco à medida que ele ia se lembrando de fragmentos de sua vida humana — Éramos pobres. Não tinhámos muito, mas éramos felizes como podíamos ser.


Kate o escutava com atenção serena. Seu corpo relaxava contra o dele e seu olhar se prendia ao rosto de Garrett à medida que ele revelava fragmentos de sua vida humana. A infância pobre na Nova Inglaterra, a família de fazendeiros, a falta de posses que nunca lhe pareceu um peso... Um sorriso delicado se formou em seus lábios.

O sorriso de Kate não era de pena, mas sim de admiração. Havia também curiosidade em seus olhos dourados, como se cada detalhe contado apenas reforçasse o quanto ela o amava pelo homem que ele foi antes de qualquer eternidade. Ela já sabia que Garrett foi um patriota que lutou na Revolução Americana movido por ideais de liberdade e também sabia que sua transformação acontecera por acaso, nos rastros violentos da guerra, mas não mais do que isso. Ouvir essas peças ganhando contorno pelas palavras dele, escutar a raiz simples e resiliente de quem ele sempre foi, despertava nela uma ternura profunda.


-Eu tinha 15 anos quando a Revolução eclodiu em 1765 — Garrett olha para ela ao continuar a história — A guerra se intensificou depois de 1776 com a proclamação da independência e os soldados morriam aos montes. O recém criado exército estava convocando homens para lutar à favor do país e preencher a baixa de homens. Contra a vontade da minha mãe, eu me alistei em 1981 e fui mandado para o fronte em Yorktown, Virgínia. Foi a última vez que os vi...


Garrett interrompeu sua fala por um instante, sentindo a lembrança antiga de quando ele saiu de casa para ir para a guerra, sem a mínima ideia de que não voltaria mais a ver sua família atravessou-lhe o peito. A emoção ficou presa na garganta depois de séculos de sigilo, sem contar isso à ninguém. Kate, sentindo o peso silencioso daquela pausa, com a mão esquerda ainda apoiada no rosto dele, inclinou-se e encostou suavemente sua testa na dele, roçando de leve o nariz no dele num gesto carinhoso e silencioso.

Garrett fechou os olhos, respirando uma emoção que já não era humana, e deixou seus lábios roçarem nos lábios de Kate num beijo contido, apertando-a com força delicada contra si, como se aquele contato lhe desse coragem.


-Não precisa continuar...tá tudo bem — ela sussurrou baixinho com seus lábios roçando contra os dele. Garrett então ergueu o rosto, afastando-o apenas o suficiente para olhá-la. Kate também abre os olhos, em silêncio.

-Eu quero... eu quero que você saiba quem eu fui e quem eu sou — ele estava determinado e então Kate assentiu, pronta para ouvir cada palavra — antes que pergunte, eu não tinha mulher ou filhos, embora minha mãe ficasse empurrando umas garotas pra mim... — ele brinca para descontrair e Kate sorri — eu estava em Yorktown quando George Washington e os franceses cercaram Yorktown por terra... Foi durante um bombardeio da artilharia aliada aos britânicos que um dos meus companheiros se feriu gravemente e eu o levei nas costas até o hospital de campanha, onde Carlisle estava atendendo os feridos moribundos.... foi assim que o conheci.


Os olhos de Kate se arregalaram e seus lábios entreabrira em surpresa. Ela sabia que Garrett conhecia Carlisle a um bom tempo, mas não imaginou que fazia tanto assim a ponto de que Garrett ainda era humano. Ela o observava, mas imaginando a cena de Garrett, ainda humano, atravessando canhões com um um companheiro ferido nas costas até um hospital de campanha onde Carlisle prestava socorro aos moribundos.

Se Kate já admirava Garrett por ele ter enfrentado os Volturi com aquele discurso em defesa dos Cullen na clareira, o admirava mais agora pelo homem que ele foi como humano. Mesmo sendo transformado em vampiro, ela via como Garrett jamais deixou de lado sua humanidade. A cada palavra dele, Kate lançava sobre Garrett um sorriso que transmitia uma mistura intensa de amor, respeito e fascínio profundo.


-Alguns meses depois, o acampamento onde eu e mais nove companheiros estavámos foi bombardeado pelos ingleses. Eu não me lembro de muita coisa porque desacordei com uma coronhada que levei na cabeça. Não sei por quanto tempo fiquei apagado, mas lembro da queimação que senti depois....

-O veneno... — Kate murmura e ele assente, olhando para ela.

-Um vampiro que não sei quem foi drenou meus companheiros e por algum motivo, me transformou e foi embora. Acordei entre a pilha de corpos e cá estou eu.... eu tinha 31 anos e essa é a minha idade perpétua...

-Eu fui transformada aos 21... — Kate revela em um sussurro e Garrett sorri. Ela então prossegue, inclinando a cabeça e passando o braço esquerdo ao redor do pescoço dele, desse modo unindo suas mãos na nuca dele — quer saber minha história?

-Tem certeza? — Garrett pergunta ao notar a apreensão na voz dela, mas Kate assente e respirou fundo. Pela primeira vez em um milênio, se abriria completamente à alguém sobre sua vida humana, algo que jamais compartilhou com ninguém além de suas irmãs e de Carmen e Eleazar. O silêncio do quarto parecia encorajá-la, e o calor do corpo de Garrett ao seu lado dava-lhe uma sensação de segurança que ela não sentia antes.

-Eu nasci no então Império da Grande Morávia, atual Eslováquia, no ano 885 depois de Cristo — ela pausa e pousa suas mãos na nuca dele, entrando em seus cabelos castanhos. Garrett a olhava atento enquanto escutava — meu pai era um duque e eu cresci em um castelo feudal...


Os olhos laranja de Garrett se arregalaram e uma expressão de assombro percorreu seu rosto. Kate ri com ele e coloca as mãos no rosto de Garrett ao depositar um selinho nos lábios dele.


-Então quer dizer que eu tenho uma princesa sentada no meu colo? — ele pergunta, abrindo um sorriso, e a aperta contra ele de leve e beija a bochecha dela, fazendo Kate rir.

-Eu não era princesa porque meu pai não era um rei, mas pertencia à alta nobreza. Eu tinha dez anos quando ingressei na corte imperial como Dama de Companhia da Princesa Nadia, filha do Rei Bretislau I da Grande Morávia. Tinhámos a mesma idade e ela era minha melhor amiga e eu era a dela. Eu também atuava como guarda-costas da princesa. Fui treinada desde criança em artes marciais, e acho que foi isso que interferiu de eu desenvolver o meu dom defensivo depois de ser transformada...

-Uou — Garrett murmura surpreso e Kate ri e coloca uma mecha de cabelo para trás de sua orelha antes de continuar. Ela então pousa sua mão direita na clavícula de Garrett enquanto sua mão esquerda permanece na nuca dele.

-Minha vida girava em torno de cerimônias, protocolos, mas eu até que gostava... Até que uma noite, no ano de 906, enquanto a comitiva imperial que acompanhava os monarcas e príncipes para o seu palácio de verão foi atacada e saqueada pelos bárbaros germânicos — Kate faz uma pausa para entrar a fundo nas suas memórias humanas, tão tênues pela passagem do tempo... — os bárbaros não eram os povos mais civilizados, como o nome já diz, e além de saquear a comitiva, mataram e cometeram seus atos ali mesmo com as mulheres, inclusive com as que já estavam mortas....

-Katie... — Garrett murmura, com medo do que viria a escutar, mas Kate continua, olhando para ele.

-Eu e Nadia conseguimos nos salvar do ataque inicial e ficamos escondidas embaixo da carruagem, assistindo o horror, até que fomos pegas e arrancadas à força para fora — a voz de Kate era trêmula e ela fecha os olhos, apertando-os — eu vi como a mataram na minha frente e quando tentei lutar pra não ser violentada, uma baioneta atravessou o meu abdomen. Eu não lembro de mais nada, só da dor a dor do golpe, porque eu perdi a consciência depois disso...



Ao ouvir Kate, o corpo de Garrett reagiu instintivamente. Seus músculos se tensionaram, seus punhos cerraram-se levemente e sua respiração ficou mais profunda, enquanto a imagem da cena se formava vívida em sua mente. Ele fechou os olhos, sentindo um nó se formar na garganta, uma mistura de dor, raiva e impotência. Num impulso protetor, puxou Kate contra si, envolvendo-a com força e segurança, como se pudesse protegê-la de todo mal do mundo. Ela repousou a cabeça em seu ombro, e seus dedos brincavam suavemente com os cabelos dele, gesto que lhe trouxe um conforto tênue diante da violência da lembrança. Garrett inclinou-se levemente e beijou sua testa com ternura, absorvendo sua dor e oferecendo refúgio em seus braços.


-Minha mãe se chamava Sasha e foi a minha criadora e das minhas irmãs... — Kate prossegue com o rosto contra o ombro de Garrett, olhando para o pescoço dele. Seus dedos ainda brincavam com os cabelos dele e ela estava amando ficar ali, sentindo o cheiro dele, o tocando.... — Elas foram atraídas pelo cheiro de sangue e quando os bárbaros foram embora, elas aproveitaram para se alimentar dos mortos sem chamar atenção.


Kate então ergueu lentamente a cabeça do ombro de Garrett, afastando-se só o suficiente para vê-lo com clareza. Seus dedos, ainda enredados nos cabelos dele, continuavam a brincar suavemente com as mechas castanhas. Quando seus olhos dourados encontraram os laranja dele, havia ternura e entrega no olhar de Kate. Garrett olhava para ela com um meio sorriso que curvava os cantos da boca e suavizava seus traços, como se apenas tê-la tão perto fosse motivo suficiente para que tudo no mundo fizesse sentido.


-Quando chegaram à mim, eu ainda estava viva, agonizando no meio da pilha de corpos com a baioneta cravada no meu abdômen. Minha mãe dizia que quando me viu, sentiu que eu era sua filha e por isso me mordeu segundos antes do meu coração parar de bater. Eu fui a única sobrevivente do massacre e, depois de transformada, me juntei à elas... Irina chegou alguns anos depois de mim depois que minha mãe a encontrou moribunda durante um surto de varíola que matou toda a família biológica de Irina. Nós quatro fomos felizes por alguns anos, até nossa mãe cometer o pior crime que um vampiro pode cometer....

-Uma criança imortal? — Garrett pergunta e Kate franziu o cenho. O olhar dela buscou os olhos dele, procurando entender o que ele queria dizer. Nem ela e nem suas irmãs mencionavam Vasili ou qualquer detalhe da história que a ligava à mãe com frequência. Apenas Carmen, Eleazar e os Cullen sabiam dessa parte de sua história. Kate tentava decifrar se Garrett falava por intuição, por conhecimento antigo ou apenas por um estranho palpite. O cenho franzido não escondia apenas a confusão, mas também tensão.

-Como sabe?

-Eu imaginei... por causa da Irina...


Ao ouvir Garrett mencionar o nome de Irina, um sorriso triste se formou nos lábios de Kate, tênue e carregado de melancolia. Seus olhos dourados se suavizaram, e por um instante ela se deixou levar pela saudade que apertava o peito com a lembrança da irmã que tanto lhe fazia falta.


-Sasha transformou um garotinho e pagou o preço por isso. Os Volturi só nos pouparam porque não sabíamos sobre a criança — Kate faz um pausa e Garrett deposita um beijo nos lábios dela, fazendo ela sorrir mesmo com as lembranças tristes — Alguns séculos depois, Carmen e Eleazar se juntaram à nós e desde então, eles são como os nossos pais adotivos...

-Nossa, nem sei o que dizer...

-Lidar com a morte da nossa mãe foi uma das coisas mais difíceis para mim e para minhas irmãs e foi quando começamos a nos relacionar com humanos, dando origem ao mito succubus, porque usavámos o prazer como válvula de escape para lidar com o luto. Foi por isso que nos tornamos vegetarianas...


Kate sentia vergonha de falar sobre isso com ele. Ser uma succubus não era motivo de vergonha em si, mas ela não gostava de ser rotulada por isso e nem queria que Garrett a visse como uma vadia ou prostituta, como alguns vampiros que conheciam a fama das Denali as chamavam. Seu cenho franziu e desviou o rosto para olhar para a janela, evitando o contato direto com ele. Seus lábios se comprimiram, como se tentassem conter a palavra que não queria surgir.


Garrett a observava atentamente, buscando compreender cada nuance. Ele colocou as mãos carinhosamente no rosto de Kate e a fez olhar para ele. Seus polegares roçam suavemente nos lábios de Kate, que em resposta, deslizou as mãos desde a nuca dele, passando pelos ombros largos dele e, finalmente, pousando-as nos pulsos de Garrett.


-Como eu te disse, Garrett, eu não faço mais isso a muito tempo e não é porque eu estou de luto pela minha irmã que vou voltar a fazer... Você é o único que eu quero....


-Ei...ei... calma, Katie — ele sussurra e roça seus polegares nos lábios dela, entreabrindo os lábios dela com seus dedos suavemente — tá tudo bem... — Garrett sussurra, fechando os olhos e encostando suas testas. Kate também fecha os olhos e sorri ao sentir o nariz de Garrett roçando em seu nariz — eu não vou te julgar por isso... jamais — ele a beija nos lábios e segura o rosto dela em suas mãos — só saiba que eu estou aqui agora e pra sempre estarei.


Kate assentiu com um pequeno movimento de cabeça, confirmando silenciosamente que compreendia o que ele sentia, e o coração de Garrett se apertou de ternura. Ele se inclinou devagar e beijou os lábios dela com delicadeza e reverência, um gesto carregado de emoção, e Kate respondeu ao beijo com suavidade, permitindo que o toque e a conexão se tornassem um diálogo silencioso de cuidado, compreensão e amor.


******

Kate e Garrett chegavam na garagem, onde os carros da família, incluindo o Jeep Compass de Irina, estavam estacionados. O carro agora de Irina era de Kate, mas ela tinha um apego no seu Hyundai Creta, que técnicamente agora era de Garret, mas enquanto Garrett não aprendesse a dirigir, ela iria continuar dirigindo-o. Kate abre a porta do motorista e entra no veículo. As caixas que iriam para o correio já tinham sido acomodadas no banco traseiro junto com sua bolsa. Garrett entra pelo lado do passageiro e fecha a porta.

Ao fechar a porta, Kate colocou a chave na ignição e girou para ligar o motor antes de puxar seu cinto e afivelá-lo. O ronco baixo ecoou suavemente pela garagem. Ao lado dela, no assento do passageiro, Garrett a observava atento antes de também puxar o cinto de segurança e o afivelá-lo. O gesto era novo, mas não estranho como pareceu da primeira vez. Kate reparou de canto de olho e sorriu antes de erguer a mão até o quebra-sol acima de sua cabeça e puxar o pequeno controle preso ali.


-Já está aprendendo a agir como humano — Kate brinca, dobrando o braço direito para trás e apontando o controle para o portão automático da Garagem. O polegar de Kate pressiona o botão do controle e o portão que começou a se abrir lentamente, deixando entrar a luz fria da manhã. Garrett olha para ela com um sorriso lateral.

-Preciso né? — Garrett brinca e Kate soltou uma risada espontânea e virou o rosto em sua direção, divertida com o comentário dele. Garrett então se inclinou um pouco para o lado, apoiando o braço dobrado sobre o descanso entre os bancos da frente, e Kate se inclinou na direção dele, com sua mão esquerda permanecendo no volante. Seus lábios se tocam de forma suave e Kate levou a mão direita ao rosto dele, os dedos deslizando até a linha do maxilar. Garrett, por sua vez, pousou as mãos na nuca dela e seus polegares roçam suavemente as bochechas de Kate. Os lábios se encontraram com delicadeza, num toque macio que começou como um selinho demorado antes que se afastassem ligeiramente, com suas testas unidas e os lábios roçando.

-Primeiro vamos ao correio — com os olhos fechados, Kate murmura contra a boca de Garrett, e deposita um último selinho antes de afastar-se. Os dois se endireitam nos seus assentos e ela guarda o controle de volta no quebra-sol. Garrett a observa atento, com um sorriso de lado ao vê-la olhar para o retrovisor com a mão esquerda no volante enquanto a direita tocava no câmbio automático para colocar a marcha ré — e depois vou acabar com essa sua vida de nômade mal equipado — Kate completa em um tom brincalhão e coloca a mão direita no volante antes de pisar no acelerador e começar a dar a ré, conduzindo o carro para fora da garagem. Garrett riu pelo nariz — eu não vou dividir a cama com alguém que só tem duas mudas de roupa e uma gaita

-Não ofenda a gaita — ele brinca e Kate ri. Já do lado de fora, Kate aperta o botão do controle e o portão da garagem começa a descer. Kate então muda a marcha do câmbio e vira o volante para à direita ao acelerar para a frente, afastando-se da casa.


Garrett virou o rosto em direção à janela, silencioso. O carro começa a descer as curvas sinuosas e íngrimes do caminho coberto pela neve, acompanhando o relevo acidentado da região, e à medida que a casa sumia de suas vistas, a imensidão das montanhas do Parque Nacional de Denali se revelava com mais clareza.

Os picos nevados pareciam tocar as nuvens, recortando o céu pálido com seus contornos monumentais. A luz da manhã banhava as encostas, fazendo o gelo brilhar como fragmentos de vidro espalhados sobre a rocha. As árvores boreais, altas e cerradas, se inclinavam nas bordas da estrada como guardiãs silenciosas, e o ar rarefeito daquela altitude criava uma névoa suave nas partes mais distantes da paisagem. Kate percebeu o silêncio diferente e lançou um olhar breve para Garrett, sem virar completamente a cabeça.


-Vista bonita, não é? — comentou Kate sorrindo, mas sem tirar os olhos da pista enquanto faz mais uma curva, dessa vez mais suave que a anterior. Garrett demorou um instante para sair do transe e olha para Kate.

-Eu nunca imaginei que o Alasca pudesse ser tão lindo — disse por fim e Kate apenas sorriu de canto, satisfeita com a reação dele.

-Eu amo morar aqui...

-E eu estou gostando daqui — Garrett revela e Kate sorri, olhando para a pista enquanto fazia mais uma curva à direita — Vocês estão a quantos anos aqui?

-No Alasca, desde 1930... Em Fairbanks, fazem quatro anos — Kate faz uma pausa e olha para Garrett de relance — Mudamos de cidade de tempos em tempos quando as pessoas começam a notar que não envelhecemos — Kate olha de relance pra ele — e provávelmente nos mudaremos de novo daqui outros quatro ou cinco anos.

-É muita mudança... — ele comenta brincando e Kate ri, assentindo com a cabeça. Seus olhos dourados estavam fixos na pista escorregadia pela neve que caíra durante a noite. Não era um problema para eles, mas era melhor evitar um acidente.

-Quanto menos idade alegamos que temos quando chegamos em um lugar, mais tempo permanecemos nele... — Kate olha para Garrett, que olhava para ela com um sorriso. Kate sorri para ele — eu, por exemplo, começo em um lugar com 19 anos e nunca passo dos 26... Você se acostuma com o tempo...

-Eu me adapto em qualquer lugar. Pode ser aqui, na China ou no fim do mundo... — Garrett brinca, olhando adiante também, fixando seu olhar nas montanhas por um momento, e Kate ria enquanto dirigia. Os ombros dela se moviam pela risada. — Contanto que você esteja ao meu lado... — a voz de Garrett suaviza e olha para ela — quando falei que te seguiria a qualquer lugar, eu falei sério...


O peito de Kate aqueceu com um tipo de felicidade silenciosa que ela ainda estava aprendendo a nomear. O canto da boca dela se ergueu mais um pouco, e ela lançou um sorriso para ele antes de voltar a atenção ao volante.


-É bom que você cumpra sua promessa, patriota — Kate disse em tom divertido. Garrett riu baixo, sem tirar os olhos dela.

-Não tenho a menor intenção de sair do seu lado — ele brinca e Kate soltou um riso breve, com o olhar dela ainda voltado para a estrada — eu te amo demais pra viver sem você agora.

-Eu também te amo pra não sofrer se você for embora... — ela murmura sorrindo e volta a olhar de relance para Garrett, que sorria também.


*******

O centro de Fairbanks, que não era muito grande, estava vazio. Talvez fosse por ser uma terça-feira e as pessoas estarem no trabalho ou pelo frio de -20 graus. O Hyundai Creta estava parado agora. Kate havia estacionado em frente aos correios e entrou no estabelecimento, deixando Garrett dentro do veículo para sua própria segurança. Era a primeira vez que estava na cidade e estava gostando bastante da tranquilidade que ali reinava.

Garrett inclinava-se para o lado e apoiava o braço esquerdo sobre o encosto do assento do motorista. Com um sorriso singelo, observava Kate se aproximar do balcão e colocar as caixas sobre ele antes de receber de um funcionário alguns papéis para preencher enquanto trocavam algumas palavras e o homem pesa as caixas e computa o recebimento. Como a própria tinha dito, Fairbanks era uma cidade pequena e todos se conheciam.

A primeira vez que viu Kate foi quando ele chegou na casa dos Cullen para ajudá-los e já na sala, Kate e Tanya estavam acompanhadas de Bella, Edward, Renesmee e Jacob. Quando Garrett chegou na sala, guiado por Emmett e Rosalie, Kate estava encostada em uma porta de vidro que dava acesso à sacada, com Tanya ao seu lado, e as duas davam atenção à pequena Renesmee, que com a chegada de Garrett, foi conduzida por Rosalie e Emmett até ele, que agaixou-se na altura da pequena para que Nessie tocasse seu rosto e mostrasse suas lembranças, provando assim que não era uma criança imortal. Nesse primeiro dia, ele e Kate não trocaram nenhuma palavra diretamente, mas o sentimento já tinha nascido dentro de Garrett o momento que seus olhares se cruzaram pela primeira vez.


Minutos depois, Kate saiu dos correios e caminhou de volta para o carro, olhando brevemente ao redor. Um homem humano passava naquele instante pela calçada e Kate aguarda para avançar até o carro. Garrett a observa se aproximar. Seus passos eram graciosos e o vento gélido da manhã brincava com seus cabelos loiros, fazendo-os voar e roçar em seu rosto. A bolsa preta modelo Galleria da Prada balançava contra a lateral do corpo de Kate, presa ao ombro direito, enquanto ela segurava a chave do carro na mão direita.

Ao chegar ao Hyundai Creta, Kate abriu a porta do motorista com um clique suave e sorriu para Garrett, que sorria para ela do banco do passageiro. Sob o olhar dele, Kate se ajeita no banco do motorista e com um movimento fluido, tirou a bolsa do ombro, girando o corpo para trás, e a acomodou no banco traseiro, certificando-se de que estava bem posicionada para não atrapalhar a direção. Em seguida, voltou-se para frente e fechou a porta, colocando as mãos no volante em seguida.


-Você está bem? — ela olha para Garrett ao perguntar com uma voz suave, deixando a pergunta flutuar no pequeno espaço entre eles.

-Melhor agora que você chegou — ele responde num tom baixo e o canto dos lábios de Kate se ergueu num sorriso discreto, quase involuntário. Garrett devolveu o gesto, com aquele sorriso que parecia nascer nos olhos antes de chegar à boca.


Sem dizer mais nada, Garrett se aproximou primeiro, inclinando o corpo por cima do apoio do banco, mas ainda assim sem pressa. Kate avançou também, até que a distância entre os dois se resumiu a poucos centímetros e a respiração de um alcançava o outro.

As mãos de Garrett alcançam o rosto de Kate e seus polegares roçam de leve as maçãs do rosto dela. Kate fechou os olhos por um instante e sorriu ao sentir o toque dele, e então os abriu de novo, encontrando os dele. Garrett sorriu para ela e encostou sua testa na dela antes de inclinar a cabeça suavemente para a direita, aproximando seu rosto mais um pouco. Seus lábios tocaram os dela, primeiro num roce leve, como se confirmasse que podia ir além. Kate deixou que suas mãos subissem instintivamente até os pulsos dele, envolvendo-os com delicadeza. E ali permaneceu.

Quando Garrett aprofundou o beijo, Kate correspondeu com a mesma entrega. Os lábios se moveram em sincronia, e em poucos segundos, a ponta da língua de Garrett roçou a dela. O contato foi macio, íntimo, lento o bastante para arrepiar, e Kate respondeu com naturalidade, permitindo que suas línguas se encontrassem em um ritmo suave, explorando o momento com carinho e desejo contido.

Quando, enfim, se afastaram, não romperam o contato de imediato. Suas testas permaneceram unidas e narizes ainda roçavam, mantendo a proximidade de suas bocas. Kate agora estava com os olhos abertos, fixos nele, e mantinha as mãos nos pulsos de Garrett, cujos olhos permaneciam fixos nos dela, como se o beijo ainda continuasse ali, no silêncio e na respiração compartilhada.


-Eu sempre fico melhor quando estou com você — Garrett murmurou, com a voz carregada daquela rouquidão que sempre surgia quando a desejava. Kate sorriu quase sem abrir os lábios, ainda sentindo o gosto do beijo dele.

-Eu também fico melhor com você — Kate sussurra e roça sua boca na boca dele Garrett une seus lábios novamente.


Alguns minutos depois, Kate abria a porta de uma loja grande de roupas no centro de Fairbanks e dá o primeiro passo para dentro do estabelecimento. O sino da porta soa e alguns breves olhares humanos se voltam para ela e Garrett, que entra atrás dela, com a mão unida à mão dela e seus dedos entrelaçados. Os olhares, no entanto, se despersam depois de alguns segundos.

Kate o guia para dentro da loja e Garrett permanece cabisbaixo, olhando mais para o chão. Cada passo dentro do ambiente moderno e iluminado trouxe uma sensação nova para ele, que olhava ao redor. O aroma sutil de roupas novas, o murmúrio baixo de conversas humanas, o tilintar distante de cabides... Ao se mover pela loja, Garrett prendeu a respiração por um instante, sentindo com intensidade os batimentos de todos os corações humanos ao redor, além de conseguir ouvir o fluxo de sangue que percorria nas veias e artérias desses humanos.

Eles agora estavam passando por um corredor, entre araras da sessão de casacos masculinos, quando Kate escuta Garrett sussurrar o seu nome e sente como ele aperta levemente sua mão. Kate percebeu a apreensão de Garrett e parou, virando-se de frente para ele. Garrett fez o mesmo. Seu corpo estava tenso e sua garganta começava a queimar, mas a determinação de não falhar com sua nova família e principalmente com Kate o mantinha firme no seu propósito de se tornar vegetariano. Cada passo era um esforço consciente de controle.


-Eu estou aqui — Kate sussurra e ergueu a mão direita e pousou delicadamente no rosto dele. Seus dedos deslizam pela linha do maxilar, enquanto mantinha a mão esquerda entrelaçada à mão direita de Garrett. Ele fechou os olhos com o toque de Kate e seu corpo relaxou. Ela então fica na ponta dos pés e aproxima seus lábios do ouvido dele — vai ficar tudo bem... — Kate sussurra e então beija a bochecha dele antes de alcançar os lábios dele. Garrett sorri contra os lábios dela. O beijo que se seguiu foi breve, doce e reconfortante. Garrett soltou a mão de Kate e pousou sua mão esquerda na lombar enquanto sua mão direita vai parar na nuca dela, puxando-a pra si. Kate passa os braços ao redor do pescoço dele e pousa suas mãos na escápula dele. Ao fim do beijo, Garrett afunda o rosto nos cabelos dela e Kate sorri, encostando a boca no ombro dele.


Passado alguns minutos, a tensão e o medo de falhar com Kate ainda o dominava, mas Garrett estava determinado a lutar contra seus instintos e os dois seguiram com as compras, embora Kate garantisse que eles poderiam abortar a missão. Eles seguiram pelos corredores da loja e aos poucos Garrett foi relaxando e começou com seus flertes e brincadeiras para descontrair e tirar o foco de sua garganta que queimava um pouco.

Eles passeiam entre as araras, brincando sobre cores, cortes e combinações. Garrett começou até a fazer pequenas piadas que arrancaram risadas de Kate, que por sua vez, observava com orgulho o esforço que Garrett fazia para estar ali com ela, controlando a sede e os instintos que faziam parte de sua natureza vampírica.

Kate deixou Garrett livre para pegar as peças que ele gostava e que faziam parte de seu estilo, o acompanhando de perto e sendo seu alicerce. Cada peça era um passo para a mudança que acontecia na vida de Garrett, e Kate adorava estar ao lado dele.

Já dentro do provador, Kate entrou com ele e ficou sentada no banquinho com as roupas nas mãos enquanto ele experimentava peça por peça. Garrett agora experimentava uns jeans, com Kate dando pequenas instruções sobre ajuste e comprimento. A cada peça que experimentava, ele olhava para o espelho, avaliando o caimento.

Depois de filtrar as muitas peças de roupa que levariam, por insistência de Kate, eles voltam para a loja para pegarem mais coisas, como meias, cuecas, cinto... Garrett experimenta alguns pares de sapato e decide ficar com um par de tênis, um par de sapatos casuais de couro e par de botas pretas semelhantes à suas que estavam gastas e que, segundo Kate, se aposentariam. Para Kate aquilo não era o suficiente. Garrett precisaria de mais sapatos, mas aquilo estava bom para um começo.

Ao terminarem, eles se dirigem ao caixa. Por sorte não havia fila e Kate se dirige ao balcão, com Garrett ao lado, segurando discretamente a mão dela enquanto observava os arredores. O funcionário registrou as compras e colocou as roupas nas sacolas enquanto Kate pagava por tudo com seu cartão de crédito. Garrett a observava digitando a senha em silêncio.


-Missão cumprida — instantes depois, eles saem da loja, sorridentes, e caminham em direção ao local onde o carro estava estacionado. Os dois estavam cheios de sacolas e estavam sorridentes — Agora você tem o essencial para se parecer um humano moderno.


Garrett sorriu, ainda absorvendo a experiência. Os dois chegam ao carro e Kate abre o porta-malas. Enquanto ele e Kate colocavam as sacolas no carro, Garrett sentia um incomodo crescer dentro dele. Não era nada contra Kate, mas a sensação de estar sendo "provisto" por ela o incomodava. Ele, que fora criado no século XVIII para ser provedor do lar, para proteger e cuidar de sua família, sentia uma necessidade de assumir esse papel.

Claro que as circunstâncias agora eram outras. Ele e Kate não eram um casal humano do século XVIII, vivendo em sociedades patriarcais e machistas. Kate trabalhava, tinha sua loja, e era o que amava fazer, mas ainda assim, dentro de Garrett, alguns valores aprendidos em sua vida humana continuavam nele.

Garrett queria ser capaz de proporcionar para Kate as roupas que ela escolhera, mesmo que ela tivesse seu próprio dinheiro. Ele queria ser capaz de pagar pelas viagens que planejariam juntos sem usar o dinheiro da família, mantendo o padrão de vida que Kate estava acostumada. Garrett entendia que eles não poderiam seguir os moldes tradicionais de um casal humano, mas isso não diminuía a vontade de cuidar dela.



-Assim que eu tiver uma fonte de renda, vou te pagar de volta — Garrett diz assim que entram no carro e fecha a porta do passageiro. Kate olha para ele. Seus cabelos loiros caíam suavemente sobre seus ombros.

-Nada disso! — Kate tira sua bolsa do seu ombro

-Kate... — Garrett começa, mas Kate o interrompe ao colocar sua mão direita sobre os lábios dele. Ela então se inclina na direção dele sobre o encosto entre os bancos e coloca as mãos no rosto dele.

-O que é meu é seu agora... é o nosso dinheiro...

-Isso não é justo... — Garrett murmura e inclinou-se devagar na direção de Kate, colocando as mãos delicadamente no rosto dela. Sua testa encostou na testa de Kate e ele ficou ali por um instante, respirando o mesmo ar que ela. Com um leve movimento, aproximou o rosto ainda mais, fazendo o nariz roçar suavemente no dela, e murmurou, com aquela voz grave e cheia de diversão — você é impossível....


Kate não consegue conter o sorriso e colocou suas mãos sobre as mãos de Garrett, que ainda estavam em seu rosto, entrelaçando os dedos com os dele. Seu olhar dourado brilhava enquanto se permitia desfrutar daquele momento com ele.


-E você gosta disso — Kate rebate entre risos.

-Eu amo.. — Garrett responde e une seus lábios, pressionando os dela com intensidade. As mãos de Kate deixam as mãos de Garrett e sobem, passando pelos ombros, para mergulharem nos cabelos castanhos dele, apertando os fios entre os dedos com firmeza e delicadeza ao mesmo tempo. Garrett respondeu imediatamente, tocando os lábios de Kate com a ponta de sua língua. Quando ela os entreabre, sua língua invade a boca dela e encontra a dela, deslizando uma sobre a outra em movimentos lentos e provocativos. Garrett deslizou sua mão direita até a parte de trás da cabeça de Kate, puxando o rosto dela para si, e suga o lábio inferior de Kate, gesto que arrancou dela um gemido abafado, quente e involuntário, que fez Garrett sorrir contra a boca dela, aprofundando ainda mais o beijo.

*******

Quando a porta da sala se abriu com um leve rangido, o som ecoou suavemente pela sala. Em um dos sofás da sala, Tanya ergueu os olhos dourados da Vogue que folheava preguiçosamente e um sorriso se abre ao ver Kate e Garrett entrarem em casa, carregados de sacolas, várias delas, de diferentes tamanhos e cores. A iluminação natural azulada da tarde entrava pelas janelas da sala, refletindo no cabelo loiro de Kate e fazendo-o brilhar como ouro líquido.


-Olha só quem chegou… — brinca Tanya, fechando a revista no colo e sorrindo para os dois. Kate e Garrett olham para ela enquanto Garrett empurra a porta com o pé e Kate faz seu caminho até os sofás — Como foi a manhã de compras? — Tanya perguntou, observando Kate, que sorriu, orgulhosa, e largou as sacolas sobre o sofá ao lado, ajeitando uma mecha de cabelo atrás da orelha em seguida.

-Foi ótima — Kate respondeu, com um brilho no olhar, e olhou para Garrett — Ele foi perfeito.


Tanya então olhou para Garrett, que permanecia em pé ao lado da porta, um pouco sem jeito. Ele então se aproximou dos sofás para deixar as sacolas que segurava sobre o estofado oposto ao que Tanya estava e depois virou-se para Tanya, que o seguia com o olhar. Kate, que também olhava para ele, sorria.


-Acho que sobrevivi ao teste — brincou ele, sorrindo com o canto da boca, e coloca as mãos na cintura. Tanya sorri ao notar que os olhos de Garrett ainda permaneciam laranjas, sinal que ele tinha se mantido firme perto dos humanos, e um pequeno suspiro de alívio escapou sem que ela percebesse.

-Você foi muito bem — Kate responde sorrindo e se aproxima dele, ficando na ponta dos pés ao passar os braços ao redor do pescoço de Garrett, que olhava para ela de um jeito apaixonado e a abraçou, com suas mãos pousando na lombar dela — eu estou muito orgulhosa por você — Kate completa e faz um biquinho. Garrett sorriu para Kate e depositou um selinho nos lábios dela. A mão direita de Kate mergulha nos cabelos castanhos de Garrett enquanto sua mão esquerda permanece na escápula dele. Tanya observou-os com atenção e sorriu genuínamente.

-Parece que sim — Tanya murmura baixo, mas Kate e Garrett não parecem escutar, focados um no outro — fico feliz por você, Garrett.


Kate e Garrett, ainda nos braços um do outro, olham para Tanya, sorrindo. Seus rostos estavam colados pelas bochechas e pareciam felizes, com um brilho genuíno nos olhos. Nunca, em todo o milênio que compartilhara ao lado da irmã, Tanya viu Kate tão radiante e Garrett parecia estar perdidamente apaixonado por Kate. Era um amor que ficava evidente na forma como ele olhava para Kate, como a segurava em seus braços, como ele tinha mudado toda sua vida e sua dieta por ela. Definitivamente, ter conhecido Garrett foi a melhor coisa que poderia ter acontecido com Kate e não era inveja, mas Tanya desejava que algum dia ela também tivesse isso.



-Eu te disse que ele conseguiria — Kate responde confiante e Tanya devolveu o olhar para ela, com um sorriso singelo se formando em seus lábios.


O som de passos vindo do mezanino em L anunciou a chegada de Carmen e Eleazar, que andavam de mãos dadas. Os olhos dourados de Tanya se ergueram e Kate e Garrett, ainda nos braços um outro, fizeram o mesmo. A vampira de cabelos negros e expressão calorosa surgiu primeiro, seguida de perto pelo marido, que mantinha o ar tranquilo e observador de sempre.


-Bem que tinha escutado as suas vozes! — exclamou Carmen, abrindo um sorriso acolhedor ao ver que Kate e Garrett tinham retornado à salvo. Ela então olha de relance para os sofás e sorri com a quantidade de sacolas — E pelo visto não economizaram nas compras. Kate riu, olhando para o monte de sacolas espalhadas pelos dois sofás. Garrett, por sua vez, mantinha seu olhar no casal que agora descia as escadas e sorria para eles. Atrás da esposa, Eleazar apenas sorria para eles.

-Digamos que a manhã foi produtiva — Kate respondeu, divertida, lançando um olhar cúmplice a Garrett, que olha para ela com os lábios curvados em um meio sorriso. Ao descer as escadas e chegar ao térreo, os olhos dourados de Eleazar pousaram brevemente nos de Garrett, notando a tonalidade alaranjada constante, sinal de controle e de domínio sobre a sede. Ele respirou aliviado, assim como Carmen também fez ao notar a coloração dos olhos de Garrett.

-O autocontrole não é fácil no início. Mas você está indo muito bem e rápido, Garrett — Eleazar se aproxima deles com Carmen e toca o ombro de Garrett com a mão direita. Seus lábios se tornam uma linha fina, sinal de um sorriso cúmplice. Garrett sorriu.

-Tudo vale a pena por ela... — ele olhou para Kate ao dizer isso, e um sorriso suave se formou em seus lábios. Kate sorri para ele e então Garrett olha para Tanya, Carmen e por fim Eleazar — e por vocês três... eu realmente quero ficar...


Carmen e Eleazar sorriem para Garrett, assim como Kate, a quem o olhar de Garrett se direcionava. Tanya se levanta do sofá onde estava sentada e deixou a revista sobre o estofado.


-E nós queremos que você fique conosco — Tanya responde sorridente ao caminhar até eles com passos suaves para o centro da sala. Todos olham, sorrindo, para Tanya, que parou ao lado de Carmen, com quem trocou um olhar silencioso, cheio de cumplicidade, antes de passar o braço esquerdo ao redor da cintura dela. Carmen retribuiu o gesto com delicadeza, envolvendo a cintura de Tanya com o braço direito, enquanto sua mão esquerda continuava entrelaçada à de Eleazar, cuja mão direita repousava firme sobre o ombro de Garrett. Este, por sua vez, mantinha os braços envoltos em Kate, que completava o círculo, permanecendo entre Tanya e o homem que amava — somos família e mais nada nem ninguém vai separar essa família...


Com seu braço direito ao redor de Garrett, Kate olha para Tanya e sorri para a irmã mais velha. Tanya olha para Kate, sorrindo também, e une suas testas, trocando um olhar cúmplice. A mão esquerda de Kate se uniu à mão direita de Tanya, e seus dedos se entrelaçaram. Após alguns segundos assim, Tanya desencosta sua testa da testa de Kate e seus olhos dourados percorrem lentamente cada rosto. Carmen, Eleazar, Garrett e, por fim, Kate, que agora encostava a cabeça no ombro de Garrett, olhando para Tanya. Mas quando o olhar de Tanya deveria alcançar outro rosto, o de Irina, que deveria estar ali ao seu lado, não estava. Eles deveriam ser seis e não cinco. Tanya nunca se acostumaria com a falta de Irina.


********

Kate empurrou a porta do seu quarto com o ombro e acendeu as luzes no interruptor usando o cotovelo ao entrar com as sacolas em mãos. Garrett a seguia em silêncio, deixando o ar se encher do som de seus passos e do leve farfalhar das embalagens. Ela caminhou direto para o closet, abrindo a porta com um sorriso de satisfação, e colocou as sacolas no chão. Garrett repetiu o gesto, pousando suas próprias sacolas ao lado dela e ficando parado, observando-a com atenção.

Kate, ainda radiante por Garrett ter conseguido manter o auto controle, não conseguiu conter sua alegria e pulou nos braços de Garrett, passando os braços ao redor do pescoço dele e envolvendo as pernas ao redor da cintura dele. Garrett não teve tempo para pensar em nada, apenas a segurou instintivamente quando Kate pulou nele e seus braços a envolveram. Seus rostos ficam na mesma altura e os olhos laranja escuros dele fixaram-se nos dourados de Kate, carregados de intensidade e paixão. Um sorriso suave, mas cheio de desejo, curvou seus lábios ao sentir como Kate se encaixava perfeitamente em seus braços, que agora pertenciam à ela.

Kate sorria para ela e inclina seu rosto, encostando sua testa na testa de Garrett. Ele fecha os olhos com o toque e ergue seu queixo em direção ao rosto de Kate, roçando seus narizes, o que arranca uma risada dela. Ele sentia o cheiro adocicado do gloss que Kate usava nos lábios e não resiste. Seus lábios se encontram e Kate afundou os dedos nos cabelos castanhos de Garrett, puxando-os, enquanto ele, com a mão direita na lombar dela e a mão esquerda por baixo das nádegas, pressiona o corpo dela contra o dele, sentindo cada curva e cada movimento dela. O ato faz pressão na intimidade de Kate, que é pressionada contra o abdomen de Garrett, o que lhe arranca um gemido abafado pelos lábios dele.

Num primeiro momento, Garrett apenas pressionou seus lábios contra os lábios de Kate, um encontro delicado e exploratório, mas logo sua língua deslizou lentamente para dentro da boca dela, ao que Kate respondia com igual fervor, entrelaçando-se à dele em movimentos quentes e sensuais.

Seus lábios se uniam e se separavam levemente, criando pequenos selinhos entrelaçados aos beijos mais profundos, enquanto a respiração de ambos se tornava mais intensa e entrecortada. Kate apertava os braços ao redor do pescoço dele, afundando os dedos nos cabelos castanhos e puxando suavemente, guiando-o ainda mais para dentro do beijo. Garrett, por sua vez, cada vez mais pressionava o corpo dela contra o seu enquanto sugava o lábio inferior de Kate, arrancando dela gemidos abafados e aumentando a eletricidade que percorria seus corpos.


-Garrett… — ainda no colo de Garrett, com os braços ao redor do pescoço dele, Kate murmura ofegante e coloca as mãos delicadamente no rosto dele, pressionando a testa contra a dele — nesta noite… eu quero te mostrar uma coisa — ela diz e Garrett afastou levemente o rosto do dela, abrindo os olhos e franzindo o cenho, confuso.

-Mostrar uma coisa? — repetiu ele curioso, com a sobrancelha arqueada e a cabeça levemente inclinada. Kate abriu os olhos dourados, rindo levemente, o som suave enchendo o espaço entre eles — o que é?

-Você só vai saber quando chegar a hora — ela responde, entre risos, e Garrett suspirou resignado e inclinou a cabeça para encostar novamente sua testa na dela.

-Eu adoro esse seu mistério — ele brinca, roçando seus narizes. Kate riu novamente, apertando-o suavemente contra si.

-Confia em mim. Você vai gostar!

-Eu só preciso de você e nada mais... — ele murmura e fechou os olhos por um instante, sentindo a respiração dela misturar-se à sua e o calor de seu corpo no colo dele. Kate sorria, roçando seu nariz no nariz dele.



Algumas horas depois, quando já era noite, o carro de Kate avançava majestoso pela estrada escura coberta de neve e seu motor ronronava baixo enquanto subiam o Cleary Summit. Dentro do veículo, a única iluminação vinha do painel, lançando um brilho frio sobre os rostos de Kate e Garrett. Os acordes da música The Scientist do Coldplay preenchia o espaço.

Garrett, sentado no banco do passageiro, franzia o cenho e virava-se para os lados e depois para frente, tentando decifrar o que havia ao redor, mas a escuridão total fora do carro deixava tudo indistinto, e o caminho sinuoso só aumentava sua curiosidade. Ao volante, Kate sorria, se divertindo com ele. Ela havia posto sua jaqueta de couro com pêlos, a mesma que usava quando enfrentaram os Volturi a pouco mais de uma semana, e levava na cabeça uma touca branca de pêlos, assim como Garrett vestia a jaqueta que vestia na noite que Emmett e Rosalie pediram sua ajuda em New Orleans e que usou novamente para enfrentar os Volturi. Novamente, mal sabia Garrett que aquele pedido de ajuda o levaria de encontro ao amor de sua vida.


-Katie… onde estamos indo? Pra quê estamos trazendo uma barracada de camping e todas essas coisas — ele aponta para o banco traseiro, onde uma manta de casal bem grossinha na cor cinza repousava junto a uma mochila de Kate, contendo isqueiro, álcool e papel para fazer fogo, lanterna, dentre outras coisas mais — vai me desmembrar e me queimar, é?

Kate olhou para Garrett pelo canto do olho e riu com ele, sem tirar as mãos do volante.


-Claro que não! — Kate responde entre risos e estende seu braço direito até Garrett, pousando sua mão direita na nuca dele e acariciando-a. O gesto faz Garrett sorrir pra ela e ele pega na mão dela pelo pulso e a aproxima de sua boca para beijá-la, o que faz Kate sorrir e voltar-se à estrada — Aguenta um pouco a curiosidade porque estamos chegando...Você já vai descobrir -respondeu, divertida, deixando um leve suspense na voz. Garrett, ainda segurando a mão dela entre as suas, suspirou e recostou-se no banco, olhando para a escuridão à sua frente. Apesar da sua impaciência, não pôde esconder o brilho de expectativa nos olhos laranja — vai valer a pena...


Alguns minutos depois o Hyundai Creta de Kate parou suavemente no topo do Cleary Summit, e por um instante, o único som era o do motor cessando e o vento frio zunindo lá fora. O céu, de um azul profundo salpicado de estrelas, ainda não mostrava o espetáculo de luzes que logo viria.

Kate desligou o veículo e abriu a porta, sendo imediatamente atingida por uma rajada de vento gélido do Ártico, que fez seus cabelos loiros dançarem ao vento. O mesmo acontece com Garrett, que desceu logo atrás dela. Ao colocarem os pés para fora, a neve fofa afundou sob as botas que os dois calçavam, rangendo baixo a cada passo.


-Aqui em cima é tão silencioso.... Parece que o mundo inteiro ficou em silêncio — murmurou ele, olhando ao redor, maravilhado. A vastidão branca montanhosa se estendia até onde a vista alcançava, e o som do vento era a única coisa viva naquele cenário. Kate sorriu para ele, com um brilho de contentamento nos olhos dourados. Ela então abriu a porta traseira do carro e puxou a tirar a manta grossa e sua mochila preta, que logo passou pelo ombro direito. Enquanto isso, Garrett contornava o veículo e pegava no porta-malas já aberto a barraca de camping dobrada que trouxeram. Kate fechou a porta com um estalo leve e virou-se para ele, a expressão iluminada pela excitação.

-Bem-vindo ao verdadeiro Polo Norte — Kate anunciou, com um sorriso largo e orgulhoso no rosto, e abriu um de seus braços que não levava a manta. Garrett arqueou as sobrancelhas, surpreso, e deixou escapar um riso baixo.

-Você me trouxe ao Polo Norte, é? — Garrett brinca e anda até ela, contornando o carro. Kate ria, seguindo-o com o olhar, enquanto tirava os cabelos que batiam em seu rosto, trazidos pela rajada de vento polar que soprava, levantando redemoinhos de neve fina ao redor deles. Ao parar diante de Kate, Garrett coloca a barraca de camping no chão e passa os braços ao seu redor, unindo suas mãos na lombar dela e a puxando contra ele. Kate sorria para ele e coloca a mão livre no peito dele — Então foi isso que você planejou pra hoje à noite? — Garrett arqueou uma sobrancelha e com um meio-sorriso se formando no canto dos lábios antes de inclinar-se um pouco mais perto dela para roçar seus lábios nos lábios dela. Kate ria e ele rouba um selinho dela. — Eu acho que já passei da idade de ver o Papai Noel... — ele brinca e ela chacoalha violentamente seus ombros ao gargalhar — a menos que você queira brincar de mamãe e papai


A voz baixa veio carregada de malícia. Kate piscou, surpresa, e o riso deu lugar a uma mordida de lábio inferior, tentando conter o sorriso que teimava em escapar.


-Safado! — Kate grunhe com a mandíbula cerrada e defere um tapinha de leve no peito dele, mas o gesto perdeu a força diante do brilho divertido e provocador presente em seus olhos, que diziam sem palavras o quanto ela tinha gostado da ousadia. Garrett riu. Seus ombros tremiam levemente sob a jaqueta de couro — Você não presta, Garrett — murmurou, fingindo indignação, mas a voz denunciava a diversão. Ela estava tentando disfarçar o próprio sorriso.

-Você adora quando eu não presto — ele respondeu de brincadeira, com um sorriso safado e com os olhos fixos nos dourados dela. Segurando a manta em um braço, Kate passa o braço por cima do ombro de Garrett e sua mão pousa na nuca dele — hoje de manhã eu quem diga... — ele sussurra e Kate gargalhou, o que para Garrett era o som mais doce que já ouvira. Ele leva sua mão direita à nuca de Kate, com seus dedos se enredando nos fios loiros e gelados dela, puxando-a delicadamente para mais perto, enquanto mantinha a mão esquerda na lombar dela e inclinava sua cabeça para beijá-la.

-Bobo — Kate murmurou, com seus narizes roçando e suas testas unidas, Por um instante, os dois apenas se olharam antes que seus lábios se encontrassem em um beijo profundo e lento, que parecia aquecer o mundo ao redor. O vento soprou mais forte, levantando a neve em redemoinhos ao redor deles, mas nenhum dos dois se moveu; o tempo parecia suspenso entre o frio cortante e o calor que nascia do contato de suas bocas.


Alguns minutos depois, o beijo havia se desfeito em risadas curtas. Eles haviam acendido uma fogueira com os insumos que levaram. O fogo lançava sobre eles o seu brilho avermelhado enquanto Garrett concentrava-se em montar a barraca. Ele estava sentado na neve com as pernas dobradas para trás. Seus cabelos castanhos voavam. Suas luvas pretas de couro sem os dedos eram um charme e seus joelhos afundavam no manto branco da neve. A barraca desmontada diante dele balançava pela ação do vento cortante, que insistia em bagunçar as hastes e levantar os panos antes que ele conseguisse encaixá-los direito.

Kate, ajoelhada ao seu lado, segurava as estacas com firmeza. Seu rosto estava parcialmente coberto pelo gorro branco de pêlos e pelas mechas loiras que o vento teimava em fazer voar. A alguns metros deles, o carro permanecia estacionado e as luzes dos faróis acesos refletiam fracas sobre a neve, iluminando o espaço onde, segundo Kate, passariam a noite.


-Você parece já ter feito isso antes — sentada sob suas pernas dobradas para trás e com as mãos sob suas pernas, Kate comenta, observando como Garrett erguia rapidamente a barraca sob o luar. Em pé diante dela, Garrett olhou para ela e deu um meio sorriso antes de encaixar a última peça do topo da barraca, que batia no meio de seu peito — Digamos que, quando se vive tanto tempo… a gente acaba aprendendo de tudo um pouco.

-Já pode adicionar à sua lista que sabe montar uma barraca de camping no meio do Polo Norte — provocou Kate e Garrett sorri

-Especialmente isso — respondeu ele e ao finalizar a montagem da barraca, puxa o zíper para ela entrar — primeiro as damas.


Kate sorriu e se levantou, pegando sua mochila e a manta que repousavam ao lado dela sob a neve. Ela entrou primeiro, carregando a manta e sua mochila. O espaço do interior da barraca era pequeno, mas aconchegante. Kate se agaixa e tira sua mochila das costas antes de abrí-la para pegar seu celular e ver a hora. Já vai começar - pensou ela.

Kate sai da barraca com a manta na mão em seguida. Garrett, agachado diante do fogo que acendeu minutos atrás, olha para Kate e franze o cenho ao vê-la abrindo a manta e estendendo-a sobre a neve diante da barraca.


-Pensei que passaríamos a noite na barraca e não fora dela — ele brinca e ela olha para ele, rindo, ao se sentar sobre a manta com as pernas cruzadas em pernas de índio.

-Você já vai entender, patriota... — ela responde com um sorriso e bate com a mão ao seu lado, para ele se sentar — vem aqui


Garrett levantou-se, ajeitando o casaco, e caminhou até Kate, com os olhos fixos nela e com os cantos da boca se erguendo em um sorriso. Kate sorria para ele também, seguindo-o com o olhar até o momento que Garrett se senta ao seu lado. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, ela pousou a mão em seu braço e o puxou suavemente para deitar-se com ela. Garrett cedeu, rindo baixo, e se esticou sobre a manta, passando os braços ao redor dela. Kate se aconchegou em seu peito, com a cabeça apoiada sobre ele, e suas mãos delicadas se fecharam em torno do abdômen dele, como se quisessem guardá-lo ali.


-Pronto pra ver uma das coisas mais bonitas da Terra? — Kate ergueu a cabeça sem desencostá-la do peito dele ao olhar para Garrett, com um sorriso suave curvando seus lábios. Garrett olhou para ela com o cenho franzido.

-Existe coisa mais bonita do que você? — Garrett responde, sorrindo, e Kate sorri também. Garrett então aproxima seu rosto do rosto dela e une seus lábios. Foi então que o céu acima começou a mudar e as primeiras luzes iluminou o horizonte em tons de verde, lilás e azul, rasgando a escuridão da noite estrelada que era testemunha do amor deles, movendo-se lentamente como fumaça que dançava entre as estrelas que pincelavam o céu.



Kate e Garrett se afastaram e olharam para o alto. Kate sorria com o rosto pressionado contra o peito de Garrett, que deixou escapar uma risada leve, com seus braços envolvendo Kate e a puxando contra ele, de forma protetora. As luzes nos tons de verde, roxo e azul da aurora boreal banhavam seus rostos e refletiam seus olhos.


-Meu Deus… — ele murmurou, maravilhado. Kate o observava de perfil, e um sorriso sereno se formou em seu rosto. Sua mão esquerda subiu até o rosto dele, acariciando-o por cima da barba áspera. Seu polegar deslizava com carinho — eu nunca vi nada parecido com isso...

-É por isso que eu quis te trazer aqui... Bem vindo ao Alasca, meu amor... — Kate sussurra suavemente, com os olhos fixos nele — Achei que você precisava conhecer a Aurora Boreal....


Garrett desviou o olhar do céu para Kate e um sorriso lento e apaixonado surgiu em seus lábios antes de sua mão esquerda tocar o rosto de Kate, que fecha os olhos com o toque da mão dele. Garrett então ergue a cabeça e o torso, se debruçando sobre ela, e deposita um selinho nos lábios de Kate sob as luzes dançantes da aurora que jogava suas luzes dançantes sobre os dois, como se o universo inteiro se curvasse àquele instante.


-Viu só? — sussurrou Kate com sua testa unida à testa dele. Seus narizes roçavam e os dois sorriam de olhos fechados — Eu disse que valeria a pena — ela completa e Garrett abriu os olhos ao mesmo tempo que Kate também abriu os dela.

-Não há nada nesse mundo que valha mais a pena do que estar aqui… com você — ele sussurra e Kate sorriu — te amo, meu amor...

-Também te amo meu amor patriota — ela brinca e ele ri antes de unirem seus lábios novamente em mais um selinho apaixonado. Nos braços um do outro, eles se voltam ao céu para voltar a observar a explosão de cores vivas e mutantes diante da imensidão silenciosa que os cercava.