North Wind
9 Capítulo 9- Stark of Winterfell
Aquele dia havia amanhecido claro, toda a luz parecia atravessar a janela e ir direto do rosto de Jon.
Jon abriu os olhos devagar, acostumando-se com a luz em seus olhos, olhou ao seu redor percebendo estar em seu quarto e com Sansa em seus braços. Sorriu lembrando do que acontecera e a certeza de que não fora um sonho apenas o faziam sentir que deveria viver, independente das guerras que viria, independente das desgraças, independente de tudo. Ele deveria viver, por Sansa.
Seus dedos brincavam com os cabelos ruivos, quando aproximou-se do rosto da Stark, beijando-lhe a testa. Sansa remexeu-se e apenas ajeitou-se nos braços de Jon. O ex-lorde comandante sorriu e agora beijou-lhe a ponta do nariz gelado, Sansa mexeu seu nariz de leve e começou a abrir os olhos quando Jon lhe beijou os lábios:
—Jon! _Riu Sansa interrompendo o beijo
—Apenas queria confirmar que não era um sonho e você iria me dar um soco quando acordasse.
Sansa riu e passou a mão pelo rosto tirando os cabelos escuros de seu rosto:
—Socos são com você, lord Snow.
Jon sorriu para Sansa e beijou-lhe os lábios rapidamente:
—Você precisa levantar. _Falou Jon
—Por que?
—Lady Lyanna, você disse que iria tratar de alguns assuntos com ela. Ontem.
Sansa suspirou pesadamente e sentou-se na cama espreguiçando-se. Jogou as pernas para fora da cama e sentiu-se apenas mais tentada a voltar para o lado de Jon. A rainha do Norte se levantou indo até a porta, antes de sair deu uma última olhada para Jon e lançou-lhe um sorriso.
Ao sair, Sansa olhou para os dois lados, assegurando-se de que não vinha alguém, andou em passos rápidos até seu quarto. Viu que sua lareira havia se apagado e agora seu quarto parecia um enorme cubo de gelo.
Sansa pegou seu vestido, colocando-o sem pressa, não sabia exatamente que horas eram e muito menos se lady Mormont já havia acordado. Enquanto sentava-se para pentear seus cabelos, Sansa sentia que o cheiro de Jon havia se impregnado em todo seu corpo e sorriu sozinha. Queria que houvessem mais dias como aquele, assim que toda aquela guerra acabasse e a paz começasse a reinar sobre os Sete Reinos, haveriam mais momentos de paz em sua vida.
Os cabelos ruivos agora caiam como uma cascata de fogo sobre suas costas e pela primeira vez, desde a noite passada, Sansa viu como ficava com a coroa que Lyanna e sor Davos a presentearam. Sentiu mais do que nunca que agora sustentava o peso do Norte sobre si, era misterioso como uma coroa parecesse tão pesada.
Olhava-se no espelho, analisando sua imagem e lembrando de tudo que passara até se tornar uma rainha. Havia sofrido nas mãos de Joffrey, nas de Cercei, fora prisioneira deles. Havia perdido seu pai, sua mãe, seus irmãos, havia apanhado pelas mãos de Meryn Trant, havia sido humilhada. Fora usada, quebrada e estrupada. Estivera sozinha por muito tempo, mas agora, mais do que nunca, era Sansa Stark de Winterfell, rainha do Norte. Sorriu para seu próprio reflexo e virou-se preparada para deixar seu quarto.
Sansa caminhava lentamente em direção até seu escritório e ao passar por uma janela, viu Jon no pátio com Tormund e sor Davos. Winterfell começava a voltar ao que havia sido um dia, isso fez a Stark sorrir e tornar a caminhar.
Quando Sansa abriu a porta de seu escritório, lady Lyanna estava sentada de costas para a porta, a esperando:
—Desculpe a demora, lady Lyanna. _Pediu Sansa sentando-se. _Durante o jantar, disse que queria falar comigo, que tínhamos assuntos à tratar. Estou aqui.
—Minha rainha, eu e meus homens a apoiamos nesta última batalha e continuaremos a apoiá-la. Os nortenhos a vêem como sua rainha, mas algo ainda os perturba. _Lyanna suspirou. _O inverno chegou e você é a única Stark em Winterfell. De seus irmãos, quem sobrou?
—Arya e Bran. _Disse Sansa não compreendendo onde a Mormont pretendia chegar. _Ambos mais novos que eu, se é isso que quer saber.
—E não os vê desde quando?
—Não vejo Bran desde o dia em que deixei Winterfell para ir à King's Landing. E Arya, eu não a vejo desde que mataram nosso pai. _Sansa continuava séria olhando para a garota à sua frente. _Onde pretende chegar com isso, lady Mormont?
—Sansa Stark, você é o futuro de sua casa. Seus filhos governarão Winterfell um dia...
—Querem que eu me case. _Falou Sansa cortando a fala de Lyanna
—Apenas procure entender, lady Stark. Não a julgam incapaz de governar, eles apenas pensam que tenha criado uma aversão à casamentos e jamais pense em se casar ou ter filhos um dia. E o que os aflige é não saber o que aconteceria com Winterfell se não tivesse nenhum houvesse nenhum herdeiro seu para reclamar a coroa.
Sansa desviou os olhos para suas mãos enquanto pensava nas palavras da jovem Mormont. Havia passado anos sonhando em casar e ter filhos, mas por enquanto Winterfell era sua prioridade. Tinha que manter seu lar seguro:
—Lady Lyanna, estamos em meio à uma guerra. Minha maior prioridade neste momento é Winterfell, preciso protegê-la. _Sansa encarou Lyanna com os olhos sérios e duros. _Não posso focar-me em ser esposa ou mãe agora, neste momento e até o fim desta guerra eu sou uma rainha.
Lyanna continuava a olhá-la, mantinha o mesmo rosto sério e os olhos focados. Sansa acreditava que Lyanna Mormont não tinha outras expressões:
—Sei que sabe o que é certo, minha rainha. _Afirmou a pequena Mormont levantando-se e estendendo a mão para Sansa. _Tenho fé que será tão boa para o Norte quanto seu pai foi um dia.
Sansa segurou o antebraço de Lyanna e sentiu a pequena mão da mesma apertar o seu.
Quando a garota deixou seu escritório, Sansa sentou-se e apoiou a testa sobre suas mãos. Pensava em Robb, o jovem lobo, e como o proclamaram rei do Norte. Seu reinado havia sido curto, como sua vida. Ela não queria morrer, depois de tudo sua vontade de viver apenas crescia.
Sansa pegou alguns pergaminhos e no meio deles viu o que Robert Baratheon mandara para seu pai, avisando que visitaria Winterfell. Amaldiçoou aquele gordo bêbado por ter ido à Winterfell e nomeado seu pai como mão dele. Amassou aquela carta e jogou-a na lareira.
Assim que Jon viu Lyanna Mormont saindo do castelo, entrou para encontrar Sansa. Não sabia ao certo se a conversa que ambas haviam tido fora boa ou não, visto que a pequena Mormont não era uma garota de muitas emoções.
Parou diante da porta de madeira do escritório de Sansa dando leve batidas e ouvindo a voz dela permitindo sua entrada. Jon entrou e viu que Sansa não havia erguido os olhos azuis do pergaminho que lia para vê-lo, caminhou até o lado dela:
—Esses pergaminhos são mais velhos que a morte do último dragão. _Disse Sansa olhando para Jon
—Por que os lê então?
—Me propus a analisar cada um dos pergaminhos desta sala. Talvez saia daqui com 115 anos.
Jon sorriu e puxou uma cadeira sentando-se ao lado de Sansa:
—O que lady Lyanna queria? _Perguntou Jon pegando a mão de Sansa
—Não era o que ela queria, era o que as pessoas queriam. _Suspirou Sansa. _Eles temem que eu nunca venha a me casar e nunca dê um herdeiro para a casa Stark. Visto que até a volta de Bran ou Arya, eu sou o futuro dessa casa. Mas, não posso me casar, não agora. Assim como não posso ter um filho em tempos de guerra.
—Você realmente me assustou por alguns segundos. _Riu Jon sem humor. _Achei que já haviam lhe arranjado um marido.
Sansa riu brevemente, inclinando-se para puxar o rosto de Jon para si, o beijando:
—Eu já lhe disse que não pretendo ter ninguém ao meu lado além de você. _Disse Sansa passando a mão pelo rosto de Jon. _Mas, mesmo que você me pedisse em casamento noite passada, eu não aceitaria. Pois até que esta guerra acabe, não quero que saibam sobre nós. Não quero que me usem para atingi-lo.
Jon sorriu para Sansa, tomando seu rosto em mãos e a beijando, de forma lenta, querendo aproveitar cada segundo daquele momento antes de contar o que recebera de Edd para Sansa:
—Então, quando tudo acabar posso pedir Sansa Stark, a rainha do Norte, em casamento e ela irá aceitar?
—Pensarei no seu caso, Snow. _Riu Sansa
Jon sorriu e pegou ambas as mãos de Sansa e olhou-a nos olhos:
—Recebi um corvo da Muralha. _Declarou Jon. _Eles estão com poucos homens e Sansa, existem coisas além da Muralha que não são apenas histórias da velha ama. Edd teme que não aguentem lutar.
—Essas "coisas", já chegaram à Muralha? _Jon balançou a cabeça negativamente. _E os homens que temos como prisioneiros, tem ideia de quantos sejam?
—Uns 100, 150 no máximo.
—Podemos mandá-los para a Muralha, são poucos, mas creio que prefiram ir para lá do que morrer.
Sansa levantou-se para sair e teve seu braço segurado por Jon:
—Sansa, sabe o que irá acontecer se a Muralha não aguentar, não sabe?
—Eu sei, Jon. Mas, sei que iremos ganhar, independente do que venha a acontecer. _Sansa sorriu para Jon. _Já tem um tempo que morrer não é uma opção para mim.
Sansa saiu e Jon a seguiu até as masmorras. Sorria admirado em como ela havia se tornado uma rainha. Já perdera as contas de quantas vezes Sansa o impressionara com sua mudança, talvez não apenas com isso, afinal também havia se impressionado no jeito que Sansa lhe deva razões para continuar vivo. Seja por ela, por Arya, por Bran, por Winterfell, pelos filhos que, se os deuses quisessem, um dia teriam. Ele queria viver para saber o que seria do futuro.
O pátio estava com neve e por onde Sansa passava, alguém a cumprimentava. A Stark lembrava-se de quando era mais nova e andava por lá com Jeyne Poole. Sentia falta de sua amiga, não soubera o que houvera com ela, apenas que em algum momento haviam se separado.
A entrada das masmorras estavam sendo guardadas por homens que ostentavam o brasão do lobo dos Starks no peito e, que ao verem Sansa, ajoelharam-se:
—Podem levantar-se. _Pediu Sansa e olhou para um dos homens. _Quantos prisioneiros temos?
—Na última contagem haviam 163, minha rainha.
—Mais do que tínhamos em mente. _Disse Sansa virando-se para Jon. _Desejamos entrar.
Os homens assentiram e abriram as portas para que Sansa passasse com Jon.
Sansa olhava aqueles homens em celas, parecia que não tinham mais nenhuma esperança em seus olhos. Eles a encaravam com medo do que estava por vir:
—Senhores, vocês apoiaram Ramsay Bolton na batalha que se passou e sabem que como inimigos meus, de Sansa Stark, rainha e protetora do Norte, estão condenados à morte. _Sansa esperou por alguma reação antes de prosseguir. _Mas, eu lhes dou duas opções: morrem como se fossem nada, apenas homens que seguiram Ramsay Bolton ou podem seguir para a Muralha e viver o resto de seus dias junto à Patrulha da noite. A decisão é dos senhores.
Um homem passou pelo meio de vários outros, segurou as barras da cela e olhou para Sansa. Seus olhos pareciam desesperados sobre a fraca luz das tochas que ali iluminavam. Seu rosto estava abatido e quando falou, sua voz saiu rouca e baixa:
—Rainha, eu escolho a Patrulha. _Garantiu ele. _Se for para morrer que seja com honra e nem como alguém que tentou matar a legítima herdeira de Winterfell.
Gritos de empolgação começaram a ecoar pelas paredes das masmorras. Os prisioneiros repetiam "Patrulha" em coro, aparentemente nenhum queria morrer na forca ou ter sua cabeça decepada. Sansa olhou para o rosto do homem que havia falado consigo há pouco:
—Seguirão para a Muralha ainda hoje. Serão acompanhados por homens armados e de tentarem fugir serão mortos. Adeus, senhores.
Sansa virou as costas e saiu da masmorra com Jon ainda ao seu lado. Lembrando-se de que já havia visto aqueles olhos sem esperança e sem vontade de viver em Theon Greyjoy, depois de Ramsay tê-lo torturado.
Jon segurou o braço de Sansa, fazendo com que ela o olhasse:
—Sansa, não temos homens suficientes para acompanhá-los.
—Jon, quantos homens pensa que planejo mandar com eles? Serão 163 homens amarrados, desarmados e sem nenhuma esperança de vida, eu mandarei apenas cinco homens armados para acompanhá-los. _Sansa soltou seu braço de Jon e olhou. _E agora, lord Snow, o senhor ainda não terminou de ensinar-me a manejar uma espada.
—Ainda com isso na cabeça?
—Claro, afinal, quando a guerra chegar até nós quero estar ao seu lado, lutando.
Sansa virou as costas para Jon, seguindo para dentro da castelo, tinha o intuito de trocar suas roupas e pôr aquelas que havia feito e lembravam as roupas de Arya.
Jon havia ficado no meio do pátio esperando por Sansa. Não imaginava a sempre tão delicada Sansa em um campo de batalha, correndo o risco de morrer a cada passo que dava. Tal pensamento fez Jon estremecer, nos últimos dias perder Sansa parecia ser seu apocalipse. Mas, se a vontade dela fosse estar no meio da guerra, ele não se oporia.
Sansa desceu roubando, mais uma vez, toda a atenção de Jon para si. Seria que haveria um jeito de deixar aquela mulher feia à seus olhos?
—Algo de errado, Lord Snow? _Perguntou Sansa sorrindo
—Nada, minha rainha. Apenas me pergunto se ainda se lembra de tudo que lhe expliquei da última vez.
—Aprendo rápido, Snow.
Jon entregou uma espada para Sansa e assistiu a mesma respirar profundamente e assumir a posição de batalha esperando por um ataque dele. Jon aproximou-se devagar, atacou-a com movimentos lentos e ela os defendia, lembrando de cada uma das lições dadas por ele:
—Bom, continue defendendo. Sem ataques ainda.
Jon aumentou a velocidade de seus golpes e percebeu Sansa atrapalhar-se de início, mas sem demora começar a seguir seu ritmo.
Na cabeça de Sansa passavam as lições de dança que tivera quando mais nova. Um luta de espadas era nada mais nada menos que uma dança, tinha apenas que concentrar-se em seu parceiro e não perder o ritmo da música. Seus pés deslizavam pelo chão e em momento algum baixou sua guarda, estava longe do nível de Jon como espadachim e sequer almejava tal nível, apenas queria ser boa a ponto de não morrer.
Foi quando Jon tentou acertar-lhe na altura do abdômen que Sansa empolgou-se e arrancou a espada das mãos do Snow em um breve movimento:
—Eu fiz isso? _Questionou Sansa olhando a espada no chão com olhos arregalados
—Fez. Aparentemente você pode se defender de um inimigo com uma velocidade média. Mas, Sansa. _Jon colocou a mão sobre os ombros da garota olhando-a nos olhos. _Eles não vão tentar atacá-la como eu, eles irão para cima de você, para matar.
—Eu sei, Jon.
—Você está indo bem. _Disse Jon beijando a testa de Sansa. _Mais alguns treinos e quem sabe você se torne uma grande espadachim.
—Infelizmente, meus deveres como rainha me chamam então teremos que ficar com apenas esses cinco minutos de treino para me tornar uma grande espadachim. _Riu Sansa
—Se você se focar nas espadas como se foca em cuidar de Winterfell, tenho medo de você me ultrapassar. Acho que deveria ensinar você a usar arco e flecha.
Sansa riu e abraçou Jon, passando os braços ao redor de seu pescoço e sussurrando em seu ouvido:
—Eu o beijaria aqui mesmo, Jon Snow. Mas, existem olhares curiosos por todo canto.
Jon estremeceu e sentiu os pelos de sua nuca eriçarem-se quando sentiu o hálito quente de Sansa ali:
—Sempre teremos os corredores, minha rainha.
Sansa desceu dos braços de Jon e sorriu para ele:
—Preciso falar com alguns homens para que acompanhem os prisioneiros. Encontre-me mais tarde, Snow.
Jon virou as costas para si e ficou a olhando andar, reparou em algo que nunca havia notado devido aos vestidos que ela usava. Sansa tinha pernas desenhadas pelos deuses. O Snow sorriu de seus pensamentos e saiu a procura de Tormund ou sor Davos, quem sabe uma conversa com alguns deles o desligasse por alguns minutos de seus pensamentos sobre a sorte de ter Sansa à seu lado.
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