Noivas em fuga
9 Onde será que estou?
Notas iniciais
Senti uma claridade em meus olhos e os fechei com força. Por algum motivo eu sentia que se acordasse não ia gostar do que veria. Após alguns segundos, sabendo que não adiantaria enrolar para acordar abri meus olhos vagarosamente.
O cômodo onde me encontrava era minúsculo, sujo e cheio de objetos espalhados pelo chão fazendo-o parecer menor ainda. Sentei-me sem saber onde estava, como eu tinha ido parar ali?
Percebendo que minhas amigas não estavam ali comecei a sentir um desespero tomando conta de mim. Eu não podia acreditar que tinha desmaiado assim que tinha sido sequestrada! Aquilo era muito perigoso, e de brinde agora não sabia onde minhas amigas estavam.
Sem consegui segurar senti um grito sair de minha boca, e assim que pude tentei me calar. Mas já era tarde, um dos rapazes que nos abordaram entrou no quarto. No mesmo instante me afastei em direção a parede oposta.
O homem me olhava sério, mas o olhando no fundo dos olhos ele parecia preocupado com algo. Seus cabelos eram pretos assim como seus olhos, parecia muito novo. Eu não daria mais que 20 anos para ele. Percebendo que ele não gritaria comigo prestei mais atenção nele e vi que segurava um prato com pão em uma das mãos e na outra um copo com um liquido branco.
— Trouxe sua comida. — declarou com certa frieza. — Tente não gritar, isso pode incomodar um de meus colegas. — ele estendeu a comida e eu a peguei.
Assim que senti o cheiro da comida senti um buraco se formar no meu estômago. Provavelmente fazia muitas horas que eu não me alimentava. Percebendo que eu não iria esticar meus braços para pegar a comida ele apenas depositou o prato na minha frente e se sentou encostado na porta. Evitando meu olhar sempre.
Abracei minhas pernas, tentando não prestar atenção na minha fome, assim como na comida que tinha sido colocada na minha frente. Eu estava com medo. Medo de que naquele pão tivesse algum remédio ou veneno que pudesse provocar algo como minha morte. Entretanto minha fome era tanta que a dor quase estava me fazendo esquecer desse fato. E como se fosse para me lembrar da minha fome senti meu estomago roncando mais uma vez. O apertei com raiva.
Notando que eu estava desconfiada, o rapaz, cujo nome eu não sabia se aproximou novamente. Fiquei tensa, esquecendo-me por um instante da fome. Ele pegou o pão e partiu um pequeno pedaço. Logo em seguida o jogou em sua boca. Ofereceu o outro pedaço novamente para mim.
Ainda desconfiada peguei e comecei a comer, tentando ignorar uma vozinha dentro de mim que gritava dizendo que estava fazendo uma burrice. Deu certo, imediatamente a fome atacou de vez, e a única coisa que eu conseguia pensar era como aquele pedaço de pão duro estava maravilhoso.
Durante todo o tempo em que eu comia, o rapaz apenas ficou sentado, às vezes me observando minuciosamente e em outras horas perdido em seus pensamentos. Apesar de estar concentrada em minha comida, em nenhum momento deixei de observá-lo. Completamente assustada com a possibilidade dele me machucar.
Após terminar de me alimentar comecei a me perguntar onde estava minhas amigas. Eu tinha cometido o erro de desmaiar, portanto não tinha visto o que tinham feito com elas. Estava preocupada, pensando nas mil possibilidades, sendo uma pior que a outra.
O rapaz se levantou e pegou o prato e o copo. Resolvi arriscar e perguntar para ele, mesmo sabendo que ele podia se irritar e acabar me machucando.
— Onde estão minhas amigas? — murmurei.
Por um instante pensei que ele não tinha escutado, para falar a verdade eu tinha falado muito baixo por causa do medo que me assolava. Todavia ele olhou diretamente em meus olhos e não pude desviar meu olhar. Raiva, foi tudo que pude detectar.
— Não te interessa. — declarou, saindo do quarto com passadas pesadas.
Então fiz a única coisa que me parecia possível no momento, me encolhi encostada na parede e fechei meus olhos, desejando que tudo aquilo não passasse de um pesadelo terrível. Mas o fato era que definitivamente não era.
(...)
Jacob. Jacob provavelmente já estava desesperado atrás de noticias. Ele nunca tinha sido um namorado possessivo e nem muito ciumento, entretanto pelas minhas contas, que na verdade não era muito boa, a gente já estava a um tempo considerável aqui. Alias, eu estava, pois ainda não sabia onde Alice e Rose estavam.
Também não podia ter muita certeza porque esse quarto não tinha janela, ou seja, eu não tinha ideia de como estava o tempo lá fora, ou pior, onde eu estava. Provavelmente era perto de Los Angeles, mas mesmo assim, não saber o local precisamente me dava nos nervos.
De repente a porta se abriu, fazendo-me voltar minha atenção para a realidade.
Outro rapaz entrou no quarto, o observei com cuidado. Tinha cabelos cor de bronze, puxados para o ruivo. Seus olhos eram verdes quase hipnotizantes. Eu tinha que admitir ele era muito bonito. Senti um frio na barriga e reprimi imediatamente, ele era um dos me sequestradores.
— Se levante. — ele declara após alguns segundos em silêncio a olhando.
Hesitante, me levantei. Eu estava com medo por não saber o motivo de ter que fazer isso. Olhei em seus olhos, tentando de alguma forma ver o porquê disso, entretanto apenas me deparei com um olhar indiferente, ou pelo menos, tentando ser indiferente. Mas assim que seu olhar encontrou o meu senti o estranho frio na barriga de novo, o que me obrigou desviar o olhar de imediato.
Escuridão. O rapaz tinha tampado meus olhos. Senti um desespero tomando conta de mim. Fiquei tensa e minhas mãos voaram em direção ao pano que cobria meus olhos.
— Não tire! — sua voz sussurrou perto de meu ouvido. Fiquei surpresa, a voz dele era aveludada e muito... Pare Isabella, preste atenção no que está acontecendo! Você está vendada, sequestrada e sendo levada para algum lugar que você não sabe onde é.
— Para onde você está me levando? — murmurei, começando a sentir minhas pernas tremerem.
— Você vai tomar banho. — ele respondeu me guiando apoiando suas mãos em meus ombros.
(...)
POV Edward
Já fazia alguns minutos que Isabella tinha entrado no banheiro para tomar banho. Eu sabia seu nome porque Alice, uma de suas amigas tinha me contado, a morena baixinha parecia relutante em contar, mas pareceu começar a confiar em mim. Fiquei bastante surpreso com sua reação, acho que jamais confiaria em alguém que tivesse me sequestrar.
Assim como o esperado eu estava me sentindo muito culpado, eu mal podia acreditar que tinha ajudado a sequestrar três garotas inocentes e que não tinham nada a ver com essa aposta do Seth. As três; Rose, Isabella e Alice eram muito belas e só de pensar a coisa horrível que tínhamos feito sentia um soco em meu coração.
É logico que eu podia ter evitado estar naquela situação, mas isso englobava colocar minha família em risco de vida. E mesmo afirmando para mim mesmo que elas também tinham uma família, pensar em meus pais e minha irmã correndo qualquer tipo de risco me fazia ter coragem de fazer qualquer coisa.
— Cheguei! Você sabe onde está Paul? — Seth apareceu no corredor muito calmo para alguém que estava sequestrando três garotas que não tinham nada a ver com os problemas que ele tinha se envolvido.
— Não sei. — falei secamente.
Após alguns segundo em silêncio, em que eu não olhei em sua direção Seth voltou a falar:
— Edward, me desculpa, cara! Eu não queria que você tivesse se metido nisso. Mas não tinha como eu impedir Ridley. Ele é muito perigoso.
— Não tinha como? Minha família está correndo risco de vida e eu também. Isso sem falar dessas meninas. E tudo isso por que? Porque você foi idiota o bastante para se meter com apostas.
— Não venha me chamar de idiota! Quando você chegou eu avisei para você ir embora! — Seth cerrou os punhos ficando nervoso, mas eu não ligava mais tudo aquilo era culpa dele.
— Deixar você? Seth, você não passa de um garoto, seus pais praticamente me deixaram como seu irmão mais velho! Eu não podia simplesmente de deixar lá!
— Edw...
— Não fale comigo Seth! — praticamente rosnei.
Seth abaixou o olhar, ele parecia arrependido, mas o que ele estava me fazendo passar não tinha desculpa, ou mesmo perdão. Conhecendo-me o bastante para saber que não ia adiantar insistir no assunto enquanto eu estivesse nervoso seguiu em frente em busca de Paul.
—Acho que terminei. — Ouvi a voz da garota que se chamava Bella sair de uma frestinha da porta. — Posso sair?
Assim que eu fui responder que sim, já que não estava mais me preocupando se ela ia ou não ver o lugar onde estávamos Paul se aproximou. Vi nos olhos de Bella um terror em bastante evidência. E mesmo assim ela ainda estava adorável. Virei- me para Paul, com intenção de protege-la caso fosse o preciso.
— Pode deixar comigo, eu assumo daqui. — ele falou ainda olhando intensamente para Bella. Um olhar que eu não gostei nenhum pouco. Cheio de ódio, raiva e um pouco de desejo.
— Não precisa! —falei relutante em deixa-la sozinha com esse cara.
— Sim. Eu cuido dela agora! — Paul me fitou. Desisti, ficaria por perto o observando, mas discutir com ele ali só me traria mais problemas e provavelmente mais problemas a ela. — Coloque esse pano. — ele disse pegando o pano da minha mão.
Revirei os olhos me afastando, Paul me irritava. Tudo naquela situação me irritava, por mim eu deixava esses dois e voltava a minha vida. Mas eu não podia, não podia deixar essas garotas nas mãos do idiota do Paul.
Respirei fundo tentando conter minha raiva, não ia adiantar nada, na realidade ia só piorar a situação. E então segui Paul de perto.
Fale com o autor