Noiva Em Fuga
35 Especial 6 - Lua de mel - parte 3 - Presentes de casamento
Notas iniciais
– Izaya! – Shizuo rosnou entre dentes correndo atrás do marido – Seu verme desgraçado! Você vai ver só quando eu te pegar! – ameaçou, continuando a persegui-lo pela sala.
– Estou morrendo de medo. – falou sarcástico enquanto corria para a cozinha depois de o loiro ter pulado sobre o sofá na tentativa de alcançá-lo – A culpa é sua por ter fugido do trabalho! – rodeou a pequena ilha no centro da cozinha onde ficava o balcão de mármore e uma pia pequena, basicamente para lavar as mãos, havia uma outra maior no canto ao lado do fogão.
– Eu não fugi do trabalho. – retrucou – Só estava... descansando um pouco. – disse na maior cara de pau, fazendo Izaya estreitar os olhos e lhe lançar um olhar irritado, pronto para xingá-lo, e esses meros dois segundos de distração do moreno foram suficientes para o loiro pular o balcão e conseguir segurar a barra de sua camisa, finalmente pegando o informante – Agora vamos ver se você vai continuar achando divertido. – sorriu sadicamente, o que fez com que o outro arregalasse os olhos.
– Não faça isso, Shizu-chan! – a fala era um misto de ordem e súplica. Tentou se soltar do loiro, mas foi completamente inútil.
– Por que não? Você fez isso comigo, não fez? Hora de provar do próprio remédio. – deixou que uma risadinha sinistra escapasse de seus lábios enquanto voltava para o local do crime, também conhecido como sala de estar, levando Izaya consigo, claro.
– Ah, qual é Shizu-chan? Vai mesmo fazer isso?! Você não pode ser tão cruel! – o informante já estava quase implorando. Quase.
– Você não faz ideia do tamanho da minha crueldade Izaya.
– Ah, faço sim...! – sorriu de forma maliciosa – Você me mostrou bem o tamanho da sua crueldade ontem à noite. – disse de forma bastante sugestiva, tentando levar a conversa para o lado sexual, sempre tinha vantagem quando o assunto ia para esse lado.
– Boa tentativa Izaya, mas isso não vai funcionar desta vez. – Izaya fez uma careta ao constatar que a sede de vingança do loiro era maior do que pensava.
O sorriso do guarda-costas aumentou consideravelmente quando alcançou a “arma do crime” abandonada no chão. Balançou-a algumas vezes, num gesto bastante ameaçador, e apontou-a para a cabeça de Izaya.
– Últimas palavras?
– Acabe logo com isso, idiota! – resmungou, sentindo quase uma dor profunda quando Shizuo esvaziou a lata de chantilly em seu precioso cabelo.
Shizuo e Izaya já estavam morando naquele apartamento há quase duas semanas, haviam se mudado cerca de dez dias antes de se casarem, e por conta do trabalho de ambos, os preparativos do casamento e até mesmo a compra de alguns móveis e utensílios domésticos – a maioria das coisas do antigo apartamento de Shizuo seriam aproveitadas ali, mas muitas outras foram compradas – tudo ao gosto de Izaya, claro, o loiro não se importava nem um pouco com esse tipo de coisa; por essas e outras, várias coisas ainda estavam embaladas e encaixotadas, amontoadas nos dois quartos restantes, um deles seria um quarto de hóspedes – não que Izaya tivesse alguma intenção de convidar alguém para dormir ali – e o outro quarto, depois de devidamente organizado, seria um escritório/biblioteca, para que o moreno trabalhasse em casa quando necessário.
Como nenhum dos dois trabalharia durante aquela semana por conta da “lua de mel” teriam tempo suficiente para pôr tudo no lugar, e era isso o que Izaya estava fazendo desde que acordara, começando por boa parte das roupas de ambos que ainda estavam em malas e depois partindo para as outras coisas que estavam em caixas.
Já Shizuo, não estava nem um pouco animado com a idéia de ajudar na arrumação das coisas, por isso se dispôs a preparar o café da manhã, limpar a cozinha, fazer o almoço, lavar a louça... estava deliberadamente enrolando Izaya, e aproveitando-se do fato de o moreno estar ocupado arrumando o escritório/biblioteca, ligou a tv – em volume baixo, claro, não queria chamar a atenção de Izaya e ser alvo de sua fúria assassina por não o estar ajudando – e se deitou no sofá, acabando por adormecer depois de pouco mais de meia hora.
Izaya sabia perfeitamente que o loiro o estava enrolando com todo aquele papo de cozinhar e arrumar a cozinha, até o deixou achar que o estava enganando durante a manhã, mas à tarde, ele não escaparia.
Quando o informante foi buscá-lo, nem que fosse pelas orelhas, o encontrou dormindo tranquilamente no sofá. Ficou irritado. Muito irritado. Seu primeiro impulso foi empurrar o loiro do sofá, mas então pensou melhor depois que sua atenção foi momentaneamente desviada para a tv e ele viu algo... interessante naquele desenho animado que estava passando. Um sorriso sádico se formou nos lábios do informante enquanto ele foi até a cozinha e pegou a grande lata de chantilly em spray que havia no armário sobre a pia e voltou para a sala, aproveitando que Shizuo estava dormindo de lado com a mão esquerda embaixo da cabeça e a direita estendida sobre o sofá com a palma para cima e colocou uma grande quantidade do creme na mão do loiro; acionou a câmera do próprio celular e passou a tampinha de uma caneta bem de leve no rosto do marido, que por reflexo acabou levando a mão livre ao rosto, sujando-o completamente com o chantilly e conseqüentemente, acordando.
De início o loiro ficou desorientado por ter acabado de acordar, mas não precisou de muito tempo para entender o que havia acontecido, principalmente por Izaya estar com um sorriso tão debochado no rosto. A caça ao moreno não durou muito, já que estavam dentro do apartamento, e ele teve sua vingança ao lambuzar completamente o precioso cabelo de Izaya.
– Pare de rir seu idiota! Por sua culpa agora o meu cabelo vai ficar cheirando a doce! – lançou um olhar irritado ao loiro e cruzou os braços, fazendo um enorme bico.
O informante não estava irritado pelo loiro ter revidado a brincadeira, o problema era o fato de que teria que lavar os cabelos pelo menos umas três vezes para tirar completamente o cheiro de doce de seus fios negros.
– Eu gosto de doce. – lambeu um pouco de chantilly que havia caído no rosto de Izaya – Principalmente se estiver em você. – sussurrou no ouvido do moreno e mordiscou-lhe a ponta da orelha – Eu posso te ajudar a se livrar de todo esse doce, hm? – pegou um pouco do creme branco no cabelo do informante e passou em seu pescoço para em seguida lamber vagarosamente a área, limpando qualquer resquício do doce.
– Você gostaria, não é? – inclinou a cabeça para um lado, dando ao loiro um total acesso ao seu pescoço para que repetisse o processo, seus olhos estavam fechados e ele mordia o próprio lábio inferior, completamente entregue às carícias do marido.
– Vou cuidar para que não sobre nem um pouquinho de chantilly em você. – mordeu de leve o pescoço de Izaya, ganhando um gemido lânguido como resposta – Vou me assegurar disso pelo resto da tarde...
Foi como se a mente de Izaya desse um estalo quando ouviu aquelas palavras. Se desvencilhou do loiro e o encarou com os olhos estreitos.
– Você está tentando me distrair com sexo só pra não ter que me ajudar, não é? – era mais uma afirmação do que uma pergunta.
– E eu estava quase conseguindo. – suspirou com falso pesar e se aproximou do moreno tentando beijá-lo, mas o moreno se esquivou.
– Pode ir tirando o seu cavalinho da chuva Shizu-chan, por que você vai me ajudar a terminar de arrumar as coisas, ouviu bem? – não esperou por uma resposta e foi em direção ao quarto para tomar banho e livrar os cabelos de todo aquele doce, e ainda fez questão de bater a porta do banheiro quando entrou, deixando bem claro que não queria companhia.
– Alto e claro. – o loiro resmungou enquanto se dirigia ao outro banheiro no fim do corredor.
~*~
– Até que enfim acabamos! – o loiro comemorou se deixando cair sobre o pequeno e confortável sofá de dois lugares que havia naquele cômodo enquanto Izaya terminava de arrumar os livros na estante que ocupava metade da parede, acabando por fim de organizar seu escritório/biblioteca.
– Ainda não abrimos nossos presentes de casamento. – se afastou da estante e deu uma boa olhada pelo cômodo, constatando que tudo estava no lugar certo.
– Podemos fazer isso amanhã. – Shizuo sugeriu, esperançoso. Passar a tarde toda abrindo caixas e arrumando coisas já havia sido ‘emoção’ suficiente.
– Podemos fazer isso hoje. – o moreno rebateu. Também não estava com muita vontade de abrir os presentes naquela hora, mas queria terminar tudo logo, de uma vez por todas – Se você for bonzinho e me ajudar sem reclamar, prometo te recompensar mais tarde. – falou de forma bem sugestiva.
– É uma oferta tentadora, mas, não estou muito convencido. – fez pouco caso, como se não tivesse ficado nem um pouco interessado com a proposta. Izaya sorriu torto antes de se aproximar dele.
– Pense bem Shizu-chan. Não é todo dia que eu te dou a chance de fazer o que bem entender comigo. – apoiou os joelhos no sofá, um de cada lado de Shizuo e se sentou em seu colo.
– Eu pensei que já fizesse o que bem entendesse com você quase todos os dias. – arqueou uma sobrancelha e sorriu de canto enquanto deslizava as mãos pela cintura e coxas do informante.
Izaya rodeou seu pescoço com os braços e sorriu largamente num misto de malícia e diversão e então arqueou uma sobrancelha como se dissesse: “Você realmente acha que tem tanto poder assim sobre mim?!” e riu novamente quando o loiro estreitou os olhos.
Aquilo não era mentira. Bom, não totalmente. O fato de não impor resistência à Shizuo era simplesmente por que ele não queria resistir – na maioria das vezes pelo menos. É claro que não foram poucas as vezes em que o guarda-costas o levou à loucura, mas fora isso, quem sempre tinha o controle da situação era Izaya.
– Tolinho. – falou como se estivesse conversando com uma criança – Por acaso você não tem nenhuma fantasia sexual ridícula que queira realizar e eu provavelmente diria ‘não’? – jogou a isca, rindo internamente. O moreno era tão ou ainda mais pervertido que o loiro, por isso, duvidava que Shizuo pudesse ter alguma fantasia que não fosse achar ao menos... interessante.
– O que eu quiser? – o loiro perguntou, apenas para confirmar.
– O que quiser. – assegurou – Sem reclamação, sem recusa. Submissão total!
– Ok. Acordo fechado! – beijou o informante, como se assim estivesse selando o acordo e se levantou de onde estava, com o moreno ainda no colo e sem interromper o beijo, seguindo para o cômodo ao lado.
O “quarto de hóspedes” era basicamente um depósito disfarçado. Nele estavam alguns dos móveis do antigo apartamento de Shizuo e estavam em sua maioria parcialmente novos – por conta dos acessos de raiva do ex-barmen que volta e meia destruía algo – mas que não estariam em uso; como a cama, que era de casal mas não era muito grande, apenas um pouco maior que uma de solteiro; o guarda-roupas, que também foi substituído por um maior para que coubessem as roupas de ambos; a cômoda, que também foi substituída por uma que combinasse com os outros móveis do quarto; uma mesa retangular de madeira com duas cadeiras de mesmo material, Shizuo a havia comprado para substituir a mesa da cozinha que ele havia quebrado, mas ela poderia ser facilmente confundida com uma escrivaninha simples; dois abajures e um criado-mudo. E da forma como os móveis foram dispostos, parecia um quarto de hóspedes normal e perfeitamente mobiliado.
Shizuo pôs Izaya sobre a cama e se deitou sobre ele, ainda o beijando, e Izaya, percebendo a crescente empolgação do loiro, partiu o beijo e empurrou-o enquanto girava o corpo, fazendo-o cair de costas sobre o colchão e ficando sobre ele, sentando-se sobre seus quadris.
– Não, não, não Shizu-chan! – o repreendeu novamente como se ele fosse uma criança – Primeiro o trabalho e depois a diversão! – saiu de cima do loiro e foi até o guarda-roupas, começando a retirar as caixas de presente que estavam guardadas lá dentro e as colocando no chão sobre o grande tapete que havia ali.
Shizuo bufou antes de se levantar da cama e ir ajudar Izaya, e logo todos os presentes estavam espalhados pelo chão e os dois sentados em meio a eles, começando a desembrulhá-los.
– Aposto que foi a sua mãe quem mandou esse aqui. – disse o informante ao abrir uma caixa de tamanho médio embrulhada com papel azul-claro.
– O que tem aí?
Como resposta Izaya retirou um livro, nem muito fino e nem muito grosso, de dentro, a capa dura era de um tom azulado e bem no centro, em letras douradas levemente inclinadas para a direita lia-se: “Aprenda a fazer receitas deliciosas com carnes e vegetais” e logo abaixo a foto de um belo ensopado para ilustrar.
– E ainda tem outros quatro aqui. – retirou os outros livros da caixa, todos semelhantes ao primeiro mas cada um de uma cor e sobre tipos diferentes de receitas – Como se eu não soubesse cozinhar! – bufou indignado antes de pôr os livros de lado e pegar outra caixa para abrir.
Shizuo segurou o riso ante aquela óbvia provocação de sua mãe, ela mesma havia constatado que o moreno sabia cozinhar perfeitamente bem e embora tivesse aceitado o casamento, estava à léguas de distância de gostar de Izaya, e provocá-lo com pequenas coisas havia praticamente se tornado um esporte para ela, aliás, não só pra ela, Izaya fazia questão de devolver as “gentilezas” de sua querida sogrinha. Parecem duas crianças, pensou, logo voltando a atenção para o embrulho amarelo claro com fita prateada em volta que estava bem a sua frente, um presente de Kasuka e da esposa Yume.
O loiro sorriu ao se lembrar do jantar em família em que Kasuka apresentou Yume aos pais e comunicou que iriam se casar. A garota passou por um longo interrogatório e penou um pouco até conseguir a aprovação parcial – sim, por que ele duvidava que sua mãe achasse que alguém seria tão bom quanto ela para cuidar dos seus “bebês” – de Namiko Heiwajima. Shizuo ainda se perguntava como o moreno havia convencido sua mãe a aceitá-lo.
– O que tem de tão interessante aí pra você ficar com essa cara de idiota?
A pergunta do moreno fez Shizuo despertar de seus devaneios mirabolantes sobre Izaya e sua mãe. Havia imaginado desde tortura com o canivete – isso o fez rir, por que se tivesse acontecido, o mais provável era sua mãe pegar uma faca na cozinha e os dois começarem a ‘duelar’ com as lâminas. Namiko, além de competitiva, tinha ótimos reflexos e agilidade para alguém de sua idade e havia sido campeã de kendô e praticava esgrima quando era jovem. Seria um páreo duro! – à hipnose, mas nenhuma de suas divagações fazia muito sentido.
– Idiota é você. – retrucou – Kasuka e Yume nos deram um álbum e uma câmera. – ergueu-os da caixa para mostrá-los ao moreno. A câmera era do tipo que tirava fotos instantâneas e o álbum era de capa dura azul escura com floreios e adornos simples em tons prateados, possuía cerca de cem páginas, cada uma dando para colocar duas fotos.
– Eternizem todos os momentos felizes. – Izaya leu em voz alta a pequena frase escrita à mão na contra-capa – Vamos começar então por esse “feliz momento” em que estamos abrindo nossos presentes! – falou divertido enquanto pegava a câmera e tirava uma foto dele e de Shizuo em meio aos presentes. Começou a rir quando a foto ficou pronta e ele viu a expressão estranhamente cômica no rosto do loiro por ter sido pego de surpresa.
– Não achei a menor graça verme. – resmungou em tom irritado – Volte logo ao trabalho. Ainda tem muitos presentes para abrir. – lamentou.
O informante ainda sorria quando pôs a câmera, o álbum e a foto recém tirada encima da mesa que havia no canto, havia gostado da idéia de um álbum de fotos. Voltou a sentar-se no chão perto de Shizuo e pegou o presente mais próximo para abrir.
A caixa era um pouco grande, mas não era pesada e também não era uma caixa de presentes comum, ela era... elegante, para dizer o mínimo, e se a caixa era assim, o presente devia ser algo refinado e de bom gosto.
Nunca esteve tão equivocado.
Arregalou um pouco os olhos quando abriu a caixa e viu o que tinha dentro, para logo em seguida estreitá-los quando leu o pequeno bilhete que estava junto:
“Você pareceu gostar tanto que eu resolvi te dar de presente. Aposto que o seu maridinho vai adorar!”
Namie havia definitivamente perdido o amor à vida. Primeiro o dopou e o vestiu com um vestido de noiva – não, ele não havia se esquecido disso, só ainda não havia achado uma vingança à altura – e depois ainda tinha a coragem de lhe mandar aquilo!? Tinha que pensar em um modo muito, muito cruel de dar o troco.
– O que tem aí?
A pergunta de Shizuo o sobressaltou, fazendo-o sair de seus devaneios vingativos e fechar rapidamente a caixa antes que o loiro visse e acabasse tendo ideias. Ele não usaria aquilo. Era ridículo! Não havia a menor chance!
– São só duas taças de champanhe. – mentiu pondo a caixa de lado e fingindo pouco caso.
– Hm. – o loiro deu de ombros e começou a abrir outro presente. Não havia acreditado nem um pouco naquela história de taças e fingiu não estar interessado só para Izaya baixar a guarda, e na primeira oportunidade que teve se apossou da caixa.
– Me dá isso agora Shizu-chan! – tentou recuperá-la, mas o loiro a tirou de seu alcance.
– Por quê? Não são só taças? – perguntou em um tom levemente irônico.
– Me devolva! – tentou uma nova investida, mas Shizuo ergueu a caixa o máximo que sua altura permitia e o segurou com o outro braço – Me solta Shizu-chan! – o loiro ignorou a ordem e o levou até a cama, fazendo-o deitar-se sobre ela e rapidamente o imobilizando sentando em seu quadril e prendendo seus braços contra o colchão com os joelhos, fazendo Izaya bufar e virar o rosto para o lado com um enorme bico nos lábios. O loiro sorriu de canto e tratou de abrir a caixa logo, antes que aquela expressão de criança emburrada o fizesse fodê-lo sem pensar duas vezes.
Shizuo não havia parado para pensar no que realmente poderia ter ali, mas definitivamente, não esperava por algo daquele tipo. Ergueu as sobrancelhas e olhou para Izaya, ele ainda mantinha o rosto virado e o bico ainda estava ali, mas havia um suave tom rosado em suas bochechas. Um sorriso malicioso se formou em seus lábios, Izaya iria querer matá-lo sem dúvidas, mas a idéia era tentadora demais para ser desperdiçada.
O informante, parecendo pressentir o perigo olhou de esguelha para o marido e não gostou nem um pouco do sorriso que viu em seu rosto. Ele não estava pensando em... ?
– Não, não e não Shizu-chan! – arregalou um pouco os olhos, vendo o sorriso do loiro se alargar ainda mais – Nem ouse pensar nisso! É ridículo! Eu não vou usar isso! Não mesmo! – exclamou num misto de irritação, incredulidade e indignação.
– Vai sim. – disse simplesmente, ainda sorrindo.
– Não vou não! – retrucou irritado.
– O que foi mesmo que você disse... ? – fingiu tentar se lembrar – Algo como... “O que você quiser. Sem reclamação, sem recusa. Submissão total!” – seu sorriso era um misto de diversão e sadismo.
Izaya nunca em toda a sua vida quis tanto cortar a própria língua com seu canivete como naquela hora.
~*~
“Você não perde por esperar, Namie! Sua morte será lenta e extremamente dolorosa!” – resmungava o informante dentro do banheiro enquanto vestia aquilo.
Izaya fez de tudo para o loiro mudar de ideia, tentou suborná-lo com doces, ameaçou fazer greve de sexo e até disse que pediria o divórcio se ele continuasse com aquilo, mas não adiantou, na verdade, a cada tentativa falha o loiro parecia ainda mais determinado a não mudar de ideia. Vendo que não teria como escapar, adiou aquilo o máximo que pôde, ou seja, até depois do jantar.
“Isso é ridículo! Ridículo e humilhante!” – voltou a reclamar em pensamento, dando uma olhada em sua própria imagem refletida no espelho. Respirou fundo, destrancou a porta e finalmente saiu do banheiro depois de quase uma hora lá dentro.
A boca de Shizuo se abriu involuntariamente quando seus olhos se focaram no informante usando aquela lingerie branca cheia de rendas, babados e bem transparente, parecia uma noiva, uma noiva muito, muito sexy. A parte de cima era uma espécie de camisola bem curta – mal cobria a virilha – de alcinhas finas, decote reto e com renda por todo o busto, dali para baixo o tecido era transparente e rodado com babados pequenos em toda a barra; a calcinha de renda com vários babados ficava bem à mostra e tinha uma pequena cauda na parte de trás, como se fosse a cauda de um vestido; meias 7/8, uma liga-única na coxa esquerda e um pequeno véu preso nos cabelos. Mas a cereja do bolo era definitivamente o notável constrangimento do moreno por estar usando aquilo, suas bochechas estavam coradas e em nenhum momento ele olhou diretamente para o loiro. Estava parecendo uma virgenzinha em sua noite de núpcias. Muito, muito sexy!
– Vem cá Izaya. – o loiro, que estava sentado na beira da cama, o chamou com a voz levemente rouca estendendo uma das mãos na direção do moreno, que fez uma careta antes de aceitá-la, ainda sem olhá-lo, logo sendo puxado para o colo do marido – Você ficou uma delícia vestido assim, sabia? – sussurrou próximo ao ouvido do informante – Eu fiquei duro só em ver você assim. – levou uma das mãos de Izaya até o meio de suas pernas para mostrar que estava falando sério e em seguida começou a beijar seu pescoço, sentindo-o estremecer de leve entre seus braços.
– Não sabia que tinha fetiche por me ver usando lingerie feminina. – inclinou a cabeça para o lado quando o loiro passou a morder e chupar seu pescoço.
– Não tenho. – mordiscou-lhe o queixo – Mas depois de hoje com certeza vou passar a ter. – beijou os lábios do informante com lascívia enquanto suas mãos passeavam livremente pelo corpo esguio sob a fina camada de tecido que o cobria.
Izaya rodeou o pescoço do loiro com os braços, uma mão acariciando os fios loiros e a outra arranhando de leve sua nuca enquanto movia minimamente os quadris sobre a ereção do guarda-costas, provocando-o. Acabou sendo pego de surpresa quando o loiro, num movimento rápido, o jogou de costas contra o colchão.
– Já se esqueceu do nosso trato Izaya? Submissão total, lembra? – se inclinou sobre o outro e voltou a lhe beijar o pescoço – Nada de tentar me provocar pra ficar no controle, ouviu bem? – o informante bufou e revirou os olhos como resposta. Podia ser o passivo da relação, mas jamais havia sido totalmente submisso – Você vai fazer tudo o que eu quiser, não vai? – mordeu a junção do pescoço com o ombro, ganhando um gemido como resposta – Não vai? – repetiu a pergunta e mordeu o mesmo local com ainda mais força.
– V-Vou. – a resposta saiu num gemido estrangulado e terminou com um suspiro extasiado quando o loiro lambeu a área lastimada.
– Bom garoto... – sussurrou bem próximo ao ouvido do moreno e mordiscou a ponta da orelha. Começou uma trilha de beijos e mordidas suaves pelo pescoço e depois desceu pelo abdômen coberto pela fina camada de tecido – Geme pra mim Izaya. – subiu um pouco a camisola e cravou os dentes com força na lateral do quadril do informante, fazendo-o arquear o corpo e gemer alto, tanto de dor quanto de excitação.
O loiro ignorou completamente o membro rijo do menor e deslizou os lábios até a coxa direita, chupando com vontade aquela área enquanto retirava uma das meias e a jogava num canto qualquer. Fez o mesmo na perna esquerda, demorando-se um pouco mais por ficar alguns instantes brincando com os babadinhos da liga-única com os dentes, mas sem retirá-la.
O loiro voltou a se postar sobre o outro, tomando seus lábios num beijo afoito enquanto se ajeitava melhor entre as pernas do moreno, que circundou sua cintura com as mesmas. Suas mãos passeavam livremente pelo corpo esguio, apertando e acariciando cada pedaço que estivesse ao seu alcance. Sua boca novamente desceu para o pescoço de Izaya, marcando a pele alva de forma possessiva e dolorosa até chegar aos mamilos túrgidos e chupá-los por cima da roupa, um de cada vez. Os gemidos entrecortados pela respiração falha do informante eram um incentivo e tanto para que ele se empenhasse na tarefa de provar cada parte daquele corpo, deixando uma trilha de suaves beijos e pequenas mordidas pelo abdômen, finalmente chegando ao baixo ventre.
O moreno ofegou quando Shizuo roçou os dedos de leve em seu membro ainda coberto pela peça íntima e depois começou a massageá-lo de forma sutil, numa espécie de tortura lenta e excitante.
– Shizu... chan... – gemeu em tom de súplica.
– Sim? – continuou o que fazia com a mesma lentidão, como se não tivesse entendido o que o moreno queria.
Izaya lhe lançou um olhar irritado e cheio de promessas de vingança. Sabia que o loiro queria que ele pedisse com ‘jeitinho’, como uma boa puta submissa faria. Maldita hora que teve a ideia de fazer aquele trato com Shizuo. Maldita hora que resolveu abrir aqueles malditos presentes. Maldita hora em que havia contratado Namie como sua secretária... Ficou ainda mais irritado quando se lembrou de quem era a culpa, sua querida secretária não perdia por esperar!
– Me chupa logo Shizu-chan! – definitivamente aquilo não havia soado nada submisso.
– Como disse? – pressionou a glande do moreno com o polegar e o indicador, fazendo-o se contorcer e praguejar – Você quer me pedir algo?
– Eu... – suspirou quando o loiro voltou a massagear lentamente seu membro – Me chupa... por favor...
Shizuo sorriu.
– Já que você pediu com jeitinho... – roçou os dentes de leve sobre a ereção pulsante até alcançar o elástico da calcinha e puxá-la para baixo lentamente, retirando-a por completo.
Um suspiro de alívio deixou os lábios de Izaya quando seu membro ficou livre da peça íntima, logo sendo seguido por gemidos cada vez mais altos e mais longos à medida em que Shizuo o levava à loucura.
O loiro deslizou a língua por toda a extensão do pênis ereto de Izaya, apenas provando o seu gosto, roçou os dentes suavemente pela glande e chupou brevemente antes de enfim abocanhar o membro por completo, chupando-o longamente enquanto a mão esquerda complementava seus movimentos massageando a base do pênis e os testículos, e a mão direita deslizava sorrateira um pouco mais para baixo, brincando na parte interna das coxas e nádegas antes de o primeiro dedo penetrá-lo.
O informante gemia e arfava cada vez mais alto à medida em que o loiro intensificava as chupadas e acelerava os movimentos dos dedos em seu interior e depois de uma chupada particularmente mais forte, se desmanchou na boca do outro.
Shizuo se despiu rapidamente, logo voltando a estar sobre o moreno e sentindo-o ainda um pouco trêmulo por conta do orgasmo. Começou a distribuir suaves beijos pelo pescoço e desceu para os ombros, passando os dentes de leve vez ou outra e depois fazendo o caminho inverso enquanto movia sutilmente o corpo contra o do moreno, provocando uma fricção gostosa entre os membros, até Izaya se excitar novamente e passar a mover o quadril de encontro ao seu. Os lábios se encontraram novamente enquanto erguia uma das pernas do moreno e direcionava sua ereção até a pequena entrada, penetrando devagar e só parando quando já estava totalmente dentro.
As primeiras estocadas foram lentas, mas aos poucos elas se tornaram cada vez mais rápidas e mais fortes. O moreno havia rodeado a cintura de Shizuo com as pernas e impulsionava o quadril de encontro ao do loiro, tornando o ato ainda mais intenso.
Os corpos se chocavam com certa violência, gritos e gemidos de prazer ecoavam pelo quarto, o cheiro de suor e sexo inebriando-os completamente e incitando-os a se moverem cada vez mais rápido, até finalmente caírem exaustos na cama, um sobre o outro, e permanecendo assim até que suas respirações se normalizassem.
– Espero que tenha se divertido, Shizu-chan. – o moreno disse depois de alguns minutos – Por que definitivamente isso não vai acontecer de novo. – falou num tom que não dava brechas a negociações.
– E quem disse pra você que acabou? – arqueou levemente uma sobrancelha e sorriu maliciosamente.
– E o que mais você pretende fazer? – perguntou estreitando os olhos. Não havia gostado nem um pouco daquele sorrisinho cretino no rosto do loiro.
– Sabe, esse não foi o único presente interessante que nós ganhamos. – se ajeitou melhor sobre o corpo do outro e brincou distraidamente por alguns instantes com a barra da camisola que o moreno ainda usava – Aliás, tenho que me lembrar de agradecer a Namie por ele. – Izaya fechou a cara – Mas a Érika também nos deu um presente bem... interessante.
Izaya congelou quando o nome da fujoshi foi citado, aquela maluca fã de BL era sem sombra de dúvidas mais perigosa do que a sádica sem amor ao emprego que era sua secretária. Estava até com medo de saber que presente ela havia mandado.
– Não me lembro de ter visto nenhum presente mandado por ela. – disse apreensivo. O sorriso do loiro pareceu ficar ainda maior.
– Você estava distraído. Provavelmente pensando em algum meio bem doloroso de se vingar da sua secretária. – deu de ombros e começou a deslizar a mão direita pela lateral do corpo do informante, subindo e descendo em uma carícia suave.
– E que presente seria esse? – estreitou novamente os olhos.
O loiro não respondeu, ao invés disso, adicionou um pouco de sadismo ao seu sorriso já extremamente malicioso, aproximou seu rosto ao do informante e contornou os lábios alheios vagarosamente com a língua, sugando levemente o inferior e depois o superior antes de finalmente unir seus lábios aos dele, beijando-o com uma lentidão quase torturante.
Izaya gemeu, completamente inebriado pelas sensações daquele beijo. Naquele momento o moreno não seria capaz nem de se lembrar do próprio nome, não quando suas línguas entrelaçadas moviam-se em tão perfeita sincronia ou então quando o loiro pressionou os dentes em seu lábio inferior e desceu a boca até seu pescoço, chupando, mordendo, marcando-o de forma possessiva... O informante, muito provavelmente, teria continuado completamente alheio à realidade se a boca do guarda-costas não tivesse se afastado de sua pele por meros segundos, segundos esses, suficientes para que alguns dos seus sentidos voltassem a funcionar, do contrário, não teria nem sentido algo gelado envolver seu pulso e também não teria ouvido o baixo “click” indicando que algo acabara de ser fechado. Abriu os olhos. Definitivamente não gostou nem um pouco do que viu.
– Isso não fazia parte da brincadeira. – tentou mover os pulsos, mas foi inútil – Me solta agora Shizu-chan! – falou irritado. A ideia de ficar preso daquele jeito não lhe agradava nem um pouco.
Shizuo arqueou uma sobrancelha enquanto se erguia e se acomodava sobre o quadril do outro. Estava se divertindo com tudo aquilo.
– Isso por acaso foi uma ordem? Que eu me lembre, nosso acordo envolvia submissão total.
– Que eu me lembre, nosso acordo também não envolvia me algemar na cama! – retrucou.
– Mas eu me lembro perfeitamente que você disse que eu poderia fazer tudo o que eu quisesse. – frisou bem a palavra “tudo” – E eu ainda quero muitas coisas. – voltou a exibir um sorriso maliciosamente sádico, que mesmo Izaya não querendo admitir, o deixava irresistivelmente sexy.
O informante resmungou algum palavrão e virou o rosto, seus lábios formaram um biquinho irritado e ele teria cruzado os braços para enfatizar seu descontentamento se ambos os pulsos não estivessem algemados à cama naquele momento. Porém, sua expressão emburrada não durou muito, bastou o loiro deslizar a língua por seu pescoço até a orelha, onde sussurrou roucamente antes de mordiscar a ponta:
– Quando você faz essa cara, me dá ainda mais vontade de te devorar todinho.
Foi impossível não gemer depois disso.
Izaya até tentou não sucumbir tão vergonhosamente rápido aos estímulos e carícias daquele maldito loiro sádico e gostoso com quem havia se casado, mas quando os lábios dele envolveram seu membro já bastante excitado, ele só pode gemer mais alto e pedir, praticamente implorar, por mais.
Shizuo subia e descia os lábios devagar ao redor de sua ereção, fazendo alguns movimentos com a língua no processo e levando Izaya à loucura; e quando este estava prestes a gozar, simplesmente parou de sugá-lo, abandonando o membro gotejante com um sorriso ainda mais sádico que antes. Izaya nunca quis tanto pegar seu canivete e fazer um estrago naquele rosto.
– Você não vai me deixar assim, não é Shizu-chan? – choramingou, mas foi ignorado pelo loiro que saiu de onde estava, no meio de suas pernas, e abaixou-se ao lado da cama, pegando uma grande caixa vermelha com coraçõezinhos que estava escondida ali embaixo. Se lembrou vagamente de tê-la visto em meio aos outros presentes e muito provavelmente, aquele era o de Érika – O que tem aí?
O loiro demorou um pouco a responder e por um momento Izaya achou que fosse ser novamente ignorado.
– Algumas coisas bem... interessantes.
Todo aquele papo de “coisas interessantes” estava irritando o informante.
– Você está testando a minha paciência, não está? – usou um tom de voz perigosamente doce, um que o loiro sabia ser recheado de promessas dolorosas, mas que ao invés de amedrontá-lo, só fez com que sorrisse largamente, parecia até o gato Chesshire.*
– Vamos brincar um pouquinho, Izaya-chan? – falou num tom falsamente inocente, fazendo o moreno estreitar os olhos e em seguida arregalá-los quando viu o objeto circular que Shizuo havia pegado na caixa.
– Nem ouse, Shizu-chan! – tentou se afastar, mas o fato de suas mãos estarem algemadas à cama restringia muito sua tentativa de fuga.
Shizuo alcançou uma das pernas do moreno e o puxou para si, ele não resistiu, sabia que seria inútil, e acabou por gemer quando o loiro deslizou o anel sintético por seu pênis até chegar à base, acabando com a possibilidade de ele gozar num futuro muito próximo. O loiro iria torturá-lo sem piedade alguma até que estivesse prestes a explodir de excitação, e ser torturado sexualmente por um sádico gostoso e pervertido, era o sonho de consumo de qualquer masoquista.
O loiro voltou a se afastar, novamente pegando algo dentro da caixa e então voltando para bem perto do informante.
– Sério mesmo, Shizu-chan?! – perguntou quando viu o que o outro havia pegado. Shizuo apenas sorriu de canto em resposta e o moreno revirou os olhos antes que eles fossem vendados pelo guarda-costas. A ideia de não ver o que o loiro estava aprontando não lhe agradava muito.
Assim que ajeitou a venda nos olhos do informante, Shizuo o beijou, movendo os lábios e a língua de forma intensa e luxuriosa, fazendo o membro do menor pulsar dolorosamente de excitação. Terminou o beijo chupando lascivamente o lábio inferior de Izaya, ouvindo-o gemer enquanto distribuía beijos pelo queixo, pescoço, clavícula, até chegar ao ombro esquerdo, roçando os dentes na pele macia antes de morder a ponta do laço que prendia a alça da camisola e puxá-lo até que se desfizesse; fez o mesmo com a outra alça, logo puxando a camisola para baixo, ainda com os dentes, deixando o informante nu, mas não fez qualquer menção de também retirar a liga-única ainda na coxa esquerda do moreno.
– Shi... zu-chan... – gemeu sofregamente quando o guarda-costas deslizou a língua lentamente por seu pênis antes de descer os lábios ao redor dele, dando uma única chupada. Ainda ouviu o cretino rir de seu ‘sofrimento’ enquanto se afastava – Shizu-chan... ? – nada. Nenhuma resposta – Seu sádico cretino! – riu da própria desgraça – Vai mesmo me deixar assim?! – a ereção no meio de suas pernas doía e ele não podia fazer nada com as mãos algemadas e aquele maldito anel restritivo impedindo-o de gozar. Shizuo acabara de entrar para sua listinha de vinganças malignas, mas antes dele cuidaria de Namie e Érika, as duas terroristas que haviam lhe mandado aqueles presentes ‘macabros’. Celty também estava na lista, se lembrava perfeitamente que ela havia ajudado a lhe colocar naquele vestido de noiva, mas teria um pequeno desconto por não ter lhe mandado nenhum presente terrível como as outras duas. Sua vingança seria cruel!
Izaya estava tão concentrado em seus planos maléficos que pulou de susto quando algo gelado foi colocado sobre seu abdômen. Ouviu novamente a risada do loiro e estava prestes a xingá-lo quando sentiu a língua quente limpando o que quer que fosse que ele havia colocado sobre si. Estremeceu de leve e deixou que um baixo gemido escapasse de seus lábios entreabertos. O choque térmico de ter algo gelado em contato com sua pele não era lá muito agradável, mas ter aquela língua quente deslizando pelo local frio... era deliciosamente – e dolorosamente, no seu caso – excitante.
O informante voltou a estremecer quando a substância gelada – que ele tinha certeza ser sorvete, se lembrava que o loiro havia comprado dois potes grandes no dia anterior, um de frutas vermelhas e o outro de menta com chocolate – foi colocada desta vez em sua coxa direita e novamente a língua do outro fez seu trabalho; depois foi a vez da outra coxa e do mamilo esquerdo, ao qual ele se demorou um pouco mais, chupando e movendo a língua com maestria ao redor dele e levando Izaya ao delírio. Fez o mesmo com o outro mamilo e finalmente o pescoço, chupando com vontade aquela área.
– Quer provar um pouco, Izaya-kun? – aquele tom aparentemente inocente não enganou Izaya nem por um segundo, mas ele estava tão ofegante e excitado que sequer respondeu – Abra bem a boca. – o informante obedeceu, afinal esse era o trato, e foi surpreendido quando algo mais foi colocado em sua boca junto com o sorvete – Hmmm... – Shizuo gemeu alto quando seu membro foi sugado com vontade pelo moreno. Ao invés de lhe dar o sorvete na colher que estava no pote o loiro havia posto o doce gelado em seu próprio pênis e o colocado na boca do informante. Aquela sensação de quente e frio era bem excitante e por mais que seu corpo quisesse mais daquilo, fez com que Izaya parasse de chupá-lo. Não queria gozar naquela hora. A brincadeira só estava começando.
O moreno protestou quando o loiro o fez parar, mas seus protestos foram calados com um beijo tão intenso e luxurioso que ele teria gozado se pudesse.
Shizuo voltou a espalhar o sorvete de frutas vermelhas por cada parte do corpo de Izaya e limpando cada vestígio do doce com a língua e lábios até que o conteúdo do pote quase acabasse, restando apenas o equivalente a pouco mais de duas colheres. Lambuzou dois de seus dedos e afastou um pouco as pernas do informante levando-os até a pequena entrada e penetrando-os lentamente.
A surpresa de ser invadido pelos dedos do loiro juntamente com o frio do sorvete fizeram com que o corpo de Izaya se contraísse automaticamente, fazendo uma certa pressão ao redor dos dedos no início, mas foi relaxando à medida em que o sorvete ia derretendo e os dedos dentro de si passaram a não ser mais um incômodo. Passou a gemer cada vez mais alto, abrindo mais as pernas quando os dedos se moveram mais rápido e mais fundo, vez ou outra acertando a próstata e fazendo-o quase ver estrelas.
Shizuo retirou os dedos de dentro do outro, ganhando um gemido lamurioso em protesto; observou Izaya por alguns instantes, vendo-o ofegante, com o rosto corado e o pênis gotejante tão duro e vermelho como jamais havia visto; essa visão estava deixando o loiro com água na boca, sua ereção também começava a pulsar dolorosamente, ansiando pelo que estava por vir. Usou o resto do sorvete para lubrificar o próprio membro e penetrou-o de uma só vez, uma única estocada certeira na próstata do moreno, que gemeu longa e roucamente de forma tão sexy que Shizuo teve que parar e respirar fundo, se controlando para não gozar só em ouvi-lo.
O nível de excitação era alto e logo de início o ritmo das estocadas era rápido e forte. O loiro movia-se de forma intensa, quase desesperada, e a cada gemido, cada ofego de Izaya, ele tinha o ímpeto de ir ainda mais rápido, com ainda mais força, era impossível se controlar com a imagem do informante tão submisso, tão excitado, tão entregue... Sentia-se cada vez mais próximo ao ápice e em algum momento, ele sinceramente não saberia dizer quando, levou uma das mãos ao membro de Izaya e masturbou-o no mesmo ritmo das estocadas.
A intensidade do ato teve proporções tão grandes que mesmo com o anel restritivo na base de seu pênis Izaya gozou. De forma um pouco limitada, mas ainda assim o suficiente para que ele tivesse um pouco de alívio, só um pouco por que sua ereção continuava ali, firme e forte.
Shizuo ainda o estocou mais duas vezes antes de também chegar ao orgasmo, uma sensação tão inebriante que levou algum tempo para se recuperar e sair de dentro do outro, vendo seu sêmen misturado com sorvete derretido escorrer para fora.
O loiro voltou a beijá-lo, um beijo lento, instigante. Movia os lábios devagar sobre os dele, sugando-os e mordendo-os de leve vez ou outra, entrelaçando suas línguas em uma dança sensual perfeitamente sincronizada. Finalizou o beijo prendendo o lábio inferior do moreno entre seus dentes por breves instantes, puxando-o um pouco antes de soltá-lo e descer para o pescoço, o ponto fraco de Izaya; mordeu, chupou, beijou, lambeu... Não foi difícil fazer a excitação de Izaya voltar ao mesmo nível doloroso de antes, na verdade ele próprio havia se excitado enquanto torturava lentamente o informante com aquelas carícias.
Izaya choramingou em desgosto quando sua pele novamente perdeu o contato com a boca e mãos do loiro, mas a ausência foi breve e poucos segundos depois uma mão grande e quente deslizava por sua pele até chegar às coxas, afastando suas pernas novamente e fazendo uma suave carícia na parte interna de ambas antes que um dedo o penetrasse facilmente por conta do resquício de sêmen que ainda havia em seu interior, não era muito, a maior parte havia escorrido para o lençol, Shizuo provavelmente teria que usar algo como lubrificante para uma nova penetração, e foi com uma certa surpresa que sentiu algo pequeno ser introduzido em seu canal, e depois outro, e mais outro. Sabia o que eram, havia visto de relance quando o loiro pegou a caixa embaixo da cama, eram “bolinhas explosivas”, cápsulas gelatinosas que continham óleo lubrificante e dissolviam aos poucos com o calor do corpo. Shizuo estava realmente empenhado em enlouquecê-lo.
Beijos foram novamente distribuídos pelo corpo do informante, concentrando-se em sua maioria no abdômen. Mãos deslizaram suavemente por cada centímetro do corpo alheio antes de algum tipo de óleo perfumado ser derramado sobre a pele macia.
Shizuo espalhou o óleo devagar pelo corpo do moreno, massageando cada parte com uma suavidade torturante. Deslizou as mãos lentamente pelo peito alvo descendo pelo abdômen magro, levemente definido, vez ou outra elas iam para a cintura, subiam para os ombros, pescoço e então voltavam a passear pelo corpo, descendo algumas vezes para as coxas e indo sorrateiramente até as nádegas, tocando, apertando... ou então paravam no baixo-ventre, percorrendo toda a área da virilha, brincando com os escassos pelos negros que haviam ali, mas sem tocar no membro.
Izaya se contorcia, gemia, ofegava, implorava por alívio. Sua ereção não mais gotejava, escorria líquido pré-seminal da glande, e estava tão dura, tão vermelha, tão pulsante, que o informante pensava seriamente que poderia morrer se não tivesse um orgasmo.
O guarda-costas também estava muito excitado, não da mesma forma que Izaya, claro, mas seu membro, extremamente duro, pulsava dolorosamente, quase em desespero. Izaya era, definitivamente, sua perdição. Tocá-lo, excitá-lo, ouvi-lo gemer e implorar, vê-lo tão entregue... isso era mais que suficiente para despertar um instinto animalesco dentro dele, tão incontrolável quanto a raiva descomunal quando provocado. Só Izaya era capaz de fazer isso com ele.
Não havia pretendido já pôr fim a brincadeira, sua intenção era torturá-lo um pouco mais, mas ele próprio já estava tão excitado que simplesmente não dava para esperar mais, estava até surpreso por não ter se descontrolado ainda.
Passou a mão no próprio membro, lambuzando-o de óleo e se posicionou entre as pernas do moreno, entrando nele devagar e só parando quando já estava completamente dentro, sentindo o calor daquele corpo aumentado pelo gel térmico lubrificante dentro daquelas bolinhas que havia colocado ali antes. Sentia-se prestes a entrar em combustão, e com certeza não era o único.
As primeiras estocadas foram lentas, porém, fortes e precisas, aumentando gradativamente a velocidade a cada movimento. Izaya gritava alto, respirando com dificuldade enquanto movia o quadril de encontro ao do loiro e não pôde impedir que um gemido de prazer misturado com um suspiro de alívio saísse de sua garganta e ecoasse pelo quarto quando seu membro foi finalmente liberto do anel restritivo. Estava tão excitado que gozou na estocada seguinte e ainda assim seu membro continuou duro.
Shizuo se movia de forma alucinada, entrando e saindo com certa brusquidão e sempre acertando um mesmo ponto. Apertou com força as coxas de Izaya, provavelmente ficariam as marcas de seus dedos, e ergueu-as um pouco, possibilitando que seu membro fosse ainda mais fundo e acelerando ainda mais o ritmo das estocadas até chegar ao ápice, apertando com força o quadril do moreno e inclinando-se sobre ele para morder-lhe o pescoço, ouvindo-o gemer de forma rouca e absurdamente sexy, isso o incitou a continuar se movendo, acertando com precisão a próstata do informante e levando uma das mãos ao membro negligenciado até então, movendo-a rapidamente para cima e para baixo até que ele também gozasse.
O orgasmo havia sido incrivelmente intenso para ambos; Shizuo nunca havia tido um tão longo, e Izaya, definitivamente, nunca havia tido um tão... intenso, tanto que não foi capaz de resistir por muito tempo à letargia pós-sexo, acabando por se deixar levar pelo sono depois de receber um longo e terno beijo do loiro. Sequer percebeu quando a venda foi retirada de seus olhos ou quando seus pulsos foram soltos, apenas se aconchegou ao corpo maior e mergulhou completamente na inconsciência.
Shizuo esperou alguns minutos depois de perceber que Izaya dormia e se afastou devagar, tomando cuidado para não acordá-lo enquanto se levantava. Molhou uma toalha na pia do banheiro e usou-a para limpar o informante, livrando-o do óleo, suor e o sêmen que escorria por suas pernas. Retirou os lençóis sujos da cama e embolou-os num canto antes de pegar uma colcha no guarda-roupas, cobrir o informante e logo se deitar também sob ela, ainda nu assim como Izaya, e puxar o corpo menor para junto do seu, aconchegando-o com a cabeça em seu peito e beijando carinhosamente sua testa. Sorriu quando ele suspirou em meio ao sono e juntou ainda mais os corpos.
– Eu te amo. – sussurrou contra os cabelos negros antes de depositar um outro beijo ali e fechar os olhos.
Estava feliz. Não por causa daquela incrível sessão de sexo. Bom, também. Mas estava feliz pelo simples fato de estar com Izaya. Feliz por amá-lo e mais ainda por ser amado de volta.
Não tinha ilusões de que sua vida seria um mar de rosas dali para frente, não quando havia se casado justamente com Izaya, mas talvez, quem sabe esse fosse justamente o fato que faria com que tudo desse certo, sim, por que ele sabia que, de alguma forma absurda e completamente sem sentido, tudo daria certo.
Ele sabia que seria feliz.
Ou melhor, eles sabiam.
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