Noiva Em Fuga
33 Especial 4 - Lua de mel - parte 2 - Para tudo se tem uma primeira vez
Notas iniciais
– Shizu-chan!
– Hm. – o loiro resmungou com preguiça de sequer abrir os olhos.
– Quem lhe deu autorização para tirar essa foto?
– Foto? – murmurou sonolento – Que fo... – arregalou os olhos e se deparou com o rosto corado e nada amigável de Izaya.
*
– E então, Shizu-chan? Estou esperando. – cruzou os braços e olhou de forma irritada para o loiro.
– Você não apagou ela, apagou? – sentou-se rapidamente na cama, torcendo para que ainda tivesse uma chance de salvar aquela foto.
– Ainda não. – o loiro suspirou aliviado e isso fez com que o moreno estreitasse os olhos – Mas vou apagar agora.
– Não! – afastou rapidamente a fina colcha que o cobria parcialmente e se inclinou na direção do informante, conseguindo alcançá-lo e puxá-lo para a cama antes que ele deletasse a foto, envolveu o corpo esguio do moreno com os braços, não para prendê-lo, era apenas um abraço; apoiou o queixo em seu ombro e disse baixo, praticamente em um sussurro – Não apague.
Izaya ficou um pouco surpreso, estava pronto para entrar em alguma disputa física pela posse do celular e não ser abraçado daquela forma carinhosa e nem ouvir aquele pedido num tom de voz tão terno. Isso o desarmou um pouco. Bem pouco.
– E por que não?
– Por que eu estou pedindo.
– Se quer tanto assim uma foto minha pelado, podemos fazer uma seção erótica agora mesmo.
– Você sabe que não é por isso. – beijou suavemente o pescoço do informante e roçou os dentes de leve naquela área – Mas fiquei bastante interessado nessa seção de fotos.
– Loiro pervertido. – resmungou em tom divertido.
– Ontem a noite foi especial. – continuou o guarda-costas – E aquela foto, ela... bom, acho que tudo fica bem claro naquela foto. Foi tão bom que eu tenho medo que tenha sido apenas um sonho. – intensificou o abraço no informante – Aquela foto é uma prova de que tudo foi real. Entende?
Sim, Izaya entendia. E também sentia uma enorme vontade de bater no loiro por tê-lo desarmado completamente com aquelas palavras. Estava amolecendo demais e a culpa era toda daquele loiro cretino por quem havia se apaixonado.
Suspirou e estendeu o celular na direção do marido.
– Se você sequer pensar em mostrar isso a alguém, pode ter certeza de que não vai sobrar nem um fiozinho tingido para contar a história, ouviu bem?
– Posso mesmo ficar com ela? – perguntou um pouco surpreso, não achou que Izaya cederia, pelo menos não tão fácil assim.
– É bom você ser rápido, antes que eu mude de idéia.
Em um movimento rápido Shizuo o jogou de costas na cama e se sentou em seus quadris enquanto se apossava do celular e lhe dava um longo beijo. Tinha um sorriso besta no rosto quando se esticou para pegar o próprio aparelho sobre o criado-mudo, que havia sido posto ali por Izaya quando este ainda procurava pelo celular. Ligou o Bluetooth para receber a imagem e a enviou do celular do moreno, tinha certeza de que iria olhar para aquela foto todos os dias; guardou o próprio aparelho mas não o de Izaya, sabia que ele não havia simplesmente ‘farejado’ aquela foto, e pra ele já tê-la encontrado, significava que também estava aprontando.
Além da foto que Shizuo havia tirado na noite anterior, havia mais quatro apenas: as duas que eles haviam enviado junto com a mensagem para Celty – o beijo ao pôr-do-sol e as mãos entrelaçadas exibindo as alianças – e as outras duas eram de um adormecido Shizuo e haviam sido tiradas minutos atrás.
– Pelo que eu vejo, não fui o único a ter esse tipo de idéia, não é mesmo? — olhou para o moreno com uma sobrancelha erguida.
Izaya não era do tipo que desperdiçava oportunidades, era óbvio que ele havia tirado fotos daquela cena tão perfeita na sua opinião, antes de dar aquele “xilique”. Estavam quites. Se bem que comparada à que Shizuo havia tirado, sua foto estava bastante inocente até.
– E daí? Você fica com as suas e eu fico com as minhas. – decretou tomando o celular de volta e o colocando sobre o criado-mudo. Ergueu o tronco, ficando sentado e deslizando a ponta dos dedos pelo abdômen definido do guarda-costas que ainda estava sentado em seus quadris, completamente nu, diga-se de passagem – E que tal se a gente relembrasse um pouco da noite passada, hein? – mordiscou o lábio inferior do loiro e desceu a mão até o pênis, que já começava a se excitar.
– Não precisa falar duas vezes.
Beijou o informante com luxúria, fazendo-o deitar-se novamente e arrancando a toalha que estava enrolada em sua cintura. Foi descendo os beijos pela pele pálida até chegar ao membro semi-ereto do moreno, passou a língua vagarosamente por toda a sua extensão, dando uma breve chupada apenas na glande. Voltou a lamber, descendo a língua até os testículos onde roçou os dentes de leve e desceu mais um pouco, penetrando a língua na pequena cavidade que havia ali.
Se já não estivessem casados, Izaya com certeza pediria o loiro em casamento naquela hora. Era incrível a facilidade como Shizuo conseguia levá-lo à loucura, era simplesmente quase impossível controlar os próprios gemidos que iam ficando cada vez mais altos. Não que ele estivesse tentando controlá-los.
Vizinhos, agradeçam por essas paredes serem grossas!
O loiro substituiu a língua por seus dedos, movendo-os inicialmente devagar e aumentando o ritmo aos poucos. Sua boca voltou a dar atenção à ereção gotejante de Izaya, alternando lambidas e suaves mordidas, com chupadas fortes e intensas, enquanto acariciava os testículos com a mão livre. Não demorou para que o moreno gozasse na boca do ex-barmen, que engoliu um pouco e usou o resto com lubrificante, despejando diretamente na entrada do informante. Posicionou seu membro, que já doía de tão duro, e foi entrando devagar, deslizando facilmente até estar completamente dentro e logo começando a se mover, saindo quase totalmente e entrando de uma vez, acertando de forma precisa a próstata do moreno.
Izaya gemia e gritava cada vez mais alto à medida em que as estocadas de Shizuo iam se tornando mais rápidas e mais fortes, mas ainda não era o suficiente, precisava que ele fosse mais rápido e mais fundo dentro de si ou sentia que acabaria enlouquecendo. Rodeou a cintura do loiro com as pernas, tornando a penetração mais profunda, puxou o marido para um beijo tão intenso e luxurioso que poderia ser facilmente descrito como pornográfico.
A temperatura do quarto parecia ter aumentado uns vinte graus, seus corpos se chocavam cada vez mais violentamente e pareciam estar prestes a entrar em combustão de tão quentes. As batidas descompassadas de ambos os corações, suas respirações cada vez mais ofegantes, os gemidos roucos de prazer se unindo e tornando-se um único grito mudo de puro êxtase quando finalmente chegaram ao ápice.
Shizuo deitou seu corpo completamente sobre o do informante e escondeu o rosto na junção do pescoço com o ombro, permanecendo assim por vários minutos até que seus corpos se acalmassem. Começou a dar pequenos beijos no pescoço de Izaya e foi subindo os lábios até alcançar os do moreno, beijando-o de forma lenta, quase suave. Deslizou as mãos pelo corpo esguio abaixo de si, acariciando-o sem qualquer pressa enquanto rolava na cama, tendo suas costas sobre o colchão e o corpo de Izaya sobre o seu.
– Que tal tomarmos um banho? – sugeriu de forma inocente quando o beijo acabou. Inocente até demais.
– Nós dois? – Izaya perguntou com uma sobrancelha erguida. Ele e Shizuo nunca conseguiram só tomar banho juntos, sempre aconteciam algumas “coisinhas” a mais.
– Sim.
– Juntos?
– Sim.
– E vai ser só banho?
– E o que mais poderia ser?
Izaya não conteve uma risadinha ao ouvir aquilo. Shizuo estava se tornando um tremendo cara de pau! Levantou-se ainda rindo e foi para o banheiro, sentiu o sêmen do loiro escorrer lentamente por suas coxas, mas não deu importância. Entrou no box sem se preocupar em fechar a porta, seria uma questão de segundos até Shizuo aparecer ali, prensá-lo contra o azulejo frio da parede e morder seu pescoço. Provavelmente três segundos.
3,2,1...
Um arrepio percorreu o corpo do moreno quando suas costas se chocaram contra o azulejo frio, mas ao invés de lhe morder o pescoço, Shizuo havia ido um pouco mais para baixo, passando os dentes de leve em seus mamilos e deslizando a língua por seu abdômen.
– Isso não está me parecendo... Mmmm... um banho. – questionou entre gemidos, sentindo a língua quente do loiro em seu membro.
– Mas é. – lambeu vagarosamente a glande – Pode perguntar para qualquer gato por aí.
Izaya riu da resposta, Shizuo estava passando tempo demais consigo. Não que estivesse reclamando.
Shizuo continuou usando somente a língua, mas não limitou-se apenas ao membro, lambeu lentamente um dos testículos e em seguida fez o mesmo com o outro, depois, ergueu uma das pernas de Izaya e a colocou sobre o ombro, o que lhe deu um melhor acesso à pequena cavidade que havia ali.
– Shizu-chan...
Izaya gemia e mordia o próprio lábio inferior de forma cada vez mais forte, Shizuo o estava levando à loucura e até o momento só havia utilizado a língua. Aquilo era como uma droga, a cada instante ficava mais e mais viciado nos toques e carícias do loiro. Era insano. Mas definitivamente, não tinha a mínima intenção de se curar.
Um gemido mais alto deixou os lábios do informante quando Shizuo finalmente parou de torturá-lo e o penetrou com o membro, acertando em cheio a sua próstata. Shizuo o ergueu no colo para que pudesse se mover melhor, voltando a prensá-lo contra a parede e tendo sua cintura envolvida pelas pernas do menor, que não hesitou em atacar-lhe os lábios em um beijo faminto.
Os movimentos eram fortes, rápidos e intensos. Seus corpos iam ficando cada vez mais quentes a cada segundo e foi um choque – térmico – quando o loiro simplesmente abriu o registro do chuveiro e a água fria caiu sobre os dois. Izaya acabou partindo o beijo com o susto e estava pronto para xingar aquele loiro sádico com quem havia se casado e que no momento sorria de forma cínica e extremamente irritante, mas foi calado por um novo beijo, tão envolvente e luxurioso que o fez esquecer-se de qualquer cousa além da necessidade de sentir mais e mais prazer.
Os gemidos de Shizuo também se fizeram presentes quando o informante passou a morder e chupar seu pescoço, o instigando a ir cada vez mais rápido e mais fundo dentro daquele corpo num ritmo frenético e sempre acertando um determinado ponto em especial.
Izaya puxou com força os fios loiros ao seu alcance quando os primeiros espasmos anunciando o iminente orgasmo percorreram seu corpo. Shizuo estava na mesma situação, pôs ainda mais força nas estocadas e deu uma mordida particularmente forte no pescoço do moreno que gozou no mesmo instante, contraindo fortemente seu canal ao redor do seu membro do loiro que também gozou.
***
– Você vive falando de mim, mas também não enxuga os cabelos direito. – puxou o moreno que havia acabado de sair do banheiro e o fez sentar-se na cama, já devidamente limpa e arrumada, e tomou para si a tarefa de secar-lhe os cabelos.
Depois de realmente tomarem banho, Izaya decidiu ficar de molho em sua banheira por um tempo, que foi grande o bastante para que o loiro se secasse, vestisse e arrumasse completamente o quarto, não deixando uma única pétala de rosa para trás.
– Eu enxugo sim. – retrucou – Mas agora estou com preguiça. – puxou ambas as pernas para cima do colchão e dobrou uma delas, deixando-a sob a outra que estava esticada.
– Você é um folgado, sabia? – mesmo dizendo isso num tom que para muitos seria descrito como irritadiço, havia um pequeno sorriso nos lábios do loiro.
Izaya não era um folgado, ou mesmo desleixado com o próprio corpo ou saúde, na verdade era bem o contrário, e embora tivesse orgulho de sua auto-suficiência, gostava de ser mimado por Shizuo e sabia que o loiro não era muito diferente. Havia uma espécie de acordo silencioso entre eles no qual ninguém precisava ferir o próprio orgulho ou passar pelo constrangimento de admitir que também gostavam de serem tratados com carinho e gentileza.
Por mais incrível que fosse, nenhum dos dois havia se acostumado com esse lado ‘romântico’ do relacionamento.
– Pronto. – passou a mão pelos fios negros tão macios ao toque e bagunçou-os, tendo que se afastar rapidamente para não levar um tapa – Vou fazer o café da manhã. – anunciou já na porta do quarto.
– Café da manhã? Já é quase meio dia, Shizu-chan. Não deveria ser almoço?
– Não. Café!
Izaya sorriu e balançou a cabeça de um lado a outro depois que o loiro deixou o quarto. Shizuo não passava de uma criança grande e como tal, sempre começava o dia comendo algum pão doce, biscoito ou qualquer coisa do gênero, além, é claro, do seu sagrado copo de leite!
Levantou-se e tirou a toalha enrolada em sua cintura, deixando-a sobre a cama enquanto ia até o guarda-roupas. Vestiu uma boxer qualquer, a primeira ao alcance de seus dedos, calça negra, camiseta cinza escura e por cima desta uma camisa cinza clara de mangas curtas, deixando-a com todos os botões abertos.
Tão diferente do Shizu-chan.
Era até engraçado o modo como eles eram praticamente opostos até no jeito de se vestirem. Enquanto as peças do moreno eram basicamente negras, cinzas e algumas vermelhas que raramente usava; já o loiro, com exceção do colete e a calça do uniforme de barmen, suas outras roupas eram bem variadas em termos de cores, embora o azul e o branco prevalecessem. Shizuo tinha até uma camiseta laranja, uma cor horrível na opinião de Izaya, mas que nele ficava até bem, aliás, era até absurdo o modo como qualquer cor ficava bem no loiro, inclusive a camiseta amarela que ele usava naquele momento.
Já devidamente vestido e com os cabelos penteados – não ficou nem um pouco feliz com o ninho de pássaros que o loiro fez em seus cabelos – foi até a cozinha e sentou-se à mesa já posta, faltando apenas o precioso leite com achocolatado que Shizuo acabava de misturar.
Comeram com calma enquanto conversavam sobre banalidades e assim que terminaram arrumaram juntos a cozinha. Quando tudo já estava limpo e em seu devido lugar, o informante sequer teve tempo de raciocinar antes de ser praticamente jogado sobre a mesa da cozinha e ter seus lábios beijados com luxúria por Shizuo, que havia dito algo como “aproveitarem a lua de mel” em cada canto do apartamento, começando pela mesa da cozinha. Izaya definitivamente não estava reclamando.
***
– Pára, Shizu-chan... – pediu, mas não fez absolutamente nada para que o loiro parasse de beijar seu pescoço – Nós não vamos transar agora.
– Por que não? – mordeu a junção do pescoço com o ombro, sentindo-o estremecer de leve.
– Por que eu estou tentando fazer o jantar. – inclinou a cabeça para um lado, dando um melhor acesso ao loiro quando este começou a fazer pequenos círculos com a língua naquela área.
– Eu não estou com fome.
– É claro que não está. – disse com certa irritação – Acabou de comer um prato cheio de biscoitos. – se desvencilhou do loiro e voltou a cortar os legumes que havia deixado de lado quando o loiro tarado começou a atacar seu pescoço – E além disso, estou todo dolorido. – fez bico – Nee, Shizu-chan... que tal invertermos um pouquinho as coisas, hã? – falou como quem não quer nada.
– Como assim?
Izaya virou-se para ele com uma sobrancelha erguida e um sorriso bastante sugestivo. Shizuo levou dois segundos para entender e mais um para começar a rir.
– Você está brincando, não é? – riu mais um pouco.
O informante realmente estava brincando quando sugeriu aquilo, mas depois daquela reação do loiro, começou a pensar melhor no assunto.
– Está com medo da dor, Shizu-chan? Prometo que serei gentil. – sorriu divertido.
– Tsk. Isso não vai acontecer. – disse ainda com ar de riso – Eu não vou ficar por baixo. – encheu um copo com água e bebeu um pouco.
– E por que não? – o tom de voz do moreno continuava o mesmo, mas seus olhos estavam perigosamente estreitos. O sorriso divertido já havia desaparecido a muito tempo – Talvez você até goste e queira repetir a dose.
– E por que eu iria gostar de abrir as pernas? – fez uma careta enquanto terminava de beber a água.
– E qual é o problema em abrir as pernas, Shizu-chan? Não vejo por que não gostaria. – começou a girar habilmente a faca de legumes entre os dedos.
– Por que eu sou homem, oras.
Shizuo se arrependeu no instante em que aquelas palavras saíram de sua boca, não queria ter dito aquilo, o difícil seria explicar isso ao moreno antes de ser morto por ele.
***
– Izaya?
O moreno o ignorou. Ambos estavam sentados no sofá da sala assistindo a um filme qualquer de ficção científica, cada um em um canto.
– Eu já pedi desculpas. – tentou novamente – Eu não quis dizer aquilo. – foi novamente ignorado e deixou escapar um suspiro frustrado.
O loiro já havia perdido a conta de quantas vezes havia se desculpado nas últimas vinte e quatro horas. Não devia ter dito aquilo e na verdade nem queria ter dito, saiu sem pensar, e também não achou que Izaya fosse se ofender tanto com aquilo, pensou que depois daquele acesso de raiva no qual se viu alvo de todas as facas da cozinha – que não eram poucas – eles acabariam transando e tudo ficaria bem, como sempre acontecia quando eles brigavam, não importando qual fosse o motivo.
Mas desta vez, nada ficou bem.
Izaya havia realmente ficado ofendido e indignado com suas palavras ridiculamente machistas, o moreno sempre se irritava com qualquer coisa que meramente o comparasse com uma mulher e Shizuo havia passado – e muito – dos limites ao praticamente dizer em sua cara que ele não era um homem simplesmente por gostar de ser o passivo da relação. Desde então Izaya o estava ignorando e havia – literalmente – o chutado para fora da cama quando tentou abraçá-lo e beijá-lo no pescoço.
Sexo não resolveria nada desta vez.
Ou talvez sim.
– Eu só... nunca pensei nessa possibilidade, entende? – fez uma careta – Você me pegou de surpresa e... eu acabei falando aquelas merdas sem pensar.
– ... –
Shizuo perdeu a pouca paciência que nem sabia que tinha e puxou Izaya pra si, forçando-o a olhá-lo.
– Até quando vai ficar me ignorando? Eu entendo que tenha ficado irritado, mas eu já pedi desculpas! O que mais quer que eu faça? Que eu abra as pernas e te deixe me comer, é isso?
– Seria um bom começo. – o moreno finalmente se pronunciou.
Shizuo hesitou por um instante, mas não voltou atrás.
– Tudo bem.
– Tudo bem? – arqueou levemente uma sobrancelha.
– Sim. Tudo bem.
Ficaram alguns instantes se encarando em silêncio.
– Então, o que estamos esperando, não é mesmo?
O moreno se levantou do sofá e começou a puxar o loiro em direção ao quarto, não dando a mínima importância ao fato de a tv ainda estar ligada. Empurrou Shizuo até que ele estivesse sentado na cama e subiu em seu colo, pondo uma perna de cada lado do corpo do outro e beijando-o com fervor. Uma de suas mãos foi para a nuca do loiro, ora arranhando, ora acariciando aquela área, enquanto a outra mão adentrava a camisa e deslizava pelos músculos definidos do abdômen do guarda-costas.
Deixou que sua mão abandonasse a nuca de Shizuo e levou ambas à barra da camiseta, subindo-a lentamente até retirá-la por completo. Shizuo fez o mesmo consigo, ficando ambos nus da cintura para cima. Voltou a beijá-lo, sugando seus lábios com força antes de descer até o pescoço e morder fortemente aquela área, ganhando um gemido rouco do loiro. O fez deitar-se na cama e moveu os lábios até os mamilos, sugando-os com vontade enquanto suas mãos se ocupavam em abaixar o short e a cueca que Shizuo usava, lhe dando acesso livre ao membro já bastante excitado do mais velho. Alternou mordidas e chupões pelo abdômen até chegar à virilha e substituir suas mãos pela boca, dando chupadas longas e fortes, do jeito que Shizuo gostava. Não demorou até que o loiro gozasse.
Izaya se afastou um pouco, apenas o suficiente para se livrar rapidamente de suas roupas e pegar o lubrificante na pequena gaveta do criado-mudo. Shizuo ficou um pouco constrangido quando o viu lambuzar três dedos e levar o primeiro até sua entrada. Era estranho, definitivamente estranho e bastante desconfortável sentir o dedo de Izaya em seu interior, e a sensação só piorou quando o segundo e o terceiro dedo se juntaram ao primeiro. Doía uma pouco, claro, afinal, até então nada havia ‘entrado’ nele, mas ele mal sentia, o problema mesmo era a sensação incômoda daqueles dedos em seu interior. Já estava até começando a se sentir um pouco culpado, se perguntando se Izaya realmente conseguia sentir prazer daquela forma. Estava pensando seriamente em questioná-lo sobre isso quando uma onda de prazer percorreu seu corpo e ele não foi capaz de conter um gemido alto.
– Achei. – disse o moreno sorrindo de canto.
O loiro automaticamente entendeu que ele havia acertado sua próstata, e então de novo, de novo, de novo... Seu corpo vibrava em resposta aos toques de Izaya, era diferente de qualquer coisa que já havia sentido antes, e o fazia querer sentir ainda mais. Automaticamente abriu um pouco mais as pernas, querendo que os dedos de Izaya fossem mais rápido e mais fundo. Era vergonhoso o modo como havia se entregado tão rápido àquelas sensações e ver aquele sorrisinho de “eu disse que você iria gostar” nos lábios do informante, não estava ajudando nem um pouco.
Shizuo teve vontade de bater a própria cabeça na parede quando um grunhido insatisfeito escapou de sua boca ao ter seu interior abandonado pelos dedos de Izaya. Era constrangedor. E só piorou quando o moreno resolveu bancar o sádico, tocando sua entrada com a ponta do membro lambuzado de lubrificante, aparentemente sem intenção de penetrá-lo ainda. O filho da puta só o estava provocando.
Jamais passou pela cabeça do loiro que algum dia ele estaria ansiando em ter um ‘pau’ enterrado dentro de si e menos ainda que ele teria que praticamente implorar pra isso.
– Izaya... – sua voz saiu baixa e necessitada.
– Sim, Shizu-chan? – se fez de desentendido e continuou a provocá-lo – Quer algo?
Shizuo quis matá-lo.
– Izaya! – rosnou baixo em tom de aviso. O moreno penetrou apenas a glande e depois tirou, ganhando um gemido sôfrego do outro.
– Se não me disser o que quer eu não vou poder te ajudar, Shizu-chan. – cantarolou.
Shizuo o xingou – e muito – antes de se dar por vencido e dizer aquelas quatro palavrinhas. Seu rosto estava corado e ele mordia o lábio inferior com força, se recusando terminantemente a encarar o cretino com quem havia se casado.
– Me fode logo, maldito!
O sorriso extremamente malicioso e divertido de Izaya parecia mal caber no rosto. Sabia perfeitamente que Shizuo o faria pagar com juros mais tarde, mas agora iria tratar de aproveitar aquela chance de ouro.
Forçou seu membro lentamente para dentro de Shizuo, só parando quando entrou completamente. Esperou alguns instantes para que o loiro se acostumasse com o volume dentro de si, não que ele estivesse sentindo alguma dor lancinante , já se tratando de Shizuo provavelmente aquilo poderia até ser comparado a um mero beliscão; mas com certeza devia ser um pouco estranho para ele, visto que aquela era a primeira vez dele como passivo.
As primeiras estocadas foram lentas e um pouco desajeitadas, de certa forma aquela também era a primeira vez de Izaya, a primeira vez que ele estava sendo o ativo. Mal se lembrava da sensação que era ‘estar por cima’, a última vez havia sido bem antes de ir pra cama com Shizuo pela primeira vez, e estar com um homem era bem diferente de estar com uma mulher. Era melhor. Pelo menos pra ele.
Ou talvez fosse apenas o fato de esse homem ser Shizuo.
Os movimentos logo se tornaram ritmados, buscando sempre acertar a próstata, com estocadas rápidas e precisas. O loiro gemia e jogava a cabeça para trás, completamente inebriado pelo prazer e só conseguia pensar em sentir ainda mais. Se ergueu um pouco na cama e puxou Izaya para um beijo um tanto desajeitado por conta da posição de ambos. O informante tomou o controle do beijo sem qualquer resistência por parte do outro e o fez deitar-se novamente, acabando por se deitar sobre ele e voltando a beijá-lo, sem parar com as estocadas. Shizuo rodeou sua cintura com as pernas, tornando a penetração mais profunda e movendo os quadris contra o membro de Izaya, incitando-o a ir mais rápido e com mais força. A boca do informante desceu para o seu pescoço, mordendo e chupando com vontade aquela área, a mão direita deslizou pelo corpo definido do loiro até chegar ao membro abandonado até então e masturbá-lo no mesmo ritmo das estocadas.
O orgasmo foi incrivelmente intenso, principalmente para Shizuo por conta da estimulação dupla; sua mente ficou em branco por meros segundos, durante aos quais ele buscou apertar ainda mais tanto as pernas quanto os braços ao redor do moreno para trazê-lo para mais perto – se é que era possível. Izaya veio logo em seguida, ao sentir seu membro ser deliciosamente esmagado pelas paredes internas do loiro. Foram consideráveis minutos até se recuperarem do orgasmo.
– Nee, Shizu-chan... – começou Izaya após sair de dentro do outro e se deitar ao seu lado. O típico sorrisinho cretino já estava à postos – Acho que pelo seu ‘entusiasmo’, você deve ter gostado bastante da sua primeira vez, não é mesmo?! – cantarolou em tom provocativo e levou uma travesseirada.
– Cale a boca, verme! – virou o rosto para o lado, tentando esconder o leve rubor que surgiu em suas bochechas. Havia sido bom, claro, isso era inegável, mas ainda assim era um pouco constrangedor para si. Precisaria de um pouco de tempo para se acostumar com aquilo.
Izaya riu um pouco antes de se virar para o loiro.
– Me desculpe. – disse em tom quase suave.
O loiro franziu o cenho e também virou-se para encará-lo.
– Pelo quê?
– Por ter te ignorado, por ter demorado a aceitar as suas desculpas, por ter te chutado pra fora da cama...
– Por ter me usado como alvo para suas facas...
– Não, disso eu não me arrependo. Você me irritou e teve o que mereceu! – Shizuo lhe lançou um olhar magoado, como se fosse uma criança que acabou de ficar de castigo mesmo depois de ter confessado que quebrou o vaso favorito da mãe e acabou tocando meio que automaticamente o curativo em seu ombro esquerdo; haviam outros cinco espalhados pelo corpo – Sei que não teve a intenção de me ofender ou qualquer coisa do tipo. Fiquei realmente bravo com você, mas foi só na hora.
– Se não estava bravo, por que ficou me ignorando por quase um dia inteiro? – franziu o cenho e acabou estreitando os olhos quando um pequeno sorriso surgiu nos lábios do informante.
– Era divertido te ver implorando pelo meu perdão. – sorriu ainda mais.
– Seu filho da puta! – se colocou sobre o informante, prendendo seus braços contra o colchão.
– Não xingue sua sogra, Shizu-chan! – repreendeu-o ainda sorrindo.
Shizuo segurou ambas as mãos de Izaya com uma única sua sobre a cabeça do moreno e mordeu fortemente seu pescoço, lambendo o local em seguida.
– Sabe que vai pagar por isso, não sabe? – chupou fortemente a junção do pescoço com o ombro, ficando bastante satisfeito com a enorme marca vermelha – e que dali a instantes ficaria roxa – que havia feito.
A resposta de Izaya foi um sorriso de canto repleto de malícia. É claro que ele sabia que teria que pagar e esperava que Shizuo cobrasse bem caro, inclusive até com juros. Definitivamente ele não se importaria em pagar.
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