Notas iniciais
Olá, olá, meus amores!!! ^-^ Aqui estamos nós com o epílogo!! Nunca imaginei que a fic fosse chegar tão longe, no início ela só teria seis capítulos mais o prólogo e o epílogo e olha só onde estamos agora!? Enfim, converso mais com vocês nas notas finais. E o capítulo de hoje é dedicado à Bomer, por ter recomendado tão bem a fic. Muitíssimo obrigada, flor!!!! Fiquei muitíssimo feliz com cada palavra que escreveu! Agradeço de coração!!! Leiam as notas finais, ok?!

Izaya estava em frente ao seu computador pesquisando algumas coisas na internet, nada muito importante. Olhou as horas no relógio que ficava no canto da tela, 6:17 da noite, sorriu de canto, seria uma questão de minutos até que ele aparecesse.

Deu um pequeno impulso com os pés, afastando-se um pouco da mesa para que pudesse se espreguiçar, ao mesmo tempo em que a porta de seu apartamento era destruída por um chute de Shizuo.

– Já ouviu falar em campainha, Shizu-chan? É algo bastante útil.

Shizuo ignorou o tom sarcástico e se aproximou à passos duros.

– Pode me explicar o que essa merda significa? – retirou um envelope do bolso e despejou o conteúdo sobre a mesa: um bilhete e uma aliança.

– Achei que tinha sido bem claro no bilhete. – pegou o dito papel e o leu em voz alta – “Estou me divorciando de você”. Pra mim parece bem óbvio.

– Seria óbvio se nós fossemos casados! – disse irritado.

– É claro que somos, quer dizer, éramos! Me lembro perfeitamente do padre dizendo “eu vos declaro marido e mulher!”

– Primeiro, você não é uma mulher! Segundo, aquele casamento não era de verdade. E terceiro, aquilo foi há dois anos! E que raios de aliança é essa?

– A do nosso casamento, claro.

– Você guardou aquela porcaria?! E eu já disse que nunca fomos casados!

– Olha só quem fala! Você também guardou a sua. – sorriu de canto – Eu vi ela na gaveta da sua cômoda.

– Eu não guardei, só esqueci de jogar no lixo. – ficou ligeiramente desconcertado – E quem mandou você mexer nas minhas coisas?

Izaya deu de ombros e sorriu debochado.

– O que é meu, é seu. Não é assim que funciona?

– Já disse que isso nunca foi um casamento. – disse entre dentes

– Mas é claro que foi! Nós dormíamos juntos, fazíamos sexo com freqüência, eu cozinhava pra você e você até já me levou café-da-manhã na cama.

Shizuo corou ao ouvir aquilo. Colocando as coisas desse jeito, realmente parecia que eles tinham uma relação de verdade, mas os dois nunca tinham conversado sobre aquilo que tinham, pelo menos não até agora.

– Não é a mesma coisa. – retrucou ainda corado.

– É, eu sei que não. – ficou sério pela primeira vez – E é por isso que eu não quero mais.

Shizuo jamais admitiria que aquilo havia doído. Podia não ser uma relação amorosa ou muito carinhosa, mas ele gostava do que tinham. Soava como um absurdo até pra si mesmo, mas ele não queria perder aquilo. Não queria perder Izaya. Já havia admitido – pelo menos pra si mesmo – que gostava de verdade daquela pulga maldita e ouvir aquelas palavras não foi nem um pouco agradável, embora soubesse que mais cedo ou mais tarde o informante se cansaria daquela brincadeira, afinal, brincar com os outros sempre fora sua principal fonte de diversão.

– Vou me casar, Shizu-chan.

Bom, por essa, Shizuo não esperava. Como assim ele iria se casar? E com quem?

– Do que você está falando, pulga? Como assim, vai se casar?

– Casando, oras. – deu de ombros – Todos acabam se casando um dia, não é mesmo?

– E vai casar com quem? – perguntou um pouco irritado – Posso saber?

– Por acaso está com ciúmes, Shizu-chan? – arqueou uma sobrancelha e sorriu de canto.

– E por que eu teria ciúmes? – falou ainda mais irritado – Não é como se nós tivéssemos alguma coisa. Ou que você se importasse!

Izaya não pôde evitar rir alto ao ver Shizuo tão irritado e falando aquelas coisas, e isso só serviu para deixar Shizuo ainda mais irritado.

– Do que está rindo, pulga? – disse entre dentes enquanto se aproximava do informante e o erguia pela gola da camisa.

– De você, é claro! Sua reação é ainda melhor do que eu esperava! – falou empolgado vendo uma veia pulsar na testa do loiro.

– Vamos ver se vai continuar achando divertido depois que eu te arrebentar inteiro. – praticamente rosnou.

– Hmm.... Adoro sexo selvagem! – sorriu de canto e puxou Shizuo para um beijo. O loiro, ainda irritado, até tentou resistir, mas a língua de Izaya deslizando sobre seus lábios e depois a mordida suave no inferior... Sua resistência caiu por terra e ele mesmo atacou os lábios do moreno num beijo luxurioso.

– Você não acabou de dizer que ia se casar? – perguntou quando o moreno começou a beijá-lo no pescoço enquanto desabotoava apressadamente sua camisa.

– E daí? – abriu as calças do loiro e o empurrou até que se sentasse em sua cadeira giratória.

– Você não vale nada mesmo! Hmm... – gemeu alto ao ter seu membro inteiro dentro da boca do informante.

Izaya continuou chupando até que ele gozasse e então tirou as próprias roupas e se preparou de forma apressada enquanto usava a outra mão para masturbar o pênis do loiro, ainda bastante sensível pelo recente orgasmo.

Não demorou para que Shizuo ficasse novamente excitado e puxasse o informante para o seu colo, fazendo-o sentar-se sobre o seu membro. O moreno começou a subir e descer num ritmo bastante intenso enquanto envolvia o pescoço do guarda-costas com os braços, arranhando-lhe a nuca e puxando com força os fios loiros, vez ou outra fazia alguns movimentos circulares com o quadril para provocar Shizuo. Não demorou para que o maior o tirasse do colo e o fizesse se deitar sobre a mesa, derrubando uma pilha enorme com alguns documentos e relatórios que Namie havia ficado arrumando por quase uma hora. Riu só em imaginar a cara que ela faria quando tivesse que arrumar tudo de novo no dia seguinte.

O loiro voltou a penetrá-lo, desta vez com mais força e já imprimindo um ritmo ainda mais intenso que o anterior, sua mãos tocavam e apertavam cada pedaço de pele do informante, deixando inúmeras marcas por onde passavam. Izaya gritou alto quando sua próstata foi acertada, abriu ainda mais as pernas e rodeou a cintura do loiro com elas, aprofundando ainda mais a penetração e tornando mais fácil para o loiro acertar sempre naquele mesmo ponto e com ainda mais força.

O orgasmo de Izaya foi intenso, ele sequer precisou tocar no próprio membro. O loiro ainda o estocou por mais duas vezes antes de também chegar ao ápice, derramando-se no interior apertado do moreno. Shizuo precisou de alguns minutos para normalizar sua respiração e só então sair de dentro do outro, mas não se afastou, inclinou-se sobre ele e o puxou para um beijo que foi prontamente retribuído por Izaya, que voltou a rodear o pescoço e a cintura do maior com os braços e as pernas enquanto suas línguas travavam uma nova batalha em suas bocas. O guarda-costas se ergueu novamente trazendo o informante consigo e caminhou com ele no colo até que ambos chegassem ao sofá, ainda sem interromper o beijo, que a cada segundo se tornava mais faminto e luxurioso. Os dois voltaram a se conectar quando novas ereções se fizeram presentes, os corpos cada vez mais suados se chocavam com certa violência e seus gemidos de puro prazer se tornavam cada vez mais altos, muitas vezes se tornando gritos. Logo Shizuo parou de se mover e se retirou de dentro do informante, que nem teve tempo de reclamar e já se viu sendo posto de quatro no chão da sala, sendo novamente penetrado e estocado com força e velocidade cada vez maiores. Pareciam dois animais selvagens, movendo-se e investindo um contra o outro de forma cada vez mais instintiva e desejosa em busca do mais intenso prazer carnal. Não demorou para que ambos chegassem ao orgasmo, quase ao mesmo tempo.

– Você não estava falando sério, estava? – Shizuo perguntou depois de normalizar a própria respiração. Os dois estavam deitados lado a lado no chão, o loiro de barriga pra cima e o moreno de bruços.

– Sobre?

– Se casar.

Izaya virou-se de lado e apoiou a cabeça em uma das mãos, de modo que pudesse observar completamente o rosto do loiro.

– Sim, eu estava falando sério. Shizuo tentou imaginar com que tipo de mulher Izaya se casaria, sim, por que, ele sabia que o moreno não tinha qualquer interesse em outros homens, assim como ele próprio também não se interessava, ambos eram as únicas exceções um do outro.

– Não consigo te imaginar pedindo alguém em casamento.

– Realmente isso deve ser complexo demais para o seu cérebro de protozoário. – zombou.

– Estou falando sério, verme!

– Eu também! – sorriu, divertido, ganhando um olhar irritado por parte do loiro – Bom... como eu sou uma pessoa extremamente bondosa... — Shizuo riu de forma cética – Vou poupar o seu minúsculo cérebro de explodir, mostrando como Izaya Orihara faz um pedido de casamento.

Izaya levantou-se com um pouco de dificuldade e estendeu a mão para que o loiro também levantasse. Quando Shizuo se pôs de pé, o moreno apoiou um dos joelhos no chão e segurou uma das mãos do loiro, olhando-o nos olhos.

– Ei, o que pensa que está fazendo?! – o loiro tinha os olhos ligeiramente arregalados. O moreno sorriu de canto antes de responder:

– Te mostrando, oras! – pigarreou – Shizu-chan... Quer ter a extrema honra de se casar comigo?

O loiro ficou perplexo, sem qualquer reação.

– E eu que pensei que o Izaya fosse a mulher da relação. – disse Namie, parada no lugar onde havia uma porta antes. Shizuo ficou completamente vermelho e usou uma das almofadas do sofá para cobrir suas partes íntimas. Já Izaya, nem se preocupou com a nudez, apenas lançou um olhar irritado à secretária.

– O que faz aqui, Namie-san? – perguntou enquanto se sentava no sofá, meio de lado, já que seu traseiro estava um pouco dolorido.

– Esqueci meu celular. – respondeu enquanto entrava no apartamento, não dando a mínima importância para o fato de os dois estarem completamente nus. Pegou o aparelho que estava encima de sua própria mesa e o colocou na bolsa, seus olhos se desviaram para a mesa do informante, notando a bagunça que estava ali. Fez uma careta de nojo – Eu não vou limpar isso! Da próxima vez, arranjem uma cama. – e deu meia volta, como se nada demais estivesse acontecendo, não era a primeira vez que ela os flagrava em situações... íntimas.

– Você é uma verdadeira estraga-prazeres, sabia? – disse o moreno.

Namie arqueou levemente uma sobrancelha e sorriu de forma sarcástica, virou-se novamente e foi embora, sem dizer qualquer outra palavra.

– Eu não acredito que ela viu a gente assim. – o loiro ainda estava bastante constrangido.

– Isso não teria acontecido se alguém não tivesse destruído a porta. – provocou.

– Também não teria acontecido se você não tivesse me atacado! – retrucou.

– Como se você não tivesse gostado!

O loiro lhe lançou um olhar irritado e abaixou-se para pegar a própria cueca abandonada embaixo da mesa de centro, como ela foi parar lá era um grande mistério! Fez menção de vesti-la, mas antes que conseguisse, dedos ágeis arrancaram a peça de suas mãos e a jogaram do outro lado da sala.

– Quem disse que podia se vestir?

– Quer que eu vá embora pelado, por acaso? – perguntou com sarcasmo. O moreno pareceu considerar a ideia e sorriu de canto.

– Vai depender da sua resposta, Shizu-chan.

– Não estou com paciência para os seus joguinhos.

– Não é um jogo.

– Sempre é um jogo pra você. – deu um suspiro cansado – Você sempre faz o que quer e não dá a mínima para o sentimento dos outros. – pegou o maço de cigarros caído no chão e pôs um na boca, começando a procurar pelo isqueiro.

– Não está falando de você, não é?! – riu debochado – Que tipo de sentimentos um monstro como você pode ter?

Aquilo foi a gota d’água. Shizuo tirou o cigarro da boca e o amassou entre os dedos, jogando-o no chão e pisando encima, depois pegou o informante pelo pescoço e o prensou contra o sofá.

– O que você quer de mim, verme? – perguntou com raiva, intensificando o aperto no pescoço do moreno – Quer que eu diga que não dou a mínima pro fato de você se casar com outra pessoa? Que não ligo se você dormir com alguém que não seja eu? Que não senti nada quando você disse que cansou do que a gente tinha? Bom, tenho novidades pra você. Eu não sou um monstro! E eu tenho sentimentos! – largou o pescoço do informante e se sentou na outra ponta do sofá tentando controlar a raiva.

Izaya tossiu um pouco quando o ar voltou aos seus pulmões e passou a mão pelo pescoço dolorido.

– Sabe, Shizu-chan... Você não precisava ter feito toda essa declaração de amor...

– Eu não fiz declaração nenhuma! – o loiro rosnou.

– Um simples “Você é meu e de mais ninguém!” dito de uma forma bem possessiva e ciumenta já seria o suficiente. – levantou-se e se sentou próximo ao loiro.

– Suficiente pra você largar a sua noiva? – ainda estava bastante irritado.

– Você é tão burro, Shizu-chan! – disse rindo. Shizuo ia retrucar, mas foi calado com um beijo. – Não existe nenhuma noiva. – sentou-se no colo do loiro e passou os braços ao redor de seu pescoço.

– Mas você não disse que ia se casar? – ficou um pouco confuso e logo estreitou os olhos – Se não tem uma noiva, então por acaso é um noivo?

– Sim, eu disse que ia me casar, mas ainda não posso dizer que tenho um noivo... Sabe, ele ainda não me disse se aceita... – disse de forma sugestiva, encarando-o com uma sobrancelha erguida.

Shizuo arregalou os olhos quando se deu conta do que ele havia dito.

– E-Então aquilo não era brincadeira? – o moreno balançou a cabeça de forma negativa – Então por que toda aquela palhaçada de divórcio? — Izaya deu de ombros e sorriu, divertido.

– Aquela parte era brincadeira. – Shizuo estreitou os olhos e o moreno ficou sério, olhando diretamente em seus olhos – Mas eu estava falando sério quando te pedi em casamento, mesmo você sendo um monstro. – o loiro ia retrucar, mas Izaya continuou – Mas é o meu monstro!

Essa simples frase, um tanto ofensiva e nem um pouco romântica, foi o bastante para deixar Shizuo sem palavras. Ficou por um bom tempo olhando bem no fundo dos olhos castanho-avermelhados de Izaya antes de pronunciar sua resposta:

– Eu... Eu aceito.

Izaya sorriu. Não um sorriso sarcástico, cínico ou debochado, um sorriso sincero. Shizuo não se lembrava de já tê-lo visto sorrindo assim e só tinha uma palavra para descrevê-lo: lindo. Absolutamente lindo. O moreno ainda sorria quando aproximou seus lábios dos do loiro e o beijou lentamente, saboreando sem a menor pressa aquele gosto tão maravilhoso.

– Então... vamos mesmo nos casar, não é? – Shizuo perguntou suavemente quando o beijo acabou.

– Sim, nós vamos. – respondeu da mesma forma – Mas não vai ser necessariamente um casamento de verdade.

– Como assim?

– Nós dois somos homens, Shizu-chan. Casamento entre pessoas do mesmo sexo não é permitido aqui no Japão.

– Então como pretende se casar comigo?

– Já se esqueceu de quando nos casamos? – sorriu de canto – Sempre podemos contratar alguém para se fingir de padre!

– Você sabe que aquela cerimônia não foi de verdade.

– É, eu sei. – sorriu novamente de forma sincera – Mas desta vez vai ser. Pelo menos pra mim...

O loiro foi incapaz de não retribuir o sorriso. Beijou suavemente os lábios do agora noivo e apoiou sua testa na dele, dizendo baixo:

– Pra mim também.

.

***

.

– Não! Nem pensar! Eu não vou usar isso!

– Por que não, Izaya-san? Você vai ficar tão lindo...! – os olhos de Érika brilharam intensamente enquanto ela encarava o nada, provavelmente imaginando como ele ficaria. Não demorou para que um filete de sangue começasse a escorrer de seu nariz e Namie lhe desse uma livrada na cabeça para fazê-la acordar – Ai! Doeu! – massageou o local atingido e pegou alguns lencinhos de papel de uma das dez caixas sobre a mesa, já previamente preparados para esse tipo de situação.

– Pára de frescura, Izaya, você já usou um desses! – disse Namie, o livro que havia usado para bater em Érika ainda estava, ameaçadoramente, em suas mãos.

– Aquilo foi uma emergência! Um caso de vida ou morte! – explicou irritado.

“Izaya, você mesmo disse que queria tudo o mais parecido possível!” – Celty digitou.

– Sim, mas eu não estava me referindo à “isso”! – respirou fundo e tentou dizer pausadamente para que aquelas três entendessem – Eu. Não. Vou. Usar. Isso. Fim de papo! – massageou sua têmpora e se sentou no confortável sofá de sua sala, logo levando sua xícara de chá à boca e tomando um grande gole do líquido.

– Mas, Izaya-san, pensa só na reação do Shizu-chan quando te vir. Ele vai ficar de queixo caído! – argumentou a mais nova ali, sua voz saindo anasalada por conta dos lencinhos enfiados no nariz para impedir que voltassem a sangrar. Já havia perdido sangue demais nos últimos dois meses, mais precisamente desde que ficara sabendo sobre o casamento.

– Não vou usar! E não o chame de Shizu-chan novamente! – seu tom de voz era baixo e extremamente ameaçador. Os lencinhos no nariz de Érika não foram capazes de conter a enorme quantidade de sangue depois de ela ter ouvido aquele tom de voz tão ciumento e possessivo. Celty precisou ampará-la. – E a próxima que... que disser mais... alguma... cois-

Antes que a ameaça fosse concluída, o corpo do moreno tombou para o lado, completamente inconsciente.

– Ai, meu Deus! Izaya-san ficou tão irritado que morreu! – exclamou a fujoshi com os olhos arregalados.

– Não seja idiota, ele só está dormindo! – Namie revirou os olhos.

“O que você fez?”

– Nada demais. – fez um gesto de descaso com a mão – Só coloquei um pouco de sonífero no chá dele. Izaya só vai acordar daqui a umas duas horas. – sorriu de canto – Vamos arrumá-lo, meninas!

***

Shizuo estava nervoso. Muito, muito nervoso. O simples fato de que iria se casar, mesmo aquilo não sendo um casamento de verdade, o deixava bastante inquieto, tanto que não parava de andar de um lado para o outro no altar que havia sido montado no Rússia Sushi.

O restaurante estava fechado naquele dia especialmente por conta do casamento de Shizuo e Izaya, metade das mesas do salão foram retiradas para que o pequeno altar fosse montado e algumas cadeiras pudessem ser enfileiradas para que os convidados – apenas as pessoas mais próximas dos noivos – se sentassem para assistir a cerimônia. Havia muitas flores enfeitando todo o local, exatamente como há dois anos atrás, aliás, boa parte daquele cenário havia sido recriado.

– Fique quieto, menino! Se continuar andando assim, vai abrir um buraco no chão! – Namiko repreendeu o filho com um sorriso nos lábios e se pôs a ajeitar os cabelos dele com os dedos.

Shizuo respirou fundo e tentou retribuir o sorriso da mãe, estava feliz por ela estar ali. Sem dúvida, a parte mais difícil de toda aquela história havia sido contar à ela, que sempre devaneou que ele se casaria com uma linda, gentil e delicada moça e daria lindos netos à ela, que iria se casar com Izaya, que além de não ser uma moça, estava longe de ser gentil e menos ainda, delicado, a única coisa que conferia com as exigências de sua mãe, era que Izaya era realmente bonito, disso ela não poderia reclamar!

O loiro nunca foi muito bom com palavras, então quando jogou a bomba, teve quase certeza de que seus pais jamais voltariam a falar com ele, bom, na verdade sua mãe, já que seu pai, estranhamente, não pareceu muito chocado, embora tenha ficado surpreso. Mas como Izaya havia dito, sua mãe era realmente imprevisível!

– Agora fique parado pra eu poder arrumar a sua gravata. – continuou ela – Você tem que estar impecável no seu casamento!

– Isso não é um casamento de verdade.

– Não importa. Sendo de verdade ou não, ainda é o seu casamento, querido! – sorriu docemente – E logo, logo Izaya-kun vai estar aqui. Você não quer que ele desista e saia correndo por ter um noivo desarrumado, não é?

O loiro sorriu para a única mulher já havia amado na vida.

– Obrigado, mãe.

A mulher sorriu de volta e acariciou a bochecha dele por alguns instantes antes de se afastar. Shizuo voltou a suspirar. Conversar com sua mãe o havia acalmado um pouco – bem pouco – não gostava de ser o centro das atenções e se fosse por ele, não haveria nada daquilo, ele e Izaya só trocariam alianças e já estaria tudo certo! Não precisava de todo aquele circo! Preciso de um cigarro. Aproveitou que ainda tinha uns vinte minutos até a hora marcada para a cerimônia e saiu de fininho para fumar do lado de fora do restaurante.

***

Izaya acordou bastante desorientado, demorou quase um minuto para perceber que não estava mais em seu apartamento e sim no banco de trás de uma limusine, e o pior de tudo, usando um vestido de noiva!

– Eu vou matar aquelas três da forma mais dolorosa possível e fazer parecer acidente! – resmungou irritado, tentando inutilmente abrir a porta do carro, mas estava trancada. Sua raiva cresceu consideravelmente – Não, matá-las seria muito pouco!

Respirou fundo, tentando se acalmar e pensar em uma forma de sair dali. Estava tão concentrado em bolar um plano de fuga que levou um baita susto quando seu próprio celular começou a tocar. Seguiu o som do aparelho e o encontrou jogado no banco da frente do carro, teve que se esticar para alcançá-lo por conta do vestido e pegou-o com a ponta dos dedos.

– Hai!Hai! — atendeu da mesma forma entusiasmada de sempre.

– Izaya?!

– Hã? Shizu-chan? Não me diga que sentiu tanto a minha falta que resolveu me ligar?

Pare de gracinhas, verme! – o moreno o escutou suspirar profundamente do outro lado da linha e ficou apreensivo.

– O que foi, Shizu-chan? – perguntou, sério – Está querendo desistir?

– Não, não é isso.

Izaya soltou o ar que havia prendido sem sequer se dar conta. Aqueles míseros segundos até ouvir a resposta de Shizuo, pareceram uma eternidade.

– Então o que é?

– A gente precisa mesmo daquilo tudo?

– Está falando da cerimônia?

– Sei lá, não podia ser algo mais... simples?

– E você não acha que deveria ter dito isso antes?

– Eu sei. Desculpe. – um suspiro cansado – Mas você quer isso, não é?

Izaya riu.

– Shizu-chan, eu não sou uma garota. Não dou a mínima para “aquilo tudo”. Foram aquelas três loucas que organizaram, desconte toda a sua irritação nelas, vou adorar assistir!

– Então você não se importaria mesmo se fosse apenas nós dois?

– É claro que não, seu idiota! Já disse que não sou uma garota. – embora esteja vestido como uma.

– Onde você está?

– Sendo mantido em cativeiro dentro de uma limusine. Por quê?

– Te encontro daqui a pouco.

– Espera, Shizu-

A ligação já havia sido encerrada. Praguejou. Deveria ter feito Shizuo arrebentar a porta do carro, agora tinha que ficar ali, esperando até que alguém viesse lhe tirar de seu cativeiro! Pegou novamente o celular, que havia jogado sobre o banco, e discou o número do loiro, mas antes que apertasse a tecla “chamar” a porta da frente foi aberta e o dito loiro entrou por ela, sentando-se no assento do motorista.

– Como foi que abriu a porta sem ter que arrancá-la? – perguntou com uma sobrancelha erguida.

– Tinha um cara parado perto da limusine com aqueles uniformes de motorista. – deu de ombros – Eu só precisei pedir as chaves.

– Só isso? – perguntou descrente.

– Provavelmente ele já me conhecia. Quando me aproximei ele arregalou os olhos, me entregou as chaves e saiu correndo. – deu novamente de ombros e ligou o carro.

– O que está fazendo, Shizu-chan? – indagou confuso, vendo o loiro sorrir de canto.

– Sequestrando o noiv... quer dizer, a noiva! – riu.

– Há, há. Me lembre de matar aquelas três, principalmente a Namie-san. Aposto que foi ideia dela! – falou irritado – Espero que não nos mate em um acidente, Shizu-chan, há quanto tempo você não dirige?

– Alguns anos. – deu de ombros – Esse transito simplesmente me irrita. Prefiro andar a pé.

– E pra onde estamos indo? — você disse que não se importava se fosse apenas nós dois e... – fez uma careta – eu não quero tudo aquilo!

– E o que você pretende então? Ir a algum lugar deserto, fazermos nossos votos, trocarmos alianças e nos beijarmos apaixonadamente ao pôr-do-sol? – riu com sarcasmo.

– Por que não?

Izaya ficou surpreso e sem reação por exatos três segundos e então começou a rir de forma escandalosa.

– Você é realmente imprevisível, Shizu-chan! – disse ainda com ar de riso.

Shizuo continuou dirigindo até deixarem a área urbana e seguiu por uma estrada paralela por cerca de quinze minutos e parou no acostamento, logo saindo do carro e destrancando a porta de trás para que Izaya também saísse.

– Belo vestido. – provocou, indo até a cerca de proteção na lateral de todo o acostamento. De lá, era possível se ter uma bela vista com algumas montanhas ao longe.

– Há, há. Muito engraçado! – segurou a barra do vestido, se equilibrou nos saltos e seguiu o loiro – Nee, Shizu-chan... essa é a hora em que você se ajoelha e me faz juras de amor eterno? – arqueou uma sobrancelha e sorriu de forma debochada.

– Tsc. Como se eu fosse me ajoelhar!

– Oh, então quer dizer que só vai fazer as juras de amor?

– Calado, verme! – disse em tom ríspido, mas não estava irritado, na verdade, estava bastante constrangido pelo que estava por vir. Respirou fundo e fechou os olhos por dois segundos antes de se virar de frente para Izaya – Eu... – pigarreou – Eu não sei se isso vai dar certo. – o moreno arregalou os olhos e ficou vermelho. Não achou que Shizuo fosse levar a serio aquela história de votos – Não sei se vamos conseguir viver juntos sob o mesmo teto. Não sei se estaremos tentando nos matar daqui a uma semana ou mesmo daqui a alguns minutos. Você é a pessoa mais irritante que eu conheço e em boa parte do tempo o que eu quero é torcer o seu pescoço, mas, – pegou as mãos de Izaya e as segurou entre as suas – em todo o resto, eu só penso que eu não conseguiria ficar longe de você nem se eu quisesse e... preste bastante atenção no que eu vou dizer agora por que eu não vou repetir, entendeu? – suas bochechas se tornaram rubras, mas ele permaneceu firme, olhando nos olhos do informante – De alguma forma estúpida e completamente absurda eu... eu acabei me apaixonando por você e quero que isso dê certo, mesmo que seja só por uma semana.

Izaya estava sem palavras, seu coração batia tão forte que parecia a ponto de explodir. Por que Shizuo tinha que ter dito coisas tão... tão... Droga, Shizu-chan!

– Eu te odeio, seu loiro idiota! – entrelaçou seus dedos com os de Shizuo – Provavelmente vou te odiar pra sempre, e nem pense que algum dia vai se ver livre de mim, ouviu bem? – sorriu um pouco sem jeito, prendendo o lábio inferior entre os dentes e com o rosto completamente corado – Eu também quero que isso dê certo.

O loiro retribuiu o sorriso, havia entendido perfeitamente o significado daquele “eu te odeio”. Soltou uma das mãos de Izaya e pegou uma caixinha dentro do bolso da calça, logo a abrindo e revelando duas alianças douradas, pegou a menor e colocou no anelar esquerdo do moreno, onde se encaixou perfeitamente. Izaya repetiu o gesto, pegando a aliança restante e encaixando-a no anelar esquerdo do loiro. Ambas as mãos se entrelaçaram enquanto os olhares se cruzavam novamente, os sentimentos eram tão óbvios que palavras não eram necessárias. Seus rostos foram se aproximando devagar até que a distância entre seus lábios fosse inexistente, dando início a um beijo calmo, intenso e completamente apaixonado, no mesmo instante em que o sol começava a se pôr ao fundo.

***

“Não encontro o Shizuo em lugar algum e o celular está desligado.”

– A limusine em que o Izaya estava também sumiu.

– Ai, meu Deus! Eles foram sequestrados!

– Menos, Érika! – Namie tentou novamente o celular de Izaya, mas chamou até cair.

A cerimônia já estava com meia hora de atraso, isso por que os noivos decidiram simplesmente evaporar e ninguém fazia ideia de onde eles pudessem estar.

– Eles devem ter fugido juntos! Ai, que romântico! – os olhos da fujoshi começaram a brilhar enquanto enquanto ela mergulhava em mais um de seus devaneios.

“E por que eles fugiriam? Não faz o menor sentido!”

– Concordo. Mas se tratando daqueles dois...

A fala de Namie foi interrompida quando o celular de Celty vibrou, notificando que uma mensagem havia sido recebida. Uma mensagem de Izaya. As três se juntaram para ler a pequena frase enviada pelo informante.

“Façam bom proveito da nossa festa de casamento!”

E haviam duas fotos anexadas à pequena mensagem, a primeira, continha um par de mãos entrelaçadas, deixando em destaque as alianças douradas; e na segunda, um beijo apaixonado do casal com um belo pôr do sol ao fundo. Os olhos de Érika brilharam tão intensamente que pareciam dois sóis, ela chegou até a balbuciar algumas palavras desconexas, mas seu nariz logo começou a sangrar e ela teve a maior e mais intensa hemorragia de toda a sua vida.

Notas finais
Espero que esse epílogo tenha sido digno de toda a história da fic. Deixem um comentário, ok, garanto que os dedinhos de vocês não vão cair!!! >.o Bom, agora vamos a votação do lemon do especial: 1- mesa da Namie - 6 votos 2- banheiro do Rússia Sushi - 3 votos 3- praça de Ikebukuro - 11 votos Última chance pra votarem no lemon que vocês querem ler e lembrando que é necessário no mínimo 15 votos para que eu o escreva, e como esse é o epílogo e eu estou boazinha... caso mais de um tenha mais de 15 votos, eu também vou escrevê-lo, ou seja, se por algum milagre, as três opções ou apenas duas, receberem os 15 votos necessários, eu ficarei feliz em escrever todos eles! Mas vai depender de vocês! Bom, gostaria de agradecer desde já, à todos que leram, acompanharam, comentaram, favoritaram, recomendaram e deram sugestões, críticas e incentivos para que eu continuasse com a fic. Agradeço de coração, à todos e à cada um. É uma satisfação enorme concluir uma história que cresceu tanto, tudo por causa do apoio e incentivo de vocês! Obrigada! Mas como vocês sabem, isso não é um adeus, é apenas um até logo, afinal, ainda faltam os especiais e sem dúvida, logo, logo eu estarei de volta com alguma nova fic. Inclusive, pra quem se interessar, postei um especial de valentine's day, o nome é "Folhas Soltas" e obviamente, é Shizaya!!! Bjs!!! Não se esqueçam de votar!!!