Noiva Em Fuga
9 Capítulo 8 - O sádico e o masoquista
Notas iniciais
Já era praticamente dez da manhã quando o informante finalmente chegou ao prédio em que morava, teria chegado antes, mas decidiu fazer uma parada na primeira farmácia que encontrou. Demorou um certo tempo pra achar tudo o que iria precisar, desde remédios pra dor à pomadas cicatrizantes, não iria pedir ajuda a algum dos atendentes, seria um pouco embaraçoso ter que explicar o problema.
“Posso ajudar, senhor?”
“Claro. Preciso de algo pra concertar o estrago que um certo monstro fez quando me fodeu bem forte ontem à noite!”
Podia até imaginar a cara que o atendente faria se isso realmente acontecesse. Seria até interessante observar tal reação, mas estava tão cansado e com tanta dor, que mal conseguia se animar perante a chance de ver tão de perto a expressão chocada de um de seus preciosos humanos.
Entrou no elevador e apertou o botão do décimo segundo andar e encostou-se momentaneamente à parede metálica até que as portas se abriram e ele finalmente pôde entrar em seu apartamento.
– Você está horrível. – disse Namie observando-o de sua mesa.
– Bom dia pra você também, Namie-san. – fechou a porta e seguiu em direção às escadas. Nunca se arrependeu tanto de ter um apartamento de dois andares e ter seu quarto no segundo.
– O que houve com você? – perguntou mais por curiosidade que qualquer outra coisa.
– Preocupada?
– Tsk. – sua expressão facial era uma mistura de nojo com desdém – Só quero saber se corre risco de vida. Pro caso de eu ter que procurar outro emprego.
– Você é realmente um amor de pessoa! – disse sarcástico enquanto começava a subir as escadas. – Agora pegue todo esse seu amor por mim e me prepare um delicioso e relaxante banho.
Namie fez uma careta de desgosto mas acabou indo fazer o que lhe foi pedido.
– Já está pronto o seu banho. – disse assim que terminou, parando em frente ao informante – Não que eu me importe, mas por acaso você foi surrado por uma gangue e depois atropelado por um caminhão?
– Você gostaria que isso acontecesse, não é? – passou por ela e entrou no banheiro.
– Confesso que não ficaria nem um pouco triste. – encostou-se à porta do banheiro esperando por uma resposta dele.
– Você é tão cruel Namie-san! – falou em tom falsamente magoado e fez uma careta de dor ao retirar a blusa.
A secretária arqueou uma sobrancelha ao ver certas marcas espalhadas pelo corpo do chefe, começando a tirar suas próprias conclusões de acordo com algumas evidências: primeiro: o fato de Izaya ter chegado àquela hora da manhã usando roupas que claramente não eram dele; segundo: as marcas de mordidas e os arroxeados, que sem a menor dúvida eram chupões; e terceiro: ele estava andando de um jeito muito, muito suspeito.
Só havia uma conclusão pra isso tudo...
– Você foi estuprado? – ela perguntou indiferente, embora não acreditasse nem um pouco que o caso fosse esse.
...e só havia uma pessoa no mundo capaz de fazer um estrago daqueles em Izaya.
– Não sabia que o Heiwajima gostava desse tipo de coisa...
Izaya a encarou com uma sobrancelha levemente arqueada.
– Ah, não querida Namie, ele não me estuprou. Foi tudo absolutamente consensual! – sorriu cinicamente pra ela – E estou pensando seriamente em repetir a dose qualquer dia desses...
– Que nojo. – disse com repulsa – Esse Heiwajima não deve ser mesmo humano como você diz... Pra ter ido pra cama com você, com certeza ele não é normal.
Izaya não conseguiu evitar gargalhar alto ao ver a expressão enojada de Namie.
– Você diz isso mas lá no fundo eu sei que você morre de amores por mim! – disse em tom divertido vendo-a o encarar com desprezo – Sabe Namie? Bem que você poderia esfregar gentilmente as minhas costas enquanto eu tomo banho... – mal ele terminou de falar a secretária já havia lhe dado as costas – Prepare algo pra eu comer! – disse alto o suficiente pra que ela ouvisse.
Terminou de se despir e entrou na banheira, a sensação de alívio foi enorme ao ter seu corpo cansado e dolorido envolto pela água deliciosamente quente. Massageou com cuidado cada parte do seu corpo enquanto se ensaboava, fazendo uma careta de desconforto ao tocar seu ânus, ainda muito dolorido.
– Maldito Shizu-chan bem dotado! – começou a ensaboar/massagear as coxas, principalmente a parte interna onde havia uma concentração enorme de marcas de dentes e chupões – Definitivamente um monstro... – tocou numa área particularmente dolorida, bem próxima à virilha, onde Shizuo havia mordido um pouco antes de penetrá-lo com força. Havia doído, claro, mas também havia sido bastante excitante. – ... Mas que sabia bem o que estava fazendo.
Foi impossível não se lembrar de como o loiro o havia jogado naquela cama, de como ele o havia mordido e chupado tão avidamente, de como ele havia se enterrado nele com força suficiente para fazê-lo quase perder a consciência...
Tocou o membro com uma das mãos, massageando-o de forma lenta e suave até que ele endurecesse, então começou a intensificar os movimentos, indo cada vez mais rápido até finalmente gozar.
– Que ótimo! – exclamou sarcástico – Era só o que faltava, ficar com vontade de dar pro Shizu-chan de novo! – por fim apoiou a cabeça na borda da banheira, tentando normalizar a respiração.
“Não que essa já não fosse a intenção.” – pensou – “Mas era ele quem deveria ficar viciado nesse meu lindo corpinho!” – riu de forma escandalosa – “Que casal perfeito nós somos! Um sádico e um masoquista!”
Saiu da banheira e tomou uma chuveirada, afinal, a água da banheira não estava mais tão limpa. Se secou um pouco e enrolou uma toalha na cintura pra voltar pro quarto, deu de cara com Namie que vinha trazendo uma bandeja com comida e um copo de suco.
– Nada melhor do que comer algo preparado por minha querida Namie-san depois de um delicioso banho. – sorriu debochado. Ela com certeza pediria demissão antes de cozinhar qualquer refeição pra ele.
– Cozinhar pra você? Até parece! Peço demissão antes disso. – pôs a bandeja sobre o criado-mudo ao lado da cama – Isso é o seu jantar de ontem que você me pediu pra comprar, só o esquentei no microondas.
– Você é tão gentil... Há algo de urgente que eu precise saber?
– Não. Nada de urgente. Só alguns relatórios, mas eles podem esperar por um ou dois dias... ou até conseguir se sentar de novo. – sorriu com escárnio.
– Há, há. Muito engraçado. – foi até o guarda-roupa e pegou uma calça preta folgada, uma camisa preta de mangas curtas e uma cueca cinza (N/A: He He, acharam que era preta, não é!?) – Vou dormir um pouco. Pode tirar o resto do dia de folga se quiser.
A morena assentiu e saiu do quarto fechando a porta atrás de si. Izaya terminou de se secar e pegou os remédios que havia comprado; passou uma pomada sobre as marcas de chupões e mordidas para diminuir o arroxeado, uma pomada cicatrizante e um creme anestésico no ânus e deixou os comprimidos pra dor para depois que comesse, já que um deles também era um calmante e lhe daria sono. Vestiu as roupas e se sentou meio de lado na cama, apoiando a bandeja de comida sobre um dos travesseiros.
Torceu o nariz para a tigela de rámen, achava aquele prato um tanto sem graça, mas era o que esperava vindo de Namie. Começou a comer e se surpreendeu pelo gosto bom da refeição, o restaurante – seja lá qual fosse – estava de parabéns por fazê-lo gostar de algo tão simplório. Quando terminou de comer pôs os comprimidos na boca e os engoliu com a ajuda do suco, então devolveu a bandeja ao criado-mudo e foi escovar os dentes. Quando voltou fechou as cortinas completamente negras e se deitou – de bruços – em sua enorme e confortável cama e cobriu-se com um edredon. Seus olhos logo ficaram pesados por conta do cansaço e dos remédios e ele dormiu, mal percebendo quando Namie voltou ao quarto para buscar a bandeja.
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