Ainda me impressiono com tamanha fragilidade em que me contenho. Em dados momentos sendo consumido quase que por completo por uma angustia, que me persegue desde minha infância. Jamais consegui entender o motivo desse aperto, dessa solidão, desse sentimento tão distinto e escruciante, que vai e volta constantemente. Passo minha vida querendo ignora-lo, e quando estou imerso nele, querendo achar algo ou alguém que possa me livrar dele, mas jamais acho algo, muito menos alguém em que eu possa me segurar. Seria uma tremenda mentira dizer que já estou acostumado com isso, com os diversos fracassos dos quais eu passei, ainda mais no que tange os meus relacionamentos (se é que posso chamar minhas relações de relacionamentos). Raramente me surgi alguém que aflora em mim um suncito interesse e quando surge, ou eu estrago tudo, ou a pessoa estraga tudo, ou pior, a pessoa não quer absolutamente nada. Em alguns casos, ainda fica tirando proveito da situação.
No final das contas, pego-me destruido e mesmo com as diversas experiências tentando ajudar a tudo e a todos que estão a minha volta, recebendo apenas desgostos e infelicidades, continuo sacrificando-me em prol do bem do próximo. Abdico de minha própria felicidade e de minha própria paz para ver alguém que sequer se importa realmente comigo em proteção. Muitos podem ver isso como prova de tolice – eu mesmo vejo dessa forma – mas prefiro ser um tolo infeliz tendo as pesssoas a minha volta bem do que um tolo infeliz cercado de seres infelizes. Tenho eu o conceito de felicidade como momentos, não como um estado eterno. Sei que é feliz quem está com constância em momentos de felicidade, algo que eu passo longe de ter. Então, tudo que posso fazer é tentar subir ao máximo possível para a mais alta montanha procurando por momentos de paz, e nesse caminhar, tentar trazer comigo o máximo de paz para as pessoas a minha volta. Pois sei que não sei dos motivos da vida, muito menos tenho um motivo para a minha vida, contudo, se eu não tiver mais minha vida, jamais terei oportunidades de procurar por motivos.
Minha fé acerca das pessoas torna-se cada vez menor. Quanto mais eu convivo nesse meio social, mais sinto vontade de afastar-me do mesmo. Constantemente pego-me deitado em minha cama, ouvindo uma delicada música e sem conseguir dormir. Cada vez mais perdido, cada vez com maiores dificuldades para dormir. Muitas vezes acabo angustiado, sem saber o que fazer, apenas com vontade de gritar aos sete ventos, mas nem isso posso fazer. Então, o dia finalmente amanhece, todo aquele tormento passa a hibernar novamente, aguardando um próximo momento para despertar. No final, já percebi que estou contido num ciclo. E mesmo achando as respostas para tanta angustia, ainda estarei preso num ciclo, um novo ciclo, em busca de entender essas respostas.
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