Noite sem Fim

74 Uma grande decisão - parte 4


Já no interior do seu escritório particular, Sesshoumaru estava sentado á uma mesinha mexendo em seu laptop sob os olhares atentos de InuYasha. O jornalista estava procurando mostrar para o irmão, algo interessante que descobriu.


INUYASHA – Deixe-me ver se entendi. Você disse que passou a noite em claro porque estava revendo os dados fornecidos por Onigumo sobre aquela conta secreta do Grupo Naraku?


SESSHOUMARU – Isso mesmo. (continuando a digitar)


INYASHA – Mas nós já vimos isso e mais, Onigumo fez isso mais detalhadamente. E nada foi encontrado.


SESSHOUMARU – Eu sei. (ele para de digitar para olhar para o irmão) – Mas desde o atentado que Momiji sofreu, uma pergunta não saía da minha cabeça. Como Natsume descobriu que Momiji ia nos falar de sua fonte? Pois ela foi morta por isso.


INUYASHA – A própria fonte deve tê-la entregado-a.


SESSHOUMARU – Mas Momiji era uma jornalista extremamente cautelosa com suas fontes. Quando me ligou, ela estava disposta a falar quem era a fonte e não faria isso sem o mínimo cuidado.


INUYASHA – Ainda não entendi. O que descobriu de novo?


SESSHOUMARU – Ok. (ele volta a digitar) – Sabemos que Momiji gostava de trocar pessoalmente suas informações. Ela desconfiava de telefones, celulares, bips, pois achava que poderia ser rastreada, portanto eu acho que foi uma pessoa que delatou Momiji. Uma pessoa dentro do jornal.


INUYASHA – Espere aí! Está falando de um espião dentro do jornal em que você e ela trabalhavam? Está falando de outro jornalista ou de seu chefe?


SESSHOUMARU – Eu não sei porque minha pista termina aqui. (ele para de digitar e na tela aparece a frase ‘acesso negado’)


INUYASHA – No que você não tem acesso?


SESSHOUMARU – Baseado na minha desconfiança, eu cruzei os dados fornecidos por Onigumo com os nomes de todos os funcionários do Diário da Manhã. Empregados diretos e os terceirizados também. Descobri que o dinheiro desviado do Grupo Naraku passou por uma conta em nome de um desses funcionários, mas não consigo ter acesso ao nome dele.


INUYASHA – Por que será isso?


SESSHOUMARU – Com certeza ele tem alguma proteção dentro dos órgãos de investigação. (ele respira fundo) – Eu poderia ter entregado isso á Agência Imperial, mas eles estão escondendo algo da gente, portanto, não me sinto obrigado a contar á eles.


INUYASHA – Acho que fez bem.


InuYasha fica pensativo com aquela descoberta para tentar imaginar quais eram os reais objetivos de Natsume e enquanto isso em um parque de diversões, Miroku observava as filhas se divertindo na montanha russa ao mesmo tempo em que falava com Midoriko pelo celular.


MIROKU – Olha promotora, eu agradeço muito por sua ajuda em limpar meu nome, mas infelizmente não posso ajudá-la nisso. Se a Agência Imperial esconde coisas da senhora que está ligada á justiça, devem esconder muito mais de mim, que até outro dia era suspeito.


MIDORIKO – Mas não estou me referindo á Agência e sim aos seus amigos. Tenho certeza que eles estão investigando por conta própria.


MIROKU – O que a senhora quer deles? (ele percebe que a roda gigante da montanha russa parou)


MIDORIKO – A Agência Imperial foi instruída a deixar de fora os outros órgãos de investigação. A promotoria de Justiça está no escuro e isso é algo que não me agrada. Saiba Miroku que eu posso ajudá-los.


MIROKU – Eu ainda não conversei com InuYasha e os outros. Se tiver alguma coisa, eu ligo para a senhora. (ele vê as filhas saindo da montanha russa e acena para elas virem até ele) — Sei da sua decência, promotora.


MIDORIKO – Obrigado pelas palavras e saiba que se um dia voltar a querer ser promotor, terá meu apoio.


MIROKU – No momento só quero minha reputação de volta, mesmo assim obrigado. Agora tenho que desligar. As minhas filhas estão vindo.


Miroku desliga seu celular e vê Soten e Tamira de mãos dadas. Ambas sorriam muito deixando Miroku extremamente feliz.


MIROKU – Vejo que se divertiram muito.


TAMIRA – Sim, papai. (pulando no colo dele)


SOTEN – Incrível com Tamira não teve medo. Eu, por outro lado, quase tive um ataque. Fico meio desconfortável em lugares altos.


MIROKU – Eu sei disso Soten. Por isso foi muito especial ter acompanhado sua irmã nessa pequena aventura nas alturas. (sorrindo)


TAMIRA – Por que o senhor não vem também?


SOTEN – Ela tem razão. O senhor ficou a maior parte do tempo falando no celular.


MIROKU – São coisas chatas que tenho que cuidar. (ele coloca Tamira de volta no chão) – Mas agora que tal um sorvete?


SOTEN – Essa é uma boa pedida.


Soten ficou feliz, mas Tamira não demonstrava o mesmo entusiasmo o que chamou a atenção tanto da jovem como de Miroku.


MIROKU – O que foi Tamira? Pensei que iria ficar contente. Afinal foi algo prometido por mim.


TAMIRA – Eu sei, papai, mas eu não posso tomar sorvete.


SOTEN – Você já está curada, Tamira. Não precisa ter medo. Não vai ficar doente e...


TAMIRA – Não é isso. Eu não posso tomar sorvete porque a mamãe não vai permitir.


MIROKU – Como assim, Tamira? Do que está falando?


TAMIRA – A mamãe não permite que eu tome sorvete antes de almoçar. Ela fala que isso tira o apetite.


SOTEN – Mas Sango não está aqui. (ela se agacha para ficar na altura de Tamira) – Eu não conto á ela se você não contar.


TAMIRA – Mas eu não gosto de mentir para a minha mãe.


SOTEN – Mas...


MIROKU – Espere Soten. (ele coloca a mão no ombro da jovem) – Deixe que eu fale com ela. (ele se agacha para olhar nos olhos de Tamira) – Tudo bem, querida. Não tem que mentir para sua mãe e é muito bom saber que você obedece às ordens dela.


TAMIRA – Obrigada, papai.


Soten observava curiosa como um homem como Miroku aceitava aquela limitação imposta por Sango á filha tão pacificamente. Soten sabia que era importante manter uma boa alimentação, mas uma fuga dos padrões não seria um crime tão condenável assim. Nesse momento Miroku ficou de pé e foi comprar uns biscoitos de uma barraquinha que estava ali perto. Tanto Soten quanto Tamira não entenderam aquela atitude. Segundos depois, ele voltou para junto das filhas e olhou para a menor dando-lhe um biscoito.


MIROKU – Sabe porque o almoço é tão importante, Tamira?


TAMIRA – Não sei.


MIROKU – Todas as crianças, em fase de crescimento, devem ingerir todos os nutrientes indispensáveis para seu desenvolvimento. (ele dá outro biscoito, desta vez para Soten) – É por isso que sua mãe, não quer que tome sorvete antes do almoço e sim depois.


TAMIRA – Mas porque está dando esses biscoitos?


MIROKU – Bem. (ele mostra a embalagem do biscoito) – Como podem ver, esse biscoito tem todos os nutrientes para um bom crescimento.


Depois dessas palavras, Miroku comeu um biscoito. Soten e Tamira sorriram, pois entenderam o que Miroku queria dizer e por isso comeram os seus respectivos biscoitos.


SOTEN – Esse foi um bom almoço, não? (piscando para Tamira)


TAMIRA – Muito bom mesmo.


MIROKU – Ótimo. Agora vamos tomar sorvete.


TAMIRA – Oba! Eu quero de chocolate.


Depois desta demonstração de distorção de lei, bem típica de advogados, Miroku levou as filhas até á uma barraquinha de sorvete, mas o que nenhum dos três podia imaginar era que estavam sendo observados de longe por Sango, que estava na companhia de Guy.


SANGO – Realmente demos sorte que um dos suspeitos morasse aqui perto. Assim deu tempo para fazer isso.


GUY – Eu não entendo por que tem que ficar de longe. Por que não se aproxima e fale com eles?


SANGO – Eu não quero. Esse é um momento só deles. Miroku tem que tirar o atraso desses anos todos.


GUY – E por falar em tirar o atraso, como está a relação de vocês?


SANGO – Eu não sei. (ela abaixa o binóculo e fica com um olhar triste) – A nossa situação é um tanto inusitada, pois antes do desaparecimento dele, estávamos separados e tínhamos dito coisas horríveis um para o outro. Agora não sei como lidar com isso. Eu não sei se ele sente o mesmo que eu.


GUY – Eu não sei, mas acho que você ficou um pouco chateada por ele ter confiado em Koharo em vez de você.


SANGO – Um pouco, mas a atitude dele foi compreensível, afinal eu estava noiva de Zakira enquanto Koharo... (ela para de falar ao perceber a gafe que estava cometendo)


GUY – Pode falar, Sango. Miroku confiou em Koharo porque sabia que ela também era apaixonada por ele e faria qualquer coisa para ajudá-lo. Sei disso perfeitamente.


SANGO – Me desculpe, Guy. Eu me esqueci completamente do que houve entre você e Koharo e...


GUY – Esse que é a pior parte. Não houve nada. Ela só me usou para ajudar Miroku.


Sango e Guy estavam tão tristes com suas respectivas dúvidas amorosas que nem perceberam que Miroku os tinha avistado. Ele notou que as filhas não perceberam nada e então sabia o que tinha que fazer.


MIROKU – Hei meninas! Eu vou ver uma coisa e já volto.


TAMIRA – Aonde o senhor vai, papai?


MIROKU – Eu vou logo ali e já volto. (ele olha para Soten dando-lhe dinheiro) – Vão na frente e compre os sorvetes que depois eu as alcanço.


SOTEN – Como quiser, senhor. (ela solta um sorriso tímido) – Mas não garanto que o seu irá durar.


Miroku passa, carinhosamente, a mão no rosto de Soten, que retribuiu o gesto com outro sorriso para em seguida pegar na mão de Tamira para irem até a barraquinha de sorvete. Miroku observava as filhas se afastando, mas concentrou o olhar na filha recém adotada por saber que esta estava se esforçando para não demonstrar tristeza pela separação com Shippou. Como pai, Miroku não podia fazer nada a não ser estar ao seu lado quando a filha precisasse. Depois disso, Miroku ficou olhando para o local onde Sango e Guy estavam. Olhou mais precisamente para a própria Sango que percebeu que fora descoberta. Sentiu-se uma idiota por vigiá-lo de longe e sabia o que fazer.


SANGO – Eu vou falar com ele.


GUY – Ok, mas não demore muito. Temos que falar outro suspeito.


SANGO – Ta.


Guy viu Sango saindo de trás da arvore e se afastando dele lentamente enquanto ia á direção de Miroku. Decidiu voltar para o carro enquanto Sango ficava frente á frente com Miroku.


SANGO – Oi. (sorrindo meio constrangida)


MIROKU – Oi de novo. Tamira está com Soten, mas acho que você já sabe disso. Afinal não tirou os olhos de nós. (em um tom sério)


SANGO – É. (continuando sem graça) — Eu posso falar com você?


MIROKU – Claro. Vamos sentar em um banco.


Miroku e Sango caminham calmamente até um banco e enquanto isso o carro oficial do partido trabalhista que levava Kagome, Shippou e Rin, estaciona perto da escola de informática á qual Shippou falou mais cedo. Assim ele sai do veículo, mas Kagome ainda fala com ele pela janela do carro.


KAGOME – Não se esqueça de pegar o Genku mais tarde.


SHIPPOU – Pode deixar. Depois que eu falar com o dono da escola, irei imediatamente para o colégio.


KAGOME – Está bem.


SHIPPOU – Então vou indo e...


KAGOME – Espere, Shippou.


SHIPPOU – O que foi agora?


KAGOME – Olha. (ela segura a mão dele) – Embora ainda ache uma loucura você interromper os estudos, não posso negar que estou orgulhosa de você. (ela passa a mão no rosto dele) – Estou tão feliz que tenha se tornado um homem de bem.


SHIPPOU – Kagome.


KAGOME – Espero que não tenha ficado chateado com minhas palavras mais cedo. Você sabe que eu te amo e só quero vê-lo feliz. Agora vá.


SHIPPOU – Ta! Então tchau para as duas.


Shippou se despede de Kagome e Rin e entra na escola de informática. Ao ver aquela cena de agora pouco, Rin ficava ainda mais inconformada com a farsa de Satsuki. A esposa de Sesshoumaru sabia que aquilo não poderia continuar. Já com o carro novamente em movimento, Kagome percebeu que a amiga parecia distante e pensativa.


KAGOME – O que houve, Rin?


RIN – O que? (voltando a si)


KAGOME – Você parece meio distante. (ela sorri) – Já sei! Deve estar tão incomodada quanto eu sobre essa gravidez, não?


RIN – Como assim?


KAGOME – É que eu estive pensando que mais cedo estava incomodada pelo fato de saber que me tornarei avó aos 35 anos, mas aí percebi o seu caso. Você, como madrasta de Satsuki, vai se tornar uma espécie de vovó postiça. (rindo) – Com 28 anos.


RIN – Eu nem tinha reparado nisso. (sorrindo também)


KAGOME – Apesar de não ser a mãe de Satsuki, sei perfeitamente o quanto gosta dela.


RIN – Apesar de um começo meio tumultuado, acabamos nos tornando amigas.


KAGOME – Isso aconteceu por influência da mãe dela. Kagura sempre fez questão de sabotar seu casamento e não se importava em usar a filha para isso.


RIN – É. (algo vem á mente de Rin para puxar um assunto) – Por falar em mães, soube que fez as pazes com a sua.


KAGOME – Fiz sim. Ela errou muito ao mentir para mim, mas o arrependimento dela é sincero. E também não faz sentido ficar brigada com ela para sempre, sem falar que isso faz mal á saúde.


RIN – Então apesar de sua esterilidade, apesar dos anos sendo enganada, apesar de tudo isso você esqueceu-se de o que ela te fez?


KAGOME – Claro que não, Rin! Perdão não é amnésia. (ela fica com um olhar triste) – Sempre fica uma ponta de mágoa, mas temos que entender que as pessoas nem sempre mentem porque são más, mas porque tem medo. Receber o desprezo de alguém que a gente ama e confia é algo apavorante.


RIN – Sei. Então quer dizer que você perdoaria alguém que cometeu um erro grave contra alguém que você ama?


KAGOME – Eu não sei, Rin! Mas porque está falando disso?


RIN – É só um exemplo, Kagome não é nada.


Rin queria sondar para ver se Kagome perdoaria Satsuki sobre o caso da gravidez, mas ainda não tinha coragem para abrir o jogo. Kagome olhou meio desconfiada para a amiga como se desconfiasse que ela quisesse dizer algo, mas Rin nada disse e queria mais do que nunca mudar de assunto.


RIN – Vai, Kagome. Diz-me o verdadeiro motivo de me levar ao seu comitê eleitoral.


KAGOME – Lá você vai saber, amiga.


Kagome voltou a sorrir fazendo Rin sorrir também, mesmo que forçadamente, pois não se sentia bem em esconder aquilo da amiga, mas achou que era melhor a própria Satsuki falar a verdade. Por isso quando retornasse iria tentar convencer a enteada a abrir o jogo com o noivo e enquanto isso no parque de diversões, Sango e Miroku estavam sentado em um banco de madeira e a detetive ainda não tinha dito nada.


MIROKU – Você queria falar comigo, mas até agora não disse nada.


SANGO – Tem uma coisa que eu queria te perguntar


MIROKU – Então pergunte.


SANGO – Eu senti que você me tratou de maneira fria hoje mais cedo no departamento de polícia. Assim como está me tratando agora.


MIROKU – Não sei do que está falando. (virando o rosto) – Faça sua pergunta de uma vez. As meninas estão me esperando.


SANGO – Ta. (ela olha bem nos olhos dele) – Você está chateado comigo por eu ter ficado noiva do Zakira?


MIROKU – O que?! Do que está falando?!


SANGO – Isso o que ouviu! É por isso que está me tratando com tanta indiferença. Acho que está pensando mal de mim e...


MIROKU – Acha que eu penso mal de você porque saiu, transou e ficou noiva de outro homem quando achou que eu estivesse morto?


SANGO – Não!Não é por isso. Acho que pensa mal de mim por ter me envolvido com alguém tão perigoso quanto Zakira que colocou a vida de nossa filha em perigo. Não é por isso que está chateado comigo?


MIROKU – Sango. (ele segura os ombros dela) – Mas é claro que não estou chateado com você por causa disso. Você não tem culpa nenhuma pelo o que houve com Tamira. Não tinha como adivinhar que Zakira era um bandido. Você está triste e carente por criar uma filha sem pai e apenas buscou recomeçar sua vida.


SANGO – Então por que esse tratamento tão distante?


MIROKU – Sango. (ele se levanta para ficar de pé) – Nesses últimos cinco anos não houve um dia que eu não pensasse em você duas. Eu sentia ódio por Natsume que me obrigava a conviver com aquilo. Foram anos terríveis para mim.


SANGO – Eu imagino.


MIROKU – Mas isso não acabou, Sango, pois Natsume está por aí e pretende fazer algo. Não vou ficar tranqüilo enquanto não vê-la atrás das grades.


SANGO – Eu sinto o mesmo.


MIROKU – Tenho que pensar nas minhas filhas. Agora que Tamira está bem, posso me concentrar em Soten. (ele fica com um olhar triste) – Apesar de demonstrar força, sei bem que ela está arrasada com a gravidez de Satsuki. Eu tenho tanto coisa para cuidar.


SANGO – Eu também tenho muito que cuidar. Tenho que encontrar esse estrangulador antes que faça mais vítimas.


MIROKU – Você viu? Temos muito que fazer e enquanto isso permanecer, nós não poderemos discutir nossa relação. Se é que ainda tem alguma relação.


Aquele questionamento feito por Miroku fez o coração de Sango disparar ao perceber que ele duvidasse que ela sentisse algo por ele. Para ela aquilo era um absurdo, pois era claro que eles tinham uma relação. De algum modo, Tamira os unira para sempre. Quando a detetive ia falar alguma coisa, seu bip começa a tocar.


SANGO – É o Azuma.


MIROKU – Melhor você ir. Tem trabalho a fazer. (ele dá as costas á ela) – Concentre-se nele.


SANGO – Continuamos essa conversa outra hora e...


MIROKU – Acho que conversamos tudo, não acha?


SANGO – Não! Eu não acho.


Depois de dizer isso Sango se afasta de Miroku para se juntar á Guy a fim deles voltarem para o departamento de polícia. Ao observar a mãe de sua filha sumindo no horizonte, Miroku fica pensativo quanto á conversa de agora pouco, pois ele percebeu que havia a possibilidade dele estar tratando Sango friamente por causa de Zakira. Ele ainda a amava, mas os sentimentos ainda estavam confusos. Ambos não eram mais os mesmo de cinco anos atrás. Quando começou a caminhar para se juntar ás filhas, seu celular tocou e ao ver o numero do celular de InuYasha no visor do aparelho, atendeu imediatamente e continuou andando.


MIROKU – InuYasha?


INUYASHA – Sim, sou eu mesmo, Miroku.


MIROKU – Foi hoje que consegui esse celular. Como descobriu o numero dele?


INUYASHA – Eu liguei para Tanuki. Ele me deu o numero.


MIROKU – Entendo. O que quer falar comigo?


INUYASHA – Eu e Sesshoumaru precisamos de sua ajuda.


MIROKU – Estou ouvindo. Prossiga.


INUYASHA – Vou resumir o máximo que puder. Nesse momento estou na casa de Sesshoumaru que fazendo uma pequena investigação conseguiu chegar á uma conta bancária cruzando os dados fornecidos por Onigumo com os nomes dos funcionários do jornal onde trabalha.


MIROKU – Por que ele fez isso?


INUYASHA – Ele acha que tem algum espião infiltrado no jornal. Isso explicaria por que mataram Momiji. O dono da conta deve ser o espião.


MIROKU – E precisam da minha ajuda para quê?


INUYASHA – A pista de Sesshoumaru acaba aí, pois não conseguimos o nome do dono da conta bancária. Você não conhece alguém que possa nos ajudar nisso? Que não seja da Agência Imperial.


MIROKU – Sei, mas por que não fale isso com Sango? Acabei de falar com ela e...


INUYASHA – A Sango não pode nos ajudar. Ela está muito atarefada no departamento de polícia sem falar que ela está um pouco chateada comigo por causa da estória da jóia de quatro almas.


MIROKU – Ela deve estar mais chateada é você ter falado com Kanna.


INUYASHA – Acho que sim.


MIROKU – Mas não se preocupe. Sango supera isso. Agora quanto á ajuda sobre a conta acho que sei que pode ajudar.


INUYASHA – Quem?


MIROKU – Você vai ver.


INUYASHA – Ok.


Miroku desliga seu celular e naquele momento vê Soten e Tamira andando na direção contrária a dele, encontrando-se no meio do caminho. Tamira foi correndo para o colo dele.


TAMIRA – Papai! Eu tomei dois sorvetes de chocolate.


MIROKU – Poxa! Que bom, mas e o meu?


SOTEN – Ficou sem. Eu avisei o senhor que ia ficar sem sorvete. Tamira e eu chupamos o seu.


MIROKU – Eu tive falando com um conhecido. Não me dei conta do tempo. Eu sinto muito.


Miroku sorriu para Soten, que simplesmente ficou de costas para ele e de braços cruzados mostrando contrariedade com a atitude relapsa dele, mas aquilo era fingimento misturado com brincadeira.


SOTEN – Que pai é esse que abandona as filhas? (ela se vira de volta mostrando a língua) – Não é?


MIROKU – Você me mostrando a língua era uma das coisas que sentia saudade nesses cinco anos.


TAMIRA – Aonde vamos agora, papai? Vamos andar de carrinho?


MIROKU – Infelizmente tenho más notícias. Tenho que ir embora. InuYasha quer que eu o ajude em uma coisa. Não posso me negar a ajudar.


TAMIRA – Não vai não, papai! O senhor prometeu que ia passa o dia comigo.


MIROKU – Eu sei, meu amor. (ele a pega no colo) — Não sabe o quanto queria isso, o quanto sonhei com isso, mas nós adultos somos chatos mesmos. Sempre com nossos compromissos inadiáveis. (ele dá um beijo na bochecha dela) – Haverá outros dias.


TAMIRA – Ta, mas eu vou cobrar.


MIROKU – Pode cobrar. (ele a coloca no chão para depois olhar para Soten) – Cuide dela para mim.


SOTEN – Mas é claro. (ela fala baixo para Tamira não escutar) – O que o senhor InuYasha quer com o senhor? É a respeito daquela Natsume?


MIROKU – Sim. (ela fala baixo também) – Portanto cuide de Tamira. Estou confiando em você.


SOTEN – Claro. (já falando em tom normal)


MIROKU – Ok. Eu vou indo.


Miroku dá um beijo no rosto das duas filhas para depois se afastar e usar seu celular para ligar para alguém. Vendo o pai se afastando, Soten e Tamira voltam a falar.


TAMIRA – Mas por que o papai teve que ir embora?


SOTEN – Ele foi ajudar um amigo. O senhor InuYasha.


TAMIRA – Ah sim! O pai do Genku e do Shippou.


SOTEN – É, pai do Shippou. (ela fica triste ao ouvir aquele nome e depois tenta se animar) – Já que estamos sozinhas, vamos brincar no bate-bate.


TAMIRA – Oba.


Soten guiou Tamira para o brinquedo, mas ela não conseguia esconder a enorme tristeza que sentia ao ouvir o nome do ex. namorado. Ela tentava se mostrar forte, mas a gravidez de Satsuki a machucava muito, pois ela fora a responsável pela separação dela com Shippou, mas em nenhum momento desejou que acontecesse algo de ruim com a rival e o bebê e enquanto isso na região onde era o esconderijo de Natsume, as escavadeiras haviam retirado a maioria do entulho e foi assim que Abi e os agentes imperiais puderam ver dois corpos no meio dos escombros.


AGENTE – Reconhece, senhora?


ABI – Claro que sim. Reconheço os dois.


AGENTE – Os dois?


ABI – Um é Kageroumaru. Ele era nosso informante. Acho que deve ter sido descoberto. (ela retira o celular do bolso dele) – Foi com isso que conseguimos rastreá-lo até aqui, mas chegamos tarde demais.


GENTE – E o outro corpo? Quem é?


ABI – O nome dele é Takeshi. Foi membro de um grupo chamado Vitória para a humanidade que lutava contra a pena de morte, mas o mais importante é saber que ele é o verdadeiro pai de Momiji.


AGENTE – Pai e filha foram mortos no mesmo dia, mas que triste coincidência.


ABI – Isso se for coincidência.


AGENTE – Acha que os dois casos estão ligados?


ABI – Eu não sei, mas vamos ter que rever nossa investigação. (ela olha ao redor) – Estamos perdendo algo. (ela olha para o agente imperial) – Convoque todos os agentes responsáveis pelo caso, inclusive os que estão vigiando o irmão de Ryoma. Vamos nos reunir na sede.


AGENTE – Sim, senhora.


Abi começava a desconfiar de que as mortes de Takeshi e Momiji talvez não fossem coincidência e enquanto isso em seu escritório no centro da cidade, Hank, que estava acompanhado de Elisa, ouve batidas na porta e então Elisa vai abri-la. Ao fazer isso a primeira dama dá de cara com Ozai.


ELISA – Você é o mensageiro?


OZAI – Sim.


ELISA – Certo. (ela olha para Hank) – Ele chegou.


HANK – Ótimo. (indo até a porta) – Tome isso. (entregando um envelope á Ozai) – Aqui estão as coordenadas.


OZAI – Sim senhor.


HANK – Essa missão não existe espaço para falhas, entendeu?


OZAI – Mas é claro, senhor. Entregarei isso somente para o senhor.


HANK – Agora vá.


ELISA – Ah sim! Sabe muito bem qual nome deve usar para chamar Ryoma, não?


OZAI – Mas é claro que sei. Roji.


Depois de falar isso, Ozai sai dali para cumprir sua missão de levar aquelas coordenadas e enquanto isso, Roji, irmão gêmeo de Ryoma, estava olhando pela janela para se certificar que os agentes imperiais não tinham voltado depois de serem chamados.


ROJI – Graças á Kami que não voltaram. Pensei que iam ficar o dia inteiro.


Depois de sair da janela, Roji foi para seu quarto a fim de tirar a roupa para tomar banho e assim ir para seu emprego na central de eletricidade da cidade de Tóquio. Mas ao entrar no quarto, ele tem a desagradável surpresa de encontrar Ryoma sentado em sua cama e apontando uma arma contra Joy, esposa de Roji.


RYOMA – Oi maninho.


ROJI – Ryoma?!


RYOMA – É assim que recebe seu irmãozinho depois de anos?! (se levantando da cama ainda apontando a arma contra a cabeça de Joy)


JOY – Ele vai nos matar.


ROJI – O que está fazendo, Ryoma?! Solte minha esposa.


RYOMA – Eu não vou machucar a minha linda cunhadinha se você colaborar comigo.


Roji percebeu que o irmão não estava brincando quanto á ameaça á esposa. Teria que fazer o que Ryoma mandasse mesmo não sabendo os motivos.



Próximo capítulo = O início da missão derradeira – parte 1