Noite sem Fim
72 Uma grande decisão - parte 2
Guiando seu carro rumo ao cemitério, InuYasha ainda estava curioso com a afirmação de Shippou de que a decisão sobre o futuro com Satsuki era dele.
INUYASHA – Shippou. (olhando-o pelo retrovisor) – O que pretende fazer?
SHIPPOU – Vocês saberão.
KAGOME – Mesmo assim devemos discutir a situação. Você e Satsuki são muito jovens.
SHIPPOU – Tudo bem. Teremos essa reunião.
Apesar de não estar muito entusiasmado com aquela pequena reunião familiar na casa de Sesshoumaru, Shippou iria participar dela e naquele exato momento, seu celular começa a tocar. Ele olha no visor do aparelho e não reconhece o numero, mas mesmo assim o atende.
SHIPPOU – Alô.
SOTEN – Shippou! Sou eu.
SHIPPOU – Soten?!
SOTEN – Eu mesma. O senhor Miroku me presenteou com um celular. Você tinha que ser a primeira pessoa para quem ia ligar.
SHIPPOU – Você está com Miroku?
SOTEN – Sim. (ela acaricia a cabeça de Tamira) – Estamos indo para o cemitério.
SHIPPOU – Nós também. A gente se vê por lá.
SOTEN – Claro.
De repente o silêncio se estabelece, entre ambos, devido á situação um tanto inusitada depois do fim do rápido namoro que tiveram, mas sabiam que era um assunto que não podiam negar. Uma hora teriam que falar dele.
SHIPPOU – Como você está?
SOTEN – Está difícil, Shippou. Mais do que eu imaginei.
SHIPPOU – Eu sinto muito. Não queria fazê-la sofrer e...
SOTEN – Não é culpa sua, Shippou. Não é culpa de ninguém. Você vai ser pai e não pode desamparar a mãe do seu filho. Além do que você mesmo me disse que ainda sentia algo forte por Satsuki. Você não me enganou. Não precisa se sentir culpado.
SHIPPOU – Eu não queria perder sua amizade, mas diante das circunstâncias é melhor nos afastarmos por um tempo.
SOTEN – Concordo. Esse tempo eu vou usar para reforçar os laços familiares com o senhor Miroku e Tamira. Agora eu tenho uma família de novo.
SHIPPOU – Então aproveite isso e quem sabe no futuro sejamos amigos de novo.
SOTEN – Quem sabe. Agora tenho que desligar. Tchau.
Soten desliga seu celular ao mesmo tempo em que tenta segura as lágrimas, mas, por estar com ela no banco de trás, Tamira percebe a tristeza da ‘irmã’.
TAMIRA – Está chorando, mana?
SOTEN – É só um cisco no olho, Tamira. Estou bem. (ela olha para a menina e sorri) – Estou bem, vamos nos divertir muito hoje.
TAMIRA – Sim.
Soten sorria forçadamente para não estragar o dia feliz que Tamira estava querendo ter com sua tristeza pelo fim do relacionamento com Shippou. Nesse momento, Miroku, que estava guiando o carro, se manifesta para as duas.
MIROKU – Talvez seja bom mudarmos nossa programação. Acho que não é bom Tamira ir á um cemitério. (ele olha para Soten pelo retrovisor) – Melhor você ficar com Tamira no carro enquanto faço uma visita rápida ao túmulo do meu padrinho. Posso dar minhas condolências á Botan outra hora. (ele sorri) – Assim podemos ir ao parque mais cedo.
TAMIRA – Oba!
SOTEN – Obrigada, senhor.
Soten agradeceu á Miroku, pois sabia que ele tinha decidido aquela mudança por causa dela, para que ela não tivesse que se encontrar com Shippou e sofrer ainda mais e enquanto isso na sede da Agência Imperial, mais precisamente em sua sala, Abi recebia a visita de um subordinado dela.
AGENTE – Senhora superintendente.
ABI – Pode falar.
AGENTE – Conseguimos a localização do informante.
ABI – Finalmente. (ela se levanta á mesa) – Isso não deveria demorar tanto. Esperamos um contato dele á noite toda.
AGENTE – Infelizmente o chip foi danificado o que dificultou a triangulação.
ABI – Não quero mais perder tempo. Eu mesma quero ir até lá. O imperador quer resultados já que Miroku não tinha nada e Natsume continua foragida. É nossa única pista.
AGENTE – Mas e quanto á Roji?
ABI – O irmão de Ryoma continuará sendo vigiado, mas apenas como protocolo, pois não há indícios de que ele tenha entrado em contato com o irmão. É um beco sem saída. Devemos nos concentrar em nosso informante.
AGENTE – Acha que ele nos traiu e acabou fugindo?
ABI – Sinceramente, eu não sei.
Abi, junto com o agente imperial, saiu de sua sala para comandar aquela missão. Aparentemente a Agência Imperial tinha um informante dentro da conspiração de Natsume.
UMA HORA MAIS TARDE
No cemitério onde estava acontecendo o velório de Momiji havia muitos colegas jornalistas que estavam ali para dar os pêsames á Botan e também prestar a última homenagem á jornalista. Tanuki permaneceu o tempo todo ao lado de Botan, que ainda estava inconformada com a morte da irmã. InuYasha, Kagome e Shippou estavam juntos depois de falarem com Botan, que continuava chorando. Sesshoumaru, Satsuki e Sara também estavam presentes. Para Sesshoumaru aquilo era meio constrangedor, pois todos sabiam o que Momiji sentia por ele, o que abalou seu casamento. InuYasha foi até ele.
INUYASHA – Sesshoumaru.
SESSHOUMARU – De certa forma isso foi culpa nossa. (olhando para Botan chorando)
INUYASHA – Claro que não! Foi Natsume que mandou matá-la. Sem falar que a própria Momiji sabia que tipo de gente estava lidando.
SESSHOUMARU – Essa é a questão. (ele olha para o irmão) – Esse tipo de gente. Estamos lidando com espiões profissionais. (ele olha ao redor) – Eles podem estar aqui nesse momento.
INUYASHA – E eu não sei disso? (ele olhava ao redor também) – Essa operação de Natsume é muito grande. Seja lá o que for seu objetivo, deve ser algo assustador.
SESSHOUMARU – Concordo. Isso não é só uma mera vingança. Natsume está tramando algo e precisamos descobrir. Eu passei a noite em claro e pensei em algo, mas não vamos discutir aqui e sim lá em casa.
INUYASHA – Ok! (ele olha Satsuki, de mãos dadas com Sara, se aproximando de Shippou) – Temos muito que falar.
SESSHOUMARU – Eu sei.
Sesshoumaru também olhava para a Satsuki e Shippou. O futuro daquele casal era algo que seria discutido em família, mas aquilo era para mais tarde. Ao observar o jovem casal, Sesshoumaru notou também que alguns homens de terno falavam com Kagome.
SESSHOUMARU – São membros do partido?
INUYASHA – Não! São agentes da Segurança Interna. Eles são designados á fazer a logística de Kagome. Agora que minha esposa é candidata, isso será comum. Vou ter que me acostumar.
Um pequeno sorriso surgiu no rosto de InuYasha. Embora não gostasse de política, ele estava orgulhoso do modo como a esposa se comportava. Em nenhum momento ela colocou sua carreira política na frente da família e a prova disso é que ela fazia questão de participar da reunião familiar que iriam discutir a situação de Shippou e Satsuki devido a gravidez da jovem. Naquele exato momento, eles avistam Rin chegando ao local. Ele foi logo dando um beijo no marido.
SESSHOUMARU – Demorou muito. Pegou transito?
RIN – Não. Eu só tive alguns contratempos no departamento de polícia. (ela tentava sorrir e depois olha para o cunhado) – Oi InuYsha.
INUYASHA – Oi. (naquele momento Kagome se aproxima do trio)
KAGOME – Oi, Rin.
Rin apenas sorri para a amiga, mas o sorriso se desfaz quando olha para Shippou e Satsuki conversando. Depois de ter lido o prontuário médico da enteada, Rin sabia que o filho que Satsuki esperava não era de Shippou, pois o prontuário dizia que a gravidez tinha mais de dois meses e era de conhecimento de todos que Satsuki e Shippou não transaram antes desse tempo. Rin tentava entender os motivos de Satsuki. Apesar de saber que a enteada era meio geniosa e mimada, sabia que no fundo não era uma má pessoa. Devia estar confusa, mas mesmo assim não aprovava tal atitude. A verdade tinha que vir á tona de um jeito ou de outro. Ao ficar conversando com Shippou, Satsuki não tinha percebido a chegada da madrasta, mas Sara, que estava com ela, percebeu.
SARA – A mamãe chegou.
SATSUKI – Vá na frente. Depois eu vou.
SARA – Ta.
Satsuki sorri e observa a irmã se afastando dela e indo em direção de Rin para abraçá-la. Nesse momento teve um pouco de inveja da menina, que ainda não tinha as preocupações de adulto. Shippou percebeu a expressão triste dela.
SHIPPOU – Satsuki! Não precisa ficar com medo. (ele segura a mão dela) – Eu nunca te deixarei sozinha. Vamos encarar isso, juntos.
SATSUKI – Eu sei, mas tenho medo do que possa acontecer nessa reunião. (ela coloca a mão na barriga) – Mas tenho que ser mais corajosa pelo meu filho e...
SHIPPOU – Nosso!
SATSUKI – O que?
SHIPPOU – Nosso. (ele coloca a mão na barriga dela) — Nosso filho! (ele olha nos olhos dela) — Meu e de você.
SATSUKI – Claro. Nosso filho.
Shippou mostrava seu melhor sorriso diante da eminente paternidade e aquilo fazia Satsuki se sentir a pior das mulheres ao enganá-lo daquele jeito. Shippou voltou a segurar a mão de Satsuki para guiá-la até aos pais de ambos. Sesshoumaru não gostava nada daquela situação e percebendo isso, InuYasha se manifestou.
INUYASHA – Eu não vi Miroku ainda. Ele disse que ia passar por aqui.
SHIPPOU – Tem razão. Soten me ligou dizendo que estavam vindo para cá.
Satsuki ficou incomodada com aquele telefonema e não conseguiu esconder seu ciúme embora soubesse que não tinha direito de cobrar nada de Shippou.
RIN – Acho que ele só virá aqui depois porque iria ao túmulo de Mushin.
INUYASHA – É verdade. O padrinho dele está enterrado nesse cemitério.
SESSHOUMARU – Eu preciso falar com ele também á respeito de uma coisa que descobri.
INUYASHA – Vemos depois.
Eles percebem que os funcionários do cemitério tinha sido autorizados a iniciar o enterro do caixão e por isso InuYasha e os outros se aproximaram para acompanhar esse acontecimento e também dar força á Botan naquele momento difícil. Depois do velório, Sesshoumaru e outros jornalistas carregaram o caixão até o local da cova onde os funcionários do cemitério estavam prontos para iniciarem os procedimentos do enterro, mas antes disso haveria um pequeno discurso em homenagem á Momiji, que seria feito por Botan, mas esta, ainda muito abalada, não conseguia falar e então coube à Sesshoumaru fazê-lo.
SESSHOUMARU – Bem, eu comecei a trabalhar com Momiji á cinco anos e nesse meio tempo tivemos nossas desavenças, mas uma coisa eu não podia negar. Momiji era a expressão máxima do jornalismo investigativo. É assim que ela deve ser lembrada. Como uma jornalista que buscava apenas a verdade. Devemos seguir o exemplo dela.
Sesshoumaru continuava o discurso sob os olhares de Botan, dos outros jornalistas amigos de Momiji e os demais. Naquele momento Sara parecia incomodada com algo.
RIN – O que foi, querida?
SARA – Eu quero ir no banheiro, mamãe.
RIN – Não da para segurar um pouquinho? Já, já vai terminar e...
SATSUKI – Deixe que eu a levo, Rin. (ele segura a mão da irmã)
RIN – Ok.
Satsuki e Sara se afastaram sob os olhares de InuYasha, Kagome e Shippou e enquanto isso Abi e vários agentes imperiais estavam no local onde era o esconderijo de Natsume. O local estava em completa ruína e por isso a Agência Imperial tinha recrutado varias escavadeiras para retirar os escombros.
AGENTE – O sinal ainda está aqui, senhora.
ABI – Eu sei disso. É por isso que estamos escavando. (ela olhar ao redor do local) — Esse local foi destruído por algum motivo. (ela volta a olhar para o agente) – Quero que chame uma equipe técnica para cá. Acho que isso era algum esconderijo.
AGENTE – Sim senhora.
A superintendente da Agência Imperial estava confiante de que ia achar algo e naquele exato momento, seu celular começa a tocar. Era a promotora de justiça, Midoriko, que estava adentrando no Hospital Memorial.
ABI – Abi falando.
MIDORIKO – Senhora Abi, sou Midoriko, promotora de justiça e...
ABI – Eu sei quem é a senhora. No momento estou ocupada, portanto diga logo o que quer.
MIDORIKO – Ok. Vou direto ao assunto. Preciso saber em que pé está a investigação sobre o paradeiro de Natsume.
ABI – Com todo respeito, senhora promotora, mas a promotoria de justiça não tem jurisdição nesse caso, ou seja, não tenho que lhe informar de nada.
MIDORIKO – Eu não sei por que tanto segredo.
ABI – É assunto confidencial. Lamento, mas não posso dizer nada.
MIDORIKO – Eu não sei se é boa idéia a Agência Imperial se isolar tanto assim. Fiquei sabendo do interrogatório médico feito no detetive Guy. Vocês devem estar muito desesperados.
ABI – Se é tudo, promotora, tenho que desligar.
MIDORIKO – É tudo. Falamo-nos depois.
Midoriko desliga seu celular e continua a caminhar pelos corredores do Hospital Memorial até chegar á um quarto e adentrar nele. Era o quarto onde Onigumo continuava internado. O ex. diretor de finanças do Grupo Naraku se surpreende com a visita.
ONIGUMO – Promotora? (ainda deitado no leito)
MIDORIKO – Oi Onigumo. (fechando a porta) – Como está?
ONIGUMO – Bem para alguém que levou um tiro. (mostrando o curativo)
MIDORIKO – Eu já sei que foi Ryoma que atirou em você, mas porque vocês estavam no antigo laboratório de Kikyou?
ONIGUMO – Isso é um interrogatório, promotora?
MIDORIKO – Não, é apenas uma pergunta simples e inocente, mas se você quiser que isso se transforme em um interrogatório, garanto que não será agradável.
ONIGUMO – O que a senhora quer?
MIDORIKO – A verdade! Há um mistério muito grande por aqui. A Agência Imperial está fazendo muito segredo e eu não gosto de ficar de fora. Preciso saber o que você sabe para poder entender isso.
ONIGUMO – Eu posso contar, mas essa conversa tem que ser extra-oficial. O que eu disser aqui, eu negarei se me obrigar contar á justiça.
MIDORIKO – Tudo bem. Prossiga.
ONIGUMO – Você já deve saber que Ryoma matou os funcionários do restaurante de InuYasha. Pois bem, ele estava atrás da jóia de quatro almas que estava em poder de InuYasha. Não sei como o grupo de Natsume descobriu isso, mas Ryoma soube que InuYasha a deu para mim depois que usei o poder dela para que ele voltasse a andar.
MIDORIKO – Entendo. Continue.
ONIGUMO – Ryoma seqüestrou Eri para me obrigar a entregar a jóia. Como sei que usariam para o mal, planejei me sacrificar destruindo a jóia e matando Ryoma também com o sistema de autodestruição do laboratório de Kikyou, mas Eri, depois de libertada, tinha voltado para me ajudar. Ela não sabia do plano e sem querer ajudou Ryoma. Nós lutamos e ele acabou atirando em mim e ficando com a jóia.
MIDORIKO – A Agência Imperial sabe disso?
ONIGUMO – Não. InuYasha e eu seríamos presos por estar em poder da jóia e não ter contado a ninguém.
MIDORIKO – Entendo. (ela se afasta e fica pensativa) – Mas não entendo uma coisa. (ele olha para ele) – Como InuYasha conseguiu a jóia.
ONIGUMO – Com Kanna. A jóia estava com ela. Kanna deu á InuYasha logo depois de ser encaminhada á prisão domiciliar.
MIDORIKO – Sei. Por isso os oficiais meus encarregados de cuidar de Kanna nunca desconfiaram de nada. Ao esconder isso, Kanna cometeu um crime e assim poderia forçá-la a revelar aqueles códigos de informação que fez com Gatenmaru.
ONIGUMO – Mas se fizer isso, eu e InuYasha também seremos responsabilizados.
MIDORIKO – Eu sei e é por isso que não farei nada. (ela olha desconfiada para ele) – Mas sei que InuYasha não é do tipo que desiste fácil. Vocês devem estar investigando. Saiba que eu posso ajudar no que for preciso.
ONIGUMO – A senhora é uma promotora de justiça. Por que ajudaria uma investigação clandestina?
MIDORIKO – Porque não sei até que ponto a influência de Natsume chega aos órgãos governamentais. Só sei que tem longo alcance para ter conseguido ficar invisível nesses cinco anos. Não sei em quem confiar.
ONIGUMO – Mas confia no grupo de InuYasha?
MIDORIKO – Confio. (ela se afasta para ir até a porta) – Podem contar comigo para o que precisar. Qualquer coisa.
Onigumo apenas consente com a cabeça e Midoriko, percebendo que era um sim, sai satisfeita do quarto e enquanto isso no cemitério onde estava sendo realizado o enterro de Momiji, mais precisamente no portão de entrada dele, Satsuki e Sara caminhavam até lá depois da filha menor de Sesshoumaru ter utilizado o banheiro.
SARA – Mana, por que estamos saindo?
SATSUKI – É só um pouquinho, Sara. Nós já voltamos. Preciso resolver um assunto urgente.
Andando de mãos dadas com a irmã mais nova, Satsuki sai do cemitério e para em seguida começar a andar entre os carros que estavam estacionados até encontrar Soten encostada em um deles. Mesmo não se vendo á cinco anos, ela a reconheceu perfeitamente. De repente, Soten percebe que estava sendo observada e reconhece a figura em sua frente.
SOTEN – Satsuki?!
SATSUKI – Há quanto tempo, não é Soten?
Elas ficam se observando e se encarando por alguns segundos. Ambas sabiam que aquele reencontro aconteceria mais cedo ou mais tarde.
SATSUKI – Você está bem.
SOTEN – Você também.
SARA – Você conhece ela, mana?
SATSUKI – Conheço sim, Sara.
O carro, o qual que Soten estava encostada, estava com a porta traseira aberta e de dentro do veículo Tamira saiu e logo reconheceu sua amiga Sara.
TAMIRA – Sara! (indo até a amiga) – Veja só. Agora eu também tenho uma irmã mais velha. (Sara olha para Soten)
SARA – Você é irmã da Tamira?
SOTEN – Sou sim. (ela coloca a mão na cabeça da menina) – Meu nome é Soten, muito prazer. Você deve ser a Sara. (ela sorri) – Tamira já me falou de você.
SARA – Prazer é meu.
SOTEN – Você é muito educada, viu?
SATSUKI – É que Rin e muito rigorosa com ela nesse aspecto. (ela coloca a mão no ombro da irmã mais nova) – Sara, por que não vai brincar um pouco com sua amiga? Eu preciso falar algo com Soten.
SARA – Ta.
TAMIRA – É Sara. (depois olha para Soten) – Eu posso mexer no seu celular e mostrar á Sara?
SOTEN – Está bem, mas tem que ser dentro do carro. E não vai quebrar meu celular. Acabei de ganhá-lo.
Depois disso, sem falar mais nada, Tamira puxa Sara para dentro do carro onde ficaram mexendo naquele celular e assim Soten e Satsuki podiam conversar mais á vontade.
SATSUKI – Foi bom você ter tocado nesse assunto do celular, pois tenho uma coisa para te dizer. Shippou e eu estamos juntos de novo e não quero que fique ligando para ele.
SOTEN – Você é namorada dele e não dona. Se quiser que eu não ligue para ele então fale com ele.
SATSUKI – Pode não acreditar, mas não falo isso só por mim, mais por você também. Afinal de contas quer ficar sofrendo ao continuar mantendo contato com ele sabendo que estamos juntos?
SOTEN – É muito tocante a sua preocupação com meu estado de espírito, mas eu sei cuidar de mim. (ela olha para a barriga de Satsuki) — A sua barriga está bem saliente para quem está de um mês de gravidez.
SATSUKI – Isso não é da sua conta.
Ao escutar isso, Satsuki sentiu o golpe e imediatamente ficou na defensiva diante daquela observação embora Soten nem fizesse idéia de que o filho que a rival esperava não era de Shippou.
SOTEN – Satsuki, eu não quero brigar. Eu me dou por vencida porque sei que o Shippou não te escolheu porque está grávida, mas sim porque ele gosta realmente de você, porque é por você que ele está apaixonado. (ela fica com um olhar triste) – Assim como á cinco anos.
SATSUKI – Você ainda gosta muito dele, não é? Apesar de todo esse tempo longe.
SOTEN – Mas que diferença isso faz? (levantando o tom de voz) – Ele voltou para você. É por você que ele está apaixonado. Você vai ter um filho dele. Eu sou carta fora do baralho.
Aquelas palavras ditas por Soten só confirmaram algo que Satsuki tanto temia. A rival ainda nutria fortes sentimentos por Shippou, mais do que ela pensava. Satsuki temia porque sabia que se contasse a verdade para Shippou sobre sua gravidez, com certeza iria se separar dela e Soten iria consolá-lo. Satsuki não queria aquilo, mas estava ficando insuportável sustentar aquela mentira.
SATSUKI – Se quiser ficar ligando para ele e sofrer, problema é seu. Agora tenho que ir e...
SOTEN – Espere.
SATSUKI – O que foi?! Eu e Sara temos que voltar ao enterro.
SOTEN – Já que está aqui, temos que conversar sobre um assunto de interesse de ambas.
SATSUKI – O único assunto de interesse de ambas é Shippou.
SOTEN – Sim, o assunto é sobre ele, mas não é especificamente sobre ele.
SATSUKI – Do que está falando?
SOTEN – É sobre aquele segredo sobre a morte de Hiro e...
Ao ouvir aquele nome, Satsuki ficou apavorada e imediatamente vai até o carro de Miroku para verificar se Sara e Tamira tinham ouvido alguma coisa. Satsuki respirou mais aliviada ao perceber que as meninas continuavam a brincar com o celular. Depois disso a filha de Sesshoumaru volta para junto de Soten para puxá-la para mais longe do veículo, pois o assunto mencionado por Soten era muito grave. Ele se referia á morte de Hiro logo depois da tentativa dele de estuprar Satsuki.
SATSUKI – Por que está falando disso agora?
SOTEN – Sabemos que Hiro só morreu porque foi empurrado por Shippou contra a faca que você estava segurando. Por isso concordamos em guardar esse segredo por achar que Shippou seria responsabilizado pela morte de Hiro.
SATSUKI – Sim. Já sei disso, mas por que está tocando nesse assunto agora?
SOTEN – Desde que a senhora Kagome se tornou candidata á prefeitura, tenho pensado nesse assunto. E se por acaso algum adversário desenterrar esse assunto? Isso pode prejudicar a campanha dela se souber que o filho está envolvido em um crime.
SATSUKI – Mas Shippou não fez nada!
SOTEN – Eu sei disso. Você sabe disso, mas se essa informação cair nas mãos de algum adversário político?
SATSUKI – Acusarão Shippou para atingir a tia Kagome. (ela fica pensativa) – Não tem como isso vazar. Meu pai falou com a mãe de Hiro e a convenceu a colocar uma pedra sobre o assunto, pois a imagem do filho ficaria manchada.
SOTEN – O que?! Você falou com seu pai sobre isso? Isso era um segredo nosso. Não tinha o direito de contar e...
SATSUKI – Você não estava aqui quando isso aconteceu. Estávamos no meio de uma conspiração. Agentes da Segurança Interna quase mataram Shippou e eu. Estava sob muita pressão e confiei em meu pai. Ele cuidou de tudo.
SOTEN – Entendo. Então acho que vou contar ao senhor Miroku também e...
SATSUKI – Não! Não deve contar nada á ele.
SOTEN – Por que não posso contar? Você contou ao seu pai, portanto posso contar ao meu.
SATSUKI – Porque fui eu que quase fui estuprada. (ela abaixa o tom de voz para não chamar a atenção de Sara e Tamira) — Você não sabe o que passei naquele dia. Aquele nojento e asqueroso do Hiro tentando me forçar a satisfazer seus instintos mais primitivos.
SOTEN – Mas...
SATSUKI – Por favor, Soten. Estou te pedindo para não contar á Miroku. Esse é um assunto muito incomodo para mim.
SOTEN – Tudo bem. Eu não contei á ninguém sobre esse assunto. Seu pai foi a única pessoa para quem você contou?
SATSUKI – Foi.
Satsuki disse isso olhando para o lado como se não quisesse encarar Soten, que não sentiu muita firmeza na afirmação da rival, mas preferiu ignorar, pois não estava disposta a iniciar outra discussão. Estava cansada e abatida demais para isso. Naquele momento Miroku surgiu diante delas e quase não reconheceu a filha de Sesshoumaru.
MIROKU – Satsuki?! É você mesma?
SATSUKI – Sou eu sim. Como vai, senhor?
MIROKU – Pode me chamar pelo nome. Você cresceu e ficou muito bonita.
SATSUKI – Obrigada.
MIROKU – Fiquei sabendo da sua gravidez. Meus parabéns. Você e Shippou devem estar muito felizes.
SATSUKI – Felizes e assustados.
Miroku procurava ser educado com Satsuki mesmo que aquele assunto aborrecesse sua filha adotiva. Soten queria que aquela conversa se encerrasse o mais rápido possível.
SOTEN – Podemos ir, senhor?
MIROKU – Claro. Onde está Tamira?
SOTEN – Está com a irmã de Satsuki.
Naquele momento Tamira saiu do carro talvez por ter ouvido a voz do pai e assim foi correndo até ele. Sara a seguiu para se juntar a irmã mais velha.
MIROKU – Bem, foi um prazer revê-la, Satsuki. Dê-me lembras á seu pai e á Rin também.
SATSUKI – Já que o encontrei, tem uma coisa que precisa saber. Meu pai está querendo falar com o senhor sobre algo que ele descobriu ontem á noite.
MIROKU – Depois falo com ele. (ele olha para Soten e Tamira) – Agora que já visitei meu padrinho, podemos ir.
Depois de se despedirem de Satsuki e Sara, os três entram no carro e assim eles saem dali sob os olhares das filhas de Sesshoumaru.
SARA – Mana.
SATSUKI – Sim.
SARA – Você e aquela moça estavam brigando?
SATSUKI – Por que você acha isso?
SARA – Porque pareciam que estavam brigando.
SATSUKI – Olha Sara. (ela se agacha para ficar na altura da menina) – Eu e aquela moça estávamos apenas conversando. Somos velhas conhecidas.
SARA – Vocês são amigas que nem eu e Tamira?
SATSUKI – Não diria isso, mas posso afirmar que temos coisas em comum.
SARA – Não entendi.
SATSUKI – Quando você crescer vai entender. (ela volta a ficar de pé) — Vamos voltar para junto do pai. Acho que ele deve estar nos procurando.
SARA – Ta.
Satsuki guiou Sara de volta ao interior do cemitério, mas não conseguia tirar da cabeça as dúvidas e culpas que tanto a atormentavam. Sabia que Soten era uma ameaça real, mas sabia também que a maior ameaça era a mentira sobre a gravidez. Satsuki se sentia em uma grande encruzilhada.
Próximo capítulo = Uma grande decisão – parte 3
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