Noite sem Fim
93 Um longo adeus - parte 2
Depois de ter plena certeza de que Runy tinha saído, Haruy voltou para o carro onde Gatenmaru permanecia algemado.
HARUY – Mas como ela passou por mim?
GATENMARU – Ela fugiu, gênio! Hideki deve tê-la alertado. Aposto que essa fabrica tem uma saída pelos fundos. (ele sorri) – A primeira dama provavelmente irá te matar.
HARUY – Cale-se. (ele saca a arma e aponta contra ele) – Não preciso ouvir isso, principalmente de você.
GATENMARU – Mas vai precisar de mim. Eu posso te ajudar.
HARUY – Você me ajudar?! Como?
GATENMARU – Primeiro quero que abaixe essa arma e assim posso dizer onde pode encontrar Hideki.
HARUY – Não fale asneira! Se soubesse onde encontrar Hideki já estaria lá.
GATENMARU – Verdade, mas eu disse pode. Não é certeza. É algo que me veio a mente agora pouco. Eu te ajudo se me ajudar. Como disse Elisa, todos nós estamos com o mesmo objetivo. Não deixar Hideki passar a informação que tem sobre Kanna e Yura para Natsume e Naraku.
Haruy fica pensativo diante daquelas palavras e, vendo sentido nelas, começa a considerar razoável a aliança com o desafeto e assim ele abaixa a arma, entra no carro e tira as algemas de Gatenmaru.
HARUY – Fale o que sabe.
GATENMARU – Antes de contar quero deixar uma coisa bem clara.
HARUY – Diga.
GATENMARU – A nossa sociedade vai até o ponto de impedir de Hideki passar essa informação para alguém, mas a partir daí é o fim da aliança e cada um por si.
HARUY – Concordo. Agora fale o que sabe.
GATENMARU – Como já disse não é certeza. É apenas um palpite, mas como Hideki veio até Yokohama e vocês acham que ele quer entregar algo para Natsume é provável que Hideki vá encontrar com alguém da ‘velha guarda’ da gang de Naraku.
HARUY – Pare de enrolar e desembuche de uma vez.
GATENMARU – Depois que Naraku foi preso, á dez anos, poucos associados dele conseguiram se safar. Um deles é um homem que mantinha negócios aqui em Yokohama. O nome dele é Suke. Ele cuidava da lavagem de dinheiro.
HARUY – Então ele cuida de dinheiro. Parece alguém capaz de pagar por algo em nome de Natsume.
GATENMARU – Isso explicaria também porque Hideki está usando a ex-namorada. Desde a divulgação de que Naraku está vivo e foragido, as várias agências de investigação estão vigiando os antigos contatos de Naraku. Hideki não vai poder aparecer sem ser preso.
HARUY – Verdade. Você sabe onde esse Suke mora ou trabalha?
GATENMARU – Não sei, mas duvido que ele se arrisque em encontrar com alguém em casa ou no trabalho, mas sei de um ponto de encontro que os associados de Naraku faziam negócios. Provavelmente é lá que vão fazer a negociação.
HARUY – Ótimo! (ele da a ignição no carro) – Não vamos perder mais tempo.
Haruy acelera o carro para irem ao suposto local de encontro e enquanto isso chegando à praça de alimentação do shopping Otome, local que Hideki marcou para se encontrar com ela, Runy avista o ex-namorado acenando para ela.
HIDEKI – Foi seguida?
RUNY – Não, mas tinha um carro suspeito do lado de fora da fabrica, por isso saí pela porta dos fundos.
HIDEKI – Muito bem. Essa é minha garota e...
RUNY – Eu não sou sua garota coisa nenhuma! Só quero pegar minha parte do dinheiro que me prometeu e sumir.
HIDEKI – Está bem! (ele da uma pasta a ela) – Esse é nosso bilhete premiado.
RUNY – O que tem aqui? (olhando o interior da pasta)
HIDEKI – Não importa. O que importa é que ficaremos ricos com o que tem aí.
RUNY – Quer que eu leve isso para ele?
HIDEKI – Sim e quero que você vá lá para certificar que ele pagará pela informação.
RUNY – Por que você mesmo não pode ir a esse encontro?
HIDEKI – Porque estou sendo procurado pela justiça e a polícia deve estar vigiando Suke. Minhas contas devem estar sendo bloqueadas e foi aí que pensei na nossa antiga conta conjunta. Por isso você tem que fazer isso por mim.
RUNY – Pelo dinheiro, você quer dizer. Me de o endereço do encontro.
HIDEKI – Aqui. (ele entrega um pedaço de papel) – Espere o tempo que for. Esse cara é cuidado e ocupado. Pode estar sendo vigiado e assim demorar a aparecer.
RUNY – Devo presumir que esse tal de Suke saiba de tudo. Como vou reconhecê-lo se não sei como ele é?
HIDEKI – Mas ele vai te reconhecer, pois não há muitas mulheres no local que falei e, além disso, falei com ele por telefone.
RUNY – Está bem. Já vou indo. (ela começa a se afastar até que para e volta a olhar para ele) – Se por acaso está pensando em me passar para trás como no passado, vai se arrepender, Hideki. O dinheiro vai para a sua conta, mas só será sacado com minha assinatura.
Depois de lançar um sorriso sarcástico, Runy se afasta de Hideki para sair do shopping e ir ao encontro de Suke e enquanto isso em sua residência Suke falava com Natsume.
SUKE – Eu já falei para não ficar ligando para mim. Podem te rastrear.
NATSUME – É tocante sua preocupação, mas essa linha é segura. Já está com a informação?
SUKE – Não, mas logo estarei. Vou me encontrar com uma mulher que trabalha com ele. Tem certeza que a informação vale tanto assim?
NATSUME – Vale sim. Sei que cinco milhões é muito dinheiro, mas se eu ficar de posse dessa informação esses cinco milhões serão dinheiro de pinga.
SUKE – Ok! Eu já vou ao encontro.
NATSUME – Tome cuidado, pois as agências estão atrás de Hideki.
SUKE – Pode deixar.
Suke desliga o telefone para em seguida pegar uma maleta em cima do sofá. Depois de tudo conferido, ele sai de casa e entra em seu carro sem notar que InuYasha e Zuko, dentro de um carro ali perto, o observavam.
ZUKO – É ele!
INUYASHA – Vamos segui-lo com cuidado e ele deve nos levar até Hideki ou Gatenmaru.
Zuko, na direção do carro, começa a seguir o carro de Suke e naquele momento ele percebe que InuYasha tinha pegado o celular para falar com alguém.
ZUKO – Para quem vai ligar? (dirigindo e olhando para frente)
INUYASHA – Para Sango. Quero saber se descobriram algo sobre Yuri.
ZUKO – A resposta vai ser não.
INUYASHA – Como sabe disso?
ZUKO – Olha, eu sei que não vai gostar, mas a Agência Imperial recebe prioridade nesse caso. Se essa informação não foi liberada para nós quer dizer que ela não foi liberada para a polícia também.
INUYASHA – Vocês não estão retendo informação?
ZUKO – O exercito é uma entidade totalmente independente da Agência Imperial. Essa gente trabalhava em muitos projetos secretos durante a Segunda Guerra Mundial. Eles têm medo de que muitos de seus atos sejam julgados pela opinião publica.
INUYASHA – Infelizmente eu entendo. Minha esposa sabe disso perfeitamente.
Depois dessa pequena discussão, os dois voltaram a se concentrar em seguir o carro de Suke e enquanto isso na sede do partido trabalhista acontecia a reunião partidária que estava discutindo a plataforma da campanha. Vários membros do partido e alguns correligionários estavam sentados, em volta, á mesa. Uma sugestão de Ungai não agradou Kagome.
KAGOME – Eu já disse que não vou renunciar ao meu cargo de vereadora.
UNGAI – Na história dessa cidade nenhum vereador conseguiu se eleger prefeito mantendo o cargo.
KAGOME – Então eu serei a primeira.
UNGAI – Uma campanha á prefeito exige enorme dedicação. Não pode ficar dividida entre ela e seu cargo. Estamos atrás nas pesquisas e olhe que Ryukosei não é um prefeito tão popular assim, mas o eleitorado daqui é meio conservador.
KAGOME – Não vou deixar meu cardo, pois quero mostrar respeito àqueles que votaram em mim. (ela cruza os braços e olha para Gakusajin) — Não sei por que estamos discutindo isso. Nas prévias tinha deixado claro que não iria abandonar meu cargo e assim mesmo me escolheram.
UNGAI – Você não foi escolhida. Fomos forçados a te aceitar porque Gakusajin abandonou as prévias.
MIROKU – Mas isso não diminuiu a legitimidade de Kagome em ser candidata.
UNGAI – Mas...
GAKUSAJIN – Já chega, Ungai! Você já deixou bem claro sua posição, mas Kagome já fez o mesmo. Vamos discutir outro ponto polêmico. A nomeação de Miroku para o cargo de chefe de campanha.
KAGOME – Isso mesmo! Eu pediria a todos que aceitem o nome de Miroku apesar do que ocorreu comigo dias atrás.
UNGAI – Não vejo problema nenhum nisso. (ele sorri) – E tenho certeza de que os outros membros do conselho concordam com isso. Miroku foi inocentado de todas as acusações e está perfeitamente apto a exercer esse cargo. A menos que ele recuse.
MIROKU – Como prometi á Kagome, se os membros do partido não vêem problema no meu nome aceitarei o cargo.
GAKUSAJIN – Bem, já está na hora do almoço. Acho que devemos fazer uma pausa.
E assim todos os membros presentes á reunião se levantam á mesa. Kagome, Miroku e Tanuki pareciam surpresos com a concordância de Ungai em relação ao nome do advogado para o cargo de chefe de campanha e antes de saírem da sala os três foram abordados por Gakusajin.
GAKUSAJIN – Eu queria falar com os três se não se importam.
KAGOME – Claro.
MIROKU – Como quiser.
Os quatro ficam na sala até o restante sair deixando os três sozinhos no local. Gakusajin fecha a porta antes de iniciar a conversa.
GAKUSAJIN – Antes de tudo, Kagome, saiba que fui informado que seu filho já chegou. Ele está na sala ao lado.
KAGOME – Obrigado por me falar, mas acho que esse não é o assunto principal.
GAKUSAJIN – Eu notei a expressão de desconfiança de vocês quando Ungai concordou com o nome de Miroku.
TANUKI – Isso foi estranho mesmo.
MIROKU – O senhor que nos dar algum tipo de aviso.
GAKUSAJIN – Correto! Ungai é uma raposa velha que conhece muito bem o jogo da política. Eu já o enfrentei em uma prévia á oito anos. Ele gosta de colocar armadilhas no caminho.
KAGOME – Está falando que ele pode sabotar minha campanha?
GAKUSAJIN – Claro que não! Ungai é um homem de partido, mas ele vai testá-la várias vezes durante o período eleitoral.
TANUKI – Então isso é um teste para Kagome?
GAKUSAJIN – Isso mesmo! Seja firme, Kagome. Não cometa erros primários como subestimar seu vice. Ele pode ser seu grande aliado ou seu maior inimigo. Depende de como você aceita a ajuda dele.
KAGOME – É um bom conselho, senhor. (ela sorri) – Vou segui-lo.
Gakusajin retribuiu com outro sorriso e quando os quatro estavam se preparando para sair da sala, ela é invadida por Botan. Ela parecia meio nervosa e ofegante.
BOTAN – Encontrei o senhor. (depois ela olha para Kagome e os outros) – E é bom que estejam aqui.
TANUKI – O que aconteceu? Você parece nervosa?
GAKUSAJIN – O que foi Botan?
BOTAN – Eu consegui uma informação bombástica de minha fonte de dentro da polícia.
KAGOME – Você tem um informante dentro da polícia?
GAKUSAJIN – Ela só quer ter certeza de que os culpados pela morte de Momiji sejam condenados. (ele volta a olhar para Botan) – Agora fale o que descobriu.
BOTAN – O estrangulador atacou de novo. Apareceu uma nova vítima.
GAKUSAJIN – Isso vai afetar muito a campanha de Ryukosei.
KAGOME – Eu não vou usar a morte de uma mulher para fazer campanha.
MIROKU – Eu compreendo isso, Kagome, mas você é candidata á prefeita. Pelo menos tem que soltar uma nota falando a respeito. As pessoas vão querer saber sua opinião.
TANUKI – Eu concordo com Miroku. A imprensa não vai demorar a noticiar mais esse escândalo. Duvido muito que Botan seja a única com informante de dentro da polícia.
KAGOME – Está bem. Eu vou o que dizer e...
MIROKU – Não, não, Kagome! Pode deixar isso comigo. Será meu primeiro trabalho com chefe de campanha. (depois ele olha para Tanuki e Botan) – E os dois vão me ajudar.
KAGOME – Sério?! (ela observa todos assentido positivamente com a cabeça) – Obrigada.
E assim, Kagome e Gakusajin saem da sala deixando Miroku, Tanuki e Botan com a missão de elaborar uma nota, em nome de todo o partido, sobre o novo ataque do estrangulador, mas antes de começar, Miroku sabia que tinha que ligar para alguém. Esse alguém era Sango, que naquele momento estava no departamento de polícia tentando conseguir a liberação dos arquivos militares de Yuri.
SANGO – Alô.
MIROKU – Oi Sango, sou eu.
SANGO – Oi. (sorrindo) – Aconteceu alguma coisa?
MIROKU – Sim aconteceu e acho que você sabe. Estou ligando apenas para confirmar.
SANGO – Confirmar o que?
MIROKU – Que o estrangulador atacou de novo.
Diante daquela afirmação feita pelo pai de sua filha, Sango se levantou imediatamente á mesa e ficou olhando ao redor.
SANGO – Como ficou sabendo disso?
MIROKU – Botan conseguiu uma fonte aí dentro.
SANGO – O que significa que precisamos fazer um ‘limpeza’ nesse departamento. Uma informação dessas não pode vazar.
MIROKU – Eu entendo. Só estou te ligando para se preparar, pois a imprensa saberá do fato muito antes do que vocês imaginam.
SANGO – E eu não sei disso? (ela volta a se sentar) – Mesmo assim obrigada por me avisar. Vou contar ao Azuma agora mesmo
MIROKU – Antes que desligue. (ele se afasta de Tanuki e Botan) – Preciso falar uma coisa.
SANGO – O que foi?
MIROKU – Apesar de estarmos no meio de outra conspiração, apesar de enfrentarmos agora uma crise com esse estrangulador, apesar de tudo isso que nos mantém distante, eu não consigo parar de pensar em você.
SANGO – Mas Miroku...
MIROKU – Eu sei que não é o momento, mas diante da situação eu precisava lhe contar isso.
SANGO – Eu sinto o mesmo, Miroku, mas não podemos esmorecer. Temos que fazer isso por Tamira. Pense também em Soten.
MIROKU – Eu sei. Só precisava desabafar, pois sinto que as coisas vão piorar muito antes de começar a melhorar. Tenho medo que quando as coisas melhorem já seja tarde demais. Eu te amo, Sango.
SANGO – Eu também te amo.
Miroku desligou o seu celular e voltou para a reunião e enquanto isso Sango, depois de ficar meio aflita com aquelas palavras, se levantou de sua cadeira para ir até a sala de Azuma.
SANGO – Azuma! Temos um dedo-duro que delatou á Botan que o estrangulador atacou de novo. A imprensa não vai demorar a saber.
AZUMA – Agora só faltava essa! Acabei de ligar para o prefeito e ele me pediu que tentasse segurar a verdade o máximo que puder. Acho que não vai durar tanto assim.
SANGO – O prefeito que se dane. Precisamos conter o crescente pânico que haverá quando a população souber da verdade.
AZUMA – Não há nada que possamos fazer. (ele suspira) – Quero que você ajude Guy nessa investigação.
SANGO – Mas eu estava trabalhando na liberação dos dados de Yuri e...
AZUMA – Não precisa mais. Abi já teve acesso aos relatórios e já adiantou que não poderá passá-los para nós.
SANGO – Mas isso é uma sacanagem e...
AZUMA – É sacanagem sim, mas eles têm seus motivos, Sango. Depois eu lhe conto. Eu prometo. Agora vá ajudar Guy.
Sem entender muito bem o que o capitão falava, Sango se retirou da sala para sair do departamento e ir ao encontro de Guy deixando Azuma sozinho na sala. Ele olhava atentamente para o telefone e enquanto isso na casa de Ayumi, que era esposa do capitão Azuma, ela e as amigas, Eri e Yuka, estavam sendo entrevistadas para uma reportagem de um programa de televisão que queria falar do passado de Kagome, que era candidata á prefeita de Tóquio. Okko e Yuri, filhos de Ayumi, também estavam presentes.
ENTREVISTADORA – Então todas são filhas de militares?
ERI – Isso mesmo! Foi assim que ficamos amigas.
YUKA – Isso acontece quando moramos em uma cidade pequena com Urawa.
ENTREVISTADORA – Kagome já tinha posições políticas nessa época?
AYUMI – Para falar a verdade não. Ela era meio maluquinha. (rindo) – Deixava o pai dela louco. Até fugiu com o namorado.
ERI – Na verdade todas nós éramos um pouco loucas. (rindo também)
YUKA – Ser filha de militar não era fácil. Namoros sempre era um problema.
ENTREVISTADORA – Mesmo?! (ela olha para Ayumi) – Você é casada com o capitão do departamento de polícia. O fato de ser filha de um militar teve alguma influência nisso?
AYUMI – Como assim?
ENTREVISTADORA – Quando se vive no meio de homens armados acho que acaba se acostumando com esse tipo de homem.
AYUMI – Eu nunca pensei nisso. Olha, eu sou a única daqui que é casada. O marido de Kagome é dono de restaurante. (ela aponta para as amigas) – Essas duas são solteiras. Acho que a única coisa que elas gostam dos homens armados são as armas. (rindo)
ERI – Mas que comentário mais maldoso. (rindo também)
YUKA – Falou e disse.
A entrevista seguia em um ambiente bem descontraído onde Ayumi, Ei e Yuka falavam do passado delas com Kagome, pois isso trazia boas lembranças apesar das dificuldades da época. Naquele momento o telefone da casa começa a tocar e Ayumi é obrigada a deixar a entrevista para atender. Enquanto a jornalista continuava a falar com Eri e Yuka na sala, Ayumi foi atender ao telefone sem fio na cozinha para não atrapalhar.
AYUMI – Alô.
AZUMA – Oi amor, sou eu.
AYUMI – Azuma, estou no meio de uma entrevista. Achei que tinha te avisado e...
AZUMA – Escute Ayumi. Quero que ouça com atenção o que vou dizer.
AYUMI – Estou ouvindo. O que houve?
AZUMA – Um agente da Segurança Interna está indo até aí. Ele vai buscar você e nossos filhos para irem á um lugar secreto, mas você não pode contar isso para suas amigas.
AYUMI – O que?! Segurança Interna?! Nossos filhos?! Azuma, o que está acontecendo? Você está me assustando.
AZUMA – Confie em mim, querida.
AYUMI – Está bem. Você vai estar lá?
AZUMA – Vou sim. Lembre-se! Não pode contar nem para suas amigas. É para o bem delas. Pode ser perigoso. Quando a gente se vê, eu te explicarei tudo.
AYUMI – Está bem. Então até lá. Cuide-se.
Ayumi desliga o telefone e, ainda meio intrigada com aquela conversa, ela volta para junto das outras, que percebem a fisionomia estranha da amiga.
ERI – O que foi, Ayumi? Você está bem?
AYUMI – Estou.
YUKA – Quem era?
AYUMI – Azuma.
ERI – Aconteceu alguma coisa?
AYUMI – Não aconteceu nada. Ele me pediu para encontrar com ele no departamento. (ela olha para a entrevistadora) – Essa reportagem vai demorar muito?
ENTREVISTADORA – Para falar a verdade já acabou. Agora só tenho que pegar um depoimento de Kagome.
ERI – Isso vai ser mais difícil. Nossa amiga agora é muito ocupada.
ENTREVISTADORA – Se fosse fácil qualquer um faria. (ele começa a pegar suas coisas) — Bem, obrigada pela atenção de todas. Foi muito bom falar com vocês.
A jornalista se levanta e toda equipe de produção saí com ela deixando as amigas á sós. Eri e Yuka ainda estavam desconfiadas do comportamento de Ayumi.
ERI – Você não vai contar o que está acontecendo?
AYUMI – Já disse que não está acontecendo nada. Meu marido apenas me pediu para levar as crianças para ele ver.
YUKA – Então ta. (ela olha para Eri) – Se você for ver aquele seu apartamento novo, o Houjo pode te dar uma carona. Ele também está em Tóquio e me disse que me levaria de volta á Urawa de carona.
ERI – Obrigada, mas eu pretendo ir á outro lugar antes de ir ao meu apartamento.
AYUMI – Faça o que quiserem. (ela olha para os filhos) – Agora vou arrumar vocês, pois vão vê o papai. Um carro está vindo nos buscar, portanto não vamos perder tempo, crianças.
Okko e Yuri ficaram felizes em saber que iam ao trabalho de Azuma. Era novidade para eles, pois o capitão fazia questão de deixar a família longe de seu perigoso trabalho e enquanto isso em uma das unidades do exercito japonês em Tóquio, Rakusho acabara de adentrar no local. Isso foi possível porque sua patente militar foi reativada depois da demissão do cargo de secretário de segurança, mas entrar ali não era o único motivo, pois como general de patente alta, Rakusho tinha certos privilégios como, por exemplo, entrar em salas de acesso restrito. Chegando a uma dessas salas, ele ligou o computador cuja tela pedia um nome e uma senha militar para acessar o bando de dados. Rakusho digitou sua senha de militar dando ok e tendo, em seguida, livre acesso aos arquivos militares.
RAKUSHO – Esse é o ultimo favor que faço para você, Ryukosei. (ele começa a digitar) – Depois disso irei para a corte marcial e serei uma vergonha para meus familiares.
Enquanto digitava, Rakusho olhar ao redor para ver se nenhum soldado se aproximava e percebendo que não tinha ninguém a vista ele começou a acessar os arquivos militares de Yuri e foi aí que ele percebeu a dificuldade do exercito em liberar essa informação. Era preciso a aprovação de mais de 80% do conselho de notáveis do exercito para que isso fosse feito.
RAKUSHO – Isso só piora as coisas, mas vamos lá.
Ainda assim ele tinha acesso e por isso pegou um mini-drive que tinha no bolso e o plugou no computador para fazer uma cópia. Como eram muitos arquivos o download estava lento o que deixava Rakusho muito apreensivo. O medo de que alguém o visse ali era enorme. O download finalmente tinha terminado. Ele retirou o mini-drive e digitou alguma coisa no computador para depois desligá-lo e assim sair da sala e enquanto isso Shippou estava acabando de sair da escola de informática e de repente seu celular começa a tocar. Era Onigumo, que naquele momento ainda estava no antigo laboratório de Kikyou onde acompanhava o desenvolvimento da construção de um radar para localizar a jóia de quatro almas. Shippou atende.
SHIPPOU – Alô.
ONIGUMO – É o Onigumo!
SHIPPOU – Sei, aposto que é para saber da imagem que lhe enviei.
ONIGUMO – Exato. (ele olha para tela do computador uma imagem de Natsume) – Essa imagem vem da fita que você está analisando, correto?
SHIPPOU – É isso mesmo. Eu estava trabalhando nela para descobri se tem alguma mensagem subliminar, mas acabei achando algo melhor.
ONIGUMO – E o que seria?
SHIPPOU – A imagem que lhe enviei tem um trilho de formigas no canto inferior direito de Natsume. Está vendo?
ONIGUMO – Espere. (ele olha com atenção a imagem e vê o trilho de formigas) – Sim, estou vendo, mas o que tem?
SHIPPOU – Segundo você, esse tal radar que está construindo tem um raio de alcance em crescimento, mas baixo.
ONIGUMO – Exato. Vai demorar muito, talvez um mês, para que ele possa cobrir toda a cidade de Tóquio.
SHIPPOU – Então ouça a minha idéia. Eu quero que tente aumentar a imagem e identificar o tipo de formiga.
ONIGUMO – E descobrindo isso podemos descobrir o tipo de terreno. Muito bem Shippou, mas por que não fez isso você mesmo?
SHIPPOU – O computador de onde trabalho não tem esse programa, sem falar que você tem mais acesso á Agência Imperial. E também eu tenho um compromisso agora. Vou me encontrar com Satsuki.
ONIGUMO – Entendo. Pode deixar comigo.
Shippou, andando, desliga seu celular. Ele queria ajudar mais seus amigos, mas sabia que tinha compromissos. Ele foi ao encontro da noiva e estava curioso para saber o que Satsuki tinha de tão urgente que não podia esperar. Quando se aproximava do local do encontro ele vê uma cena que o faz parar de andar. A cena era de Soten tomando sorvete com um rapaz que ele não conhecia. O rapaz, lógico, era Nomer.
SHIPPOU – Mas quem será?
Shippou se escondeu para que eles não o vissem, mas nem era preciso, porque os dois conversavam alegremente sem se importar com quem estava em volta e isso deixava Shippou mais intrigado. Soten e Nomer continuavam a caminhar juntos.
SOTEN – Você sempre quis trabalhar na polícia?
NOMER – Olha, tecnicamente eu ainda não trabalho na polícia. Só estou lá por causa da minha mãe que é amiga da amiga da esposa do capitão. Sem falar que sou meio medroso. (rindo) – Quase desmaiei quando aquele cara se matou.
SOTEN – Aquele Ryoma merece estar no inferno e...
NOMER – Poxa Soten! Desculpa-me por te lembrar disso. (ele segura a mão dela) — Eu esqueci de novo que foi esse cara que quase te matou.
SOTEN – Tudo bem. (ela sorri) — Já estou superando isso. Já devia estar acostumada com isso por causa da minha família. Meu pai era bandido assim como meus tios.
NOMER – Seu pai era bandido?!
SOTEN – Meu pai biológico e seus irmãos. Todos eram bandidos da pior espécie, mas hoje sou grata por ter sido adotada por um homem de bem.
NOMER – Ele deve gostar muito de você. Passou cinco anos e ele não te esqueceu. Eu queria conhecê-lo.
SOTEN – Sério?! (ela sorri)
NOMER – Não que eu queira te pedir em namoro, pois você deixou bem claro que isso não é um encontro, mas eu sempre ouço você falar bem dele.
SOTEN – Porque ele foi uma das pessoas que salvaram minha vida. O engraçado é que mal o conheço direito. A gente passou pouco tempo juntos. Ele me faz sentir realmente como filha. Ele não me trata diferente da filha biológica dele.
NOMER – Eu também não te conheço bem, mas dá para perceber que você é uma garota especial que consegue despertar a bondade nas pessoas.
SOTEN – Poxa! Você acha tudo isso de mim?
NOMER – Acho sim. E acho mais. (passa a mão no rosto dela) — Acho que você é uma boa garota que passou por muitos apuros e que agora merece tudo de bom.
Depois de acariciar, delicadamente, o rosto de Soten, Nomer aproxima seu rosto do dela até que seus lábios tocam os dela. Shippou, perplexo e sem ser visto, flagra tudo sentindo um crescente ciúme.
Próximo capítulo = Ligações genéticas – parte 1
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