Noite sem Fim
106 Tenebrosa realidade - parte 2
Enquanto isso, naquele exato momento, Haruy estava terminando a conversa com Enzo, representante da Anistia Internacional, em uma cela da Agência Imperial.
ENZO – Bem, eu já vou indo.
HARUY – Espere! Tem certeza de que eles não podem me tocar?
ENZO – Poder podem, mas qualquer coisa que você diga a eles em um interrogatório sem consentimento vai ser considerada ilegal, portanto não se preocupe.
HARUY – Obrigado, senhor.
ENZO – Não por isso. É meu trabalho. Você deve ter bons contatos na embaixada americana. Eles me chamaram rápido.
HARUY – Acho que tive sorte.
ENZO – Ok. (ele começa a se afastar) – Ah sim! (ele para) – Nem certeza de que não quer fazer um telefonema? Para algum parente ou contato na embaixada. Você tem direito. Eles não podem impedir.
HARUY – Não. Prefiro aguardar.
Mesmo não entendendo aquela atitude, Enzo respeitou a vontade de seu cliente e assim foi embora deixando Haruy sozinho na cela com seus pensamentos. O americano não queria ligar para ninguém, pois sabia que a Agência Imperial iria dar um jeito de rastrear, por isso iria esperar a extradição. Naquele momento Rambari entra na sala de Abi, que o tinha chamado.
RAMBARI – Queria falar comigo?
ABI – Sim. (ela se levanta de sua cadeira) – Acabei de receber a notícia de que meus agentes encontraram o corpo de Suke.
RAMBARI – Sério?! Então isso quer dizer...
ABI – Que Gatenmaru matou Suke? Isso mesmo.
RAMBARI – Ele armou tudo.
ABI – Sim. Agora que sabemos disso precisamos pressionar ainda mais Kanna.
RAMBARI – A ligação que pegamos prova que Gatenmaru ligou para Kanna, mas não prova que ela está colaborando. Até sugere o contrário.
ABI – Não quero saber. Ela tem que colaborar. São os termos do acordo que a deixou em prisão domiciliar.
RAMBARI – Meus agentes já devem estar chegando com ela. Eles já receberam a ordem de deixar Kanna sob seus cuidados. Parece que estamos em um beco sem saída.
ABI – Me fale a verdade, Rambari. Você acha que não vamos conseguir nada de Kanna e nem mesmo uma permissão para interrogar Haruy, não é?
RAMBARI – Sinceramente não acho. Não temos provas que o ligue Haruy a atividades terroristas. (ele suspira conformado) – Vou voltar para a sede da Segurança Interna. Só me resta verificar a atividades de americanos suspeitos nesse país.
ABI – Mas cuidado, hein! O Imperador não quer problemas com os EUA. Faça isso com extrema cautela.
RAMBARI – Pode deixar.
Rambari sai da sala deixando Abi sozinha com seus pensamentos. Eles tinham que trabalhar com muita descrição a fim de não prejudicar as relações entre os dois países e enquanto isso do lado de fora do departamento de polícia, o jornalista Raita estava observando a movimentação do entre e sai do departamento até que ele vê Sesshoumaru saindo do prédio. Raita não perde tempo e vai até ele.
RAITA – Olá Sesshoumaru. (parando na frente do marido de Rin)
SESSHOUMARU – É você. (sem dar muita importância e continuou andando)
RAITA — Pensei que ainda estivesse no hospital. (ele o segue) – O que faz aqui?
SESSHOUMARU – Isso não é da sua conta.
RAITA – Espero que não esteja pensando em roubar a minha matéria. Sua esposa não contou que você está de licença. Eu estou no seu lugar. Precisa descansar, meu velho. O furo sobre a nova vítima do estrangulador é meu e...
Ao ouvir aquilo, Sesshoumaru, que estava andando para ir embora, parou de repente, deu meia volta e agarrou Raita pelo colarinho.
SESSHOUMARU – Como sabe disso?
RAITA – Não tenho que te falar nada.
SESSHOUMARU – Você não vai transformar isso em um circo de horrores. Não vou permitir que faça isso com minha filha.
RAITA – O que?! Sua filha?! Do que está falando?
SESSHOUMARU – Estou te avisando e... (ele se desvencilha)
RAITA – Me solta! (ele ordena as idéias) – Está falando que sua filha foi vítima do estrangulador? Eu sinto muito, mas isso é uma notícia e tanto. As pessoas devem saber e...
SESSHOUMARU – Eu não vou permitir que use Satsuki para se promover e...
Sesshoumaru estava prestes a agredir Raita, mas é impedido por InuYasha, que tinha acabado de chegar e estava presenciando a cena. O marido de Kagome agarrou o irmão por trás.
INUYASHA – Não, Sesshoumaru! Não faça isso.
SESSHOUMARU – Me solte. Eu quero quebrar a cara desse sujeito.
INUYASHA – Escute. As pessoas vão saber sobre Satsuki mais cedo ou mais tarde. O importante é descobrir quem fez isso com ela.
RAITA – Isso mesmo. Escute seu irmão e...
INUYASHA – Cale-se! Deveria entender a dor dele nesse momento em vez de tripudiar. Saia daqui ou eu mesmo quebro sua cara.
Raita percebeu que InuYasha falava sério e por isso resolveu deixá-los em paz entrando no departamento de polícia. Sesshoumaru e InuYasha ficaram do lado de fora.
INUYASHA – Sesshoumaru, eu vim assim que soube. Como está?
SESSHOUMARU – Como acha que estou? (depois se refere á Raita) – Esse desgraçado vai fazer um circo sobre a morte dela. Eu sei o tipo de jornalista que ele é. Não falo de ser um jornalista sensacionalista, mas sim um colaboracionista.
INUYASHA – Colaboracionista?! Ele colabora com o que?
SESSHOUMARU – Com o poder. Esse é o pior tipo de jornalista que acode o poder quando o poder precisa ser acudido. Não quero falar disso agora. Vou ficar com minha esposa e filha.
INUYASHA – Está bem. Escute, Sesshoumaru, o que precisar pode pedir. Eu estarei aqui.
Sesshoumaru se afastou de InuYasha para pegar um taxi. O marido de Kagome ficava olhando o irmão indo embora e não deixava de sentir pena. Ele imaginava que não podia ter dor pior do que perder um filho, o que o fez se lembrar de Shippou e assim ele entra no departamento onde, lá dentro, Kagome ainda consolava Shippou. A esposa de InuYasha foi avistada por Raita, que não perdeu tempo e foi falar com ela, que percebeu a aproximação do jornalista.
KAGOME – Não quero dar declaração. (com a mão estendida contra ele) – Por favor, não insista.
RAITA – Mas eu queria uma declaração da senhora sobre sua sobrinha ser a vítima do estrangulador.
Kagome ficou surpresa com o fato de Raita já saber que Satsuki foi assassinada e quem é o principal suspeito, ainda assim não queria falar, mas Raita insistia.
RAITA – Acha que poderá usar isso na sua campanha?
KAGOME – O que?! (ela se mostrou indignada) – Essa insinuação é sórdida. Esse não é o momento para falar de política.
RAITA – Mas, nós, da imprensa, não podemos ignorar isso e... (InuYasha aparece diante deles)
INUYASHA – Não precisa ignorar nada. (encarando-o) – Faça seu trabalho, pergunte por aí, mas respeite a dor alheia.
RAITA – Farei isso. Pode acreditar.
Raita se afasta para falar com outras pessoas deixando a ambiente mais calmo por ali. Nisso InuYasha abraça a esposa e depois Shippou, que estava completamente desconsolado.
INUYASHA – Eu vim assim que soube.
SHIPPOU – Eu não acredito que ela esteja morta, pai. Como isso pode acontecer?
INUYASHA – Eu não sei, mas devemos confiar na investigação da polícia. (ela olha para Kagome) – A Sango está no caso?
KAGOME – Está. Ela e o parceiro já iniciaram a investigação. (ela muda de assunto) – Mas no momento tem outra coisa me preocupando. Como aquele jornalista ficou sabendo que a vítima era Satsuki?
INUYASHA – Lá fora ele confrontou Sesshoumaru, que acabou deixando escapar isso. Agora é questão de tempo isso aqui ficar repleto de jornalistas. Acho melhor não ficarmos aqui.
KAGOME – Se está falando da minha candidatura, não estou preocupada e...
INUYASHA – Não é sua candidatura que me preocupa e sim nosso filho.
SHIPPOU – Eu não quero ter que enfrentar aqueles jornalistas, mãe.
KAGOME – Está bem. Vamos sair antes que isso aqui encha de jornalistas.
INUYASHA – E quanto á Genku?
KAGOME – Soten está cuidando dele na casa do Miroku. Vocês dois vão para casa enquanto vou buscar Genku.
E assim Kagome, InuYasha e Shippou saem do departamento sob o olhar de Raita, que pretendia colher o máximo de informações antes de tornar publico aquela notícia, sem falar que, pretendia também deixá-la mais favorável á Ryukosei e enquanto isso Sango e Guy chegavam, de carro, ao prédio onde Nomer afirmou estar o celular de Satsuki.
GUY – Devemos esperar o mandato de busca para procurar o celular?
SANGO – Sim, mas o que não quer dizer que devemos ficar parados aqui. Vamos falar com o terapeuta de Satsuki.
GUY – O nome dele é Menoumaru. O consultório dele fica no terceiro andar.
Sango e Guy desceram do veículo para adentrarem o prédio, entrarem no elevador para irem ao terceiro andar onde ficava o consultório de Menoumaru, que os recebeu de bom grado.
MENOUMARU – Em que posso ajudá-los, detetives?
SANGO – Estamos trabalhando em um caso de assassinato e, infelizmente, a pessoa foi sua paciente. O nome dela é Satsuki.
MENOUMARU – O que?! Satsuki está morta?
SANGO – Se lembra dela?
MENOUMARU – Claro que sim! Ela foi minha paciente por cinco anos. Na verdade era para ser paciente na minha esposa, que também é terapeuta, por indicação da madrasta dela, mas ela preferiu se tratar comigo.
GUY – O senhor disse que foi, no passado. Quer dizer que não era mais?
MENOUMARU – Ela resolveu não quer mais vim as minhas consultas. Se uma paciente acha que está capaz de não precisar desse tipo de ajuda, nada posso fazer.
SANGO – Eu sinto que o senhor acha que ela ainda necessitava desse tipo de ajuda.
MENOUMARU – Satsuki é uma adolescente como qualquer outra. Sinto muito saber o que aconteceu com ela. Vou até ligar para minha esposa, já que ela foi terapeuta de Rin, madrasta de Satsuki. Já algum tempo que eu não a vejo.
GUY – Sério?! Pois rastreamos o celular dela nesse prédio. Achamos que ela veio procurar o senhor.
MENOUMARU – Estranho, mas ela não veio me procurar e... Ah sim! Agora me lembrei de algo.
SANGO – Se lembrou do que?
MENOUMARU – Um rapaz, colega dela, um tal de Xolan trabalha de ajudante geral na recepção do prédio.
SANGO – Xolan, amigo de Shippou, que era noivo de Satsuki.
MENOUMARU – Esse mesmo! Talvez Satsuki tenha vindo ver ele para botar alguns pingos nos ‘is’.
GUY – O que quer dizer com isso, doutor?
MENOUMARU – Olhem! Sabem perfeitamente que não posso falar nada das minhas consultas sobre Satsuki devido ao sigilo entre médico e sua paciente.
GUY – Mesmo quando sua paciente foi morta brutalmente por um serial-killer?
MENOUMARU – Sim. Relatos de qualquer paciente podem afetar terceiros. Mesmo que eu conte detalhes das consultas, nenhum tribunal aceitará isso, sem falar que nada que Satsuki me disse pudesse me levar a crer que ela estava em perigo.
SANGO – Tudo bem doutor. Não precisamos que deponha. Só nos coloque no caminho certo. Assim não ultrapassaremos os limites éticos.
MENOUMARU – Podemos tentar. Faça suas perguntas, detetive.
SANGO – O senhor deve saber que Satsuki estava noiva. Havia a possibilidade de ela estar tendo algum relacionamento com outra pessoa, talvez um homem mais velho do que ela?
MENOUMARU – Tipo alguém na faixa entre 25 e 30 anos?
SANGO – Então o senhor sabe de algo?
MENOUMARU – Eu tenho alguém em mente sim. Ela mencionou esse rapaz nas ultimas sessões. É alguém que ela conheceu quando trabalhava na loja de roupas. Acha que ele a matou?
SANGO – Sim. (ela respira fundo) – Vou abrir o jogo com o senhor porque é uma questão de tempo o senhor saber da notícia. Nós temos quase certeza que Satsuki foi vítima do famoso estrangulador das meias de nylon e provavelmente esse homem mencionado seja o assassino.
MENOUMARU – Meu Deus.
SANGO – Por isso precisamos saber o nome desse homem.
MENOUMARU – Não me lembro do nome direito. Isso já faz algum tempo. Vou precisar consultar minhas anotações. Minha secretária pediu demissão recentemente e não deu tempo de contratar outra. (ele abre a gaveta do armário dos arquivos) — Por isso vou procurar pessoalmente.
SANGO – Eu agradeço, doutor.
MENOUMARU – Você disse que tinha quase certeza que Satsuki foi morta pelo estrangulador. (ele continua procurando) — Existe a possibilidade de ser outra pessoa?
GUY – Sempre tem uma pequena possibilidade de alguém estar imitando esse bandido.
MENOUMARU – Entendo perfeitamente. (ele finalmente acha as anotações) – Aqui está. (ele a pega e começa a ler) – Deixe-me ver. (ele encontra) – Aqui. (Sango pega a anotação)
SANGO – O nome dele é Bayashi. (ela olha para Guy) – Esse nome é familiar, não?
GUY – Não mesmo.
Guy tira uma folha de papel do bolso, mas não era uma folha qualquer e sim a enorme lista de suspeitos de ser o estrangulador das meias de nylon. Guy não demorou muito para achar o nome de Bayashi nela.
GUY – O nome dele está aqui.
SANGO – O senhor sabe o grau de relacionamento entre Satsuki e Bayashi?
MENOUMARU – Eu não acho que era algo amoroso, se é o que pensam. O interesse dela por ele era de outro tipo.
GUY – Como assim de outro tipo?
MENOUMARU – Parecia que ela queria descobrir algo dele.
SANGO – Satsuki descobriu de alguma maneira que Bayashi era o estrangulador. Acho que resolvemos o caso.
GUY – Não sabemos ainda.
SANGO – Para mim está muito claro. Satsuki conhecia Bayashi. Ele a matou por que descobriu sua identidade. Isso explica o fato de Satsuki ser diferente das outras vítimas.
GUY – Mas não explica o celular dela nesse prédio e...
Naquele momento um oficial de justiça entra na sala e entrega um documento para os detetives. Era o mandato judicial que permitia a busca pelo celular em todo prédio.
SANGO – Vamos descobrir isso agora, Guy.
MENOUMARU – Como já disse, detetives, não posso testemunhar contra esse rapaz se ele for culpado.
SANGO – Eu compreendo, doutor. Já nos colocou no caminho certo.
Sango e Guy se curvam para Menoumaru, em sinal de despedida, para em seguida saírem da sala para coordenar a busca pelo celular de Satsuki.
MINUTOS DEPOIS
Sango e Guy já estavam no térreo coordenando a busca pelo celular de Satsuki. Aproveitando isso, eles interrogavam as pessoas no local. Uma delas era o gerente do prédio.
SANGO – Então o senhor não sabe se essa moça esteve aqui? (mostrando uma foto de Satsuki)
GERENTE – Não posso afirmar com segurança. Normalmente eu apenas cuido da parte burocrática. O entre e sai do pessoal fica a cargo da recepcionista.
GUY – Iremos falar com ela. Obrigado.
Sango e Guy iam em direção á recepção do prédio até que eles são abordados por um policial que lhes entrega uma foto. Depois disso os dois vão falar com a recepcionista.
SANGO – Por acaso viu se esse homem já entrou nesse prédio? (mostrando a foto que era de Bayashi)
RECEPCIONISTA – Não.
GUY – Tem certeza? Olhe bem.
RECEPCIONISTA – Já disse que não. Um homem bonito desses eu não ia esquecer. (sorrindo)
SANGO – Dispenso seu comentário sobre a beleza dele. (ela mostra a foto de Satsuki) – E ela?
RECEPCIONISTA – Essa eu vi. Ela não chegou a entrar no prédio, mas discutiu feio com o ajudante geral.
GUY – Nome dele é Xolan, não?
RECEPCIONISTA – Esse mesmo. Pensei que essa moça fosse namorada dele. Foi o maior barraco. Rolou até tapa no rosto.
SANGO – Está ficando interessante. Pode dizer onde está Xolan? Eu não o encontrei por aqui.
RECEPCIONISTA – Ele deve ter ido comprar algo que estava faltando no almoxarifado. Já, já ele está de volta.
Naquele exato momento outro policial aborda Sango e Guy afirmando que encontraram o celular de Satsuki. Sendo assim a dupla de detetives seguiu o policial até ao vestiário dos funcionários apontando, logo depois, para um armário em particular no meio tantos outros, cuja a porta estava arrombada.
POLICIAL – Eis a prova. (ele usa o celular dele e disca o numero do celular de Satsuki fazendo o aparelho tocar) – Satisfeito?
SANGO – Esse é o celular de Satsuki. (ela olha para o policial) – Bom trabalho.
Depois disso, o policial usa um lenço para pegar o celular a fim de conservar as digitais. Embala o aparelho em uma sacola plástica para levar ao laboratório do departamento de polícia. Sango e Guy, na Cia do gerente do prédio, voltavam para a entrada do prédio.
GUY – Agora vamos aos fatos. (ele olha para o gerente) – De quem é o armário?
GERENTE – Vou ter que olhar na agente para ter certeza. (ele começa a olhar um livro de registro) – Aqui está ele é de...
SANGO – Xolan, não?
GERENTE – Isso mesmo!
Por uma incrível coincidência, Xolan acabara de retornar naquele exato instante e estranhou o fato de haver um monte de policiais no local.
XOLAN – O que está havendo?
SANGO – Isso é o que você vai ter que explicar, meu rapaz.
Diante dos fatos, Sango e Guy levaram Xolan para uma sala ali mesmo no prédio para que pudessem interrogá-lo, pois ele tinha muito que esclarecer.
Próximo capítulo = Tenebrosa realidade – parte 3
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