Noite sem Fim
39 Surpreendente reencontro - parte 3
Shippou ainda estava paralisado com a imagem da garota que estava em sua frente e apesar de não vê-la por cinco anos ele podia reconhecê-la pelo seu inconfundível par de olhos. Kagome e InuYasha demoraram um pouco para reconhecer a jovem, que continuava a lançar um olhar de ódio contra Shippou, que não estava entendendo o que estava se passando.
SHIPPOU – O que foi? (ele se levanta) – Por que está me olhando assim, Soten?
SOTEN – Você é muito cínico mesmo. (ele olha para o Mestre Zhi) – A luta acabou.
Depois de dizer essas palavras, Soten simplesmente pega o capuz, coloca-o de volta, entra no templo e some das vistas de todos os outros que ainda estavam surpresos com a presença dela naquele lugar.
ZHI – Acho que temos muita coisa para conversar.
INUYASHA – Sim, primeiro queremos saber o que Soten faz aqui.
SHIPPOU – Isso é óbvio, InuYasha. (ele se aproxima de todos) – Miroku a trouxe para cá. (ele olha para o Mestre Zhi) – Não é?
ZHI – Isso mesmo. (ele respira fundo) – Mas me digam uma coisa, vocês conheceram o Miroku?
INUYASHA – Mas é claro que sim! Foi ele quem me indicou o senhor para aprender artes marciais. Está ficando caduco?
ZHI – Eu tinha me esquecido disso. (sorrindo e depois ficando sério) – Agora me diga uma coisa. Onde está aquele inútil do Miroku? Não sabe o que tive que agüentar dessa aluna problemática.
KAGOME – É melhor voltarmos a nos sentar, Mestre Zhi, pois a história que vamos contar é longa.
Assim os quatro voltaram para a sala onde tinha tomado chá onde contam, com detalhes, todos os acontecimentos de cinco anos atrás. Desde o início da trama com o Grupo Naraku, passando pelo envolvimento da Ordem da Espada Morta até aos atentados contra a vida de seus amigos.
ZHI – Então vocês não sabiam que Miroku tinha deixado Soten aqui?
KAGOME – Miroku morreu antes que pudesse contar isso.
ZHI – Entendo.
Mestre Zhi se levanta e depois olha para a parede onde estavam escritos os nomes de todos os alunos que ensinou artes marciais. Levou a mão até a parte onde estava o nome de Miroku.
ZHI – Ele ficou pouco tempo comigo, mas mesmo assim sabia que ele era uma pessoa especial. Devia ter imaginado que alguma coisa tinha acontecido com ele para não ter vindo pegar Soten.
SHIPPOU – É por isso que Soten está revoltada assim? (ele se levanta indo até o Mestre Zhi)
ZHI – Sim. (ele abaixa o olhar) – Ela acha que todos vocês a abandonaram.
SHIPPOU – Eu preciso falar com ela. Contar o que houve.
ZHI – Não! Deixe-me fazer isso. Com a raiva que está, não vai ouvir ninguém.
INUYASHA – O Mestre Zhi tem razão, Shippou.
KAGOME – Você terá a oportunidade de conversar com ela.
SHIPPOU – Ok! Ok! Vocês venceram.
ZHI – Fiquem á vontade.
InuYasha, Kagome e Shippou observam Zhi se afastando deles a fim de falar com Soten, que estava em seu pequeno quarto, o qual não tinha pertences pessoais dela, apenas roupas ninja e um colchão. Ela já estava sem a mascara e tentava, inutilmente, ordenar seus pensamentos até que ouve umas batidas na porta.
ZHI – Soten! Posso entrar?
SOTEN – Claro, Mestre.
Mestre Zhi adentra o quarto da jovem que permanecia de costas para ele, como se não quisesse que seu mestre visse sua raiva e se manifestou antes dele.
SOTEN – O que eles queriam?
ZHI – Encontrar um ex. aluno meu que está cometendo crimes. (ele se aproxima ainda mais dela que permanecia de costas) – Mas não vim falar disso.
SOTEN – Ah, já sei! Acho que veio aqui para me falar das justificativas deles. Dos motivos por terem me abandonado nesse lugar. O motivo para terem me deixado para trás e seguido suas vidas.
ZHI – Infelizmente nem todos seguiram suas vidas. (ele olha para o lado) – Miroku morreu no mesmo dia em que te deixou comigo.
Ao ouvir aquela frase, Soten, no impulso, se virou para olhar o seu mestre que permanecia olhando para o nada, com um olhar perdido de quem sentiu a morte de um filho.
SOTEN – O que?! Miroku morto?
ZHI – Isso mesmo. (ele volta a olhar para ela) – Ele não te abandonou. Ninguém te deixou para trás.
SOTEN – Mas e eles? (falando de InuYasha, Kagome e Shippou) – Por que ninguém veio me buscar?
ZHI – Porque Miroku não contou á ninguém. A conspiração que ele enfrentava era bem mais ampla do que a simples participação da Ordem da Espada Morta. Segundo InuYasha, Miroku se matou para não ser usado como peça de chantagem.
SOTEN – Então eles não me abandonaram? Não me deixaram para trás?
ZHI – Exato.
SOTEN – Eu não sei o que dizer. Eu não sei o que pensar.
Diante daquelas palavras o Mestre Zhi nada disse e apenas estendeu seus braços a fim de oferecer um abraço á sua mais nova aluna, que aceitando o convite, correu para seus braços, um sinal de que, apesar de não gostar de estar naquele lugar, Soten tinha uma enorme gratidão por ele tê-la acolhido.
ZHI – Soten. (depois ele sorri) – Eu percebi uma coisa.
SOTEN – O que, mestre?
ZHI – Eu nunca vi você lutar tão intensamente. Nem nos treinos. (ele lança um olhar malicioso) – Há algo entre você e aquele rapaz?
SOTEN – O que? (ela se afasta) — Shippou?! (ela fica meio corada) – Isso não é da sua conta.
ZHI – Eu sou seu mestre. Respeite-me.
SOTEN – Eu o respeito, mas isso continua não sendo da conta do senhor.
Soten sorri depois de dizer aquilo e Zhi retribui com o mesmo sorriso e enquanto isso no Japão, mas precisamente na universidade de Tóquio, muitos jovens estavam aglomerados no pátio onde estava a lista com os nomes de quem passou no vestibular. Entre esses jovens estavam Satsuki e Maya.
MAYA – Encontrou seu nome?
SATSUKI – Estou procurando.
A dificuldade de encontrar o nome era porque a lista de aprovados não estava em ordem alfabética e sim por nota tirada, ou seja, no topo estava o nome daquele que tirou a maior nota e em baixo o nome de quem tirou a menor nota.
SATSUKI – Achei! Achei! Está aqui.
MAYA – Poxa Satsuki. Você ficou na rabeira. (vendo que o nome dela estava na parte de baixo)
SATSUKI – Isso não me importa. Importante é que eu passei. (abraçando a amiga) – Se está fazendo pouco caso da minha nota é porque passou também, não é?
MAYA – Ah sim! Eu fiquei com nota melhor do que a sua.
Satsuki e Maya saem do meio da aglomeração de jovens depois da confirmação que ambas passaram no vestibular para se sentarem em um banco dali.
SATSUKI – Que alívio. (ela respira fundo) — Eu passei. Um problema á menos.
MAYA – Eu sei. (ela segura a mão da amiga em sinal de apoio)
SATSUKI – Viu se Xolan também passou?
MAYA – Se sabe que nem reparei. Eu estava tão nervosa procurando meu nome que não vi o de Xolan e...
Maya para de falar, pois foi abraçada, por trás, pelo namorado, que diante da felicidade com que fez o gesto estava claro que o nome dele estava na lista dos aprovados.
XOLAN – É claro que eu passei, sua tolinha. (ele da a volta ficando de frente á ele) – Não vai se livrar tão fácil de mim, gata.
MAYA – E nem quero.
Vendo que estava sobrando, Satsuki se levanta do banco para deixar casal de namorados á sós e ao se afastar deles, ela ouve burburinhos dos outros jovens sobre o nome de Shippou, querendo saber quem era, pois tinha tirado a maior nota. Satsuki ficou curiosa e voltou ao quadro onde estava a lista de aprovados e ela teve a confirmação que de fato Shippou tirou a maior nota.
SATSUKI – Não é á toa que ele estava tão confiante. Terminou a prova antes que todo mundo.
Sem perceber Satsuki abriu um sorriso, pois no fundo estava feliz pelo primo, mas depois um sentimento de tristeza invadiu seu peito, pois ela observava Maya e Xolan comemorando e se beijando. Isso a fazia imaginar como seria se Shippou e ela ainda fossem namorados. Certamente também estariam se beijando em comemoração.
SATSUKI – Eu tenho que parar de pensar nele desse jeito.
Satsuki balançava a cabeça negativamente como se quisesse tirar aqueles pensamentos dela e seu gesto foi observado por Maya, que tocou seu ombro.
MAYA – Satsuki! Está se sentindo bem?
SATSUKI – To! Não se preocupe. Eu só vi algo que me surpreendeu. (abrindo um sorriso) — É só isso.
MAYA – Depois me fala o que é. (ela puxa a amiga para saírem do meio da aglomeração) – O Xolan ‘descolou’ para uma festa em um clube. Eu queria saber se não quer ir com a gente.
SATSUKI – Xolan ‘descolou’?! Não tem nenhuma sujeira por trás disso?
MAYA – Não Satsuki! Essa festa foi organizada pelo filho de um industrial que alugou o clube casa ele passasse. E convidou todos que passaram.
SATSUKI – E você vai?
MAYA – Sim. (ela segura a mão da amiga) – E gostaria que fosse também. A gente vai direto para lá.
SATSUKI – Eu não sei não e...
MAYA – Eu sei que você implica com Xolan, mas eu queria que deixasse isso de lado. Vamos nos divertir. Nós merecemos.
SATSUKI – Tá bom! Eu vou. (ela sorri) — Feliz agora?
MAYA – Agora estou. Vamos lá. O Xolan sabe onde é.
As duas amigas estavam muito animadas para e enquanto isso, na China, mais precisamente no templo do Mestre Zhi, InuYasha, Kagome e Shippou ainda conversam sobre a surpresa de encontrarem Soten no templo quando naquele momento Zhi retorna á sala acompanhado de Soten.
SHIPPOU – Soten.
ZHI – Bem, acho que temos muito que conversar.
SOTEN – É.
ZHI – Vou deixá-los á vontade.
Mestre Zhi sai, pois sabia que eles tinham muito que conversar. Soten estava um pouco nervosa com a situação um tanto inusitada, mas foi a primeira a se manifestar.
SOTEN – Me desculpem pela minha atitude de antes e...
KAGOME – Não precisa se desculpar, Soten.
INUYASHA – Só queremos que esclareça algo.
SOTEN – O que?
SHIPPOU – Como você conseguiu mandar aquelas mensagens sobre a pessoa que queria matar Kagome.
INUYASHA – Certamente você descobriu que algum ninja que passou por aqui está por trás disso, não é?
SOTEN – Matar Kagome?! Ninja daqui? Mandar mensagens?! Não sei do que estão falando.
SHIPPOU – Como não, Soten? Você enviou mensagens em fluxos decodificados por e-mail com a freqüência de sinais que só você sabia e...
SOTEN – Shippou! Eu não mandei e-mail nenhum. Olhem ao redor. Aqui nesse templo não tem nem radio de pilha e nunca saí desse templo desde que Miroku me deixou aqui.
SHIPPOU – Mas não pode ser. Eu vi. Os a freqüência de sinais do e-mail eram de um código que nós tínhamos. Você passou isso á alguém?
SOTEN – Olha Shippou! Eu não sou tão boa quanto você nisso de computação. Eu não sei o que dizer.
InuYasha, Kagome e Shippou olharam entre si ao perceberem que estavam diante de outro mistério, pois se não foi Soten que enviou mensagens á Shippou, outra pessoa fez isso.
KAGOME – Quando a gente acha que está mais perto da solução, outro mistério aparece.
SOTEN – Kagome! Desculpe-me, mas eu ouvir bem? Tem alguém querendo te matar?
INUYASHA – Sim. Eu vou contar tudo á você.
InuYasha conta á Soten os detalhes da ameaça que Kagome estava sofrendo e que isso era obra de Zuza que estava sendo ajudado por Natsume e Kageroumaru.
SOTEN – Eu nunca ouvi falar nesses nomes. (ela olha para Kagome) — Você sabe por que esse Zuza quer te matar?
KAGOME – Eu não tenho a menor idéia. Só sei que ele foi apaixonado pela ex. namorada de InuYasha e que tinha sido uma cobaia de uma experiência científica.
SOTEN – Mas que loucura. (ela se afasta um pouco para reordenar as idéia) – E vocês estão aqui por que acham que um ex. aluno do Mestre Zhi está por trás disso?
SHIPPOU – Sim! Eu e InuYasha já lutamos com ele e temos certeza que ele tem o estilo do Mestre Zhi. (ele se aproxima dela) – Sabe de alguma coisa?
SOTEN – Eu não sei de nada. Eu sou a última aluna que ele recrutou. E contra sua vontade, diga-se de passagem. Eu sinto muito não poder ajudar.
KAGOME – Shippou! Por que não fica um pouco com Soten? Conte á ela o que aconteceu nesses cinco anos em que ela esteve aqui nesse templo.
SHIPPOU – Boa idéia. (depois ele olha para Soten) – Eu te conto isso e você aproveita e me mostra o templo.
SOTEN – Ok, mas antes... (depois coloca o capuz) – Agora podemos ir.
Soten sorri e assim ela e Shippou se afastam dos outros e nisso InuYasha lança um olhar reprovador para a esposa que percebe tal gesto.
KAGOME – O que foi?
INUYASHA – Eu sei no que está pensando.
KAGOME – E no que estou pensando?
INUYASHA – Ora Kagome! Acha que não vejo o que está fazendo? Apesar de Satsuki ser nossa sobrinha, você nunca escondeu que preferia Soten como namorada de Shippou e agora está vendo a possibilidade de isso voltar a acontecer.
KAGOME – Eu só quero que o Shippou seja feliz e...
INUYASHA – Eu também, mas isso é assunto dele. Ele resolve.
KAGOME – Eu sei, mas não custar dar um ‘empurrãozinho’, não é? (piscando para ele)
INUYASHA – Sei.
KAGOME – Vamos conversar com o Mestre Zhi. Tem algumas coisas que tenho que falar com ele. Tirar algumas dúvidas.
INUYASHA – O que você quer falar com ele? Por acaso quer receber mais e mais elogios. (ela começa a rir)
KAGOME – Mas que gracinha. Você está com ciúmes. (ela ria ainda mais o deixando meio contrariado)
INUYASHA – Até parece que eu ia sentir ciúmes de um bode velho.
KAGOME – Mestre Zhi, eleitores, correligionários. Todos podem ter coisas que admiro, mas meu coração é todo seu. Sabe muito bem que só tenho olhos para você.
INUYASHA – Sei.
A expressão no rosto de InuYasha ainda era séria, mas de repente surgiu um sorriso que ele tentou disfarçar, mas que não escapou aos olhos atentos da esposa, que depois disso juntou seus lábios aos dele, depositando um beijo que foi seguido por outros. Nesse momento Mestre Zhi retorna á sala e flagra o beijo.
ZHI – Respeitem meu templo, por favor. (eles se separam)
INUYASHA – Olha só quem chegou.
KAGOME – Me desculpe pela indiscrição e...
ZHI – Tudo bem. (ele sorri) – Eu estava brincando. (ele nota a ausência de Soten e Shippou) – Onde estão aqueles dois?
KAGOME – Soten está mostrando o templo para Shippou. (ela sorri) — Eles têm muito que conversar. (depois fica séria) – Assim como nós temos muito que conversar com o senhor.
ZHI – Sei. (ele entrega um bilhete para InuYasha) – Aqui está a lista com os nomes dos alunos que foram expulsos por mim.
INUYASHA – São sete nomes. Um deles deve ser o misterioso mascarado. Vamos aproveitar que iremos á polícia chinesa e mostrar isso á eles.
KAGOME – Isso é ótimo, mas ainda temos outro assunto.
ZHI – Que seria?
KAGOME – Soten. (ela faz uma pausa antes de prosseguir) – Ela nos contou que passou esses últimos cinco anos, confinada aqui. Por que isso?
ZHI – Vocês não entendem?! Eu nunca aceitei mulheres como alunas. Á princípio Soten deveria ficar apenas como hospede, mas Miroku não retornou e eu não sabia o que fazer com ela. Não poderia deixá-la na rua, abandonada, sem ninguém para cuidar dela. Então resolvi ficar com ela, mas tive que esconder a presença dela dos outros alunos.
INUYASHA – E é por isso que ela usa aquela mascara?
ZHI – E tudo isso associado ao total desconhecimento sobre a conspiração. Não sabia se ainda estavam atrás de Soten. Eu não podia arriscar e...
KAGOME – Eu já entendi, mestre. O senhor só fez isso pela segurança dela. E agradeço por isso, mas ela não tem por que ficar aqui mais.
Diante daquelas palavras, Mestre Zhi sabia perfeitamente que aqueles eram os últimos momentos com sua rebelde aluna e enquanto isso, depois de passearem pelo templo, Soten e Shippou estavam no telhado do mesmo, observando o treinamento dos alunos do Mestre Zhi.
SHIPPOU – Então ninguém daqui sabe que é uma garota?
SOTEN – Exato! É por isso que tenho que vestir esse capuz e também essa roupa larga de ninja, que esconde minha feminilidade.
SHIPPOU – E nunca ficou com vontade de sair?
SOTEN – Claro que sim. O tempo todo, mas o mestre me convenceu a não sair. Ele estava com medo da Ordem da Espada Morta que estava atrás de mim. Nós não tínhamos muitas notícias do Japão.
SHIPPOU – Mas agora tudo acabou, Soten, ou pelo menos parte disso. A Ordem da Espada Morta foi destruída, mas descobrimos outra conspiração. Essa bem mais antiga que envolvia pessoas próximas á nós.
SOTEN – E Miroku morreu por isso.
Ela fica triste e começa a derramar lágrimas e mesmo estando com o capuz, suas lágrimas foram percebidas por Shippou.
SHIPPOU – Está chorando? Não fique assim. Eu não pretendia deixá-la triste e...
SOTEN – Não é isso, Shippou. (ela aperta os joelhos com as mãos) — É que nesses últimos cinco anos, eu odiei todos você, mais principalmente Miroku por achar que tinha me abandonado, descumprindo a promessa que me fez. Eu o amaldiçoei todos esses dias, mas agora que sei que ele não veio porque morreu, me sinto a pior das pessoas.
SHIPPOU – Era compreensivo que tivesse raiva. Não sabia o que estava acontecendo. (ele segura a mão dela) – Mas agora tudo isso é passado e você poderá retornar sua vida.
SOTEN – A Ordem da Espada Morta pode ter sido destruída, mas eu ainda continuo sozinha e...
SHIPPOU – Não Soten! Você tem que voltar. Eu ainda não te contei, mas devido ao fato de Miroku ter solicitado uma permissão especial para que você viajasse, o processo de adoção foi concluído. (ele sorri)
SOTEN – Está dizendo que eu sou filha de Miroku? É isso, Shippou?
SHIPPOU – Exato. Isso não é maravilhoso?
Soten abriu um sorriso diante daquela revelação, mas depois esse mesmo sorriso foi desfeito pela lembrança da morte de Miroku.
SOTEN – Mas isso não adianta de nada, pois Miroku, meu pai, está morto. Estou sozinha de novo.
SHIPPOU – Não Soten. Não está sozinha. Tem outra coisa que precisa saber. (ele faz um pouco de suspense) – Sendo filha de Miroku, você ganhou automaticamente uma irmã.
SOTEN – Hã?! Do que está falando?
SHIPPOU – No mesmo dia da tragédia, Sango descobriu que estava grávida de Miroku. Ela deu a luz á uma menina chamada Tamira, que hoje tem quatro anos de idade. Viu? Você não está sozinha, pois tem uma família.
SOTEN – Uma irmã?! Isso que é surpresa. (ela fica pensativa) – Como Sango reagiu a isso? Pelo que me recordo, ela não era muito favorável. Talvez pelo fato de eu ter sido uma das responsáveis pela morte do irmão dela e...
SHIPPOU – Isso não é verdade! Sango já esclareceu isso. Ela pode ter passado essa impressão porque na época ela e Miroku estavam estremecidos.
SOTEN – É verdade.
SHIPPOU – E tem outra coisa. Por causa da revelação de que você também é filha de Miroku há uma pendência quanto á herança dele. Sango precisa de sua autorização para usar o dinheiro de Miroku para criar uma fundação já que você é tão herdeira quanto Tamira. Por isso que você tem que voltar.
SOTEN – É só por isso que você quer que eu volte ao Japão?
SHIPPOU – Sim. Você tem uma família agora. Pensei que isso fosse suficiente.
De certa maneira Soten ficou feliz pelo fato de ter uma irmã, mas no fundo ficou um pouco chateada pela falta de interesse de Shippou por ela. Quando soube que ele estava á procura dela, a chama do amor que sentia voltou a se ascender deixando claro que ela ainda era apaixonada por ele e antes que ela pudesse se manifestar á respeito, a conversa deles fora interrompida pelos chamados de InuYasha e Kagome.
INUYASHA – Hei vocês dois! Desçam aqui.
KAGOME – Precisamos conversar.
Atendem ao pedido dos pais, Shippou, junto com Soten, descem do telhado do templo e se juntam á eles.
SHIPPOU – Sim?
INUYASHA – Eu e Kagome vamos falar com a polícia chinesa e aproveitarem para mostrar uma lista de alunos expulsos por Mestre Zhi.
SHIPPOU – Então vamos todos juntos e...
KAGOME – Não há necessidade de irmos todos juntos. Fique aqui com Soten. Tenho certeza que tem muito que falar.
SOTEN – Ela já me falou que Miroku é meu pai e que também tenho uma irmã.
KAGOME – Mas não vamos contar nada para Sango. Vamos fazer uma surpresa, ok?
SHIPPOU – Por que está me deixando fora disso?
KAGOME – Não seja bobo, Shippou. Saia com Soten e fale tudo que aconteceu com você nesses cinco anos. Leve-a para ver algum filme aqui na China. (mexendo em sua bolsa) – É um crime ela ter ficado esse tempo todo confinada no templo sem conhecer essa bela cidade.
SHIPPOU – Ta.
KAGOME – Tome. (ela um cartão de credito) – Use-o para o taxi, cinema.
SHIPPOU – Ta! Ta! Eu já entendi.
KAGOME – Soten! Aproveite para comprar algumas roupas para você. Não pode ficar usando essa roupa de ninja o tempo todo.
SOTEN – Obrigada.
INUYASHA – Vamos embora, Kagome. (depois olha pra Shippou e Soten) – A gente volta mais tarde.
InuYasha puxou a esposa para eles irem embora. Kagome deixava claro que queria que o filho se acertasse com a ‘recém descoberta’ filha de Miroku. Shippou não entendia nada.
SHIPPOU – Entendeu alguma coisa?
SOTEN – Sim. Entendi que apesar de ter crescido, você ainda continua sendo o ingênuo de sempre.
SHIPPOU – Não sei do que está falando.
SOTEN – Mas esquece isso, Shippou. (ela o puxa pelo braço) – Agora quero que me faça o que Kagome pediu. Conte-me tudo que aconteceu nesses cinco anos.
Soten praticamente arrastou Shippou para dentro do templo e enquanto isso, no Japão, Satsuki, que estava no carro que Xolan dirigia, falava com Rin pelo celular á respeito da festa a qual estava indo.
RIN – Você e sua amiga podiam me dar uma força aqui com as crianças, não é? (olhando para a bagunça feita por Genku, Tamira e Sara)
SATSUKI – Ah Rin! É só uma ‘comemoraçãozinha’ pelo sucesso no vestibular. Acho que mereço, não é?
RIN – Sim, mas não acho boa idéia ir á uma festa com esse Xolan. Seu pai não vai gostar.
SATSUKI – Olha Rin! Eu prometo que saímos cedo. Eu só quero marcar presença. Eu nem vou beber nada. Prometo.
RIN – Ok, mas tem que falar com seu pai. Eu me viro com as crianças até lá.
SATSUKI – Valeu querida madrasta. Você é dez.
RIN – Eu queria ser dez. (ela ia desligar e se lembrou de algo) – Ah sim, parabéns por ter passado.
SATSUKI – Obrigada.
Satsuki, que estava no banco de trás do carro, desliga seu celular e em seguida olha para a amiga que estava sentada no banco do carona.
MAYA – Você disse que não vai demorar muito?
SATSUKI – Sim. Eu tenho responsabilidades. Fazendo alguma coisa deixo de pensar nos problemas.
MAYA – Ou deixa de pensar no Shippou, não é?
XOLAN – Shippou devia estar aqui, curtindo. Ele agora é famoso por ser o calouro numero um.
SATSUKI – O problema é que Shippou não está atrás de fama. Ele está atrás de outra coisa.
Maya e Xolan não entenderam o que Satsuki queria falar com aquilo e resolveram não perguntar e enquanto isso na China, mais precisamente em dentro uma loja de roupas femininas, Shippou acabava de contar para Soten fatos importantes de sua vida nesses cinco anos enquanto ela escolhia algo para ela.
SOTEN – Poxa! Isso que se pode chamar de mundo pequeno. InuYasha ser seu pai biológico é muita surpresa para mim.
SHIPPOU – Então imagina para mim. (observando-a escolher uma calça)
SOTEN – Será que não foi isso que causou o fim do seu namoro com Satsuki?
SHIPPOU – Eu cheguei a pensar isso, mas foi outra coisa. Ela já estava estranha comigo antes disso e só piorou quando ela descobriu que eu estava te procurando.
SOTEN – Eu de certa maneira fui responsável pelo fim do seu namoro. (pegando uma camisa) — Eu sinto muito.
SHIPPOU – Tudo bem.
Soten dizia que sentia muito, mas estava extremamente feliz com aquela notícia, por outro lado, percebeu que Shippou ainda sentia algo forte pela prima e que não era algo que pudesse ser superado assim de uma hora para outra, mas se quisesse ter alguma chance, precisaria agir imediatamente.
SOTEN – Sabe Shippou? Eu nunca esqueci o nosso beijo no aeroporto. Na nossa despedida.
SHIPPOU – Nem eu. (ele ficou um pouco corado pela lembrança)
SOTEN – Sei. (ela fica com esperanças)
SHIPPOU – Mas éramos crianças e isso foi á muito tempo. Muita coisa aconteceu.
SOTEN – Tem razão. (ele fica triste com a reação dele) – “Droga! Ele ainda pensa nela”. (pensando)
SHIPPOU – E um dos meus objetivos é encontrar o sujeito que quer matar Kagome.
SOTEN – E por que não faz isso agora?
SHIPPOU – Do que está falando?
SOTEN – Você disse que viu a loja que tem o mesmo nome da loja aonde Satsuki trabalhava e que provavelmente é o ponto usado por esse Loki para traficar, não é?
SHIPPOU – Isso mesmo.
SOTEN – Então vamos até lá, esperamos esse Loki aparecer e quando isso acontecer, pegamos ele. Você disse que a loja é aqui perto.
SHIPPOU – Ok, mas por que esse interesse?
SOTEN – Esse Loki pode estar envolvido com a conspiração que matou Miroku, meu pai. O que faria no meu lugar?
SHIPPOU – Tem razão.
SOTEN – Mas antes eu quero provar essas roupas.
Soten dá uma piscada para Shippou, deixando-o corado com seu gesto, e depois vai ao provador com as roupas que escolheu.
Próximo capítulo = Surpreendente reencontro – parte 4
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