Noite sem Fim
19 O despertar - parte 1
Depois de terem passado a noite juntos, Shippou e Satsuki estavam adormecidos na cama, ela, com a cabeça encostada no peito dele, foi a primeira a despertar e percebendo onde estava, acaba se apavorando ao ver a luz do dia pela janela.
SATSUKI – Essa não! (ela se levanta o que faz Shippou despertar também)
SHIPPOU – Que horas são?
Shippou não tem sua pergunta respondida, pois Satsuki estava se vestindo rapidamente o que fez ele se levantar também para colocar apenas uma cueca e em seguida foi até Satsuki, já vestida, para beijá-la, mas ao fazer isso, ela desvia-se do beijo.
SHIPPOU – O que foi? (não entendendo a atitude dela)
SATSUKI – Um beijo agora é muita intimidade.
SHIPPOU – Muita intimidade?! Do que está falando?! O que tivemos aqui nesse quarto não foi muita intimidade?
SATSUKI – Isso é diferente.
Satsuki se afastou de Shippou para se sentar na cama a fim de calçar os seus sapatos, a atitude da filha de Sesshoumaru estava deixando Shippou intrigado e apenas se aproxima um pouco dela, ficando bem em sua frente antes de se manifestar.
SHIPPOU – O que está acontecendo? Eu falei alguma coisa de errado? Por favor, me diga, Satsuki.
SATSUKI – Quer mesmo saber o que está acontecendo? (ela acaba de calçar os sapatos) – Eu vou dizer. (ela se levanta e o encara) – Ontem eu vi meu pai beijando outra mulher e isso me deixou com raiva, muita raiva.
SHIPPOU – Ainda não entendi! O que isso tem haver com a gente?
SATSUKI – Eu quis transar com você para provar a mim mesma que não sou uma ingênua como meu pai diz, e também porque estava muito nervosa e estressada e queria aliviar a tensão.
Shippou ouviu cada palavra dita por Satsuki e um mal estar invadiu seu estomago, não acreditando que a ex. namorada o tinha usado para aqueles fins, ela por sua vez percebeu a expressão no rosto dele, sentia um pouco de pena, mas sabia que era assim que deveria agir.
SATSUKI – Por que está fazendo essa cara? Você acabou de transar com uma das garotas mais populares! Devia se sentir orgulhoso. (sendo debochada e nem um pouco modesta)
SHIPPOU – Mas e ‘nós’?
SATSUKI – Vê se cresce Shippou! Não existe mais ‘nós’! Não temos mais nada! O que houve aqui foi só sexo e nada mais.
Shippou, com os olhos arregalados, ouvia, com incredulidade, todas aquelas palavras proferidas por Satsuki, que o fez explodir em indignação.
SHIPPOU – Por que está fazendo isso comigo? (ela vira o rosto para não encará-lo) – Eu já estava disposto a te esquecer.
SATSUKI – Então o faça. (ficando de costas para ele)
SHIPPOU – Vai ser impossível depois do que houve entre nós dois. (ele segura a mão dela) – Eu te amo, Sats...
SATSUKI – Solte-me! (se desvencilhando dele) – Você é patético, Shippou! Será que vou ter que soletrar? Terminamos! Acabou! É o fim.
A incredulidade nos olhos de Shippou deu lugar á um imenso vazio diante das palavras duras de Satsuki e assim ele não esboçou mais nenhuma reação, apenas abaixando o olhar, percebendo isso, Satsuki passou por ele e saiu pela porta, não antes de dar uma olhada no ex. namorado que permanecia de cabeça baixa e enquanto isso Natsume e Kageroumaru percorrem o corredor de seu esconderijo até chegarem á cela onde estava Gatenmaru acorrentado.
NATSUME – Temos uma proposta para te fazer, Gatenmaru.
GATENMARU – Eu não vou falar nada! Já disse que morro se contar algo.
NATSUME – Eu acho que não está com medo de Ryukosei, acho que é outra coisa que te impede de falar o que sabe dele.
GATENMARU – O que seria?
NATSUME – O que não, mas quem. (ela sorri) – Yura.
Ao ouvir aquele nome, Gatenmaru sente o sangue ferver de raiva, se lembrar de Yura era lembrar-se da humilhação de ter sido enganada por ela por tanto tempo e naquele exato momento, Zuza entra no local.
ZUZA – Escutem vocês dois! (olhando para Natsume e Kageroumaru) – Ele já disse algo? (falando de Gatenmaru)
NATSUME – Ainda não, mas logo irá soltar a língua, não é, Gatenmaru?
GATENMARU – Se me entregarem Yura, talvez eu colabore com vocês.
Natsume sorri diante daquelas palavras de Gatenmaru e assim ela, Kageroumaru e Zuza saem da cela para conversarem.
ZUZA – Acha que ele vai colaborar?
NATSUME – Claro que não! Gatenmaru é uma cobra, mas no momento é nossa única forma de conseguir algo contra Ryukosei.
KAGEROUMARU – Mas e Elisa? Ela é esposa dele! Pode nos ajudar e...
NATSUME – Não! Ela não pode ajudar, pois precisa manter certa distância de tudo isso! No futuro ela será muito importante, não podemos arriscar sua posição! Ela já se arriscou muito nos entregando Jinenji.
KAGEROUMARU – Como quiser! Você que está no comando, Natsume.
ZUZA – Por falar em Jinenji, não o vi no esconderijo e...
NATSUME – Logo, logo saberá o que aconteceu com ele.
Depois de dizer essas palavras, Natsume deu um sorriso maligno e seguiu caminho com Zuza e Kageroumaru atrás dela e enquanto isso Satsuki estava chegando em casa, mas antes de entrar, ela usou seu celular para ligar para Maya que naquele momento estava em seu quarto se arrumando para ir ao trabalho.
MAYA – Satsuki?
SATSUKI – Sim, sou eu, Maya! Queria saber se alguém de casa ligou aí perguntando de mim.
MAYA – Não! Mas espere aí! (ela fecha a porta do quarto) – Então quer dizer que passou a noite fora?
SATSUKI – Sim! Eu passei a noite no quarto de Shippou! A noite toda! Estou chegando em casa agora. (ela bota a mão no rosto) – Eu fui lá apenas para transar uma vez e ir embora, mas o Shippou foi tão bom que não resistir e fiquei a noite toda.
MAYA – Olha amiga! Não sei não, mas acho que voltou a se apaixonar por ele.
SATSUKI – Isso não! (ficando séria) – Não importa o quanto ele tenha sido bom na cama! Eu não vou deixar um homem me enfeitiçar de novo.
MAYA – O cara com quem saía te magoou mesmo, hein?
SATSUKI – Você sabe que sim e também sabe o motivo.
MAYA – Claro, mas não acha que está exagerando com o Shippou?
SATSUKI – Os homens não prestam, Maya! O cara com quem saía! Meu pai! E até Shippou! Acredita que ele achou que nós voltaríamos a namorar depois do que houve?
MAYA – Mas ele é apaixonado por você e...
SATSUKI – Vamos ver se ele é apaixonado por mim mesmo! Você vai ver, Maya! Vou provar que o Shippou é igual á todos os homens.
MAYA – Poxa! Está falando como uma velha rabugenta, mas eu entendo sua situação! (ela sorri) — Ah, mas eu quero saber todos os detalhes da noite que teve com Shippou, todos mesmo.
SATSUKI – Eu só vou comer algo e depois irei direto para o trabalha! A gente se encontra lá.
MAYA – Até mais então.
Depois de falar com a amiga, Satsuki desliga seu celular para em seguida finalmente entrar em casa, ela encontra Rin tomando café da manhã, cena que surpreende a jovem.
SATSUKI – Ainda aqui?! Pensei que já tivesse saído daqui depois do que falei ontem. (ela se senta á mesa) – Se eu fosse você já teria ido embora e...
RIN – Mas você não é! (chamando sua atenção) – Agora tome seu café! Tenho certeza que está com fome depois de ter aprontado ontem á noite toda.
SATSUKI – Do que está falando? Eu dormi na casa de Maya! Pode falar com ela e...
RIN – Satsuki! Você acha que nasci ontem? Eu te conheço! Tenho absoluta certeza que fez algo ontem e não foi com sua amiga Maya.
Rin estava dizendo com todas as letras que Satsuki tinha passado á noite com outra pessoa e percebendo isso a jovem tentou se manifestar.
SATSUKI – Escuta aqui Rin...
RIN – Não! Escuta aqui você! Eu não estou julgando seus atos e também nem vou dar sermão, pois já é bem grandinha para saber o que deve e o que não deve fazer.
SATSUKI – Ta! Você está certa.
RIN – Do mesmo jeito que não quer que ninguém diga como agir, eu te peço o mesmo! O meu problema com seu pai, eu resolvo do meu jeito.
SATSUKI – Como quiser, Rin.
RIN – Ótimo! (se levantando á mesa) — Já que estamos entendidas, vou ver sua irmã.
SATSUKI – E meu pai?
RIN – Saiu bem cedo! Acho que foi ao hospital.
SATSUKI – Ótimo! Não queria ver a cara dele mesmo.
Rin balança negativamente a cabeça em sinal claro de reprovação ás atitudes da enteada, mas como a própria Rin estava passando por problemas no casamento, ela não poderia fazer nada e enquanto isso Ryukosei estava tomando café da manhã ao lado da esposa.
ELISA – Não deveria já estar na prefeitura? Os eleitores podem achar que não está trabalhando direito.
RYUKOSEI – Eu posso chegar mais tarde. (tomando uma xícara de chá) – Sem falar que o novo capitão Azuma está vindo para cá. (ele olha para o relógio de pulso) – Daqui á uma hora.
ELISA – Por quê?
RYUKOSEI – Na reunião de ontem com Rakusho, descobri uma estranha coincidência! Sabia que Azuma é marido de Ayumi, uma das antigas colegas de Kagome?
ELISA – Sério?! (realmente surpresa) – Você pensar em demiti-lo por causa disso?
RYUKOSEI – Não! Mas á claro que não! Azuma é o homem que quero no cargo de capitão do departamento de polícia.
ELISA – Então por que essa reunião extraordinária?
Ryukosei não consegue responder a pergunta da esposa, pois naquele momento a conversa é interrompida pelo som da campainha, uma das empregadas da casa abre a porta e Ryukosei pode avistar Azuma entrando.
RYUKOSEI – Entre homem! Está servido?
AZUMA – Obrigado senhor prefeito.
RYUKOSEI – Por que veio tão cedo? Pensei que tinha marcado para daqui á uma hora e...
AZUMA – Tínhamos sim, senhor, mas eu vim mais cedo porque o assunto é urgente! É sobre Jinenji.
Ao ouvir aquele nome, Elisa começou a prestar mais atenção na conversa, pois afinal foi os homens dela que capturaram o antigo capitão, Ryukosei não sabendo nada disso, estava curioso também.
RYUKOSEI – Vamos conversar no meu escritório.
AZUMA – Sim senhor.
Ryukosei se levanta a mesa e conduz Azuma ate á seu escritório particular para em seguida fechar a porta e poderem conversar.
RYUKOSEI – O que houve? Jinenji aprontou alguma coisa?
AZUMA – Isso eu não sei.
RYUKOSEI – Do que está falando? Fale-me de uma vez, homem!
AZUMA – O corpo de Jinenji foi encontrado em um matagal.
RYUKOSEI – O que?! (ele se senta em sua cadeira) – Isso é verdade?
AZUMA – Sim! Já fizemos a identificação! É ele mesmo! Foi por isso que vim aqui falar pessoalmente com o senhor.
RYUKOSEI – Entendo! (ele se levanta novamente ficando de costas para Azuma) – A imprensa já sabe disso?
AZUMA – Não! Eu tomei cuidado para que isso não vazasse, mas isso é questão de tempo.
RYUKOSEI – Droga! Isso vai aumentar o nível de insegurança da população e pode me prejudicar na campanha. (ele olha para Azuma) – Sabe o que aconteceu?
AZUMA – A perícia ainda está examinando o corpo, mas pelo que vi, ele foi brutalmente torturado! Não da para saber se foi assalto ou vingança.
RYUKOSEI – Droga! Isso não podia acontecer! (ele estava visivelmente contrariado) – Mas mudando de assunto, vamos ao motivo que o trouxe aqui. (ele encara Azuma) — Como está a investigação sobre o estrangulador das meias de nylon?
AZUMA – Nada bom! O inquérito, comandado por Guy e supersivionado por Jinenji, está todo comprometido! Há muitos erros de procedimento! Infelizmente terei que começar do zero.
RYUKOSEI – Não tem jeito mesmo?
AZUMA – Não senhor! Se quisermos encontrar alguma pista desse homem, terá que ser desse jeito.
RYUKOSEI – Fazer o que? Faça o que for preciso Azuma! Conto com você. (ele se senta de novo) – Não posso deixar que isso atrapalhe minha reeleição.
AZUMA – Sim senhor.
RYUKOSEI – Agora pode ir! Os detalhes da investigação você me conta depois e...
AZUMA – Senhor! Não foi só para falar de Jinenji que vim aqui! Vim aqui também pedir um favor.
RYUKOSEI – Favor?! É sobre a investigação?
AZUMA – Sim! O detive Guy é muito bom sujeito, mas é muito inexperiente para comandar uma investigação.
RYUKOSEI – Eu já tinha pensado nisso! Vou pedir que transfira outro detetive e...
AZUMA – Se não for abusar de sua autoridade, gostaria de eu próprio escolher essa pessoa! Eu já até tenho um nome.
RYUKOSEI – Ok! Você escolhe então! Qual é o nome desse policial?
Azuma contou para o prefeito o nome da pessoa que ele indicava e enquanto isso no Hospital Memorial, Shiori e Souta chegavam ao quarto onde Kagome estava internada, InuYasha, em sua cadeira de rodas, estava sentado e dormindo bem do lado dela.
SOUTA – Acha que devemos acordá-lo?
SHIORI – Claro que sim! (ela se aproxima dele para mexer em seu ombro) – InuYasha.
Shiori balança InuYasha até que este desperta de seu sono, ele abre lentamente seus olhos até ver a figura de Shiori em sua frente.
INUYASHA – Shiori?
SHIORI – Você deve ter pegado no sono.
INUYASHA – E Kagome? (ele olha para a esposa que permanecia desacordada) – Ela ainda está em coma.
SOUTA – Os médicos permitem que fique aqui?
INUYASHA – Claro que sim, embora tentem me fazer ir para casa, mas eu vou ficar aqui até Kagome despertar.
SHIORI – Eu entendo.
SOUTA – Seu irmão está lá embaixo querendo falar com você.
INUYASHA – Sesshoumaru?! Mas por que ele não vem até aqui?
SHIORI – Ele não disse! Só nos pediu para que chamássemos você.
INUYASHA – Ta! Eu vou lá ver o que ele quer. (ele move a cadeira de rodas) – Fiquem com Kagome, por favor.
SHIORI – Claro, InuYasha.
InuYasha se afasta de Souta e Shiori para sair do quarto, em seguida passa pela segurança que protegia a esposa e indo até a recepção do hospital onde avistou Sesshoumaru conversando com Sango.
INUYASHA – Já estou aqui! O que houve?
SESSHOUMARU – Jinenji sumiu.
INUYASHA – Como assim sumiu?
SANGO – Eu passei na casa dele e ele não estava lá! Aconteceu alguma coisa com ele.
INUYASHA – Isso é muito estranho mesmo. (ele olha para o irmão) – Parece que seu plano não deu certo, não, Sesshoumaru?
SESSHOUMARU – Nem me fale disso! Se arrependimento matasse, estaria morto agora mesmo.
SANGO – Eu soube o que seu irmãozinho aprontou ontem. (ela olha para Sesshoumaru) – A Rin tem todo direito de ficar brava.
SESSHOUMARU – Olha Sango! Eu aceito sermão da Rin, mas o seu eu dispenso, está bem?
INUYASHA – Hei vocês dois! Querem parar com essa discussão inútil! Devemos nos concentrar nos nossos objetivos. (ele olha ao redor para se certificar que ninguém estava ouvindo) – Acham que Momiji tem algo haver com isso?
SANGO – Eu acho.
SESSHOUMARU – Mas eu não tenho tanta certeza. (ele respira fundo) – De qualquer forma preciso ficar perto dela! Saber seus reais interesses.
INUYASHA – Mas tome cuidado, Sesshoumaru! Pois se ela tem algo haver com o desaparecimento de Jinenji, significa que ela já sabe que desconfiamos dela.
SESSHOUMARU – Pode deixar.
SANGO – Aposto que Rin não vai gostar disso.
SESSHOUMARU – Deixa que da minha esposa cuido eu. (ele olha para o irmão) – Vou ao jornal.
Sesshoumaru se afasta de Sango e InuYasha para ir ao trabalho, deixando-os a sós na recepção, o marido de Kagome não perde a oportunidade de chamar a atenção da amiga.
INUYASHA – Se comportando assim, nem o Zakira vai querer namorar você.
SANGO – Está falando assim só porque disse umas verdades para ele?
INUYASHA – Sango! Esse problema é do Sesshoumaru com a Rin! Devemos ficar de fora! Eles são adultos e sabem o que fazem.
SANGO – Eu sei, só que eu gosto muito da Rin! Ela não merecia isso. (ela sorri) – Mas vou seguir seu conselho e deixar isso com eles.
INUYASHA – Ótimo! E por falar em conselho, se está seguindo o meu, então vou seguir o seu também. (ele pega seu celular) – Vou falar com Shippou sobre a mudança de treinamento.
InuYasha usou o seu celular para ligar para o celular de Shippou, que naquele momento estava com Genku andando pela calçada rumo á escola, ele atende o aparelho no caminho.
SHIPPOU – Alô.
INUYASHA – Sou eu, Shippou! Está levando Genku para a escola?
SHIPPOU – Sim.
INUYASHA – Depois disso quero que venha para cá! Vamos tratar do seu treinamento, está bem?
SHIPPOU – Claro. (desanimado)
INUYASHA – O que foi, Shippou? Parece abatido.
SHIPPOU – É que não dormi bem, pois estava pensando em Kagome. (mentindo) – Por falar nela, como está?
INUYASHA – Está na mesma! Não houve nenhuma evolução.
SHIPPOU – Entendo.
INUYASHA – Depois que definirmos seus novos treinamentos, vou precisar que me mostre todos os dados que Soten lhe enviou! Quero compará-los com algumas coisas que novas que descobri.
SHIPPOU – Está bem! Quer que eu vá pegar Genku depois?
INUYASHA – Faremos isso, juntos! Vou deixar Kagome sobre os cuidados de Souta e Shiori! Até mais.
Shippou desliga seu celular e volta a caminhar com Genku, que notou o visível abatimento do irmão mais velho.
GENKU – A mamãe está bem, mano Shippou?
SHIPPOU – Mais ou menos! Ela ainda está ‘dormindo’. (tentando mostrar otimismo)
GENKU – Acha que a mamãe nunca mais vai acordar?
SHIPPOU – Não fala besteira, Genku! (gritando) – Só diz asneira.
As duras palavras de Shippou fizeram Genku quase chorar e percebendo que tinha sido duro demais com o irmão mais novo, Shippou percebe que as palavras de Satsuki ainda machucavam muito e não era justo descontar em Genku.
SHIPPOU – Genku. (se agacha para olhar nos olhos dele) – Me desculpa, maninho! A Kagome vai ficar bem.
GENKU – Então por que gritou comigo?
SHIPPOU – Porque sou um idiota! Sou um idiota por estar descontando em você minhas frustrações. (ele se levanta de novo) – Você sabe que não sou assim.
GENKU – Está assim por causa da prima Satsuki?
SHIPPOU – Sim, mas eu não quero falar dela. (ele bota a mão na cabeça do menino) – Vamos para escola.
GENKU – Mas eu não queria ir para escola! Eu quero ver a mamãe.
SHIPPOU – Nem pensar! Sabe muito bem que Kagome não iria gostar de saber que está ‘matando aula’! Agora andando e sem bronca.
Shippou e Genku seguiram caminho para a escola e enquanto isso Momiji, de carona no carro da irmã, chegava ao prédio do jornal Diário da manhã.
BOTAN – Pronto! Já chegamos.
MOMIJI – Obrigada pela carona, maninha. (saindo do veículo)
BOTAN – Tem certeza que se sente bem para trabalhar? Ontem parecia bem irritada.
MOMIJI – Eu estou bem, Botan! Estava irritada com outra coisa. (pensava em Sesshoumaru) – Melhor ir para não se atrasar ao trabalho.
BOTAN – Tem razão! Hoje é dia importante! O partido deve oficializar a candidatura de Gakusajin. (ela sorri) – Então até mais.
Botan da a partida no carro para ir embora, Momiji fica observando o veículo da irmã sumir no horizonte até que ela percebe a chegada de Sesshoumaru, ao ver o colega se aproximando, Momiji se lembra da forma como foi enganada por ele com a ajuda de InuYasha e Sango, assim estava ciente que queria se vingar e por isso sorriu para fingir que não sabia de nada.
SESSHOUMARU – Olá, Momiji.
MOMIJI – Oi. (sorrindo)
SESSHOUMARU – Eu pensei que não viria trabalhar hoje, afinal seu apartamento foi assaltado.
MOMIJI – Mas a vida continua. (entrando no prédio e ficando de costas para ele) – E você?
SESSHOUMARU – O que tem eu?
MOMIJI – Como foi com sua esposa e com sua filha?
SESSHOUMARU – Eu não gostaria de falar nisso e...
MOMIJI – Claro! Isso não é assunto meu.
Momiji lança um sorriso falso para o colega e assim ambos entram no elevador que daria acesso ao andar onde trabalhavam.
SESSHOUMARU – Irá falar com a polícia?
MOMIJI – Não! A polícia dessa cidade já está atarefada com esse estrangulador, não creio que dêem prioridade ao meu caso.
SESSHOUMARU – Mesmo assim deveria procurar a polícia e...
MOMIJI – Por que está tão interessado nisso? Afinal você mesmo disse que ama sua esposa.
SESSHOUMARU – Isso não tem nada haver! O fato de não te amar não quer dizer que não me preocupe com você, com sua segurança.
MOMIJI – Muito tocante da sua parte essa preocupação, mas sei perfeitamente me cuidar.
O elevador se abre e Momiji sai primeiro, deixando Sesshoumaru com um mau pressentimento, já que a colega estava se comportando de maneira estranha e enquanto isso em uma lanchonete que ficava bem em frente ao Hospital Memorial, Sango e InuYasha tomavam café.
INUYASHA – Eu não queria sair de perto de Kagome, mas estou com muita fome.
SANGO – Não se preocupe, InuYasha! Souta e Shiori estão com ela.
INUYASHA – E sei, mas não consigo parar de pensar que vou ter que contar para ela sobre a mãe e o irmão e a associação com Ryukosei.
SANGO – Mas ela tem que acordar primeiro.
INUYASHA – É só isso que quero! Que Kagome acorde logo e que desista dessa loucura de querer ser prefeita.
SANGO – E por falar nisso, eu soube que seu desejo irá se concretizar, pois o partido trabalhista irá oficializar a candidatura de Gakusajin á prefeitura.
INUYASHA – Melhor assim.
SANGO – Tem certeza?
INUYASHA – Tenho sim! Kagome não tinha a menor chance de vencer Gakusajin nas prévias do partido, então é melhor que se defina logo e que Gakusajin ganhe de Ryukosei.
SANGO – É, mas eu soube que Tanuki vai tentar impedir isso.
INUYASHA – Olha Sango! Eu não quero falar em política. (ele acaba de tomar o café da manhã) – Vou voltar para junto de minha esposa.
Sango se levanta á mesa e acompanha InuYasha até o Hospital Memorial onde Shiori e Souta faziam a vigília de Kagome.
SOUTA – Eu vou pegar um café para mim. (ele se levanta da cadeira) – Quer que eu traga um para você?
SHIORI – Não, obrigada! Estou bem.
SOUTA – Cuide da minha irmã. (ele da um beijo nela) – Eu já volto.
SHIORI – Aproveita e avise sua mãe que Kagome está na mesma.
SOUTA – Ta.
Souta sai do quarto e percebendo que estava sozinha com Kagome, Shiori se aproxima ainda mais dela para passar a mão em seu rosto.
SHIORI – Me desculpe, Kagome! (ela fica de cabeça baixa) – Eu não queria dizer isso, mas a verdade é que amo seu marido, tanto que cheguei até a dar um beijo nele, mas em nenhum momento ele retribuiu, isso porque ele te ama muito. (ela se levanta da cadeira) – Um amor que nunca vi na vida. (ela se afasta indo para a janela olhar a vista) – Eu gosto do seu irmão, mas eu não o amo. (ela derrama uma lágrima) – Infelizmente eu amo InuYasha e o fato dele ser fiel á você só me fez amá-lo ainda mais. (ela volta a olhar para Kagome deitada) – Mas eu queria que soubesse que...
Shiori para de falar ao perceber que Kagome estava com os olhos abertos e olhando para ela, um medo invadiu o peito de Shiori, pois ela percebeu que Kagome tinha escutado toda aquela confissão, mas de repente ela se tocou do mais importante, que Kagome estava acordada.
SHIORI – Que bom que acordou, Kagome.
KAGOME – I-nu-Y-a-sha. (falando com dificuldade)
SHIORI – Eu vou chamá-lo imediatamente! Espere aqui! Ai que bobagem estou falando? Como você fosse capaz de sair daqui! Vou chamar um médico também.
Shiori ficou tentando ordenar as idéias, devido á surpresa de Kagome acordar combinado com o flagrante sua confissão amorosa, mas finalmente ela sai do quarto para chamar InuYasha deixando Kagome a sós com seus pensamentos.
KAGOME – “Shiori ama InuYasha?! Isso que é surpresa.” (pensando)
Kagome, ainda se sentia meio tonta, estava começando a se lembrar da explosão da loja, a causa que a levou á um hospital, mas aquela hora não era momento para lembranças ruins, pois InuYasha, muito emocionado, apareceu na porta do quarto.
INUYASHA – Ela está acordada mesmo.
InuYasha se aproxima da esposa para dá-lhe um beijo que foi totalmente correspondido, mas naquele momento um médico entra no quarto e interrompe o clima.
MÉDICO – Por favor, deixe-me examinar a paciente.
INUYASHA – Mas...
MÉDICO – Saia, por favor! É para o bem dela.
INUYASHA – Ta! (ele olha para Kagome) – Eu estou lá fora, meu amor.
Como não podia falar muito, Kagome apenas sorriu para o marido, que ainda estava muito emocionado com a recuperação da esposa.
Próximo capítulo = O despertar – parte 2
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