Noite sem Fim
90 No encalço de Hideki - parte 1
Na manhã do dia seguinte aos acontecimentos do capitulo anterior, o casal InuYasha & Kagome já estavam, sentados á mesa, tomando o café da manhã, prontos para seus respectivos compromissos daquele dia.
KAGOME – InuYasha.
INUYASHA – Sim?
KAGOME – Eu não sei se é boa idéia você se envolver nessa investigação de Abi.
INUYASHA – Mas é sobre a morte de Myuga! Desde que Toutoussai me disse que havia um mistério na morte de Myuga que não consigo tirar isso da cabeça. Agora mais ao saber que provavelmente isso tem relação com o que estamos enfrentando.
KAGOME – Ryukosei aliado de Natsume e Naraku?! Embora não goste nenhum pouco do prefeito, isso é inimaginável, pois Ryukosei participou da prisão de Naraku.
INUYASHA – Pode ser, mas eu não me esqueci que ele autorizou uma operação que quase matou Shippou e Satsuki á cinco anos atrás. (ele olha ao redor) – Por falar nisso, Shippou ainda não se levantou?
KAGOME – Assim como Genku. Deixe-os. (naquele momento eles ouvem o som de um buzina) – Deve ser o Tanuki. Ele falou que vinha me pegar.
Depois de tomar seu café da manhã, Kagome limpa a boca com um guardanapo para depois se levantar á mesa. Em seguida ela vai até a sala e pega sua bolsa para sair.
INUYASHA – Por que a pressa? (ainda sentado á mesa)
KAGOME – Tenho que chegar bem cedo na camara municipal, pois há uma votação sobre um projeto do prefeito. Não posso dar um mau exemplo faltando. Depois vou para a reunião partidária. (ela vai até ao marido e lhe dá um beijo) – Me deseje sorte.
INUYASHA – Boa sorte, amor.
Depois disso, Kagome sai de casa e vê Tanuki, seu assessor parlamentar, encostado no carro oficial, aguardando sua chegada.
TANUKI – Bom dia. (abrindo a porta traseira do carro)
KAGOME – Bom dia.
Kagome entra no carro e Tanuki faz o mesmo em seguida e assim eles conversam enquanto o motorista da a partida no veículo.
KAGOME – Hoje vai ser um dia cheio.
TANUKI – Ultimamente seus dias estão sempre cheios, Kagome.
KAGOME – E eu não sei disso?! Embora isso me afete não posso deixar que esse assunto de Naraku interfira na minha campanha. Preciso ficar concentrada nela.
Kagome não queria admitir, mas estava preocupada com o suposto envolvimento do prefeito com Naraku, pois isso tornaria a disputa eleitoral em um embate pessoal, algo que ela detestava e enquanto isso, InuYasha acabava de tomar seu café da manhã quando Shippou aparece na cozinha.
SHIPPOU – Bom dia.
INUYASHA – Bom dia. Finalmente se levantou. Kagome quer que você leve Genku para a escola.
SHIPPOU – Ok. (ele olha ao redor) – Ela já foi?
INUYASHA – Acabou de ir. (ele percebe algo de estranho no filho) – Você está bem, Shippou? Parece que algo te preocupa.
SHIPPOU – Não é nada. Ainda estou um pouco incomodado com a conversa que Satsuki quer comigo. Será que ela mudou de idéia e não quer mais se casar comigo?
INUYASHA – Mas que bobagem é essa que está falando? Porque ela iria fazer isso? Deve ser algo relacionado com Sesshoumaru. (o celular dele começa a tocar) – Trate de tomar seu café para depois levar seu irmão.
Shippou começa a se servir enquanto InuYasha sai da cozinha para ir apara a sala a fim de atender seu celular. Ao ver o numero no visor, sabia que se tratava de Abi.
INUYASHA – Já estava esperando sua ligação. Hideki já retornou á Tóquio?
ABI – Ainda não. Quero que vá até a casa dele. Zuko, um agente imperial de minha inteira confiança, irá te encontrar lá. Você tem o endereço dele, não?
INUYASHA – Tenho sim.
ABI – Ótimo! Não vamos mais perder tempo.
INUYASHA – Não seria melhor irmos até onde ele está hospedado em Yokohama?
ABI – Seria se soubéssemos onde ele está hospedado, mas infelizmente não conseguimos essa informação, portanto devemos nos concentrar na casa dele aqui em Tóquio.
INUYASHA – Já estou indo para lá.
ABI – Até lá então.
Abi desliga seu celular enquanto era observada pelo agente imperial mencionado na conversa. Zuko parecia não muito entusiasmado com a missão e Abi percebeu isso.
ABI – Algum problema, agente Zuko?
ZUKO – Sinceramente sim! Não me sinto a vontade em trabalhar com esse civil.
ABI – Ele não é um civil comum. Mesmo sem muitos recursos, conseguiu mais progressos do que nós. Não vou mais subestimar a capacidade do senhor InuYasha.
ZUKO – Esse InuYasha é o mesmo que utilizava o disfarce de Motoqueiro Noturno, ou seja, um fora da lei e...
ABI – Isso já é passado, agente! Quero que colabore com InuYasha no que ele precisar. E lembre-se! Essa operação é sigilosa. Nem os outros membros da Agência Imperial sabem dela. Por isso escolhi você, pois em você tenho a maior confiança.
ZUKO – Eu agradeço a confiança, senhora, mas ainda acho que essa missão é um erro e...
ABI — Isso não é um debate, agente. É uma ordem. Agora pode ir.
ZUKO – Sim senhora.
Mesmo contrariado com a situação, Zuko acata aquelas ordens e sai para ir ao encontro de InuYasha e enquanto isso Ryukosei e Elisa estavam saindo da residência de ambos. O prefeito parecia preocupado.
RYUKOSEI – Haruy já deu alguma notícia?
ELISA – Não! Sinal de que ainda não localizou Hideki, mas, segundo uma pesquisa feita por Hank, Hideki tem uma ex. namorada que mora em Yokohama. Hideki certamente está fugindo e acho que vai querer procurar alguém conhecido para ajudá-lo.
RYUKOSEI – O que sabe dessa ex. namorada dele?
ELISA – O suficiente. Sabemos o endereço e o nome dela. Ela se chama Runy e trabalha em uma confecção de roupas. Haruy vai cuidar disso. Não se preocupe e...
RYUKOSEI – Como não vou me preocupar? Precisamos descobrir o que Hideki sabe. Não quero mais incompetências de seu subalterno. Está ficando tudo muito arriscado para mim. Rakusho me informou que o departamento de polícia encarregou Sango de cuidar do assassinato de Konshu.
ELISA – Isso não importa. Devemos nos concentrar em Hideki e no que ele descobriu. Mais tarde vou me encontrar com Hank para deixá-lo a par do que está ocorrendo.
RYUKOSEI – Sei. (irônico) – Claro! Encontre-se com seu amante.
ELISA – Dá um tempo, Ryukosei. Estamos todos do mesmo lado e...
RYUKOSEI – Você me traiu esse tempo todo com o Hank. Não me fale para dar um tempo. Apenas faça seu serviço e mantenha-me informado do progresso.
Depois de dizer essas duras palavras, Ryukosei entra em seu carro oficial enquanto Elisa apenas observava o veículo se afastando. A primeira dama não se sentia confortável com aquela situação, mas nada podia fazer e naquele momento seu celular começa a tocar e ela vê o numero de Haruy no visor.
ELISA – Encontrou Hideki?
HARUY – Ainda não! Estou vigiando a casa de Runy. Assim que ela sair, eu a sigo. Se Hideki procurar ajuda dela, vou saber.
ELISA – Então por que me ligou se não tem nenhuma novidade?
HARUY – Eu estava pensando em Gatenmaru. Acho que devíamos continuar a procurá-lo e...
ELISA – Gatenmaru é secundário agora. Nossa prioridade é Hideki. Escute, Haruy. Sei que está com raiva de Gatenmaru e a vontade de se vingar dele por ter quase te matado é algo compreensivo, mas não podemos nos distrair. Está bem?
HARUY – Está bem, senhora.
ELISA – Uma coisa de cada vez. Gatenmaru terá sua hora.
HARUY – Sim, senhora. (ele percebe uma movimentação na casa) – Depois eu ligo.
Haruy desliga seu celular ao ver uma mulher de aproximadamente quarenta anos. Era Runy, ex namorada de Hideki. Ela saiu de casa e entrou em seu carro para ir ao trabalho sem saber que era seguida por Haruy e enquanto isso no Hospital Memorial, Rin conversava com o médico responsável pela operação de Sesshoumaru aproveitando as ausências de Satsuki e Sara já que a jovem tinha levado a irmã menor para uma lanchonete ali perto.
RIN – Minha filha e minha enteada não estão aqui. Pode me dizer a verdade, doutor. Meu marido terá seqüelas?
MÉDICO – Não posso garantir 100%, mas a probabilidade de que seu marido saia ileso é muito alta.
RIN – Quanto tempo meu marido ficará em coma induzido?
MÉDICO – Acredito que não passe de hoje.
RIN – Ainda bem que esse pesadelo acaba hoje.
MÉDICO – Sim, mas diante da gravidade dos ferimentos é recomendável que ele passe mais um dia aqui antes de receber alta.
RIN – Eu entendo.
MÉDICO – Mas desta vez, senhora Rin, não permitiremos que a senhora durma aqui. Abrimos uma exceção a pedido do agente da Segurança Interna devido a segurança de toda sua família, mas ao que parece essa não é mais a situação atual.
RIN – Eu o compreendo, doutor. Meu marido estando bem é o que importa.
O médico sorri e depois se afasta de Rin para atender outros pacientes e assim a esposa de Sesshoumaru observa o marido desacordado. Vê-lo assim era angustiante, mas era um alívio saber que ele não corria risco de morte. Naquele momento ela avistou Satsuki e Sara retornando.
RIN – Já voltaram?
SATSUKI – Só comemos uma coisinha. Alguma notícia sobre meu pai?
RIN – Não. Está tudo na mesma, mas acredito que ele ainda fique mais um dia aqui.
SATSUKI – Sei. (ela acaricia a cabeça de Sara) – Mas e a pequenininha aqui?
RIN – Depois eu a levo para a creche.
SARA – Mas eu quero ficar para ver o papai acordar.
RIN – Se isso acontecer mais cedo você vai ver.
SATSUKI – Todas nós vamos ver, Sara.
Rin e Satsuki tentavam demonstrar otimismo para Sara em relação a saúde de Sesshoumaru e enquanto isso na casa de Onigumo, onde tinha passado a noite no quarto de hospede, Eri estava surpresa com o fato de o anfitrião ter preparado o café da manhã.
ERI – Poxa, parece delicioso. (sentando-se á mesa)
ONIGUMO – Guarde os elogios para depois que comer. (sorrindo e também se sentando á mesa)
ERI – Não imaginava que soubesse cozinhar.
ONIGUMO – Eu não sabia, mas quando se vive sozinho e fica cansado de comida de fora, você acaba tendo coragem de aprender. Acho que dá para o gasto. (tomando uma xícara de café) – Mas e você? Pretende ir ver sua nova casa?
ERI – Sim, eu vou, mas depois tenho que me encontrar com Ayumi e Yuka. Nós três vamos participar de uma reportagem.
ONIGUMO – Reportagem?!
ERI – É sobre o passado de Kagome. Agora que ela é candidata á prefeita, muitos querem saber mais dela. E quem melhor para do que as velhas amigas dela?
ONIGUMO – É verdade. E por falar nisso depois tenho que me encontrar com ela para falar a respeito do financiamento da campanha. Doações e coisa e tal. Esse assunto sobre o Naraku quase me fez esquecer-se da campanha dela. (ele fica com uma expressão séria) – São tantas coisas para resolver.
ERI – Ainda está preocupado com a promotora Midoriko, não?
ONIGUMO – Estou sim. Não me tranqüilizo com essa pausa de Naraku, pois ela é uma bonança que precede uma grande tempestade. (ele toma o resto do café em um gole só para depois se levantar á mesa) – Tenho que ir.
ERI – Ir para onde?
ONIGUMO – Para o antigo laboratório de Kikyou. (ele pega uma pasta) — Preciso saber se Baren fez algum avanço. (ele para na porta com um olhar no nada) — A minha esperança é que a antiga pesquisa de Kikyou se torne a salvação. (depois olha para Eri ainda sentada) — Isso será fundamental para limpar o nome dela e fazer justiça ao seu legado.
ERI – Entendo.
ONIGUMO – Bem, eu vou indo. Você pode ficar a vontade e quando sair deixe a chave embaixo do carpete.
Depois de dizer essas palavras, Onigumo sai de casa deixando Eri um pouco triste com o que acabou de ouvi, pois ela percebeu que ele ainda amava Kikyou e enquanto isso, InuYasha, dirigindo seu carro, se aproximava dos arredores da residência de Hideki e percebe que a casa estava cercada por policiais.
INUYASHA – O que está acontecendo?
Ele estaciona o veículo para depois sair dele, mas antes que se aproximasse do cerco policial, ele é abordado pelo agente imperial Zuko.
ZUKO – Você deve ser o InuYasha.
INUYASHA – Sim. Então você deve ser Zuko.
ZUKO – Correto.
Depois de se cumprimentarem, os dois olham para a residência cercada por policiais.
INUYASHA – O que está acontecendo?
ZUKO – Não sei. Também cheguei agora pouco.
INUYASHA – Então vamos ver e...
ZUKO – Espere! Antes de prosseguirmos, você precisa disso. (ele dá um distintivo á ele) – Com isso você é um agente imperial temporário sob a supervisão direta da superintendente Abi. Sendo assim estou aqui para ajudá-lo no que precisar.
INUYASHA – Certo.
ZUKO – Mas que fique claro uma coisa! Eu não gosto disso. Ainda acho que a senhora Abi está cometendo um erro acreditando em suas paranóias.
INUYASHA – Desde que me ajude, não me importo se acredita em mim ou não. Agora vamos?
Depois desse ‘esclarecimento’ InuYasha e Zuko se aproximam do cerco policial e logo mostram seus respectivos distintivos para que possam adentrar na residência de Hideki. Ao fazerem isso os dois dão de cara com Sango, que fica surpresa em ver InuYasha naquele local. InuYasha também fica surpreso em ver a amiga.
SANGO – InuYasha?! Desde quando é agente imperial?
INUYASHA – Estou ajudando a Agência Imperial em um caso, mas isso é uma longa história. Esse é o agente Zuko.
SANGO – Prazer.
ZUKO – Idem. O que está acontecendo?
SANGO – Isso é investigação policial e pelo que sei a Agência Imperial não notificou nada para nós, portanto...
INUYASHA – Pode parar, Sango. (depois ele olha para Zuko) – Pode nos dar licença?
ZUKO – O que?! Mas eu vim aqui...
INUYASHA – Você não disse que está aqui para me ajudar? Então faça o que pedi.
Zuko não ficou muito satisfeito com aquilo, mas acabou concordando e se retirou do local deixando InuYasha e Sango a sós.
INUYASHA – Você me conhece, Sango. Estamos no mesmo barco. Me diz por que está aqui.
SANGO – Você primeiro.
INUYASHA – É justo. (ele respira fundo) – Eu relatei para Abi minha desconfiança da ligação da morte misteriosa de Myuga com os acontecimentos atuais.
SANGO – E daí?
INUYASHA – Daí que Hideki é o legista que fez a autópsia no corpo de Myuga e...
SANGO – Isso é sério?!
INUYASHA – Claro que é!
SANGO – Entendo. Isso está ficando cada vez mais intrigante.
INUYASHA – Agora sua vez. Por que está aqui?
SANGO – Bem, para começar trabalhei até tarde e só fui dormir as 3 da madrugada. Tinha perdido a esperança de encontrar algo sobre Naraku ou até mesmo o sumiço de Midoriko, mas há uma hora recebi um telefonema do delegado do distrito leste avisando que encontraram um homem chamado Konshu morto em sua casa.
INUYASHA – Agora sou eu que pergunto. E daí?
SANGO – Daí que os policias desse distrito catalogaram três digitais na casa. Uma é do próprio Konshu, a segunda é de Hideki, mas a terceira foi a razão do delegado telefonar para o departamento de polícia. A terceira digital é de Gatenmaru.
Ao ouvir aquele nome o sangue de InuYasha começou a ferver de raiva, pois o fez lembrar-se do tiro que o deixou em uma cadeira de rodas por muito tempo.
INUYASHA – Isso está ficando interessante.
SANGO – Como Konshu está morto e não sabemos o paradeiro de Gatenmaru a minha única saída foi procurar por Hideki, mas ele não está.
INUYASHA – A Agência Imperial sabe que ele está em Yokohama, mas ainda não sabe o local exato. Até parece que ele está fugindo.
SANGO – Fugindo?! De que?
INUYASHA – Ou de quem.
InuYasha e Sango estavam intrigados com aquelas coincidências e enquanto isso, em Yokohama, Runy, a ex-namorada de Hideki, estava estacionando seu carro perto da confecção de roupas, onde trabalha, sem saber que era seguida por Haruy em outro carro. Runy desce de seu veículo para entrar na fabrica, mas antes disso seu celular toca. Ela atende.
RUNY – Alô.
HIDEKI – Runy, sou eu. Hideki.
RUNY – O que você quer?
HIDEKI – Preciso de sua ajuda.
RUNY – Da minha ajuda?! Depois da forma como terminou comigo acha mesmo que vou te ajudar? (ela entra na fabrica)
HIDEKI – Olha Runy. Escute com atenção. Eu estou aqui em Yokohama para tratar de um assunto sigiloso, mas não conheço ninguém por aqui, a não ser você. A despeito do que aconteceu entre nós, saiba que não confio em outra pessoa a não ser você.
RUNY – Não me venha com suas mentiras, Hideki. (ela bate o cartão e entra)
HIDEKI – Mas é verdade, Runy. Desde que minha esposa morreu, nenhuma mulher me fez sentir completo a não ser você. Eu sei que te abandonei e que não mereço sua ajuda, mas eu não pediria se realmente não precisasse.
RUNY – Eu não sei não. Não quero problemas para mim e...
HIDEKI – Você pode ganhar muito dinheiro me ajudando.
RUNY – Muito quanto?
HIDEKI – O bastante para nunca mais precisar trabalhar.
RUNY – Está bem. O que quer de mim?
HIDEKI – Preciso que me encontre imediatamente.
RUNY – Não posso sair da fabrica agora.
HIDEKI – Então me encontre na hora do almoço.
RUNY – Onde?
HIDEKI – Na praça de alimentação do shopping Otome. Por favor não falte.
Depois de falar isso, Hideki desliga a comunicação com Runy, que fica um pouco desconfiada daquela urgência. Do lado de fora da fabrica, Haruy, dentro de seu carro, não tinha muito que fazer a não ser esperar que Runy saísse e o levasse até Hideki, mas o que o espião de Elisa não sabia era que estava sendo observado, através de binóculo, por Gatenmaru, que estava no topo do prédio.
GATENMARU – Eu não esperava encontrar o espião da primeira dama aqui em Yokohama. Sinal de que Konshu contou algo de Kanna á Hideki.
Gatenmaru ainda não estava com plena saúde, mas conseguia se locomover e também estava interessado em encontrar Hideki e enquanto isso no Hospital Memorial, Rin, Satsuki e Sara ainda aguardavam notícias sobre o estado de Sesshoumaru. As três estavam sentadas em um banco que ficava em um setor adjacente ao quarto onde o jornalista estava internado.
SATSUKI – Isso está demorando demais. (ela se levanta) — Essa espera é angustiante.
RIN – Acalme-se, Satsuki. Essa angustia pode fazer mal ao seu bebê. Seu pai vai ficar bem.
SATSUKI – Eu sei, mas eu não consigo. Eu preciso ter certeza que meu pai está bem antes de eu falar com Shippou sobre aquilo.
SARA – Aquilo o que?
RIN – É assunto de adulto, Sara. (depois ela olha para Satsuki) – Tenho certeza que logo, loco os médicos o tiraram do coma.
SATSUKI – Espero que isso não demore muito e...
Satsuki para de falar ao perceber a presença de Maya no fundo do corredor. Elas estavam sem se falar desde a discussão que tiveram sobre o fato de Maya ter reatado o namoro com Xolan. A filha mais velha de Sesshoumaru vai em direção da outra jovem.
SATSUKI – O que faz aqui?
MAYA – Eu vim assim que soube o que aconteceu com seu pai. Eu pensei em ligar, mas achei melhor vir pessoalmente. Sempre que precisei, seu pai e sua madrasta foram amáveis comigo. Eu não me esqueci disso.
SATSUKI – Eu achei que não ia querer me ver novamente.
MAYA – Olha Satsuki! Você é minha melhor amiga há anos, mas você me disse coisas horríveis ao tentar jogar para cima de mim uma responsabilidade que era sua.
SATSUKI – É mesmo? (um pouco fria)
MAYA – Esquece! Foi um erro ter vindo.
Diante dessa reação, Maya se afasta de Satsuki para ir embora e ao ver isso a filha de Sesshoumaru percebeu que estava novamente sendo orgulhosa e por isso foi atrás da amiga até alcançá-la.
SATSUKI – Maya, espere!
MAYA – O que?!
SATSUKI – Tem razão! Eu sei que errei e por isso lhe devo desculpas. Não foi justo a forma como te tratei naquele dia. Nem posso usar meu estado para justificar tal atitude. Perdoe-me amiga. Eu fui tão má com você.
MAYA – Foi sim.
SATSUKI – Mas eu me lembro de uma coisa que aconteceu cinco anos atrás. Lembra-se? Você coletou assinaturas para me tirar do posto de líder de torcida porque meu pai estava sendo acusado de matar minha mãe. Depois de tudo eu te perdoei, não?
MAYA – É. Perdoou sim.
Depois de ouvir aquilo, Maya abraça Satsuki. Era o sinal de que ela tinha perdoado a amiga.
MAYA – Ta! Desculpas aceitas.
SATSUKI – Obrigada. Você era uma das pessoas com quem eu tinha que acertar as contas.
MAYA – Então vai contar ao Shippou a verdade?
SATSUKI – Hoje mesmo. Vou me encontrar com ele mais tarde. Depois conto para o meu pai.
MAYA – Eu sinto muito por você, Satsuki. (ela segura a mão da amiga) — Sabe que pode contar comigo. Quer que eu vá junto? O Xolan pode vir com a gente. Ele é amigo do Shippou e...
SATSUKI – Não! Não precisa colocar seu namorado nisso. Eu resolvo isso.
MAYA – Você ainda está implicando com o Xolan? Mas por que isso?
SATSUKI – Você não entenderia.
MAYA – Olha, eu te desculpei, mas não vou admitir que trate mal meu namorado. Ele mudou, Sat. Ele até arrumou um emprego fixo de ajudante geral no prédio Zarky e...
SATSUKI – O que?! Você disse prédio Zarky?
MAYA – Sim, por quê?
SATSUKI – Por nada. É apenas que meu terapeuta tem seu consultório nesse prédio. Olha, eu fico feliz pelo Xolan. Tenho certeza que essa mudança dele tem seu dedo.
MAYA – Espero que sim. (ela percebe que a amiga ficou com uma expressão estranha) – Satsuki! Você está bem?
SATSUKI – Estou sim. Só um pouco cansada por ter passado a noite em um hospital. Estou bem, acredite.
MAYA – Ta! Eu só vim aqui para prestar a minha solidariedade. Agora tenho que ir.
SATSUKI – Vai passar no emprego do Xolan?
MAYA – Bem que eu queria, mas talvez mais tarde, pois eu tenho algumas entrevistas de emprego. Você nem imagina o quanto eu amo Xolan.
SATSUKI – Então não vou segurá-la mais. Pode ir e obrigada por vir. (ela a abraça novamente) – Que bom que me perdoou. Nem imagina como sua amizade é importante para mim.
Depois de cessar o abraço, Maya se despede da amiga e vai embora. Satsuki sorri vendo a amiga ir embora e depois que ela sai de sua vista, seu sorriso se desmancha.
SATSUKI – “Sinto muito, Maya, mas não posso esconder mais essa história. Espero que um dia me perdoe.” (pensando)
Satsuki estava imaginando como conseguiria contar um segredo que poderia destruir para sempre a amizade com Maya e naquele momento Rin e Sara se aproximam dela, tirando-a de seus pensamentos.
RIN – Satsuki! A Maya foi embora?
SATSUKI – Sim. Ela tinha compromisso, mas veio aqui prestar solidariedade. (ela sorri) – Fizemos as pazes.
RIN – Isso é muito bom, Satsuki. Eu sei como você gosta daquela moça. Preze muito essa amizade, Sat, pois amigas verdadeiras são muito raras.
SATSUKI – Eu sei disso. É por isso que tenho que sair.
RIN – Agora?!
SATSUKI – Sim. Tenho muito que fazer.
RIN – Pensei que iria querer esperar seu pai sair do coma.
SATSUKI – Como você disse, ele está fora de perigo. Depois eu o vejo.
Sem falar mais nada, Satsuki se afasta de Rin e Sara. A jovem esposa de Sesshoumaru ficou intrigada com o comportamento da enteada, mas não conseguia imaginar o que poderia fazê-la sair daquele jeito e enquanto isso na casa de Hideki, que ainda estava cercada por policiais, InuYasha contava para Zuko tudo que ele tinha discutido com Sango.
INUYASHA – Agora acredita que existe uma ligação?
ZUKO – Esse é um indício que não posso ignorar, mas mesmo assim é pouco para provar que seu amigo foi mesmo assassinado.
INUYASHA – Mas já é um começo. (naquele momento Sango se aproxima dos dois)
SANGO – Tenho novidades.
INUYASHA – O que descobriu?
SANGO – Konshu era mais que um amigo de Hideki. Ele era cunhado.
INUYASHA – Está dizendo que esse Konshu é irmão de Yuri?
SANGO – Então já sabem de Yuri?
INUYASHA – Sim. Ela que fez o parto de Kanna.
SANGO – Eu devia imaginar que essa desgraçada estava envolvida e...
ZUKO – Acalme-se, detetive! Isso não prova que Kanna esteja envolvida.
SANGO – Claro que prova!
ZUKO – Quando você estava falando com InuYasha, eu tomei a liberdade de ligar para minha chefa a fim de perguntar de você. Soube que Kanna foi casada com seu falecido irmão.
SANGO – Ela foi quem ordenou a morte dele. Ela é uma assassina fria.
ZUKO — Pode ser uma coincidência.
INUYASHA – Quando se trata de Naraku não existem coincidências. (depois ele olha para Sango) – Mas em uma coisa Zuko está certo. Isso não prova ligação alguma. Até porque se tem alguém que Naraku deve odiar esse alguém é sua ‘ex. filha’ que o colocou na cadeia.
SANGO – Ainda sim acho que Kanna tem culpa no cartório.
INUYASHA – Vamos voltar a nos concentrar na investigação. Presumindo que não sabemos quem matou Konshu...
ZUKO – E não sabemos mesmo.
INUYASHA – Sim. Devemos nos mirar em Hideki. O que tem dele, Sango?
SANGO – Ele é viúvo há dez anos e tem um filho de vinte anos chamado Ligun. Estamos tentando entrar em contato com ele, mas não há notícias do rapaz há dias.
ZUKO – Talvez esteja com o pai.
INUYASHA – Talvez sim, talvez não. Não quero ‘talvez’ e sim ‘certeza’.
SANGO – Achei outra coisa interessante. (ela mostra um papel) – Esses registros telefônicos dos últimos seis meses mostram que Hideki ligou para Konshu várias vezes.
ZUKO – Talvez ele tenha se juntado a esse Gatenmaru para matar o cunhado.
SANGO – Pode ser. (ela olha para InuYasha) – O que acha?
INUYASHA – Não sei, pode ser. Estou prestando mais atenção em outra coisa nesses registros.
ZUKO – No que?
INUYASHA – Esse numero aqui. (ele aponta) – O código de área é da cidade de Yokohama.
SANGO – Onde Hideki está. Eu vou tentar localizar o dono da linha e...
ZUKO – Não se preocupe, detetive. A Agência Imperial tem meios para conseguir isso mais rápido. (ele olha para InuYasha) – Vamos?
INUYASHA – Para onde?
ZUKO – Yokohama. Não vamos mais perder tempo.
Zuko se afasta deixando InuYasha curioso sobre esse súbito interesse do agente em resolver o caso. Antes de seguir o agente, ele é abordado por Sango.
SANGO – InuYasha! Confia nele?
INUYASHA – Abi confia. Pelo pouco que conheci dela, é o suficiente.
SANGO – Você é quem sabe. Eu queria muito ir, mas não tenho jurisdição em outra cidade. Isso ia demorar pela burocracia.
INUYASHA – Eu entendo. Olha, Sango. Vamos manter contato e trocar informações. Melhor voltar á casa de Konshu e vê se a perícia de lá descobriu algo. Se eu descobrir algo, te aviso.
SANGO – Certo. Boa sorte.
Depois disso InuYasha se despede da amiga para seguir Zuko a fim de irem para a cidade de Yokohama.
Próximo capítulo = No encalço de Hideki – parte 2
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