Noite sem Fim
89 Conjecturas - parte 2
Miroku, Soten e Tamira acabavam de entrar na casa do advogado. Depois disso, Miroku aciona o alarme silencioso da casa.
MIROKU – Pronto.
TAMIRA – Onde vou dormir, papai?
MIROKU – Eu mostro seu quarto, querida.
TAMIRA – A sua casa é grande e muito bonita.
MIROKU – Ela também é sua, filha. De vocês duas.
TAMIRA – Me leva no colo?
MIROKU – Mas é claro, minha pequena. (ele a pega no colo)
SOTEN – Mas como é folgada, essa irmãzinha que o senhor me arrumou.
TAMIRA – Papai pode levar você no colo também.
SOTEN – Não! Não! Muito obrigada, mas já estou bem grandinha para isso.
Miroku e Tamira riram fazendo com que Soten risse também. Aquele ambiente familiar era tudo que a jovem sonhava em sua vida. Ela agradecia aos céus por ter essa oportunidade, mas naquele momento o som de seu celular a tira de seus pensamentos. Na esperança, ainda que não admitida, de ver o numero de Shippou no visor, ela se entusiasma, mas o numero que aparece não era do celular do ex namorado.
MIROKU – Quem é?
SOTEN – Não reconheço o numero. (ela atende) – Alô.
NOMER – Oi Soten. É o Nomer.
SOTEN – Nomer?! (ela fica parada enquanto Miroku continuava carregando Tamira até o quarto dela)
NOMER – Desculpa por estar te ligando a essa hora, mas eu precisava saber se ainda estava de pé aquele nosso encontro.
SOTEN – Não acha que está forçando a barra. (sorrindo) — Isso não é um encontro. Nós só vamos ao cinema.
NOMER – Ta bom, mas de qualquer forma você não se esquece, não é?
SOTEN – Olha Nomer, eu não me esqueci não, mas é que pensei em deixar para outro dia.
NOMER – Mas como você mesma disse, é só um cinema. Algo bem inocente. Eu preciso me distrair um pouco depois do dia que tive. Você nem imagina que o capitão me dispensou mais cedo por causa daquele cara que se matou. Eu deixei uma caneca do lado dele e ele a usou para cortar os pulsos. Uma coisa horrível.
SOTEN – O tal Ryoma. Eu não posso afirmar que tenho pena dele, pois esse sujeito quase me matou.
NOMER – Mesmo assim é horrível para saber que fui, em parte, responsável por isso.
SOTEN – Mas você não tem que se sentir responsável. Foi seu primeiro dia.
NOMER – Eu sei, mas ver aquele homem sangrando não vai sair da minha mente.
SOTEN – Quer saber? Aquele nosso encontro continua de pé.
NOMER – Agora é encontro?
SOTEN – Eu já disse para não forçar a barra. (ela respira fundo) – Só acho que todos nós merecemos momentos bons e precisamos nos distrair com algo agradável.
NOMER – Então está combinado.
SOTEN – Claro! Encontro-te lá na porta do cinema.
NOMER- Legal! Então boa noite.
SOTEN – Para você também.
Soten desliga o celular e quando se vira para frente a fim de ir ao seu quarto, Miroku fica em sua frente com um olhar enigmático.
SOTEN – O que foi?
MIROKU – Quem é Nomer?
SOTEN – É feio escutar as conversas dos outros.
MIROKU – Eu não pude deixar de ouvir. Agora pode responder minha pergunta?
SOTEN – Ele é uma cara que está substituindo Koharo lá no departamento. Eu o encontrei lá quando fui pegar meus documentos que Koharo tinha esquecido.
MIROKU – Isso foi hoje! Quer dizer que você marcou um encontro com alguém que conheceu hoje?
SOTEN – Não é um encontro. É só um cinema com alguém que me parece legal. O que tem de mal nisso?
MIROKU – Á princípio, nada, mas não acha que pode estar se precipitando.
SOTEN – Com o que?
MIROKU – Você acabou de terminar com Shippou e...
SOTEN – Isso não tem nada a ver com Shippou. Eu só quero me divertir. Pensei que ia me apoiar. Por acaso quer que eu fique em casa, chorando pelos cantos porque Shippou vai se casar com Satsuki?
MIROKU – Não é nada disso. Só acho que tem que ir com calma.
SOTEN – Acabou? Então vou para meu quarto e...
Soten dizia isso passando por Miroku, mas de repente ele segura o braço dela fazendo com que ela parasse.
MIROKU – Espere, Soten.
SOTEN – O que?! Vai me impedir de ir ao cinema?
MIROKU – Não. (ele a solta) – Claro que não. Você é minha filha e não minha propriedade, sem falar que já é maior de idade e pode fazer o que quer, mas eu não estaria sendo um pai se não lhe desse esse conselho.
SOTEN – Eu sei disso. Sei que está tentando ser o melhor pai tanto para mim quanto para Tamira, mas essa relação de pai e filha também exige confiança. O senhor precisa confiar em mim. Esse encontro é só para me distrair e não para esquecer Shippou. Nomer ficou um pouco chocado com o suicídio de Ryoma. Eu só quero ajudar uma pessoa que foi gentil comigo.
MIROKU – Está bem. Eu vou confiar em você. (ele beija a testa dela) — Agora vá dormir.
SOTEN – Ta! Boa noite.
Soten caminha até chegar á porta de seu quarto para em seguida abri-la e entrar nele enquanto Miroku observava e enquanto isso, Onigumo e Eri ainda estavam no local da batida de Midoriko. Ele acabara de falar ao celular.
ONIGUMO – A companhia de engenharia e trafego não soube de nenhuma batida nesse local ou qualquer ponto dessa estrada.
ERI – Onigumo! Não acha melhor irmos embora? (ela esfregava os braços com as próprias mãos) – Essa estrada deserta me dá arrepios.
ONIGUMO – Tudo bem. Não temos mais nada o que fazer aqui. Vamos. Você está hospedada aonde? Eu te levo.
ERI – Na verdade eu nem pensava em ficar até essa hora sem me hospedar em algum hotel e...
ONIGUMO – Então você pode dormir na minha casa e amanhã cedo pode cuidar de sua mudança.
ERI – Tem certeza que não vou incomodar?
ONIGUMO – Claro que não. A minha casa tem um quarto de hospedes. Pode dormir lá.
ERI – E Baren? Ele vai ficar sozinho naquele laboratório?
ONIGUMO – Ele, certamente, vai passar a noite em claro. Não se preocupe. Então vamos?
Onigumo e Eri voltam a entrar no carro dele e enquanto isso Natsume observava o corpo de Naraku na câmara criogênica até que um capanga chega perto dela e fala algo no ouvido e assim Natsume se afasta de Naraku para ir até outra parte do esconderijo onde Haruy a aguardava.
HARUY – Senhora.
NATSUME – Então você é o Haruy? Ainda não tive a oportunidade de vê-lo pessoalmente. (ela nota os machucados dele) – O que aconteceu com você? Até parece que sobreviveu á uma explosão.
HARUY – Vim lhe pedir um favor.
NATSUME – Você é subordinado de Elisa e deve saber que Elisa e eu não somos mais tão amigas agora. Seja o que for que quer de mim é algo urgente.
HARUY – Meus homens foram abatidos em uma armadilha preparada por Gatenmaru. Como isso foi no meio da estrada precisei reconhecer os corpos antes que a polícia chegasse.
NATSUME – Já entendi. Elisa quer que eu permita que você utilize meu ‘cemitério’ para enterrar seus homens, pois esses homens são ligados aos americanos a quem vocês servem.
HARUY – Vai permitir isso ou não?
NATSUME – Talvez, mas me responda uma dúvida. Por que Elisa está fazendo tanta força para pegar Gatenmaru vivo?
HARUY – Devia perguntar isso á ela.
NATSUME – Você é muito fiel á Elisa, não é?
HARUY – Senhora. Só me diga se vai permitir ou não que eu utilize seu ‘cemitério’. (ele se afasta) — Caso não permita, eu vou embora e... (ela o segura pelo braço)
NATSUME – Calma aí, Haruy! (ela o encara) – Mas é claro que vou permitir, pois não interessa nem a mim e nem á Naraku que essa conspiração seja desvendada. Estamos no mesmo barco. Onde estão os corpos?
HARUY – No furgão. Lá fora.
NATSUME – A chave.
Haruy tira do bolso a chave do furgão e depois a entrega para Natsume, que imediatamente joga para um de seus capangas. Esse capanga entende o recado e sai para se ‘livrar’ dos corpos deixando-os sozinhos na sala.
NATSUME – Me diga, Haruy. Tem lugar para dormir?
HARUY – Não vou dormir até enfiar uma faca no peito de Gatenmaru. (ele se afasta) – Com licença.
NATSUME – Se vai atrás de Gatenmaru acho que vai precisar de transporte, não? (Haruy fica parado ao ouvir aquilo) – Eu posso te ajudar.
HARUY – Se me der um veículo vai me ajudar muito.
NATSUME – Claro. Também me interessa que capturem Gatenmaru. Pode pegar qualquer carro.
HARUY – Ok, mas antes vou inspecionar o veículo.
Natsume apenas sorri com a desconfiança de Haruy para depois ordenar que outro capanga levasse Haruy até ao veículo e enquanto isso a teleconferência entre Azuma do departamento de polícia, Abi da Agencia Imperial e Rambari da Segurança Interna para determinar as diretrizes de busca por Naraku prosseguia.
ABI – Bem, acho que com as diretrizes determinadas podemos cobrir uma grande parte da cidade.
AZUMA – Apesar de que Tóquio é muito grande. Procurar Naraku aqui é como procurar uma agulha em um palheiro.
ABI – Eu sei disso. Nossa esperança é que Baren consiga ativar o aparelho para localizar a jóia de quatro almas, pois se encontrarmos a jóia encontraremos Naraku.
RAMBARI – A respeito disso tenho uma informação que não sei se é boa ou ruim.
ABI – Prossiga.
RAMBARI – Já que sabemos que americanos estão envolvidos nessa conspiração, pedi que minha assistente conseguisse uma entrevista com um cientista americano, com quem Kikyou fez trabalhos, feita cinco anos atrás durante a crise causada pela Ordem da Espada Morta. Ele mencionou um estudo da jóia de quatro almas.
ABI – O que ele mencionou?
RAMBARI – Ao ser questionado sobre as razões de roubarem a jóia para formação de super soldados, que era nossa desconfiança na época, ele afirmou que isso era impossível e que a jóia poderia ser usada somente para recuperar os ferimentos.
ABI – Bem, sabemos que Naraku estava muito debilitado devido às torturas recebidas durante esses dez anos e que uma das intenções de Natsume era usar a jóia para que ele recuperasse a saúde completa.
AZUMA – Mas é só uma opinião de um cientista. Não sei qual a ligação que possa ter com nosso caso.
RAMBARI – A minha assistente descobriu, através da embaixada americana, que esse cientista está no Japão nesse momento, mas não sabe informar onde ele está no momento.
AZUMA – Espere Rambari. Você disse que não sabe se a notícia é boa ou ruim. O que quis dizer com isso?
RAMBARI – Segundo os relatos desse cientista, o jeito mais eficaz de recuperar a saúde é ficar em animação suspensa por, no mínimo, uma semana enquanto um cientista lança, aos poucos, a radiação da jóia em seu corpo.
ABI – Isso para mim basta! Esse é nosso homem. Provavelmente esse cientista esta com Naraku e Natsume. Mande-nos o perfil do cientista.
RAMBARI – Isso já foi providenciado.
ABI – Senhores! É só isso. Vamos investigar.
A reunião, por teleconferência, é encerrada e imediatamente Azuma olha para Sango, que tinha acompanhado toda a reunião.
AZUMA – Naraku não atacará tão cedo.
SANGO – Isso á princípio pode parecer uma boa coisa, mas é apenas sinal que ele está preparando algo muito grande. Eu quero comandar a buscar por esse cientista e...
AZUMA – Não! Os agentes imperiais cuidarão disso. (ele se levanta da cadeira) – Eu vou voltar para junto de minha família e sugiro que você faça o mesmo.
SANGO – Mas não vou conseguir descansar enquanto não tiver alguma pista desse maldito Naraku. Por isso vou ficar.
AZUMA – Olha, Sango! Não posso te obrigar. Se quiser ficar, fique, mas saiba que fizemos tudo que foi possível. Se aparecer alguma pista, voltarei, mas é pouco provável que isso aconteça tão cedo, então vou indo.
Azuma vai até a porta de sua sala para sair, mas antes que pudesse fazê-lo a detetive se manifesta.
SANGO – Azuma.
AZUMA – O que foi?
SANGO – Você não acha que nossa profissão é perigosa demais para termos uma família?
AZUMA – Sim! É sim, mas eu não sei o que seria minha vida sem Ayumi e meus filhos. (ele sorri) – Até amanhã.
Azuma sai da sala deixando Sango sozinha. A detetive tinha decidido passar a noite ali no departamento de polícia e enquanto isso depois de fazerem amor na cama do casal, InuYasha e Kagome estavam deitados ‘abraçadinhos’ com ela, de olhos fechados, encostando a cabeça no peito dele, que chegou a achar que a esposa estivesse dormindo, mas, de repente, ela se manifestou.
KAGOME – Vai abrir o restaurante amanhã?
INUYASHA – Você quer dizer hoje. (já que se tinha passado de meia-noite) – Não, eu não vou abrir.
KAGOME – Então bem que você podia me acompanhar na reunião partidária.
INUYASHA – Eu não posso. Tenho que falar com os parentes dos funcionários que Ryoma matou. Acertar as questões trabalhistas com eles hoje cedo.
KAGOME – Acho que você está usando isso como desculpa porque não gosta de política.
INUYASHA – Não gosto mesmo, mas nunca escondi isso. Eu sei que no papel de seu marido vou ter que aparecer com você em muitos eventos públicos. Já sabia disso. Mas além do assunto que mencionei tem ainda o fato de que fui incumbido, por Abi, a ajudar Onigumo naquele assunto de localizar a jóia. E ainda tem o Shippou.
Ao ouvir o marido mencionar o nome do filho, Kagome desencosta sua cabeça do peito do marido se ajeitando na cama em seguida.
KAGOME – Shippou também tem muito que pensar.
INUYASHA – Ainda está preocupada com ele?
KAGOME – Claro que sim. No meio dessa confusão toda, ás vezes, esqueço que ele é noivo e está prestes a virar pai. Essa não era a vida que queria para ele.
INUYASHA – A sua vida também não é certamente o que sua mãe esperava para ti, assim como a minha não era o que minha mãe esperava. A vida é assim mesmo, Kagome.
KAGOME – Eu sei, mas é que tinha tantos planos para ele. O Shippou é tão inteligente. Tinha certeza de que ele iria realizar muitas coisas grandiosas.
INUYASHA – Kagome. (ele se ajeita ficando sentado ao lado dela) – Shippou é um rapaz decente e honesto que fez a única coisa que uma pessoa como ele faria. Isso não é o fim do mundo. Shippou ainda pode realizar tudo o que você sonhou. (ele a beija) – Do jeito que fala até parece que a Satsuki é uma maldição na vida dele.
KAGOME – Claro que não! Imagina.
INUYASHA – Eles vão ficar bem. (ele faz com que ela volte a encostar a cabeça em seu peito) — Tem o apoio de ambas as famílias, que por sinal, é uma só já que Sesshoumaru é meu meio irmão.
KAGOME – E por falar no seu irmão, será que ele está bem? Rin não ligou mais e...
INUYASHA – Deve estar bem sim, Kagome. Se algo de ruim acontecesse, saberíamos logo. Notícia ruim chega logo.
KAGOME – Tem razão. (ela boceja)
INUYASHA – Acredite, amor. Tudo vai acabar bem. Você vai ver e...
InuYasha para de falar ao perceber que a esposa, agora sim, tinha adormecido. Acariciando o rosto e mexendo em seus sedosos cabelos ele admirava a beleza de sua esposa enquanto se preparava para dormir, mas de repente o bip, que recebeu de Abi, começou a tocar. Ele olhou para Kagome que permanecia dormindo e assim, cuidadosamente, retira a cabeça de Kagome de seu peito para poder se levantar da cama sem acordar a esposa. Ele pegou o celular e, por estar nu, veste apenas uma cueca para poder sair do quarto. Caminhando até aos outros quartos, ele encostou a orelha na porta do quarto de Shippou e nada ouviu. Fez o mesmo com o quarto de Genku e obteve o mesmo resultado. Depois de confirmar que os filhos também estavam dormindo InuYasha desceu até á sala e começou a usar o seu celular. Ele estava ligando para Abi.
INUYASHA – Senhora Abi. É meio tarde, não?
ABI – Desculpe por fazê-lo ter que ligar a essa hora, mas achei que iria ficar interessado no que acabei de descobrir.
INUYASHA – Estou ouvindo.
ABI – Ao contrário de Rambari, eu fiquei curiosa com aquela história sobre a morte do seu amigo estar ligado á conspiração e a possibilidade do prefeito Ryukosei estar metido nisso.
INUYASHA – há cincos anos Ryukosei era ministro da defesa quando mandou agentes da Segurança Interna matar meu filho e minha sobrinha. Eu sei do que ele é capaz.
ABI – Bem senhor InuYasha, eu me lembro que seu filho invadiu o sistema de rastreamento por satélite do ministério da defesa o que equivale á uma ato terrorista. Soubemos depois que ele só tinha feito isso porque estava ajudando o senhor, que na época era acusado da morte de Kikyou. Por isso ele não foi processado, mas a atitude de Ryukosei, através de Toutoussai, de retaliar seu filho foi considerada legitima e...
INUYASHA – Por favor, senhora Abi, não me aborreça com temas jurídicos. O que tem para mim?
ABI – Certo. Depois que fiquei ciente de sua desconfiança pedi que um dos meus agentes tentasse localizar o médico que fez a autopsia em Myuga já que você alega que ele fora envenenado.
INUYASHA – Toutoussai me disse isso. Seu agente conseguiu localizá-lo?
ABI – Sim. O nome dele é Hideki. Ele é aposentado. Não exerce mais a profissão. Amanhã cedo podemos falar com ele e...
INUYASHA – Mas por que amanhã? Interroguem-no agora mesmo.
ABI – Não podemos, pois, apesar de ter residência aqui em Tóquio, no momento ele está em Yokohama. Amanhã ele retorna.
INUYASHA – Está bem. Para quem esperou cinco anos por esse esclarecimento, acho que posso esperar mais algumas horas.
ABI – Acho bom até porque gostaria que você o interrogasse pessoalmente.
INUYASHA – Eu?! Tem certeza?
ABI – Tenho sim. Devido á busca por Naraku não posso desperdiçar agentes em um caso não oficial e você já mostrou seu valor. E, além disso, se esse homem omitiu algo na autopsia de Myuga ou até mesmo tudo isso estiver ligado á Ryukosei, você é a pessoa mais indicada. Vou passar outros detalhes que você vai se interessar.
InuYasha puxa uma cadeira e se senta para ouvir com atenção as palavras de Abi e enquanto isso Sango, que estava no departamento de polícia, falava, por celular, com Miroku, que estava na sala da casa dele.
SANGO – Tem certeza que nunca ouviu falar nesse cientista no tempo em era refém de Natsume?
MIROKU – Tenho sim. Natsume não me deixava ter acesso a tantas informações assim. Só ouvi falar de David quando intermediei alguns contatos para Kikyou nos EUA. Não sei de mais nada que possa ajudar.
SANGO – Eu sei. Desculpa por ter te acordado a essa hora e...
MIROKU – Já disse que estava acordado por não conseguir dormir, portanto não tem que pedir desculpas por nada. Você vem para cá?
SANGO – Eu vou dormir aqui, mesmo sabendo que é quase certo que Naraku não vai atacar tão cedo. E como está Tamira?
MIROKU – Dormindo como um anjo. Devia ver.
SANGO – Imagino. Sinto-me bem em saber que ela está com você, segura.
MIROKU – Está sim, mas não é ela que me preocupa no momento. E sim, Soten.
SANGO – Está falando do termino do namoro dela com Shippou?
MIROKU – Também, mas não é só isso. (ele respira fundo) – Eu tenho medo que Soten cometa um erro.
SANGO – Erro?! Do que está falando?
MIROKU – Ela marcou de se encontrar com esse rapaz que Azuma contratou para substituir Koharo e...
SANGO – Está falando do Nomer?!
MIROKU – Esse mesmo.
SANGO – Mas isso é legal. Sinal de que ela está tentando superar. Qual é o problema?
MIROKU – A princípio, nenhum, mas estou um pouco temeroso com o caminho que ela está seguindo. Tentar arrumar logo um amor para esquecer outro.
SANGO – Mas o que você queria?! Que ela ficasse chorando pelos cantos? Soten faz muito bem em sair e se divertir. Ela merece levando em conta que passou cinco anos em um templo.
MIROKU – Eu sei. Só estou preocupado.
SANGO – Mesmo?! (ela sorri) – Estou achando que você está sentindo um ciúme de pai ao não querer ver sua filha com outro rapaz. Eu sei disso, pois falo por experiência própria.
MIROKU – Não é nada disso.
SANGO – Pois eu acho que é! Só fico imaginando quando Tamira crescer. (sorrindo) – Não se preocupe com Soten. Pelo pouco que conheço dela, é uma jovem bem ajuizada.
MIROKU – Eu também sei disso. (ele começa a subir as escadas que dava acesso aos quartos)
SANGO – E se a preocupação é Nomer pode ficar tranqüilo que antes de Azuma efetuar sua contratação, eu mesma fiz uma investigação sobre o passado dele.
MIROKU – E o que descobriu?
SANGO – Tem vinte anos, atualmente mora sozinho e é formado em ciência de computação. Aluno exemplar e não tem nenhum antecedente criminal.
MIROKU – Então eu não devo me preocupar, não é?
SANGO – Não deveria. Deveria sim é confiar em sua filha. A vida dela tem sido uma roleta russa, Miroku. Família de assassinos, envolvimento com conspiração internacional, fica cinco anos reclusa para depois voltar no meio de outra conspiração ainda maior. Dá um tempo para ela.
MIROKU – Ta bom. (ele entra no quarto dele) – Eu vou tentar dormir um pouco e acho que deveria fazer o mesmo.
SANGO – Quem dera. Meu trabalho é assim mesmo. Tanto para fazer e tão pouco tempo.
MIROKU – Eu sei. Então boa noite. Eu te amo.
SANGO – Eu também te amo. Boa noite também.
Sango encerra comunicação para depois visualizar no celular a imagem, que Miroku enviou, de Tamira dormindo abraçada á um ursinho de pelúcia na casa dele. Saber que a filha estava segura era reconfortante para a detetive e enquanto isso Elisa, em sua casa, falava pelo celular com Haruy que naquele exato momento estava dentro da casa de Hideki, o médico que tinha feito a autopsia do corpo de Myuga, mexendo em tudo.
ELISA – Confirmou a minha suspeita?
HARUY – Sim. Eu ouvi as mensagens na secretária eletrônica. Konshu entrou em contato com Hideki na noite de ontem. Aposto que foi para tirar as balas do corpo de Gatenmaru. Não é a especialidade dele, mas tenho certeza que ele pode fazer isso. Como não vimos a relação dos dois?
ELISA – Não dava para adivinhar que os dois eram cunhados.
HARUY – O seu marido deveria pelo menos ter desconfiado, ainda mais que Yuri, irmão de Hideki e esposa de Konshu, fez o parto de Kanna.
ELISA – Eu não o culpo, pois Konshu e Yuri não faziam parte do esquema. Não tinha como saber.
HARUY – A senhora acha que tem algo por trás de tudo isso?
ELISA – Desconfio que sim. Por isso vá imediatamente á Yokohama. Vou tentar localizar o endereço do hotel onde ele está hospedado.
HARUY – Sim senhora.
Haruy desliga seu celular para depois sair da casa de Hideki sem acionar o alarme e enquanto isso, depois de falar com seu subordinado, Elisa vai ao quarto onde Ryukosei estava dormindo ou, pelo menos, tentando já que se manifestou ao perceber a presença da esposa.
RYUKOSEI – Já disse que não vamos dormir juntos e...
ELISA – Esquece isso, Ryukosei! Acho que temos problemas.
Ele olha incrédulo para ela e se levanta imediatamente diante do aviso.
RYUKOSEI – O que foi agora?
ELISA – Você se lembra de Hideki?
RYUKOSEI – Claro que eu me lembro. Foi o legista que Toutoussai conseguiu para encobrir a morte de Myuga. Mas o que tem ele?
ELISA – Para sua informação foi graças á ele que Natsume conseguiu aquela gravação entre você e Toutoussai conspirando para a morte de Myuga.
RYUKOSEI – O que?! Então foi ele? (ele se refaz da surpresa com outra constatação) – E você, Elisa, sabia de tudo, não?
ELISA – Claro que sim. Eu era aliada dela, mas não vamos discutir o passado e sim o futuro. (ela o encara) – Uma mulher chamada Yuri fez o parto de Kanna. Sabia que Hideki é irmão de Yuri e, portanto, cunhado de Konshu?
RYUKOSEI – Não! Isso é sério?! (ela maneia positivamente a cabeça) – Mas isso não faz sentido. Se Hideki trabalha para Natsume quer dizer que ela ajudou Gatenmaru. Por que ela faria isso e agora somos todos aliados?
ELISA – Talvez ao ajudar Konshu, Hideki tenha conseguido algo maior para Natsume. Talvez algo contra Kanna. Por algum motivo Natsume não compartilhou essa informação comigo ou mesmo Hank.
RYUKOSEI – Espere aí. (ele fica pensativo) – Hideki foi á casa de Konshu um tempo depois que Naraku foi resgatado da prisão. Talvez haja uma ligação.
ELISA – Entendi o que quer dizer. Talvez Hideki tenha descoberto algo que fez Naraku e Natsume mudarem de idéia sobre fugir do país.
RYUKOSEI – E também explicaria porque ele resolveu me entregar àquela gravação contra mim de maneira tão fácil. (ele pega o celular)
ELISA – Para quem vai ligar?
RYUKOSEI – Para Rakusho. Caso a polícia tenha encontrado o corpo de Konshu, preciso que essa informação não seja divulgada.
Elisa maneia positivamente com a cabeça em sinal de concordância com a idéia do marido e enquanto isso Abi acabava de contar muitos detalhes da investigação para InuYasha como por exemplo a descoberta, por parte de Midoriko, de que Naraku estava tendo ajuda de americanos e também o sumiço misterioso da promotora de justiça sem falar também na revelação de que Naraku pode ficar inativo por mais de uma semana. O marido de Kagome ainda estava um pouco surpreso com o desenrolar da história.
INUYASHA – Essa tese de que Naraku ficará inativo, por uma semana, é confiável?
ABI – Não é 100%, mas é bastante provável. Não temos meios de localizar o cientista David em pouco tempo. Ele deve estar no esconderijo de Naraku.
INUYASHA – E no caso da promotora Midoriko? O que pensam em fazer?
ABI – Localizando o local de onde foi emitido o sinal da ultima ligação dela. O local confere com o que Onigumo relatou á Sango, mas não há pistas do paradeiro dela. O celular dela deve estar desligado ou destruído.
INUYASHA – Acha que ela está morta, não?
ABI – Acho. Por isso se sua desconfiança sobre a morte de Myuga ter relação com o que estamos enfrentando, temos que investigar e... Espere um pouco senhor InuYasha.
Abi tinha interrompido a sua conversa com InuYasha porque outro agente imperial chegou perto dela com uma expressão que pedia urgência para falar e assim esse mesmo agente imperial falou algo no ouvido dela para depois mostrar um papel o qual ao ver Abi fica muito surpresa. Ela agradece seu subalterno e volta a falar com InuYasha.
ABI – Senhor InuYasha. Temos novidades.
INUYASHA – O que?
ABI – Soubemos agora que Hideki tem uma irmã chamada Yuri. Ela é obstetra.
INUYASHA – E daí?
ABI – Adivinha de quem ela fez um parto. De Kanna. (ela sorri) — Coincidência? Eu acho que não.
INUYASHA – Estamos começando a fechar o cerco.
InuYasha sentia que a cada dia estava mais perto de desvendar a conspiração por completo, ainda sim ao mesmo tempo sabia que aquilo ficaria mais perigoso para ele e sua família, mas aquilo tinha que ser feito, pois caso contrario, nunca mais dormiriam em paz.
Próximo capítulo = No encalço de Hideki – parte 1
Fale com o autor