Noite sem Fim
113 A traição do amigo - parte 3
Soten ficou horrorizada ao saber, por Shippou, que Satsuki pode ter sido assassinada pelo estrangulador das meias de nylon. Ambos estavam sentados no sofá da sala.
SOTEN – Então Satsuki foi uma vítima desse monstro?
SHIPPOU – É o que parece. (ele se levanta) – Por isso voltei a olhar os registros da investigação do estrangulador.
SOTEN – Mas seu pai está certo. Deixe que a polícia cuide disso. Sango está no caso e podemos confiar nela.
SHIPPOU – Eu sei. InuYasha me disse a mesma coisa. (ele respira fundo e esboça um sorriso) – Melhor ver se aqueles dois não estão aprontando alguma bagunça.
SOTEN – Tem razão. (ela começa a andar e para ao ficar perto dele) – Shippou. (ela coloca a mão no ombro dele) – Sabe que pode sempre contar comigo, não?
SHIPPOU – Eu sei. (ele toca na mão dela) – Obrigado.
Soten sorri para depois se afastar para ir atrás de Tamira e Genku, deixando Shippou sozinho na sala. Ao perceber isso o jovem se certificou que a ex namorada tinha ido a outro cômodo da casa. Feito isso Shippou vai para seu quarto, trancando-o para em seguida tirar um pen drive de dentro do bolso de sua calça e utilizá-lo no seu laptop mostrando que o conteúdo naquele pequeno aparelho eram os registros da investigação sobre o estrangulador. Isso era sinal de que Shippou tinha mentindo para InuYasha sobre se livrar daquilo.
SHIPPOU – Foi muito bom ter passado tudo para meu pen drive.
Shippou se desculpava mentalmente com InuYasha, pois não conseguia se afastar daquele caso. Para ele era uma questão de honra esclarecer tudo aquilo e enquanto isso em sua casa, Rin, ainda atordoada com o comportamento arredio do marido, procurava pensar em outra coisa para não ficar mais deprimida. Por isso resolveu ligar para Onigumo a fim de saber se ele tinha alguma novidade sobre a identidade do homem americano que aparecia na foto deixada por Momiji para ela.
RIN – Desculpe por insistir, Onigumo.
ONIGUMO – Tudo bem, mas acho que deveria ficar com seu marido nesse momento de dor. Não deve ser fácil para ele lidar com isso.
RIN – Eu sei disso. Sesshoumaru indiretamente me culpa por esconder certas coisas dele sobre a filha mesmo sabendo que isso não mudaria nada. Por isso devo pensar em outra coisa.
ONIGUMO – Está bem. (com um ar conformado) – Como já disse antes, não tenho nada sobre o americano. O que não me surpreende, pois Naraku não confiava em estrangeiros, principalmente americanos. E saber que americanos estavam por trás da prisão dele não deve ter melhorado isso.
RIN – Mas Momiji me deixou aquilo por alguma razão, mas não consigo saber o que é. Novamente sinto muito por incomodá-lo.
ONIGUMO – Não se desculpe. No momento estou na sede da Agência Imperial.
RIN – Sério?! O que faz aí?
ONIGUMO – Abi me chamou. Não sei para que, mas posso aproveitar para pedir ajuda sobre a identidade desse americano na foto.
RIN – Mesmo?! Isso é excelente, Onigumo. Muito obrigada.
ONIGUMO – Não por isso. Agora preciso desligar.
Onigumo, que estava em um dos corredores do prédio sede da Agência Imperial, encerrou sua comunicação com Rin ao avistar a superintendente Abi se aproximando.
ABI – Desculpe por fazê-lo esperar, mas soube agora que o carro que trouxe InuYasha acabou de chegar.
ONIGUMO – InuYasha?!
ABI – Sim. Preciso falar com vocês dois sobre um assunto sigiloso. Acompanhe-me.
E assim Onigumo segue Abi pelos corredores do prédio até chegarem á uma sala onde InuYasha já estava. O marido de Kagome se surpreendeu com a presença de Onigumo.
INUYASHA – O que está havendo, Abi?
ONIGUMO – Eu também gostaria de saber.
ABI – Cavalheiros, sentem-se, por favor.
InuYasha e Onigumo se sentam lado á lado nas cadeiras que estavam á frente da mesa de Abi, que logo em seguida faz o mesmo em sua cadeira antes de começar a falar.
ABI – Uma reunião para troca de informação entre a Agência Imperial e a Segurança Interna não confirmou a existência de uma ligação entre a fuga de Naraku e o surgimento de um plano para destruir o Imperador e a Monarquia nesse país.
INUYASHA – Algo me diz que não concorda com essa avaliação, certo?
ABI – Isso mesmo. Os dois fatos estão muito próximos para eu descartar uma ligação.
ONIGUMO – Por que estamos aqui?
ABI – Eu quero descobri essa ligação trabalhando em duas frentes.
INUYASHA – Prossiga.
ABI – Antes de continuar. Quero confirmar que essa conversa nunca existiu. Trabalharemos á margem até da Agência Imperial. Entendidos?
Embora estranhassem tal atitude da superintendente da Agência Imperial, InuYasha e Onigumo consentiram com a cabeça e assim Abi voltou a falar sobre o que pretendia fazer.
ABI – Como já devem saber, não conseguimos, junto com a embaixada americana, uma permissão para interrogar Haruy sobre uma ligação com Naraku e toda a conspiração. Caso sigamos os protocolos ele será extraditado.
INUYASHA – Isso não pode acontecer. Ele tem muitas informações e...
ABI – Por isso te chamei aqui, InuYasha. A minha intenção é não prosseguir com o inquérito contra Haruy. Vou deixá-lo livre, sem processo algum.
INUYASHA – E o que tenho com isso?
ABI – Quero que o interrogue e descubra o que puder e...
ONIGUMO – Espere aí! Isso não é ilegal? InuYasha pode se meter em encrenca.
ABI – Só se ele não descobrir nada, mas caso descubra e posteriormente confirme, Haruy não poderá fazer nada.
INUYASHA – Olha Abi, eu não estou com medo de fazer isso. Já até tinha pensado em algo parecido, mas você olhou a ficha de Haruy. Ele é um ex soldado de elite muito bem treinado. Não vai ser fácil tirar algo dele.
ABI – Por isso estou confiando essa missão á você. Sei que o momento não é bom por causa do que aconteceu com sua sobrinha, mas sabe melhor do que ninguém que devemos fazer o que for preciso para deter esses lunáticos conspiradores. Muitos perderam a vida por causa deles.
InuYasha sabia que Abi estava se referindo á Zuko. Ela ainda sentia a morte dele e estava disposta até a arriscar seu emprego para solucionar aquele caso. InuYasha compreendia esse sentimento.
INUYASHA – Tudo bem Abi. Farei isso. Darei um jeito de conseguir a informação.
ONIGUMO – Isso é loucura. Vocês dois estão se arriscando muito.
ABI – Eu sei. Agradeço a preocupação, mas InuYasha aceitou fazê-lo e espero que mantenha discrição sobre isso. (ela olha para InuYasha) – Nem sua esposa pode ficar sabendo disso.
INUYASHA – Ela é de confiança e...
ABI – Não discordo disso. Quem não é muito confiável são as pessoas em torno dela, principalmente do partido dela. Não sou afeita á política, mas soube que ela enfrenta algumas resistências internas. Se o que fizer com Haruy vier á publico melhor seria que sua esposa não saiba nada.
INUYASHA – Eu não tinha pensado nisso. Tem razão. Melhor não falar nada.
ONIGUMO – E quanto á mim?
ABI – Quanto á você quero que vá falar com uma pessoa que é chave para essa questão. Kanna.
ONIGUMO – Kanna?!
ABI – Sim. Ela tem posse de uma lista de pessoas envolvidas com essa conspiração e...
INUYASHA – Eu não entendo. Ela não está em uma prisão domiciliar porque colaborou com a justiça dando nomes das pessoas ligadas á conspiração de cinco anos atrás?
ABI – Sim, mas descobrimos que a lista que ela deu não tinha os nomes de todos os envolvidos. Provavelmente ela fez isso pensando em proteger o filho.
ONIGUMO – Seja o motivo que for ela violou o acordo, portanto devo imaginar que ela foi transferida para uma prisão comum, certo?
ABI – Errado. Eu ainda não enviei esse relatório para o novo promotor de justiça que está substituindo Midoriko.
INUYASHA – Por que fez isso?
ABI – Por que acredito que Kanna esteja ‘jogando’ com os dois lados. Caso ela fique presa estará bem mais próximos dos conspiradores do que de nós. Preciso que você, Onigumo, vá até a casa dela e tente convencê-la a entregar a lista completa.
ONIGUMO – Por que eu?
ABI – Por que de todos os sobreviventes, talvez você seja o que mais se aproxima dela na questão da redenção. Acredito que ela só está pensando no filho. É o que resta para ela.
ONIGUMO – Não sei se posso fazer isso.
ABI – Por quê? Por acaso tem a ver com o fato de um momento em sua vida ter tido sentimentos profundos por ela?
ONIGUMO – Sim. Eu era apaixonado por ela, mesmo quando se casou com Kohaku, mas superei isso. Meu incomodo em vê-la talvez esteja no fato dela ter sido a responsável pela morte de minha noiva. Ou talvez pelo fato dela ter me usado como escudo para se proteger as suspeitas. Ou talvez pelo de achá-la uma sociopata que se acha mais esperta que todos.
INUYASHA – Olha Onigumo, eu entendo seus sentimentos. Kanna também afetou minha vida, mas eu estive com ela na prisão domiciliar em seu primeiro dia. Ela tentou se matar, mas eu a impedi.
ONIGUMO – Eu não sabia disso.
INUYASHA – Talvez ela nunca seja a mulher que você imaginava quando era apaixonado, mas ela também não é mais a mulher que te manipulou.
Onigumo não queria admitir, mas no fundo sabia que InuYasha estava certo, pois há alguns meses ele chegou a falar com Kanna na Cia de Midoriko. Ainda sim aquilo não seria de graça.
ONIGUMO – Apesar de ainda não achar uma boa idéia, vou falar com Kanna, mas em troca poderia fazer um favor para mim.
ABI – Se estiver ao meu alcance.
ONIGUMO – Rin soube que Momiji deixou algumas coisas para ela antes de ser assassinada, entre elas estava um negativo de uma foto de uma reportagem de Inutaicho. Nessa foto aparecia um americano que talvez estivesse envolvido com o seqüestro do pai dela.
ABI – Você quer que eu investigue e tente descobrir quem é o americano na foto?
ONIGUMO – Se as suspeitas de Rin estiverem certas a identificação desse homem pode ajudar na solução do caso. Eu particularmente duvido muito, mas faço isso por Rin.
ABI – Ok. Eu cuido disso. Temos um programa de reconhecimento de face. (ela se levanta da cadeira) – Se estamos entendidos, encerramos essa reunião e portanto vamos prosseguir com a missão.
Abi, InuYasha e Onigumo saíram da sala de reunião e enquanto isso naquele momento Sango estava em frente ao bar que era o ponto de encontro entre Koharo e Bayashi. Ela falava, pelo celular, com Azuma, que estava no departamento de polícia.
AZUMA – Algum sinal de Bayashi?
SANGO – Ainda não, mas por via das duvidas, Koharo já está lá dentro. Quer que eu entre também?
AZUMA – Não. Melhor esperar ele entrar primeiro. Não podemos correr o risco de te reconhecer ao fazer o reconhecimento do local. Afinal você é uma policial conhecida.
SANGO – Entendo. Vamos deixá-lo que se sinta mais seguro e... Espere um pouco.
Sango interrompe a fala ao perceber que um carro com a mesma descrição de um carro de Bayashi acabou de estacionar. E era mesmo o carro de Bayashi, que ao sair do veículo fez com que a detetive tivesse a confirmação visual do alvo.
SANGO – Ele chegou, Azuma.
AZUMA – Ótimo. Prossiga com a missão.
E assim Sango desliga a comunicação com Azuma para em seguida usar o ponto eletrônico em seu ouvido para se comunicar com Koharo, que estava sentada á uma mesa.
SANGO – Ele chegou.
KOHARO – Poxa. Já não era sem tempo.
SANGO – Vou entrar logo depois.
Koharo desliga a comunicação e discretamente olha ao redor do bar o que a faz avistar Bayashi, que com um sorriso vai direto para mesa onde ela estava ao mesmo tempo Sango adentra o bar indo para o balcão.
BAYASHI – Oi, você que é a Koharo?
KOHARO – Isso. Então acredito que você seja o Bayashi.
BAYASHI – Sou eu sim.
Koharo se levanta e os dois se beijam no rosto como cumprimento por se conhecerem naquela ocasião. E em seguida eles se sentam á mesa.
BAYASHI – Desculpe-me pelo atraso, mas estava resolvendo alguns problemas profissionais. Espero não tê-la feito esperar muito.
KOHARO – Tudo bem. Acho que cheguei um pouco cedo demais. Talvez a ansiedade em um encontro desses.
BAYASHI – Eu sei. Causa ansiedade mesmo.
KOHARO – É sobre isso que gostaria de falar primeiro.
BAYASHI – Sim.
KOHARO – Pode ser uma tolice minha, mas eu gostaria que nós fôssemos devagar. Tenho medo de me machucar. Essa idéia de encontro pela internet é coisa da minha amiga.
BAYASHI – Eu entendo perfeitamente. Devagar está bom para mim.
KOHARO – Que bom que pensa assim. Eu tinha medo que se afastasse.
BAYASHI – Como poderia me afastar de você. É muito bonita. Mais bonita do que está na foto.
KOHARO – Não fale assim. Você está me deixando embaraçada.
BAYASHI – Você fica linda quando está envergonhada. Não se preocupe. Não vou forçar nada, mas podemos beber alguma coisa para ‘quebrar o gelo’.
KOHARO – Isso seria bom.
BAYASHI – O que vai querer beber?
KOHARO – O mesmo que você. Vou confiar no seu gosto.
Bayashi apenas sorri com aquela resposta para depois se levantar e ir até o balcão para fazer seu pedido. Percebendo que ele se aproximava, Sango ficou de costas, pegou seu celular e fingiu que estava falando com alguém enquanto Bayashi falava com o barman.
BAYASHI – Dois uísques duplos.
BARMAN – É para já.
O perito barman pegou duas taças e serviu a bebida pedida enquanto Sango ainda fingia falar com alguém no celular. Bayashi nem desconfiava que fosse uma operação policial. Depois de servido, Bayashi pegou as duas taças e as levou até á mesa onde estava Koharo. Nesse momento Sango para de fingir e fala com o barman.
SANGO – Tem certeza que esse é o homem que freqüenta esse bar?
BARMAN – Absoluta, mas nunca o vi com aquela moça da foto.
O barman se referia a foto de Satsuki e enquanto isso Bayashi e Koharo ainda não estavam bebendo o uísque, pois como o combinado, a TV exibia um pronunciamento de Elisa sobre o caso do estrangulador ao dizer que estavam com um suspeito sob custódia, mas que não poderia revelar o nome.
KOHARO – Espero que peguem esse mostro de uma vez por todas.
BAYASHI – Você tem medo desse estrangulador?
KOHARO – Claro que sim. Esse cara deve ficar na espreita para agarrar mulheres indefesas e depois estuprá-las e matá-las e... Ai me desculpe, por falar nisso. Estou estragando o nosso encontro falando desse louco e...
BAYASHI – Tudo bem. É normal que tenha medo, mas como disse a secretária de segurança, já pegaram um suspeito.
KOHARO – Tem razão. Desculpe-me pelo meu descontrole momentâneo. Acho que vou ao toalete para retocar a maquiagem. (ela se levanta) — Com licença. (ele se levanta também)
BAYASHI – Toda.
Ao ver Koharo se dirigindo para o banheiro, Bayashi voltou a se sentar sem saber que era observado discretamente por Sango. Ao perceber que Koharo finalmente entrou no banheiro, Bayashi tirou algo do bolso do paletó. Era uma cartela de comprimidos cujo um deles foi retirado da cartela e posteriormente colocado na bebida de Koharo. Ver essa cena foi o suficiente para Sango falar com Koharo pelo ponto eletrônico.
SANGO – Ele colocou algo na sua bebida, Koharo.
KOHARO – Então é ele mesmo.
SANGO – Sim. A missão acabou. Bom trabalho. Agora deixe comigo.
Depois de encerrar a comunicação com Koharo, Sango não perdeu tempo e gesticulou para dois policiais do lado de fora a fim de que eles entrassem e assim os três foram em direção á Bayashi, que só se deu conta quando era tarde demais, pois estava sendo algemado.
BAYASHI – O que estão fazendo?
SANGO – Te prendendo, senhor Bayashi. (ela olha para os policiais) – Podem levá-lo.
Sango observa os policiais levando Bayashi enquanto, cuidadosamente munida de luvas, pega a taça com o comprimido e naquele momento Koharo chega perto dela.
KOHARO – Acha que é ele mesmo?
SANGO – Sim. (ela exibe a taça) – Mas vai ser o conteúdo disso que vai provar. Queria ver a cara do Guy agora.
Sango e Koharo saíram muito confiantes de que pegaram o estrangulador e enquanto a campainha tocava na casa de InuYasha e Kagome e como Shippou estava muito ocupado em checar os dados do pen drive, foi Soten que teve que atender e se surpreendeu em ver quem era.
SOTEN – Detetive Guy?
GUY – Não sabia que estava aqui, senhorita Soten.
SOTEN – O senhor InuYasha pediu que ficasse com o Shippou diante de tudo que ocorreu. O senhor entende, não?
GUY – Entendo sim e é por isso que estou aqui. Preciso conversar com o Shippou.
SOTEN – Ele está no quarto dele. O senhor pode aguardar aqui na sala enquanto eu vou chamá-lo.
Guy sorriu gentilmente para em seguida adentrar a residência enquanto Soten subiu até o quarto de Shippou e quando tentou entrar nele, percebeu que estava trancado e por isso bateu.
SOTEN – Shippou! O detetive Guy está lá embaixo querendo falar com você.
Segundos depois Soten ouviu o barulho da fechadura se destrancando até que a porta se abriu e Shippou apareceu diante dela.
SHIPPOU – O que ele quer?
SOTEN – Acho que é para falar algo sobre Satsuki, imagino eu.
SHIPPOU – Tá? Eu vou ver.
SOTEN – O que está fazendo trancado em seu quarto?
Ao mesmo tempo em que perguntava Soten olhou de relance o interior do quarto de Shippou e percebeu o laptop ligado. Percebendo isso Shippou fechou a porta para que ela não visse mais nada.
SHIPPOU – Nada! Só quero um tempo sozinho.
SOTEN – Tudo bem. Se não quer falar, não fale. (ela se afasta, mas ele segura o braço dela)
SHIPPOU – Olha Soten. Desculpe-me pela grosseria, mas é que não está sendo fácil para mim e...
SOTEN – Tudo bem. Sei que está nervoso, mas saiba que só quero o seu bem.
SHIPPOU – Eu sei. E agradeço por isso.
E assim Soten se afastou de Shippou para voltar á ficar de olho em Genku e Tamira enquanto Shippou desceu até sala para falar com Guy, que estava sentado no sofá, mas se levantou ao ver o jovem.
SHIPPOU – Detetive. O senhor queria falar comigo?
GUY – Sim. Precisamos esclarecer algumas dúvidas em seu depoimento.
SHIPPOU – Em meu depoimento? O que meu depoimento tem a ver com o estrangulador? Não foi ele quem matou Satsuki?
GUY – É nisso Sango e todo departamento de polícia acreditam. (ele sorri) – Menos eu. Acho que quem matou sua noiva é um imitador do estrangulador. Alguém com muita intimidade com ela.
SHIPPOU – Não estou gostando do seu tom, detetive. Diga de uma vez o que quer saber?
GUY – Alguém pode testemunhar que você ficou esperando sua noiva na hora marcada de seu encontro?
SHIPPOU – Não. O ponto de encontro era um lugar isolado. Satsuki queria me contar algo importante, mas nunca soube o que é.
GUY – Tem certeza que não sabe?
SHIPPOU – Não. Eu já disse que não.
GUY – Não sei se acredito nisso, mas de qualquer forma é algo que vai complicar sua situação.
SHIPPOU – Minha situação?! Pelo seu tom de voz acha que tenho algo a ver com a morte de Satsuki.
GUY – Pode ser.
SHIPPOU – Isso é um absurdo! Porque mataria minha noiva?
GUY – Talvez pela revelação que ela fez ou não teve oportunidade de fazer.
SHIPPOU – Detetive Guy. Pare de enrolar e me diga de uma vez. Se souber mesmo o que Satsuki ia me dizer, diga logo.
GUY – Ela ia dizer que você não era o pai do filho que ela esperava.
Shippou ficou atônito com aquela revelação, pois não podia imaginar que aquilo fosse verdade, mas a expressão do detetive Guy era muito segura.
Próximo capítulo = A traição do amigo – parte 4
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