Noite sem Fim

112 A traição do amigo - parte 2


Depois de sair da sala do capitão, onde Elisa estava, Guy foi até sua mesa para rever o depoimento que Shippou prestou no departamento de polícia. Azuma se aproxima.

AZUMA – Como vai a investigação?

GUY – Está andando, capitão. (ele nota algo no depoimento) – O depoimento de Shippou confirma o que Rin disse. Satsuki tinha marcado um encontro com o noivo, mas, segundo ele, ela não apareceu. (ele fica pensativo) – Interessante.

AZUMA – O que é interessante?

GUY – Shippou disse que ficou quase uma hora esperando em vão pela chegada da noiva. (ele olha outro papel) – Mas não há registro de ligação para o celular dela.

AZUMA – Ficar mais de uma hora esperando sem ligar para ela é algo estranho mesmo, mas você não está desconfiando que Shippou possa ser responsável pela morte da noiva.

GUY – Sinceramente? Eu não sei, mas há questões que ele deve responder. O fato de a noiva estar grávida de outro é um motivo e tanto, não acha? (ele se afasta) – Farei isso agora mesmo.

AZUMA – Guy!

GUY – Sim, capitão?

AZUMA – Vá com calma. Ele é filho de uma candidata á prefeita. Não queremos vazamentos dessa história.

Guy consente com a cabeça, pois tinha ciência da gravidade daquele assunto e das possíveis conseqüências do rumo que aquela investigação estava tomando e enquanto isso depois uma inútil e desgastante ida ao consulado americano, onde tratou do caso do americano Haruy, Rambari estava de volta a sede da Segurança Interna onde já estava conversando com Kagome e Miroku.

RAMBARI – Desculpe a demora, mas como devem saber o caso da fuga de Naraku está tomando todo meu tempo.

KAGOME – Eu entendo, senhor, mas tem que entender a gravidade dessa minha situação.

MIROKU – Usaram, indevidamente, o nome de maneira informal para arquivar uma investigação. A morte de Hiro.

RAMBARI – Ok. (ele se senta á sua mesa) – Pelo que vi essa informalidade é a responsável pela tarja vermelha no nome de Soten somado isso ao processo de adoção que o senhor iniciou que criou essa particularidade no caso dela, deixando em situação diferente Shippou e Satsuki.

KAGOME – Então está claro que os dois casos têm relação. O senhor pode descobrir quem usou meu nome?

RAMBARI – Posso sim. Até porque isso tem cara de trabalho interno, mas não sei que interesse alguém teria para fazer isso, pois a mãe de Hiro, que teria interesse, nunca questionou a conclusão da investigação.

MIROKU – E onde está a mãe de Hiro?

RAMBARI – Ela está no exterior. Por isso não acredito que ela tenha algo com isso. (ele olha para Miroku) – Vamos tirar o nome de sua filha da lista vermelha imediatamente. Mais alguma coisa?

MIROKU – Por mim não.

KAGOME – Só tenho mais uma coisa para perguntar.

MIROKU – Então eu vou fazer uma ligação lá fora.

Miroku se levanta de sua cadeira para sair da sala a fim de fazer a tal ligação deixando Kagome sozinha com Rambari.

RAMBARI – Pode falar, senhora. Qual é a pergunta?

KAGOME – Há alguma possibilidade dessa informação vazar? Eu sou totalmente inocente, mas se isso vier a publico de maneira distorcida, pode prejudicar minha campanha.

RAMBARI – Embora a Segurança Interna esteja subordinada á um governo de um partido adversário seu, não é costume nosso nos envolvermos em política. O vazamento dessa investigação só prejudicará a nós mesmos. Acredite, quando descobrirmos o vazador, ele será punido.

KAGOME – Eu acredito, senhor. (ela se levanta e se curva) – Obrigada pelo seu tempo.

RAMBARI – Eu é que agradeço e meus pêsames sua sobrinha. É uma enorme tragédia pessoal. Estenda esses sentimentos á seu marido e seu filho.

Kagome percebeu a sinceridade nas palavras de Rambari e assim ela se dá por satisfeita com a explicação e sai da sala do superintendente, mas ainda sim permanecia receosa com aquela história e comentou isso quando encontrou Miroku no corredor.

KAGOME – Sabe de uma coisa, Miroku? Falar desse assunto me fez perceber o quanto pouco sei da morte de Hiro. Shippou sempre alegou que não se lembrava de nada porque estava desmaiado com a pedrada na cabeça.

MIROKU – Koharo confirma que Shippou estava desmaiado quando ela chegou. Já que infelizmente Satsuki morreu agora pouco só nos resta Soten. Então vamos para sua casa falar com ela.

KAGOME – Minha casa?!

MIROKU – A ligação que fiz era para Soten. Ela me disse que InuYasha pediu que ela fosse a te a casa de vocês para ficar de olho em Genku, pois tinha um compromisso importante.

KAGOME – InuYasha deve ter chamado Soten porque achou que Shippou não estava bem. Desculpe por abusar de sua filha, ainda mais sabendo da história dela com Shippou e...

MIROKU – Esquece isso, Kagome. Eles já são bem grandinhos para se entenderem. Vamos.

Kagome e Miroku se dirigiram para seus respectivos carros a fim de irem a casa dela e enquanto isso a vã, onde estavam Sango, Koharo e outros policiais, chegava à entrada do bar que era o ponto de encontro de Koharo com Bayashi, suspeito de ser o estrangulador.

KOHARO – Agora é esperar?

SANGO – Isso. Tem algum tempo até ele chegar. Vou descer e fazer algumas averiguações. (ela olha para os outros policiais) – Fiquem de olho.

Enquanto os outros policiais se preparavam para iniciar a missão, Sango desce da vã para adentrar o bar, que era um local refinado e um ótimo ponto de encontros românticos, mas estava com a movimentação fraca naquele momento. Sango foi direto falar com o barman.

BARMAN – O que quer beber?

SANGO – Por enquanto nada. (ela mostra o distintivo) – Apenas respostas.

BARMAN – Policial?

SANGO – Detetive para ser mais exata.

BARMAN – Pois não, detetive. O que quer saber?

SANGO – Já viu esse homem? (mostrando a foto de Bayashi)

BARMAN – Já.

SANGO – Tem certeza? Não pode haver engano e...

BARMAN – Sou um bom fisionomista. Esse cara já apareceu aqui algumas vezes. Sempre com uma moça diferente.

SANGO – Já o viu com essa moça? (mostrando uma foto de Satsuki)

BARMAN – Não poderia dizer. Não poderia reconhecer nenhuma das moças. Eu só me lembro dele porque era ele quem vinha aqui pegar as bebidas.

SANGO – Por acaso viu esse cara com outro homem? Um amigo?

BARMAN – Não que tenha percebido. O que ele fez?

SANGO – Só tem que saber que sou policial e não pode dar ‘bandeira’.

O barman se deu por entendido e assim Sango saiu do bar para voltar á vã, onde os policiais técnicos, montavam o equipamento de escuta para a missão de Koharo.

KOHARO – Como foi?

SANGO – O barman identificou Bayashi. Ele se encontra com mulheres nesse bar, mas nenhuma menção á um parceiro.

KOHARO – Provavelmente esteja no local dos assassinatos.

SANGO – Provavelmente.

Sango e Koharo observavam os técnicos acabando de montar o equipamento de escuta e enquanto isso, em sua casa, Sesshoumaru estava de saída até que sua esposa chamou sua atenção.

RIN – Aonde você vai?

SESSHOUMARU – No departamento de polícia para tratar da liberação do corpo da minha filha.

RIN – O departamento não vai liberá-lo agora. Precisam fazer um exame no feto. Ainda mais depois de saber a verdade sobre ele...

SESSHOUMARU – Não quero falar disso! Eu ainda não acredito nessa história sórdida. Satsuki não é assim. Tenho certeza e quando fizerem o exame de DNA vão saber a verdade.

RIN – A verdade é o que a própria Satsuki disse, Sesshy. O que ela fez foi errado, mas não faz dela uma pessoa ruim e sim humana. Ela errou como todos nós erramos alguma vez na vida.

SESSHOUMARU – Hunft! (virando o rosto) – Não me espere.

E assim Sesshoumaru saiu de casa deixando a esposa um pouco agoniada, pois sabia que ele saiu ainda magoado com ela pelo fato de não ter contado o segredo de Satsuki. E naquele momento Sara, já acordada, apareceu diante dela.

SARA – Onde o papai foi?

RIN – Ele foi resolver problemas de adultos, querida. (ela abraça a filha)

SARA – Ele foi trazer a Sat de volta?

RIN – Ai querida. (acaricia a cabeça dela) – Nós já tivemos essa conversa. A sua irmã não vai mais voltar.

Rin abraçava Sara e em certo sentido invejava a filha por não ter a completa noção do que estava havendo e por isso não absorvia todo sofrimento e enquanto isso Soten e Tamira estavam chegando á casa de InuYasha o que fizeram as duas perceberem o carro preto na entrada.

TAMIRA – Olha esse carro.

SOTEN – E não é do senhor InuYasha.

Chegando mais perto elas notaram a presença de um homem de terno igualmente preto ao lado do carro. Era um agente da Segurança Interna. Naquele momento InuYasha saiu de casa e, ao ver Soten e Tamira, foi direto á elas.

INUYASHA – Chegou bem na hora.

SOTEN – Eu tive que trazer a Tamira junto. Espero que não tenha problema e...

INUYASHA – Claro que não! Eu que devo pedir desculpas por te pedir para fazer isso, mas o Shippou...

SOTEN – Eu sei. (ela tentava se manter forte) – E como ele está?

INUYASHA – Está meio perdido e com algumas idéias malucas, mas nada com que se deva preocupar. Eu já vou indo. (ele acaricia a cabeça de Tamira) – Tchau, linda.

InuYasha se afasta delas para entrar no carro preto com o agente. Depois de observar o veículo se afastando e sumindo no horizonte, Soten, junto com Tamira, vai para a entrada da casa aproveitando que a porta estava aberta, adentram a residência e não demora muito para Shippou aparecer diante delas.

SHIPPOU – Então foi você que InuYasha chamou?

SOTEN – Sim. (ela se aproxima dele) – Eu sinto muito pelo que houve com Satsuki.

SHIPPOU – Obrigado.

SOTEN – Tamira, por que não vai falar com Genku?

TAMIRA – Tá!

Soten mandou Tamira ver Genku para que ela pudesse falar mais á vontade com Shippou, ainda mais naquela situação tão peculiar.

SOTEN – Eu nem consigo imaginar como esteja sofrendo. Perder a pessoa amada desse jeito tão trágico. O que você precisar pode contar comigo. (ela se esforça para dizer o resto) – Amigos são para essas coisas.

SHIPPOU – Obrigado novamente pela sua força e amizade, mas não há nada a fazer. A única coisa que quero é que a pessoa que fez isso com Satsuki pague muito caro. Eles não mataram só a minha noiva, mas também o meu filho.

SOTEN – Você não está pensando em fazer alguma loucura como, por exemplo, fazer justiça com as próprias mãos?

SHIPPOU – Claro que não, mas há algo na morte de Satsuki que você não sabe.

Shippou começou a contar para Soten que a morte de Satsuki estava relacionada com o famoso estrangulador que escandalizava a cidade e enquanto isso em seu apartamento, Bayashi se despedia de Reiko e Yama.

BAYASHI – Poxa, eu queria que ficassem mais um pouco.

REIKO – Eu também. Você trabalha muito, amor. Esse seu emprego é duro. Trabalhar até mais tarde.

BAYASHI – Eu sei, mas tudo isso é por você. (ele olha para o Yama) — E por seu irmão também. Quando nos casarmos, vamos morar todos juntos. Nada dessa história do Yama ficar em um lugar especial. O lugar dele é com sua família, ou seja, nós.

YAMA – Eu quero morar com Bayashi também.

BAYASHI – E você vai, amigão.

REIKO – Você é um doce. (ela o beija) – Mas vamos mais devagar com essa história de casamento.

BAYASHI – Não sei por que você resiste tanto a idéia de nos casarmos. Seremos muito felizes. Estamos juntos há praticamente um ano.

REIKO – Ok. Eu prometo pensar com calma.

BAYASHI – Isso. Agora melhor irem, pois tenho que me arrumar para o trabalho.

Depois de dar mais um beijo no namorado, Reiko sai do apartamento dele junto com o irmão autista, muito lisonjeada com a insistência dele de se casarem, mas o que ela não imaginava era que o namorada não estava se preparando para trabalhar e sim ir á um encontro, mostrando que ele tinha uma vida dupla.

Próximo capítulo = A traição do amigo – parte 3