Noite sem Fim
111 A traição do amigo - parte 1
Sentados á mesa de Guy, à espera do detetive, Tsurugi e Xolan aguardavam a chegada do detetive Guy. Eles estavam acompanhados de Mariko, a mulher bem vestida que na verdade era uma advogada. Ela indagava Azuma sobre a convocação de pai e filho.
MARIKO – Qual é a natureza dessa convocação? Meus clientes estão sendo acusados de alguma coisa em relação á morte da jovem Satsuki?
AZUMA – Ninguém está acusando ninguém de nada. O detetive Guy só quer esclarecer algumas dúvidas e depender do que descobrir aí sim poderá ou não acusar alguém.
MARIKO – Seus detetives não tinham o direito de importunar esse rapaz em seu local de trabalho. Saiba que ele acabou sendo demitido.
AZUMA – Não importunamos ninguém. O celular da vítima foi encontrado no armário dele. Nossa ação foi perfeitamente legal e a senhora sabe disso. Ah, Guy chegou!
Naquele momento Guy adentra o departamento de polícia carregando um CD. Ele vai direto para sua mesa ao ver quem estava sentado á ela.
GUY – Pode deixar comigo, capitão.
AZUMA – Ok. (ele se afasta deixando-os)
GUY – Quem é a senhora?
MARIKO – Meu nome é Mariko e sou advogada dos dois.
GUY – Detetive Guy. (depois ele olha para Tsurugi) – Foi bom trazer uma advogada. Seu filho pode precisar.
XOLAN – Do que está falando?
GUY – Na nossa conversa anterior, você disse que nunca teve nada com Satsuki e que foi ela que vivia te paquerando.
XOLAN – Exatamente. Não ia fazer essa ‘traíragem’ com meu amigo Shippou.
GUY – Engraçado, mas não foi isso que o dono da loja, em que Satsuki e Maya trabalhavam, disse. Ele afirmou que chegou a ver você tentando beijar Satsuki, mas ela se recusando.
XOLAN – Ele está mentindo.
TSURUGI – Eu acredito no meu filho.
MARIKO – Sem falar que é a palavra de um contra o outro.
GUY – Esperava que dissessem isso. (ele retira uma fita de dentro da pasta) – Por isso consegui isso.
Guy se levanta, com a fita na mão, para ir até um televisor com vídeo cassete onde ele introduziu a fita que imediatamente mostrava cenas do fundo da loja de roupas onde, de repente, aparecem Xolan e Satsuki que pareciam estar em uma conversa amigável até que Xolan tentou beijar Satsuki, mas ela evita. Ver tal cena faz com que Xolan se manifeste.
XOLAN – Pode parar, detetive.
TSURUGI – Xolan? (incrédulo)
GUY – Não quer ver o resto da fita?
MARIKO – O que o senhor quer?
GUY – Quero a verdade.
Antes de começar a falar, Xolan percebeu o olhar reprovador do pai, pois Tsurugi virou o rosto já que estava realmente decepcionado em saber que o filho tinha mentindo para ele.
XOLAN – Está bem. Eu menti sobre Satsuki. Fui eu quem deu em cima dela, mas foi porque pensei que não tinha mais nada entre ela e Shippou.
GUY – Mas você tinha com Maya, melhor amiga dela. Isso não te ajuda muito, meu caro.
XOLAN – Mas que fique claro que não tenho nada a ver com a morte de Satsuki.
GUY – Ficamos sabendo que você ficou fora do prédio na hora da morte de Satsuki. Algo bem complicador para ti, não?
XOLAN – Eu precisei me ausentar. Eu não matei Satsuki. Mesmo querendo que ela não contasse nada á Shippou, isso não era motivo para matar e...
GUY – Nem mesmo saber que era o pai do filho dela.
XOLAN – O que?!
TSURUGI – Que história é essa?
GUY – Isso mesmo que estão pensando. Shippou não era o pai do filho de Satsuki. Por isso preciso que me dê uma amostra do seu DNA para fazermos uma comparação com o DNA do feto de Satsuki.
XOLAN – Não vou ceder meu DNA coisa nenhuma.
GUY – Saiba que isso só aumenta a minha suspeita de que foi você que matou Satsuki.
XOLAN – Pense o que quiser. Conheço os meus direitos.
MARIKO – Meu cliente não é obrigado a fazer isso.
GUY – Ok. Pode demorar, mas com essas evidências conseguirei um mandato que o obrigará. Se isso fosse feito aqui, poderia controlar o fluxo de informação, mas caso vá pedir um mandato muitos jornalistas estarão a posto por qualquer notícia. Temos até um preso sob custódia. (ele encara Tsurugi) — Caso um deles chegue ao nome do seu filho, não poderei fazer nada e ele terá o futuro arruinado. É isso que o senhor quer?
MARIKO – Posso falar com meus clientes á sós?
GUY – Claro.
Guy se levanta da cadeira e se afasta da mesa para que Mariko conversasse com Tsurugi e Xolan e enquanto isso em uma cafeteria perto do prédio da Segurança Interna, Miroku explicava para Kagome o motivo de sua chamada. Ambos estavam sentados á uma mesa.
KAGOME – Está falando que o nome de Soten aparece com tarja vermelha nos informes da Segurança Interna?
MIROKU – Sim e isso não tem nada a ver com a família biológica dela e sim com algo que houve há cinco anos, mais precisamente na morte de Hiro.
KAGOME – Meu Deus! Essa não.
MIROKU – Eu sei, eu sei. Isso pode prejudicar muito o futuro de Soten, mas pode afetar também o futuro de Shippou já que o nome dele é mencionado. Por isso queria falar com você e...
KAGOME – Mas pode ser muito pior que isso, Miroku. Pode prejudicar a minha campanha.
MIROKU – O que?!
KAGOME – Eu vou contar os detalhes da reunião que tive com Opoku. Isso que você acabou de me dizer tem tudo a ver com o que Opoku me mostrou.
Kagome começou a falar que os relatórios que Opoku conseguiu mostravam que o nome dela foi citado no arquivamento de um processo de investigação da Segurança Interna na época em que ela trabalhava lá. Mesmo não sendo algo aparentemente ilegal ainda sim era algo nebuloso que poderia prejudicar, e muito, sua carreira política.
MIROKU – Pelo que parece os nossos problemas estão ligados.
KAGOME – E o que os ligam é a morte de Hiro.
MIROKU – A parte boa, se é que tem uma, é que estamos aqui pelo mesmo motivo. Vamos cuidar disso juntos e deixar, por enquanto, nossos filhos de fora.
KAGOME – Concordo, mas algo me diz que não vai ser por muito tempo.
Depois de concordarem de como tinham que proceder naquela situação, Miroku e Kagome se levantam á mesa para irem até o prédio da Segurança Interna a fim de falar com Rambari e enquanto isso no departamento de polícia Guy volta para junto de Mariko, Tsurugi e Xolan.
GUY – Chegaram á alguma decisão?
MARIKO – Meu cliente está disposto a fornecer uma amostra do seu DNA espontaneamente desde que, caso comprove sua inocência, o registro desse mesmo DNA seja destruído.
XOLAN – Não quero ficar marcado.
GUY – Eu poderia facilmente conseguir um mandato e ignorar esse pedido absurdo, mas estou com um pouco de pressa devido á minha parceira estar fazendo outra linha de investigação. Aceitarei esse acordo.
MARIKO – Eu quero tudo por escrito por seu capitão.
GUY – Isso será feito, mas não pelo meu capitão e sim pela secretária de segurança publica em pessoa. Pode ir para sala do capitão. É lá que tudo será cuidado.
Mariko consente com a cabeça concordando com aquele procedimento fazendo com que a advogada conduzisse Xolan para a sala do capitão e quando Tsurugi pretendia seguir junto, é abordado por Guy.
GUY – Agora que acabei o assunto com seu filho, quero fazer umas perguntas ao senhor.
TSURUGI – Comigo?!
GUY – Sim. Apenas umas perguntas. Não vai demorar. Sabemos que o senhor achou uma das vítimas do estrangulador das meias de nylon.
TSURUGI – Sim. Eu estava caminhando pela mata quando vi a pobre moça quase esquartejada, amarrada como um animal.
GUY – O senhor viu bem como a moça estava não é? Por acaso o senhor compartilhou essa informação com mais alguém?
TSURUGI – Apenas com meu filho. Por que a pergunta?
GUY – Por nada. É que queremos qualquer informação nossa sobre esse assassino. O prefeito está pegando no nosso pé e aproveitei que o senhor estaria aqui. Pode ir com seu filho.
Mesmo sem entender bem a natureza daquelas perguntas, Tsurugi vai para junto do filho sem saber que ele era, para Guy, um suspeito de ser um imitador do estrangulador e enquanto isso em sua casa, InuYasha cuidava de Genku no quarto deste enquanto o menino adormecia. O marido de Kagome ainda que não conseguisse tirar os problemas familiares da cabeça, mas estava pensando especificamente no motivo da esposa sair urgentemente. Shippou adentra o quarto e InuYasha, mesmo de costas, percebe.
INUYASHA – Já se livrou daquilo?
SHIPPOU – Não.
INUYASHA – Como não?! (falando em tom baixo para não acordar Genku)
SHIPPOU – Já disse que posso provar que consegui aquilo de forma legal.
INUYASHA – Jinenji está morto! Quero que se livre daqueles relatórios imediatamente.
SHIPPOU – Está bem. Farei isso. (ele parecia conformado)
INUYASHA – Vamos fazer isso agora.
Shippou concorda e assim os dois saem do quarto de Genku para irem ao quarto de Shippou, que pega todas as cópias dos relatórios colocando-os depois em uma vasilha para em seguida molhá-los com álcool e assim queimá-los. InuYasha parecia feliz com aquela atitude, mas ainda sim mantinha uma expressão de preocupação.
SHIPPOU – O que foi, InuYasha?
INUYASHA – É Kagome. Acho que ela está enfrentando alguma dificuldade em sua campanha, mas não quer dividir comigo. Acho que tem a ver com você.
SHIPPOU – Comigo?! Não pode ser. Se for sobre os relatórios, já disse que tenho como provar que foi conseguidos de maneira legal, ainda sim acabei de queimá-los. Isso não faz sentido.
INUYASHA – Mas eu conheço Kagome. Não deve ser só sobre a campanha, mas talvez sobre o futuro de sua carreira política.
SHIPPOU – Eu não me preocuparia tanto. Kagome sabe o que faz. Essa minha mãe é fogo.
Shippou sorriu alegremente depois de dizer aquilo para em seguida levar as cinzas dos relatórios para o lixo. Já InuYasha não parecia tão otimista e estava com um mau pressentimento e naquele momento o seu celular toca e para sua surpresa era o nome de Abi que apareceu no visor. Ela que estava na sede da Agência Imperial.
INUYASHA – Fale Abi. (ele sai do quarto do filho) — Alguma novidade no caso Haruy?
ABI – Infelizmente está tudo na mesma. Rambari não conseguiu ter sorte com o consulado americano.
INUYASHA – Isso é mal, mas não acho que tenha me ligado só para dizer isso, certo?
ABI – Muito esperto, InuYasha. (ela se toca da situação que ele vivenciava) – Mas que grosseria a minha, pois nem perguntei como está sua família depois dessa tragédia com sua sobrinha. Como eles vão?
INUYASHA – Meu irmão está arrasado, como era de se esperar. Meu filho também está me preocupando. (ele observa Shippou voltando ao seu quarto) — Mas a vida continua. Ainda sim obrigado por perguntar.
ABI – Eu sei que é pedir muito, ainda mais depois de eu ter te dispensado horas atrás, mas preciso que venha para a Agência Imperial.
INUYASHA – Eu não sei não. Estou tomando conta dos meus filhos, pois Kagome está fora...
ABI – Eu não pediria isso se não fosse importante. Nesse tempo que trabalhamos juntos você mostrou seu valor.
INUYASHA – Bem, acho que Shippou tem condições de olhar Genku, mas é melhor arranjar alguém mais para poder ir.
ABI – Ótimo! Um carro da agência já foi enviado para te pegar.
INUYASHA – Então até mais.
InuYasha desliga a comunicação com Abi para em seguida ir ao quarto de Genku e enquanto isso no departamento de polícia Mariko observava o documento que garantia a eliminação do DNA de Xolan no futuro caso provasse sua inocência. Elisa só observava impaciente aquele ritual.
ELISA – Está tudo aí, advogada.
MARIKO – Pelo visto sim. (ela olha para Xolan) – Tem todas as garantias. Pode assinar.
XOLAN – Ótimo! Quero acabar com esse pesadelo.
GUY – Quem não deve, não teme.
TSURUGI – Acredita mesmo nesse lema, detetive? Eu não tenho tanta certeza dele, pois quem não deve, normalmente, não está preparado para situações assim.
XOLAN – Pronto. Já está assinado.
Feito isso, Elisa olha para um dos funcionários da equipe forense que, imediatamente, colhe uma amostra da saliva de Xolan para conseguir seu DNA a fim de fazer a comparação com o DNA do feto de Satsuki. A advogada Mariko resolve falar sobre o caso para beneficiar seu cliente.
MARIKO – Já que estão desconfiando que meu cliente seja pai do filho da vítima, deveriam investigar o outro suspeito.
GUY – Está falando do noivo?
MARIKO – Isso mesmo. Ou estão com medo de indiciá-lo por ele ser filho de uma vereadora e candidata á prefeita?
ELISA – Isso é atribuição da polícia, advogada. Se já acabaram, podem ir.
TSURUGI – Meu filho não fez nada. Vocês verão isso.
Depois disso Xolan e Tsurugi são acompanhados por Mariko até a saída do departamento deixando Elisa e Guy a sós na sala.
ELISA – Ela tem razão.
GUY – Mesmo? (ele olha com desconfiança para ela)
ELISA – Eu sei o que está pensando. Que indiciar o filho de Kagome vai beneficiar meu marido, mas as evidências não podem ser ignoradas. Olha, nem precisamos tornar isso publico, mas a noiva dele foi assassinada e sua linha de investigação descobriu que o filho que ela esperava não era dele.
GUY – Tem razão. Satsuki ia se encontrar com Shippou para contar a verdade. (ele respira fundo) – Os testes sobre o DNA vão demorar mesmo. Acho que vou ter uma conversinha com Shippou.
ELISA – Faça isso, detetive. E seja discreto.
Guy consente com a cabeça e em seguida sai da sala deixando Elisa sozinha. A primeira dama não consegue esconder a alegria em saber que tinha algo que podia prejudicar a adversária de seu marido, mas sabia ao mesmo tempo em que deveria ter cuidado para que aquilo não configurasse abuso de poder com inimigos políticos.
Próximo capítulo = A traição do amigo – parte 2
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