Noite na Galáxia

1 Noite na Galáxia


Notas iniciais
Heey, queridos Padawan's! Então, cá estou eu com uma fic de Universo Alternativo de SW. Essa ideia me veio em um momento não muito comum, mas tudo bem. Planejo escrever mais One-Shot's, ou talvez uma fic longa. Quem sabe? Essa é primeiríssima! Por isso estou meio receosa. Em fim, espero que gostem. Boa Leitura :)

A noite caía em uma longínqua galáxia. O Lord Sombrio teria uma missão importantíssima e especial. Caminhou em passos longos e profundos que causavam uma pequena perturbação no solo, uma respiração ofegante ecoou pela nave. Todos sabiam que era Vader que estava passando. Todos o temiam.

Aguentava o fardo de sua armadura, que o incomodava tanto como sua rotina monótona. Muitos julgam a vida de Vader bem elétrica, mas não ele. Não importava a tamanha guerra que acontecia diante de seus olhos, Vader sempre fora infeliz. Não sentia o prazer em assassinar pessoas e pregar o mal como os outros Sith, para ele era apenas uma obrigação.

Em sua prática habitual apenas a noite o satisfazia. Adentrou uma cabine no fundo daquela nave. Olhos brilhantes o miraram. Duas pequenas criaturinhas, uma em uma cama à direita e outra à esquerda, pularam e correram em direção à figura assustadora.

— Papai! ― O loiro o abraçou, enquanto a morena o puxava para sentar na beirada de sua cama.

— Conte uma história para nós!

Vader notou algo no filho. Algo que não conseguia desvendar. Viu uma semelhança terrível com alguém que não se recordava mais. Aqueles olhos azuis como o céu, claramente observando via-se a inocência de um garotinho de Tatooine. Porém Vader não sabia, não conhecia mais a feição desse tal garoto.

A garota morena sacudiu o pai o tirando do transe.

― Papai! Hein? Vai contar?

— Não sou bom em histórias — ele responde timidamente.

— Claro que é. Outro dia, você contou uma história de ação para o Luke. Agora é minha vez, quero uma história bem romântica.

Iniciou uma pequena discussão entre os gêmeos. Luke chamou a irmã de fresca e ela retrucou furiosamente retratando a insensibilidade que os homens possuem.

Desta vez Vader concentrou-se apenas na filha. Ela também lembrava alguém. Sentiu uma lágrima escorrer por trás de sua máscara. A partir daquele momento Anakin ocupou toda a frieza do Sith. Eram todas as noites assim, tornava-se um homem diferente quando estava diante de seus filhos. O tempo passava, mas ela não, ela sempre estava ali, o atormentando com a culpa. Leia era a cópia de sua mãe, determinada e forte, rosto angelical e cabelo castanho como os olhos. Padmé fazia tanta falta. Anakin pode ter errado muito na vida, mas havia uma coisa que nunca se perdoaria.

― Tudo bem, eu conto — o homem cessou a discussão dos filhos.

Leia comemora. Pode-se ouvir um bufar vindo de Luke.

― Você irá gostar filho — bagunça as madeixas do garoto. ― Vou contar a história de um garotinho escravo e do anjo que ele conheceu.

— Anjo? Como assim? ― o menino fez careta mostrando sua dúvida.

— É um modo de falar, Luke. Anjo no caso deve ser uma criatura tão linda quanto ― a menina explica ao irmão.

— Exato Leia. Bem, em mais um dia ensolarado como de costume naquele planeta, o garoto que era escravo de Watto, estava sentado na bancada de uma sucata.

O pequeno estava cabisbaixo, ouviu passos vindos em sua direção. Olhou para o horizonte percebendo a tamanha beleza daquela garota.

― Você é um anjo?

A garota o olhou sem entender.

— O quê?

― A história inicia-se ― ele continua ― Eles se apaixonaram um pelo outro desde a primeira troca de olhares. O garoto fez um pequeno objeto e deu a ela, para que sempre se lembrasse dele, afinal ficaram separados por dez anos.

― Eles se reencontraram?

Os olhinhos de Leia brilhavam, enquanto Luke se entretinha com seu brinquedo.

— Sim. Ele tornou-se Padawan e ela Senadora. Como ela estava sofrendo ameaças de morte, ele foi convocado para protegê-la.

― Então ele era um Jedi? — Luke pareceu se interessar. Seu pai confirmou.

― E nesse tempo que passaram juntos, o amor se fortaleceu e pareceu ter aumentado. Eles se aproximavam cada vez mais. Entretanto, segundo o código, Jedi não podem ter qualquer tipo de relação ou ligação com alguém.

― Complicou! E agora? ― Leia repousou sua cabeça na maciez de seu travesseiro.

― Tentaram evitar, em vão. O amor falou mais alto e se casaram em um lindo dia que acontecia no planeta natal dela.

Anakin deu uma pausa. Sua voz começou a falhar. As lembranças invadiam sua mente o machucando.

― Está tudo bem papai? ― Luke aproximou-se.

― Está sim filho ― ele mente. ― Podemos fazer uma pausa?

Leia assente.

Anakin levantou-se da cama da filha, caminhou em direção a uma janela. Observou o espaço escuro e vazio. Pôde sentir seu perfume pairar sobre o ar que dificilmente respirava.

Foi um delírio? Uma imaginação? Não se sabe. Anakin fitou o vidro que refletia seu anjo. Estudou seu semblante, estava com um olhar preocupado e visivelmente abatido pela tristeza. Quando o reflexo de Padmé desapareceu, o de outra pessoa pôde ser visto. Era um garoto loiro com lindas orbes azuis que mirava a figura a sua frente. Ele parecia estar com medo. A figura de Vader assustava o próprio Anakin. O que ele havia se tornado. Por que fizera isso com sua vida? Apesar do arrependimento, do sofrimento, ele se deu conta de que era tarde demais.

Não queria que Leia e Luke seguissem seus passos. Por mais duro que fosse, iria ter que afasta-los.

― Estão prontos para que eu continue?

Eles consentiram.

― Então, passaram-se três anos. Quando ele voltou de seus afazeres Jedi, ela lhe presenteou com uma grande notícia.

Atrás das colunas gigantes, ela o observava. Assim que percebeu sua presença, ele encerrou sua conversa com o Organa, indo em direção a ela. Ela jogou-se em seus abraços, compartilhando um beijo cheio de saudade.

— Graças a Deus, você está de volta ― ela acaricia seu cabelo.

— Parece que fiquei uma vida inteira, separado de você ― ele se aproxima para beija-la. Ela dá um passo para trás.

— Aqui não.

― Aqui sim. Não me importo se descobrirem que nos casamos.

— Não fale isso ― eles se abraçam novamente.

― O que aconteceu? Está tremendo.

— Aconteceu uma coisa maravilhosa ― eles se olham profundamente. — Ani, eu estou grávida.

Um sorriso misturado com felicidade e medo se forma no rosto do Jedi.

― Nossa, a história é melhor do que eu pensava — Leia roeu as unhas.

― E agora pai?

— As coisas começam a se agravar. Ele começa a ter pesadelos em que perde ela no parto.

Leia e Luke se entreolham, com os olhinhos arregalados.

— E.. ― ele sussurra. ― Vou tentar explicar. Ele a partir desse momento vai tentar fazer de tudo para que o seu pesadelo não se torne realidade. Qualquer coisa. — Anakin enfatiza as duas últimas palavras.

― E como é que acaba? O final? — Leia pergunta sonolenta.

A carinha dela estava tão linda. Anakin sabia que um dia eles iriam conhecer a realidade, o universo como ele é, cruel. Mas não agora. Crianças devem sonhar, imaginar contos de fadas com finais felizes. Não se preocupar com coisas ruins como guerras.

― Já está tarde. É melhor irem dormir.

— Eu quero saber! ― ela insiste.

― Quando conheci essa história, nunca soube o final. Isso fica a critério do leitor.

— Que pena ― ela lamenta. — No meu final eles viveram felizes para sempre. Com o bebê deles, é claro.

Anakin sorri. Nem imaginavam quanto essa história fazia parte da vida deles.

― E você Luke? — não obtém resposta. Anakin olha o filho que caiu no sono. Puxa a coberta o cobrindo até o ombro. Delicadamente, carícia o cabelo do filho. ― Boa noite Leia. Durma com os anjos.

— Irei dormir. Com o anjo da história ― ela vira de lado fechando os olhos. Anakin cobre a filha da mesma forma.

De fato, Leia. Ela estaria olhando por vocês sempre.

Anakin caminha até a porta do quarto e desliga a luz. Sai da cabine e recobra sua postura, todos voltam a temê-lo. Amanhã voltaria a ser como antes. E continuadamente. Sente sua máscara encharcada.

É, eram só lembranças. Dolorosas e lindas. Recordações de Anakin Skywalker, da única mulher que sempre amou.

Notas finais
Gostou? Não? Deixe seu review. Saiba o quão importante é para um autor, ser reconhecido pelo esforço, receber elogios, ou até críticas para crescer seu aprendizado. Que a força esteja com todos vocês! /SS
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!