Noite Vibrante
1 Unique.
Notas iniciais
Cisco tinha feito as pazes com Dante, mas naquele momento desejava matar seu irmão mais velho.
O latino chegou no clube onde Dante tinha arrumado trabalho como pianista, a questão é que o irmão não dissera que o local era formal. Entre todos os ternos e trajes elegantes, o único usando uma camiseta roxa combinando com uma calça rosa era o engenheiro.
Dante olhou pra plateia. Ciscou notou que o irmão procurava por ele, pois varreu todo o local até que seus olhos finalmente se encontraram, o pianista sorriu e voltou pra música. Cisco sorriu por compartilhar aquele simples gesto, afinal, durante anos eles não foram irmãos de verdade.
Havia um palco iluminado por um holofote, a canção seguiu por alguns minutos até que terminou e Dante se levantou, ele trocou outro olhar com Cisco enquanto acenava em agradecimento à plateia. O engenheiro percebeu que o irmão não viria conversar com ele tão cedo, pois tinha entrado pelas cortinas vermelhas.
Havia um balcão em cada lado do clube, no centro mesas e sofás grandes. Cisco andou até o bar e sentou-se na cadeira alta, iria beber enquanto esperava Dante vir falar com ele.
Cisco pegou o coquetel que o bartender trouxe, havia um limão preso na borda da taça que combinava com a cor verde do líquido. Assim que bebeu o primeiro gole ouviu seu nome ser chamado e teve um forte acesso de tosse que só passou quando recebeu tapas gentis nas costas. O latino achou que era Dante, mas quando olhou pra trás seu sorriso se desfez em uma expressão de desapontamento.
— Ah, é você, Hartley? — Cisco mostrou todo seu desprezo.
— Olá pra você também, Cisquito — Rathaway disse e sentou-se ao lado do engenheiro.
— Man, o que você quer?!
— Nada, Cisco — Hartley disse tranquilamente e pediu uma bebida ao atendente. — Eu vi você e vim cumprimentar um antigo colega de trabalho.
— Ah, ok. Já me cumprimentou. Agora pode ir embora.
Hartley não respondeu de imediato, em vez disso, pegou o copo com sua bebida, depois de um gole voltou a fitar Cisco. Deu um sorrisinho enquanto analisava o latino de cima a baixo.
— Você precisa de umas dicas de moda.
Ramon fuzilou Hartley com o olhar, mas realmente estava vestindo-se inapropriado pra ocasião. Seu antigo colega estava muito melhor que ele. Afinal, Rathaway usava um terno com uma estúpida flor vermelha no bolso. O latino não sabia se odiava mais o físico quando ele era um idiota declarado ou agora que bancava o simpático.
— Você vai ficar aqui ou vai embora? — Cisco perguntou, impaciente. — Eu tô esperando alguém.
— Alguma garota?
Cisco olhou pro físico, não devia satisfação ao seu indesejado companheiro de copo, mas talvez ele fosse finalmente embora se dissesse que estava esperando seu irmão.
— Quando ele chegar eu saio — Rathaway disse. — Eu tenho uma apresentação hoje.
— Espera! Você trabalha aqui? — Ramon estava surpreso, o brilhante físico Hartley Rathaway trabalhando em um clube noturno não era algo que se via todos os dias.
— Estou tentando novas coisas e gosto de tocar piano.
Cisco assentiu fingindo desinteresse, não podia mostrar-se animado perto de Rathaway. Não queria Hartley pensando que gostava da companhia dele.
— E como vai o trabalho no Star Labs? — o físico questionou.
— Muito bom desde que você foi embora.
— Achei que tínhamos deixado a nossa rixa pra trás. — Hartley revirou os olhos e bebeu o último gole do copo.
— Não é porque você ajudou com o Espectro do Tempo que vou ser seu amigo. E eu me lembro da linha alternativa onde você usou seus aparelhinhos pra fugir da prisão. Então não, não vou deixar a rixa pra trás.
Hartley encarou outra vez Ramon. Cisco estava começando a ficar irritado ao ser encarado, já não bastava ser alvo de olhares de todos do local por causa da roupa chamativa, ainda tinha que suportar a companhia de Rathaway?
— Por que você não vai embora daqui? — Ramon questionou entredentes.
— Porque eu quero ficar aqui, Cisquito — Hartley disse, tranquilo.
— Se você não me deixar em paz, Hart...
— O que você vai fazer, Cisquito? — interrompeu Rathaway.
Cisco virou-se pro lado e segurou o colarinho do outro com força, encararam-se durante alguns segundos, o latino estava prestes a empurrar Rathaway longe quando ouviram uma voz.
— O que está acontecendo aqui? — Dante perguntou.
Ramon soltou Hartley quando seu irmão apareceu, esqueceu-se completamente de Rathaway e levantou-se pra abraçar Dante, o abraço foi longo, queria recuperar o tempo perdido. O que o surpreendeu foi que ao soltá-lo Hartley também cumprimentou Dante com um abraço.
— Espera! Vocês se conhecem? — Cisco perguntou.
— Não sabia que o Dante era seu irmão — Hartley disse, também surpreso.
— Cisco, Hartley é o pianista que eu te falei, ele é incrível! — Dante falou sentando-se na cadeira antes ocupada por Rathaway.
— Viu, Cisquito? — o físico disse sentando-se ao lado de Dante. — Eu sou incrível.
O engenheiro sentou-se do outro lado de Dante e fuzilou Hartley. Quando Dante lhe dissera que tinha conhecido um pianista incrível, nunca desconfiou que era seu antigo colega de trabalho.
— O que aconteceu com vocês? — o pianista questionou. — Vocês estavam quase brigando quando cheguei aqui. Ou quase se beijando julgando o quão próximo estavam.
— Você é muito engraçado, Dante! — Cisco bateu no ombro do mais velho e fingiu uma risada. — Só que não.
— Nós trabalhamos juntos no Star Labs, seu irmão e eu tivemos alguns desentendimentos nessa época.
— Você quer dizer que você infernizava minha vida, não é? — Cisco perguntou de forma irônica.
— Eu já te pedi desculpas.
— Eu achei que vocês iam se gostar, vocês são os caras mais inteligentes que conheço e você, Cisco, devia perdoar Hartley.
Cisco encarou Hartley que sorria naquele momento como se tivesse sido elogiado por Dr. Wells.
— Por que vocês não conversam? Eu tenho uma segunda apresentação agora. — Dante levantou-se e foi na direção do palco.
Rathaway e Cisco viraram-se pra acompanhar o pianista. Ao começar outra canção Cisco comentou que seu irmão era ótimo.
— Sim, ele é ótimo — concordou Hartley. — Nem parece que é seu irmão. É tão lindo, charmoso, olha como ele toca o piano, se veste tão bem e é tão lindo e...
Rathaway estava com os olhos vidrados em Dante. Cisco tomou um susto ao ver o outro suspirando, os olhos estavam com as pupilas dilatadas, a boca entreaberta e um sorriso morava ali. O engenheiro soltou um grunhido de nojo ao notar que Rathaway estava atraído por seu irmão.
— Você não está gostando do Dante, está? — Cisco perguntou capturando a atenção do físico.
— O que foi? Com medo de eu entrar pra família Ramon? — Hartley zombou, as bochechas estavam coradas devido o episódio de excitação.
— Você não vai entrar pra família dos Ramons, Hartley. O Dante gosta de mulher.
— Já fiquei com vários caras que “gostavam de mulher”.
— Estou falando sério. — Cisco ficou com os olhos castanhos anuviados, ele virou-se na cadeira enquanto esquecia a apresentação e pegou outra bebida.
Hartley virou-se também, notou que o latino não estava dizendo aquilo só pra provocá-lo.
— Por que está dizendo isso? — o físico questionou.
Ramon lembrou-se do dia que beijou um garoto pela primeira vez. No começo achou estranho estar atraído por um garoto, mas depois descobriu que era comum uma pessoa ser atraída por dois sexos, foi naquela época que descobriu que era bissexual. Um dia, Dante o pegou beijando um rapaz.
— O que aconteceu foi que ele me deu uma surra — Cisco terminou de contar. — Hoje em dia, ele me respeita, mas eu estou te alertando, Hartley. Não que ele vá te dar uma surra se você se declarar pra ele, mas que ele vai te dar um fora memorável, ele vai.
Hartley ficou algum tempo calado, a expressão estava empalidecida enquanto digeria aquelas informações. Por fim ele bebeu um gole da bebida de Ramon parecendo nem perceber.
— Não sabia que você também gostava de meninos, Cisco — Hartley comentou.
— Não tinha como você saber — Ramon disse sorrindo pra tentar animar sua companhia. — Se eu te dissesse “oi, Hartley, eu gosto de meninos também” você ia achar que eu estava te cantando.
Hartley correspondeu o sorriso de Cisco. Pela primeira vez na noite eram apenas caras tomando uma bebida sem aquela áurea de ressentimento e provocações que permeavam a relação dos dois.
Depois, o físico levantou-se, a música tinha acabado, mas ele olhou pro palco. Cisco viu a careta de desgosto que surgiu em seus lábios ao ver Dante aos abraços com algumas mulheres.
— Eu já vou indo, Cisquito...
Cisco virou-se pra trás enquanto via o físico andar até a saída. Estava decidindo se devia ou não ir atrás dele. Percebeu que se tivesse acabado de perder as esperanças em alguém, gostaria muito de conversar com um amigo, ou pelo menos com uma pessoa que conhecia certas limitações.
Ramon pôs uma nota no balcão e saiu correndo pelo clube, chamando ainda mais atenção por sua roupa colorida e seus cabelos longos esvoaçantes. Quando chegou ao lado de fora viu Hartley andando pela rua deserta de pessoas, mas cheia de carros estacionados, Cisco gritou o físico que parou de andar e virou-se pra olhar Cisco que corria até ele.
— Uh! — o latino arfou quando alcançou o outro, tentava recuperar o fôlego enquanto era alvo do olhar azul. — Eu nunca vou me acostumar! — Cisco pôs a franja atrás da orelha.
— O que foi, Cisco? — Rathaway questionou surpreso enquanto via o engenheiro com as mãos apoiadas na cintura respirando rápido.
— Eu vi a forma como você saiu, só queria me certificar que você está bem — Ramon explicou.
Hartley deu um sorriso de lábios fechados e consertou os óculos. O engenheiro ficou aliviado ao ver que ele ao menos parecia bem.
— Você nunca muda, não é? — o físico perguntou. — Mesmo se você ainda me odiasse, você ia se certificar se eu estava bem. Eu admiro isso em você, Cisco. — Ao ouvir essas palavras Ramon sorriu sem jeito e olhou pra baixo, não era todo dia que Rathaway dizia que o admirava. — Obrigado por perguntar, mas eu sei me cuidar. Não é a primeira vez que desisto de um cara que não gosta da coisa.
Cisco assentiu e aproximou-se de Hartley, pegou a flor no bolso do terno dele e estendeu na sua direção.
— Toma, pra você não ficar triste.
— É sério que você está me dando a flor que roubou de mim? — Hartley questionou dando uma risada que surpreendeu Cisco. — Muito cavalheiro você, Cisquito. Obrigado.
Cisco acompanhou a risada do outro. O engenheiro sempre gostou de fazer os outros rirem, mas gostou em especial de arrancar um sorriso de Hartley, pois Hartley Rathaway nunca foi do tipo de cara que saía distribuindo sorrisos pra qualquer um.
— Você devia sorrir mais, Hart — Cisco disse. — Já mencionei o quanto fica bonito assim?
Uma coloração rosada atingiu as bochechas de Rathaway que coçou a nuca e olhou pra baixo, mas rapidamente voltou a olhar Cisco.
— Não, você nunca disse. Estava mais ocupado me chamando de dick. — Cisco deu uma risada curta ao ouvir as palavras. — By the way, você também fica lindo quando sorri.
— O que está acontecendo aqui? — Ramon questionou olhando ao redor e voltando a fitar o homem na sua frente. Notou que estavam próximos, uma agitação corria pelo sangue do latino.
— Eu não tenho muita certeza, Cisquito — Hartley disse se aproximando ainda mais. — Mas acho que estou louco, pois estou começando a querer te beijar.
— Acho que nesse caso eu também estou ficando louco — Cisco disse cobrindo a pouca distância entre eles.
Ramon soprou os lábios rosados do outro, de perto os olhos azuis eram ainda mais impressionantes. Pintas cobriam toda a pele branca fazendo Cisco desejar beijar todo o rosto dele. Mas seu alvo era os lábios que pareciam macios e ótimos para morder. Hartley piscou algumas vezes, mas por fim Cisco findou a distância. As mãos do latino já estavam na cintura do físico quando o empurrou contra um carro estacionado enquanto sentia os dedinhos de Rathaway em seu cabelo.
Quando o fôlego faltou separaram os lábios, mas continuaram muito próximos. Hartley encarou o homem na sua frente, não esperava acabar a noite ficando com Cisco Ramon, mas definitivamente era uma surpresa boa. Notou que Cisco tinha a mesma pele bronze de Dante, mas naquele momento parecia ainda melhor que o irmão.
— Já mencionei que já quis pegar no cabelo? É mais macio do que pensei.
Cisco deu uma risada. Hartley lembrou-se de como ele ficava radiante quando elogiavam os fios negros. Rathaway gravou na retina cada detalhe do rosto do outro, a pinta que havia do lado direito, os lábios cheios de um rosado escuro, apertou seus dedos no cabelo com ondulações e aproximou-se do pescoço. Mordeu a pele escura sentindo a maciez da mesma. O perfume que vinha do latino fazia Hartley querer mais, de forma profunda.
O físico puxou outra vez os fios da nuca de Cisco, arrancou um grunhindo de Ramon que foi calado por outro beijo. Ainda mais intenso, ainda mais molhado, ainda mais inesperado. Hartley sentia as mãos do outro acariciando sua cintura, o toque causava vibrações em seu corpo que ele se questionou se era devido aos poderes ou só o efeito de um bom beijo.
O ósculo foi interrompido quando o alarme do carro disparou assustando os dois que no susto bateram o dente e se afastaram rindo da situação. Hartley olhou pra Cisco que sorria, queria mais daquilo.
— Quer uma carona, Cisquito?
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