Noite Sombria
1 Prólogo
|Thalia|
Pensei que seria diferente, estar na guerra, pensei que seria algo glorioso e que poderia me gabar e rir da cara de todas as menininhas que agora estão escondidas em algum lugar, com medo. Contar historias de como foi, e de como eu matei meus oponentes. Mas a guerra e totalmente diferente do que eu pensei, não há honra na luta pela vida, você fica paranoico imaginando a sua própria morte e fica pensando na família de todos os mortos no chão e de todos os mortos que ainda estão em pé, eu apenas consigo pensar que uma hora terei que matar alguém.
Penso em minha família a cada segundo, e penso em Rodrigo que está na linha de frente, escuto sua voz me dizendo: "Observe, sinta, veja." E eu tento fazer o que ele tanto me disse em um passado remoto e não muito distante do agora. eu vejo fogo, sangue, morte. Sinto frio, calor e medo. Ouço lanças, espadas, escudos, flechas, gritos e... passos.
Espero pelo inimigo, mais a unica coisa que vejo é mais um escudo vermelho, um aliado. Manchado de sangue e com uma flecha ainda no braço, um desistente talvez. ele mexe a boca, mais nem um som sai, com um grande esforço ele consegue dizer suas ultimas palavras: -A garota... — e então incompreensão essa é sua expressão, apalpa o peito em busca da ponta da flecha que perfurou o seu coração, sangue sai pela sua boca e está morto.
Vejo meu inimigo, um arqueiro, sem flechas e com uma espada ainda na bainha. Pego minha flecha, miro em seu coração e antes mesmo que eu atire ele está morto, uma espada perfurou seu estomago.
- Precisando de ajuda? — reconheço a voz antes mesmo de ver o rosto. é o Rodrigo, meu protetor e meu amigo.
— Pensei que você já teria fugido! — respondo com um sorriso no rosto.
— E você acha que eu deixaria você ganhar toda a gloria da batalha? — fala em seu tom sarcástico.
— Vamos para onde agora? Alguma das entradas precisando de ajuda? — pergunto.
— Não, a entrada sul e norte foram invadida, acho que já perdemos, nosso objetivo tá lá em cima. — Responde apontando para a unica janela aberta na torre do rei.
— Vai ficar aqui ou vai me ajudar? — pergunta ele com seu sorriso tão familiar no rosto.
Aceno com a cabeça sem pensar duas vezes, ele retira sua espada do cadáver, e coloca ela na bainha. E eu o sigo, por escadas escuras, apertadas, frias. Essa deve ser uma das partes mais antigas do castelo inteiro. ouço apenas o som de espada contra espada, gritos de guerra e lamentos.
- Para onde estamos indo? — pergunto. Ele olha para traz e rir, o sorriso que eu sempre amei, e que nunca sai do seu rosto.
— Estamos pegando nosso passe para fora disso. -
Eu não o questiono mais que isso, eu confio nele e se ele diz que vai nos tirar disso eu acredito, parece impossível, mais mesmo assim eu acredito.
Ele para pra acender uma tocha, agora eu posso ver onde estamos, ele pega a tocha com a mão direita, e a esquerda desembainha a espada, forjada por ele mesmo. Olha para mim e sem precisar de uma palavra eu sei o que ele quer que eu faça, abro a porta, e confirmo que ele estava certo ao desembainhar a espada, pois há algo nos esperando na escuridão.
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