Noite Sem Lua.

1 Capítulo único.


Notas iniciais
Bom, mina, como te vão?! -Espero que muito bem! o/
Então... Esse yuri é meio que um presente pra uma leitora fofa demais que recomendou uma one minha Lenka-chan *-*
Bom espero que gostem, foi feito com muito carinho!
~~Detalhe, se ficou decepcionado ou coisas afins, n fique com dó, não omita socorro, conte-me o que há!
Agora chega de enrolações baratas!
BOA LEITURA!

\"\"

-Oe, vamos chegar atrasados! –A voz de Ichigo Kurosaki, seu amigo vivo, vinha do lado de fora do guarda roupas, no quarto dele, onde dormia. –Oe, não está me ouvindo? Rukia! Rukia! –Virava de costas, negando automaticamente acordar cedo daquela maneira. Outros dias ela sempre levantava enérgica... Mas naquele... Naquele estava com muito sono. Tanto que nem conseguia abrir os olhos, sair do ambiente tão quentinho... Tão protegido e aconchegante. E não era nem tanto o sono. Tem dias em que não se quer levantar, não importando o que aconteça.

-Oe, Ichigo, você tem certeza de que a Nee-san dormiu em casa hoje? –a voz de pelúcia de Kon vinha longínqua.

-Claro que tenho, essa peste me encheu o saco ontem depois do jantar e... Disse que queria voltar a dormir no armário, que era seu lugar de direito e bla, bla blá, ela tinha de levantar cedo, minhas irmãs vão perceber! Droga. –O som macio dos bracinhos de Kon- um boneco de pelúcia parecido com um leãozinho lhe surgia bem distante aos ouvidos. E então um estrondo. Com certeza um golpe usando pés.

-OE, LEVANTA LOGO! –Tomou um susto tão grande que não só os olhos se arregalaram, como os pelos do corpo inteiro se arrepiaram duma vez só, com mais força os do pescoço. Saiu chutando a porta do armário, derrubando Ichigo- seu amigo de cabelo laranja e olhos castanhos, vulgo shinigami substituto- e Kon.

-Malditos! Nunca mais façam isso.

-Nee-saaaan, você está bem?! Alguma coisa te aconteceu? Havia um monstro dentro do armário? Quer que eu o enfrente? –Kon não foi totalmente atingido pela porta por ser pequeno demais, mas Ichigo ainda estava desnorteado.

-Eu pareço bem? –Gritou chutando o Kon que bateu em várias paredes ricocheteando e indo parar na cama, por fim.

-Chutes de amor! –Ele disse.

-Oe, se tivesse levantado não teria batido na porta com o pé! –Ele reclamava, coçando a cabeça. Já vestia o uniforme cinza e vermelho do terceiro ano do ensino médio. Uniforme este que também seria usado pela garota, assim que ela voltasse ao seu quarto e o encontrasse passado, em cima da cama.

-Konoyaro! Tomei um susto da desgraça por causa desse chute! –Os pelos ainda estavam arrepiados.

-Anda, não é hora pra discutir, vá ao seu quarto! Imagina se minhas irmãs... –Batidas na porta o interromperam:

-Good Morning, I-CHI-GOOOOOO! –Seu pai bateu e saiu entrando. Golpeando o filho com uma voadora, o mesmo que tentou desviar enquanto lhe socava o rosto. Isshin Kurosaki tinha cabelo castanho escuro e era um homem grande e forte, moreno. Mas aparentemente inofensivo.

–Filha, você está aqui? –Reparou em Rukia, e com isso Ichigo o derrubou no chão.

-Vou descer. –Foi só o que ele disse, e saiu do quarto. Já estava pronto, afinal.

-É... Eu queria conversar coisas com o Ichigo antes de irmos para a escola... –Rukia estava rubra de nervosismo, mas entraram Karin e Yuzu, as irmãs mais novas de Ichigo.

-Rukia-chan, já está preparado o seu uniforme, eu não te encontrei na cama, levantou cedo? –Yuzu era como a mãe de todos eles, sempre cuidando e preocupada. Rukia deu um sorriso nervoso:

-Pois é, precisava falar com o Ichigo...

-Vamos pai, vamos descer logo... –Karin era mais parecida com o pai, não no humor, mas na aparência. Na verdade estava mais para irônica do que para gentil. Quase o completo oposto da irmã. –Não tem o que fazer aqui. –E foi empurrando-o.

-Não demore senão, não haverá tempo para o café! –Ele disse todo sorrisos para Rukia. –Minhas filhas sempre têm de estar bem alimentadas e... –Estava sempre agitado.

-Vamos logo, pai... –E os três foram embora, e só então Rukia pode respirar tranquilamente.

Espreguiçava-se enquanto levava o corpo magro e pequeno ao quarto onde deveria ter dormido. Os cabelos curtos, que lhe alcançavam o queixo alvo e fino, balançavam enquanto se movia. Tentava a cada novo passo, abandonar mais um pouco de preguiça no caminho. Afinal, achava que estava cada vez mais mole, quer dizer, na Seireitei sempre tinha treinamentos matinais, e ela era fukutaichou do décimo terceiro esquadrão das treze divisões. Uma shinigami soldado, uma deusa da morte. Não tinha de ter tanta preguiça de manhã. Ou talvez tivesse, afinal não deixava de ser uma alma comum, por isso, e ficar tanto tempo dentro dum gigai a fazia sentir-se cada vez mais viva. Como se estivesse finalmente começando a fazer parte daquele mundo de verdade. Claro, todo mês, algumas vezes ia à SS resolver algum problema, receber chamados... Mas eram tempos de paz. E isso significava mais tempo vivendo como uma garota normal de dezessete anos do que uma shinigami com mais idade do que alguém pensaria ser possível para uma garota tão jovem na aparência. Tão pequenina. Finalmente chegou ao quarto, e ver a meticulosidade da arrumação das peças sobrepostas a fez sentir-se um bocado culpada. Mas veio rápido, foi rápido. Vestiu-se e desceu, encontrando todos postos na mesa do desjejum.

-Mina, Ohayo. –Disse ao se sentar. –Desculpem-me pelo que houve mais cedo... –Bocejou. –Itadakimasu! –Seu ânimo não existia. Praticamente não existia.

-Já vou indo, para não me atrasar... A aula de hoje é importante. –Yuzu terminava de comer e recolhia os talheres e afins, cinco minutos haviam se passado e Rukia mal tocara na comida. Estava dormindo sentada, praticamente, não prestando atenção aos escândalos de Isshin, nem nas reclamações de Ichigo, ou ironias de Karin, reclamações por falta de atenção de Yuzu... Nada. Só sono e nada mais.

-Kaero! –Ichigo se levantava. –Qual é o seu problema... Garota? –Ele a olhava estranhado com tamanha falta de atenção.

-OE, não fique me chamando de garota. –Até suas reclamações vinham meio sem ânimo.

-Apenas se levante, quer que cheguemos atrasados? –Ele ia já para a porta, carregando sua mala como sempre e com aquelas sobrancelhas laranja fitas e sérias, como se tivesse algum problema pra resolver. Aquela era sua feição normal, felizmente.

-Matteee! –Rukia levantou-se apressada, saindo pela porta com despedidas falhas e desajeitadas. Ele já estava ao final da rua. Achou um papel qualquer dobrado na rua, amassou e tacou com força na cabeça dele.

-Baaaakayaro! Porque não me esperou? –Ele olhou pra trás com uma feição de desinteresse:

-Você tava dormindo o tempo inteiro, não sou obrigado a te esperar. –E voltou a andar olhando para frente, não esperava a subida fúria dela, que lhe deu uma voadora de dois pés pelas costas, atirando-o uns metros à frente:

-Olha como fala, Bakayaro! –E então alisou as saias cinza do uniforme. Foi andando na frente dele, que levantou reclamando.

-Você que se atrasa e fica dormindo e eu sou quem apanha! –Batia na roupa. –Droga, encheu de poeira!

-Vamos logo, Ichigo! –Ela estava já uns trinta metros à frente.

Andando por mais cinco minutos, encontraram Kojima Mizuiro, um dos amigos da escola. Tinha cabelos negros e lisos, era magro. Sempre com um celular na mão, fazendo sabe-se lá o quê. Ele lhes sorriu.

-Ohayo, Ichigo, Rukia.

-Ohayo, Mizuiro! –Disseram os dois.

Seguiram o caminho falando sobre nada demais, e o sono de Rukia vez e meia voltava, vez e meia sumia completamente. Na rua, o sol fraco e muito brilhoso da manhã os tomava o topo da cabeça, e um lado inteiro da rua. Rua esta que estava quase vazia, deixando ressonar apenas o som de um ou outro pássaro em topo de casa ou poste, e seus passos, e sua conversa. Chegaram à escola, e logo no corredor, Rukia viu Ichigo cumprimentar outro amigo, Asano Keigo, um alto e magro, um bocado medroso carente, e muito escandaloso. O cumprimento era sempre violento, por parte de Ichigo, pelo menos. Entraram na sala e se encontraram com Uryuu Ishida e Yasutora Sado. O primeiro, um quincy um bocado egocêntrico e muito inteligente, querendo sempre explicar as coisas –até o que não é necessário que se explique, com seus olhos púrpura escuro, quase no mesmo tom de Rukia, alto, cabelos lisos numa franja grande, e muito magro. Já Sado era forte, e não tinha descendência japonesa como os outros, tinha sangue latino nas veias. O que ficava claro em seus traços mais fortes e sua pele morena, seus cabelos ondulados. Falava pouco, esse último. Logo ali na frente também, avistou Tatsuki Arisawa, uma de cabelo comprido e escuro, um bocado mais mal humorada e violenta do que Rukia. Não, talvez um pouco mais do que isso. Cumprimentaram-se também.

As aulas se passaram tão lentas quanto à partida do sono de Rukia. Exatamente na mesma lentidão monótona. Afinal, não sabia o que estava acontecendo. A noite havia sido ótima, em seu cantinho, seu cantinho! De mais ninguém... E, no entanto, estava com sono e cansada, ao invés de renovada e com energias, como em todas as manhãs. Era estranho. Lembrava-se também de ter sonhado, mas não sabia exatamente com o quê, ou se isso era o que cooperava para que continuasse com aquele maldito sono. Talvez fosse. Talvez não. A verdade é que ser acordada daquele jeito tão bruto pelo Ichigo lhe tirou qualquer possibilidade de conseguir se lembrar. Sua conexão com aquele sonho havia sido perdida para sempre.

No intervalo, estavam todos no último andar, encostados na grade vermelha. Ichigo, Sado, Tatsuki, Keigo, Mizuiro, Ishida, e até Inoue. A Inoue não era da mesma turma dos demais então só se falavam no intervalo, ou na hora da saída, ou talvez quando um hollow forte de repente aparecesse, aí todos saíam loucamente da escola com uma desculpinha barata, sedentos por descobrir o que de fato havia acontecido e eliminar o tal do hollow. Mas até isso se tornara um bocado raro. Na maioria das vezes era uma reiatsu tão fraca que um deles se oferecia. E ia sozinho. Rukia estava pensando nisso, quando Inoue decidiu que queria falar, Inoue esta que tinha estatura mediana, cabelos compridos e lisos, um sorriso inocente, seios enormes e uma personalidade absolutamente volúvel.

-Mina-san, alguém quer o meu onigiri especial? –Oferecia já com a boca cheia.

-Não obrigado! –Disseram em coro os amigos. Se havia uma coisa em que Inoue era boa, com toda certeza não era em cozinhar.

-Etto... Eu gostaria de pedir uma coisa pra vocês! –Sorria com os olhos fechados.

-O que é? –Tatsuki parou de fitar o próprio lanche e a olhou de relance. –Qual foi a ideia mirabolante dessa vez? –Eram muito amigas, de tempos remotos.

-Tatsuki-chan, não é uma ideia mirabolante! –Protestou, mas volveu ao sorriso para explicar:

-É que eu pretendo fazer um jantar especial hoje à noite! Com receitas especiais! –O rosto de todos se retorceu em sorrisos falsos:

-J-j-j-j-jjaantar especial? –Keigo.

-Mas, porque, esse, esse jantar...? –Ichigo.

-Que ideia é essa, Orihime, querendo colocar isso tudo de marmanjo dentro da sua casa! –Tatsuki. –Esqueceu que mora sozinha? Eu não vou estar lá para te proteger!

-Inoue, que espécie de jantar é esse? –Rukia tinha a feição de “Nani?” Estampada no rosto como uma foto numa revista.

-Ano... É que ultimamente, depois que comecei a trabalhar na padaria, minha criatividade aflorou! –Até levantou os braços, balançando o seio e o cabelo laranja ao mesmo tempo. –Vamos, tenho ótimas receitas em mente! E o melhor, aprendi técnicas novas! –Os sorrisos nervosos persistiram, alguns até colocaram uma mão na testa pra esconder o constrangimento. –Kotaero, mina, quem vai?!

-Bem... Eu, eu tenho trabalhado bastante, terei treino de noite e talvez não dê... –Ichigo foi o primeiro a responder. –talvez outro dia, a gente possa combinar melhor.

-Eu já disse, estou trabalhando no dojo de dia, e treinando no dojo de noite... –Tatsuki. –As estaduais estão chegando e sabe como é.

-Eu estarei fazendo alguma coisa pra minha odiosa irmã. –Keigo. –Perdi uma aposta...

-Estarei ocupado, Inoue-san. –Mizuiro.

-Eu também, sabe como é, né, coisas de quincy... –Ishida concertava os óculos no rosto.

-Hoje eu vou estudar até tarde. –Sado.

-Etto... Tudo bem, mina. Mas e você, Kuchiki-san, você vem, não vem? –Os olhinhos brilhantes de Inoue fizeram Rukia se esquecer de toda e qualquer desculpa que poderia inventar. Ser a última esperança de ter uma companhia também.

-Eu... Bem... Não, não tenho nada para fazer... Talvez, dependendo, se, se não houver nenhum hollow... –Estava suando frio, mas que diabos, havia aceitado só por causa do rostinho feliz dela?

-Kyah! –Levantou e foi correndo abraçá-la. –Será divertido, Kuchiki-san, eu tenho certeza de que vai aprovar tudo!

E depois disso, o sinal para voltar à sala tocou. E Rukia se sentia cada vez mais desconfortável. Não deveria ter aceitado e sabia disso. Na verdade... Por mais que gostasse da Inoue como a uma grande e verdadeira amiga... A comida dela... Não gostava nem de pensar. Era uma coisa mais insensata do que a outra. Sinceramente, na verdade, não sabia como ela nunca tinha passado mal comendo aquilo... Talvez a única pessoa que pudesse compreender aqueles “dotes” culinários era a Rangiku Matsumoto, e mesmo assim, ela não era bom parâmetro, visto que a mulher era excêntrica em quase tudo. Riu um pouco, sozinha, de si mesma e de seus pensamentos enquanto aguardava o término da aula, término este que parecia mais distante do que a linha do horizonte. Mais difícil de alcançar do que uma estrela, esticando a mão o mais alto que a estatura permitisse. Mas por um momento, também, Rukia sentiu raiva dos amigos por não serem complacentes e ficarem inventando mil desculpas. Ao invés de ir para agradá-la. Ou ao menos dizer que não iria porque não queria, e não ficar com aquelas respostas idiotas. E depois sentiu raiva de si mesma, tanto que se remexeu desconfortavelmente na cadeira. “Eu aceitei como se aceitasse ser açoitada. Coitada.” Teve dó dela ao mesmo modo que se sentia um lixo por ter agido daquela forma. “Eu vou tentar achar tudo divertido.” Disse a si mesma. “Talvez só tenha eu para ser assim, no fim das contas.”

Talvez fosse difícil para alguém ver entender ou até mesmo acreditar naquela culpa que ela sentia. Porque afinal das contas era sempre uma das primeiras a torcer o pequeno nariz quando se tratava dos dotes culinários da Inoue. Nem ela entendia essa complacência. Talvez a inocência dela em chamá-los, realmente querendo que aquilo fosse divertido e prazeroso para todos, e não apenas para ela mesma, que no fim das contas queria seus amigos felizes... E... Isso torceu o coração de Rukia. Tanto que foi o caminho todo para casa com Ichigo absolutamente pensativa. Sem nada dizer. E mesmo quando Ichigo disse que ele e Karin iriam visitar o Urahara-san, ela respondeu com um meneio de cabeça que não queria ir. Ou quando Kon veio correndo em sua direção e ela nem se dignificou a chutá-lo, ou dirigir palavra para ele. Não almoçou porque não tinha fome. Pensando em como era difícil encontrar alguém que fosse tão doce e inocente, compreensiva e frágil quanto aquela garota meio espalhafatosa de voz fina... Quase ninguém se dava conta disso. Na verdade, nem ela dava. Ao menos não no dia anterior. Admirava-a mais agora, não só como uma amiga qualquer, igual era na semana passada. Mas uma pessoa que merecia ser valorizada simplesmente por ser daquela forma. Rukia sorriu satisfeita para si mesma e foi tomar um banho, teria de ir logo caso não quisesse se atrasar.

Escolhera um vestidinho amarelo que não usava há tempos. O amarelo era claro, e era rodado da cintura até um palmo do joelho. A parte de cima era mais justa, deixando-a parecida com uma boneca. Ichigo ainda não havia voltado, Yuzu preparava o jantar, e Isshin ainda não tinha chegado do trabalho. Decidiu que era boa hora para sair, e foi-se. Caminhando. Começava a anoitecer, mas aquele brilho alaranjado, sendo tomado pelo azul claro que ia escurecendo aos poucos ainda era visto na rua. Aos poucos foi sentindo frio, e lembrou-se de que estavam no outono. Bakayaro, deveria ter escolhido uma roupa mais preparada e adequada ao clima... Mas também não queria voltar. Senão ia acabar se atrasando. Então foi, andando mais depressa para esquentar o corpo, mas não adiantava, todos os pelos estavam postos em pé, insistentes como soldados. Quase corria, já. Quando sentiu uma reiatsu estranha. Definitivamente era um hollow. Não dos mais fortes, afinal. De começo, quis ignorá-lo completamente, visto que a cidade de Karakura era a mais bem preparada e protegida contra esse tipo de ameaça... Com toda certeza alguém apareceria... E, não queria amarrotar a roupa, deixar o gigai em qualquer lugar, e... Lutar, também não queria... Mas... Não teve jeito, pegou o chappy no bolso do vestido e engoliu a esfera. A alma artificial lhe sorriu, e ela voou com suas roupas de shinigami, negras como a noite que havia se estabelecido. Negra e cheia de estrelas. Mas sem lua. E o maldito hollow estava lá, rindo e berrando como essas criaturas feias gostam de fazer.

Era pequeno, o maldito. Com pernas brancas compridas. Parecia uma rã, só que branca e com ossos expostos, como os hollows. Corria muito, e não o alcançava com o Soukatsui, muito menos com o Shakkaho. Então teve de sacar a espada, e sentia-se ridícula por fazê-lo com uma criaturinha tão ínfima, esta que continuava rindo feito uma hiena maldosa qualquer. Mas bastou um golpe para que Sode No Shirayuki purificasse a alma daquela criatura com um corte central e profundo. Viajou rindo, o coitado. Ria enquanto desaparecia deste mundo para voltar a viver em outro, mas com sua forma humana preservada. Por fim, quando se encontrou novamente com seu gigai e pegou o corpo de volta, Rukia percebeu o quão atrasada estava, e se entregou a uma corrida desesperada. Não queria que Inoue pensasse que estava indo de má vontade. E corria e continuava correndo, amassando o vestido e se desarrumando por completo enquanto fazia isso.

Ao cruzar a rua da residência a qual se destinava, um alívio percorreu seu coração como água percorre a garganta dum sedento, um prazer tão puro quanto terno. Mas parou na porta, segurando os joelhos com o corpo prostrado. Não por simples pose. Estava exausta, havia corrido demais. O coração até batia mais pesado. Novamente sentiu-se tão fora de forma que uma vergonha a tomou inteira. Passados cinco minutos, respirou fundo e bateu à porta.

-INOUE! –Chamou animada, para que ela, vindo atender, já compreendesse que não havia má vontade em sua visita.

-INOUE! –Tentou um pouco mais alto e altivo, mas o grito permaneceu sem resposta.

-I-NOU-E! –Brincou enquanto gritava. –Senhorita Orihime Inoue, queira se apresentar ao portão, pois sua presença desde já é solicitada! –E nada.

-INOUE! –Começou a se achar ridícula por estar ali.

Olhou os lados, e a rua vazia. O céu, preto como breu.

-TEM ALGUÉM AÍ? –Novamente sem resposta. –Kuso... Será que ela saiu? –Perguntava retoricamente. –Kisama... –Suspirou. Virou as costas, pensando em ir embora... Mas depois disso pensou na coisa mais óbvia e que talvez por isso, ou pelo fato de quase não necessitar de seus poderes shinigami nos últimos tempos, mas... Decidiu rastrear a reiatsu da Inoue. Estranhou ao ver que estava dentro da casa. –Não é possível, ela dormiu? Não cheguei tão atrasada assim!

-INOUE! –Berrou outra vez. Nada. –Vou entrar, não quero nem saber! –Respirou fundo e forçou a porta. Aberta. –Uma garota que mora sozinha não devia deixar a porta aberta desse jeito. –Disse mais para si mesma do que para qualquer um, visto que estava sozinha. –To parecendo a Tatsuki. –Nisso gargalhou. Controlou-se e entrou.

As luzes estavam apagadas. Acendeu a da sala para se orientar ali dentro daquele ambiente. Uma foto do irmão já falecido da garota estava no centro da sala, pregada na parede. Fora isso, a sala estava praticamente vazia, só um sofá, uma TV. Entrou mais. Passou pelo banheiro, acendeu as luzes. Vazio. A cozinha, vazia, sem cheiro de comida ruim, ou de qualquer comida. E por último, no corredor vinha o quarto dela. Seu coração começou a acelerar e um nervosismo ficou preso na garganta.

-Inoue? –Disse quase num sussurro. Nada.

Entrou mais, perscrutando o lugar com olhos atentos e nervosos. Acendeu as luzes. Ela estava deitada na cama bagunçada, encolhida, com a cabeça virada para o lado da janela, ou seja, não via seu rosto e consequentemente não sabia se estava dormindo de fato ou não.

-Inoue? –Disse sem graça. –A porta estava aberta e eu pensei... Bem... Gomen, eu... –E ela se virou. Seus olhos cinza estavam aguados e meio inchados. Chorara, era claro. E nisso a voz de Rukia sumiu, sentiu uma culpa tremenda.

-Inoue? Está chorando? Eu, me desculpe, me atrasei, mas... O jantar...

-Não haverá mais jantar, Kuchiki-san. –Ela voltou a se virar para a parede. –Não vou mais incomodar ninguém com essas ideias tolas. Eu só penso em tolices e envolvo as pessoas nisso, deveria... –Sua voz era um mínguo de depressões. Rukia sentia-se culpada.

-Não diga esse tipo de coisa, ta louca? –Riu incerta. –Por que não haverá mais jantar?

-Eu, ninguém gosta de mim, ou da minha culinária... Eu vi como vocês me olharam. –Fungou. –Eu entendo, não precisam mais se preocupar...

-Eles são um bando de konoyaros! Eu vim, não vim? Quero um jantar! –Brincou. –É sério, não fique triste por isso. Se cozinhar essas coisas é o que gosta de fazer, ninguém deve te punir com isso. Nem seus nakama... –Sorria para ela, embora ela estivesse longe e de costas, não via. Apagou a luz por achar ofensivo, e foi adentrando quieta. Sentou-se ao lado da cama.

-Kuchiki-san...

-Nani?

-Eu nunca mais vou cozinhar! –E voltou à choradeira. Rukia levou ambas as pequenas mãos à cabeça sem saber o que fazer para reverter a situação. “Se aqueles idiotas tivessem vindo, nada disso estaria acontecendo.” Quis socá-los naquele instante. Foi até a mochila de Inoue e pegou umas coisas. Levou uns dois minutos e acendeu as luzes.

-Inoue, olhe pra cá! –E ela olhou.

-O que é isso, Kuchiki-san?

-É um desenho! –Aproximou-se para que ela visse de perto. –Vê? Essa é você.

-Kawaaaii janaaaai?! –Um sorriso surgiu ali.

-E essa sou eu, ta vendo? –Ela olhava muito atenta.

-Haaai!

-Estamos comendo, está vendo?

-Hai hai! –E de repente o dedo da Inoue voou para o desenho:

-E quem é esse?

-Esse é o chappy! –E as duas riram como bobas.

-Arigato Gozaimasu! –Ela levantou de repente, animada como estava no mesmo dia, só que mais cedo, e abraçou Rukia tão de repente e tão forte que a mesma caiu pra trás deitada na cama, seu coração acelerou tanto que doeu, era rápido demais para não ficar nervosa.

-Vamos ao jantar! –Disse ainda sendo espremida entre a cama e os enormes seios da Inoue.

-Hai hai! –Ela levantou num pulo. –Koi, Kuchiki-san! –Rukia levantou num sorriso que dizia o quanto estava satisfeita em ter conseguido mudar o quadro daquela situação com palavras e um desenho simples.

-Inoue... –Disse enquanto a mesma saia correndo do quarto em direção a cozinha.

-Nani, Kuchiki-san?

-Não poderia vestir uma roupa, digamos, mais adequada? –É que a garota estava numa camisola muito transparente, rosa bebê e curta. Isso desconcertava Rukia, ela se sentia desconfortável na circunstância, ainda mais por achar bonito, ali no fundo.

-Haaaaaaai! –Então foi para a cozinha, deixando-a no quarto com mais liberdade para trocar-se. Acendeu as luzes e viu o quão organizada e cheia de mantimentos era aquela cozinha. Pães doces frescos estavam em cima da mesa ao lado de uma fruteira cheia de maduras frutas, cheirava bem aquela cozinha. Era um lugar familiar e acolhedor, por mais que Rukia não fosse dada a freqüentá-lo. Respirou fundo e ficou esperando o nada acontecer. Até que pegou um pão recheado com chocolate e mordeu um pedaço, um pouco ficou nas bordas da boca, e quando Orihime apareceu subitamente na porta da cozinha gritando Rukia quase pulou de tanto susto, deixando o pão cair e abrindo a boca pra gritar.

-Menina, nunca mais repita isso, quer que eu morra do coração?!

-Você já está morta, Kuchiki-san! –Disse com uma feição sabedora.

-Baaaaka, mesmo assim não faça esse tipo de coisa! –E de repente a menina ficou rindo:

-O que foi? –Seu mau humor vazou dentre as palavras, tomando-as como se fossem bases inimigas.

-Seu rosto, deixa eu limpar. –Pegou um guardanapo rosa e dobrou, limpou as bordas de chocolate cuidadosamente. Rukia se sentiu meio nervosa com a súbita aproximação. –Pronto! –Disse triunfante Inoue. –Agora podemos começar!

-Deixa eu tirar esse pão do chão antes que alguém... –E falou tarde demais, a garota pisou nele e não fossem seus reflexos de shinigami teria se estatelado ao chão feito uma jaca. –Oe, toma cuidado! –Brigou.

-Muito obrigada, Kuchiki-san! –Segurando-a daquela forma pode perceber o quão rápido seu coração batia.

-De nada, baaaaka, apenas não fique caindo assim!

-Gomenasai. –E ela mesma limpou o pão do chão.

Enquanto Rukia separava ingredientes, Inoue cantava uma musiquinha idiota qualquer, de tão idiota e de tão qualquer, Rukia acabou sentindo-a grudar na mente, e antes que percebesse estava cantando também, com aquela cara de chappy feliz. Ambas rindo feito duas lesadas. Rukia percebeu que a companhia dela era mais agradável do que lhe parecera antes. Talvez porque antes não fizesse esforço em tentar entender a situação, ou se preocupasse em fazer com que fosse divertido como estava se preocupando agora. Estava dando certo. Até as escolhas dos ingredientes...

-Mas não pode por chocolate, Inoue, senão vai ficar estranho!

-Por quê? –Perguntou com o rosto inocente de quem não sabe o quão grotesca é aquela combinação.

-PORQUE TEM BACON!

-... –O rosto dela ficou desapontado. –Então também não pode por chantili?

-CLARO QUE NÃO! Quer matar a gente de indigestão?

-Não... –Fez beicinho. –Desculpe-me.

-Oe, também não precisa ficar se desculpando, preste atenção aí, vai queimar! –Gritou, e ela olhou a panela, e quando foi tirá-la do fogo queimou a mão, e Rukia no desespero de cortar legumes cortou o dedo, o grito foi duplo.

-Itaaaaaaaaaaaaaaaaai! –Berraram em uníssono. E foi uma de correr pra cá pra pegar a caixa de primeiros socorros, correr pra lá pra apagar o fogo e se trombaram uma ou duas vezes levando Rukia – que era menor, a quase cair no chão.

Socorros e comidas prontos puseram-se à mesa;

-ITADAKIMAAAAAASU! –O cheiro era realmente bom. Até que as habilidades, paciências e amores de Orihime para cozinhar, junto do bom senso crítico de Rukia, fizeram um bom jantar. Aquela união funcionava bem na cozinha. Talvez não tão bem, visto que se machucaram, mas bem. Inoue revogou as feridas antes de acabar o jantar.

-Está vendo, a comida está ótima! Aqueles otários que não vieram, perderam! –Bebia mais um copo de sake, Rukia que fora quem sugerira a bebida, muito embora não bebesse. Quer dizer, não fora de ocasiões excepcionais, como sair com os amigos. O que era o caso.

-Pois é, Kuchiki-san, talvez com o chantili não ficasse mesmo tão bom... –Rukia caiu na gargalhada, e Inoue ficou sem graça, com o rosto rubro, enchendo o copo de sake e bebendo nervosamente enquanto terminava de comer o último prato.

-Kuchiki-san... –Ela disse, depois de minutos silenciosos. –Muito obrigada por vir... Eu não sei realmente como agradecer.

-Inoue... –Estava surpresa. –N-não, não precisa...

-Eu tenho me sentido sozinha. Há muito tempo, fico nessa casa, e por isso eu quis começar a cozinhar e...

-Sokka... –Rukia, compreensiva.

-Então, muito obrigada por vir! –Levantou os braços e sorriu de olhos fechados, kawaii como num desenho. –Rukia se sentiu sem graça.

-Ora, não precisa ficar agradecendo o tempo todo! Eu fiz o que qualquer verdadeiro tomodachi faria!

-Você é muito especial, Kuchiki-san. –O rosto róseo de Inoue dizia que ela estava bêbada. Falava devagar, até. –E muito bonita e inteligente. –Suspirou, olhando o fundo do copo como se tivesse uma grande revelação a fazer. –Eu acho que no fim das contas, quem merece o Kurosaki-kun é você. –O rosto inteiro de Rukia ficou vermelho feito um tomate.

-Eeeettoo, de onde tirou isso?

-Eu sofri muito pelo que eu sinto pelo kurosaki-kun, mas sempre te admirei e sei que é mais importante e interessante do que eu.

-Inoue...

-É a verdade. –Sorriu sem graça. –Eu sempre pensei isso... E estranhamente não me sinto triste. Eu os amo. Digo, vocês dois, são as pessoas que mais amo. Meus nakama mais próximos, então...

-Inoue, não fique dizendo essas...

-É a verdade! –Protestou com o rosto confuso e tonto. –Eu quero que sejam felizes... Eu realmente quero... –Ao vê-la entregando a própria felicidade daquele jeito, com o cabelo meio desarrumado, os olhos meio inchadinhos e o rosto róseo, não sabia o porque, mas quis abraçá-la e protegê-la de todo o mal que existia no universo. Entendeu que queria acabar com aquela solidão, muito embora não conseguisse definir exatamente o que estava sentindo. Talvez no dia seguinte... Pensasse nisso. Não agora.

Abraçou-a.

-Kuchiki-san... –Foi quase um gemido. –Gomenasai, eu disse...

-Yametekure, onegai. –Implorou com a voz. –Não diga mais essas coisas ruins de si mesma. –A outra arregalou os olhos, meio surpresa, mas prosseguiu, nem dava conta do que dizia, na verdade. –Yamero!

-Mas, Kuchiki-san...

-Basta desse assunto sem sentido! –Levantou-se. –Vamos, vou te por para dormir, tenho que ir embora e amanhã temos um longo dia pela frente. –Sua fonética estava comprometida, mas não a bravura. Essa nunca estava. Inoue levantou feito um cãozinho indefeso.

-Ok. –Uma apoiava na outra para chegar ao quarto. Mais tontas do que qualquer outra coisa, trombaram na parede uma vez ou duas. Não, talvez mais vezes do que isso.

Chegaram ao quarto, finalmente, depois da luta contra a gravidade, que parecia implacável em sua vontade de atirá-las ao chão. Mas foram mais fortes, vencendo de vez essa lei malvada. Quando Rukia acendeu a luz, foi como se um sol particular tivesse nascido de frente a si, apagou no mesmo momento, gritando de dor nas órbitas. Inoue se resumiu a gemer. Com a luz apagada só tinham as estrelas, –que mal se via pela janela aberta – para se situarem no quarto e tudo dar certo.

-Kuchiki-san... –Inoue perguntou, no percurso longo e no breu quase completo até a cama.

-O que foi, Inoue?

-Porque você veio hoje?

-Porque achei que era importante vir.

-Kuchiki-san...

-Inoue?

-Pode ficar aqui hoje comigo? –O rosto já rubro de Rukia enrubesceu mais, só que no escuro, não dava para notar.

-Eeee-e-e-e-eeu tenho de ir pra casa. Quer dizer, pra casa do Ichigo e...

-Está bem. –Conformava-se. Ela sempre se conformava. Isso irou Rukia.

-NÃO ESTÁ BEM! –Gritou de repente. –PARE COM ISSO! SE QUISER ALGO, BRIGUE POR ISSO!

Silêncio.

Longo e inquietante silêncio.

-Kuchiki-san...?

-Inoue?

-Não vou te deixar ir embora hoje.

-Você o quê?

-Desculpe-me, desculpe-me, não quis ser tão ousada, na verdade eu só quero que... Fique.

-Bakabakashi, eu digo para brigar e você pede desculpas? –Suspirou, enfastiada. –Sinceramente...

-Desculpe-me por te desapontar! –Rukia parou no meio do breu e se sustentou de pé, desligando o corpo do de Inoue completamente, depois tateou seu pescoço até achar o rosto com dificuldade. Olhou no profundo do brilho invisível de seus olhos. –Não peça tantas desculpas. –Pareceu quase sóbria naquele momento. –Ouviu?

-Ha... Hai. –Ela abaixou a cabeça. –Então eu sinceramente não poderei deixar que parta, porque nunca quis tanto que alguém ficasse. Fique! –Não era mais um pedido lamurioso. Rukia se sentiu tão orgulhosa disso que puxou seu rosto para si, caçando uma bochecha rosa de bêbada para beijar...

...Mas o que encontrou, bem, foi uma boca. –Naquele momento, seu coração voltou a bater frenético, desesperado, saindo do peito. Suava frio, já, com medo, olhos arregalados, sensação estranha... Boa? Não sabia, só sabia que estava se tremendo inteira. De repente, Inoue a abraçou. Também tremia.

-Inoue? –Seu coração acelerado batia no mesmo compasso do seu, Rukia percebeu. E o volume em sua blusa vazia pressão na sua, de tão forte era o abraço. Sentia o cheiro dos cabelos laranja escuro, e sua maciez no rosto. Isso nunca lhe pareceu tão agradável. Afundou o rosto naqueles cabelos e respirou fundo de olhos fechados – como se fizesse diferença, fechar os olhos ou mantê-los abertos. – Quando afastaram o abraço, sentiu seu rosto sendo puxado. Outro beijo?

-Inoue?

-Eu preciso lutar pelo que eu quero. –Sussurrou. –E nesse momento eu quero você, Kuchiki-san. –Disse tão timidamente e incerta que Rukia teve certeza que se sentia absolutamente envergonhada pelas palavras que havia dito. E no ouvido, seu tom rouco eriçou os pelos da Kuchiki de tal forma que voltou a abraçá-la, só que muito mais forte.

Enfiou uma das mãos por baixo dos cabelos, no pescoço e subiu por ali chegando às raízes dos cabelos, instalou a mão desajeitadamente e segurou. Os centímetros que errou da boca pela escuridão fizeram do beijo algo exoticamente melhor do que teria almejado ou planejado. A outra rouquejou qualquer coisa.

Percebeu-se de pé, no completo escuro.

-V-v-v-amos até a janela. –As janelas, ambas viam claramente, posto que fosse a única coisa clara do quarto. Aproximaram-se tropegamente. Sentaram-se na cama. Agora algum contraste do rosto era visto, e isso lhes dava certa segurança, embora a situação inteira fosse insegura de fato.

Inoue que no caso havia vestido um vestidinho rosa com flores tirava-o pela cabeça, Rukia tomou um tremendo susto:

-OOOOO Que está fazendo?

-Ano... Não tenho de tirar? –Na verdade tinha, pensou Rukia. E se ela tirara, tinha de tirar também.

Em silêncio, começou a abrir também seu vestido, sendo ajudada por mãos não tão ágeis de bêbada. Na verdade, o tempo todo pensava na quão insana e estranha era a ideia, era o que estava prestes a fazer. Mas não cogitava a opção de desistir. Fitaram-se. Silenciosas, perscrutando uma o corpo meio difícil de ver da outra. Talvez o afastamento durasse mais tempo se não estivessem bêbadas e meio excitadas pela vontade de voltar a sentir a pele arrepiar-se. Não, mais do que isso.

Rukia inspirou novamente o cheiro daquele pescoço, perdida apenas nisto, até que soltou o vapor de sua boca nele, e sentiu-lhe os pelos eriçados novamente. Voltou a soprar quente e então deu um beijo no local, tímido, a princípio. Recatado, afinal não tinha ideia do que estava fazendo, na verdade era guiada apenas pelos instintos. Viu que era bom, quando a outra soltou o seu primeiro arquejo-gemido-suspirado. Parou apenas de soprar e beijar e passou a língua ali, fez um caminho até a orelha e a mordeu o mais vagarosamente que pensou ser possível. A rouquidão do gemido de Inoue lhe chegou tomando-a inteira de euforia. Mordeu seu lábio fraco e puxou lentamente, depois o soltou e ele voltou num solavanco. Beijou-lhe a boca. Empurrou-a lentamente, até estar por sobre ela com os joelhos apoiados na cama e as mãos lhe sustentando. Respirou fundo, as batidas de seu coração voltavam a despertar toda vez que percebia o que estava fazendo, pondo-a louca. Mas continuou, era bom, afinal. Era válido e era o que queria fazer.

Inoue levantou a mão cegamente até lhe alcançar os cabelos curtos, e puxou enquanto Rukia lhe mirava os seios sem muito bem saber se deveria ir ou parar. Aquele puxão de cabelo lhe disse que deveria ir, e cegou-se pela vontade de mergulhar no desconhecido. Beijou o primeiro seio. O direito, e o fato de ser tão grande desnorteou-a um pouco, segurando com as duas mãos, estalava, e sentia puxadinhas de cabelo combinadas com gemidos que lhe dizia que estava fazendo tudo como deveria. Sorria para si mesma, um sorriso tão lascivo, mas tão lascivo, que só mantinha o próprio orgulho de pé se dado no escuro. Sabendo dele apenas o dono. Segurou-os a ambos com as duas mãos e foi uma ótima sensação de poder que lhe tomou essa mesma que foi a de abrir o sutiã, momentos antes. Passou a beijar o fino vão entre os seios e descer o caminho até a barriga. Sua pele era fina, e macia, e cheirosa. Por vezes mordia e puxava sem força, como se brincasse, e um puxãozinho de cabelo a fazia prosseguir.

Rukia chegou à virilha com uma ansiedade louca, embora não tivesse muita ideia do que deveria fazer ao certo. Desceu do corpo vagarosamente e segurou as duas pernas com as mãos, abrindo-as mais, ainda vestia lingerie. Primeiro buscou o lugar do começo ao fim com um dedo curioso, estava úmido. Aproximou o rosto devagar e encaixou a boca numa mordida fraca, depois entreabriu a boca e deixou a língua sair, umedecendo-a com saliva e voltando a por os dentes, morder. As mãos dela já não lhe alcançavam os fios, mas ouvia bem seus gemidos e isso era o suficiente para continuar a brincadeira. Perseguiu a virilha e a região íntima, com a língua por cima da calcinha naqueles beijos e mordidas e por vezes só o vapor da boca na parte interna da coxa, que também servia de bom estímulo. Uma vez mordeu mais forte e o gemido foi mais estrangulado, o cheiro de excitação cresceu e puxou a calcinha para começar de vez o negócio.

Agora com a liberdade do sexo livre e desimpedido por uma lingerie, passeou com dois dedos, e estava muito molhado agora, o que a fez provar os dedos antes de voltar a mergulhar a língua na área, subindo de baixo pra cima a língua em pinceladas gulosas naquela pele tão fina. Naquele ritmo não demorou que o orgasmo de Inoue viesse, sobretudo quando lhe descobriu o poder da língua no clitóris. O grito dela foi tão alto quanto excitante, ao terminar, passou a mão de leve pelo próprio sexo e surpreendeu-se com a quantidade de líquido ali estacionado. Tirou a calcinha, sentou-se na cama e puxou com o braço a garota. Abraçaram-se nuas e enlaçaram as pernas fazendo um sexo deslizar por sobre o outro os dois úmidos e quentes. Movimentos mais rápidos e mais intensos, e mais rápidos e mais intensos, e o orgasmo as desnorteou de forma que caíram deitadas abraçadas naquela escuridão. Respirando espaçado, com as raízes dos cabelos úmidas de suor, a sensação de prazer intenso que deixava os músculos absolutamente sem força ao mesmo modo que o cansaço era um cansaço satisfeito e feliz. Momentaneamente sem arrependimentos ou pensamentos que não fossem focados na beleza do que acabara de acontecer. Enquanto Rukia seguia a linha da lateral do corpo de Inoue com a unha até lhe chegar ao rosto, a mesma fez esse movimento também, e uma mão procurou um rosto e vice-versa. As bocas estavam contraídas num sorriso cálido e bucólico. Aproximaram-se mais, voltando a encostar muitas partes do corpo ao mesmo tempo.

-Inoue... –Era um som mais baixo do que um sussurro.

-Kuchiki-san?

-Eu sonhei noite passada... Digo, eu me lembrei do meu sonho da noite passada.

-E sonhou o quê, Kuchiki-san?

-Sonhei com você e o chappy. –Ambas gargalharam com as últimas forças que tinham no corpo e apertaram o abraço, e dormiram.

Notas finais
Bom, galera, é isso, espero que tenha sido bom pra vocês.
Sore ja ♥!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!