No fundo do Mar...
1 Equipe de Pesquisa Atlântis!
Notas iniciais
Sem ação, sem aventura! Só uma introdução, praticamente!
Aproveitem!
Novamente hoje, estou acordando cedo. Depois daquele documentário que passou na sexta-feira, não tenho tido sonos tranquilos. Hoje eu iria para o colégio. Ainda bem já estávamos na ultima semana de aulas. Assim que saísse de férias, poderia começar finalmente, a me focar no meu objetivo de vida.
Levantei-me e fui direto ao banheiro. Olhei-me no espelho: meus cabelos castanhos escuros despenteado. Estava um pouco grande, principalmente na parte da franja que quase encostava nos olhos. Meus olhos estavam vermelhos e pesados. Tentaria dormir mais tarde, quem sabe, depois da aula. Lavei meu rosto, enxuguei e escovei os dentes. Era suficiente, não iria tomar banho. Não estava com humor para isso. Apenas fui para o meu quarto me vesti e desci para tomar café.
Ao chegar na cozinha, encontro meus pais e minha irmã gêmea. Sento-me e começo a me servir.
— Bom dia, maninho.
Grunhi em resposta. Meu pai olhou para mim, sério. Ele quase nunca fica sério, só quando é extremamente necessário. Eu sabia o que ele queria dizer com aquele olhar.
— Bom dia.
Minha mãe serviu o leite quente, e comemos em silêncio. Nada foi comentado. Apenas minha irmã olhava para mim o tempo todo. Claro que notei, somos gêmeos, oras. Nós temos uma “ligação”. Sabemos o que está acontecendo com o outro.
— Yuri, o quê foi?
— Nada, maninha. Só estou com um pouco de sono.
Imediatamente minha mãe ergueu o rosto e olhou para mim preocupada. Mães são tão rápidas nessas horas.
— Filho, está com os olhos vermelhos. Está se sentido bem? Tem conseguido dormir direito?
— Sim, mãe. Não é nada demais. Só fiquei até tarde estudando.
Era mentira, claro. Não teríamos provas essa semana. Só tinhamos que comparecer para não levarmos faltas. Pelo menos ela acreditou.
— Bem, já vou indo — disse me levantando e levando os copos para a pia. — Quero chegar mais cedo hoje.
Yasmim fez o mesmo e subiu correndo comigo as escadas.
— Vamos, maninho. Diga-me, o quê lhe incomoda?
As vezes sinto uma raiva dessa ligação que temos. Resolvi não esconder nada, pois ela iria me infernizar até que finalmente eu resolvesse abrir a boca.
— Bem... Se lembra daquele documentário sobre sereias que vimos na sexta-feira?
— Aquela besteira toda? Sim, eu me lembro. Lembro de ter rido daquilo.
Respirei fundo antes de continuar.
— Não é besteira, maninha. Pare para pensar. É lógico isso. Não é impossível.
— Você acredito naquela besteirada toda?
— Sim, acredito.
— Você e esse papo nerd. Vão rir de você se continuar dizendo isso abertamente.
— Eu sei disso. E é por isso que vou provar que elas existem.
— Yuri, por favor, isso são apenas lendas — disse ela já ficando nervosa — esqueça isso.
— Não, não irei desistir do meu objetivo. Eu já me decidi.
— Por quê? — perguntou, cruzando os braços.
— Eu apenas acredito que, em todas as lendas que o homem já criou, existe um fundo de verdade por trás disso tudo. Não criamos nada do nada. São as leis do universo
Ela ficou um pouco em silêncio, pensativa. Parecia que eu a tinha convencido.
— Mas então, como nunca encontramos um só sereiano?
— Irmãzinha, querida. Ainda falta muita coisa para acharmos no Oceano. Ele é enorme. Só nessas duas últimas décadas, encontramos várias espécies desconhecidas até então. Sendo que foram duas novas espécies de baleias. Se seres tão grandes como elas podem se esconder por tanto tempo de nós, por que os sereianos também não poderiam?
Novamente ela ficou pensantiva, com a testa franzida dessa vez.
— Talvez, mas não pense que vai ser você a encontrá-los — eu iria retrucar, mas ela colocou a mão em meus lábios — e já estamos atrasados para a escola.
Ela andou apressadamente para o quarto. Fiz o mesmo. Apenas peguei minha mochila, calcei um tênis e sai para a escola.
~.~
— Eai, pessoal — disse me aproximando do meu grupo de amigos. — Como vocês estão?
Eles responderam “bem”. Por quê nunca dizem como realmente se sentem? A resposta é sempre a mesma. Isso irrita um pouco. Conversar sobre como nós realmente nos sentimos ajuda, e muito. Mas pode ser que eles não tenham confiança o bastante em mim para dizer suas fraquezas. No mundo em que vivemos, aqueles que revelam isso, são fracos, e devem ser “zoados”, por assim dizer.
— Alguém mais assistiu o documentário sobre sereias no Animal Planet, na sexta-feira?
Todos ergueram as mãos. Um bom número. Estavamos em oito, contando comigo. Não faltava ninguém. Nós éramos os Nerds, roqueiros, gamers e otakus!. Sim, nome grande, por isso preferimos ser chamados de Nergos, que é junção de algumas partes de cada palavra. Alguns imbecis nos chamavam de Lerdos, mas éramos tudo menos lerdos. Nossas notas eram as melhores.
— O que tem aquela besteira toda? Eu só vi a até a metade — disse Bruno, um amigo nosso japonês. Novato no grupo.
Até aqui acho pessoas diferentes. É o mundo Yuri, acostume-se.
— Bem, pois você perdeu muita coisa. Aquilo realmente me fez acreditar em sereianos.
— Sério? — perguntou ele.
— Sim. Eu estou pensando em usar minhas férias para poder investigar melhor isso. Sabe, viajar por ai.
Alguns deles riram de mim, outros, nem se importaram. Bruno parou um pouco para respirar antes de prosseguir:
— E seus pais vão mesmo financiar essa loucura?
— Bem... Tenho dinheiro guardado. É muito, e acho que seria o suficiente. Minha faculdade pode esperar. E meus pais apoiam tudo o que eu tento fazer. Garanto que não vai ser diferente dessa vez — falei enquanto observava os alunos passarem por nós. Notei minha irmã caminhar em minha direção, e parecia muito nervosa.
— Como você pode? — perguntou, um quê de raiva se notava em sua voz.
— Pude o quê?
— Deixar-me em casa. Você saiu sem mim. Eu fiquei até agora esperando você, sabia? Achei que tinha ido comprar alguma coisa. Mas liguei para uma amiga e ela disse que tinha visto você aqui.
— Eu achei que você não iria querer andar comigo depois da nossa conversa, mais cedo.
Ela riu, enquanto cruzava os braços. Ela olhou no fundo dos meus olhos. Eu sabia que ela queria ler minha mente. As vezes funcionava. Sabiamos o que o outro estava pensando facilmente.
— Você sabe que não, maninho. Nós somos praticamente inseparáveis. E sabe que se, você decidir mesmo ir nessa “busca” — disse, gesticulando as aspas com os dedos —, eu vou acompanhá-lo.
Sorri para ela. Realmente eu poderia contar com ela para qualquer coisa. Ela sabia que mentalmente eu a estava agradecendo, e tudo o que fizemos foi nos despedir. Fiquei olhando-a enquanto se afastava, e nem liguei muito quando os rapazes do meu grupo ficaram falando sobre seu corpo. Não dessa vez, pelo menos.
~.~
A última semana de aulas passou tediosamente lenta, como sempre. Eu e Yasmim passamos a semana tentando convencer nossos pais a nos deixarem viajar por ai com o dinheiro que guardamos para nossa faculdade. No começo foi muito difícil convence-los, é óbvio. Mas conseguimos. Yasmim e eu somos muito convicentes e persistentes.
Arrumamos nossas malas e nos preparamos para viajar. Nesse meio tempo, nossos avós, todos mesmo, vieram para casa para tentar nos convencer de que isso seria loucura. No final também conseguimos convencê-los, e meu avô materno, Manuel, resolveu vir junto. O espirito aventureiro dele não morreu, mesmo depois de todo esse tempo.
Isso seria ótimo e de grande ajuda. Ele já havia mergulhado em vários lugares, escalado várias montanhas, sendo que quase chegou ao topo do Everest. Parou por causa de uma nevasca muito forte. De qualquer forma, é sempre ótimo ter companhia. Ainda mais quando se é da família.
Nosso primeiro passo foi ir atrás de pessoas que se interessavam sobre esse assunto. Apenas duas pessoas, e da minha idade (17 anos) é que se acabaram entrando para o grupo.
Milena Xavier, uma moça muito bonita, loira, de olhos azuis e cabelos . Extremamente inteligente, entendia muito de cartografia e navegação. Achamos isso incrivel para uma moça dessa idade. Ela não era Brasileira. Veio da Austrália há alguns anos e seus pais acabaram ficando por aqui mesmo. Em suma, uma ótima adição ao grupo.
Lúcio Cabral, um rapaz moreno e alto, com um afro curto. Seus fortes e escuros olhos castanhos encataram minha irmã de primeira. Ele é ótimo em mecânica e pelo visto, batem bem forte. Quem sabe, caso acabemos nos metendo em confusão, ele possa fazer a diferença? Ele riu quando eu lhe disse isso.
Também enviamos várias cartas para os Governos de vários países. No começo, não obtivemos resposta, mas quando alguns homens passaram a circular pelo porto, nós recebemos ameaças, para pararmos. Isso só nos instigou a continuar e procurar mais e mais.
Hoje nós apenas estamos terminando de carregar o barco. Não é muito grande, mas dá para o gasto. Tem velas, para caso o motor pare de funcionar. O capitão é muito divertido e também foi o único que aceitou viajar. Seu nome é Jhames Calvo.
40 anos no mar.
55 anos de vida.
E seu navio se chama Atlântis.
Notas finais
Comentem!
Até depois de amanhã! õ/
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