No calor

1 Tão quente lá fora...


— Ah, eu preciso ir... — Elsa espreguiçou-se, sentada na beirada da cama, e pescou com o dedão do pé seu vestido branco de verão esquecido no chão.

— Elsa, — Jack resmungou, com o rosto meio enfiado em um travesseiro — está quente lá fora.

— Eu tenho que ir, mesmo.

— Mas... — Jack tirou o rosto do travesseiro, e lhe dirigiu um olhar desolado. — Mas está tão, tão quente lá fora...

Elsa sentiu seu rosto esquentar enquanto constatava mentalmente o quanto Jack Frost era realmente bonito, mesmo quando fazia manha para tentar convencê-la a não ir embora. Deitado alí, na cama, com nada além de neve ao redor, vinda da pequena nuvem que ela não tinha certeza qual dos dois tinha conjurado, ele era a imagem mais atraente que seus olhos já viram, a única que fazia seu coração bater ao mesmo tempo tão pesado e tão acelerado quanto um sino de igreja em ataque epiléptico. Tentou se distrair, passando a roupa pela cabeça, e buscando alguma motivação racional. Precisava voltar pra Arendelle, tinha um reunião marcada com os ministros.

— Essa tarde foi... — Ela tentou começar, mas o garoto lhe interrompeu.

— Foi só esperar que algo interessante acontecesse — Jack completou, num muxoxo, e Elsa sentiu seu bumbum ser beliscado.

— ...Bem interessante, mas...

— Você deveria ficar, já está ficando quente feito febre — ele analisou, enfim movendo-se preguiçosamente na direção dela e passando os dedos gelados pelas costas da rainha.

— Minha irmã vai ficar preocupada.

Já estavam lá há mais horas do que deveriam.

— Pra que toda essa pressa? — ele insistiu.

— Kristoff vai ficar implicando.

— Podemos ficar só vendo a neve cair — ofereceu, depositando um beijo na sua nuca. Elsa sentiu arrepiar até mesmo os seus dedinhos do pé, se é que fosse possível.

— É melhor eu me apressar.

— Vamos, não precisa ir tão rápido.

— Ou talvez só mais um pouco... — ela hesitou.

— Podemos revogar o empate — ele provocou.

— Os ministros vão acabar ficando zangados.

— Elsa, está completamente terrível lá fora.

— Eu deveria conseguir te dizer “não, não senhor” — ela analisou, passando a mão pelo queixo do garoto e sorrindo pros seus olhos azuis.

— Importa-se se eu chegar mais perto? — E tomou a rainha em seus braços, apertando-a contra si.

— Pelo menos vou dizer que tentei... — Elsa riu.

— Vamos, Elsa, qual o sentido de me magoar assim?

— Eu realmente não posso ficar.

— Mas está quente lá fora!

— A resposta é não, Jack.

— Mas, está tão, tão quente lá fora!

— Essa tarde tem sido...

— Uma baita sorte que você tenha aparecido.

— ...Muito refrescante e agradável...

— Olhe lá pra fora, está praticamente pegando fogo!

— Minha irmã vai suspeitar de algo...

— Deus, sua boca parece deliciosa.

— ...E vai ficar me esperando na porta...

— É como a neve após uma tempestade de inverno.

— A mente das empregadas é maliciosa...

— Ah, sua boca é deliciosa...

— Talvez só um pouco mais...

— Estou te dizendo, nunca vi um dia tão quente antes.

— Eu tenho que ir pra casa.

— Mas, Elsa, você vai derreter lá fora.

— Você realmente foi adorável...

— Eu ainda me arrepio quando você toca minha mão.

— Mas você não percebe?

— Como você pode fazer algo assim comigo?

— Vai ter muita conversa amanhã...

— Pense na minha agonia pelo resto da vida...

— Pelo menos, muitas más intenções implícitas...

— ...Se você desidratar e morrer!

— Eu realmente não posso ficar...

— Vamos, Elsa, esqueça essa desculpa velha...

Jack lhe mordeu o pescoço e Elsa se permitiu derreter nos seus braços, dando-se por vencida e afundando os dedos com carinho nos cabelos brancos e bagunçados, com uma mão atrevida às suas costas procurando se livrar do vestido recém-colocado. Já era a quarta vez que ela tentava sair, e a quarta vez que desistia.

Afinal, estava realmente tão quente lá fora...

Notas finais
É só isso mesmo hue Desde o natal quando essa música começou a tocar por toda parte eu só conseguia pensar em uma situação contrária, com esses dois cantando.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!