No You Boys Never Know
21 BÔNUS. Clichê
Notas iniciais
Scorpius Malfoy POV
Missing Moments dos capítulos “Sem Beijos Prometo” e “Tatuagens e Outras Drogas”

Eu já devia ter percebido antes, mas não era normal aquela sensação estranha de ver sua melhor amiga enroscada com um cara no canto escuro de um bar. Especialmente se sua melhor amiga raramente era de ficar se enroscando com um cara no canto escuro de um bar.
Tudo bem. O Três Vassouras não era qualquer tipo de bar. Nem Eric. Sempre adorei o cara, ele sabia fazer os melhores tipos de bebidas. Também já me apresentou aos melhores tipos de mulheres. Mesmo assim, podia ser normal querer afogá-lo com uma tequila por ele estar beijando Rose tão descaradamente faminto por saírem logo dali para eles curtirem uma boa transa no apartamento dela.
Mas não era normal. Quero dizer, solte ela seu idiota. Pensei amargamente quando ela deixou a mão dele passear por sua coxa.
E foi então que eu me assustei por olhar para aquela região do corpo dela.
Certo. Eu já olhei milhões de vezes para a bunda dela. Não era novidade que ela tinha um corpo...
Ótimo, e lá estava eu pensando sobre o corpo de Rose. De novo. Enquanto ela dava uns amassos no Eric. Ótimo, sou patético.
Mordi meu maxilar, tentando voltar a prestar atenção na Lily cantando ali do lado. Era noite do karaokê. A música a fazia soltar a voz e todo mundo estava adorando demais aquela apresentação para terem que prestar atenção no fato de eu estar incomodado por ver Eric pegando a Rose.
Voltei a olhar para os dois rapidamente. Dessa vez ele estava sussurrando alguma coisa para ela, e beijando o seu pescoço ao mesmo tempo. Porra. Ela estava rindo. Talvez ela goste dele mesmo.
– Só eu fico encabulado toda vez que a Lily canta essa música? – perguntou James, sentando ao meu lado e me assustando. Ele viu minha expressão. – Que foi, cara?
– Nada.
Tentei não olhar de novo, mas foi mais forte do que eu. E Lily se empolgou ao cantar sem olhar para a tela da televisão. Ela andou em direção a Rose e Eric, que nesse momento tinham parado o que estavam fazendo porque de repente todo mundo sabia que os dois existiam.
A kiss can last all night! Lily cantava com toda sua presença bêbada de palco, para os dois. Rose a mandou embora, enquanto Eric ria e tentava voltar ao que eles estavam fazendo antes, mas Rose já estava vermelha. Falou algo para ele, que assentiu, e, finalmente, se separaram.
Estava voltando para a nossa mesa com um sorriso nada discreto no rosto. Nem vou falar do Eric, voltando a fazer as bebidas atrás do balcão como se alguém tivesse avisado ao cara que ele ia receber o salário mais cedo.
Quando sentou ao meu lado, Rose ia perguntar alguma coisa, mas Lily pegou minha mão e me empurrou até o palco do karaokê. Ela adorava fazer isso, me deixando constrangido. Mas ninguém nunca me deixava constrangido. Cantando e mostrando um show de sedução cômico, Lily ficou passando a mão no meu peito.
Rose se aproximou de repente e a empurrou.
Achei que ela ia me bater por eu estar dançando com Lily, mas ela me levou até o banheiro. Abriu o primeiro toalete, depois os botões da minha camisa, com um desespero não menor que o meu. O pior de tudo era que eu não estava achando isso nenhum pouco estranho. Eu queria isso. Ela lambeu meu peito e sorriu para mim, aquele sorriso que eu curtia demais.
Quando a vi se agachar até a minha calça, acabei não sentindo nada do que eu esperava. Aquele prazer incômodo e gostoso.
Porque acordei assustado.
Lentamente, fui arregalando os olhos.
Demorou um segundo para cair à ficha. Eu sonhei que Rose estava me chupando?
Eu devia estar louco.
E provavelmente duro.
Olhei para a cama, tentei encontrar alguém para aliviar a tensão, mas lembrei que eu não tinha dormido com ninguém depois da noite do karaokê. Eu ainda estava esperando Stephanie voltar dos Estados Unidos e não queria ficar fazendo merda até lá.
Ou seja, eu estava sozinho. Eu odiava ficar sozinho, porque isso me fazia pensar naquele sonho esquisito. Uma hora Rose estava agarrando Eric, segundos depois ela estava me dando o melhor boquete que recebi desde o dia em que eu adquiri uma vida sexual. E talvez Rose nem fosse tão excepcional assim, só era coisa de sonho. Eu nem queria que ela fosse, porque isso ia significar que ela deveria ter feito isso em um monte de caras, o que ela não fez.
Provavelmente deve ter feito isso naquele sábado com Eric.
Merda, apenas isso. Eu estava duro e precisava me aliviar. Eu não podia ficar batendo uma pensando nela, não podia. Tudo bem, não seria a primeira vez, mas nunca precisei sonhar com isso, precisei? O que é que Rose andava tendo, afinal de contas? Só porque ela fez dois meses de academia, até parece que ela teria ficado excepcionalmente deliciosa de uma hora para outra.
Como quando você está fazendo algo errado, mas não se arrepende porque sabe que ninguém nunca descobrirá, comecei a tirar aquela tensão, esparramado na cama como se eu tivesse quinze anos de novo, sem preocupações no mundo, exceto a de gozar. Mas quando eu estava desesperado para isso, a voz de Rose apareceu realmente dentro do meu apartamento.
– Scorpius, esqueceu a porta aberta de novo!
Eu pulei da cama, o que me deixou completamente zonzo por causa da ressaca e eu acabei caindo no tapete do lado da cama. Sorte que a porta a não dava para essa direção, então a cama podia me esconder caso ela aparecesse no meu quarto.
– Ei, acorda, seu folgado – mandou, provavelmente da cozinha. – Você não atende o celular desde ontem à noite.
Consegui correr até o banheiro.
– Eu to tomando banho! – gritei, ligando o chuveiro. – Se não quiser descobrir que Eric não é lá muito dotado como você pensa, não vem aqui.
– Idiota – a ouvi dizer, rindo. – Hoje é domingo, esqueceu? Minhas aulas de moto?
– Eu já vou! Pode esperar na sala, liga a televisão, sinta-se a vontade.
Não que eu precisasse dizer isso para ela. Rose provavelmente já estava deitada, tomando o resto de sorvete da minha geladeira.
Enquanto isso, não parei de esfregar minha mão no meu pau, odiando cada célula do meu corpo por isso, mas adorando cada sensação errada, louca, deliciosa, por causa dos movimentos. Finalmente gozei, tentando não fazer nenhum ruído. Se Rose soubesse, ela me mataria.
Tomei uma ducha rápida para limpar qualquer resquício da minha recente vontade. Coloquei minha calça. Só minha calça. Decidi não colocar nenhuma camiseta. Eu devia ter uma jogada lá na sala – e porque eu sou um cara e não fazia mal provocar Rose com alguma coisa.
Tive uma séria discussão contra mim mesmo para saber se deveria deixar a calça um pouco aberta, mas decidi seguir o esquema normalmente e aparecer até ela, enxugando meu cabelo com a toalha.
Ela olhou para mim. Sorri internamente com a tentativa dela de disfarçar o olhar por mim, pegando a camiseta e jogando-a na minha direção.
– Valeu – falei, vestindo-a. – Opa, opa, eu deixei?
Apontei para o pote de sorvete da mão dela.
– Deixou. Ei – ela mudou de assunto, levantando-se. – Alice e James vão fazer um jantar para Katie e Albus, e eles nos chamaram também. Quer ir?
– Hoje à noite?
Ela assentiu.
Quase perguntei se Eric também iria, mas isso ia ficar muito na cara.
– Não sei, to meio sem saco pras psicologias da Alice.
– Mas você não aprontou nada essa noite – ela disse, estranhando. – Tudo bem, mas se quiser, avisa. Eu vou precisar de carona.
– Ok. Vamos dar uma volta?
– Não vai almoçar? – sorriu.
– A gente passa numa lanchonete.
– Beleza, bem melhor.
No entanto, quando paramos na lanchonete perto da praça e eu perguntei o que Rose iria querer para aquela tarde antes de entrar na fila, ela fez uma careta enquanto revirava a carteira.
– Esqueceu dinheiro? – perguntei, antes de Rose fingir que não estava com fome para não dizer que tinha esquecido grana.
– Tudo bem, eu nem estou com tanta fome assim. Eu fico esperando você comprar suas coisas na mesa, ok?
– Ok.
Eu podia ser cavalheiro e dizer “não, eu pago Rose, que isso.” Mas não fiz isso. Ela ia achar que isso era um encontro. Ela nunca me deixou comprar nada para ela. Nunca. E eu não ia contestar, nem brigar, eu tinha me masturbado pensando nela depois de ter um sonho erótico com ela. Era melhor eu ser bem idiota mesmo.
Mas quando chegou minha vez de pedir comida, eu sorri para a moça do atendimento.
– Vou querer dois desse aqui – apontei. – Hum, e quando levar para a mesa cinco, pode dizer que o segundo foi por conta da casa?
– Nós não fazemos isso.
– Eu vou pagar tudo. É que minha amiga é muito orgulhosa, então... se disser que foi por conta da casa, ela vai se sentir menos culpada.
– Tudo bem – a moça me olhou sorrindo. – Que graça da sua parte. Ela é uma moça muito sortuda por ter um namorado como você.
– Não, ela é só minha amiga.
– Duvido.
– Eu não vou discutir isso com uma estranha.
– Uma estranha que faz a sua comida.
– Só diga que foi por conta da casa, ta legal?
Eu não gostei do olhar dela. Aquele olhar estilo Alice. Diz que vai seguir com o plano, mas na hora H com certeza vai estragar tudo.
Foi exatamente o que ela fez. Esperei a comida durante dez minutos com Rose contando que ela tinha passado a noite inteira com Eric. Ela parecia um pouco distraída, ou apenas tentando ocultar alguma coisa de mim, uma informação, que poderia deixá-la constrangida. Pra falar a verdade, eu não estava prestando atenção, meio ansioso para ver se a moça ia me ajudar nessa. Finalmente quando ela apareceu ao lado de nossa mesa, entregou o prato para Rose, dizendo:
– Esse é por conta da casa.
Rose a encarou, totalmente surpresa.
– Sério?
Ela era linda soando genuinamente encantada, sem ter idéia.
Cala a merda desses pensamentos, Scorpius. Rose é feia. Olhei para a franja dela caindo nos olhos. Ela costumava prender os cabelos ruivos em um coque frouxo. Ela tinha um ar natural. Nunca exagerava na maquiagem. Provavelmente só tinha passado um batom para darmos uma volta de moto.
– Temos um dia especial para casais.
Eu estava tentando não achar Rose ridiculamente bonita, então não reparei muito bem no que a garçonete acabou dizendo.
Quando percebi, quis chutar aquela mulher.
– A garota não paga – piscou para Rose, quando olhei estupefato e pronto para negar qualquer coisa.
Os olhos verdes de Rose encararam os meus, sorrindo. Ainda olhando para mim, perguntou:
– Ele pediu dois, não pediu?
– Aproveitem – falou a garçonete, sorrindo para nós dois como se fossemos o casal mais lindo que ela viu desde Top Gun.
– Eu te pago depois – disse Rose quando a mulher se afastou. Rose ainda tinha a sombra de seu sorriso genuíno.
– Cala a boca, Rose – eu disse, estupidamente. – Eu não quero que esquente a cabeça com isso. Aproveite o almoço. E eu sei que o Eric não fez panquecas para você. Vocês só estão na zona do sexo, certo? Ele não vai se preocupar se você está com fome.
– Na verdade...
Se ela dissesse que ela queria algo a mais com ele, o que geralmente acontece quando ela está ficando com um cara, eu não estava muito a fim de escutar. Meu trabalho como amigo era ser legal e dar suporte, mas eu não daria nenhum suporte porque Eric não ia fazer nenhum bem para ela, em termos de compromisso e...
Meu celular tocou bem na hora.
A foto de Stephanie estava piscando no meu celular. Mordi os lábios, espiei Rose um pouco – ela rapidamente se distraiu com a movimentação da calçada pela entrada da lanchonete, enquanto bebia o suco pelo canudinho e tirava a franja dos olhos.
Ainda olhando ela, atendi ao telefone.
– Boa tarde, dorminhoco – a voz de Stephanie estava alegre. – Aposto que passou a manhã inteira dormindo. Esqueceu de me ligar?
– Não – eu disse. – Não, eu não esqueci. – Sério que eu precisava ligar toda hora mesmo? – Ontem foi noite do karaokê. A gente combina de ficar bêbado para todo mundo cantar bem – contei. – Então eu tava meio de ressaca e só acordei agora.
– Essa é a pior desculpa que você já me deu. – Mas Stephanie não estava brava. – Fala sério, quem foi a gostosa da vez?
– Não teve gostosa nenhuma – eu disse. Rose olhou para mim, então eu perguntei com os lábios “teve alguma gostosa?” Rose negou como se dissesse “relaxa, você se comportou.” – É, não teve nenhuma gostosa.
Rose escreveu no guardanapo:
Diga que ela é a gostosa.
Tudo bem, fácil. Pigarreei e disse pra Stephanie:
– Você é a gostosa.
Rose fechou a cara. Ela rabiscou a primeira frase com a caneta e escreveu: NÃO ASSIM, PERVERTIDO.
– Ai amor – sussurrou Stephanie no telefone, encantada. – Eu também sinto sua falta. Aguenta ficar sem mim até amanhã?
– Você volta amanhã? Aguento, aguento ficar sem você sim.
Rose quase se descabelou.
Escreveu: DIGA QUE NÃO AGUENTA, ELA QUER OUVIR VOCÊ DIZER QUE NÃO AGUENTA MAIS.
– Quero dizer, não, não vou mais aguentar. Eu sinto sua falta também.
Rose levantou o polegar. Escreveu: “Fala para ela tentar pegar o primeiro avião para Londres.”
– Tem como pegar o primeiro avião pra Londres?
– Claro que tem, e eu vou. Não posso mais ficar sem o meu gostosinho por mais algum minuto. A gente ainda vai continuar as sacanagens, não é? O jeito que você fala comigo quando estamos na cama...
Olhei para Rose, desesperado. Escrevi rapidamente, enquanto Stephanie continuava falando algumas coisas interessantes pelo celular.
Ela quer começar um telesex.
Rose fingiu que ia vomitar. E escreveu:
Diga que você está com-
Ela não tinha terminado de escrever, então acabei falando apressadamente para Stephanie:
– Rose está aqui.
– O quê? – a voz de Stephanie ficou alterada.
Rose amassou o guardanapo e jogou na minha cara.
– Quero dizer, ela acabou de chegar – tentei concertar. – Como sempre, atrapalhando tudo. Ela é tão chata. – Eu não sabia mais o que dizer, só lembrei de Rose falando para eu nunca elogiá-la na frente de Stephanie.
– Bom, liga para mim mais tarde, ok? Você vai me buscar no aeroporto?
– Eu estava esperando que eu fizesse uma surpresa – falei, na tentativa de fazê-la amolecer.
Stephanie falou:
– Tchau.
Se não tinha nenhum “gostosinho” no final da frase, era porque ela estava puta comigo.
Quando Stephanie desligou, suspirei, guardei o celular e disse a Rose:
– Vou ter que comprar um colar para ela. Não vejo qual é o problema de dizer que estou com você! – eu sabia perfeitamente bem qual era o problema.
– Dissesse que Albus estava com você. Scorpius, se uma mulher totalmente estranha acha que somos um casal, nem queira saber o que Stephanie pensa.
– Ela sabe que só somos amigos.
– Ela acha que sou ameaça. Qualquer garota acharia.
– Mas você não é! Nem chega perto de ser uma ameaça. Ok, eu vou mandar sms dizendo que acho você feia. Não, horrenda. Não, horrorosa. Posso dizer que te acho horripilante?
Rose riu. Automaticamente, pousou a mão no meu braço, para me impedir de pegar o celular.
– Scorpius, pare de tentar se esforçar. Ela vai gostar desse ciúme. Vai me odiar, mas vai querer você com mais força ainda. Então, tudo bem. Quero dizer, a não ser que você realmente me ache horrenda... pode dizer a ela o que quiser.
– Não te acho horrenda. Eu estaria totalmente mentindo a ela. Você não é horrenda. Você é gostosa, pra falar a verdade. Não é novidade. Como seu amigo, meu dever é dizer o que acho. Acho que academia tem feito uns efeitos em você. Eric que se cuide.
Meu Deus, alguém enfie minha cabeça na privada agora.
Ela me conhecia e sabia que eu era sincero, então não levou nada para o outro lado. Afastou a mão do meu braço, abanando a cabeça, e dizendo:
– Não faço academia há uns cinco meses, mas obrigada Scorpius. Não deixe Stephanie ouvir isso jamais.
– Não vou deixar. E eu não quis dizer que você era chata.
– Tudo bem, Scorpius, eu entendi. Não me ofendi.
– Tem uns momentos que você é realmente chata, mas são raros. Ontem mesmo-
– Scorpius, come sua comida.
– Ok.
– Stephanie te deixa idiota, hein?
É. Era Stephanie.
– Não tem idéia – eu disse baixinho e almoçamos com alguns momentos silenciosos.
***
Transar com Stephanie era uma zona de conforto. Ela cavalgava em mim e fazia praticamente o trabalho todo de se dar o prazer. Eu não me esforçava com ela. Eu apenas ficava ali, deitado, segurando fortemente aquelas coxas, subindo as mãos até seus seios quando eu achava certo fazer algum movimento. Ela ficava enlouquecida, gemendo insuportavelmente alto.
Mas lá estava ela, em cima de mim, gritando como se o mundo estivesse acabando enquanto ela só tentava chegar ao orgasmo. Isso foi legal no começo, mas parece estranho depois que você percebe que pediu ela em namoro.
Então era assim transar com alguém que você chama de namorada.
– Ai, Scorpius, que delícia! Mais rápido! Fala alguma coisa, geme gostoso pra mim também, vai – mandava, me arranhando no peito.
Ardeu de um jeito desconfortável.
Eu nunca achei que ia dizer isso, mas estava um pouco entediado dessa vez. E cansado. Ela devia ter tido uns quatro orgasmos (sem querer soar o deus do sexo aqui, porque acho que Stephanie passava um pouco dos limites), mas eu não estava nem perto de gozar. Não pela falta de vontade, mas porque Stephanie queria tudo muito rápido. Ela não ficava muito tempo me chupando e seria bom se ela desse um pouco mais de atenção para essa área de vez em quando.
E quando pedi, Stephanie me olhou brava.
– Você só quer atenção pra você, não é?
Então, basicamente, ela fazia tudo por mim e por ela. Meu único objetivo ali era oferecer-lhe um pau para ela cavalgar.
Eu nunca reclamei disso, acreditem. As vezes era melhor assim.
Mas dessa vez eu queria acabar logo e sair dali, voltar para minha casa e-
Merda, eu já estava em minha casa. Como eu faço para ela ir embora depois? Eu não queria tê-la na minha cama a noite inteira. Provavelmente com o cabelo todo cutucando meu nariz e, pior, querendo dormir de conchinha. Rose dizia que garotas gostavam disso e que se eu realmente gostasse de Stephanie, eu não iria me importar em dormir assim com ela.
Rose também dizia-
Estou pensando em Rose enquanto tenho outra mulher transando comigo. Estou pensando nas coisas que ela disse. E estou pensando no cabelo dela hoje. E lembrando que ela não tinha mais nenhum Eric na vida dela, porque não continuaria dando certo principalmente depois do filho dele quase vê-la sem roupa.
E essa é a história de como eu pensei em Rose sem roupa. Como se uma coisa apenas levasse a outra. Uma linha de raciocínio rápido. Eu não conseguia controlar isso.
Lembrei também de um dia na praia, ela tirando a blusa folgada e mostrando o biquíni verde. A timidez em primeiro momento, mas depois era como se ela não ligasse mais para que pensassem de seu corpo. A barriga dela era lisa, mas era não era magra. Rose nunca foi o exemplo de magreza. Ela tinha curvas. Pensei nos seios dela. Sim, pensei mesmo. Pensei em preenchê-los com minhas duas mãos, firmemente, enquanto ela me cavalgava. Ela no lugar de Stephanie.
Foi exatamente assim que eu me dei conta, que eu finalmente admiti a mim mesmo. Eu queria Rose no lugar de Stephanie.
Se Stephanie apenas não gemesse muito, não ficasse falando toda hora, eu poderia fechar os olhos e fingir. Apenas fingir. Eu sabia que Rose nunca pensaria em mim a esse ponto sexual, então talvez por isso eu estivesse agindo tão loucamente assim. Como se Rose fosse uma coisa impossível.
Provavelmente estou pensando nela porque sou um canalha.
Ou porque eu realmente estou pensando nela mais do que o normal. Constantemente.
Tem algo errado comigo. Eu transei pensando em Rose. O tempo todo. Isso era errado.
Foi um alívio maior quando terminei. Acho que foi porque Stephanie cansou e caiu ao meu lado. Pude respirar.
– Foi... uma... delícia. – Beijou-me no meu peito suado, depois subiu até meu pescoço. – O seu único problema é que você fica muito calado. Até parece que está com a cabeça em outro lugar.
– Tive um dia cheio na empresa – falei. – Desculpe se pareci distraído.
– Não tem problema... você me dá o prazer que eu preciso.
Dizendo isso, ela se acomodou em meu peito, fechando os olhos imediatamente. Sua respiração foi ficando tranquila enquanto pegava no sono. Eu não era idiota o suficiente para chegar a tirá-la da cama, mas não consegui dormir. Tentei observar a reação de abraçá-la, mas não me parecia confortável, não me parecia confortável quando eu abraçava Rose na cadeira de piscina em seu apartamento. Não me dava a mesma sensação.
Você conhece Rose há anos. Dê uma chance a Stephanie. Talvez você apenas não a conhece direito... você não precisa ser um canalha e terminar isso.
Dei uma chance a mim mesmo e a ela. Era uma forma de me distrair, de negar a sentir o que eu estava sentindo por Rose. Por isso dormi com Stephanie em minha cama, por isso acordei com ela, por isso nós tomamos café juntos, por isso assistimos a um filme que eu tinha casa juntos, no sofá, abraçados.
E, mesmo assim, nada superava quando eu assistia a um filme com Rose, mesmo ela do meu lado, mais preocupada em comer a pipoca do que tentar me beijar.
– Ei, amor, o que são essas fitas?
Stephanie adorava minha coleção de DVDs, mas ela encarou outras fitas na minha estante, quando saiu para observá-las. Eu me aproximei e segurei uma delas.
– Uau, essas são antigas – contei. – Acho que é da minha formatura.
– Ai jura!? Posso assistir? Imagino como você era lindo com dezessete anos.
– Eu era irresistível.
– Vamos ver, vamos ver!
Eu coloquei o DVD. Stephanie sentou no sofá novamente, pegou minha mão e me abraçou super empolgada.
– Estou ansiosa!
O filme começou. Primeiro, eu sabia que estava no quarto de Albus porque eu passava mais tempo na casa dele do que na minha. Eu estava filmando a cena. Albus se olhando no espelho e tentando deixar o penteado parado. Estava vestindo um dos smoking que eu havia emprestado para ele.
“Cara, você ficou ridículo”, minha voz atrás da câmera dizia. “É melhor você filmar e eu aparecer.”
“Beleza” concordou Albus sem muita discussão. Eu lhe entreguei a câmera.
E então meu eu com dezessete anos apareceu na câmera ajustada por Albus. Sem barba, cabelos mais cumpridos, olhar hostilmente sedutor, arrogante, idiota.
“Dica para se vestir bem”, eu dizia. “Seja Scorpius Malfoy.”
“Hum, vamos dar uns amassos, o pessoal de casa ainda não entendeu que você é gay, Scorpius.”
Scorpius de dezessete anos lhe mostrou o dedo do meio. Stephanie gargalhou ao meu lado, enquanto eu me arrependia por estar começando a mostrar isso a ela.
“Então, pensando em pegar quem na festa hoje?” perguntou Albus.
“Fácil. Parkinson.”
“Mas ela não te deu o pé na bunda?”
“Ela já me deu várias vezes... a bunda.”
Os dois adolescentes ali não pararam de rir.
Era possível ser mais patético do que isso. Stephanie riu ainda mais, enquanto eu apertava minha testa, mesmo assim sentia falta de lembrar desses tempos, então deixei a fita rolando.
Tínhamos saído do quarto de Albus. Na gravação, agora estávamos no corredor do segundo andar da agitada casa dos Potter. Uma Lily de quinze anos – linda e gostosa desde aquela época – passou pela gravação. Albus gravou a mãe dela avisando que seu decote estava muito a mostra.
“Lily, a Rose está pronta?” havia perguntado Albus.
Lily olhou perigosamente para a câmera.
“Se vocês pensarem em rir, eu vou quebrar cada uma das bolas de vocês dois. Eu vou cortá-las, jogá-las no triturador de lixo e mandar para a sua avó, Scorpius. Desliga essa câmera.”
“Tá desligada já” mentiu Al.
O idiota continuou filmando mesmo assim.
– O que está acontecendo? – Stephanie perguntou curiosa.
– A mãe de Rose a mandou colocar um vestido antigo, da família Granger, para a formatura. Rose não queria sair do quarto porque era constrangedor demais.
“Rose, querida, nós vamos chegar atrasada” insistia a sra. Potter. “Você ainda nem sequer saiu para fazer a maquiagem!”
“NÃO! EU NÃO VOU COM ESSE VESTIDO! EU NÃO VOU MAIS A ESSA MERDA DE FORMATURA!”
“Não tem como, você é a oradora da turma”, eu tinha lembrado ela.
“SCORPIUS TÁ AQUI? AGORA MESMO QUE EU NÃO SAIO!”
“Qual é, Rosie, eu não vou rir, eu prometo”, falei tranquilamente, aproximando-me da porta do quarto onde Rose estava trocando de roupa. “Sua família está esperando você.”
“EU SÓ VOU SAIR DAQUI COM OUTRO VESTIDO!” ela gritou lá dentro.
Albus filmava tudo.
“A Rose que eu conheço não se importa com vestidos,” eu a lembrei. “Só porque Trent Holly está esperando ver você gostosa e com as coxas de fora? Se ele quisesse sair com alguém assim, ele não teria se preocupado em chamar você. Então, hum, não acha que importa muito para ele o que você está vestindo.”
Depois disso, Rose ficou calada lá dentro.
Dez segundos depois, a maçaneta da porta se mexeu.
Stephanie exclamou:
– OH... MEU... DEUS... Rose usou isso para a formatura dela?
Eu não estava prestando mais atenção em Stephanie. Rose tinha saído do quarto, com a cara mais emburrada de todas. Ela não estava a pessoa mais atraente do mundo, com o vestido que antes pertenceu a sua mãe ou avó.
“Minha mãe quer me matar socialmente”, disse, jogando a franja para trás com um sopro. Uma mania que ela não tinha abandonado até hoje. “Pode rir, vai.”
Eu me lembro de não ter tido vontade nenhuma de rir dela.
Ela até se virou para a câmera e se apontou.
“Grave este momento, Al. O dia em que Rose Weasley deixa sua marca registrada na escola, matando-se socialmente com um vestido do século passado. Não estou uma graça? Eu posso fazer duas tranças.”
“Não ta tão ruim assim” admitiu Albus.
“Para uma fantasia” completou Hugo, o que fez todo mundo rir.
Menos eu.
Até Rose já estava rindo de si mesma. E era isso o que eu amava nela. Ela nunca se levava muito a sério.
“Trent vai odiar isso aqui. Quando ele me vir, será o momento que ele dirá aos amigos que broxou totalmente. Eu serei tanta piada. Mas é bom, sabe. Papai está preocupado que eu engravide essa noite. Acho esse vestido mais eficiente do que camisinha.”
“Rose, eu te empresto um vestido, sério” falou Lily preocupada.
“O único problema dos seus vestidos é que... fica tudo apertado.”
“Só experimenta um que você goste. Se achar que ficou vulgar, você tira.”
“Minha mãe vai ficar chateada. Além disso, minha avó está esperando me ver e... eu não quero dar desgosto a ela, principalmente agora pelos problemas de saúde que ela passou.”
“Você que sabe. Se matar socialmente ou matar sua avó de desgosto.”
“Eu vou me matar socialmente.” Rose sempre teve grandes prioridades.
Ela realmente tinha ido com o vestido das mulheres Granger. O problema é que Rose não sabia ser uma piada. Ela se fazia de piada o tempo todo, pelo menos durantes as pequenas gravações que eu fui fazendo com minha câmera durante a cerimônia e a festa de formatura. Por isso, as pessoas não se importavam se ela estivesse com um vestido horroroso. Teve um momento que ela começou a dançar com Al uma música dos anos sessenta, fazendo uns movimentos característicos das danças da época. Nós três gargalhávamos muito.
Eu notei que eu sorria enquanto assistia a minha adolescência de novo. Não foi há tanto tempo, mas as coisas pareceram ter mudado tanto.
“Ei, Rose” eu estava filmando-a. Como estávamos na rua, não tinha muito barulho. Al e mais três amigos antigos nossos estavam a frente de nós dois, cantando bêbado uma música do Beatles. With a Little Help From My Friends. “Conte para a câmera sobre a carta que recebeu hoje.”
“Oi câmera do Scorpius” ela sorriu enquanto caminhávamos. “Hoje acordei com um e-mail da faculdade de Oxford. Fui aceita!”
“E você será...”
“Professora.”
“Por que isso?”
“Bem, eu gosto de me matar socialmente. Eu gosto de receber pouco dinheiro. Eu gosto também de ser desvalorizada. E eu gosto, não podemos esquecer, de ser tratada como lixo por alunos mal educados, que preferem achar que sabem de tudo e não dão nenhum crédito aos professores.”
“Foi uma boa resposta” eu ri.
“Falando sério. Eu tive uma professora na quarta série, eu acho que nunca vou esquecer o que ela fez por mim e pela turma. Você pode dizer o que quiser de professores, mas eles influenciam as pessoas e eu gostaria de ser o que sra. Hanks foi para mim. Acho que você nunca é nada sem um exemplo. E acredito que professores bons são capazes de inspirar. Eu gostaria de inspirar alguém.”
“Minha câmera está dormindo com esse discurso.”
“Bem, eu duvido que você veja daqui dez anos esse vídeo.”
“Ei, acha que ainda vamos estar nos falando daqui dez anos?”
“Não sei, mas vai ser estranho né? Não falar com você. Eu acho que não estou preparada pra me acostumar a isso.”
“Sei que sou legal. Mas você sobrevive. Quando vai se mudar para Oxford?”
“Logo. Pretendo fazer isso logo. Você vai ficar em Londres?”
“Obviamente. Quando terminar a faculdade, você tem que voltar pra cá.”
“É, talvez. Mas eu sou muito apegada aos meus pais, não sei se fico muito tempo longe deles. Posso passar alguns finais de semana, feriados e férias por aqui.”
“Então eu ainda verei sua cara feia por aqui.”
“Não vai se livrar de mim fácil. Ei, por que Sarah não vem com você pra casa do Jackson?”
Ela pegou a câmera para me filmar dessa vez.
“Porque eu não quero ela com a galera. Ela atrapalharia tudo.”
“Isso foi sincero.”
“E eu acho que quero pegar a Stacy ali. Ela ficou bem gostosa naquele vestido.”
“É” concordou Rose. “E ela não para de ficar te secando.”
“Sério? Ela falou alguma coisa pra você?”
“Mencionou. Vai lá falar com ela.”
“Tem como você filmar? Quero que eu daqui dez anos relembre como aplicava o dom do flerte na juventude.”
Mas Rose não me filmou, pois no momento que corri até Stacy, Rose colocou a câmera do outro lado para se filmar dizendo:
“Até parece que eu vou filmar você se preparando para quebrar o coração de uma garota, Scorpius. Você é meu melhor amigo, mas eu sou uma garota e meu direito é defender a importância delas. E... se você daqui dez anos continuar sendo um idiota com elas, eu provavelmente ainda estarei aí para puxar sua orelha. Então, por favor, para de ser idiota com elas. Porque, sinceramente, você é muito idiota. Mas acho que isso é normal. Você é garoto. Bem, de qualquer forma, vou só deixar um recadinho porque estou um pouco bêbada e... bem, caso a gente se distancie ou algo assim, queria só dizer que você foi um cara legal comigo. E... obrigada por não rir do meu vestido essa noite. Sei que provavelmente você vai rever essa fita e rir noites e dias... mas obrigada por ficar ao meu lado. E... se você encontrar a garota certa, que vai te fisgar e fazer você deixar de ser um canalha, eu tenho certeza que essa garota vai ser muito sortuda. Tchau!”
Quando a gravação terminou, eu não tinha reparado que os braços de Stephanie não estavam mais ao meu redor. Eu não tinha reparado que o sofá ao meu lado estava vazio.
Assustado por Stephanie ter saído e deixado a porta aberta, corri até o corredor do meu prédio. Mas ela provavelmente deveria ter saído dali fazia muito tempo.
Fui até o Três Vassouras. Naquela tarde, conversei com Rose. Foi uma conversa sobre como amar era egoísmo. Naquele momento tive a decisão de terminar com Stephanie. Mas quando a encontrei voltando para o apartamento que ela morava com Rose, as coisas saíram pelo inesperado.
Stephanie estava entrando no elevador, chorando.
– Stephanie – chamei, impedindo que ela entrasse no elevador. Mas Stephanie empurrou meu braço. – Ei, aquela foi só uma fita antiga. Por que saiu de repente?
– Sabe qual foi a minha parte preferida? – ela entrou no elevador quando a porta se abriu. Eu tive que segui-la. – Você dizendo sobre a garota que você tinha ficado na festa, essa tal de Parkinson. “Eu não quero ela com a galera. Atrapalharia tudo.”
– Ok, aquilo foi porque Parkinson era um pé no saco. Rose odiava ela. Não ache que isso se aplica a você.
– Rose me odeia. Querendo ou não, eu não sou aceita no grupo de vocês. Eu nem estou me esforçando para ser, porque sei que isso é chato, mas eu queria ser alguma coisa para você. Pelo menos.
– Você é.
– Eu sou uma distração. Uma garota que você conheceu no bar e foi para cama logo em seguida. Eu nunca vou chegar aos pés de Rose. Você tem gravações e fotos com ela desde quando eram adolescentes.
– Somos só amigos.
– Eu sei. Mas não é só isso o que você quer com ela.
– Rose não pensa em mim desse jeito.
– Termine logo comigo, Scorpius – mandou Stephanie.
Aquilo foi inesperado. Eu olhei para ela, sem entender.
– Só termine logo. Diga que você está terminando comigo porque está apaixonado pela sua melhor amiga.
– Eu não vou-
– Eu não quero saber que terminou comigo para voltar a galinhar por aí! Se você terminar comigo porque você quer ficar com Rose, eu vou entender. É impossível não entender, depois de ver uma fita dessas. Depois de ver como vocês ainda são um para o outro! É IMPOSSÍVEL EU FICAR ENTRE ISSO! Sabe, talvez nenhuma garota tivesse ficado muito tempo com você, porque a amizade que você tem com a Rose é completamente assustadora. Eu queria que ela gostasse de mim o tempo todo, que ela aceitasse nós dois. É intimidador.
Nós nos encaramos. Arrastei meu cabelo para trás, tentando pensar claramente.
– É... talvez devesse ir – eu disse. – Você só vai se machucar comigo.
– Não. Essa não é uma culpa sua, Scorpius. Você só não pegou a garota certa ainda. Porque quando pegar, vai querer fazer de tudo para nunca magoar ela. E você nunca se esforçou comigo. Tchau.
Ela foi embora, fechando a porta de seu apartamento logo em seguida. Fiquei mais tenso por ela ter falado todas aquelas coisas do que pelo fato de eu não ter conseguido falar mais nada para terminar com ela. Porque um alívio indescritível passou por mim quando eu a vi indo embora, sem jogar pragas ou chorando como se o mundo dela fosse acabar.
Talvez eu não fosse muita coisa para ela no final das contas.
Voltei para o Três Vassouras logo em seguida, um pouco ansioso demais. Não que eu... não que eu esperasse uma cena de filme acontecer e eu pegar Rose de surpresa com um beijo no meio do bar, mas queria falar com ela. Eu precisava.
– Eric, cadê a Rose? – perguntei a ele, quando não a encontrei em nenhum lugar. Não tinha quase ninguém que eu conhecia por lá hoje.
– Ela e Lily saíram falando alguma coisa sobre fazerem tatuagens juntas.
– Beleza. Valeu.
Voltei para o meu apartamento. Se Rose estava com Lily, provavelmente algum cara estava envolvido com ela. Eu não sei o que andava acontecendo ultimamente. Rose fazendo tatuagem, saindo todos os fins de semana para as baladas com Lily. Tudo bem, Rose estava solteira depois de três anos presa em um relacionamento fraco. E Lily era a moça mais independente que eu conhecia. As duas juntas, eu sabia, não era ignorada em nenhum lugar que fossem.
Fiquei terminando um trabalho no meu notebook, decidindo que falaria com Rose mais tarde. Em uma oportunidade melhor. Uma ou duas vezes me distraía pensando onde Rose faria a primeira tatuagem. E ri pensando nela chorando de dor com a agulha na pele sensível dela.
Meu celular tocou no momento que pensei como a boca dela devia ser ainda mais sensível. Era ela, pedindo um favor.
Naquela noite Lily tinha se envolvido com algumas drogas, mas por sorte Rose a tirou do lugar onde estavam antes que sua situação piorasse. A princípio só ajudei as duas, sem perguntar nada.
– Ela precisa um pouco de água no rosto – eu disse, quando a carregamos até meu apartamento. – Pegue as toalhas, eu vou levá-la até o chuveiro.
Rose estava tão agitada que fez imediatamente o que eu pedi. Levei Lily até o banheiro, enquanto ela se agarrava a mim, dizendo coisas sem nexo.
– Scorpius... você aqui?
– Você se deu bem mal agora hein, Lils? – liguei o chuveiro, encharquei minha mão e passei em seu rosto.
– Rose... garota... sortuda! Ela está super gostosa com aquela saia, você reparou?
– Eu-
– Ela quer impressionar alguém.
Rose entrou com as toalhas para enxugar Lily. Não era lá um momento apropriado, mas agora que Lily tinha mencionado, mesmo chapada, eu reparei que a saia de Rose estava mesmo mostrando boa parte de suas coxas e...
– Onde vocês estavam? – perguntei, só para ver o que ela responderia. Pensei em um cara aleatório comendo-a só por tê-la visto com essa saia. Eu odiava esse pensamento.
– Num estúdio de tatuagem. Tinha drogas lá, eu vi, Lily subiu com um cara e ele a dopou totalmente.
– Vai ficar tudo bem – eu disse ao perceber a cara dela. – Poderia ser pior. Ela poderia não estar com você naquele momento.
– Acha que devemos levá-la ao hospital?
– Não. Já vi coisas piores. Lily está bem. Se eu disser que quarenta por cento disso aí é encenação, acreditaria?
Deu certo. Rose deu uma risadinha, tentando não ficar mais preocupada. Olhamos para Lily na cama. A situação era estranhíssima.
– Ela não vai sair daí tão cedo. Desculpe.
– Ei, tudo bem. Ela pode passar a noite aqui, sem problemas. Vai ficar mais segura. Quer assistir a um filme enquanto isso? – fui perguntando, mas ela já estava caminhando até o sofá para se sentar de qualquer forma.
Primeiro sentei no outro sofá. Mas percebi que isso era ridículo, ficar afastado dela. Saí para pegar um copo de água, depois que voltei, ela bebeu um gole e eu sentei ao seu lado. Ela tinha tirado os saltos e colocado os pés no sofá, mordendo constantemente os lábios. Ela devia estar inconformada com a irresponsabilidade de Lily. Ela devia estar pensando em tudo, menos em me beijar. E, acredite, naquele momento, eu não queria outra coisa.
Estava um silêncio louco. Um silêncio do tipo ela não queria falar nada, eu não conseguia dizer nada, eu estava inconformado com o jeito que ela andava me fazendo sentir ultimamente. Se eu disse alguma coisa, eu faria alguma coisa idiota...
Eu queria fazer algo idiota. Eu não ia descansar direito sem experimentar isso.
Eu ia dizer alguma coisa... ia perguntar o que ela estava pensando, mas Rose murmurou piscando várias vezes:
– É melhor eu ir para a casa.
Não, não é.
– Você pode ficar aqui com ela.
Rose queria essa resposta, porque perguntou:
– Não vai te incomodar?
Nunca, pensei em dizer.
Mas decidi ser descontraído, espreguiçando-me:
– Eu estou acostumado com duas garotas na minha cama.
Ela me deu um soco de brincadeira na barriga, o que me fez por reflexo agarrar seus dedos. Eu dei uma risada nervosa, quando ela não afastou minha mão. Acho que teve até um entrelaçamento.
No momento que ela se aproximou de mim para me dar um beijo no rosto, eu disse “foda-se” e então mirei sua boca. Foda-se, eu dizia, beijando-a, sentindo sua mão direita tentando me empurrar. Só que ela abriu os lábios. Agarrei sua nuca, desejando ter todo o tempo do mundo para mostrar que eu sabia beijar deliciosamente bem e que ela merecia cada habilidade de transmitir algum prazer só com bocas e línguas.
Minha língua roçou seus dentes. Ela murmurou alguma coisa entre o beijo, acho que foi um gemido, devia ser, porque ela não me soltou. Percebi que a mão dela estava tentando ficar em algum lugar do meu corpo, e acabou pousando em meu peito. Beijei mais forte. Ela finalmente entendeu o que diabos estávamos fazendo e, por alguns segundos, amoleceu o corpo, deixando-o mais solto, e os lábios mais ágeis e rápidos também.
Minha única decepção era saber que eu já estava precisando de fôlego. Se eu parasse... se eu parasse, teríamos que encarar essa situação e eu não sabia o que diabos a gente podia dizer um para o outro.
Eu queria arrancar tudo ali, eu estava com calor, mas se pensei em ter Rose cavalgando em mim, Lily no meio não estava nos planos. Então tive que me afastar e ela foi rapidamente a primeira a dizer:
– Acho melhor eu ficar aqui mesmo.
Eu nunca tinha visto as sardinhas dela tão de perto. Minha boca ardia. Eu estava inteiro precisando de mais do que isso. Não fui capaz de dizer algo, acabei encostando a testa na dela.
– A Lily vai ficar assustada se acordar e ver que acordou no seu apartamento. Ela vai achar que vocês...
Ela ainda estava apertando minha camisa fortemente.
– Eu disse que você pode ficar – falei, olhando firmemente para ela. Eu quero que fique, porra.
– Eu prometi que não deixaria você me beijar – ela tentou se lamentar, mas não vi lá muita convicção.
Por isso sorri. Nos próximos cinco segundos, eu tentei fazê-la acreditar que aquilo foi puramente acidental e que não tenho tentado fazer isso há mais de... eu não sei há quanto tempo venho querendo isso. Mas tendo feito isso finalmente, eu queria outro de novo.
Mas talvez fosse muita informação para nós dois.
– Tá muito tarde. Estamos cansados. Talvez a gente devesse dormir.
– É, estamos ficando malucos – concordei, observando suas pernas expostas.
Rose me viu fazendo isso. Cruzou o braço. Fingi que não vi o mínimo sorriso que ela deu. Dava para perceber que não tinha como ignorar aquilo.
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