No Ritmo
39 Preparativos
Notas iniciais
~Quatro dias para o casamento~
Se empreguiçou ao escutar o despertador tocar uma sinfonia que a perturbava a semanas avisando que precisaria acordar para mais um dia de preparativos para o casamento que se aproximava de forma rápida e ruim como um caminhão desgovernado. Jogou o corpo para fora da cama e pegou o celular verificando se haviam mensagens ou chamadas perdidas, suspirou ao encontrar apenas frases de “Bom dia” vindas de seu noivo, decidiu nem ao menos responder e andou em direção ao banheiro a fim de fazer sua higiene matinal e por todas as ideias no lugar em que deveriam estar.
Três dias que falara com Felix para dar as notícias a Alya.
Três dias sem uma resposta.
E sem uma esperança.
Sentiu vontade de chorar e gritar mas prometeu a si mesma não fazer, demonstrar fraqueza não seria uma opção perante a Nathanael, com o passar dos dias e preparativos, Marinette descobriu ainda mais sobre o homem de cabelos vermelhos, ciumento e extremamente possessivo, evitando assim ficar a sós com o rapaz.
A bailarina soube que o ruivo sabia de suas intenções de não ficarem juntos no mesmo ambiente, tirando a conclusão que o mesmo se divertia com sua submissão, e de fato estava certa, Nathanael queria fazê-la pagar por todas as humilhações verbais e brutais.
Saiu em direção a cozinha devidamente vestida para mais um dia, seria a prova do buffet para a festa, sua mão iria acompanhá-la junto a Nathan...
—Não se importa de ir junto ao seu noivo não é? Terei que ir ao hospital, seu pai não passou bem esta noite.
Ou não, lá se foi seus planos de uma manha tranquila.
—Tudo bem mamãe.
Terminou o suco e buscou a bolsa tiracolo rosa e partiu ao escutar a buzina irritante do carro de seu noivo. O ruivo desceu do carro na intenção de abrir a porta para a futura esposa que não aceitou a gentileza batendo em sua mão e entrando sozinha, ele nada disse, soltou uma risada e contornou o carro pronto para dirigir.
—Sua mãe? -Perguntou curioso.
—Não vira, papai não passou bem esta noite.
—Entendo. -Pausa. -Sera apenas nós dois então.
—Não venha com ideias idiotas e nem tente nada.
—Nunca faria algo contra sua vontade.
—Que bom.
Pararam em frente a um restaurante após o pequeno dialogo.
—Não faça besteiras. -Advertiu o ruivo antes de sair para abrir a porta para a acompanhante.
—Não preciso que alguém fale como devo me comportar perante o publico.
—Então vamos, amorzinho.
Marinette rolou os olhos e segurou a mão do futuro marido, juntos caminharam até a entrada do restaurante onde um homem os aguardava com uma prancheta.
—Bom dia. -Cumprimentou o funcionário.
—Bom dia, ligamos alguns dias e fizemos uma reserva para a prova do buffet.
—Nome?
—Nathanael Kurtzberg.
—Aqui, sua mesa esta a espera, por aqui Sr e Sra Kurtzberg.
Marinette bufou baixinho ao escutar ser chamada pelo sobre nome do ruivo, sorriu falsamente para o atendente e o seguiram para o interior quase vazio, passaram por entre as mesas em direção a uma escadaria, subiram e ao pararem no topo se depararam com um salão médio, as paredes pintadas na cor pêssego ampliavam a parte de cima do restaurante, nas janelas cortinas carmim impediam a entrada do sol dando personalidade ao lugar, no centro, uma mesa redonda com duas cadeiras, frente a frente eram os únicos objetos vistos.
—Podem se sentar, os funcionários providenciarão os preparativos para a degustação.
—Obrigada. -Sorriu Marinette para o homem que puxava a cadeira para si.
—Estaremos esperando. -Intrometeu-se enciumado.
O funcionário fez uma leve reverencia e se retirou em direção ao lado oposto da escadaria, passando por uma porta a fechando logo em seguida.
—Vamos fazer, decida o buffet, tudo que sera servido de salgado fique por sua conta.
—E quanto a você Marinette?
—Algo nesse casamento tera que me agradar no dia, então deixe o bolo e as sobremesas por minha conta. -Sorriu debochada.
—Ainda terei a oportunidade de arrancar esse sorriso convencido do seu rosto.
—Tente e que saíra arrebentado e você.
Sorriu ao ver a expressão incrédula do rapaz em sua frente, minutos depois o som de rodinhas pode ser ouvido e pela mesma porta em que o atendente havia passado, uma garota trazia um carrinho de aço com três divisórias, em cada uma delas vários pratos cobertos para a prova.
—Aqui esta. -Com delicadeza depositou cada coisa em frente ao casal. -Os nomes dos pratos estarão em uma plaquinha, quando tirarem a tampa irão vê-la, anotem os nomes do que irão escolher nesse bloquinho e chamem quando acabarem. -Saiu.
—Vamos nessa então.
Marinette realmente se animou ao ver as comidas em sua frente, provou o que lhe agradou aos olhos, o mesmo fez Nathanael que por mais difícil que possa acreditar, escolheu os pratos que agradavam tanto a noiva quanto a ele mesmo.
—Estava ótimo. -Sorriu a mestiça.
—Como disse antes, os doces e com você.
Provou um por um e anotou os que mais gostou.
Crepe suzette, recheio de creme de avelã e calda de laranja.
Macarons para as crianças.
Enfornado de cerejas.
Petit gãteau.
—Realmente um perfeito paladar para doces. -Comentou o ruivo após escutar a lista feita pela garota.
—Obrigada, vamos agora?
—Sim, minha mãe mandou uma mensagem, parece que surgiu um imprevisto com seu vestido de noiva, vamos ao atelier agora.
—O.K. -Deu um longo suspiro para então segui-lo após entregar tudo ao homem que os atendeu primeiro.
Longos minutos se passaram, Nathan estacionou o carro em frente a boutique para noivas.
—Espere aqui. -Tentou Marinette.
—Entro com a senhorita e lhe espero la dentro.
—Hunf! -Resmungou.
As portas feitas de vidro davam o vislumbre para o lado de dentro, na vitrine alguns vestidos tanto para noivas como aniversariantes, sorriu para a mulher de cabelos pretos que a esperava próxima a um puff cor-de-rosa.
—O senhor espere aqui, dá azar ver a mulher vestida de noiva antes do casamento.
“Deixe entrar então, quanto mais azar melhor”-Marinette quis dizer, mas se contentou apenas em deixar para seus pensamentos o comentário maldoso.
—Vamos Marinette.
Acenou para a mulher já conhecida e juntas foram para a parte externa da loja.
—Ligaram avisando que algo ocorreu com o vestido. -Falou ao sentar-se em um banquinho, as portas estavam fechadas, apenas as duas conversavam em meio aos vestidos brancos.
—Na verdade é mentira. -A jovem que aparentava sua idade sorriu nervosa. -Um amigo meu ligou e pediu para que passa-se um recado para a senhorita.
—O que seria?
—Aqui. -Puxou o papel guardado no bolço onde havia anotado cada palavra.
—Por que não falou comigo diretamente?
—Pelo que pude entender, a senhorita anda meio afastada de todos, é pode ser perigoso que seu noivo escute.
—Entendo. -Segurou o bilhete entre os dedos o passou os olhos em cada linha. “Marinette, sabemos do casamento e como esta infeliz com isso, Alya ira a cerimonia junto de Nino, tiraremos você dai e revelaremos que é realmente Nathanael para todos, as provas estão sendo juntadas, aja naturalmente e nos espere, tudo será resolvido.” -Quem é essa pessoa?
—Pediram para não revelar, espere com calma e não faça nada precipitado, seu noivo não pode desconfiar.
—Por que está me ajudando?
—Apenas devolvendo um favor antigo. -Sorriu docemente.
—Obrigada Bridgette.
—Vamos antes que aquele ruivo fique mais vermelho que o próprio cabelo.
Ambas seguiram para o local de início e encontrando o rapaz sentando, digitava algo no celular enquanto a perna direita tremia em um tique nervoso.
—Até que enfim.
—Desculpe a demora.
—O que aconteceu?
—As medidas foram tiradas erradas, apenas fiz um ajustes. -Explicou a mais velha.
—Vamos Marinette, tenho assuntos a tratar.
—O.K, obrigada, nos vemos na última prova do vestido. -Acenou antes de ser puxada pelo braço para fora da loja. -Ei vai com calma. -Livrou-se da mão grosseira. -Se algo aconteceu, não desconte em mim.
—Vamos embora logo, não a quero de conversa com ninguém.
—Acha que vou te trair? -Desdenhou ao entrar no carro.
—Escuta aqui! -Segurou o rosto fino com a ponta dos dedos. -Eis minha noiva então trate de agir com tal, me obedeça, seu querido papai ira para a mesa de cirurgia depois do casamento, tenho negócios a resolver e quero você quietinha em casa.
Marinette bateu na mão do noivo que a largou sorrindo sadicamente.
—Não faça essa cara querida, te farei muito feliz.
Ela nada fez além de olhar pelo vidro do automóvel e deixar os pensamentos rolarem para outro lugar.
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