No Pain, no Gain

11 Você Pertence a Mim


Notas iniciais
Para começar, é nesse capítulo que fica o primeiro lemon. A propósito, ele não foi escrito por mim, mas pela minha amiga LucyCanon, que sabe o quanto eu sou inútil com lemons. Por favor, leiam a fic dela, o link está no meu perfil. Eu achei que não ia conseguir postar hoje porque minha internet deu a louca, mas está aí. E desculpem pelo capitulo gigante. Boa leitura.

Não é muito sensato levar o inimigo para um tur, como Heracles havia deixado claro, contudo não era possível manter Sadiq ali sem mostrar a ele ao menos as principais partes do navio. A argumentação do grego era que não precisavam manter seu primo ali e seria muito mais proveitoso atirá-lo ao mar. No fim, a maioria dos tripulantes concordava com a visão pouco gentil de Heracles e realmente teriam atirado Sadiq aos tubarões da Alemanha, não fosse por Kiku.

No navio, havia uma hierarquuia clara: No topo dela, estava Arthur, a quem todos temiam e admiravam. Em toda a história daquela tripulação, apena um motim havia sido organizado e havia sido tão eficiente e violentamente reprimido que nunca mais a autoridade do capitão fora contestada. Logo abaixo de Arthur, vinha Francis que, apesar da nacionalidade desprezada pelos ingleses, era obedecido. Em terceiro lurar e com igual importancia, estavam Gilbert, Antonio e Kiku. Na ausencia do capitão e dos outros, ninguém gostaria de desobedecer Kiku — tampouco Heracles, embora este não o fizesse apenas por não querer aborrecer o japonês.

E foi graças a isso que Sadiq tornou-se membro honorário da tripulação do capitão Kirkland. Como se o turco fosse um convidado, Kiku estava mostrando-lhe o mais importante do navio: As cozinhas, o lavatório e também a direção das áreas que o turco jamais devia aproximar-se caso não quisesse ter a cabeça cortada fora. Em dado momento do passeio, Heracles agastou-se da companhia dos dois e afastou-se sem dizer nada, o que deixou Kiku nervoso. Ele tentava a todo custo abreviar o tur, mas Sadiq não estava muito disposto a deixá-lo ir.

- Estou faminto, você ainda não me mostrou onde comer.

- Ah... Hai.

E Kiku levou-o ao refeitório, que àquela hora estava vazio exceto por um rapaz morendo que comia sozinho numa mesa ao fundo. O refeitório era um cômodo grande e um tanto cavernoso quando estava vazio, embora fosse sem dúvida mais tranquilo comer enquanto não havia uma q1uantidade absurda de homens barulhentos berrando e brigando por comida. O rapaz sentado na mesa dos fundos fez menção de levantar-se ao avistar Kiku e seu convidado, mas o japonês deteve-o erguendo a mão.

- Não se incomode, Gupta-san. — pediu — Por favor, Sadiq-san, sente-se com o Gupta-san enquanto eu providencio comida.

Kiku foi buscar algo na cozinha, satisfeito ao notar que ainda havia sopa do almoço. Graças aos ceús Gupta, o cozinheiro, costumava fazer muita comida. Ao voltar com a sopa em uma tigela, encontrou Sadiq perguntando a Gupta o que diabos era aquela coisa gosmenta que ele comia. Kiku suspirou. Diferente do primo tranquilo, o turco tinha uma personalidade animada, expansiva e difícil de se lidar, mais ou menos parecida com a personalidade de Gilbert, a quem todos tinham vontade de matar ao menos uma vez por dia.

- Não é uma coisa gosmenta. — Gupta respondia pacientemente — É uma receita egípcia.

- Você é egípcio? — Sadiq continuou, enérgico e animado — O lugar dos escaravelhos?

- Sim... Embora nós tenhamos mais que escaravelhos por lá.

O japonês observou os dois de longe. Qualquer outra pessoa estaria ofendida ou no mínimo irritada com Sadiq, mas não Gupsta. Era como se ele compreendesse que o turco era uma pessoa ofensiva, mas não o fazia de propósito, então não tinha importância. Eles podiam se dar bem, considerando como suas personalidades se encaixavam. Como se uma luz se acendesse, Kiku teve uma súbita inspiração que solucionaria todos os seus problemas de uma vez só.

- Gupta-san, espero que tenha se dado bem com o Sadiq-san.

- Oh, sim. — Gupta tornou a concentrar-se em tomar a própria sopa.

- Sadiq-san, este é o cozinheiro do navio, Gupta-san. — Kiku hesitou um segundo — Seu novo colega de quarto.

Ora, e por que não? No navio, apenas seis pessoas tinham cabines particulares: O capitão, Francis, Gilbert, Antonio — que então estava dividindo com Lovino -, Kiku — que dividia com Heracles — e Gupta, que ocupava o quarto ao lado da cozinha devido ao seu trabalho. Todos ali odiavam Sadiq antes mesmo de ter entrado em contato com a sua personalidade difícil de modo que seria muito imprudente colocá-lo no dormitório comum, porque não empurrá-lo então para o primeiro que parecia ligeiramente disposta a aceitá-lo?

- Perdão? — Gupta baixou a colher.

- Não há outro lugar. Não tem problema, tem?

- Nenhum, realmente.

Kiku tinha autoridade, mas não queria dizer que desse ordens com frequência. Não era bom nisso e a situação exigia uma saída estratégica.

- Mas... — Começou Sadiq — Eu vou ficar...

- Então! — Kiku interrompeu — Está decidido. Deixo você sob os cuidados do Gupta-san. Conto com você. Qualquer dúvida que tenha, pergunte a ele. Vou realizar algumas tarefas antes da volta do capitão, então com sua licença...

Na velocidade da luz, Kiku depositou a tigela de sopa na frente do turco e escapou do refeitório sem dar a nenhum dos dois a oportunidade de reclamar. Sentiu-se ligeiramente culpado por tomar aquela atitude, mas o estresse ofuscou sua culpa. Heracles havia estado com uma expressão aborrecida o dia inteiro e o fato dele ter se afastado de mau humor estava deixando Kiku preocupado. O japonês empurrou Gupta e Sadiq para o fundo do cérebro e deixou que seus pés o guiassem automaticamente para o próprio quarto.

Heracles estava lá, em sua própria cama, ddormindo de bruços e sem camisa. Kiku soltou uma pequena exclamação de surpresa. Heracles não devia estar tão braço, ou não estaria dormindo tão tranquila e profuntamente.

- Olá, Kiku.

Certo, talvez nem tão profundamente assim.

- Heracles-san! Perdão... Eu o acordei?

- Não estava dormindo.

Heracles cruzou os braços sobre o colchão e apoiou o queixo neles, algo que de algum modo deu ao grego a aparência de um gato sonolento. Um gato sonolento cujos olhos verdes escuros estavam cheios de acusação.

- Terminou o passeio?

A maioria das pessoas normalmente fala bastante e fica quieta quando está de mau humor. Heracles, sendo quieto o tempo todo, era o oposto. Estando irritado, ele se tornava menos sonolento e mais comunicativo, embora falasse sempre em um tom um tanto ácido.

- Por favor, Heracles-san, seja compreensivo e dê uma chance a ele, ele é da sua família.

- Você está sozinho há muito tempo — Heracles sacudiu a cabeça — Não tem como saber como funcionam as coisas em familias como a minha e tampouco meus problemas com o da barbicha.

- O Heracles-san havia dito que era um tipo de competição.

- Ele sempre queria tudo o que eu queria. — o grego confirmou — Eu não me importava, mas aqui não. Ele não vai pegar o que é meu agora.

Era estranho ver Heracles falando daquele jeito nada-sonolento. Kiku arrepiou-se com olhar intenso que o grego lhe lançava. Não era muito difícil imaginar à que Heracles podia estar se referidno quando dizia "o que é meu". De repente, o fato do grego estar sem camisa tornou-se incômodo, pois ele sentou-se com as pernas cruzadas em cima do colchão deixando o peitoral bem definido muito à vista. Kiku sentiu-se corar.

- Por favor, não fique muito próximo a ele. — pediu o grgo, muito sério.

- Heracles-san...

- Estou falando sério, Kiku. Não vou permitir que ele toque em você.

- O que q-quer dizer?

Heracles soltou um suspiro paciente, como um pai que tem que explicar algo muito simples a uma criança pequena. Sem dizer nada, pegou uma das mãos de Kiku e o trouxe para mais perto. Apanhado de surpresa, o jovem nipônico caiu no colo de Heracles. O maior não o deixou levantar-se, mas ajeitou-o de modo que ele ficasse sentado em suas pernas de frente para si. De olhos arregalados, Kiku parecia ter paralisado de surpresa e vergonha. Como se fizesse isso todos os dias, Heracles envolveu a cintura do japonês com as duas mãos para que não escapasse.

- Você vai ter que ficar como a babá daquele turco?

- N-Não... Eu o deixei s-sob os cuidados do Gupta-san. — Ele ficava tão adorável corado! Na verdade, Heracles o acharia adorável de qualquer jeito. — O... O que está fazendo, Heracles-san?

- Algo que já devia ter feito há um tempo... — E de um jeito muito felino, umedeceu os lábios com a língua.

Kiku sentiu estremecer, e um milésimo de segundo depois seus lábios puderam sentir a umidade labial do outro, e como valera a pena esperar que ele os preparasse daquela forma. Podiam estar quentes, mas não sossegavam o japonês que estava completamente travado pela timidez. Ainda bem que, apesar de querer que o espadachim participasse um pouco mais, vê-lo daquele jeito era realmente formidável. Deu algumas risadinhas e mordeu o omnto descoberto do menor, mais travesso impossível.

- Você devia se acalmar um pouco — disse Heracles, um tanto cômico para sua sonolência comum. Ele se referia aos batimentos acelerados do outro.

- P-perdão, mas é que... — o grego não esperou o menor terminar para lamber a orelha e desconcentrar o japonês enquanto tentava falar — A-ah!

- Você tem muitos pontos sensíveis... — "Me escute enquanto eu falo!" foi o que Kiku pensou, antes de notar que o timonoreiro retirava o resto de tecido que cobria o tronco de seu corpo — O que houve, Kiku?

- Não estamos sozinhos aqui, está lembrado? E-eu não vou con-conseguir me manter calado se o senhor continuar a... Aaah... — Heracles interrompeu de novo tocando os botões rosados e rijos no peito do japonês.

- Sadiq provavelmente está ocupado com Gupta e o restante da tripulação está fora ou ocupada demais para nos procurar... Então quer dizer que você vai poder gritar o quanto quiser.

- Heracles fez questão de dizer tudo olhando diretamente nos olhos dele, com aquele brilho oculto no tom da fala que deixou o pobre Kiku mais nervoso ainda. Será que finalmente poderiam continuar?

Prosseguiu com a ação de tocar os mamilos do homem com o objetivo de poder arrancar mais gemidos adoráveis dos cantos mais profundos de dentro da garganta dele. Embora Kiku fosse sempre o mais calmo e mais sereno de todos ali normalmente, impondo respeito sobre os demais, ele não conseguia manter a sanidade enquanto tinha um grego para lhe arrancar aquela máscara branda de calmaria com beijos no peito. Tentava ser o menos escandaloso possível, tendo um ponto sensível sugado com força. Só para testar até onde ele aguentaria, Heracles passou a mordiscá-los enquanto usava as mãos para aproximar o baixo-ventre rijo de Kiku do seu.

- Pelo visto, você está gostando tanto quanto eu. — Pelo amor de Deus, ele não parava de sorrir? Podia derreter-se inteiro só de vê-lo o fazendo.

Kiku não conseguia falar. Seu primeiro impulso foi refugiar-se nos ombros largos do timoneiro, segurando os espasmos musculares que ainda estavam bem fracos se comparados aos que viriam. Rapidamente, Heracles abriu as calças e liberou a ereção que estava apersada, expondoa extensão para perto da elevação do ventre de Kiku, fazendo com que elas roçassem uma na outra quando mexessem os quadris.

O japonês reprimiu os lábios contendo-se para não gritar com o excesso de contato. Uma das mãos de Heracles garantiam que seus sexos estivessem colados, compartilhando na masturbação por conta somente do grego.

- Você não quer me ajudar... ? — sussurrou Heracles, a respiração bem perto do pescoço e os lábios acariciando a pele do local.

Aceitando a sugestão, os dedos japoneses caminharam timidamente para trabalhar em conjunto com os dele. E a máscara calma já havia quebrado há muiot tempo, porém a honra masculina de Kiku Honda não o deixaria gemer descontroladamente, não ainda. Não se daria ao luxo de se entregar tão rápido, afinal um espadachim não se rende à simples carícias — ou talvez não tão simples. — mas Heracles era bom demais. Com os dedos juntando-se aos dele para repetir o movimento de subir e descer por todo o sexo já molhado de líquido pré-seminal. Contraía os lábios, mordia-os como castigo por estar começando a se entregar. Os olhos do grego fitavam a expressão dolorosa e a mão livre foi até os lábios machucados impedindo que Kiku os flagelasse a ponto de fazer uma ferida feia.

- Se quer morder alguma coisa, morda meu dedo — sugeriu ele no tom costumeiro, mas em forma de sussurro, deixando a frase 6 vezes mais sensual do que deveria ser. Kiku estava enlouquecendo.

Kiku Honada nunca pensou em sexo ou sexualidade na vida antes de conhecer o grego. Na verdade, sempre fora o rapaz mais puritano da família, quando tinha uma. Nunca tocou em mulher alguma ou foi tocado. Sexo era um assunto proibido, vulgar. Nem abraços, beijos ou apertos de mão, qualquer tipo de contato físico era severamente rejeitado com um golpe de boken. Mas desde que se juntara à tripulação do capitão Kirkland, Kiku teve de se acostumar com os abraços repentindos e as cochiladas de seu amigo Heracle, que usava suas pernas como travesseiro sempre que podia. O cheiro dele passou a impregnar algumas de suas roupas, despertando um tipo inoportuno de desejo. E então, sendo tocado tão intimamente, não estava conseguindo se segurar, tendo que mordiscar o dedo indicador enquanto o prazer reprimido transbordava pelos olhos e segundos depois pelo sexo, gozando da contração mais forte do primeiro orgasmo de toda a sua vida.

Maravilhado com o rosto exausto do menor, Heracles riu de leve e o beijou, acariciando o lábio ferido como forma de apaziguar a dor.

- C-como o senhor consegue ser tão bom nisso... ? — ofegou o japonês com os olhos opacos de êxtase.

- É que lá na Grécia a gente faz muito sexo... — E Kiku despertou ultrajado enquanto Heracles o levantava pelos quadris para ajeitá-lo para a próxima fase. Depois riu com a reação engraçada do menor — Calma, lá é suave. — E beijou o pomo-de-adão pouco visível do outro, mirando na preciosa entrada deste.

Kiku não fazia ideia de como funcionava uma relação entre dois homens. Descobriu da pior maneira — Heracles forçou a penetração sem avisar, desencadeando uma onda de desespero que o fez gritar. Instantaneamente agarrou os cabelos morenos e bagunçados com a sensação de violação vinda de baixo, violação mais dolorosa que já sentira na vida.

- H-Heracles-san, devagar! Ah... O que vocês está fazendo? — gemeu — Isso dói.

- Só estou fazendo com que seja meu. — E forçou mais um pouco ficando inteiro dentro do japonês, fazendo com que gritasse mais alto e depois virou o rosto dele para si, lambendo seus lábios primeiro para depois tomá-los — Olhe para mim enquanto nos tornamos um só. Quero poder ter seu olhar quando eu te possuir, bem devagar.

Uma onda de excitação correu a espinha do mais baixo. A língua alvoroçada de Heracles procurou a boca do espadachim e o invadiu duplamente usando as mãos para ajudar Kiku, segurando-o pela cintura. E o fato de estar sendo preenchido pela luxúria o libertou da recatação, jogando de lado toda a sua honra e respeito para gritar o nome do seu invasor enlouquecidamente dentro daquele pequeno quartinho. Dane-se caso Sadiq ou Gupta escutem. Ele estava provando da sensação de ser tomado com volúpia pelo grego que inconscientemente desejava. Aos poucos, o incômodo se tornou prazer, causando mais calafrios internos.

- Está bom? — perguntou Heracles, em grego, sabendo que Kiku entenderia aquela pergunta.

- Ha... haai... — respondeu o japonês, em tom de delírio.

Estava certo de que Kiku Honda já estava completamente fora de si. Ao decorrer da penetração, o menor sugava o ar com a boca, os olhos marejados escorrendo lágrimas e molhando o rosto inteiro. Heracles não parecia satisfeito em tomá-lo naquela posição então empurrou rapidamente o corpo de Kiku contra a parede, pressionando com mais força os quadris com estocadas carregadas de desejo acumulado. Tudo bem se sua coluna doesse um pouco por causa do desconforto, os espasmos faziam valer cada segundo.

O grego teve que trazer o seu rosto na direção do dele novamente, pois ao passar dos minutos o japonês já estava de olhos fechados de novo, vermelho como uma pimenta. Fitou bem as orbes escuras que lutavam para manter-se abertas.

- Diga que é meu. Por favor. Diga.

- Eu... — Kiku foi interrompido por uma investida mais intensa que o fez gemer alto — S-sou só seu... Ah, Heracles-san...

E beijaram-se. As línguas dançando juntas em perfeita sincronia uma com a outra. Antes que chegasse ao ápice o ativo segurou as duas mãos de seu parceiro contra a parede e despejou todo o orgasmo numa ultima estocada violenta que arrancou um grito extenso e uma contração muscular do japonês, e foi o bastante para esgotá-lo.

Exaurido, Kiku deixou-se cair de qualquer jeito no colchão fino. O fato de estar desnudo e de ter falado coisas tão constrangedoras não importava, pois estava cansado demais para ligar. De fato, Kiku só teve tempo de sentir os lábios de Heracles depositando um beijo em sua testa e ouví-lo sussurrar algo em sua própria língua antes de cair na inconsciência ali mesmo nos braços do grego.

Para alguém perceptivo, o clima na sala estava tenso. Para alguém normal, no mínimo desconfortável. Para os heróis dessa história estava tudo muito bem, obrigado, o que faz com que certas pessoas se perguntem se não é melhor escrever sobre homens mais inteligentes. Na típica sala de estar cirurgicamente limpa alemã, todos preparavam-se para tomar chá. Antonio ocupava o sofá ao lado de Feliciano que estava agarrado ao braço de seu irmão mais velho com um sorriso satisfeito no rosto. Gilbert e Francis ocupavam o sofá menor. E o irmão mais novo de Gilbert, Ludwig — que não era nada parecido com o Gilbert 2.0 que Lovino havia imaginado, mas um homem de aparência austera — estava servindo chá para todos. Nem Gilbert, nem Antonio e tampouco Feliciano pareciam estar notando o nervosismo de Ludwig e tampouco as ondas de puro ódio que emanavam de Lovino.

O silêncio estava ficando quase insuportável — Antonio olhando para Feliciano e Lovino com expressão abobada, Francis aparentando alguma impaciencia, Gilbert largado de maneira má educada, Ludwig tenso — até que alguém finalmente resolveu quebrá-lo:

- Feliciano... O que diabos você está fazendo na Alemanha?

- Ah... — Feliciano sorriu — É que ficou muito solitário lá em casa depois que o fratello foi embora, então eu vim morar com o Lud, veh~

- NÃO MUDE DE PAÍS SÓ PORQUE ESTÁ SE SENTINDO SOZINHO, MALDIÇÃO!

- Aaah, não grite, fratello! — na velocidade da luz, os olhos de Feliciano encheram-se de lágrimas — O papà estava sempre ocupado e eu ficava sozinho... Não tem problema ficar aqui, tem, Lud?

- N-não realmente. — Ludwig desviou o rosto, deixando claro que não queria participar da conversa. — De... De fato, você me ajuda as vezes.

- Viu? Eu não estou incomodando, eu até ajudo!

- Você está fazendo meu irmão de escravo, seu bastardo das batadas!? — berrou Lovino levantando.

- Não. — Ludwig suspirou. — Mas antes disso, onde você esteve durante os ultimos meses? Eu precisei de duas semanas até que o Feliciano parasse de chorar depois que você foi embora. E por que está andando com uma pessoa suspeita como o meu irmão?

- Ei! — reclamou Gilbert.

- Isso não é da sua conta, é? — Retrucou Lovino com maus modos.

- Mas não importa. — Feliciano interveio — Porque o fratello voltou, cierto? Você vai ficar, não vai fratello.

Feliciano direcionou um olhar cheio de esperança ao irmão mais velho, o que fez Lovino parar de rosnar para Ludwig. Ele encarou o irmão que estava pendurado em seu braço e fez uma coisa que surpreendeu a todos: Sorriu. Ninguém ali tinha visto Lovino sorrir sequer uma vez desde que havia posto os pés no navio, mas lá estava ele abrindo um sorriso pequeno, mas maduro para o outro italiano e passou a mão pelos cabelos dele.

- Não. Eu não vou voltar. — respondeu. — Existe um momento em que um homem precisa sair de casa. Você parece ter se virado bem sem mim, mesmo que seja com aquele idiota... Tsc, eu devia ter desconfiado, só poderia ser mesmo irmão do doido do Gilbert...

- Ei, nós estamos ouvindo!

Por um instante, pareceu que Feliciano ia começar a chorar outra vez. Era bizarro descobrir que existia alguém no mundo que chorava com mais facilidade que Lovino. Mas então o mais novo dos italianos enxugou as lágrimas e virou-se para Antonio que estava sentado ao seu lado:

- Então... O senhor é o chefe do fratello?

- Eh? Ah... Sim, sou. — respondeu Antonio surpreso.

- Nesse caso... — Feliciano agarrou as mãos do espanhol — Cuide bem do meu fratello, por favor!

- Feliciano... — Lovino murmurou.

Antonio abriu a boca para responder seriamente, se esforçando a ponto de ficar vermelho... Mas então não resistiu. Soltando uma exclamação feliz em espanhol atirou os braços ao redor de Feliciano acabando com qualquer clima sério.

- Hyaaaa! Que coisa mais fofa! Como você pode fugir de casa tendo um irmão tão fofo como este, Lovii? — perguntou Antonio.

- Aahahahaha... Espere, irmão Antonio... Isso faz cócegas.

Francis, Ludwig e Gilbert só puderam suspirar de desgosto. Você percebe que é o maior idiota dos idiotas quando até Gilbert sente desgosto ao olhar para a sua idiotice.

Lovino, contudo, solto um suspiro em tom diferente. Todos olharam para ele quando ele levantou-se.

- Fratello?

- Eu vou voltar para o navio. — respondeu Lovino sem olhar para ninguém na sala. — Se o capitão chegar e procurar por vocês, vai ficar bravo, eu não quero ser castigado também. Fiquem aí e eu dou cobertura a vocês.

- Mas você chora toda vez que tem que falar com o capitão sem o Antonio. — Gilbert observou.

- Cala a boca, doido da batata 2. Eu estou indo. Feliciano.. Diga ao papà Vargas que eu estou bem. Eu estou indo.

Sem deixar que alguém dissesse mais nada, Lovino deixou a sala. Antonio e Feliciano observaram o italiano afastar-se, ambos de boca aberta como se não entendessem o que havia acabado de se passar. Francis bufou alto, sentindo que estava cercado de gente burra. Primeiro Arthur e agora Antonio. Será que ele precisava resolver tudo naquela confusão?

- O que você está fazendo, Antonio? — perguntou impaciente. — Vá atrás dele. Você é ou não o responsável por ele?

- Ah... — Antonio levantou-se. — Certo. Foi um prazer, Feli, espero ver você outa vez. E obrigada, pelo chá, Lud!

- Lud. — repetiu o alemão vendo Antonio sair correndo. — De alguma forma, quando não é o Feliciano que fala, parece que estão zombando de mim.

- Nós estamos, Ludie. — comentou Gilbert erguendo a xícara de chá como se fizesse um brinde.

Antonio não encontrou Lovino em lugar nenhum, então teve de voltar para o navio que estava ancorado numa praia realmente longe. Queria saber como diabos Lovino havia chegado lá tão rápido: Ele fora correndo? Voando? Teletransportou-se? O espanhol teve que revirar todo o navio procurando pelo pupilo sem que ninguém o tivesse visto até que encontrou Kiku, que estava com o lábio inchado e algumas marcas estranhas no pescoço, e este lhe disse que havia visto Lovino correndo para o quarto. Quando Antonio lhe perguntou sobre as marcas em sua pele, o japonês começou a gaguejar muito e disse alguma coisa sobre ajudar Gupta com o jantar antes de sair correndo. Antonio não prestou atenção a isso e encaminhou-se para o quarto, perguntando-se por que não pensara em pocurar lá antes.

Lovino estava em sua cama encolhido, abraçando os joelhos e com o rosto enterrado nos braços. Antonio teve 90% de certeza de que ele estava chorando.

- Lovi... Tudo bem?

- O que você está fazendo aqui, bastardo? — perguntou o italiano com a voz embargada, sem erguer o rosto. — Por que não ficou na casa do doido das batatas com o Feliciano e os outros?

- Porque estava preocupado com você. — respondeu Antonio indo sentar-se ao lado do pupilo — Você parece gostar muito do seu irmão.

- É claro que eu gosto! Ele é meu único irmão, droga.

- Então... Por que fugiu de casa, Lovi?

- Porque... — Lovino ergueu o rosto, hesitante. Ele corou e falou para os próprios joelhos: — Eu não queria odiar o Feliciano... Ele é o preferido do nosso pai... E de todo mundo, a propósito. Eu não era um bom irmão mais velho, então decidi que ele ficaria melhor sem mim. Desculpe por ser um irmão inútil, maldição. — Lovino apertou os braços ao redor dos joelhos e cerrou os olhos — Eu sei que o Feliciano é melhor que eu, não preciso que me lembrem disso.... Merda!

Foi como Antonio percebeu o que estava se passando. O problema de Lovino era um complexo de inferioridade enorme e o espanhol havia trazido aquilo à tona enquanto ficava com o irmão mais novo. Então Lovino sentiu a mão de Antonio agarrando seu pulso e puxando-o, fazendo soltar os joelhos e cair no colo do espanhol. De olhos arregalados, sentiu seu rosto ser apertado contra o ombro do mais velho enquanto ele o abraçava forte, uma mão em sua nuca e a outra em sua cintura, garantindo total proximidade entre os corpos. Lovino podia sentir os batimentos cardíacos do seu chefe.

- Eu prefiro assim. — Antonio falou, baixinho. — Eu gosto que o Feli seja fofo e que todos gostem dele.

- O... O que você pensa que está dizendo, maldito?

- Porque — continuou como se não tivesse ouvido a interrupção — eu quero ser o único a ver o quanto você é fofo e perfeito. Não aceito dividir o meu Lovino com mais ninguém.

Lovino sentiu a própria pulsação acelerar e o rosto ficar quente. O que aquele idiota estava pensando?!

- A-Antonio. Não diga essas coisas estranhas.

- Não são coisas estranhas, é como eu me sinto. — apertou mais ainda o abraço — Mesmo que o Feli seja fofo, doce e fácil de lidar, eu ainda escolheria você, porque é você a pessoa mais importante para mim. Desculpe por fazer você chorar, Lovi. Eu falhei como chefe.

- I-idiota. — Respondeu Lovino, fechando os olhos e acomodando-se melhor nos braços do espanhol.

Antonio sorriu consigo mesmo e plantou um beijo na testa do rapaz. Lovino ergueu o rosto para olhar o espanhol, com as bochechas coradas de vergonha e expressão aborrecida. Era reconfortante demais estar nos braços de Antonio e ter os olhos brilhantes e quase infantis olhando-o com carinho. Foi quando Lovino percebeu o quão próximos os rostos de ambos estavam. O suficiente para sentirem a respiração um do outro... Lovino sentiu borboletas voando em seu estômago. O que era aquela sensação?

- Lovi...

Antonio aproximou mais e mais o rosto até que os narizes se tocaram. Quando isto aconteceu...

SLAM. Alguém abriu a porta com tudo.

- Antoniooo! Onde você se enfiou? O capitão está... — Alfred interrompeu-se ao ver Lovino jogado em cima do espanhol... na cama. — Ooopa... Má hora, né? Ahahaha... Não se incomodem comigo, continuem o que estavam fazendo, vou dizer ao capitão que vocês estavam ocupados.

E o americano saiu do quarto fechando a porta atrás de si. Houve um segundo de silencio em que Antonio abriu um sorriso sem graça e olhou para Lovino como se esperasse uma explosão.

- Erm... Lovi? Tudo bem?

- ANTONIO, SEU VELHO TARADO!!

A partir de agora, cenas censuradas por conter muita violência. Por favor, não maltrate seu espanhol.

Notas finais
Naquela manhã na Alemanha:
Alfred: Meu Sentido Pornô está apitando.
Arthur: Seu... O que? Que tipo de poder bizarro é esse?
Alfred: Quer dizer que tem algum casal fazendo bobagem no navio. Eu diria que... Er... O Kiku e o Heracles.
Arthur: Mas antes de nós? Nós somos o casal principal, será que alguém lembra!?
Alfred: Pois é, se eu fosse o seme, não estaria demorando tanto...
Naquela tarde no navio:
Alfred: Eeei está apitando, está apitando! O Lovino e o Antonio estão prestes a fazer algo.
Arthur: Mas que pouca vergonha nesse navio! Duas vezes no mesmo capítulo! Não permito! Alfred! Vá lá interromper, agora.
Então é por isso que Lovi e Antonio não puderam avançar sua relação. É tudo culpa da bicha invejosa e mal comida do Arthur.