No Pain, no Gain

7 Turcos Aleatórios


Notas iniciais
Esse capítulo ficou tão estúpido que me deu vontade de chorar. Ele tinha ficado mais legal na minha cabeça. Essa semana foi corrida demais para a minha cabeça. Vocês quase ficaram sem capítulo hoje. Por favor, não me abandonem... Eu prometo um melhor na semana que vem.

Lovino não dormiu direito. Aquela era a primeira vez em sua vida que dormia sozinho. Havia morado a vida inteira com o irmão e o pai, sendo que sua mãe havia morrido ao dar seu irmão mais novo à luz. Desde que se lembrava, dividia o quarto com o irmão mais novo. Aos dezesseis anos, mesmo depois de fugir de casa e buscar refúgio num navio pirata, Lovino foi instalado nos aposentos de Antonio e os dois passaram a ser colegas de quarto. Lovino estava acostumado a passar muito tempo ao lado de Antonio, mesmo estando sempre reclamando e insultando o seu — por falta de termo melhor — chefe, ele não gostava do quanto o quarto ficava silencioso sem o espanhol.

O sol mal tinha nascido quando o italiano ouviu alguma agitação na parte superior do navio. Sem pensar muito, levantou e deixou o quarto. Estava acostumado com o balanço do oceano, mas por algum motivo se sentia enjoado àquela manhã. Enquanto subia as escadas para o convés, ia ensaiando um discurso furioso no qual repreendia Antonio por demorar tanto num saque que o próprio espanhol havia garantido ser fácil.

Tal como Lovino suspeitava, a agitação vinha dos tripulantes que retornavam depois de atacar alguns navios franceses.O primeiro que Lovino avistou foi Gilbert. Seu estômago deu uma volta completa e ela não estava relacionada ao sangue nas roupas do germânico, mas a sua expressão. Pela primeira vez desde que o havia conhecido, Gilbert não tinha um sorriso maniacamente confiante no rosto, mas uma expressão assustadoramete séria.

- O que aconteceu? O saque deu errado? — perguntou.

- Claro que não. — Gilbert pareceu ofendido. — Acabamos com eles e acho que o Francis pôs fogo no navio antes de sairmos.

- Cierto. — Lovino respirou fundo. — Cadê a droga do Antonio?

- Ah... — Gilbert hesitou — Não pergunte para mim, garoto, vá procurar.

E afastou-se como se não quisesse ter mais nada a ver com aquilo.

O estômago de Lovino afundou alguns centímetros. Ele atravessou a horda de ingleses que passava provavelmente procurando algum tratamento para as feridas, comida ou mesmo as redes no andar de baixo onde poderiam descansar depois da árdua batalha. Nenhum prestou atenção a Lovino. Uma coisa que o italiano sempre estranhara era o fato de que nenhum dos ingleses lhe perturbava... Embora eles não parassem de provocar Alfred e alguns rapazes mais jovens que pareciam ser novatos na tripulação, nenhum deles mexia com Lovino... Ele perguntava-se porquê.

E então Lovino viu algo que apagou qualquer divagação aleatória que pudesse estar em sua cabeça: Francis vinha andando mais lentamente que o normal, pois apoiado em seus ombros, vinha um semi-consciente Antonio. Ele caminhava como se cada passo custasse um esforço inumado. Suas roupas estavam sujas de sangue, especialmente do lado direito do tronco: Ali uma mancha vermelha espalhava-se pela lateral da camisa tão escura que parecia que alguém havia jogado um balde de sangue ali. E, de repente, Lovino estava correndo na direção do chefe sentindo lágrimas aflorarem nos olhos mais rápido do que podia contê-las.

- Antonio! Antonio! Antonio!

- Ah, Lovi. — Antonio sorriu fracamente.

- Nada de Lovi! — exclamou o italiano — O que merda aconteceu com você, seu idiota?

- Hmm... Você anda aprendendo algumas palavras feias desde que veio pra cá, não é? — Antonio franziu a testa, insatisfeito.

- Não, não. — Francis intrometeu-se — Ele já era um pirralho boca porca antes de vir pra cá. De qualquer forma, esse idiota tentou lutar contra uns três franceses ao mesmo tempo. Cuide dele, certo?

Lovino encolheu-se. Por algum motivo, não tinha muita confiança em Francis. Mesmo assim, passou um braço pela cintura de Antonio — que pareceu sinceramente chocado com isso — e tomou o lugar do francês na tarefa de apoio do espanhol. Para alguém que tinha perdido tanto sangue, Antonio ainda era perfeitamente capaz de corar e abrir um sorriso extasiado, para desespero de Lovino.

Enquanto se dirigiam para a cabine, passaram por Alfred que tinha acabado de ser solto. O americano olhou de boca aberta — e sem disfarces — para o ferimento de Antonio. Alfred estava simplesmente fascinado com a quantidade de feridos que uma batalha de verdade poderia ter e perguntou a si mesmo o que aconteceria com todas aquelas roupas sujas de sangue: Seriam jogadas fora ou um certo escravo seria obrigado a lavá-las?

Localizou quem estivera procurando desde que um tripulante o libertara do quarto. Ele estava ao lado de Heracles no timão, de braços cruzados e expressão de poucos amigos. Alfred se dirigiu imediatamente para lá.

-Deu errado? — perguntou.

- Mas é claro que não. — Arthur respondeu, sem parecer ter consciência de com quem estava falando. — Devastamos os bastardos. Mas tivemos baixas.

- Hmmm.

Alfred encarou o capitão. Por mais que odiasse aquela pessoa por mantê-lo prisioneiro, gostava dos olhos de Arthur: Eram de um verde único que passava a impressão de que havia uma tempestade por trás das íris. Naquele instante, os olhos de Arthur estavam completamente distantes dali, as sobrancelhas franzidas de frustração como se estivesse lutando contra um problema demasiado insolúvel. No timão, Heracles parecia estar dormindo de olhos abertos, então não dava atenção nem ao inglês e nem a Alfred ali parado examinando Arthur. Como sempre, o americano estava acompanhado de seu esfregão, em que se apoiava. E então...

- Sangue.

- Huh? — Arthur pareceu despertar de um devaneio.

- O seu lábio está sangrando. — Alfred apontou com a ponta do esfregão. — Não lamba, ou vai arder.

- E por que motivo você está olhando para minha boca?

- Porque está sangrando. — Alfred insistiu. — Quando eu era menor, caí de cima da mesa e cortei o lábio também, então o meu irmão...

- Acredite, eu já tive ferimentos piores que um corte no lábio. — Arthur bufou.

Alfred abriu a boca para responder, mas foi interrompido:

- Arthur! — exclamou Francis do andar de baixo. — Temos companhia.

Com a expressão ainda carrancuda, Arthur olhou na direção que Francis apontava... E viu um navio. Um navio que em nada se parecia com os da marinha inglesa e tampouco tinha a bandeira de algum país. Um navio que estava perigosamente próximo. Francis aproximou-se com uma expressão preocupada.

- Merda. — exclamou Arthur.

- Não reconheço aquela embarcação. — Francis falou — Podem ser inimigos.

- Aah, pode ser apenas um navio de passagem. — comentou Alfred e foi prontamente ignorando.

- Se nos atacarem agora, estamos perdidos. — Arthu correu os dedos pelos cabelos. — Metade da tripulação está ferida e cansada da noite em claro lutando.

- Devemos fugir?

- Fugir? — Arthur repetiu a palavra com nojo. — Mesmo que fôssemos, eles nos alcançariam. A essa distância, uma fuga seria inútil.

- E então?

Arthur tornou a olhar para o navio, que estava quase emparelhando. Então arregalou os olhos.

- Pirralho... Você volta para o seu quarto. Agora.

- O que?

Um ruído de explosão tão alto que o navio inteiro tremeu. Um canhão havia sido disparado contra eles.

- Merda. — Arthur berrou para o resto do navio: — Homens! Às armas!

Foi um pândemonio. Grande parte dos homens estava ferida e sonolenta e não parecia ter ideia alguma do que podia estar acontecendo. Então aconteceu: Turcos. Dezenas de turcos pareceram brotar do navio inimigo, todos empunhando armas e com sede de sangue. Foi quando Arthur soube que estavam completamente perdidos.
Arthur, Francis e — até mesmo — Heracles correram para o andar de baixo numa tentativa desesperada de proteger os feridos. Uma luta começou e Alfred continuou parado ao lado do timão segurando aquele que lhe fazia companhia durante vinte e quatro horas por dia: o esfregão.

Parecia mais que estúpido, indigno, ficar ali parado enquanto uma luta ocorria no convés. Alfred estava perguntando a si mesmo o que faria a seguir quando algo chamou a sua atenção: Um turco havia subido até ali. Segurando uma espada tão grande quanto a canela de Alfred. A única coisa que o americano conseguiu pensar foi "droga".

Alfred F. Jones era um herói, contudo. Recusava-se a recuar. Com um suspiro, pensou que talvez fosse possível enfrentar aquele turco apenas com os punhos... É claro. Tudo de que precisava era sua força, velocidade para desviar dos golpes da espada e sorte. Muita sorte.

Mais sorte do que qualquer ser humano tinha.

O turco sorriu sadicamente para Alfred e disse algo em sua língua nativa. Alfred não tinha a menor ideia do que significava, mas pareceu ofensivo. Turco não era a língua mais suave do mundo. Alfred se pôs em posição de luta com os punhos cerrados, pronto para evitar ter uma espada enfiada bem entre suas costelas. O turco investiu contra a guarda do americano, que não era a mais segura do mundo.

- ALFRED!

Bem quando a lâmina estava prestes a cortar na altura do estômago do americano, outra espada entrou em seu caminho bloqueando-a. Arthur.

- O que você pensa que está fazendo, seu imbecil? — Arthur colocou-se em guarda na frente de Alfred — Eu mandei voltar para o quarto!

- Você... Você me chamou de Alfred! Não de pirralho ou de babuíno americano!

Arthur não respondeu, mas investiu contra o turco. As lâminas colidiram no ar com tamanha força que Alfred admirou-se delas não produzirem faíscas. Tal como o americano tinha imaginado, a postura de Arthur era perfeita. Cada vez que golpeava o turco, parecia que aproximava-o mais ainda a beira do barco. As opções do inimigo eram lutar até cansar e ser perfurado por uma lâmina ou se deixar empurrar e cair em mar aberto. A luta já estava decidida... Até o aparecimento de um segundo turco.

Dois contra um! Alfred nunca vira algo tão indigno! Arthur mal defendia um golpe de um lado e já tinha que desviar de outro, enquanto no andar de baixo do convés os ingleses estavam sendo massacrados. Parecia ser o fim. Furioso, Arthur redobrou o esforço. Seria possível que um bando de piratas aleatórios que os atacavam sem motivo iam acabar com a melhor tripulação a serviço da Inglaterra? Depois de tantos anos de batalha, aquele era o fim?

E então um ardor súbito veio da lateral de seu corpo. A lâmina gelada do turco da esquerda rasgou suas roupas e sua pele abrindo um talho logo abaixo de suas costelas. Arthur arfou de dor quando a espada foi retirada brutalmente o sangue quente começou a escapar pelo ferimento. Sangue que salpicou no rosto de Alfred, logo atrás dele. Era o fim e o inglês sabia disso. Estava exausto e não era capaz de lutar contra dois combatentes experientes ao mesmo tempo. Estava prestes a cair de joelhos ainda sem disposição de se render e torcendo para que Alfred já tivesse sumido dali.

A cena a seguir foi a mais irreverente já presenciada na história do navio: Arthur tentava equilibrar-se sobre os próprios pés e o turco da direita preparava-se para o golpe de misericórdia que tiraria a vida do inglês quando algo molhado lhe atingiu com força no rosto. Um esfregão. O turco levou um golpe de esfregão tão forte que cambeleou e caiu de costas direto no oceano turvo. De olhos arregalados, o segundo virou-se para Alfred como se ele fosse um tipo completamente desconhecido de aberração.

- Dois contra um! Como se um herói como eu fosse deixar algo assim acontecer.

Houve um ruído metálico quando Arthur tornou a erguer a espada e enterrou-a no estômago do turco que ainda estava estático de choque. Ele gritou de dor e caiu de joelhos ao ser golpeado.

- Não baixe a guarda tão fácil, que falta de educação. — Arthur falou e, em seguida, para Alfred: — E você... É um completo idiota.

Alfred sorriu. Estava prestes a responder quando um grito em turco ecoou pelo navio. Tão rápido quanto haviam invadido, os turcos interromperam a luta e começaram a fugir.

- Mas que mer...

Os turcos estavam fugindo. Apesar de que estavam claramente ganhando a batalha, estavam fugindo.

- Eeeh... Que covardes, qual é o problema deles? — Alfred pareceu aborrecido e ergueu o esfregão. — Vamos atrás.

Antes que ele desse dois passos, Arthur agarrou o colarinho da camisa do americano e o puxou de volta. O inglês permaneceu impassível enquanto os turcos fugiam numa velocidade impressionante.

- Arthur?! — gritou Francis, que tal como o resto da tripulação estava paralisado.

- Mas o que foi isso?! — Berrou Gilbert chutando um barril caído. — Eles simplesmente chegam e fazem uma confusão e vão embora e...

Arthur ainda estava segurando o colarinho da camisa de Alfred quando deu vazão ao que sentia chutando com força uma caixa de madeira fina que quebrou com um ruído alto. Todos os ingleses dirigiram os olhos na direção do capitão, aguardando instruções de como proceder... Mas Arthur estava demasiado possesso para fazê-lo.

- Eu nunca... Fui tão... Humilhado... Em toda a minha vida! — berrou em fúria. — Que demônios esses bastardos estavam pensando?! Eu quero a cabeça daqueles turcos!

Alfred — que, convenhamos, até então estava gostando da bagunça — tentou ver a situação sob a ótica dos tripulantes: O navio havia sido invadido, atacado e em seguida deixado para trás com algumas baixas e sem aparentemente levar nada. E os ingleses ainda não estavam recuperados da luta contra os franceses na noite anterior e nem tinham condições de perseguí-los... Não importa de que ângulo olhasse, era realmente humilhante.

Arthur desceu as escadas para o convés principal trincando os dentes e batendo os pés e foi seguido por um Alfred aos tropeços, que ainda não tinha visto o inglês de fato sem controle.

- Levem os feridos para baixo e tratem dos ferimentos. — ordenou, não com a total compostura recuperada ainda. — Francis! Gilbert! Kiku! Aqui, agora.

Os homens obedeceram, embora por algum motivo Alfred tenha entendido que as ordens não se aplicavam a ele e apenas continuou a seguir Arthur como faria um irmãozinho menor irritante ou um cachorrinho.

- Capitão? — Gilbert manisfetou-se. — Onde está o Antonio? Ele estava tão ferido que...

- O Antonio! — exclamou Francis arregalando os olhos. — Eu não o vi desde que ele saiu com o Lovino.

- Aqui. — respondeu uma voz fraca.

- Antonio?

- Não, cazzo! Aqui!

- Atrás das caixas?

Foi Alfred quem localizou de onde vinha a voz: Atrás de algumas caixas de cordas e encolhido no cantinho junto a parede, estavam Lovino e — aparentemente inconsciente — Antonio. Os olhos do italiano estavam vermelhos e cheios de lágrimas.

- Eu não fugi. — garantiu Lovino ao ser encontrado — Mas o Antonio estava desmaiando e e eu não podia ajudar... Com...

- Mon Dieu, vocês dois estão bem? — Francis perguntou fingindo não notar que Lovino estava prestes a cair no choro.

- Claro que não, cazzo! — o italiano fungou. — E vocês viram? Eles levaram o Heracles. Os caras doidos sequestraram o Heracles.

Notas finais
Sinceramente, me desculpem por esse capítulo. É sério, eu realmente me sinto mal por ele.A propósito, os personagens falaram muito "merda" nesse... Eu não sei que palavrões existiam naquela época.