No Other

49 Capítulo 49 - Into My Life


Notas iniciais
Moçada, notícias chegando. A fic está chegando ao fim. Sim, temos apenas mais alguns capítulos por vir, e algumas coisas vão mudar a partir do próxima. Surpresa rs. Bem, aproveitem a leitura de hoje ♥ Música do Colin Hay: https://www.youtube.com/watch?v=Syp7VG9PlYM

─ Anda, mãe. E depois eu quem atraso. ─ Minha mãe tinha me acordado cedo naquele dia, alegando que eu ia acabar fazendo hora no banho, mas só agora ela estava arrumando a bolsa. Minha ansiedade ia fazer algum órgão meu explodir. ─ Vinte minutos, mãe!

─ Pronto, já cheguei. Vamos, nervosinha. ─ Ela abriu a porta do carro e entrou. Suspirei, seguindo-a. Pelo menos ela teve a decência de andar numa velocidade considerável. A ansiedade era tanta que nem mesmo a música no rádio me alcançava.

O aeroporto estava relativamente cheio. Minha mãe estacionou e me ajudou a descer a bagagem toda. As caixas seriam deixadas no colégio depois de viajarem separadas de nós. Mais um motivo para ficar apreensivo.

─ Bom dia, querida. ─ Kyu falou, guardando a carteira no bolso. ─ Corre lá para fazer seu check-in. Annie está lá.

─ Ah, já vou. Ali está bem? ─ A menina estava tombada numa das cadeiras do saguão, com uma mochila no colo.

─ Morta de sono. Anda.

Mais meia hora de pé na fila, esperando para fazer o bendito check-in. Annie me viu na fila e acenou, empolgada. Como alguém tinha aquela animação àquela hora da manhã era um mistério. Fiz o procedimento e despachei as malas, ficando só com a bolsa mais leve. Voltei para as cadeiras.

─ Eu nem consigo acreditar. Oi, Megs. ─ An realmente estava elétrica. Leh acabara de se juntar ao grupo, rindo. ─ Ah, não, olha.

Olhei, mesmo sem entender o que ela queria. E encontrei as pessoas mais fofas do mundo entrando no saguão. Lólli sorria, mas Louis parecia a ponto de um colapso nervoso. Seguido de perto por Kim. Leo e Lara estavam lá também. E Shaun.

Abraços e despedidas que fizeram meu coração apertar, e o último teste que Deus estava me mandando. Shaun. Ele me deu um abraço por último, dando poucos passos para o lado. Mais uma conversa.

─ Animada?

─ Assustada. Não achei que você vinha.

─ Eu disse aquilo tudo sobre esperar, não falei? Acho que você precisava de algo para ter certeza.

─ Você é doido. Eu gosto.

Sinceramente, qualquer pessoa naquele instante poderia questionar minha sanidade também. Shaun era lindo, principalmente os olhos violetas. Além disso, ele parecia realmente gostar de mim, respeitar minhas decisões, me apoiar em muita coisa. E as íris que me levavam até ele. Infelizmente, ainda eram um par de olhos azuis que me mantinha presa. Suspirei.

─ Espero que voltem nas férias. Não é o fim do mundo. Vai descobrir o mundo, garota. ─ Estranhei a fala, até sentir que meu sorriso tinha sumido e eu provavelmente estava pesando tudo de novo, prós e contras. ─ Vou sentir sua falta.

─ Pode ser que eu volte, não é?

─ O futuro não é nosso. Só o presente. Vai lá.

Chamada para o embarque. Sorri, dando mais um abraço nele. Absorvendo pela última vez o cheiro dele e a forma que os braços dele me prendiam com firmeza e cuidado. Peguei a bolsa e acenei para os meus amigos. Meus irmãos. Minha mãe. Kyu passou o braço no meu e saiu me puxando.

─ É melhor meus dois irmãos sobreviverem naquele lugar, entenderam? ─ Jack berrou para Kyu, acenando. Ele acenou de novo, sorridente. Fiquei plenamente feliz em ver que realizamos um dos desejos mais profundos de Kyu. Família.

Respirei fundo. Sempre fiquei tensa naquelas revistas que faziam no corpo. Não que eu levasse qualquer coisa. Um dos meus brincos apitou, mas a mulher me deixou passar. Agradeci. Chequei minha bolsa mais uma vez, segurando a passagem na mão esquerda.

Bala, biscoitinho, uma caderneta e caneta, um livro, meu celular, um prendedor de cabelo e meu ipod. A carteira também, mas não ia mais usá-la. Fechei o zíper, Annie parando do meu lado.

─ Nervosa?

─ Um pouco, An. Afinal, essa ideia foi minha.

─ E eu adorei desde o primeiro minuto. Vai dar tudo certo. Vem, nosso voo.

É, aquela viagem estava para nos mudar muito. Leh e Ali brincavam na fila para o embarque, Kyu checava uma última vez o relógio e An e eu esperávamos em silêncio.

Fiquei na janela, por pura sorte. Leh e Annie iam ao meu lado, quase me batendo para tomar a janela. Infelizmente, para elas, eu sentei e nenhuma das duas tinha força para me tirar de lá. Ali pegou a janela oposta, apreensiva. Prendi o cinto, ainda ouvindo as duas vizinhas de assento reclamando.

Sem volta agora. Passaram o vídeo de segurança e procedimentos em caso de despressurização, desliguei os aparelhos eletrônicos. Fechei os olhos. Bem ao meu lado eu ouvi a turbina começar a girar. Quando tive coragem de olhar de novo, o aeroporto já tinha se perdido na multidão de pontinhos lá embaixo.

Parecia que seria um voo tranquilo. Peguei meu caderninho com a caneta e meu ipod, preparando para matar as próximas horas do meu tempo. Serviram-nos café da manhã pouco depois de decolarmos, um sanduíche com suco. Comi e voltei a escrever, checando as horas de tempo em tempo.

─ Ai, achei que a gente não ia chegar nunca. ─ Ali resmungava, dobrando os joelhos. Eu também estava cansada pelas horas sentada. ─ Olha as fotos que eu tirei, ficaram lindas.

Fomos juntos pegar as malas. Naquele momento, acho que ninguém dos cinco queria ficar sozinho. Olhei ao redor. Kyle tinha nos dito que um responsável do colégio nos buscaria e que Kyu e Leh pegariam um taxi de lá para um hotel que ele tinha reservado, mas eu estava apreensiva. Homens de terno com plaquinhas com nomes era coisa de filme até então.

Saímos, todos agora num saguão movimentado. As portas de vidro deixavam a luz alaranjada do por do sol entrar e faziam o chão brilhar. Eu estava ficando apreensiva, não via o sujeito da plaquinha de jeito nenhum.

─ Que mer...─ Travei. Devia ser algum sonho meu. Não era. O garoto moreno com ele acenou, animado. Foi quando os outros dois ao seu lado olharam na mesma direção e nos viram.

─ Megs?

Minha nossa, como ele estava maravilhoso. Ou era só eu que tinha me desacostumado com tanta beleza? Ali e An sorriram, mas só Kyu conseguiu me tirar do transe, me dando um empurrão.

─ Duran, oi. Ei, meninos. Pedro, Pablo.

─ O que...por que vocês estão aqui? ─ Ele perguntou, enfiando as mãos nos bolsos. Ansiedade. Era como ele controlava os nervos quando estava desesperado para fazer algo.

─ A gente vai morar aqui! O que você veio fazer aqui? ─ Annie saiu de puro êxtase para mais êxtase ainda, olhando de mim para ele e para mim de novo.

─ Meu pai me ligou, disse algo sobre ter uma boa surpresa. Oh, esses são Pablo e Pedro.

Um era bem mais animado, Pedro. Sempre ouvi que no Brasil são realmente bem calorosos. Sorri para ele, pondo a mala no chão. Pablo se ofereceu para ir buscar um daqueles carrinhos para podermos nos livrarmos do peso. Agradeci por todos.

─ Se mudaram do nada?

─ Claro que não, Duran. ─ Ali ficou um pouco ofendida por sua inteligência, mas eu ri. Kyu cruzou os braços e explicou do programa de bolsas da empresa de Kyle e como todos tinham escolhido a Dinamarca. Ali ia retrucar, mas Pablo chegou com o carrinho e ele pegou-a pelo braço para arrumarem a bagagem.

─ Vão aonde?

─ Ah, vamos ficar no colégio. Nós três, pelo menos. Kyle reservou um hotel para Kyu e Leh até a residência ficar resolvida.

─ Onde estudam? Alligieri's?

─ É. Vocês conhecem?

─ Se forem para o segundo ano, vamos ser da mesma sala. Todo mundo no inferno junto.

─ Acho que era pra ter alguém aqui para nos encontrar.

─ Ah, a gente viu aquele velho rabugento lá fora, Duran. Pode ser ele. Na van.

─ Bom, a gente te leva até ele, já que nem isso aquele imprestável pode fazer.

Os dois amigos de Duran não demoraram a prender Leh e Annie de conversa, contando tudo que veríamos ali. Kyu e Ali iam na frente, Kyu empurrando nosso carrinho. E, nada suspeito, todos estavam nos deixando para trás. Sorri.

─ Você está ótima.

─ Você está melhor que nunca. ─ Ele riu, tirando uma das mãos do bolso e passando-a pelos cabelos cortados recentemente.

─ Por que aqui?

─ Estava na lista das melhores opções. ─ Não deixava de ser a verdade. Ainda assim, se tinha alguma hora para verbalizar aquilo, a hora era aquela. ─ E, talvez, exista uma possibilidade que eu tivesse a esperança de te reencontrar.

─ Atravessou um oceano para ver seu ex?

─ Esquisita, não sou? Eu não tenho nem certeza de que você fosse estar aqui, esperando do jeito que estava, mas...Foi um risco.

─ E se eu dissesse que não quero você aqui?

─ Duran, quer dizer algo, diga. Escuta também. Mesmo se você me mandar embora daqui e falar que não quer mais me ver e qualquer outra baboseira, eu não ligo. Bom, na verdade iria me dilacerar viva, mas o que importa…

─ É que eu não quero que você vá.

─ Eu procurei por outros. E uns até mexeram um pouco comigo. Nenhum deles me deu a motivação de deixar meu país e cair no desconhecido igual você.

─ Isso é bom?

─ É o que aconteceria num filme.

─ Falta algo nessa cena. ─ Silêncio. As mãos finalmente saíram dos bolsos e seguraram meu rosto, os olhos azuis sorrindo cheios de ternura para mim. ─ Falta o personagem dizer que ele te ama e te dar um beijo.

─ Verdade?

─ Eu te amo, Megs. Eu senti sua falta.

─ Beija logo, caramba. ─ Ali. Tinha que ser. Cai na gargalhada antes de conseguir me controlar e agarrar aquele rapaz maravilhoso na minha frente. Ai, como eu tinha sentido falta daquele beijo delicado e cheio de amor.

Depois disso, encontramos o homem da van e fomos embora, só nós três. Duran e os amigos ficaram de chamar o táxi para os outros dois e irem para casa em seguida. Achei que Ali e An iam explodir num interrogatório, mas elas estavam mais ocupadas olhando a paisagem. Sorri. Um novo lar.

O lugar era o dobro do tamanho de Nightfalia High. Fomos até a secretaria pegar a chave do nosso quarto e preencher os documentos que faltavam, falando sobre tudo que teríamos que fazer nos dias por virem. Abri a porta e deixei as duas entrarem antes.

É, seriam dias memoráveis. Depois de finalmente ligar para minha mãe e contar da viagem, An tomou meu celular e foi conversar com Elijah. Deixei-a e fui arrumar o meu lado do quarto. Aquele foi o primeiro exemplo de como seria nossa rotina.

Eu adoraria contar de como foi cada dia pelo próximo mês, o próximo semestre, mas estava distraída demais para redigir tudo. Todo dia eu saia com Duran, ele me levava para todos os lugares possíveis na cidade. Os meninos foram se aproximando, Kyu estava sempre por perto, cada noite ia virando uma experiência empolgante. Num resumo simplório, eu amei aquele lugar.

Fora a melhor surpresa na minha vida em muito tempo.

Notas finais
Até mais lindos :3