No Other
45 Capítulo 45 - The Funeral
Notas iniciais
Naquele dia, antes mesmo que o sinal encerrando as aulas tivesse tocado, consegui deixar a escola. Corri pelos quarteirões que me separavam da minha casa, com medo de me atrasar. Bati a porta e subi as escadas de dois em dois degraus. Minha mãe já estava se arrumando e Elijah fazia hora para se vestir.
— Okay, vamos lá. – Abri as portas do guarda roupa com força, como se aquilo fosse fazer a roupa perfeita pular em mim. Comecei a ficar desesperada à medida que o nervosismo foi tomando conta, uns vinte minutos depois de encarar as roupas sem resposta. – Banho antes, então.
Lavei o cabelo com uma certa pressa, ainda tentando pensar numa boa roupa. Eu não deveria estar me preocupando tanto com aquilo, deveria? Parei novamente de frente para o armário e olhei a caixa no alto antes de sorrir.
Depois de quase meia hora acabando de me vestir e me maquiar, eu finalmente desci. Elijah parecia chegar de uma festa, com o terno amarrotado e a gravata frouxa, com o copo de uísque na mão para completar. Jack estava um pouco mais ajeitado. Os dois pareceram confusos com minha roupa, ao que dei de ombros. Realmente, vermelho não era a primeira opção de cor para funerais.
─ Temos que ir, não?
─ Mamãe já foi. Vamos, Eli, larga isso. ─ Jack pegou as chaves do carro da banda, calado. Entrei no banco de trás e fechei os olhos, respirando fundo. Em um instante, chegamos à catedral.
Meus amigos estavam lá. A maioria só tinha vestido a primeira camiseta preta que encontrara, tipo Ali e Leo, enquanto outros ainda se esforçaram. Annie parecia pronta para uma festa, não fosse o rosto abatido. E Shaun estava com uma camisa social e sapatos que lhe caiam muito bem. Suspirei, abrindo a porta do carro.
─ Megs, entra um pouco antes, ok? ─ Jack acenou para meus amigos e entrou, indo atrás da minha mãe. Assim que fiquei sozinha, recebi um mega abraço coletivo. Ali, An, Kim, Leo, os gêmeos, Lara e até Leticia. Louis foi o último a me soltar, sorrindo para mim.
─ Força, okay?
─ Obrigada, amor.
E então a hora. Soltei-me deles e entrei na igreja, indo para perto da minha mãe. Segurei a mão dela, vendo o olhar curioso em cima de mim. Aquilo ia ser mais difícil do que me parecera. O padre iniciou a missa, sério. E então, minutos depois, eu estava subindo as escadas novamente, encarando todos.
─ Oi, todo mundo. Eu me senti na obrigação de explicar minha escolha de roupa. Vermelho não é habitual, né? A questão toda é que eu não quero estar de luto. Sinceramente, ninguém melhor poderia subir ao céu, devem estar dando uma mega festa lá. ─ Ouvi a risadinha do padre, e tomei como incentivo para continuar. ─ Esse era o vestido preferido do meu pai. Ele nunca me disse isso, mas eu sei pelo jeito que ele sempre me elogiava quando eu o usava. Não foi muito. E eu sei que no fundo, um navio ainda se mantém sem um dos seus mastros. Eu amo vocês. Obrigada.
Minha mãe chorava junto comigo, abraçando meus ombros enquanto o padre finalizava sua missa. Jack escorou a testa nas minhas costas, calado. É, aquilo seria um adeus. Quando minha mãe me soltou para ficar de pé, sequei o rosto e a segui, com Elijah na minha cola.
O cemitério não era longe dali, com o gramado bem cuidado e as pedras judiadas pelo tempo. No meio daquele cenário surpreendentemente bonito, as três covas já aguardavam seus mais recentes habitantes. O sol iluminava a grama deixando-a com um brilho sensacional.
E foi o fim. Meu coração apertou de novo quando eu vi um caixão menor que os outros dois. Aquilo era covardia do destino. Recebi outro abraço coletivo quando voltei a ouvir meus próprios soluços escapando da garganta. E então, quando a terra foi cobrindo os tampos de madeira, os mais distantes da família foram se dispersando.
─ Sinto muito, amor.
─ Obrigada, gente. Eu amo vocês.
─ Te amamos também, linda. ─ Louis me soltou, secando o rosto e vendo o padre se aproximando.
─ Bença, padre.
─ Deus te abençoe e ilumine sua sabedoria, minha querida. Vá com Deus.
Jack estava me esperando, com a porta do carro aberta. Agradeci meus amigos mais uma vez e fui com ele, secando o rosto mais uma vez. De preferência, a última. Prendi meu cinto e fiquei observando o céu ficando escuro com a chegada da noite.
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A parte boa em ter dito aquilo tudo na igreja foi que minha chegada em casa foi tranquila. Doía, mas vida que seguiria. A parte ruim, é que só eu estava querendo superar logo. Elijah se trancou no quarto, Jack ficou com Liam no quintal, conversando baixo. Sentei entre Ian e Jared no sofá, suspirando.
─ Tudo bem, gata?
─ Fora esse clima de enterro até agora, tudo.
─ O que esperava?
─ Não sei, Jared. Só não quero mais ficar choramingando pelos cantos e agir contrário a tudo que eu disse hoje.
Acabei ficando com os dois irmãos muito mais tranquilos depois que tiveram a certeza de que eu me sentia melhor. Eu até mesmo consegui rir. É, eu podia conviver com a solidão, mas com tristeza não. Subi pro meu quarto e fui ler.
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Acordei com uma ligação no Skype e com o livro caído no pé da cama. Puxei o computador e atendi, meio sonolenta ainda. Então demorei um pouco a me tocar da situação.
─ Megs, hey! ─ Ele elevou um pouco a voz, me fazendo piscar. Duran esperava qualquer resposta da minha parte. ─ Anda, dorminhoca?
─ Ainda está cedo, dá um tempo. Pronto.
─ Bom dia.
─ Bom dia. Posso ajudar?
─ Como foi ontem?
─ Difícil, como era de se esperar. Agora passou, vou superar.
─ Isso é ótimo. Ai. ─ Tomei um pequeno susto quando os outros dois garotos surgiram no vídeo, me estudando. ─ Megs, conheça Pedro e Pablo.
─ Menina, você é linda. ─ Era o moreno do cabelo comprido, Pedro. O brasileiro, então. ─ Podia ter namorado coisa muito melhor.
─ Tipo o que, hein, galã? ─ Duran socou o braço que Pedro usava para se apoiar na mesa, fazendo o reclamar.
─ Relaxa ai, cara. Faz sentido você ficar o dia inteiro nesse computador.
─ Oi, Megan. ─ O outro finalmente falou, com o inglês carregado mas compreensivel. Sorri para ele.
Passei algum tempo com os três na chamada, rindo. Apesar de todos os esteriótipos que eu já tinha ouvido, Pablo e Pedro não tinham nada a ver com a imagem pronta. Sem samba, carnaval e futebol para Pedro, eram gostos de Pablo, o argentino.
─ Megs, amor. ─ Percebi o franzido leve no cenho de Duran quando Ian pulou do meu lado na cama. ─ Quem são esses?
─ Esse do meio é o Duran, meu ex namorado, e esses dois são amigos dele.
─ Pode apresentar pra mim também.
─ Ah, sim. Duran, esse daqui é o Ian, amigo do Jack.
─ E melhor baterista de todos os tempos.
─ Abaixa essa bolinha, querido.
─ E seu futuro marido.
─ Contando que eu não te mate antes.
─ Foi mal, camarada. A gata é minha.
─ E eu lá sou cachorro pra ter dono?
─ Ah, minha linda. ─ Ele me deu um abraço apertado, bagunçando meu cabelo.
─ Chega, mala.
─ Seu outro namorado fez o café da manhã, vem.
─ É o Jared?
─ Quem mais compartilha esses traços lindos comigo?
─ Eu vou indo, galera. Tchauzinho.
─ Tchau, Megs.
Desliguei, aceitando a mão que Ian me estendeu para me puxar para fora da cama.
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