No Other

38 Capítulo 38 - Take On Me


Notas iniciais
Olás, seres humanos e não humanos. Depois de um atraso básico (nossa, que novidade .q ) trago o mais novo capítulo para vocês. Quem shippa Megan x Shaun vai gostar :p Take On Me, é do Aha, mas se quiserem, existe um cover de uns caras chamados Ninja Sex Party, ficou bem amorzinho. O link é da original > https://www.youtube.com/watch?v=djV11Xbc914

Acordei com Shaun ainda dormindo ao meu lado. Pisquei, tentando afastar o resto de sono que me prendia, vendo seu braço prendendo minha cintura e as pontas de seus dedos mexendo. Parecia sonhar.

Ainda estava cedo. O sol mal iluminava através da cortina clara do quarto. Annie já tinha acordado e saído do quarto. Tentei chamá-lo devagar, mas ele nem se mexeu. Suspirei, cutucando seu braço.

– Shaun, acorda. Shaun, por favor.

– Hum.

– Por favor, você me prendeu aqui.

Com um suspiro, ele se sentou na cama, esfregando o rosto. Eu conseguia ver as dobras da fronha do travesseiro no rosto dele. Sorri.

– Bom dia.

– Melhor?

– Na medida do possível. – Quando eu mesma me sentei, os cortes nas coxas arderam. Fiquei de pé, sentindo o desconforto nas solas dos pés. – Estava sonhando?

– É, eu faço muito isso. Você estava tão tranquila que parecia uma pedra.

– Obrigada.

– Ah, o prazer foi meu. Tinha tempo que eu não dormia de conchinha com uma menina tão bonita.

– Idiota. Eu dormi muito bem, é o que importa. Já vai descer?

– Eu já.

– Vou trocar de roupa.

– Precisa de ajuda?

– Sai.

Ele me deixou sozinha, fazendo até o favor de fechar a porta atrás de si. Vesti um short e uma camisetinha qualquer, calçando o chinelo. Arrumei minha cama antes de descer para tomar café. A maioria estava lá. Ali e Leh ainda não, mas o resto todo já comia. Peguei uma xícara de chá e fui me sentar.

– Bom dia, Nhoim. Dormiu bem?

– Feito um bebê. Nem os cortes eu senti.

Vi o esforço de todos para não comentarem nada sobre o surto da noite anterior, e fiquei grata. Nenhum dos assuntos que surgiram eram importantes, mas pelo menos não deixavam o clima estranho, no silêncio pesado. Quando eu terminei, Kyu me chamou para a varanda do segundo andar.

Ele disse que ia me ensinar o hangeul, mas nem falava direito. Risquei com a caneta na mão dele, notando que estava chateado. Ele abriu um sorriso fraco, esfregando a caneta na pele.

– O que foi?

– Nada.

– Fala logo o que foi.

– É só que...Nada disso teria acontecido se não fosse por mim.

– Como é? Você não fez nada, ficou doido?

– É, eu não fiz o que eu tinha que ter feito desde o início, que era chamar a polícia. Megs, ficou naquele lugar por quase uma semana por culpa minha.

– Para de se martirizar.

– A mãe é minha.

– Nem gosta dela. Ela nunca te criou, você não é obrigado a reconhecê-la como mãe. E nem eu sou obrigada a ficar ouvindo você falar bobagem. Passou, garoto, supera isso.

– Eu fico triste por você.

– Meu filho, é melhor planejar melhor da próxima vez que quiser me derrubar. Não sou fácil, não.

– Obrigado.

– Fofo. Eu te amo.

– Own, saranghae.

– Eu estou vendo isso ai, hein? – Kyu não se soltou do abraço que me dava quando viu Ali parada na porta. Ela ainda estava de pijama, coçando o olho. Como um daqueles animes fofinhos dela.

– Bom dia, linda. Vem cá.

– Bem, vou tomar isso como uma deixa para o casal ficar sozinho e vou aproveitar a piscina. Beijos, não me chamem.

Em dois segundos eu podia ouvir a risada fofinha e o som do beijo que se seguiu. Fui par ao quarto, trocar de roupa. E fui curtir minha manhã na psicina. E parte da tarde, até a hora de ir embora chegar. Shaun nos ajudou a guardar tudo no carro e pegou uma garrafa d’água.

– Todos prontos?

– Sim, senhor. – Prendi o cinto de segurança e liguei o rádio. Ele deu a partida e colocou os óculos de sol. O vento e o alaranjado do céu que começa a se despedir do sol deixou a cena com uma cara de filme, acabei ficando sorridente. Mesmo assim, acabei dormindo no meio do caminho.

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A vantagem do fim de semana fora foi a descoberta da companhia. Eu passei dois meses dormindo com minha mãe, depois de ela surtar com o que acontecera em Natchigal. À medida que os dias iam se passando, ela ia saindo da cama e indo para o próprio quarto, até o dia em que ela nem esperou eu dormir direito e saiu. E eu dormi, a noite inteira.

Foi minha sorte. Como sono em dia, eu consegui pegar firme nos estudos de novo. Eu não tinha o hábito de estudar, mas estava tendo dificuldades em me concentrar com todo o sono e paranóia. Então coloquei tudo em dia, para ficar em paz. E ia fazer minhas provas confiante, já esperando o fim do terceiro bimestre escolar.

E mais novidades, depois que Duran se mudou, minha mesa na aula de química ganhou um novo integrante. Leo. Eu nunca tinha reparado nele antes, mas descobri um grande amigo. Grande mesmo. Ele parecia um urso, moreno e com 1,90m de altura.

A primeira conversa foi em um dia que a professora faltou, mas ficaram nos prendendo na sala. Eu estava de fones, enquanto Ali e alguns garotos falavam de alguma menina mais velha. Quando me chamaram, Leo me perguntou o que eu achava da tal menina. Respondi, e ele concordou. Foi daí que o resto começou.

Um belo dia, durante a tarde, eu e Ali estávamos na minha casa, sem nada para fazer. Ouvi ela ligando a TV e me chamar logo em seguida.

– Olha isso.

“O caso do sequestro de três adolescentes abalou a cidade recentemente. Ontem, durante a noite, foram presos dois envolvidos no crime, os irmãos Julian e Alan Hertz. O terceiro irmão, Niklaus Hertz, confessou o crime logo que as meninas foram resgatadas. A mandante do crime, uma coreana, não foi mais vista, nem seu suposto segurança particular. E agora...”

– Hye-In fugiu. – Ali concluiu, chateada. Eu estava também. As chances de que um dia ela voltaria agora nos perseguiriam, talvez para sempre. Um medo a mais pra lista.

– Ela não vai voltar, Ali. Ou, assim espero.

– É, tomara. Eu deveria ir embora, as ruas estão ficando cheias de drogados.

– Quer companhia?

– Não, fica ruim para você voltar sozinha. Nesse horário ainda é de boa. Beijo.

Fui abrir a porta para ela, disfarçando o nervosismo. Eu realmente esperava que Hye-In sumisse para sempre. Ela não voltaria tão simpática. Fechei a porta e peguei meu celular. Disquei o número e esperei.

– Viu o noticiário?

– É, Hye-In sumiu. De novo.

– Acha que ela fugiu?

– É possível. É o que ela faz de melhor, fugir.

– Acha que existe a chance de que ela volte?

– Acho que deixei bem claro que eu não iria com ela, não importava o quanto ela insistisse. Vou menos ainda depois de tudo aquilo. Ainda assim, todo cuidado é pouco. Principalmente no seu caso.

– Puxa, valeu pelo elogio.

– É verdade. Eu preciso ir buscar Kyle. Ali já foi?

– Uhum, ela estava com medo de encontrar aqueles drogados esquisitos.

– Bom. Te vejo depois, meu bem.

– Tchau.

Com um suspiro, acabei a chamada e me sentei na minha cama. Ela não ia voltar, não ia mais me atormentar. E se voltasse, eu esfregaria o rosto dela num muro chapiscado. Peguei meu livro e fui ler, na tentativa de me distrair.

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Depois daquele dia da notícia, minha vida caiu numa rotina tediosa. Acordar cedo, ir para a aula, voltar para casa, ficar esperando a hora de dormir. O terceiro bimestre finalmente acabou, numa sexta feira. Eu tinha todo o fim de semana para me recuperar da suposta exaustão, que não tinha. Então eu fiz exatamente isso, nada.

Foi na segunda, o início da última parte do 1º ano, que uma mudança aconteceu. Depois que a aula acabou, quando eu ia embora, Shaun veio atrás de mim. Estranhei, estudando-o. Tinha cortado o cabelo, deixando o rosto mais a mostra. Ficou bonito, como esperado.

– Que foi?

– Tudo bem? Anda quieta esses dias.

– Hum, só não tinha o que dizer. Não tenho feito nada de mais.

– Então é só tédio?

– Uhum.

– Ok, quer sair?

– O que?

– Sair, eu e você, darmos uma volta, entendeu?

– Tanto faz. Não tenho nada marcado.

– Sim ou não?

– Tanto faz, de verdade.

– Ok, se é assim. – Shaun tinha uma força descomunal para o porte dele. Ele me jogou em seu ombro como se descarregasse um caminhão de sacas de batata. Tentei me soltar, mas ia me esborrachar no chão.

– Podia só falar o destino.

– Você podia responder feito gente.

– Todo mundo está olhando para a gente. Que micão.

Ele nem me respondeu. Soltou-me quando estávamos ao lado do carro, destrancando a porta. Entrei, deixando a mochila no banco de trás. Ele prendeu seu cinto e saiu, com o pé fundo no acelerador.

– Pode pegar meu óculos, por favor?

Estiquei o braço, pegando a caixinha do Ray-Ban na mochila dele. Deviam ser os olhos que deviam ser muito sensíveis. Por isso ele andava tanto de óculos escuros. Entreguei-os e perguntei.

– Aonde está me levando?

– Vai ver, senhorita tanto faz. – Ele sorriu, sem dizer mais nada. Distraí-me pelo caminho, mandando mensagem para Leh. Quase uma hora se passou, até ele freiar e encostar na beira da estrada. No meio do nada.

– Ok, que lugar é esse?

– Nós, minha querida, vamos curtir a natureza. Ou o que sobrou dela. Vamos.

– No meio do nada?

– Vai usar essas belas pernas, vem.

Desci do carro, colocando minha mochila no porta-malas. Ele ligou o alarme e começou a subir uma colina num dos lados cheios de mato da estrada. Caminhando a passos lentos, a gente foi fazendo um caminho entre o campo, aproveitando a brisa. Ele comentava de como costuma trançar capim com a avó, feliz.

Fui subindo atrás dele, até ele parar atrás da elevação, perto de uma caverna. Eu ofegava com a pequena caminhada, mas ele parecia tranquilo. Deixou eu entrar antes no espaço pouco iluminado. Não era profundo, mas podia esconder-nos.

– Calor? – Ele me ofereceu uma garrafa d’água, que aceitei muito grata. Ele riu e tirou sua camisa. Idiota. Ridículo. Gostoso. No que está pensando, Megs?

– Eu quem te pergunto. Suou tanto?

– Não gosto muito de pano.

– Idiota.

Ele riu e se sentou, tomando sua água. Fiquei olhando o campo lá fora, tentando controlar a respiração. Antes que o silêncio se espalhasse, perguntei.

– Já tinha planejado esse passeio?

– Eu já pensei em trazer alguém aqui, só não tinha um escolhido.

– Como o achou?

– Minha avó o conhecia. Ela quem me trazia para cá quando eu ficava chateado.

– Ela devia ser bem legal.

– A melhor, na minha singela opinião. Bom, é só uma caverna, mas...

– É bom saber que confia tanto em mim. E, a propósito, ainda está com tanto calor?

Ele olhou o próprio tórax e ficou me encarando em seguida. Fiquei esperando o que ele ia dizer, já me preparando. Ele então deu o clássico sorriso torto e perguntou em contrapartida.

– A vista é tão ruim, é?

– Só perguntei. – Difarcei tomando mais um gole d’água. Ele vestiu a camiseta e me chamou.

– Sua vez. Eu te mostrei um segredo meu, quero um em retorno.

– Oh, ok. Hum...Sabe aquele coisa toda de beijar rapazes e tal? Eu não consigo desfazer a cena, não importa o quanto eu tente.

– Justo. Sabe, não era bem curiosidade, era mais revolta. Eu simplesmente achei que meus problemas eram por culpa de garotas e decidi mudar de time. Deu errado. Minha vez?

– Claro.

– Eu não sei como aguenta Ali.

– Achei que gostasse dela.

– Eu gosto, não tanto quanto antes, mas...É só que eu tenho a impressão de que ela te culpa por quase tudo.

– Ela é minha melhor amiga. É exagerada, verdade, mas eu já me acostumei.

– Entendi. Sua vez.

– Eu aprendi a aceitar o jeito que ela me trata por puro karma. Eu a invejo às vezes.

– Por que faria isso?

– Só acontece. Eu sempre penso que seria melhor ser baixinha, ser mais meiga, ser mais preocupada. Parece que eu tento demais o que ela consegue simplesmente existindo.

– Pessoas são diferentes. Ela é a baixinha meiga, você é a alta madura. Ela é exagerada, você é realista. Ela é fofa, você é interessante.

– Eu sei disso. Enfim, sua vez de novo.

– Não gosto dos meus olhos. Deixam meu rosto mais afeminado.

– São bonitos. Invejáveis.

– Sua vez.

– Eu não tenho tantos segredos.

– Algo, não sei, embaraçoso?

– Hum...Sei lá.

– Primeiro beijo. Quem, como, quando?

– Duran.

– Sério? Aos 15 anos?

– Para de rir, senhor perdi aos 10.

– Foi aos onze. Você quem é lerdinha.

– Obrigada por melhorar minha auto estima.

– Sabe a melhor parte, porém? – Ele se aproximou e, num sussurro, me contou a coisa mais horrenda do mundo. – O meu foi com a Jessica.

– Minha nossa...

Ele riu, daquele jeito de quem tenta se livrar da culpa, e ficou esperando o meu choque passar. Acho que aquilo tinha marcado minha alma. Era minha vez de novo. Peguei o celular e procurei a imagem.

– Tenho uma foto sua. De várias pessoas, na verdade. Estava conversando com um menino qualquer, eu aproveitei e tirei essa.

– Por que fez isso?

– Você não é de sorrir muito. Menos ainda assim. Sincero. Sua vez.

– Agora eu quem não sei o que dizer.

– Ainda gosta dela?

– Não.

Silêncio. Eu não tinha mais ideias, ele parecia pensativo. Tomei mais água, por impulso, e esperei ele dizer algo. Como ele não falou, agradeci por aquela pequena tarde no meio do nada, no vale dos segredos. Ele sorriu e passou a me fitar.

– Que foi?

Ao invés de me responder, ele me beijou. Assustada, acabei deixando por uns dois segundos, até compreender e o afastar. Com um belo tapa, muito bem aplicado. Ele arfou, sorrindo.

– Ai.

– Minha nossa, desculpa.

– Tranquilo, eu quem te agarrou.

– Por que fez isso?

– Quer um desenho?

– Deixa.

– Então, demorou a reagir. Estava gostando?

– O que? – Eu não tinha reação boa o suficiente, então simplesmente fiquei vermelha e comecei a gaguejar.

– Quer outro?

– Não, valeu. Não devíamos ir?

– Ok, vamos. – Ele ficou de pé e me estendeu a mão, ainda sorridente. Respirei fundo e, com a ajudam me levantei e sai da caverna. De volta ao carro, ele ligou o rádio na música mais feliz do planeta e saiu na maior velocidade, cantando na maior altura.

Notas finais
E ai, povão, o que acharam?