No Other

32 Capítulo 32 - Tomorrow


Notas iniciais
Bom, apesar da demora, aqui estou .q Um capítulo um pouco mais 'lerdinho", por assim dizer '-' Sdds Duran.q A música é Tomorrow, do BTS (não sou army, e msm se fosse fandom não define qualidade de grupo...zzzz) Enfim, o link:https://www.youtube.com/watch?v=r0M108PTxZw Boa leitura :)

O sol começava a nascer, parecia sair lentamente do mar, pintando o horizonte. A brisa carregava consigo o cheiro de maresia e a frieza das águas. Juntei meu cabelo atrás das costas, sentindo ele se espalhar novamente. Olhei o relógio, seis da manhã.

Esfreguei os olhos e respirei fundo. Meu nariz começava a ficar entupido, tinha o receio de ter conseguido um resfriado. Voltei a apoiar meus braços sobre os joelhos dobrados, assistindo ao espetáculo das ondas se quebrando.

– Bom dia. – Kyu se sentou ao meu lado, com uma bermuda jeans e uma camisa. Peguei o saco de papel que ele me estendeu. Tinha um misto e uma caixinha de suco.

– Eu tive que acordar às 5 da manhã. Espero ganhar mais que um café. – Resmunguei, mordendo o pão enquanto tentava colocar o canudo na caixa. – Por que me chamou aqui?

– Porque preciso falar daquele bilhete. – Ele pegou a caixa de suco e colocou o canudinho para mim. – E porque estou te devendo algo.

– E precisa me pagar às 6 da manhã? Pelo menos o nascer do sol foi bonito. – Cocei o nariz, achando que ia espirrar. – Você deveria acordar a ALI às cinco da manhã.

– Não vou cansar a beleza dela. – Ele deu de ombros, casual. Dei aquele sorriso de quem queria socá-lo, cobrindo a boca com a mão. Mesmo assim, ele entendeu.

– Vai se fuder. – Empurrei seu ombro, quase derrubando. – O que você quer falar?

– Eu conversei com ela. Hye-In. – Fitei-o, vendo a feição séria mais uma vez. – E acho que ela não sabe de Ali.

– Nem Ali dela. Por que acha isso? – Perguntei, acabando meu café.

– Ela só falou que eu vou voltar, queira ou não. Que tinha “meios” de me convencer, mas não falou nenhum nome.

– E Kyle sabe?

– Não sei bem o que ele sabe. Ele sabe que não gosto dela, que ela está por aqui, mas acho que é só.

– E acha que ela pode machucar alguém?

– Eu tenho certeza que ela pode. Aliás, ela pode fazer pior. – Ele deu um suspiro. Ficou de pé e me ajudou a me levantar também. – Vem.

Segui-o pela rua, agora trocando de assunto. Kyu me contava casos de Ali, a maioria eu já tinha ouvido. Ainda assim, era divertido vê-lo tão empolgado.

– Ela é perfeita, Megs. Fofa, bonita, legal, divertida, apesar de um pouquinho ciumenta...

– Perfeita, eu entendi. Pode agradecer quando forem se casar. – Cruzei os braços.

– Você é maravilhosa também. Mostrou a luz da minha vida. – Ele me deu um abraço. Olhei para ele, com a maior cara de desgosto da minha vida.

– Larga de viadagem. – Empurrei o braço dele, rindo. – Sabe que Ali odeia quando faz isso, né?

– O que, que eu ande com você?

– Ser assim, carinhoso. Ela acha que parece que eu sou sua namorada, não ela. Apesar de eu explicar que não é assim.

– Ih, mulher complicada essa minha. – Ele revirou os olhos, suspirando. – Se importa se eu, sabe, der uma afastadinha essa semana?

– Se responder minhas mensagens, não. – Dei de ombros. – E, mudando de assunto, o que você me deve?

– Vive me enchendo o saco por isso e de repente esquece? – Ele estalou a língua, risonho. – Pensa.

– Hum, você vai me ensinar coreano? Sério? Eu já tinha desistido, por isso esqueci.

– É, valeu pela confiança. Não faço nada com meu tempo. – Ele revirou os olhos. Ri. – Se ainda quiser...

– Claro. – Dei mais um empurrão em seu braço, mas ele agarrou minha mão. – Vou aprender aquelas bolinha?

– Hangeul? Ensino também.

– Eba! Vamos.

– Assim, no caso, sou eu quem estou te levando. – Ele riu, enquanto eu o arrastava pela rua.

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Ele pegou um lápis muito bem apontado e fez os riscos pela página do caderno. Alguns me eram familiares, eu os vira em documentos do meu pai com as empresas coreanas que ele trabalhava. Lógico que nunca entendi nada.

– Essas são as vogais simples. E antes que pergunte, é, tem mais. A, o, i, u e eu. – Ele ia pronunciando cada uma que ele apontava. A última parecia que ele estava com nojo de alguma coisa.

– Como é? – Eu ri.

– É esquisito, mas é assim. Tipo em eumak.

– Que seria?

– Música. Concentra, por favor? – Ele ficou de pé e abriu uma gaveta em sua cômoda, pegando um caderno. – É meio feio, mas eu tinha 5 anos, logo...

– Seu caderno de 13 anos atrás? – Peguei o caderno, folheando-o com cuidado. – Legal.

– Presta atenção aqui. – Ele voltou a me explicar as vogais. Eu fiquei escrevendo aquilo para tentar memorizar o desenho de cada uma e tentando identificá-las nas palavras que ele me mostrava no caderno.

Bateram na porta. Kyu suspirou e colocou o caderno no chão, ficando de pé. Abriu a porta, tentando amenizar o estrago pouco depois. Mesmo com seu corpo na minha frente, ainda dava para ver Kyle de cuece samba-canção e o robe marrom.

– Oh, Megan, bom dia. – Ele fechou o robe. Ótimo, uma imagem a menos na minha memória. – Como vai?

– Tudo bom, Kyle?

– Kyu, não vá se esquecer do horário.

Os dois falaram mais alguma coisa e Kyle deu um aceno sem graça. Preferi evitar o assunto embaraçoso e perguntei.

– Vai trabalhar? É sábado.

– Eu sei, mas não é tão ruim. Acabou?

– Aqui. – Entreguei a folha para ele, esperando alguma resposta. – Certinho?

– Uhum. – Sorriso triunfante. Ri junto dele. – Chega por hoje?

– Pode ser. Tenho que memorizar isso tudo. E tenho que ir.

– Eu te levo lá. – Segui-o para fora da casa até o Jaguar. Ele ligou o rádio e deixou o próprio celular tocando uma playlist. Big Bang, Tell Me Goodbye.

– Gente, eu amo essa música, o T.O.P está maravilhoso. Como sempre.

– Nossa, ousada, calma.

– É verdade. Enfim, vou estudar. E você, passe mais tempo com Ali.

– Pode deixar. E mil perdões por aquela maravilhosa visão de Kyle em sua cueca.

– Sabe, pode ser que eu precise me acostumar com a cena, então...

– Bom, se funcionar com sua mãe. – Ele riu, enquanto eu concordava.

– Eu sei. E Hye-In?

– Desde que ela continue não sabendo de Ali, acho que enfrentá-la. Não sei, vou ver.

– Bem, boa sorte. – Finalmente abri a porta do carro e desci. Olhei pela janela e disse. – Tome cuidado.

– Pode deixar. Te vejo depois. – Assim que me afastei, ele arrancou. Dei um suspiro e peguei minhas chaves, caminhando até minha porta.

Enquanto eu tentava acertar o buraco da fechadura, um cara passou correndo pela rua. Não o reconheci. Era um homem alto, de quase dois metros, usando roupas de academia.

E eu tinha certeza que não o conhecia porque eu me lembraria daquela beleza toda. Os cabelos loiros iam até os ombros, presos num rabo de cavalo curtinho, e os olhos verdes virados para mim.

Dei um sorrisinho fraco, cumprimentando-o. Ele retribui e continuou sua corrida. Entrei em casa, indo direto pro meu quarto. Ainda eram sete e meia da manhã, nem minha mãe tinha acordado.

Tirei meus tênis e me deixei cair na cama. Não tinha plano algum para aquela gloriosa manhã de sábado, então me cobri e coloquei o fone de ouvido.

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– Bom dia, meu bem. – Pisquei, atordoada. Eu tinha dormido? Ela tirou meu fone e me deu um beijo. – Saiu mais cedo?

– Uhum, Kyu me pediu para encontrá-lo. – Murmurei, me espreguiçando. – Chances são que eu tenha gripado.

– Aposto que é só um nariz entupido. Toma um remédio que passa. – Dei de ombros, concordando. Elijah entrou no quarto, me procurando.

– Zinha...Ei, mãe, bom dia. – Ele deu um beijo nela e voltou a falar comigo. – Vamos lá na faculdade, preciso comprar um trem. Te levo pra almoçar depois.

– Desde quando você liga pra faculdade, Elijah? – Perguntei, ficando de pé, só para poder apoiar as mãos na cintura. Mania que eu tinha.

A verdade é que Elijah tinha começado a estudar tinha pouco tempo. Ele estava na engenharia mecânica devia ter uns dois meses só, mas ele gostava do curso. Só não estudava o tanto que deveria.

– Desde quando eu decidi estudar, burrinha.

– Olha as ofensas. – Minha mãe lançou aquele olhar cortante de quando ela nos repreendia.

– Desculpa. Enfim, anda logo. Calça ai. Mãe, me empresta o carro?

– Nenhum arranhão, em? Pode pegar. Almoçem por lá.

Elijah desceu as escadas e foi buscar as chaves do carro. Eu calcei os tênis vermelhos e troquei de camiseta, vestindo uma mais fresquinha. O dia estava quente.

– Beijo, mãe. – Ouvi o “vai com Deus” e murmurei em resposta, indo atrás de Elijah. – Então, o que estamos indo comprar?

Afivelei o cinto e esperei ele dar a partida.

– É um material para um trabalho em grupo. Pega um CD ai. – E saímos pela rua, enquanto eu colocava Elvis para tocar.

Elijah sumiu dentro de um dos prédios da faculdade. Eu estava sentada por, pelo menos, meia hora no meio do campus, esperando. E nada dele. Ele tinha ido fabricar o tal material? Olhei o relógio do celular mais uma vez.

As aulas já iam começar, e nada dele. Eu estava com fome e sozinha. Vi a secretária de Kyle, Leh, e acenei.

– Oi, o que faz aqui?

– Vim com meu irmão, ele veio comprar alguma coisa.

– Ah, boa sorte. – Ela deve ter percebido que eu estava plantada ali. – Vou me atrasar. Tchau.

Ela saiu correndo para um dos prédios, ajeitando a camisa que usava. Voltei a aguardar, olhando todo mundo que passava pelo meu campo de visão.

E o vi. Aquele cara que tinha passado pela frente da minha casa mais cedo. Os olhos verdes se prenderam em mim de novo e não consegui conter o sorriso. Ele sorriu de volta e seguiu seu caminho.

Ainda estava sorrindo quando Elijah voltou e se sentou ao meu lado no banco. Fitei-o, esperando.

– Pronto. Foi mal a demora, estava aprendendo a usar. – Ele olhou se estava tudo na sacola e ficou de pé. – Vamos?

Fiquei de pé, seguindo-o de volta até o carro. Prendi o cinto de novo. Demorei alguns segundos para perceber que a música diferente era do meu celular. Depois que Duran foi embora troquei meu toque, mas ainda não tinha me acostumado.

– Fala, linda. – Era Ali.

– Vem para cá, agora. Por favor!

– Pra que?

– Kyu me chamou para sair e eu preciso de ajuda. Anda.

– Espera ai. – Coloquei o celular sobre a perna. – Me deixa na Ali, por favor?

– Claro.

– Já vou. – Voltei a falar no celular. – Até daqui a pouco.

Cheguei nos dez minutos que Elijah me prometeu. Entrei e fui direto para o quarto. Já era de casa. Annie também estava lá, revirando o guarda roupa da prima.

– Então, precisa de mim para...?

– Ajudar a me arrumar. Kyu quer me levar ao cinema. – Ela parecia a ponto de dar uma convulsão. Suspirei.

– Vai com uma roupa normal. – As duas me olharam como se eu tivesse sugerido que Ali fosse suja de bosta. – Ali, sério, eu passei duas horas da minha manhã hoje ouvindo de você. Que você é linda, é maravilhosa, é bla bla bla. Kyu te ama, até pelada se você quisesse.

– Saiu com ele hoje? – Ela me olhou de um jeito estranho.

– Liguei para ele enquanto esperava Elijah e a conversa se extendeu.

– Elijah? – Annie perguntou, toda feliz. Antes de eu falar qualquer coisa, ela voltou a vasculhar pelas roupas. – Usa essa.

– É quase transparente, ele vai ver tudo. – Ela cruzou os braços como se quisesse esconder a barriga. Revirei os olhos.

– Não tem nada para esconder, fofa. Nem se você fosse gorda. O que ele também não pode reclamar, ele era.

– Gordo? – Afirmei com a cabeça, me deitando na cama dela. – Como você sabe?

– Eu perguntei quando eu vi as estrias nas costas dele.

– Como viu as costas dele? – Qual era a importância disso?

– Na vez que ele foi te pedir em namoro, ele pediu minha casa emprestada. Antes de ir pra casa do Duran, ele estava sem camisa abaixado amarrando os tênis e vi as costas dele.

Fui ajudar Annie a achar uma roupa, já que Ali ainda não aceitara usar nada. Gastei quase uma hora, mas consegui convencê-la a usar um short e uma camiseta fofinha dela, com os adorados tênis Vans. E Annie a forçou a se maquiar.

– Já posso ir? – Perguntei, ao que ela concordou. – Ok. Boa sorte.

Dei um abraço nela e fui embora, ouvindo Boy in Luv. BTS era muito incrível.

Estava caminhando para casa, quando o vi de novo. E estranhei. Já era a terceira vez que eu o via em um dia. Parecia perseguição já. Ele me encarou com os olhos verdes, mas não sorri.

Entrei em casa e subi para meu quarto, não querendo ser paranóica.

E bom, meu fim de semana foi aquilo. Não fiz mais nada no sábado, e meu domingo passou voando. Passei a tarde conversando com Ali sobre Kyu. Ela parecia ter esquecido do ciúme idiota dela. Fiz dever, dormi.

E na segunda feira, só queria dormir. Ainda assim, me forcei a ficar de pé e ir para a escola, mesmo que meio rastejando. Pesquei a aula quase toda, acordando toda vez que minha cabeça tombava. Anotei a matéria, mas não entendi nada.

Na hora do intervalo, fui ao banheiro. Lavei o rosto, tentando despertar. Pareceu funcionar. Kyu me ligou. Atendei e entrei em uma das cabines, me sentando sobre a tampa do vaso.

Ele parecia nervoso, com a voz trêmula. Fiquei alarmada. A porta do banheiro se abriu, mas não liguei.

– O que foi? – Mantinha a voz baixa, não querendo chamar a atenção.

– Megs, Hye-In tem rodeado a escola. Não andem sozinhas, nem você, nem Ali.

– Você conversou com ela? Tenta explicar, sei lá...

– Eu tentei. – Ele estava absurdamente nervoso. – Toma cuidado, ok?

– Kyu, tem que contar para Ali. Não dá mais pra esconder. Eu me sinto mal por esconder isso dela.

– Me dá uma força, ok. Pelo menos a parte que eu choro.

– Sabe que estou sempre com você, fofo. Confia em mim e tenta. Ainda hoje. Amanhã a gente vai contar, juntos. Ela tem que entender.

– Ok. Tudo bem, te vejo amanhã.

Desliguei depois de me despedir, suspirando. Sai do banheiro, agora vazio, e fui procurar por Ali no corredor. Fomos para a próxima aula, enquanto eu tentava esquecer de Hye-In.

Antes de ir embora, falei para ALi me esperar no estacionamento e fui correndo atrás de Louis para devolver um caderno. Ele me deu um sorriso, conversando com um amigo dele e ainda ganhei um chiclete.

Quando voltei para Ali, vi que Jessica falava com ela. Aquela menina não queria dizer nada de bom. O rosto dela já não tinha as marcas que eu a dei no passado. Kim, como sempre, logo atrás.

Quis parecer confiante quando me aproximei, mas não sei se funcionou. Kim deu um sorriso sem graça. Ela jurava que Jessica podia ser legal, mas eu achava que nunca conheceria esse lado.

Jessica foi embora, jogando o cabelo no meu rosto. Não liguei para a provocação. Só queria me informar da nova mentira.

– O que ela falou?

– Nada não. Depois te falo.

Não insisti, mas deduzindo que fora Jessica quem entrara no banheiro. Revi minha conversa com Kyu e pensei que realmente podia ser estranho. Enfim, nada de bom sairia disso.

Notas finais
E ai, gostaram? Ps. Ouçam o álbum novo do Pentatonix, está incrível < 3 Avi lindão < 3 Todos maravilhosos < 3