No Other
12 Capítulo 12 - Out Last Night
Notas iniciais
Duran ainda não tinha carteira, então pegamos um táxi. Claro que ele não me deixou pagar a corrida, mas não discuti. Tinha a sensação de que não ia dar em nada.
Era um restaurante, mais afastado, nas redondezas do bairro. O lugar mais parecia um barzinho de beira de estrada, mas era bem confortável.
– Nada extravagante, mas também não é um buraco, nem nada assim. – Duran abriu a porta para mim, dando um sorriso vago. Entrei antes dele.
Algumas mesinhas estavam espalhadas pelo espaço, o balcão tinha vários banquinhos altos de madeira. Num canto mais escuro havia uma jukebox, brilhando com o neon verde e azul, tocando “Country Roads” do John Denver.
– Pode escolher uma mesa, se quiser. – Ele parou ao meu lado, colocando as mãos nos bolsos da calça.
– Não, pode... – Não precisei terminar a frase pra que ele entendesse. Ele olhou as mesas e me guiou até o balcão. Me sentei num dos banquinhos, puxando a saia do vestido e olhando as garrafas de bebida.
– Vão querer alguma coisa? – Uma garota da nossa idade nos encarava, não muito longe de onde estávamos, por trás do balcão, limpando um copo.
Eu tinha a impressão de que a conhecia. Ela devia ser da altura de Ali ou um pouco maior, com o cabelo castanho acobreado na altura dos ombros e olhos azuis claros. Ela parecia com sono, mas sorria como uma criança brincando no meio da tarde. Muito fofa.
– E ai? – Ela estava na nossa frente agora. Coçou o nariz com a palma da mão.
– Desculpa, eu te conheço? – Me parecia um pouco de falta de educação perguntar daquele jeito, mas eu precisava tirar aquela dúvida. Duran respondeu antes dela.
– Ela é da escola, mas acho que você quase não tem aulas com ela. Ela trabalha nos fins de semana para poder “alcançar seus sonhos”. – Ele se virou para ela, debochando no fim da frase.
– Sonhos? – Perguntei, ignorando a provocação de Duran. Ela revirou os olhos pra ele, batendo de leve no ombro com o pano que usou no copo.
– Em resumo, bancar um curso de coreano e pagar uma viagem para a Coréia do Sul. E aprender japonês também. Quero viver na Coréia ou no Japão.
– Por que na Coréia?
– Eu poderia dizer que é pela qualidade de vida, mas é por kpop e doramas mesmo. – Ela deu de ombros.
– Doramas? – Pensei por um instante, me lembrando das conversas com Ali. – Ah, sei.
– A propósito, já que o inútil aqui não me apresenta direito... – Ela coçou o nariz de novo, inclinando a cabeça para Duran. – Sou Kimberly.
– Prazer. Megan, ou só Megs. – Sorri para ela.
– O mesmo de sempre, Duran? – Ele concordou depois que ela retribuiu meu sorriso. – Você?
– Hm... – Pensei por um instante , mas eu não sabia nada do cardápio, então simplesmente dei de ombros. – O...mesmo?
Ela se virou e foi para a cozinha. Só quando ficamos em silêncio, ouvindo a música da jukebox, pensei em perguntar o que Duran sempre pedia.
– O que você pediu? – Soei um pouco alarmada.
– Batata frita e coca com vodka.
– Vodka? – Eu ia pedir outra coisa, mas Kimberly já tinha voltado com os dois copos e a cestinha de batatas.
– Só um gole, vai. – Duran pegou um dos copos e me entregou. – Não dá pra ficar tonto com um copo só, eu sempre peço Kim pra por pouca vodka. Só pra eu ver sua cara bebendo. Toma.
Peguei o copo e suspirei. Era só um gole, afinal. Kimberly nos observava de longe, provavelmente esperando para ver minha cara também.
Tomei o gole, hesitante. Franzi o nariz, fazendo Duran dar uma risada leve. Era estranho, o gosto. Apesar de bem disfarçada pela coca ainda dava para sentir a vodka.
– E ai? – Duran tomou um pouco também.
– Nunca te imaginei bebendo. – Comi uma batata, tentando tirar o gosto de álcool da boca.
– Digamos que é um segredo meu e de Kim. E seu também agora. – Ele sorriu. – Mas nunca cheguei a ficar tonto.
Ficamos conversando. As horas iam passando. Não me lembro muito do que aconteceu. Lembro dos copos indo vazios e voltando cheios. Da jukebox.
Duran estava rindo mais que o normal, abraçando meu braço. Tomei mais um gole, franzindo o nariz de novo. Odiei o gosto, mas continuei, não sei porquê. Eu sorria também.
A jukebox parou. Me levantei, sentindo as outras pessoas me olhando. Com muito custo, consegui coloquei uma ficha na máquina e selecionei uma música. “Riding With The King” do B.B. King com Eric Clapton.
– Boa, garota. – Duran pegou minha mão. Eu ouvia o burburinho das outras pessoas. Minha cabeça latejava um pouco.
– O que você fez comigo? – Minha língua parecia devagar, embolando na minha boca. – Eu quero dançar!
Antes que ele falasse qualquer coisa, eu usei sua mão de apoio e subi no balcão. Vi Kimberly rindo atrás de mim, surpresa.
– Sobe ai, Kim! – Gritei para ela antes de começar a berrar a letra da música.
“Don’t you know you’re riding with the king?”
Meu cabelo já tinha se desprendido, caindo no meu rosto. Peguei mais um copo e tomei outro gole. Vi a expressão no rosto das pessoas me olhando, mas não as interpretei. Não consegui direito.
A música acabou. Fiquei parada em cima do balcão, sem ter como descer. Duran abraçou minhas pernas e me tirou do alto do balcão. Ele estava vermelho, rindo e meio trôpego.
– Kim, fecha pra mim. – Ele passou um dos braços sobre meus ombros, me impedindo de cair e se apoiando em mim, ao mesmo tempo.
Não ouvi o valor da conta, nem Kim se despedindo, nem nada. Minha cabeça agora latejava insistentemente.
Saímos do bar, rindo alto. Fui me escorando nele. A rua estava vazia, a não ser por nós dois, tontos e risonhos, tropeçando na calçada.
Fomos para minha casa caminhando. Não era muito longe, uns 20 minutos de caminhada. O vento no meu rosto me deixava um pouco sonolenta, mas não me deixava passar mal.
Parei em frente à porta, Duran ainda me apoiando. Ele pegou a chave na minha mão e abriu a porta, me levando para dentro.
Duran me colocou na cama, depois de me carregar escada acima. Eu estava mais desperta agora, ainda tonta.
– Tudo bem? – Ele se sentou aos pés da cama, tirando minhas sandálias.
– To bem. – Respirei fundo e me sentei. – Vem cá. – Antes que ele reagisse, coloquei minha cabeça no ombro dele.
Meu quarto estava escuro, a casa estava em silêncio total e minha cabeça latejava, mas tudo parecia certo. Duran encarava o chão fixamente, como se pensasse em algo para dizer.
– Nunca achei que você fosse dizer aquilo. – Ele riu e afundou o rosto no meu cabelo, agora totalmente desgrenhado. Sua voz ficou abafada. – Sabe, mesmo antes daquele dia aqui no seu quarto eu já era afim de você.
– Sério? – Minha voz saiu fraca.
– É. Desde o primeiro dia, na aula de química. Você devia ver minha cara quando vi a mensagem que Alice mandou. – Uma riu, erguendo a cabeça. – Eu sei que você não diria aquilo.
– Acho que ela não pensou nisso. – Ergui meu rosto, tirando meu cabelo dos olhos. Olhei para ele. – Mas foda-se.
Não sei bem quanto durou, mas me lembro bem dos lábios dele nos meus. Senti as mãos dele no meu rosto e depois na minha cintura. Eu peguei a camisa dele e o puxei para mais perto.
Me lembro vagamente do travesseiro sob minha cabeça e do braço dele sobre minha cintura. Dormi.
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