No Olho da Tempestade Reboot!
9 O Primeiro Dia
Notas iniciais
“Eu sei que não faz sentido agora… Mas meu pai tá vindo.” Ainda sem tirar o braço de cima de seu rosto o rapaz continua “Se você não quiser o desprazer de conhecê-lo…” seu ton deixava muito claro que não deveria querer “É melhor a gente formalizar isso até abaixar a poeira.”
***
Gokudera ficara indisposto no sofá de sua sala, soltando não mais do que ocasionais grunhidos que, dado o peso da situação, já poderiam ser encarados como um choramingo baixo e constante.
Quando Haru finalmente recompôs-se da exaustão, era já tarde. Ambos os seus pais já haviam saído e, para seu deleite, deixaram o almoço pronto.
Gokudera não quis comer.
Então, tá… guardou a parte dele na geladeira e lavou os pratos.
Já que não foi à escola, decidiu por algumas coisas em ordem. Respondeu as centenas de mensagens do celular, desmentindo a maioria das perguntas e pedindo para guardarem segredo… arrumou o quarto, leu um pouco, sentiu fome de novo, preparou um lanche e -porque não? -, aproveitou o colchão do meio da sala pra comer seu bolo enquanto via TV deitada.
A latejante noção de que aquele estranho, barulhento, irritadiço, rapaz grisalho choramingando em seu sofá no meio da sala era agora considerado seu “namorado”, ou pior, “noivo” era, de garfada em garfada, empurrada para o fundo de seu âmago. Se havia algo que a garota Hahi sabia era que pra essas e outras coisas, você sorri e acena primeiro e dá um jeito de consertar o estrago depois, geralmente de um modo bem absurdo.
Esperaria por esse momento. Esperaria ansiosamente.
Por agora… comer.
Chegou a sentir-se sonolenta quando ouviu a chave na porta de entrada. Quando tanto seu pai quanto sua mãe entraram, percebeu que não apenas se sentiu sonolenta, como cochilara por umas duas horas…
“Hagi… não me diga que dormiram o dia todo?!” Por siete a morena arrumara a casa, o que lhe servira de prova que, pelo menos ela não ficara de bobeira. O olhar castanho de sua mãe logo vai de si pra Gokudera “Hmph. Põe aquele ali no seu quarto. Seu pai quer ver novela.”
A ideia de ter que dividir o quarto com “aquele ali” a incomodou mais do que esperava e não era nem pelo guardião em si…
Ela só não gostava de se sentir desentendida com a mais velha.
Sorriu e acenou. Tirou o colchão do chào da sala e o levou pro quarto. Depois buscou Gokudera.
“Ah, Haru-chan! Não esquece de mostrar esses documentos aqui!” Assim que colocou a pasta em suas mãos, seu pai chega bem perto e sussurra “É dos testes que fiz no laboratório… pede pra ele ve os numeros e me dizer o que acha!!” Dito isso piscou e abriu um sorrisão bochechudo de criança travessa.
Pelo menos alguém estava se divertindo com a situação...
Um pouco com medo, um pouco sem jeito, ela dá uma sacudida leve no braço que ele estava usando para cobrir o rosto. Era estranho… encostar nele… principalmente quando lembrava que as outras pessoas no recinto imaginavam que já tiveram tanto mais contato que aquilo… Mas não tinham. E era ridiculamente vergonhoso interagir com Gokudera, ainda que minimamente, tendo essas perspectivas em mente.
Ele se levantou como quem estava morrendo lenta e dolorosamente e desabou em cima de sua cama (não no colchão. Na sua cama) assim que entrou no quarto.
Talvez… fosse assim com todos os parentes de sangue…
Só de olhar Bianchi, passava mal.
Só de mencionar o próprio pai… passava mal.
Devia ser duro pra ele...
Sentiu um pouco de compaixão a princípio… Aproveitando chegou até a buscar um cobertor melhor, uma sacolinha de gelo pra por na cabeça e mandou um recado pedindo pra um dos amigos trazer algumas coisas (pelo menos umas roupas, né?) pra sua casa. Mas quando deu 22:00hr e ele ainda resmungava, a compaixão de Haru já havia sido digerida e descido pelo cano junto do lanche da tarde.
“Arrrrgggggghhhhhhhh…….”
“Hagi, chega!!” E joga seu kit de costura de lado, “Mas o que é que o pai de Gokudera tem de tão ruim afinal de contas!?!”
“O que… tem… de…” gokudera começou a rir.
De repente, o não tão enjoado guardiao está segurando seus ombros, encarando-a perto demais para seu conforto.
“Aquele… aquela coisa me destruiu o estômago e talvez a dignidade com intoxicação alimentar... QUASE me matou por envenenamento várias vezes por causa de alguns aplausos idiotas vindos de pessoas imbecis de quem ele NEM GOSTAVA… Aquele TROÇO, que tirou qualquer direito de brincar quando criança pra me enfiar um monte de aula inutil, SÓ porque era chique, ESSE PROTÓTIPO MAL FEITO DE SER HUMANO PENSA QUE VAI VIRAR AVÔ E QUER PORQUE QUER, DE ALGUM JEITO, USAR DISSO COMO DESCULPA PRA TERMINAR COM A MINHA VIDA…”
“Então… ele mandou email dizendo que quer compensar o que fez de errado com Gokudera, através do neto…?”
“Sim.”
“Oh…” e depois de um curto, mas consistente, período de tempo... “ISSO É TERRÍVEL-DESU!”
“Ahh, AGORA entendeu…!”
“Mas Gokudera tem que dar um jeito! Explica pra ele que foi alarme falso-desu!”
“O QUE?! PRA QUE?! PRA ELE INVENTAR DE FAZER ESSA COMPENSAÇÃO MALUCA COMIGO?! Nããão, não!” Só de pensar nas atrocidades que o mais velho poderia inventar pra se’reaproximar’, Hayato sentia a cabeça girando…
“Tch. Chego quase a preferir passar essa bola pra um filho do que viver tudo de novo na minha própria pele…” … !! … Virou-se pra Haru um segundo. Abriu a boca, fechou, olhou para a barriga… e ela lhe dera um tapa na cabeça “QUE ISSO, MULHER!” Outro tapa “AH! PÁRA!”
“Haru não vai fazer filho só pra sofrer no lugar de Gokudera! NEM OENSE-DESU!!”
“Quem é que falou em fazer filho?! Eu pensei em pegar um emprestado! Ficou louca! Que horror!” Outro tapa. “QUE ISSO AGORA?!”
“Hagi! Não fale da Haru como se tivesse aversão- desu!”
“Eu falo que quero fazer, você me bate! Falo que não quero, você ainda bate… DECIDE, MULHER!”
O som de uma gaveta se fechando quebrou o assunto. A mãe de Haru terminou de guardar as peças passadas e se virou pra sair.
“Vida de casado só tem disso pra pior.” Comentou sem olhar pra eles. Desgosto e frieza transbordavam suas palavras “Acostumem-se.” E bateu a porta do quarto.
…
...
Haru levantou, apagou a luz do quarto, voltou e entrou debaixo da coberta. Gokudera pegou seu saco de gelo, pôs metade em uma toalhinha e estendeu pra morena ao lado e se cobriu também…
E com esse alegre comentário, encerravam o dia dessa forma: ambos choramingando até dormir.
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