No More Secrets
9 Passado de imaginação
Notas iniciais
— O que você está fazendo aqui? – era o primeira pergunta que o Dipper de 8 anos havia feito para o garotinho que estava sobre o galho da árvore.
O primeiro contato que ele teve com o seu “amigo imaginário”. O garotinho loiro que se agasalhava no sobretudo amarelo em cima do galho sorriu ao ver a presença de Dipper, observando aquelas suas singelas e preciosas pupilas castanhas se dilatarem ao encanto do garotinho ao novo amigo com a aparência totalmente exuberantemente bela.
— Aqui é meu esconderijo secreto. – o rapaz de cabelos loiros, como os poucos raios que transluziam a copa de árvores daquela tarde, respondeu com sua voz difusa de uma criança para a idade dele.
— Não é justo! – Dipper bateu o pé choramingando – Eu cheguei aqui primeiro! Há muito tempo!
O loiro apenas permaneceu ereto por cima do galho, encarando a criança abaixo dele que lhe admirava com certa indignação.
O pequeno Dipper apenas cruzou os braços e deixou-se cair contra o tronco da árvore, sentando e sentindo a pouca grama lhe formigar as pernas lisas e estreitas. Era difícil encontrar uma área florestal tão rica como aquela em Piedmont. Dipper sempre sonhava em morar num lugar onde pudesse viver entre a natureza, mas para um menino de cidade grande aquele não era o caso.
Agora, o único lugar que ele tinha para ele havia sido roubado descaradamente por um loiro metido.
Ele sentiu aquele sentimento pesado lhe encher os pulmões como se fosse o oxigênio que ele estava tão acostumado a respirar. Sentiu as emoções lhe subirem a cabeça. Aquele sentimento triste novamente lhe consumia como uma hera venenosa se enroscava num muro desprotegido.
Abaixou a cabeça.
As gotas quentes lhe atingiram a coxa.
Ele soluçou.
Nada parecia colaborar com ele naquele dia.
— Porque está chorando? – a voz surgiu tão repentinamente que Dipper tomou um susto. O loiro estava ajoelhado logo ao lado dele, com um olhar intrigado próximo as lágrimas que moravam nas bochechas de Dipper. Como que um menino que estava em cima de uma árvore há poucos segundos conseguiu descer tão rapidamente sem que Dipper percebesse?
Dipper se virou para responder. Foi quando viu que o menino só tinha um olho.
— O-o que aconteceu com...? – gaguejou. Não conseguia terminar.
— Meu olho?
— É.
O menino excêntrico se afastou um pouco, deixando que a luz do sol lhe tomasse conta do rosto. Dipper não podia distinguir quem era mais belo ou radiante. Embora a cor chamativa, aquele garoto era curiosamente inexpressivo. Como se tudo parecesse tão comum ou sem graça.
— Em muitas culturas, um único olho representa o poder e total controle. – era tão bizarra a forma que um menino tão novo havia falado aquilo tão rebuscadamente.
— Como o olho da providência?
Dessa vez foi o loiro que se assustou.
— Conhece sobre esse assunto?! – ele perguntou para Pines intrigado.
— Sim! – o menino já pulou em entusiasmo, esquecendo-se totalmente das lagrimas que ainda estavam nas suas bochechas – Já li tudo que tem na biblioteca da minha escola sobre sociedades e seitas mitológicas antigas.
O garoto de amarelo continuou atônito.
— Nessa idade e já lê coisas assim? – pensou em voz alta sem que percebesse.
Dipper amoleceu e voltou-se a encolher no seu canto.
— O que foi? – o garoto perguntou.
— Você também vai zombar de mim. – Dipper soluçou.
— Porque eu faria isso?
— Porque eu leio coisas que as outras crianças normais não leem.
— Eu particularmente não vejo motivo para ser julgado por isso.
— Mas todos veem. Eu sou só... um nerd. – Dip colocou a cabeça entre os joelhos, se fosse como sua irmã diria ter ido para a terra do suéter. Mas apenas deixou o ambiente se tomado pelo som de seus soluços abafados.
— Você diz como se isso fosse uma coisa ruim.
— Pelo visto é.
Foi quando Pines sentiu o seu ombro se contrair numa reação inesperada, seu corpo havia sido tomado pela sensação fria do toque do menino de cabelos solares. Olhou de súbito e se pegou vendo o seu olho mudando de cor e seus dedos cadavéricos escapando para fora das mangas do seu sobretudo grande demais para os seus braços.
— O conhecimento pode levar você a lugares incríveis. – ele disse – Lembre-se disso.
— Que lugares?
O garoto fechou o rosto.
Levantou-se e se dirigiu com passos indiferentes até a frente de Dipper. Sempre mantendo a expressão séria e impassível. O loiro esticou os braços na direção dele.
Dipper permaneceu com a expressão confusa por um tempo, com os olhos avermelhados pelas lágrimas, tentando decifrar o que aquele garoto bizarro estava fazendo parado esticando as mãos para ele.
— Que isso?
— Se segure. – disse brevemente – Vou te mostrar até onde o conhecimento que eu tenho me levou.
Hesitante, mas tomado pela curiosidade, Dipper colocou a mão sobre a dele. O menino ajeitou a posição da palma de Pines e entrelaçou os seus dedos nos deles de forma que ficassem firmes. Aquele toque. Direto e preciso. Fez Dipper sentir algo pela primeira vez. Algo que fez o seu coração abalar e se aquietar ao mesmo tempo. Sentiu seus joelhos se ajeitando enquanto ele se levantava, sentindo as últimas lágrimas lhe atingirem o peito como se fossem os pingos da chuva passageira que suas confusões emocionais transformariam durante os anos numa tempestade.
E tinha aquele olho. O olho daquele ser.
Roxo.
Roxo como as cores do arco-íris que tinha pintado no mural de sua classe, como os suéters chamativos que sua irmã usava, como o céu ficava durante o amanhecer das noites que ele passava acordado abrigado no seu refúgio de livros. Tudo remetia a mais profunda alma do garoto. Ele não podia explicar desse modo. Apenas o fazia se sentir contente. Intrigado. E leve... muito leve.
Leve até demais.
Sentiu os pés soltos.
Ele não tocava mais o chão.
Viu o verde das copas chegando mais perto e sumindo em torno dele em seguida. Num instante era só ele e o garoto. No azul do céu, cortando o vento árduo na medida em que subiam mais e mais.
Voando.
O loiro viu o rosto do moreninho se desfazer numa mistura inacreditável de medo, encanto e confusão. Ao mesmo tempo em que tudo era incomum e assustador, era tudo tão normal. O loiro sentiu a pontada enquanto observava as mãos do garoto ficando instáveis nas da dele, seus olhinhos voltando ao normal enquanto ele mandava as suas lágrimas pra longe, lançadas pelo vento e caindo como fagulhas que se dissiparam para sempre na imensidão do ar.
— Sem mais choro. – disse o mono olho.
Ele continuava a sentir as mãos de Dipper tremulas pela adrenalina.
— Está assustado? – ele perguntou, num tom que assustou Dipper. Qual era o problema com aquele olho só? Era como se ele não soubesse identificar as emoções humanas. Era claro que Dipper estava assustado.
Pines assentiu.
— Tudo bem. Vou descer com você.
E assim fez. Logo Dipper sentiu os pequenos fragmentos de galhos lhe roçando as escápulas na medida em que eles desciam entre as árvores da mata densa.
Sentiu os pés encontrarem o solo de novo, a pressão lhe normalizar a cabeça e seu corpo à temperatura.
— Uou! – Dipper exclamou a única coisa que podia. – Uou! – insistiu lançando sua expressão animada na direção do garotinho voador, que permanecia inexpressivo como se aquilo tudo houvesse sido tão simples quanto uma volta de bicicleta com rodinhas. – C-como que você... fez... isso?!
— Tenho o dom há muito tempo. É meio de onde eu vim.
— De onde você é?
O loiro parou por um momento como se procurasse as palavras certas.
— De um lugar distante.
— Qual o seu país? É em algum lugar da Ásia? Ouvi dizer que pessoas que nascem com os olhos puxados tem a habilidade de fazerem coisas incríveis. Já viu Dragon Ball? As pessoas soltam raios das mãos e-
— Tenho a total certeza de que não é nenhum lugar que lhe vier à mente.
— Mas o seu olho...
— O que tem ele?
— Ele tem uma cor diferente. Já me disseram sobre as várias cores de olhos que alguém poder ter, mas nunca citaram ele ficar dessa cor. – comentou na inocência.
— Isso é... – ele fez uma pausa, tomando sua respiração – Meio que a marca das minhas habilidades únicas.
— Como assim?
— Quer dizer que sou especial.
— Porque você tem um olho só?
— Não exatamente por isso, mas meu olho é o ponto de fluxo de toda a minha... diferença.
Dipper coçou a cabeça – Queria poder ser assim. – disse.
— Com minha energia ou um olho só?
— Poder voar. Poder mostrar para todo mundo que eu sou legal.
— Você pode.
— Não posso não – riu – Se eu tentasse iria quebrar os meus braços ou as minhas pernas. Por mais que eu tente, os meninos daquele lugar vão continuar me zoando. Não vou deixar de ser um nerd.
— Você é mais especial que aparenta. – o tom do mono olho se elevou brevemente, como se tivesse indignado com o rebaixamento que aquela criança tinha sobre si – Acredite, não é tão fácil para eu conseguir voar como eu voei agora. ‘Coisas’ como eu, precisam de energia de pessoas como você para poder realizar os poderes que em mim habitam.
— Tipo em metafísica? – disse Dipper mesmo ainda não tendo certeza em sua mente pequena do enorme contexto que aquilo englobava.
— Tem mais haver com o caos e destino. – explicou – Você também tem um ponto de energia como meu olho. Eu só não sei em qual parte do seu corpo exatamente. – disse enquanto analisava o garoto com os olhos semicerrados.
Dipper sorriu.
— Quem é você? – ele perguntou.
O menino lhe lançou um olhar.
— O que você quer que eu seja? – ele respondeu com outra pergunta.
Dipper sentiu um desconforto no coração que estranhamente o acalmou.
— Um amigo. – ele disse convicto e diretamente como se houvesse liberado de dentro dele algo que estivesse esperando por muito tempo — Quero que você seja meu amigo.
— Então um amigo eu serei – ele respondeu mantendo olhar intrigado.
— Mas... – Dipper gaguejou.
— Qual o problema.
— O seu nome. Eu ainda não sei ele.
O menino misterioso levantou o olhar na direção dos olhos do moreninho, com passos calmos, ele se aproximou de Dipper mais uma vez. Os dois estavam debaixo das sombras das copas. Uma das frestas da luz solar que escapavam pelos espaços entre os galhos iluminava apenas o lado esquerdo o seu rosto iluminado. Evidenciando, cada vez mais assustadoramente, o absurdamente enorme olho lilás do loiro.
— Me nomeie. – ele disse, sua voz era baixa, quente e acolhedora. Dipper nunca havia visto um menino da sua idade falar como aquele falava. Aquilo causava um desconhecido formigamento que ele não conseguia identificar como bom ou ruim. Era animador de certa maneira.
— Te dar um nome? Igual um cachorro? – riu baixinho.
— É. Serei o que você quiser. – repetiu.
— Eu sempre quis ter um cachorro pra chamar de Charlie. – assumiu Dipper.
— É o que você quer?
O menininho assentiu.
— Então serei Charlie. – disse se afastando, foi quando Dipper pode ver o que tanto havia procurado desde o começo. Um sorriso. Era singelo e quase imperceptível. Mas estava lá. Um pequeno traço delicado e quente como os ventos que sopravam naquela tarde – Seu amigo. – completou.
E assim foi. Os dias passaram e as tardes voavam como se os ventos vespertinos as levassem embora. Dipper sempre chegava animado da escola para ver o seu mais novo amigo e conversar com ele. Dipper, sempre animado, contava para Mabel de como Charlie era diferente e incrível. Os pais aceitaram aquilo com normalidade. “Antes um amigo imaginário do que nenhum” pensavam. Até que certa tarde Pines chegou à mesma árvore de sempre atrasado.
— Eu demorei! – ele anunciou vindo correndo – Me desculpa! Você ainda vai ser meu amigo, né?! Está bravo?! Desculpa, desculpa...!
O tintilar metálico veio aos ouvidos de Charlie na medida em que seu novo amigo corria. Logo ele identificou que o som vinha de um pequeno sino dourado que estava amarrado no pescoço de Dipper. Acompanhado de todo um traje felpudo meio cinzento.
— O que você está usando? – Charlie perguntou com a mesma expressão de sempre.
— Ah!... Isso? – disse puxando uma das orelhas de poliéster da fantasia de carneirinho enquanto corava profundamente – A minha irmã me faz usar isso às vezes.
— Eu gosto. – Charlie sorriu.
Charlie sorriu.
Ele sorriu.
Dipper arregalou os olhos em espanto enquanto deixava o fato de estar ficando tão vermelho quanto o enorme laço vermelho que tinha no pescoço de lado.
— A Mabel também gosta muito.
— Você sempre fala muito da sua irmã.
— Eu amo ela. Ela é a pessoa que eu mais gosto e minha única amiga. – ele disse cabisbaixo – Quero dizer, além de você – corrigiu curvando os lábios num sorriso que não mostrou os dentes.
— O que você faz com essa roupa?
— Eu... – ele parou por um tempo, envergonhado – Danço e canto uma musiquinha pra minha mãe.
O olho esquerdo de Charlie se encheu.
— Me mostre.
— O quê?! – Dipper deu um salto em espanto – Nem pensar!
Charlie cruzou os braços e sentou-se ao pé da árvore.
— Você está bravo comigo? – Dipper perguntou.
— Não. Eu só queria saber sobre o que dizia a música.
Dipper olhou para os lados e deu um suspiro. Encostou-se no desceu até sua base, ficando ao lado de Charlie.
— Bem... ela fala sobre carneirinhos.
— E...?
Dipper lançou o olhar no distante, tentado lembrar-se de mais alguma coisa. Foi quando percebeu, entre o espaço das pernas um do outro, um tímido broto de pétalas brancas.
— Margaridas! – exclamou apontando – A música fala sobre margaridas!
— Você gosta desse tipo de flor?
— Hum... Sim. Eu gosto. – respondeu incerto.
— Me dê a sua mão.
— Vamos voar hoje de novo? – perguntou empolgado.
— Hoje não. Apenas me dê sua mão. Preciso da sua ajuda.
— O-ok.
Dipper sentiu o calor do seu corpo sendo devorado lentamente pelo frio predador dos dedos longos de Charlie. Sentiu o contraste de sua pele macia na palma áspera dele contra o atrito da grama onde deixavam as mãos sobre.
Começou como um formigamento.
Um formigamento na testa de Dipper.
Ele sentiu aquilo correr da sua cabeça até seu antebraço como se fosse seu sangue fervendo entre as veias, a sensação descia as suas entranhas como se elas fossem escadas espiraladas. O formigamento passou para o solo. Demorou um tempo para que ele percebesse que o movimento agora vinha de dentro da terra e não dele.
A grama se movimentava como veias pulsantes e a terra corria por debaixo da sua mão como se estivesse viva. Como se a qualquer momento um daqueles animais subterrâneos saltassem para fora de suas tocas.
Foi ai que aconteceu.
Uma pequena ponta verde clara começou a emergir da terra próxima a mão dos dois. De repente foram duas. Três. Logo se viram em torno de um amontoado de brotos que subiam da terra rapidamente, como se estivessem dentro de um daqueles vídeos em time-lapse. Charlie passou o dedo indicador da outra mão em volta de um dos caules mais próximos a eles e o broto se abriu. Dipper viu as pétalas brancas como marfim se desprenderem tão uniformemente que acreditou que estivessem sendo abertas por um zíper invisível puxado pelos dedos de Charlie.
Logo a flor se encheu majestosamente. Mostrando ao mundo o seu enorme miolo amarelo. Amarelo como os cabelos de seu amigo. Amarelo como aquelas tardes radiantes que deixavam a sua marca registrada nesses momentos.
Dipper deu um grito em exaltação repleto de encanto.
— Lindo! – e soltou as mãos do amigo para aplaudir.
Charlie arrancou uma das margaridas e estendeu-a na direção do moreno. Fazendo Dipper sentir as pétalas lhe fazerem cócegas na ponta do nariz e o aroma doce lhe invadindo as narinas.
— Tó. – presenteou Charlie.
Dipper sorriu mais uma vez e pegou a flor nas mãos. Admirando-a. Quando se virou para agradecer, topou com o loiro vindo em sua direção, ficando cada vez mais perto até que a respiração dos dois se tornou uma só e os narizes se encontraram. Charlie lhe deu um selinho e se afastou em seguida. Mantendo a expressão de total naturalidade enquanto esperava alguma reação do menino.
— E-eca! – Dipper encolheu-se em constrangimento – Porque fez isso?
— Ouvi dizer que é isso que as pessoas daqui fazem quando querem mostrar que gostam muito da outra. – explicou.
— É. Mas não na boca! – Dipper riu.
Charlie deitou no gramado. Dipper se manifestou:
— Porque não podemos mostrar isso pro meus pais? A minha irmã iria adorar te conhecer. Você poderia me ensinar a fazer essas coisas pra eu combater os valentões da minha escola e-
— Não é tão simples assim Dipper! – cortou – Eu não sou daqui! As pessoas não irão me entender! Nem o que eu faço. Esse mundo... Apenas não é pra mim.
Dipper parou por um tempo, tentando achar o que era certo.
— Como assim? Como é o seu lugar então?
— Um lugar ridículo. Onde eu fico com uma forma ridícula.
Dipper acompanhou o amigo, deitando-se e admirando o céu enquanto se deliciava com o cheiro das flores.
— Você poderia criar um novo mundo então.
— Não posso sozinho.
— Então nós deveríamos criar. Você disse que eu te ajudo. Eu poderia tentar ajudar você.
Charlie arregalou o olho. Uma resolução correu toda a sua mente infinita.
— Sim. – ele disse contemplo – Sim! Isso seria possível.
— Um mundo aonde ninguém iria nos julgar.
— Sim Dipper.
— Poderia ser do jeito que nós quiséssemos.
— Sim! – Charlie sorriu.
— Estou ficando com sono. – assumiu Dipper, segurando-se para não mergulhar o nariz na grama. – Vamos nos ver amanhã?
— Dipper, — começou – você precisa entender uma coisa.
— O que? –sua voz já estava sonolenta e os olhos pescando.
— Eu não posso ficar aqui nesse lugar para sempre. Terá um momento em que eu terei que voltar para onde eu vim.
— Nós ainda teremos tempo? – disse de um jeito quase inaudível ao fechar os olhos – Pra brincarmos juntos?
Charlie parou por um instante. Sentindo suas sobrancelhas se arqueando num gesto de desolação e dor.
— Receio que não.
— Então, quando vamos nos ver de novo?
— Daqui a quatro anos precisamente.
Dipper riu um pouco antes de voltar à tarefa do sono.
— Que exato. Isso é muito tempo. Como sabe?
— Eu sei de muitas coisas. Quero que você saiba que até lá eu poderei estar de um jeito diferente. Uma forma diferente. E você muito provavelmente não irá se lembrar de mim nem me reconhecer. Mas preciso que você saiba que sempre estarei te protegendo e te observando quando esse dia chegar.
— Tá bom, tá bom... – Dipper murmurou não dando atenção e caindo no sono.
Charlie observou o cansaço tomando conta daquele garotinho especial. Ele se curvou e lhe deu um beijo na bochecha.
— Adeus Dipper. Eu prometo que um dia ainda criaremos o nosso mundo.
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