Notas iniciais
Desculpe pela demora. Estou hiper mega desmotivado a fazer qualquer coisa. Voltei às aulas, voltei às responsabilidades e às obrigações. *sigh* Eu não fiquei 100% satisfeito com a escrita desse capítulo, mas eu senti que estava devendo. (ou talvez por medo de perder leitores) então cá está. Aproveitem.

Um pequeno sobressalto provocou um imenso burburinho interno em Dipper. A forma em que Bill se movimentava na escuridão... A penumbra da noite... Seu contorno... O sentimento de conforto que ele havia sentido na noite anterior... A silhueta protetora de seus sonhos.

— Era você. – Dipper afirmou com a voz mais incrédula que conseguia oferecer. Ele parou por um tempo preso na armadilha de braços longos de Cipher. Se recusava a acreditar no que sua mente lhe oferecia. Ele havia sonhado com Bill aquele tempo todo. O demônio sendo o seu anjo protetor. Era tão intenso e sarcástico que Dipper acreditou que iria vomitar a qualquer momento. Porque ele tinha aqueles sonhos com ele? Porque seu subconsciente insistia em martelar a ideia de seu pior inimigo ser um protetor? – Era você o tempo todo. – insistiu.

Bill Cipher desfez o sorriso.

Havia sido tão de repente que acabou sendo mais assustador do que o próprio.

Sério, Dipper quase podia ver o Bill de antes. O mono olho sem expressões. Deixando o seu universo de sentimentos em mistérios que atiçavam a paciência do garoto.

— Está na hora de conversarmos.

— Não! – Dipper exclamou antes que Bill pudesse continuar. O seu peito batia rápido como um sistema de alarme pessoal. Dipper precisava sair dali. Aquela situação desconhecida o assustava. Porém... ele estava gostando de se sentir assim. Era intenso. Bill Cipher era como um grande quebra-cabeça de segredos e Dipper ansiava mais do que nunca para resolvê-lo.

— Vai me contar sobre tudo o que está acontecendo.

Bill não mais usava o seu tom ironicamente indiferente de sempre. Ele estava falando sério. Por quê? Porque Cipher queria saber sobre Dipper? O que ele estaria tramando.

“Será que...” Mesmo que num pensamento, Pines se preparava para o absurdo que ele estava prestes para dizer a si “Será que Bill se importa comigo?”

Não. Dipper estava a ponto de soltar uma gargalhada mais uma vez. Era estupidamente hilária a forma em que aquilo havia passado pela sua cabeça com tanta naturalidade. Estaria o seu nível de carência tão absurdamente desumano a ponto de ele... desejar que Bill se importasse com ele.

Vai me contar sobre tudo o que está acontecendo.

A sua mente teimosa invocou aquela frase mais uma vez, como as mais diversas outras cenas.

Dipper olhava para o solo e se lembrava das colinas. Contraia o punho e via Ford entrelaçando os dedos nos dele. Cerrava os dentes e ouvia o som dele mastigando no café da manhã. Tentava mover as pernas para sair dali e lembrou-se dele se erguendo para Pacifica.

‘Eu sou gay, Pacifica’

Esqueça isso Dipper.

‘Está tudo bem, Dipper?’

Esqueça agora, é uma ordem!

‘Eu te amo, Tivô Ford’

Esqueça!

‘Ford não me ama.’

Por favor...!

‘Um erro é um erro Dipper. Apenas cresça, esqueça e siga em frente com a sua vida...’

Não...

‘Aproveite o café, Dip’

...

‘Você está comigo?’

— Não!

O grito desprendeu dos seus lábios demarcando as suas emoções instáveis que ecoaram por todos os lados, se entrelaçando entre os pinheiros, sendo consumidas pela floresta de suas mágoas que tomavam conta do seu coração esmagado pelas raízes de seus troncos de frutos rancorosos e confusos.

Pine Tree deixou seu corpo cair sobre o de Bill. Cipher podia sentir as lágrimas quentes do garoto, transpassando o tecido de sua camisa por debaixo do sobretudo, enquanto o envolvia num abraços. Bill parecia satisfeito. Como se esperasse aquilo de Dipper há muito tempo.

— Por favor... – Dipper não conseguia manter a dicção devido aos seus soluços descontrolados – Me ajuda... E-eu n-não aguento...mais...

Bill Cipher conseguiu esboçar um traço simpático com os lábios fechados, levando os dedos entre as mechas curtas do cabelo de Dipper, afagando-o dos pensamentos em que estava imerso.

— Não se preocupe, Pinheirinho. Eu também não aguento mais. – Bill passou os seus dedos absurdamente esguios em torno do maxilar de Dipper, erguendo seu rosto de encontro ao dele. O contraste dos olhos irritados e cobertos por lágrimas de Dip com o lilás intenso e inexplicável de Bill. – Não aguentar mais te ver desse jeito por tantos anos e não ser capaz de fazer nada, não aguentar mais reprimir os meus sentimentos de milhões de anos preso à minha própria realidade, que foram libertados com a sua ajuda...

— Sobre... – Dipper se odiou por ver a voz falhar – Sobre o que está falando?

Bill suspira.

— Os seus sonhos Dipper.

O coração de Pines salta.

— Como sabe disso?

Bill seca uma lágrima.

— Porque eles não são sonhos.

Dipper dá um passo para trás, Bill não impede. O garoto está incrédulo.

— Você não está dizendo que...?

— Estou sim. Eu estive te observando por mais tempo do que você imagina.

— P-porque...?

Bill desvia o olhar. Parecia tentar se desconcertar dos seus próprios conflitos.

— Você é muito... Especial, Dipper.

“Bill me chamou pelo nome”

— O que quer dizer?

— Você vai saber. – foi tudo o que ele pode responder.

Dipper abaixou a cabeça. Não acreditava no que estava a fazer, iria contar tudo à Bill.

— Você gosta dele, não é? – Cipher perguntou. Dipper tomou um susto e desviou o olhar.

— O que? Quero dizer... Quem?

Bill Cipher sorriu. Um sorriso que transparecia uma confirmação.

— O seis-dedos.

Dipper suspirou, ele nem arriscaria perguntar como Bill havia chegada à aquela conclusão.

— Você sabe de “muitas coisas”, não é?

Bill deu uma risada breve. Dipper levantou o olhar. Seus sentimentos se afloraram num misto de susto com graça. Lhe veio uma vontade súbita de rir por não acreditar no que estava vendo. Bill havia corado. Aquilo nunca havia parecido possível. Bill. Estava. Sem. Graça.

— Sim. Não é como se eu soubesse. É como se visse claramente. Você... são muito parecidos. Quase como se fossem uma pessoa só, funcionando em conjuntos separados...

— Parece que teve muito tempo para pensar nisso.

Bill suspirou.

— É. Eu tive sim. Então, é por isso que você sempre esteve assim?

Dipper se aproximou, Bill havia recostado sobre um dos pinheiros. Pines se sentou não muito a frente dele sobre um dos rochedos de calcário.

— O que é difícil de aceitar mesmo dentro das outras demais circunstâncias nem é o fato de ele não me amar. – as confissões saíam de dentro do garoto com tanta facilidade que soou assustador até para Bill. – Afinal, ele é o meu...

Dipper não conseguia completar a frase. Ainda era demais. Ele abaixou a cabeça e apoiou-a entre as mãos. Ele ouviu o som do farfalhar das folhas secas sendo amassadas pelos pés longos de Cipher se aproximando, quando voltou a levantar a cabeça se deparou com ele sentado logo ao seu lado. Brincando com as pontas dos dedos inocentemente sobre uma das margaridas que cresciam ali.

— Ford passou trinta anos da sua vida sozinho em outra dimensão. – Dipper disparou – Ele nunca esteve em outro relacionamento ou coisa do tipo. É óbvio que ele não me ama. Estava apenas tentando reprimir em mim tudo o que ele não pode ter durante a outra parte da sua vida. O parte ruim de saber disso é ainda não conseguir superar esse sentimento de...

Pines bufou. Soltou o ar em som do maior desconforto que ele conseguia mostrar.

— Entendo. – Bill respondeu.

— Não. Você não entende.

— Sim Dipper. Eu entendo tudo. Eu entendo o quanto você se sente sozinho. Eu entendo o quanto é ruim o sentimento de culpa. Entendo o modo de achar que tudo foi por sua causa. Que você nunca mais poderá ser você novamente. Entendo a vontade de mudar tudo. De destruir, de voltar no tempo e fazer direito...

Foi quando, de súbito, Bill agarrou o queixo de Dipper o virando na direção dele. Fazendo o garoto fitar aquele olho tão profundo e incógnito que ele acreditava poder se afogar dentro dele a qualquer momento. Roçando os dedos gélidos sobre o cavanhaque de Dipper, Bill completou — ... Também entendo como é o sentimento de saber que nunca poderá ter a pessoa que você mais deseja.

Dipper estava pasmo. Sem compreender. Aquele ser. Bill. Quem era ele de fato? Estava agindo de um jeito completamente oposto do que Dipper esteve acostumado sempre a ver. Quase como se tivesse saído de um personagem. Quase como se Dipper estivesse sendo o escolhido para vê-lo por de baixo da sua máscara.

— Como v...?

— Como eu sei?! Ora, Pinheirinho. Você usa como desculpa o fato de Ford ter ficado preso por trinta anos, eu estive preso durante toda a minha existência! Sozinho, fora de uma forma física e muito menos original. Por um trilhão de anos. E eu sei como é. Sei muito bem esse sentimento de querer destruir tudo e todos a sua volta. E até mesmo fiz o próprio apocalipse quando tive a chance de ser liberto. – ele deu uma breve risada na última frase, numa tentativa de quebrar a seriedade do assunto.

Dipper apenas o observava. Ele não sabia como prosseguir com o assunto. Estava assustado, confuso...

— Mas sabe de uma coisa... – Bill continuou – Eu estou cansado de não fazer nada. Estou cansado das coisas serem assim. Apenas sofrer e se lamentar não faria nada mudar para nós. Então... – Cipher ergueu o queixo de Dipper mais alto, fazendo os narizes ir de encontro – Por que nós não recomeçamos juntos? Eu tenho certeza de que somos capazes de muitas coisas.

Dipper mal conseguia manter a respiração. O rosto de Bill estava tão próximo ao dele que parecia que o demônio havia lhe roubado o fôlego. Como um sedutor vampiro de energia dos mais profundos degraus de sua alma.

— Então, o que me diz? Lembrem-se do que aprendeu na música do carneirinho – continuou estampando na sua face mais uma vez o seu sorriso que provocava o raciocínio interno do garoto, murmurando a canção – Marche, marche, marche ao redor das margaridas...

Dipper se lembrou de tudo que havia refletido para si mais cedo. Novos começos, uma nova vida, em esquecimento do pretérito infortúnio em que estava inserido. Aquela era a oportunidade que ele não poderia largar.

Não se esqueça do amor da sua vida. — completou a canção na maior afirmação que poderia dar.

— Exatamente.

Bill finalizou curvando-se na direção dele.

Dipper havia se entregado.

Cipher lhe roubou um beijo. E Cipher era o melhor ladrão que Dip já havia visto.

Dipper logo se viu envolto aos braços do ser. Sentindo a língua de Bill invadindo a sua boca sem aviso prévio, tomando posse total do corpo do garoto.

Dipper sentiu o formigamento lhe percorrer as entranhas, como se cada centímetro do seu corpo se mesclasse com as inquietações da sua alma, criando algo que ele odiava amar. Bill intermediava os toques enquanto mordiscava os lábios de Pines com seus dentes pontiagudos como de uma besta silvestre sedenta pelo sangue da sua presa. Ele vinha cada vez mais para cima e Dipper perturbadoramente não se importava.

Bill era assustador, incógnito, incerto, surpreendente, subestimado, horrível, malicioso, tentador e sedutor. Assim como o melhor demônio que ele poderia desejar.

Dipper passou a mão pela gargantilha da camisa de Bill, queria sentir o corpo de Bill, rasga-lo em ódio e consumi-lo em dominação. Mas o mono-olho havia sido mais esperto. Sem que pudesse perceber, Bill Cipher já havia desabotoado os primeiros botões da camisa xadrez. Passando os dedos entre o cós. Descendo dos lábios e roçando os dentes afiados na junção do pescoço e o peito.

Droga.

Bill Cipher era uma droga.

Perigoso e viciante.

Dipper arfou. Aquilo lhe deixava exausto e, estranhamente, mais empenhado a se mergulhar naquele grande enigma que era Bill.

O homem esguio pareceu se levantar. Erguendo Dipper, tirando seus pés do chão. Beijando-o por mais uma vez, fazendo estremecer diante os movimentos.

Cada vez, Dipper em conjunto ao parceiro queria mais e mais.

Aquilo nunca parecia acabar sendo satisfatório.

Neste instante, Dipper sentiu o formigamento sobre a sua marca de nascença. Algo estava errado. Ele sentia. Bill soltou-lhe os lábios, parecia também pressentir algo além do usual. Dipper abriu os olhos e se deparou com a expressão assustada de Bill. Antes fosse pelo fato de os dois maiores inimigos estarem tão íntimos. Queria Dipper.

Cipher estava surpreendentemente, pela primeira vez, surpreso.

Também não era pra menos. Dipper viu a paisagem mudando à sua volta, como se os dois estivessem girando um carrossel invisível. Os ventos rodopiavam entre os dois de maneira incomum, fechando-os num casulo místico. Não tinha como Bill fazer aquilo.

Ele olhou para baixo.

Se não fosse pelas circunstâncias, Dipper teria gritado em espanto.

Os dois estavam a mais de um metro do chão.

Bill estava flutuando.

E Dipper estava sendo levado junto pelos ares do desconhecido.

Notas finais
Bill voltou com os poderes? Será que é isso mesmo? Como isso pode acontecer? Qual é a influência de Dipper por trás disso? Sexta no globo reporter. Ou, até ano que vem quando eu terminar o próximo capítulo. Enfim, obrigado por ler, estou exausto. Se não for pedir muito, um comentário revelando a sua opinião pode me ajudar :) Eu ainda estou passando pelo processo de aceitação do final de Gravity Falls. O que vocês acharam dele? Dava pra escrever uma darkfic sobre isso do tamanho drama que eu fiquei com esse finale. De qualquer maneira, obrigado mais uma vez, te aguardo no próximo capítulo. OBS: Antes de ir, uma pergunta, vocês gostariam de ver lemon na fanfic?