No Jogo do Poder
1 A Ameaça
Notas iniciais
Espero que gostem e não deixem de falar o que acharam.
Obrigada.
O silêncio era perturbador para Joana, desde que foi presa em um quarto com menos de dois metros quadrados, ficar em lugares pequenos e escuros, era uma tortura.
Ela levanta da cama com o peito arfando e pequenas gotas de suor em sua testa.
Joana ainda lembrava de cada segundo naquele quarto.
*Flashback*
O silêncio dominava o local, a única coisa que a policial lembrava era o som de uma arma disparando. A dor em seu peito se tornou insuportável, Joana colocou a mão no seio e sentiu a blusa encharcada de sangue. Quando foi levantar, alguma coisa a segurou pelo pé, era uma corrente que a prendia num pedaço de ferro encravado no chão. Ela ficou ali não sabe quanto tempo, mas uma pessoa, não sabia se era homem ou mulher, entrou e ficou olhando para o seu rosto. Aquela pessoa ficou ali por alguns minutos, olhava para Joana e depois anotava, logo em seguida saiu dali.
Agora ela sabia onde estava, naquele quarto, sete pessoas morreram ali, quatro policiais, dois políticos e uma professora. O assassino(a) matou mais policiais, e bom, Joana, era a melhor policial.
Mais alguns minutos se passaram e uma agitação do lado de fora se ouviu, tudo voltou para o mais absoluto silêncio. Uma hora e meia se passou, passos pesados eram dados em cima do teto, ou seja, ela devia estar em um porão.
Joana não sabia quem era, mas assim que ouviu a voz de uma pessoa conhecida, seu corpo relaxou. A voz pertencia a Marina, sua amiga e parceira profissional.
A policial tentou se levantar, porém seu ferimento no peito não deixou.
— Se algum de vocês encontrarem uma prova, gritem. Agora se for um alarme falso, eu arranco suas bolas e os faço engolir.
Ah, Marina e sua delicadeza de burro. Os passos pesados ecoavam para todo os cantos do local. Joana mexeu o máximo que pode a corrente e em um piscar de olhos, a porta voa e se choca contra parede.
— Agente Silvers encontrada, já prepara o carro que teremos que levar ela para o hospital — Informou o agente Drivers.
Depois disso, Joana não se lembrava de mais nada.
*Flashback off*
Ao perceber que não tinha ninguém no quarto, Joana largou a arma em cima do armarinho ao lado da cama.
Mesmo que tentasse dormir, ela não conseguia, então se levantou e foi preparar um café para tomar. O relógio marcava 4:39 AM, ou seja, em alguns minutos Joana estaria levantando para ir trabalhar, mas já fazia uma semana que não ia. Seu estado emocional estava piorando por conta disso, ela não aguentava mais, queria sair e prender pessoas.
Entretanto, era um risco, sua vida não vale esse risco, tinha dito seu chefe.
A policial deveria ficar em casa até que o assassino estivesse preso. Ela tinha sido a única que saiu viva de um dos seus ataques, todos que ele escolhia, morria. De sete, o número pulou para onze, e só ia aumentar. Joana sabia que ela podiam prender ele, ou ela, mas o máximo que ela saia era para o seu pátio, se precisasse de algo, algum agente trazia para ela. Toda sua vida estava sendo monitorada.
Assim que o sol começou a raiar, ela viu as pessoas saírem para trabalhar ou passear livremente. A moça nunca sentiu inveja de ninguém como naquele momento, nunca sentiu inveja da liberdade.
A chaleira aptou avisando que a água estava pronta. Muitos dizendo para comprar uma cafeteira, mas ela gostava do processo de passar café convencional. Colocar o pó do café no filtro e quando colocar a água fervente, o cheiro subir e invadir a casa com seu aroma viciante.
Com a xícara de café em mãos, Joana caminhou para a varanda de sua casa e lá se sentou no chão mesmo. Ela adorava aquele bairro, era de classe média, mas tinha um sossego que não se encontrava em outro lugar. Todos dali se conheciam e respeitavam a privacidade um do outro.
No mesmo horário de sempre, Oliver, um idoso e simpático carteiro passou na frente de sua casa.
—Bom dia senhorita Silvers.
— Bom dia senhor Holks, como vai sua esposa?
— Ela vai bem, está muito feliz que teremos nosso primeiro neto. — A felicidade em seu rosta era contagiante.
— Parabéns. Fico feliz por vocês.
— E como a senhorita anda?
— Contando os dias para voltar a trabalhar.
— Não consegue parar em casa não é?!
— Não mesmo, é um pouco sufocante.
— Eu lhe entendo, mas bem, tenho uma carta para a senhorita.
— Deixe ai que já pego. Tenha um bom dia seu Holks.
— O mesmo senhorita Silvers.
O carteiro continuou sua caminhada cumprimentando todos que via. Joana ficou sentada ali por mais dez minutos, depois, lentamente se levantou e caminhou até a caixa de correio e pegou a carta. Rasgou o envelope que envolvia o conteúdo e ler a carta.
" Não foi dessa vez Silvers, mas pode ter certeza que sua hora está chegando.
Aproveite cada segundo que te resta em vida. TIC-TAC. O tempo está passando."
Não tinha remetente ou qualquer outra informação, as letras foram tiradas de revistas e jornais. Joana olhou para os lados e não viu ninguém.
Entrou rapidamente para dentro de casa e ligou para seu chefe.
— Eu recebi uma ameaça, vem o mais rápido que puder.
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