No Compartimento do Expresso de Hogwarts
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Rapunzel's POV
– Rapunzel! — meu pai gritou.
– Aaaaaahhhhhh! — eu gritei, enquanto caía da cama.
– Corre, estamos atrasados!
– Ah meu Deus, justo hoje?! — falei, enquanto tentava me levantar. Infelizmente, tropecei em algum ponto de meus dez metros de cabelo e caí de novo.
– Aaaaaahhhhh! — minha mãe gritou lá de baixo. — Peetaaaaa, socorrooooooo!
– Oh senhor, o que ela fez agora?
– Será que ela está tentando cozinhar de novo? — falei com medo. Minha mãe é um terror na cozinha.
– Já estou indo Katniss! — ele gritou de volta, e saiu do meu quarto.
Meu pai estava certo, estávamos atrasados. Eram 10:13h quando eu acordei, e o Expresso para Hogwarts saía às 11:00. Corri com tudo, chegando na cozinha com o vestido florido todo torto e amaçado.
Minha mãe estava tentando cozinhar de novo. Aparentemente, quando ela gritou por seu marido, era por causa da panqueca que grudou no teto. Ou por causa da cauda em sua longa trança preta. Ou talvez fosse o suco de laranja em sua blusa e em sua calça — parecia que ela tinha feito xixi nas calças. Mas podia ser também por causa da frigideira quase tostada, da torradeira fazendo um barulho assassino, ou dos ovos quentes no chão. Ou talvez fosse tudo junto.
– Katniss, se limparmos isso agora, perderemos a hora e o trem. Vamos logo e quando voltarmos limparemos. — meu pai disse.
Minha mãe ficou realmente chateada. Acho que ela devia querer muito fazer o café da manhã hoje. Mas ela não devia ter feito isso, por causa de sua péssima... mistura. Não se pode chamar de comida o que minha mãe faz na cozinha. Se ela fosse bruxa, poderia fazer tudo em um passe de mágica, mas nós somos uma família de trouxas, então essa não era uma possibilidade.
– Ah não! — de repente ela falou. — Esqueci a geléia no armário do banheiro! Não acredito nisso! Será que vai fazer mal?
Era melhor nem perguntar como a geléia foi parar lá.
Chegamos na estação faltando 8 minutos para o trem sair. Até acharmos a plataforma faltavam somente 4 minutos.
Eu mal me despedi de meus pais e já entrei no trem, porque falta só um minuto e meio para o trem sair. Eu corri pelos corredores, tentando achar um compartimento com um lugar para mim, mas todos estavam ocupados. Quando finalmente achei um, pisei em meu próprio cabelo e caí de cara no chão.
– Oh meu Deus! — uma garota ruiva do compartimento que tinha um espaço disse, enquanto tentava me ajudar a levantar. — Você está bem?
Fiz que sim com a cabeça, arfando.
– Quer se sentar com a gente? — ofereceu.
Novamente fiz que sim.
Ela entrou no compartimento e eu a segui. Ela sentou perto da porta, então eu teria que sentar perto da janela.
– Ah, a propósito, sou Merida. Merida Potter — disse a garota ruiva.
– Sou Soluço Cullen — disse o garoto sentado ao meu lado, de frente para Merida.
– Rapunzel Mellark.
Eles sorriram amistosamente.
Então eu olhei para o garoto sentado à minha frente.
– E você é...? — perguntei-lhe.
Ele estava olhando para a janela fixamente, mas quando eu falei com ele, e lhe estendi a mão para que a apertasse, ele apenas me olhou e disse:
– Jack Frost Jackson — e voltou a olhar para a janela.
Olhei para os outros dois, que estavam tão surpresos quanto eu.
Eu me encolhi, assim como Jack Frost Jackson estava encolhido, e também olhei para a janela, mantendo o meu rosto o mais escondido que eu conseguia.
Não podia mais ver meus pais, nem a estação. Nem me despedi. Esperando que ninguém visse, permiti que uma única lágrima percorresse meu rosto, contendo as outras causadas pela já presente saudade de casa.
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