No Compartimento do Expresso de Hogwarts
37 Capítulo 37
Notas iniciais
Soluço's POV
Vi quando Merida atingiu o chão.
Eu me livrei da Comensal com quem eu duelava e corri até ela.
Diferente da outra vez em que ela caiu da vassoura, ela não desmaiou. Parecia se segurar muito para não gritar, e seus olhos estavam cheios d'água, apesar de ela não deixar uma lágrima sequer escapar. Eu me ajoelhei ao seu lado, lágrimas já escapando pelos meus olhos.
– Merida... — chamei-a, mas ela só me olhou, talvez percebendo quem eu era.
Deitei sua cabeça em meu colo, tentando consolar mais a mim mesmo do que a ela. Não sabia como ainda não tínhamos sido atacados, mas pouco me importava.
– O que aconteceu com ela? — Alissa Donnan se abaixou ao meu lado, e olhou-a, percebendo seu estado.
– Ela... caiu — disse, tentando segurar o choro.
Apesar do que eu falei ter sido algo extremamente vago, ela pareceu entender.
– Temos que levá-la para o hospital — murmurou. Olhei-a, com uma mistura de confusão e esperança. — Montaram um hospital para os feridos. Algumas pessoas estão defendendo o lugar, outras cuidando dos que se machucaram, e outros, como eu, estão procurando quem precisa de ajudar para levar até lá.
– Vamos levá-la agora!
– Deixe comigo, fique aqui e lute, vou chamar alguém para me ajudar.
Quase ao mesmo tempo que ela terminou de falar Laura Everton e Jasmine Clark — está última era colega de dormitório de Merida — se abaixaram ao seu lado.
– Vamos precisar de cobertura para levá-la — Jasmine observou, com a voz calma e baixa, porém ela falava tudo rapidamente.
– Eu sei. Tem alguém por perto? Provavelmente, pelo estado dela, nós três precisaremos levá-la, ou ela pode se machucar — Alissa falava igualmente rápido, e franzia um pouco a testa.
Laura olhou para trás.
– Tem umas duas das nossas bem ali — ela disse, e fez sinal para duas pessoas, que só percebi serem Anne Willians e Casey Martin quando ambas já estavam aqui.
– Vocês carregam e nós damos cobertura — Casey disse.
– Precisam de ajuda extra? — Diana Middleton chegou por trás.
– Toda a ajuda é bem vida. Parece que ela se machucou feio... — Anne ia dizendo, mas olhou para mim e se calou.
Alissa, Laura e Jasmine a levantaram. E Anne, Casey e Diana fizeram um círculo em volta delas e prepararam as varinhas.
– Não se preocupe com ela! Vai ficar tudo bem! — Alissa disse, e Jasmine suspirou, parecendo preocupada também.
Elas se afastaram de mim, levando a garota de cabelos bagunçados e ruivos com elas.
Eu me levantei devagar.
Olhei para o céu, e logo achei o cara que a derrubara. Ele estava muito mais alto do que ela estava quando caiu.
Apontei minha varinha, e confiando como podia em minha mira, gritei:
– Estupefaça!
Eu o atingi, e ela caiu de uma altura de mais ou menos 27 metros. Merida caíra de mais ou menos 13, então achei que havia acabado de matar alguém. Pouco me importava.
Um outro Comensal surgiu a minha frente, e começamos a duelar.
Confesso que o que eu tentei a seguir foi golpe baixo, mas eu acabei me prejudicando com isso, e não a ele.
Eu gritei, repetidamente:
– Serpensortia! Serpensortia! Serpensortia!
Eu conjurara as três cobras, com o intuito de que elas o atacassem, mas, algo que eu não previ aconteceu.
O rapaz sibilou algo estranho, que não compreendi. Então as três cobras viraram-se para mim em sincronia.
Eu havia conjurado serpentes para atacar um ofidioglota.
Simplesmente não há como não dizer que o pânico me tomou. E foi por esse motivo que eu me virei e comecei a correr, como nunca corri em toda a minha vida.
Mas ele mandou as cobras atrás de mim, rastejando com uma velocidade impressionante.
Eu peguei minha varinha, me preparando para fazer algo com as cobras. Ainda correndo, tentei acertar a do meio.
– Incendio!
Mas minha mira foi tão ruim que quase acertou a da esquerda. Esta e a do meio desaceleraram um pouco, mas a da direita só acelerou.
Agora foi a vez do rapaz ocupar minha varinha.
– Crucio! — gritou.
– Protego!
Continuei correndo. As outras duas cobras estavam novamente ao meu encalço, e ainda havia a outra, que não parara. E o rapaz...
– Incendio! — dessa vez eu realmente acertei a cobra do meio, que queimou e desapareceu. "Só" restavam duas cobras e o rapaz, que estava distante, e parou de me atacar, mas continuava a mandar as cobras atrás de mim.
Quando a cobra da direita estava quase me alcançando, apontei a varinha para ela e gritei:
– Estupefaça! — a cobra parou de rastejar, adormecida.
– Wingardium Leviosa! — eu levitei a última cobra, e joguei-a em cima do Comensal ofidioglota. Isso me deu muito mais tempo, que eu não desperdicei.
– Accio vassoura da Merida!
A vassoura chegou em minhas mãos, e eu subi quase que imediatamente nela.
Eu estava indo razoavelmente bem, mas, como era de se esperar, eu me desequilibrei da vassoura, e comecei a cair. Eu estava à mais ou menos 140 metros de altura, então rezei por um milagre.
E um milagre aconteceu.
Eu caí em cima das costas de um dragão.
Assim que me virei, surpreendentemente consegui me segurar nele, muito melhor do que jamais me segurara em uma vassoura. Era um dragão negro, cujo nome da espécie eu não lembrava agora. Mas eu sabia ser o mesmo dragão que Harry Potter, pai da garota que eu amava, enfrentara quando tinha 14 anos, no último Torneio Tribruxo.
Eu consegui chegar até seu pescoço, e fiquei muito próximo a sua cabeça.
Uma idéia me ocorreu. E se eu conseguisse "pilotar" aquela coisa? Era loucura, mas era melhor do que não tentar, e simplesmente morrer quando o dragão desse um giro no ar.
Eu sempre gostara de dragões, eles sempre me provocaram medo e admiração, e eu gostava disso.
Mas estranhamente, no momento, eu não tinha medo algum em relação ao animal em que estava montado.
Se eu morresse ali, nunca mais veria Merida, e não era um dragão que me faria ficar nestas circunstâncias.
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