Notas iniciais
Bom dia ~sono eterno~

Jack's POV

Mesmo olhando fixamente para o lugar onde o brilho surgira, não o vi ocorrendo novamente. Ela não estava mais usando os poderes. Eu tinha medo do que isso podia significar. Preferia que ela continuasse usando os poderes, mas ela os usou uma vez e parou. Se ela os usasse, ao menos eu poderia... Ao menos eu poderia saber que ela continuava viva. Esse pensamento me fez correr ainda mais rápido.

Quando eu finalmente a encontrei, num lugar afastado da luta, de imediato não entendi o que via.

Lauren Jordan, a Comensal líder, estava deitada no chão, com os olhos abertos e vidrados, os braços abertos em ângulos estranhos. A sua frente havia uma enorme parede de gelo. Provavelmente fora isso o que Elza havia feito. Então eu olhei para ela.

Elza abraçava seus braços, e estava de joelhos no chão, soluçando como se chorasse. Cheguei mais perto dela, e vi que não haviam lágrimas em seus olhos, porém ela tremia.

– Elza? — sussurrei perto de seu ouvido. Ela me olhou, parecendo levemente surpresa.

– Jack! — apesar de sua voz ter um tom de exclamação, meu nome saiu quase como um sopro, de tão baixo que ela falava.

– O que aconteceu?

Ela desviou os olhos, e voltou a soluçar. Passei meus braços ao redor de seus ombros, abraçando-a e fazendo-a ficar mais perto de mim.

– Venha — eu disse. — Temos uma luta para enfrentar.

Ela parou de soluçar, assentiu, saiu de meus braços — cedo demais, devo dizer — e se levantou. Virou-se para mim e disse:

– Está certo. Temos uma luta para enfrentar.

Nós dois pagamos nossas varinhas e saímos andando lado a lado, deixando Lauren Jordan para trás.

Quando a luta finalmente acabou, o Sol já havia nascido.

Depois que Lauren Jordan morreu, era como se a força dos outros Comensais tivesse morrido com ela. Logo Soluço — por mais incrível que isso pareça — espantou todos os seis dragões. Não imagino como ele fez isso. Os Comensais, percebendo que a maioria dos seus estava desacordado, sem falar em uns poucos mortos, passaram a aparatar. Não sei como fizeram isso, mas quando eles foram embora nossas defesas voltaram ao normal.

Eu ainda não tinha visto meus amigos. Me perdi até mesmo de Elza durante a batalha.

Eu agora andava pelo hospital. Alunos morreram, muito mais do que alunos comensais. Muitos dos outros estavam feridos. Não havia ninguém exatamente como se encontrava no início da noite, nem mesmo os que ficaram no hospital. Esses estavam com sangue nas roupas, por terem cuidado dos outros.

Eu passei próximo à uma garota que eu sabia ser Sophie Simpson. Um garoto cujo tronco estava enrolado em ataduras ensanguentadas estava com a cabeça pousada em seu colo, e olhava-a como se ela fosse a única coisa existente no mundo. Ela passava um pano úmido em sua testa, onde havia um hematoma.

– Vai ficar tudo bem Andrew, vai ficar tudo bem, eu prometo, ok? Vai ficar tudo bem... — ela dizia-lhe, parecendo absolutamente inquieta.

Abaixei-me ao seu lado e, delicadamente, tomei o pano de suas mãos, e envolvi as minhas com ele, e depois fechei-o em uma trouxa e devolvi a ela. Sophie olhou lá dentro, vendo o gelo, e entendeu.

– Obrigada — ela disse, tentando conter as lágrimas. Ela voltou-se novamente para o garoto, e voltou a passar o pano, agora com gelo, em sua testa e a murmurar que tudo ficaria bem.

Eu me levantei, e fui lá para fora.

Kristoff e Anna vieram na minha direção. Elza logo chegou também, assim como Soluço e Rapunzel.

– Onde está Merida? — Elza franziu a testa, parecendo confusa. Soluço olhou para o hospital, e disparou para lá.

– Ela caiu da vassoura Elza. E parece que foi feio dessa vez — Anna disse-lhe, de cabeça baixa.

– E Flynn? — Kristoff questionou.

– Morto. Flynn está morto — todos olhamos para Rapunzel, surpresos. — Umas comensais estúpidas iam me matar, mas ele se jogou na frente. Ele... — ela desviou o olhar, e não terminou a frase.

– Não... não... — Anna murmurou.

Ela já chorava baixinho, e abraçou Kristoff, enterrando a cabeça no peito dele.

– Como? — uma voz atrás de nós disse.

Nos viramos, e vimos Soluço, carregando Merida. Ela estava cheia de gesso por todo o corpo. Soluço estava segurando-a com muito cuidado, e eu realmente não sei como ela continuava com os olhos abertos, pois parecia exausta.

Merida agora tinha os olhos arregalados com a notícia, e Soluço, tinha a expressão incrivelmente triste.

– Foi isso o que vocês ouviram. Ele morreu. E a culpa é minha. Se eu tivesse ao menos tido a competência de... — Rapunzel se interrompeu, não conseguindo mais continuar.

– Não é culpa sua — Elza falou baixíssimo, mas todos sabíamos que Rapunzel tinha ouvido, apesar de ter ignorado.

Merida começou a chorar também, e Soluço, com muito cuidado, sentou-se, e ela ficou em seu colo, chorando. Ele tentava não chorar também, provavelmente para poupá-la, assim como Kristoff fazia com Anna.

Rapunzel tinha a expressão dura, e olhava o chão, como se não percebesse a lágrima solitária que lhe cortava o rosto. Percebi que seu cabelo estava cortado no meio das costas, e havia um pouco de sangue nas pontas dele, mas decidi não perguntar.

Elza olhava o horizonte, com quase a mesma expressão de Rapunzel, mas ela não chorava. E eu olhava para ela, porque se olhasse para os outros começaria a chorar também.

Então, após uma noite, estávamos assim: machucados, com os rostos vermelhos, a tristeza tomando todos nós, como se tivessem matado uma parte de todos nós.

O silêncio se seguiu por mais tempo, e eu não me importava com isso. O Sol não surgiu, pois as nuvens o cobriam. Eu pensei que era melhor assim. Depois de tudo o que passamos, seria como se o céu quisesse nos afrontar, nos torturar, se o Sol brilhasse, como em um dia feliz. Aquele não era um dia feliz.

– Impossível — Rapunzel sussurrou, e eu olhei para ela, e então olhei na direção em que ela olhava, e concordei com ela. Aquilo era impossível.

Andando na nossa direção, totalmente ileso, estava Flynn.

Notas finais
1º: amo aquela parte da Sophie. E Andrew é o nome de homem mais lindo do universo. 2º: podem me matar agora. Ok, e obrigada pelos oito reviews! : ) Até amanhãããã