No Compartimento do Expresso de Hogwarts
30 Capítulo 30
Notas iniciais
~um ano depois~
– Ganhamos! Ganhamos! — eu gritava. Ganhamos novamente o campeonato das casas, e dessa vez — modéstia a parte -, foi por minha causa. Nosso goleiro hoje se machucou no começo do jogo, mas conseguiu continuar. Infelizmente, ele deixava passar gol em cima de gol. O placar era de 60 X 150 quando eu peguei o pomo de ouro. Fiquei tão feliz! Agora alguns rapazes da Grifinória me carregavam em seus ombros, e outros iam ao redor.
O melhor dessa vitória especificamente, foi que ganhamos da Sonserina. Algumas pessoas de lá, além de Elza e Jack, são legais, simpáticas, mas a grande maioria... Argh! Sem cometários.
Chegamos na Sala Comunal da Grifinória. Fomos fortemente aplaudidos. Mas a primeira pessoa que me prendeu a atenção foi Soluço.
O que ele estava fazendo na festa da Grifinória? Ele era da Lufa-Lufa! Eu desci dos ombros das pessoas e fui até ele. E daí eu enlouqueci.
Em vez de falar com ele, eu olhei para meu melhor amigo, que agora estava diferente de como estava em nosso primeiro ano. Ele estava mais alto, menos magro e mais — só um pouco mais — definido. Mas ainda tinha o mesmo cabelo castanho e liso, as mesmas sardas e os mesmos olhos doces. Ele era tão bonito, e eu nunca reparara.
Em um impulso, joguei minhas mãos ao redor de seu pescoço e beijei-o fortemente. Ele ficou tão surpreso que nem retribuiu. As pessoas ao nosso redor gritavam "Uuuuuuuuuuhhhhhhhh". Foi aí que me dei conta do que eu estava fazendo. Soltei-o, e arregalei meus olhos. Olhei ao redor, puxei a primeira menina que vi e disse:
– Soluço, essa é a Trish, Trish esse é o Soluço, vocês podiam conversar, tenho certeza de que vão se dar muito bem! — disse, e saí correndo, e fui até o meu dormitório, que estava vazio.
Coitados, devem ter ficado assustados.
Nem me lembro de Trish na seleção, mas sabia que ela era do meu ano. Devo ter me distraído quando ela foi selecionada. Ela era minha colega de dormitório. Eu tinha muitas colegas de dormitório na verdade — Jasmine Clark, Diana Middleton, Emily Lee, Madeline Kale, Trish Tanner, Rose Bartonn e Linda Monroe. Contando comigo, era um quarto para oito garotas.
Eu troquei minha roupa, que estava suada, e coloquei um short jeans, uma camiseta branca com algumas coisas escritas, coloquei algumas pulseiras de ouro e tentei pentear meu cabelo, mas, como de costume, não deu certo. Nem calcei nada. Aquela era uma festa da Grifinória, e seria a melhor de todas! Eu não era nem besta! Nem precisava de sapatos!
Desci as escadas do dormitório, só para encontrar Soluço bloqueando a passagem para sair dela. Ah não!
Cheguei perto dele e disse:
– Oi — eu estava morrendo de vergonha, meu rosto parecia meu cabelo de tão vermelho.
– Por que fez aquilo? — ele falou baixo.
– Desculpe.
Ele pegou em meu queixo, levantando meu rosto, e depois beijou-me.
"AAAAAAAHHHHH!!!!! Estou beijando o Cabeçudooooooooo!!!!! E eu estou gostandoooooooo!!!!!", pensei. Fiquei na ponta dos pés para facilitar.
Quando nos separamos — cedo demais — ele corou levemente, e nós rimos. Ele passou a mão pela minha cintura, e eu passei a minha pela dele e, abraçados, fomos de encontro aos outros.
– Por que está descalça? — ele sussurrou em meu ouvido.
Olhei para ele e, seriamente, disse:
– Hoje você vai aprender como nós, da Grifinória, comemoramos — sorri. — Venha, garoto da Lufa-Lufa.
Conjurei uma câmera, programada para tirar fotos sozinha de tempos em tempos. O resto, foi puramente festa.
Dançamos, pulamos, brincamos até tarde. Passei boa parte da festa montada de cavalinho nas costas do Soluço. Não que ele nunca tivesse me deixado fazer isso, mas agora era diferente. Ele se divertiu muito, assim como eu.
Em um ponto da noite, saímos da Sala Comunal e fomos para a Sala Precisa. Desejamos ter um lugar igual aos jardins, como sempre.
Entramos lá e nos sentamos na grama. Para a nossa surpresa, depois de um tempo, sentimos pingos sob nossas cabeças, e começou a chover.
– Ah meu Deus, por que está chovendo aqui? Vamos sair da chuva! — eu disse, já me levantando.
Soluço me segurou pela mão, e me fez olhá-lo.
– Por que deveríamos sair? E daí que está chovendo? — ele deu um sorriso travesso, que era meio torto. Senhor, de onde ele tirou isso?! Porque até pouco tempo atrás ele não tinha esse sorriso! Eu não consegui evitar, e cedi, me sentando novamente.
– Acho que sei porque está chovendo aqui — ele murmurou pensativo. — Todas as vezes que ficamos aqui pedimos um lugar igual aos jardins, certo? — eu simplesmente fiz que sim com a cabeça em resposta. — Então, talvez lá fora esteja chovendo agora e, por consequência, aqui dentro também.
Fiquei surpresa com o quanto aquilo fazia sentido. Então comecei a mexer em seus cabelos castanhos, e disse:
– Hum... Acho que entendi por que Flynn te chama de Cabeçudo — meu Deus, como o cabelo dele era sedoso senhor! — Não tem nada a ver com o tamanho da sua cabeça. Tem a ver com o tamanho do seu cérebro. Não sei como o Chapéu Seletor não te colocou na Corvinal.
Ele riu levemente.
Eu me lembrei de uma música trouxa que ouvira uma vez:
– I set fire to the rain...
– Watched it burn as I touched you face... — ele começou a cantar comigo.
Isso me deu uma idéia.
Soluço estava sentado com as pernas cruzadas, então sentei-me em cima delas, e passei as minhas ao redor de sua cintura, e minhas mãos ao redor de seu pescoço. Olhei-o nos olhos, e então peguei minha varinha, apontei-a para o alto e, rezando para ter o efeito que eu esperava, e não causar um incêndio, murmurei:
– Incendio!
Aconteceu o que eu imaginei. De minha varinha saíram chamas, que queimaram no ar por um tempo, e depois foram apagadas pela chuva. Eu ri. Era ainda mais bonito do que pensei que seria.
Soluço pegou a própria varinha, e juntos falamos:
– Incendio! — nossas chamas fizeram o mesmo que a minha primeira. Rimos juntos.
E continuamos fazendo isso por um tempo.
Fale com o autor