No Calor da Dança
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Olá :D
Espero que tenham gostado do capítulo anterior, e também gostem deste :D
Boas leituras
Às oito horas em ponto, Adrien estacionava o carro à porta de Marinette e observava-a descendo as escadas, com um vestido azul-escuro que realçava muitíssimo a sua beleza e que já o estava a deixar louco.
—Boa noite – disse Marinette, aproximando-se da porta do carro que, entretanto, Adrien já abrira.—Boa noite, Marinette! – respondeu Adrien, antes de fechar a porta e dirigir-se para o lugar do condutor.—Onde vamos jantar? – perguntou Marinette.—Pensei em levá-la a um restaurante brasileiro que há aqui perto. Não sei se gosta de comida brasileira, mas achei que era uma boa forma de apresentá-la às minhas raízes.—Parece-me uma excelente ideia. Já comi picanha algumas vezes, mas conheço mal a gastronomia do Brasil. Será muito bom descobri-la com um conhecedor tão experimentado.Riram e Adrien começou a conduzir. O restaurante chamava-se Tucupi e o nome fez Marinette pensar em sítios tropicais rodeados de vegetação carregada de frutos exóticos e coloridos.Adrien era um frequentador assíduo do restaurante e, assim que entraram, um dos empregados dirigiu-se-lhe:—Hoje vem com companhia, Adrien? Sempre vem sozinho...—Boa noite, Seu João! Hoje a mesa é para dois – respondeu Adrien.O comentário do empregado fez Marinette perceber que Adrien era, de facto, um homem sozinho e que, apresar dos preconceitos que ela alimentava, Adrien nãocostumava levar outras mulheres para jantar, embora tivesse, certamente, muitas clientes do Danúbio Azul interessadas em si.Sentaram-se numa mesa recolhida. Num canto decorado com quadros de cores garridas e com fotografias que pareciam ser da Amazónia. Marinette tinha, desde sempre, um enorme fascínio pelo Brasil, e o ambiente do restaurante fazia-a sentir muito bem.—O que quer dizer Tucupi? – perguntou a Adrien, curiosa com aquele nome tão pouco familiar.—Tucupi é o nome de um prato típico da região de Belém do Pará, onde eu nasci. É uma espécie de caldo feito a partir da mandioca, muito saboroso, mas muito difícil de fazer – respondeu ele, satisfeito por partilhar algumas lembranças da sua terra.—Nasceste em Belém do Pará...? – Marinette fez uma pergunta e logo a interrompeu para fazer outra: — Não te importas que te trate por tu? É que o ‘você’ que os brasileiros usam é, para nós, sinónimo de distanciamento...—Claro que não, até prefiro! E eu uso o ‘você’ porque é assim que falo, mas isso não quer dizer que haja algum distanciamento... – respondeu Adrien.—Eu sei – disse Marinette, verdadeiramente encantada com o sotaque de Adrien.Adrien continuou:—Eu nasci em Belém do Pará e vivi lá até aos dezoito anos. Depois vim para Portugal em busca de uma vida melhor e ainda consegui trabalhar de dia e estudar à noite. Mas depois tornou-se muito difícil...—E foi aí que começaste a trabalhar como stripper? – perguntou Marinette curiosa.—Sim – respondeu Adrien, um pouco acanhado – Eu precisava mesmo de ganhar dinheiro e um agente de espetáculos fez-me a proposta de trabalhar num bar noturno, como bailarino de striptease. Na altura quis recusar, porque a ideia me pareceu repugnante, mas depois percebi que não ia vender o meu corpo, apenas mostrá-lo em troca de dinheiro. E acabei por aceitar...—Desculpa estar a perguntar, mas tenho curiosidade – acrescentou Marinette.—Eu compreendo, Marinette. Mas queria que você soubesse que eu não tenho nenhum prazer em despir-me para as mulheres no Danúbio Azul. Mas, para além, das contas que tenho para pagar, ainda envio dinheiro para a minha família lá em Belém do Pará. E este emprego permite-me fazer tudo isso e viver sem mais problemas, percebe?—Claro que percebo! E quero pedir-te desculpa por ter sido tão preconceituosa em relação ao teu trabalho... Afinal, tirar a roupa não é crime – disse Marinette, rindo.—Não, claro que não. E posso garantir-lhe que nunca me interessei por nenhuma das clientes do Danúbio Azul...até que apareceu você, naquele dia...Marinette ficou sem palavras. O olhar de Adrien desconcertava-a e não pôde resistir quando sua mão a procurou, tocando-lhe os dedos ao de leve. Nesse momento, o empregado aproximou-se para saber se já tinham escolhido. E Marinette disse:—Eu aceito as tuas sugestões. Não conheço nenhum destes pratos!Adrien pediu dois ou três pratos representativos da cozinha típica da sua terra e foi explicando a Marinette quais eram os ingredientes e o modo de preparação à medida que iam comendo. Quando acabaram, Seu João trouxe para a mesa uma cafeteira com café de saco e um prato de bolinhos de coco e guaraná e deixou-os sossegados e entregues um ao outro. E foi aí que Marinette tomou a iniciativa de agarrar na mão de Adrien, recuperando o momento que havia sido interrompido pelo início do jantar. Adrien respondeu, pressionando-lhe levemente a mão e aproximando o seu rosto do dela.—É muito bom estar aqui com você – disse ele, relevando uma timidez que Marinette nunca pudera imaginar.—Eu penso o mesmo, Adrien. Estou muito feliz por estar aqui contigo, neste lugar maravilhoso.Nesse momento, o rosto de Adrien aproximou-se ainda mas e a sua boca procurou a boca de Marinette, selando aquele encontro com um beijo demorado e profundo que deixou os dois perturbados e com vontade de estarem a sós. Mas a timidez impedia-os de fazer alguma proposta mais ousada e Adrien acabou por convidar Marinette para irem tomar qualquer coisa a um barzinho sossegado que havia perto do rio. Marinette aceitou prontamente e encaminhara-se de volta para o carro, em silêncio, cada um dos dois à espera de ganhar coragem para o próximo passo.
Notas finais
Espero que tenham gostado.
Beijinhos.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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