No Bravery
9 Chupacabra
Notas iniciais
KAYA, FAZENDA DE HERSHEL
Todos ficaram surpresos quando voltamos com Jake, todos queriam falar com ele e essas coisas. Trataram-no com muito carinho.
Perguntei a Jake se queria dormir comigo na barraca que divido com Daryl, mas a resposta foi a que eu esperava, ele queria fazer companhia a Cyrus. Então vou para a minha barraca ao anoitecer e deito, pensando em nada, pela primeira vez eu penso em nada.
Finalmente minhas preocupações haviam acabado.
E a dor começou.
E nesse exato momento eu percebi em como eu me desliguei que há uma semana ou mais eu havia levado um tiro e havia um corte profundo na minha cabeça.
Sabe, eu realmente sou apaixonada pelo corpo humano, principalmente o cérebro. Esse órgão faz as dores apenas sumir quando há sofrimento, assim nós nos mantemos vivos. O único problema é que quando volta…é como ser atropelada por um trem.
Eu sento na cama e coloco minha cabeça entre minhas pernas, rindo como uma doida. A dor era forte, mas a situação de esquecer de ter levado um tiro...eu apenas não conseguia parar de rir.
Daryl entra na barraca e fica me encarando:
–Qual é o seu problema? – Ele pergunta assustado.
–Eu levei um tiro e esqueci esse pequeno fato – Eu respondo rindo.
–Está doendo?
Faço que sim com a cabeça sorrindo como uma doida.
–Okay, deixa eu ver – Daryl diz e se aproxima.
Eu deito na cama e levanto um pouco minha camisa, o suficiente para ele ver a bandagem, que estava encharcada de sangue e quase caindo. Daryl tira o curativo e vê o ferimento.
–Não parece estar infeccionado – Daryl diz indo até a sua mochila e tirando bandagens – Vou fazer o curativo.
Ele faz exatamente o que disse, e nesse momento todo eu fico em silencio, a alegria acabou e o cansaço me tomou. Ouço Daryl falando alguma coisa, mas parecia estar a metros de distância.
Minha visão embaça e eu caio no sono.
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KAYA, FAZENDA DE HERSHEL
–Como você dormiu? – Pergunto a Jake na mesa do trailer bocejando.
–Bem.... – Ele responde enfiando uma maça na boca.
–Hoje eu vou procurar a garotinha que nós perdemos, certo? – Eu falo bebendo o leite. – Dale irá cuidar de você e você cuide de Cyrus, okay?
–Certo.
Eu levanto-me e beijo sua testa, sinto-o recuar, saio do trailer e vejo Dale se aproximando. O abraço, aquele velhinho me fazia feliz.
–Te vejo mais tarde, ruiva.
–Cuide dele por mim...
Assim eu vou até minha barraca e retiro minha blusa, vejo a bandagem que Daryl fez e a tiro. O ferimento estava praticamente cicatrizado, ele deve ter feito algo para que isso acontecesse. Coloco a blusa de novo, pego meu machado e vou até Daryl.
–Brigada, por ontem. Já está praticamente cicatrizado – Falo quando me aproximo o bastante.
–Passei um bom tempo tentando limpa-lo. – Ele reclama, mas depois se acalma – Por nada.
–Então, qual é o plano?
–Vamos de cavalo até a nossa seção, ai dividimos e dois e procuramos por lá, voltamos antes do anoitecer, pode ser? – Daryl diz indo até o estabulo, eu o sigo.
–Claro.
Entramos no estabulo e pegamos um cavalo. Daryl monta no animal e estende sua mão para me ajudar, eu, com sua ajuda, monto no cavalo e juntos entramos na floresta.
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KAYA, FLORESTA
Entramos na nossa área e estávamos indo até o centro dela para nos dividirmos. A floresta era calma e quieta, isso era um sonho.
–Jake está bem? – Daryl pergunta depois de um bom tempo de silencio.
–Ótimo.... – Respondo sem emoção.
–Ontem você estava estranha – Ele diz rindo.
–Eu não sei o que aconteceu – Falo sorrindo.
–Sabe...
E nesse momento o cavalo inclina para trás e nos joga para fora do cavalo. Porém o pé de Daryl estava preso na cela e ele foi sendo arrastado. Estava tonta com a queda, mas mesmo assim eu saio correndo atrás deles, porém não os vejo mais.
–Daryl! – Grito em desespero. – Daryl!
Nenhuma resposta.
Volto correndo até o local que tudo aconteceu e me ajoelho procurando sinal de alguma coisa, e realmente vejo algo. Parece que ele caiu numa inclinação, então vou atrás dele segurando em arvores para não cair.O chão era muito inclinado e cheio de folhas e lodo, e claro que não me surpreendi quando tropecei e comecei a cair.
Quando finalmente atinjo o chão a única coisa que eu consigo ver é meu machado vindo em minha direção, desvio para a direita e por pouco ele não me atinge. A queda não me machuca, porém deixa meu corpo dolorido. Levanto-me e olho em volta, estava perto de uma queda d’agua com um pequeno lago.
Nenhum sinal de Daryl.
–DARYL! Bosta, Daryl! – Grito cheia de raiva.
Cansada, vou até o lago e bebo um pouco da agua. Olho para cima e vejo a longa subida.
Era melhor começar logo.
Então coloco meu machado no meu sinto e seguro uma planta forte, assim vou subindo. A altura não me incomodava tanto, mas a cada vez que chegava mais algo, o medo de cair aumentava. E em um momento eu vejo algo, mais para alguém acima de mim. Reconheço a roupa suja e a besta.
–Daryl! – Grito de felicidade.
Ai ele cai, e me atinge, fazendo ambos cair.
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KAYA, FLORESTA
Acordo com o rosto de Daryl tomando todo o meu campo de visão. Ele estava acabado.
–Droga, Daryl! – Falo assim que realmente acordo.
–Você está bem?
–Sim.... – Falo vendo seu ferimento, uma flecha atravessando o torso de seu peito. – Precisamos voltar agora.
–Concordo.
Nesse momento eu vejo meu braço, cheio de cortes e sangue, uns bem profundos, outros superficiais. Rasgo minha blusa e a molho na agua do lago, depois limpo os cortes e meu rosto. Entrego para Daryl e ele faz o mesmo.
–Vamos? – Pergunto depois dele terminar de se limpar.
–Claro.
Começamos a subir, mas estava muito mais difícil que a primeira vez, meu peso parecia ter dobrado e fiquei cansada muito rápido. O sol estava me matando e após um tempo, as coisas ficaram estranhas, porque Daryl começou a falar sozinho.
–Gostava mais de você quando estava desaparecido. – Ele diz quando estávamos quase terminando.
–O que foi? – Falo assustada, mas Daryl nem olha em meu rosto.
–É mesmo? Desde quando? – Daryl continua.
–Daryl? O que foi?
Ele continua conversando com alguém, sem nem lembrar de mim. Subo rapidamente e fico pronta para ajuda-lo, estendo minha mão, mas Daryl novamente não me vê.
–Daryl! Olha para mim! – Grito desesperada.
Daryl sobe e olha ao redor, seu olho estava cheio de raiva e sua boca cheia de sangue novamente. Parecia um andarilho.
–É melhor você correr! – Ele grita.
Eu coloco minhas mãos em seus braços e o chacoalho.
–Daryl! Olha para mim! Não tem ninguém aqui, apenas eu e você! – Eu digo.
Daryl finalmente olha nos meus olhos e a raiva sai dos deles.
–É melhor apressarmos o paço – Ele diz sem comentar nada sobre o assunto.
–Okay...
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KAYA, PERTO DA FAZENDA DE HERSHEL
Voltamos em silêncio, sem comentar nada sobre o assunto, então observo o local, procurando algo útil. No meio do caminho, sinto um cheiro doce e logo reconheço: morango. Olho ao meu redor e logo vejo o pé, vou até lá e pego um, o gosto doce me faz sorri de alegria.
–Daryl, vai indo, irei pegar uns para levar. – Digo dando um para ele.
Daryl pega o morango e segue o caminho.
Olho em volta procurando algo para levar os morangos, mas não acho nada. Então apenas fico lá sentada comendo os frutos, sem nem pensar nos outros.
Até eu ouvir o tiro.
Saio correndo que nem louco em direção da fazenda e vejo Daryl caído no chão, com Rick, Shane e T-Dog ao redor dele.
–NÃO! – Grito chorando e correndo até ele –DARYL!!
–Kaya! – Rick grita e se aproxima, segurando-me.
–Daryl! – Grito com lágrimas escorrendo no meu rosto.
–Calma....- Rick diz olhando em meus olhos – Foi de raspão...calma.
Shane e T-Dog pega os braços de Daryl e coloca em volta de seus ombros, levando-o até a fazenda.
–Quem fez isso? – Pergunto cheia de raiva.
–Andrea, mas faça nada, certo? Deixe isso quieto, foi um acidente. – Rick responde ainda me segurando.
–Ela quase matou Daryl
–Mas não matou, vou falar com ela, mas deixe isso quieto, me ouviu?
Olho no fundo de seus olhos e respondo com toda a raiva que tinha:
–Sim
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KAYA, FAZENDA DE HERSHEL
Sento ao lado de Cyrus e Jake no jantar. Cyrus estava com seu olhar perdido no nada, Jake estava quieto.
Que família maravilhosa, penso.
Como rapidamente e faço um prato para levar para Daryl, que estava em um dos quartos descansando. Entro silenciosamente e sento numa das poltronas, deixando o prato em uma mesa ao lado da cama.
Alegria é tão passageira em momentos como esse, logo a tristeza toma conta novamente, penso lembrando no dia de hoje.
Fico lá quieta esperando Daryl acordar que acabo dormindo.

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