No Amor E No Futebol Vale Tudo!
6 Capítulo 6
E tudo no final deu certo pra mulher barraqueira por que o preço total fica escrito no papel que no final é entregue para o caixa. Então, ninguém irá saber do desconto que Matheus fez. Afinal foi o erro dele que nos meteu naquilo. Por mais que aquelas crianças teve a quem puxar.
Depois do almoço conturbado tudo ficou mais calmo. Havia apenas algumas pessoas que se sentavam apenas pra beber e outras atrasadas que pediam almoço. Almoçamos no nosso canto e conversamos sobre tudo. Foi engraçado e eu realmente achei que esse emprego iria me dar muito mais que dinheiro e sim amizades.
Seis horas da Noite e já tinha gente enchendo a cara. Graças á Deus não ficava nesse turno. Já basta ás gente barraqueiras que eu encontrei hoje, não ia querer imaginar bêbados brigando. Me despedi do Marcus que iria ficar até o restaurante fechar e ele me deu um aceno e falou: “Até quarta, loirinha!”
---Então, todos prontos? ---falou Clara.
---Eu já vou, gente. Foi um prazer conhecer vocês, até quarta. ---disse timidamente. Todos me olharam surpresos. ---O que foi?
---O Matheus não te convidou pra vir com a gente? ---falou Clara olhando pra ele abismada.
---Eu me esqueci! ---falou sincero.
---Você está muito esquecido hoje! ---comentou ela sarcasticamente.
---Convidar pra que? ---perguntei.
---Pra irmos pra casa juntos. Sabemos que mora para o lado de lá. Eu moro bem longe de vocês e sempre estou disposta a dar caronas. ---falou olhando pra mim sorrindo. Sorri pra ela, feliz.
---Tem certeza que não vai dar muito trabalho? ---disse.
--Obvio que não, se desse eu não teria perguntado! ---falou me abraçando. Matheus e Patrick pareceram, graças a Deus, felizes por eu ir junto.
Fomos caminhando até onde o carro estava estacionado quando eu vejo um garoto andando com uns amigos do seu lado. Eles estavam rindo e zoando, vindo na minha direção, olho para os lados tentando achar um lugar pra eu me esconder, entro num beco e me encosto na parede ofegando.
---Sofia! O que está fazendo? ---gritou Clara obviamente confusa, graças a Deus, o garoto lindo do estádio não seguiu o olhar dela, estava muito absorto na conversa que estava tendo com os seus amigos Vitorianos! Respirei fundo tentando me conter e quando ele já estava longe, eu sai do beco olhando para as caras confusas dos meus amigos e tentei me explicar:
---Fiquei pensando que eram ladroes! ---Exclamei fingindo pânico. Eles me olharam com cara de que não estavam acreditando em absolutamente nada do que eu disse. ---Juro! Meu pai é meio cismado com isso.
Então eles caíram na gargalhada. Sério! Como se eu já não estive constrangida o suficiente.
---Você é a garota mais estranha que eu conheço! ---falou Matheus rindo. Tentei rir também, mas estava constrangida demais pra isso. E nem sabia por que.
---Obrigado, mas vamos logo pra casa. ---falei os apressando, mas em todo caminho eles continuaram rindo. No caminho fiquei pensando por que não contei a verdade pra eles. Podia ter falado que eu não queria ficar perto de um Vitoriano. Mas aí eles iam saber que eu sou Bahia, já basta eu ter cometido o erro de falar com o Matheus sobre isso, não queria correr o risco com os outros. O problema é que eu sabia que não tinha sido apenas isso. Por que eu não teria fugido se fosse um Vitoriano qualquer. Era por causa de um Vitoriano especifico que eu fugi. E nem sei por que fiz isso. Afinal, nem o nome do garoto eu sei. E ele nem iria lembrar-se de mim. Claro que não. Eu sou uma idiota mesmo.
¨
---Deus, você está com uma cara péssima. ---comentou Matheus enquanto estávamos arrumando ás mesas na quarta-feira. Não tinha conseguido dormir a noite toda pensando no garoto lindo do estádio. Não sabia por que aquele cara me afetava tanto. Quero dizer, ele é um garoto como qualquer outro. Só lindo e tem uma voz linda também... Enfim! Ele é um garoto cmo qualquer outro que não sai da minha cabeça. Nem conheço o cara, isso não é normal. Eu acordei no meio da noite e tentei me afogar no chuveiro, pelo menos ia parar de pensar nele. Deus me livre, que encosto.
---Hei. ---chamou Matheus. ---Está tudo bem?
---Aham. ---murmurei. ---Só estou com sono, fiquei com insônia ontem.
---Isso é péssimo, minha tia tem insônia, teve uma vez, quando ela passou a noite lá na minha casa, que ela simplesmente não deixava ninguém dormir. Ficava cantando no quarto parecendo uma maluca. ---Disse sorrindo. Eu sorri um pouco. ---Se quiser pode dormir por umas duas horas lá na sala de espera. Pode deixar que eu não digo pra ninguém! ---continuou falando baixo. Eu o olhei indignada.
---É claro que não. Eu vim aqui pra trabalhar, não pra ficar vadiando na sala de espera. E se eu não consegui dormi não é culpa de ninguém. ---falei estressada por causa da dor nos olhos.
---Calma, meu bem. Eu só dei uma opção. Se quer trabalhar nesse estado, dou o maior apoio, afinal não quero ser o responsável pela demissão de ninguém. ---falou sarcástico.
---Pára de falar, temos que ajeitar tudo antes do almoço. ---lembrei. ---Em falar nisso, hoje vou anotar os pedidos. E não estou falando só de bebidas.
---Ok, se você acha que vai conseguir fazer alguma coisa com essa cara de mosca-morta, por mim tudo bem. ---falou sorrindo.
---ótimo.
--ótimo. ---repeti sorrindo um pouquinho, não tinha como não sorrir com Matheus.
O dia foi agitado como sempre, e eu me sai melhor dessa vez, me certificando de que tinha todas ás bebidas antes de falar com os clientes, Marcus me elogiou falando em como estou experiente em tão pouco tempo, Matheus fechou a cara pra ele o que eu não entendi. Clara e Patrick me falaram da vez em que uma velhinha bateu com a bolsa dela neles por que não colocaram pimenta na farofa. Achei engraçada á historia por que no final eles ficaram amigos da senhora que vem todo dia. Enfim, voltei pra casa de carona (o que me deixou muito contente) e encontrei meu pai assistindo um jogo qualquer do Bahia, e sabia que já tinha visto ele assistir antes.
---Oi pai.
---Oi, pequena. Como foi o trabalho? ---disse ainda de olho na TV.
---Bem, só estou meio cansada. ---falei.
---Você sabe que domingo tem BAVI, não sabe? ---perguntou se virando pra mim.
---Como poderia esquecer... Você sabe que me perguntou isso ontem, não sabe? ---perguntei sorrindo.
---Nem percebi. ---disse sorrindo também. ---Então, vá dormir. ---terminou olhando a televisão;
---Você já assistiu isso, não foi? ---perguntei.
---Com certeza, é bom ver todos os detalhes que perdi da primeira vez. ---disse. Meu pai é maluco.
---Foi o que pensei. ---disse subindo ás escadas sorrindo.
¨
Domingo chegou voando depois de quinta-feira. Meu ultimo dia de trabalho na semana. Realmente me senti aliviada. Eu trabalho duro, tá?
Eu acordei como todo domingo, quando o Bahia joga, é claro. O hino do Bahia tocava alto lá embaixo e eu resolvi apenas descer sem reclamar. Não ia adiantar nada de qualquer jeito.
---Que milagre! ---falou Kevin. ---Você não acordou virada na macaca hoje.
---Por que eu acordaria? ---falei sentando pra tomar café.
---Por que o papai colocou o hino do Bahia. ---disse como se fosse obvio. Olhei pra ele confusa. Realmente era uma boa pergunta! Por que eu não acordei estressada hoje?
---Deve ser o trabalho. Está fazendo bem a minha filhota. ---falou meu pai sorrindo.
---Ou ao seu bolso. ---disse minha mãe irritada. ---Não acredito que está fazendo sua filha trabalhar pra não ter que pagar um teclado pra ela! Desprezível!
---Não sei qual é o problema trabalhar e ser independente. ---falou ele. ---Eu tive que trabalhar aos 14 anos na padaria do meu pai.
---Você disse que seu pai te forçou a fazer isso se não você teria que trabalhar na borracharia. ---disse minha mãe.
---Mas eu gostava de trabalhar na padaria! ---disse meu pai.
---Ok, pessoal. Isso não importa, por que eu gosto de trabalhar no restaurante.
---É um bar. ---corrigiu meu irmão, o ignorei.
---Essa é a minha filha! Trabalhadora como o pai. Puxou a mim. ---disse orgulhoso, minha mãe revirou os olhos.
---Olha isso! Um Vitoriano morreu ontem atropelado! ---exclamou Kevin assustado. Passava uma reportagem no jornal.
---Já não era sem tempo! ---exclamou meu pai.
---Arthur! ---repreendeu minha mãe.
---É verdade, esse homem passava na rua xingando um Bahiano que ele não gostava. Provavelmente o Bahiano revidou. ---falou ele orgulhoso do Bahiano que cometeu assassinato. ---É até o Estevão, marido da Deby.
---E ele vai ser preso? ---perguntou minha mãe chocada.
---Não. Primeiro que não tem como provar que ele atropelou de proposito.
---Pai, só o fato de atropelar alguém já é crime. ---falei.
---Sim, querida, só que, para a nossa alegria, o Vicitoriano estava bêbado e atravessou na hora errada.
---E então como você sabe que o Bahiano atropelou de proposito? ---perguntei.
---Por que a velocidade não pode passar de 30 km/hora naquela pista. Ou seja, se alguém visse um homem atravessando a rua, não seria problema parar, não nessa velocidade. ---disse como se fosse um gênio.
---Que coisa Horrível. ---comentei assustada.
---Então, como os policias não usaram essa logica? ---perguntou minha mãe.
---Por que eles não sabem da rivalidade que os dois tinham e não tem como provar. Estevão pode ter inventado qualquer coisa. ---falou dando de ombros. ---Além do mais, esse tipo de acontecimento entre Bahiano e Vitorianos é totalmente normal.
---Já aconteceram assassinatos antes? ---perguntei chocada.
---Não. Mas brigas bem feias. O povo já deve está acostumado. ---falou rindo. Meu pai ás vezes me assustava. Olhei pra minha mãe e ela o olhava assustada, meu irmão se encolheu.
---Você já entrou em uma briga? ---perguntei com medo da resposta.
---Já. Com o líder dos Vitorianos. Claudio. ---disse. ---É por isso que eu tenho essa cicatriz. ---ele mostrou uma no braço. Era bem feia. ---Mas o dele é pior, quase arranquei o olho dele nesse dia.
Cristo. E meu pai ainda tinha o Facebook do cara.
*
Chegamos no estádio quando ele ainda estava vazio. Mas, graças á Deus, não tão vazio como naquela ultima vez. Sentamos nos nossos lugares de sempre e vimos os outros se sentando nos seus. O estádio foi se enchendo bem rápido, e ainda faltavam duas horas para o jogo.
Comecei a ficar com fome, e acabei descobrindo que nem tomei café, graças a nossa conversa sanguinária de manhã.
---Pai, você pode comprar alguma coisa pra eu comer?
---Você sabe que nunca compramos nada aqui. É muito caro. ---falou olhando para o estádio e pedindo pra um dos caras da BAMOR cantar uma musica ridicularizando o Vitoria.
---Não é minha culpa se você ficou me contando coisas nada apropriadas para um café da manha apropriado. Eu fiquei enjoada. ---acusei.
---Devia ter me mandado parar. ---falou rindo.
---É sério que você vai me fazer gastar minha gorjeta da semana? ---falei estressada.
---Tá, tome 10 reais. Mas não demore, sua mãe vai me matar. ---disse com uma cara sofredora.
---Volto em poucos minutos. ---falei e sai quase correndo.
Cai da escada, fazendo olhares curiosos se virarem pra mim, mas consegui chegar sã e salva na cantina. Pedi um sanduiche e um refrigerante. Fiquei comendo distraidamente meu café da manhã quando eu avisto uma pessoa encostada na grade. Na área do Bahia de novo. Alguém que eu sei que não deveria estar ali. Engasguei com meu sanduiche de tão surpresa, praticamente fiquei tossindo um minuto inteiro.
---Você está bem? ---perguntou uma mulher batendo nas minhas costas.
---Estou. --- e tossi de novo. ---Eu estou bem, obrigada.
Ela me olhou preocupada e saiu me deixando sozinha olhando para o garoto lindo do estádio que parecia esperar alguém. Quem ele poderia querer ver aqui? Na área do Bahia? Quem ele por acaso achava que era? James Bond? Se alguém reconhecer ele e descobri que ele é o filho do líder dos Vitorianos é capaz de matarem ele! Comecei a ficar em pânico com essa possibilidade. Não sabia o que fazer. Não sabia se deixava ele lá com essa possiblidade, ou iria falar com ele. Expulsar ele de lá. Achei melhor a segunda alternativa.
Assim que ele me viu, seu sorriso aumentou e ele encurtou ainda mais a distancia entre nós. Minha respiração foi para o brejo.
---Então aí está você. ---disse sorrindo.
---O que está fazendo aqui? Pela segunda vez? ---falei estressada e em pânico, pior seria se percebessem quem ele era e me vissem falando com ele. Ele ia responder, mas eu continuei: ---Não acredito que tem a cara de pau de ficar na área do Bahia, principalmente sendo quem você é!
---Eu não sou um monstro! ---disse rindo. ---Mas peraí... Como assim quem eu sou? Você...
---Eu sei quem você é. ---falei irritada. ---E mentiu pra mim! Acho melhor você ir embora. Eu sei quem você é, e tenho certeza que não sou a única.
---Eu não menti pra você! ---falou sorrindo me seguindo enquanto eu tentava me afastar dele. ---Eu omiti quem eu era por que eu sabia como você ficaria!
---Não importa, mesmo.
---Você está com raiva de mim? ---falou sorrindo. Esse cara existe mesmo? ---Se eu tivesse falado a verdade você nem falaria comigo!
---ótima observação. ---depois parei. ---E por que você falaria comigo?
---Por que eu gostei de você. ---falou sorrindo torto. Meu coração pulou uma batida. ---E não me importo nem um pouco que você seja uma Bahiana!
---Eu me importo! E seu pai também! E o meu e muitas outras pessoas. ---tagarelei rápido. Ele riu e me olhou com aqueles olhos verdes profundos. ---Não consigo entender como você pode não ligar pra isso.
---Não cresci com essa maluquice. ---falou. ---Sou Vitoria, mas não sou maluco.
---Não fale que é vitória! Alguém pode ouvir. ---sussurrei estressada. ---Vá embora antes que aconteça alguma coisa.
---Está preocupada comigo? ---disse sorrindo.
---Nem um pouco. Mas ainda quero assistir o jogo e se houver um homicídio pode estragar tudo. ---falei o empurrando pra fora.
---Eu vou, se me disser o seu nome. ---falou sério, mas seus olhos sorriam.
---Não vou dizer. ---falei quase forçadamente. Minha pele formigava quando tocava a dele. ---Nunca mais volte aqui. Da próxima vez que eu o ver, vou deixa-lo ser morto.
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