No Amor E No Futebol Vale Tudo!
13 Capítulo 13
Notas iniciais
É claro que tinha de ser. Tinha de ser dois homens brigando por uma mulher. Na verdade acho que a mulher traiu um dos homens. Não estou conseguindo ver direito por que parece que todos os funcionários do bar resolveram me proteger. Até Vitor. Cleandro estava na frente de todo mundo, parecia querer convencer um dos caras á largar uma garrafa de vidro.
---Senhor, por favor, isso pode pesar na sua consciência depois. ---falou Cleandro nervoso. Estava o maior alvoroço bem na frente do restaurante, o que espantava não só clientes, mas qualquer pessoa normal que esteja passeando pela rua de noite. Os clientes do bar estavam fazendo a maior baixaria, um amontoado de gente olhando a vida alheia.
---Essa garrafa é minha, eu faço o que eu quiser com ela. ---falou o homem, parecia que ele queria jogar a garrafa no outro cara que estava escondido atrás de Cleandro, morrendo de medo. Pelo que estou ouvindo e quase vendo, o que está escondido é amante da garota que deve ter vazado, por que não está aqui. ---E eu quero estourar o crânio desse traidor. ---e parece que o amante é amigo do traído.
---Pra que isso, meu amigo? Só foi uma noite. E hoje eu contei.
---Uma noite?! ---o rosto do amigo traído estava vermelho de raiva. ---Aquela vadia nem ta aqui pra arcar com ás consequências, né? Eu ia jogar uma garrafa nela também.
Todos esperavam que Cleandro falasse alguma coisa que fizesse esse homem não matar o amigo.
---Senhor, se quiser matar seu amigo eu não tenho nada contra, mas faça isso bem longe do meu estabelecimento. ---disse, alguns riram e outros olharam pra ele incrédulos.
---Cleandro, que merda de conselho é esse, cara! ---falou Marcelo que agora estava conosco.
---Mas foi nessa merda de estabelecimento que eu soube que minha esposa me traía com meu melhor amigo! ---falou começando a chorar e se preparando pra jogar a garrafa na cara do amigo que ainda se escondia atrás de Cleandro, que agora tentava sair da frente do cara, pra se salvar.
---Com licença, se o senhor resolver matar esse conselheiro pode sobrar pra você. Temos aqui mais de vinte testemunhas vendo a cena, se acha que vai sair daqui sem a policia do seu lado...
---EU NÃO ME IMPORTO COM POLICIA! ÁS PESSOAS QUE EU MAIS GOSTAVA E CONFIAVA TRAIRAM MINHA CONFIANÇA E EU VOU FAZER O QUE EU QUERO! ---berrou mais furioso que nunca. Todos se encolheram e alguns até saíram correndo, mas o que devia estar cagando nas calças deu um passo pra frente afastando Cleandro e respirou fundo.
---Se é isso que quer fazer... Faça. Mas saiba que você sempre será meu irmão. ---falou o amigo traidor parecendo aceitar que iria morrer de traumatismo craniano. De repente eu vi uma cena de filme. Em que o melhor amigo comete um erro e acaba com tudo. Uma amizade de anos acaba por causa de uma mulher. Uma mulher que nem está presente pra falar qualquer coisa. Provavelmente não ama nem um dos dois e simplesmente os usou. Não podia deixar aquilo acontecer. São amigos, irmãos. Por nada do mundo algo tão valioso deveria acabar.
O traído ainda chorando levantou o braço que tinha a garrafa e eu empurrei quem estava na minha frente e fiquei na frente do amigo traidor. Todos gritaram assustados com a minha loucura e alguns até começaram a chorar. Alguns cochichavam: “É ela?”
---Não! ---falei obstinada. Eu não sabia o que eu estava fazendo, mas sabia o que eu queria fazer.
---Sai da frente, mulher! ---gritou o traído.
---Não posso deixar você fazer isso! ---falei ainda na frente do Traidor que me olhava admirado e surpreso. ---Matar ele não vai adiantar em nada, nem vai te deixar feliz.
---Como você sabe o que vai me deixar feliz?
---Sai daí agora, Sofia! ---falou Cleandro assustado demais pra se mexer.
---Por que ele é seu amigo. ---disse simplesmente.
---Um amigo não faz o que ele fez. ---falou revoltado, mas abaixou a garrafa.
---Todo mundo erra. ---falei, mas minha coragem começava a esvair, o que eu iria falar agora? O fato de todo mundo errar não justifica, e nem é o suficiente. Olhei para os lados assustada, encontrei olhos tristes, felizes, mas o meu parou em um que me olhava admirado, e algo mais... Talvez orgulho? Encarei mais aquele olhar que me paralisou, todos olhavam pra onde eu olhava sem saber por que eu tinha parado meu discurso. Christian percebeu que todos olhavam pra ele e saiu de vista, entrando em algum lugar. Isso me deixou confusa. Foi alucinação?
---Saia da frente, eu vou fazer isso!
Isso me fez voltar a realidade.
---Por favor, ouça. ---Tentei, mas o que ele iria ouvir? ---Onde está ela?
Todos me olharam confusos. Continuei:
---Onde está a mulher que fez os dois melhores amigos se voltarem um contra o outro? ---falei agora que tinha assunto, com toda coragem. ---Se ela amasse um dos dois estaria aqui, não é? Defendendo um de vocês?
---Isso não vem a caso.
---Claro que vem!
---O pai dela vai me matar... ---murmurou Cleandro com a mão na testa, como se sentisse dor naquele lugar.
---O que isso tem haver com o fato de ele ter dormido com ela? Não tem explicação para o que ele fez!
---Eu não sei. O que eu sei é que não foi só ele que errou, a sua mulher também seduziu o seu amigo e traiu você. ---eu não fazia mínima ideia de onde eu queria chegar.
---Você quer dizer que eu tenho que matar ela também?
---Não! ---ai meu Deus. Eu estava ferrada... Eu piorei tudo... Agora ele não só vai querer matar o amigo como a esposa. O que eu faço? Não posso deixar isso acontecer...
---Talvez seja isso que eu deva fazer... ---falou revoltado e chorando de novo, então levantou o braço de novo. ---Acho melhor você sair da frente...
---Não posso... ---falei confusa. Mas aí alguém entrou na minha frente, me protegendo.
---Calmo aí, rapaz. Você não vai ter coragem de machucar ela, vai? ---falou Christian na minha frente.
---Vai embora, eu posso resolver isso. ---falei irritada e feliz por ele estar ali. Ele olhou pra mim e sorriu.
---Estou vendo. ---disse e olhou para o traído. ---Antes de qualquer assassinato, por que não deixar o culpado falar?
Todos olharam para o traidor que parecia prestes a desmaiar de pânico.
---Eu?
---Vai, cara. Acho que você tem o direito de se explicar. ---disse Christian sorrindo, encorajando. Eu não conseguia olhar pra nada, só pra ele e aquele rosto perfeito.
---Tudo bem. ---falou dando um passo a frente. ---Pode não valer de nada, e não posso dizer que isso explica o que eu fiz ou até tornar certo, por que não foi. ---continuou, eu olhei pra ele agora. ---A verdade é que eu estou apaixonado por ela. Há muito tempo. E na semana passada teve aquela festa que você não foi e... Eu fiquei bêbado. Ela... Ela flertou comigo e eu... Cedi.
Ele se encolheu esperando uma garrafada na cabeça, mas nada veio.
---Você esteve apaixonado por ela todo esse tempo? –perguntou o traído.
---Sim. Mas isso não explica nada e... ---falou o amigo e ele parecia desesperado.
---Explica sim. ---falou o traído abaixando o braço. Christian sorriu.
---Isso aí, povo.
---Graças a Deus. ---suspirou Cleandro.
---Então ela usou nós dois. Aquela garota estava certa. ---falou o traído apontando pra mim. ---Quem merece a morte é ela!
---Hei, ei. Parou com esse negocio de morte, ok? ---falou Christian. ---Ninguém vai matar ninguém. Você vai se divorciar daquela maldita, E o seu amigo não vai procurar mais por ela.
---É. ---concordei. ---E agora prometam que nunca vão mentir para o outro. Se um dos dois ter namorada e o outro gostar, por favor avisem para o outro.
---Eu prometo. ---falou o traído chorando, sorrindo.
---Prometo. ---falou o traidor sorrindo aliviado por que não ia morrer e por que teve seu amigo de volta. Eles chegaram mais perto um do outro e quando todos pensavam que iam se abraçar e acho que iam, o traidor deu um passo pra trás com medo. ---Cara, você pode largar essa garrafa?
Todos riram e o traído soltou a garrafa, sorrindo, e puxou o amigo pra um abraço. Eu sorri sinceramente quando todos bateram palmas eletrizantes, acho que ninguém pensou que os dois iam continuar best friends.
Se soltaram e o traidor falou rindo.
---Eu estou traumatizado, não quero mais saber de beber cerveja. ---falou apontando pra garrafa de cerveja jogada no chão.
---Ou se não, pelo menos, tomar cerveja de latinha, né? ---falou o traído rindo e eles se abraçaram de novo.
Eu olhei para o lado procurando a pessoa responsável por toda essa felicidade, e agradecer por ter salvado minha vida, quando não o encontro. Ele sumiu? Sem nem falar comigo? O que ele queria aqui então? Talvez tenha ouvido o barulho e visto o que era. Não tinha como ele ter vindo pra me ver se ele não sabia que eu tinha mudado de turno.
---Caramba, você é muito sortuda. ---falou Jorge.
---Você podia ter morrido! ---falou Marcelo me repreendendo.
---Mas, admita Certinho, ela salvou a noite. ---falou Carlos.
---Não foi ela, foi aquele cara que apareceu do nada! ---falou Vitor aparecendo do nada. ---Sinceramente o povo de hoje estavam se achando os heróis.
---Talvez essa tenha sido minha intenção.
---Geralmente os heróis são os primeiros a morrer. ---falou ele sorrindo maquiavélico e saiu rápido.
---Deus me livre. ---sussurrei. Os meninos começaram rir. Minha cara devia estar cômica.
---Não ligue, ele é assim mesmo, estraga prazeres. ---falou Marcelo.
---Ás vezes até acho que ele ta possuído. ---falou Jorge.
---Mas, na verdade, ele é um idiota mesmo. ---falou Carlos com um olhar experiente.
---Valeu. ---falei com minha mente viajando em uma pessoa.
---E então qual é a daquele cara? ---falou Marcelo sorrindo maliciosamente.
---Que cara?
---A gente viu tá! ---falou Jorge. ---Alias, todo mundo viu. Aquele que te defendeu e salvou a noite.
---Então vocês admitem que não foi eu?
---Sabemos que se não fosse você, o herói nem ia se meter e o traidor ia morrer direitinho. ---falou Carlos.
---Ok. Eu não o conheço. ---falei.
---Então o cara tem complexo de salvador? Gosta de arriscar a própria vida pra salvar desconhecidos? ---falou Jorge, eu fiquei paralisada. ---Tudo bem! Vou ter que arrumar a bagunça, meninos, vocês podem me ajudar?
---Vamos ralar.
---Vamos chamar o Vitor?
---É capaz de ele mandar a gente pro inferno! ---falou Marcelo rindo. Eles sumiram de vista e Cleandro apareceu.
---Pode me explicar o que aconteceu, senhorita? ---falou.
---Não podia deixar ele matar o amigo dele.
---Tá certo, Harry Potter, e aquele cara, o dos ratos? O que ele está fazendo aqui?
---Juro que eu não faço a menor ideia. Talvez tenha ouvido o barulho. ---falei e depois sorri. ---Ele salvou a minha vida.
---Por mais que você tenha arriscado a dele com aquela historia de ratos. ---falou.
---Eu sei, me sentia mal antes, agora estou pior ainda. ---falei triste. Queria agradecer á ele, mas não queria ficar perto dele. Ai Deus.
---Pedir desculpas é sempre bom.
---Quanto mais longe eu ficar dele, mas chances ele tem de sobreviver, você não vê? ---falei sorrindo.
---Eu ainda quero saber qual é a de vocês dois! ---falou ele. ---Não é possível que o cara arrisque a vida dele por alguém que jogou ratos em suas calças.
---Tá, enquanto você resolve esse mistério, eu vou pra casa. ---falei o mais rápido possível.
---Ok. Até amanha. E cuidado. ---falou.
---Até amanha. ---falei, mas não falei com cansaço e tristeza, falei com entusiasmo. Salvei uma vida, e uma amizade só hoje.
---Tchau loirinha!
---Tchau!
E fui rumo ao meu lar doce lar.
¨¨
Acordei de manhã com ás forças renovadas e desci pra tomar café.
---É sério que você salvou uma vida ontem?! ---falou Kevin abismado.
---Não.
---É claro que sim, não seja modesta. Meu amigo José disse que você salvou a vida do irmão dele. ---falou e eu olhei pra ele assustada.
---O irmão dele? Irmão do seu amigo? ---falei feliz. ---Eu não acredito.
---Como assim? Que negocio é esse?---falou meu pai sentando na mesa com a gente.
---Sofia foi pra frente de um cara, impedindo que o amigo dele desse uma garrafada em sua cabeça. ---falou. ---Meu amigo me disse que Sofia entrou na frente e impediu que ele fosse morto.
---Não foi só eu. Um cara me ajudou e... ---parei quando eu percebi o que isso significaria.
---Que cara?
---Ah sim, ele comentou que um cara ajudou sim. ---falou meu irmão indiferente. Fiquei irritada, Christian ajudou e muito, se não fosse ele, eu estaria morta e esse cara também, ou gravemente feridos.
---Ele salvou minha vida e a do traidor! ---falei sem pensar. Minha família me encarou.
---Que cara é esse? ---perguntou de novo meu pai agora ainda mais interessado.
---Um desconhecido. Ele apenas foi um herói. Mas se não fosse ele, nada se resolveria. ---falei nervosa, mas decidida a defender meu herói. Meu irmão calou a boca e eu percebi o que isso significava. Ele sabia quem me salvou. Pelo meu nervosismo.
---Estranho alguém se sacrificar por um desconhecido. ---falou meu pai desconfiado, por que todo mundo tem que falar a mesma coisa?
---Talvez ele seja seu admirador secreto. ---falou minha mãe esquecendo que eu quase morri. ---Mas, foi muito errado o que fez, se esse homem não existisse você poderia estar morta agora.
---Uma garrafada na cabeça não mata, e se acontecesse qualquer coisa com a minha filha, eu mesmo iria contratar uns caras da Bamor pra dar um jeito nele. ---falou meu pai sério. ---E quero agradecer á esse garoto que salvou você.
---Não precisa, eu mesmo faço isso. ---falei rápido morrendo de medo. Acho que eu ia ter um ataque.
---Tudo bem, agora eu tenho que ir. Vejo vocês mais tarde. ---falou e beijou minha mãe, depois eu e Kevin que soltou um muxoxo.
---Filha, então, você tem um admirador secreto... ---falou minha mãe com um sorriso.
---Vou para o quarto agora, depois a gente conversa. ---falei e sai correndo.
---Está com vergonha por que tem um admirador secreto... ---falou minha mãe para o meu irmão.
---Bota secreto nisso. ---disse meu irmão rindo. Eu tive vontade de enforca-lo. Ficar dando indiretas não é nada confiável.
Admirador secreto... Talvez não tão secreto assim, não é?
Fale com o autor