No Amor E No Futebol Vale Tudo!
11 Capítulo 11
Notas iniciais
---Você quer fazer o favor de melhorar essa cara? ---falou alguém que eu não aprestei atenção por que minha atenção estava na porta. Queria muito que ela fosse aberta por alguém.
---Sofia, você já falou com o chefinho? ---perguntou alguém que nem me dei o trabalho de olhar.
---Você está esperando alguém em especial? ---perguntou Clara, eu sei disso por que me dei o trabalho de ver o autor daquela pergunta imprópria.
---É claro que não!
---Isso responde á quantas perguntas que nós fizemos á você? ---falou Matheus irritado. Olhei pra ele e fechei a cara, não sabia por que, mas estava com raiva por ele não ter me alertado dos perigos de soltar um rato em uma pessoa. ---Vai ficar assim comigo por quanto tempo?
---Se eu pudesse ficaria um mês sem olhar pra sua cara, mas como convivo com você acho meio difícil. ---murmurou Clara fingindo irritação. Voltei a olhar a porta, provavelmente ele deve ter desistido de mim.
---É, mas eu não me importo se você não quiser falar comigo, eu me importo com o que Sofia pensa de mim. ---falou ele todo melancólico. ---Fala tudo, Sofia, joga logo na cara!
---Isso aí. ---incentivou Patrick.
---Eu preciso me desculpar com o Cleandro. ---falei como se fosse a coisa mais obvia pra se fazer. Todos me olharam surpresos. ---E se tudo der certo lá, talvez eu nem precise jogar na sua cara, Matheus. ---completei, ele sorriu;
---Então dou a maior força. ---falou fazendo um sinal de incentivo.
---Você devia fazer o mesmo. ---incentivei.
---Eu devia, mas não vou. ---falou simplesmente sorrindo, Clara deu um murro de leve no seu ombro. ---Ai, eu dou valor demais a minha vida, ok?
Entrei na sua sala e o encontrei folheando uns papeis, fui até ele desejando não me arrepender por querer fazer o bem.
---Senhor? ---falei me perguntando se chamar Cleandro de senhor por acaso era apelar demais. Ele olhou pra cima, surpreso. ---Posso entrar?
---Você já entrou, Sofia. ---disse, mas sorriu depois, o que me encorajou a continuar. Sentei na sua frente e o encarei sem saber como começar. ---E não sei por que começou me chamando de senhor, não foi um bom começo.
---Achei que era mais respeitador. ---falei.
---Não é. Na verdade é ofensivo, se me chamar de senhor de novo, te demito. ---falou brincando, pelo menos eu acho que foi brincando.
---Enfim... Queria pedir desculpas. Pelo que fiz ante ontem. ---disse nervosa e constrangida.
---Me perdoe se fui muito intrometido falando com seus pais...
---Não, de jeito nenhum. ---na verdade tinha achado, Mas não ia falar nada. Principalmente sabendo que ele fez para o meu bem.
---... É que achei realmente estranho como se comportou e não vou perguntar qual é o seu problema com esse garoto por que eu sei que não vai me dizer; ---disse gentilmente. ---E se você é capaz de soltar um rato em alguém que aparenta gostar de você, não duvido que possa...
---Senhor... ---ele me olhou feio. ---Cleandro, não o odeio. Apenas... Não sei como explicar. É algo pessoal, mas faz sentido. E é importante pra mim e...
---Não precisa dizer mais nada. Contando que essa amabilidade só seja restrita á ele, não faço objeção, principalmente que ele prometeu não comer mais aqui, além de não nos processar, o que é um alivio...
---Ele é uma pessoa incrível... ---sussurrei o bastante pra ele não conseguir ouvir. ---Bem, espero que você não fique chateado comigo, prometo não fazer mais isso, nem nada que agrida os clientes. ---prometi.
---Mas eu preciso que você me prometa outra coisa. ---fiquei esperando. ---Preciso que prometa que não vai soltar mais nada, nem fazer mais nada contra ele!
Meu coração parou.
---Ele pode ter relevado dessa vez, mas duvido que outra dessa, ele vá...
---Eu prometo. ---falei rápido. E ia cumprir a promessa. Sabia que ele não ia vir mais aqui.
---E também prometo não forçá-la a almoçar mais com ele. ---falou sorrindo. ---Se ele for querer almoçar aqui novamente, fiquei surpreso por ele não ter pedido aquele espaguete que ele adorou naquele dia!...
Sai antes que eu acabasse me dando ainda mais mal.
¨¨
Já estava ficando cansada da mesma rotina todo dia. Sempre encontrando a mesma gente, que pede a mesma coisa. Sempre me estressando com o estresse do almoço, em que ás pessoas estão com fome e parecem psicopatas. Já tinha se passado duas semanas desde o incidente com os ratos aconteceu. Tudo já estava do jeito que sempre foi. Resolvi perdoar Matheus por não ter me prevenido do pior e ido na minha onda louca. E Clara pareceu, enfim, que tinha perdoado o Matheus, por que comigo ela já parecia ter perdoado desde aquele dia que ela me olhou solidaria. Muito estranho.
E então aqui estava eu no meu trabalho, que pela primeira vez estava me entediando. Encontrei Marcus ajeitando ás coisas no balcão e fui até ele. Ele me cumprimentou como todos os dias:
---Iai loirinha? Pronta pra mais um dia no inferno? ---falou brincando.
---Você já se sentiu entediado com o seu trabalho? ---perguntei sem pensar, na verdade estava pensando muito nisso essa semana.
Ele me olhou surpreso.
---Loirinha, você está falando com o cara que fica mais de cinco horas atrás de um balcão mexendo numa calculadora. Mais entediante que isso, impossível. ---falou dando de ombros. Ele parecia aceitar a vida entediante dele. É claro que esse era realmente o trabalho dele, eu só tinha que ficar por mais alguns meses. Dois no máximo. ---por que está me perguntando isso?
---Acho que estou entediada. ---falei simplesmente.
---Você pode se demitir e viver a custa dos seus pais, eu não. ---falou ele e pela primeira vez ele não foi brincalhão ou gentil comigo. Não o culpo, afinal eu não devia ter perguntado á ele, talvez á Matheus. Marcus olhou seus papeis com desgosto e continuou, sem olhar pra mim.
---Desculpe, não era minha intenção... ---tentei.
---Não se preocupe com isso, loirinha. Já estou acostumado. ---falou sem olhar pra mim. Fiquei triste. Não queria que ele se sentisse assim por minha causa. Ou talvez ele já se sentisse assim de qualquer forma.
---Por que não tenta outro emprego? Um emprego... Menos entediante? ---sorri e ele olhou pra mim surpreso, mas sorriu.
---Por que não posso.
---Por que não?
---Você sempre faz muitas perguntas assim? ---perguntou fingindo irritação.
---Por que não pode? ---insisti. Ele me olhou derrotado.
---Por que não acho que eu vá me dar bem no que eu quero fazer. Escolhi o mais fácil. ---falou meio rancoroso.
---E o que quer fazer?
---Quero compor e cantar musicas. ---falou rápido. Eu o olhei chocada, mas feliz por ele ter me confidenciado algo pessoal. ---É ridículo e impossível, eu sei.
---Não! É incrível. Por que não tenta? ---falei impressionada.
---Por que não. Será que você não entende, Sofia! Eu não posso. Não dá. ---falou irritado. Nunca o tinha visto daquele jeito, sempre ele é tão calmo.
---Se me disser por que, talvez eu consiga entender!
---Eu...! Não vou brigar com você. ---disse simplesmente respirando fundo. ---Não vou. Acho melhor você ir trabalhar ou se demitir, como quiser. ---completou e se virou. Fiquei chateada por ele me tratar daquele jeito, mas também toquei num assunto delicado. E muito pessoal pra ser aberto assim sem mais nem menos. Eu preciso convencer ele e ir com calma. Ele é meu amigo e não vou deixa-lo ficar fazendo algo que ele não gosta se ele quer fazer outra. Não sei se a voz dele é essa Coca-Cola toda, mas estou disposta a descobrir, se ele me permitir. E eu também não estou disposta a aceitar não como resposta.
Encontrei Matheus, Clara e Patrick conversando arrumando ás mesas. Eles me olharam quando entrei.
---Chegou atrasada hoje. ---comentou Patrick.
---Fiquei conversando com o Marcus, mas acabei o deixando nervoso. ---falei não abrindo espaço pra discussão, não queria contar o que Marcus me contou, era segredo. Clara sorriu pra mim, daquele jeito solidaria, como se soubesse algo que eu não sei e disse:
---Estamos notando que você está diferente esses dias.
---Meio distante e triste. ---acrescentou Patrick.
---Eu sei exatamente o que esses sintomas significam. ---falou Matheus sorrindo. ---Tedio.
Todos riram. Eu não. Acho que estava entediada.
---Nossa, você adivinhou. ---falei revirando os olhos me sentando.
---Caramba, é pior do que eu imaginava, meu bem. Você precisa se tratar. ---falou Matheus rindo. ---Nós temos a cura pra essa doença.
Eu o olhei, curiosa. Ele sorriu.
---Rir de tudo. ---falou Patrick. ---Essa é a cura. Fazer de cada dia, um novo dia.
---Mais ou menos isso. ---disse Clara. ---Arranje coisas novas pra fazer.
---Não tem! ---exclamei. ---É tudo a mesma coisa, Matheus sabe disso. Não sei como ele aguenta.
---Me acostumei. ---disse normalmente. Ai, to cansada de ouvir ás pessoas falarem que se acostumaram ao ruim e não quererem fazer nada pra mudar isso.
---Que deprimente. ---comentei.
---Nem tanto. É engraçado ás pessoas barraqueiras daqui e é legal a correria pra atender todo mundo. ---disse defendendo seu trabalho. Eu o olhei, entediada.
---Você apenas se acostumou a achar graça dessas coisas, mas a verdade é que tudo isso é repetitivo. Cansativo. Chato e deprimente. ---falei me sentindo morta por dentro.
---Eu em, acho que a sua doença Tediomaniaco está em estado terminal. Você definitivamente vai morrer de tedio. ---disse Matheus rindo.
---Não se eu puder impedir. ---falei de repente tendo uma ideia. Comecei a me lembrar de que existia outro turno. Um turno mais movimentado. E nada entediante. ---Desculpem, mas vou mudar de turno.
Todos me olharam chocados.
---Como?
---O outro turno deve ser bem mais legal.
---Bem mais maloqueiro, você quer dizer. ---corrigiu Patrick surpreso.
---Não, gente. Digo, eu vou trabalhar mais e ficar menos entediada. ---falei achando brilhante minha ideia.
---Tem de tudo que é gente. Você vai se arrepender. ---falou Matheus.
---E a gente? ---perguntou Clara.
---Vocês vão ficar bem, o Cleandro vai contratar outra pessoa, vocês não vão ficar sobrando, prometo só ir embora quando...
---Não é nada disso. ---falou revoltada Clara. ---Nós não queremos que você vá, por que gostamos de você. Você faz parte da equipe.
Ah.
---Bem, eu...
---Eu sei que está entediada, mas precisamos de você aqui conosco. ---falou Patrick o que me deixou surpresa.
---Ninguém vai substituir você aqui, Sofia. ---falou Matheus sério. Eu fiquei emocionada, sério. Aqueles eram os meus amigos.
---Fico triste também. Muito mais agora que vocês vão sentir minha falta, mas... Eu preciso ver como é lá. Desde o começo senti uma curiosidade, agora é como desespero...
---Você está tão desesperada assim pra se livrar da gente? ---perguntou Clara abismada.
---Não de vocês, mas da rotina. ---falei tentando convence-los. ---Não aguento mais a mesma coisa.
---Como você sabe se vai gostar desse turno? ---perguntou Matheus.
---É esse o ponto, eu não sei. Isso é emocionante. ---falei ansiosa.
---Cristo. Ela vai morrer mesmo. ---comentou Patrick. ---Se é o que você quer, nós apoiamos.
---É, mas você não vai se livrar da gente. Vamos nos ver todo final de semana, ok? ---falou Clara.
---Com certeza. ---falei entusiasmada.
---E com certeza não vai se livrar de mim. Meu bem, vou fazer questão de te visitar no seu novo turno. ---falou no meu ouvido. Clara ouviu por que revirou os olhos.
Então pulei pra parte mais difícil. Meu chefe.
Entrei devagar na sala e ele estava assistindo televisão. Pelo menos não estava ocupado.
---Cleandro? Gostaria de falar com você.
---Começou bem. Fala. ---disse sorrindo acolhedor.
---Gostaria de mudar de turno. ---disse de vez. Não queria perder a coragem.
---Você não ta falando sério, não é? ---disse chocado.
---Estou. Quero começar amanhã. ---falei.
---Você teve algum desentendimento com alguns dos seus colegas? ---perguntou preocupado.
---Não. Vamos continuar nos vendo e eles não estão preocupados com quem você vai contratar por mais que eu...
---Está tudo bem? ---falou ainda tentando achar alguma doença em mim. ---Você sabe sobre esse turno, não sabe? Tem de tudo. É uma baixaria, não creio que você vá gostar e...
---Vou aprender a gostar. Eu quero algo diferente. Estou entediada. ---falei sincera.
---Tudo bem, mas... Seus pais não devem gostar de você...
---Meu pai só se importa se eu estiver trabalhando. Se eu não gostar, me transfiro de novo. ---falei.
---Esse é o problema, no momento que escolher mudar de turno, vou contratar outra pessoa para o seu lugar, e então você não poderá ocupar o lugar de antes.
Pensei bem sobre isso. Eu quero agitação.
---Então pode contratar uma nova garçonete. Eu vou pro segundo turno. ---falei decididamente. Ele acena preocupado e pega uns papeis. Aqueles que vão virar minha vida de cabeça pra baixo.
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