No Amor E No Futebol Vale Tudo!
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Uma semana tinha se passado. Muita tristeza e solidão. Não fui para o trabalho esses dias, pedi uma folga e graças a Deus Cleandro compreendeu. Ele deve saber o que eu estou passando já que Kelly é próxima dele também. Esses dias, estive pensando muito no Christian. É tão estranho falar o nome dele, já que me acostumei a falar “garoto lindo do estádio”.
---Bom dia, raio de sol. ---falou meu pai me recebendo com um sorriso. ---Vai voltar a trabalhar hoje, não é?
Eis o motivo do sorriso.
---Vou, sim. ---falei. Estava feliz em retomar meu emprego, já que meus colegas de trabalho pareceram com saudades de mim. Matheus me ligou umas dez vezes essa semana. ---Em falar nisso, como no caminho. Estou atrasada.
---Tudo bem, mas vou dizer pra sua mãe que você comeu aqui. ---falou. Eu assenti e sai.
Depois de comer no caminho, fiquei andando o mais rápido possível pra não me atrasar depois de ter tido a cara de pau de pedir uma semana de folga só por que minha amiga se mudou. Não é nada profissional.
Fiquei passando cotovelando todo mundo que via no caminho, quando parei arfando na frente do restaurante me preparando pra entrar. Mas paro abruptamente quando vejo Christian conversando com uma garota na frente dele. Pareciam em duvida se entravam ou não. Ele estava tão lindo, com uma calça jeans e uma blusa branca por baixo de uma blusa aberta xadrez. Achei o estilo bastante inglês, mas talvez ele só tenha bom gosto. Ele não parecia saber do fato de eu trabalhar naquele lugar, e não queria que ele soubesse. Mas se eu tentasse passar sem ele perceber, TALVEZ...
E então ele me vê. A garota do seu lado ainda está falando, mas ele nem parece estar ouvindo. Como eu sou idiota! Fiquei olhando pra ele como uma retardada de vez de sair correndo. Ele olhou para a garota e falou alguma coisa, depois os dois vieram até mim, a garota um pouco alterada.
Ai Deus.
---Oi. ---disse simplesmente parecendo muito radiante em me ver.
---Oi. ---respondi corada. Ele ficou me olhando por um tempo, que eu achei muito por que eu já estava ficando com lagrimas nos olhos, por não piscar. ---Não vai me apresentar sua amiga? ---tentei mudar de assunto.
Ele pareceu se dar conta agora de que estava acompanhado. Olhou atordoado para a garota e falou:
---Essa é a Vivian. Minha prima. ---falou significantemente, como se fosse importante que eu soubesse que aquela era sua prima e não sua namorada. Fiquei feliz com a informação, é claro. ---O que está fazendo aqui? ---voltou sua atenção pra mim.
---Eu trabalho aqui. ---falei. ---Não na rua, mas... No restaurante. ---completei me achando uma imbecil. Ele sorriu pra mim e falou:
---Acho um ótimo restaurante. Na verdade eu ia almoçar aí agora mesmo. ---Vivian do lado dele ficou indignada.
---Mas você acabou de me dizer que detestava esse restaurante! ---falou ela confusa.
---Mudei de ideia. ---murmurou sorrindo olhando pra mim profundamente. Vivian revirou os olhos.
---Já eu não acho um restaurante muito bom, sabe? Muita sujeira. ---falei tentando persuadi-lo a não almoçar lá.
---Mas você trabalha lá! ---comentou indignada Vivian.
---É que o dono do restaurante é namorado da minha amiga. Foi mais fácil pra mim. ---falei tentando parecer segura. Mas tive vontade de rir, quando Vivia fez cara de nojo. ---Você não sabe a quantidade de ratos que temos que matar todos os dias. Deus me Livre.
---Sério? Christian, não vamos almoçar aí! ---falou com nojo.
---Que besteira, um ratinho não faz mal a ninguém. ---falou me provocando, ele sabia que eu estava mentindo. ---Além do mais, é trapaça alguém querer interferir no destino.
---O que? ---perguntou Vivian confusa.
---Interferir? Eu estou tentando impedir vocês de pegarem Leptospirose. Só se você achar que é esse o seu destino. ---falei sorrindo maliciosamente.
---Eu sei muito bem qual é o meu destino. Só basta uma pessoa teimosa aceita-lo e parar de tentar afastar o que não depende dela. ---falou sorrindo.
---Por que está tão incomodado com o que ela quer afastar? Talvez seja escolha dela! ---falei irritada.
---E se a escolha dela não for certa pra ela?
---Mas é o que ela quer! ---já estávamos á um centímetro um do outro. A cada frase falada chegávamos mais perto. Eu podia sentir sua respiração.
---Talvez ela não saiba o que realmente quer. ---sussurrou. Fiquei sem ar e procurei alguma coisa pra me segurar.
---Alguém pode me dizer o que está acontecendo? ---perguntou Vivian.
---Nós vamos almoçar nesse restaurante, Vivian. Seria bom dar um pouco de comida para os ratinhos, podemos até levar uns pra casa. ---falou rindo.
---Você ficou louco? ---disse Vivian sendo levada pra dentro do estabelecimento que eu trabalho.
¨
---O que está fazendo aí, Sofia? ---perguntou Matheus pela quinta vez.
---Limpando. ---falei limpando o mesmo prato pela terceira vez. Estava tentando me ocupar desesperadamente.
---Esse prato já está limpo. Á muito tempo. ---comentou me encarando.
---Tem certeza? Eu acho que ainda...
---Sofia? O que está acontecendo? Ainda é por causa da sua amiga? ---fiquei tão surpresa com a pergunta que quase derrubei o prato. O que Kelly tem haver com minha obsessão por limpeza no momento?
---O que?
---Sei lá, você está estranha. ---falou preocupado. ---Por que está limpando este prato tantas vezes? Tem alguma coisa haver com...
---Não! Nada haver. É só... Não é nada. ---falei pegando a bandeja. ---Eu estou bem. Vou servir.
---Tudo bem se sentir necessidade de ficar limpando este prato muitas vezes, é só que é muito estranho...
---Pára de maluquice, Matheus. Eu estava só tirando a sujeira. ---falei me defendendo. Não podia dizer que estava me ocupando pra não atender uma pessoa por que ela está disposta a me conquistar, por que tem uma atração por mim. E eu provavelmente também tenho.
---Tá, vou fingir que acredito. ---falou. ---Você fica com essa parte e eu com aquela. ---completou apontando para a área que vou servir e não é a de Christian. Assenti aliviada e sai atendendo os pedidos rapidamente. Fui até a cozinha pra entregar os pedidos e encontrei Clara e Patrick correndo pela sala.
---Trouxe? ---perguntou Clara apressada. Entreguei o papel dos pedidos. ---Adoro como você deixa organizado os pedidos, te adoro.
---O que está acontecendo aqui? ---perguntei vendo a loucura que estava na cozinha.
---A nossa ajudante viajou. Só tem a gente na cozinha.
---Eu pensava que só tinha vocês.
---Não. A gente definitivamente não dá conta. ---falou Patrick depois de deixar cair um prato.
---Querem ajuda? ---perguntei, mas logo depois Matheus falou arfante e com uma cara de poucos amigos.
---Eu quero. ---disse. ---Eu sei que você já está atendendo a sua parte, mas tem um cara insuportável que exigiu que você o atendesse, pode?
Meu coração pulou uma batida. Só podia ser ele. Quem mais iria exigir que eu atendesse? Não conheço ninguém que frequenta aqui.
---Quem é?
---E ainda está acompanhado! Já detesto esse cara. ---falou revoltado. Não ouvia mais. Era ele.
---Eu resolvo.
---Você conhece? ---perguntou com raiva.
---Eu? Eu não sei. Sei lá. Vou ver ---falei e só ouvi Matheus reclamando quando sai apressada.
Matheus me apontou a mesa e eu segui. Eu estava certa. Não sabia se ficava com raiva ou feliz por ele ter me solicitado. Que confusão. Ele estava sozinho na mesa.
---Não acredito que exigiu que fosse eu á atende-lo. Matheus também é garçom aqui e você não pode sair exigindo essas coisas! ---falei estressada.
---Exigir é uma palavra muita forte. Eu solicitei a sua presença, só isso. ---falou sorrindo. ---E eu imagino que esse Matheus não deva gostar muito de mim agora.
---Como poderia? Ele deve estar com o orgulho ferido ou sei lá por você o ter tratado daquela forma.
--- Eu falei apenas que só iria comer se você me atendesse, nada de mais. ---disse sorrindo. Eu tive que sorrir, ele era absurdamente fofo.
---Pode parar. ---falei depois reparei na cadeira vazia. ---e cadê sua prima? Não aguentou a sua presença?
---Acho que a dos ratos imaginários foi mais insuportável pra ela. ---disse rindo. ---Me chamou de maluco e disse que não iria comer uma comida que um rato poderia ter comido.
---Fez bem. Eu não digo o mesmo de você. Não me culpe por pegar uma doença depois. ---falei rindo.
---Acho que vou correr o risco. ---falou me olhou profundamente. Ele tem que parar com isso, é sério!
Limpei a garganta e continuei tentando manter o tom normal.
---Qual vai ser o pedido? ---falei.
---O que você tem de melhor? ---falou sorrindo torto como se tivesse feito uma pergunta de duplo sentido.
---Depende. Não tenho o mesmo gosto que você. Talvez você não goste do que eu gosto.
---Duvido. ---falou sério. ---Mas vou querer um espaguete, por favor.
---Daqui a meia hora vai estar pronta. Tenha paciência e espere. ---falei.
---Pode deixar que eu vou ter. ---falou sorrindo. Me virei, pronta pra fazer desse espaguete o pior do mundo.
Fui até a janela pra cozinha e chamei Clara que estava azoada.
---Pedido de ultima hora! ---falei. Ela suspirou e pegou o papel. Leu e olhou pra mim confusa.
---Espaguete com muito sal? Que tipo de pessoa gosta de espaguete salgado? ---perguntou assustada. Dei de ombros e falei:
---Não tenho culpa dos gostos das pessoas. Se ele quer assim... ---falei sorrindo de ladinho, como o garoto do filme “Anjo malvado” faz. Ela saiu da janela e mostrou a Patrick que arqueou a sobrancelha. Olhei para o lado e encontrei Matheus, que estava sentado descansando, olhando pra mim de sobrancelhas erguidas.
---Ele não pediu espaguete com sal, não é? ---falou com um sorrisinho malvado nos lábios.
---Como sabe?
---Sei lá. Duvido que exista tal pessoa. Mas por que você está fazendo isso? Ele pode reclamar com o gerente, você sabe... Pode causar demissão e...
Comecei a ficar preocupada. E se o fato de eu querer me afastar dele me causar problemas? Eu estava confiando no fato de que ele não iria me denunciar? Será que eu não devia fazer isso? Mas de que modo iria fazê-lo não vir mais? Talvez uma comida ruim não o faça, mas se eu soltasse um rato nele, talvez...
---Talvez eu deva pedir pra Clara parar de fazer?
---Nah. Eu quero mais é que ele se ferre. Talvez nunca mais venha comer aqui. ---falou.
---E se...
---Eu posso levar a culpa por você. O Cleandro não vai me demitir.
---Por quê?
---Por que ele é meu tio. ---falou sorrindo. Eu fiquei tão pasma que quase cai.
---Faz sentido. ---disse.
---Mas por que quer que o coitado sofra com uma comida salgada? ---perguntou.
---É pessoal. ---falei tímida. Ele pareceu entender e voltou sua atenção á uma mulher que queria refrigerante.
Quando a comida de todos já estava pronta, comecei a entregar ás minhas mesas e voltei à cozinha pra pegar o prato de Christian que poderia causar a demissão de alguém.
---Tem certeza que ele pediu salgada? ---perguntou mais uma vez Clara.
---Sim, e se eu não me engano pediu até que colocasse pimenta. ---falei me contendo pra não rir.
---Cristo. Esse cara tem sérios problemas, toma aí. ---falou me entregando uma tigelinha com um caldo dentro. Tadinho. Peguei o prato de espaguete e despejei o caldo de pimenta todo na comida. Sentia o cheiro de pimenta de longe. Fiquei com pena dele de repente. Mas não ia desistir.
---Peraí que eu quero ver. ---falou Matheus vindo ao meu encontro, mas não me acompanhando enquanto eu andava na direção do Christian.
Ele me olhou e sorriu. Desarmou totalmente. Parei um pouquinho arrependida de ter colocado pimenta na comida dele. Depois eu vi que ele me olhou preocupado ou assustado, sei lá.
---Aqui está. ---falei entregando a comida pra ele tentando não arrancá-la de sua mão e sair correndo.
---Obrigado. Deve estar uma delicia. ---falou sorrindo gentil pegando o garfo.
---Não! ---falei segurando sua mão. Ele me olhou assustado. ---... Não pegue o garfo com a mão suja!
Ele me olhou chocado, eu conseguia ouvir as gargalhadas de Matheus no fundo o que me deixou sem graça.
---Você está bem? ---perguntou agora preocupado.
---Estou. Desculpe. Eu vou deixar você comer. ---falei nervosa.
---Não quer se juntar a mim? ---falou sorrindo. Eis a prova de que eu preciso que ele saia daqui. Preciso que ele me deixe em paz. Esse cara me deixa atordoada.
---Eu estou trabalhando. ---lembrei e sai antes que ele falasse alguma coisa. Me juntei ao Matheus que já estava chorando de tanto rir. O olhei o repreendendo e encarei a destruição. Ele encheu o garfo de comida e colocou tudo na boca. Um segundo depois ele tampou a boca e cuspiu tudo no prato com um urgência louca. Começou a abanar a boca como se isso fosse parar a ardência. Matheus pegou um copo de agua e teve a cara de pau de ir até Christian, que parecia que ia ter um enfarte e entregar a agua com um sorriso na cara! Deus. Christian nem pensou, pegou a agua e só faltou melar a cara toda. Tampei a boca pra não rir.
Todo mundo estava olhando como um bando de fofoqueiro. Christian parecia sem saber o que fazer, já que se realmente fosse fazer iria me prejudicar. Matheus foi até mim sorrindo de orelha á orelha e falou:
---Caraca, o cara ta na bruxa! ---falou rindo. ---Assim que eu apareci lá com a agua falei: “O senhor deseja uma agua?” ele agarrou a agua da minha mão como um selvagem e começou a beber como quem acabou de voltar do Saara!
---Não acredito que fez isso!
---Vai dizer que não gostou? ---falou sorrindo.
---Um pouquinho. ---admiti. Mas estava preocupada com o que ia acontecer agora.
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