Notas iniciais
Boa leitura!

Voltei para o meu lugar totalmente sem folego. Eu não sei o que esse garoto lindo tinha que me deixava daquele jeito. Nunca tinha me esforçado tanto pra ser ruim com uma pessoa. Mas precisava. Precisava por que ele era um Vitoriano e eu uma Bahiana. Eu podia ser morta pela família dele e ele pela minha. E por que... Eu não quero ter relações com ele. Vou me sentir uma traidora.

---Você está bem, Sofia? ---perguntou minha mãe. ---está branca feito papel.

---Estou, é? ---falei respirando rápido.

---Aconteceu alguma coisa? ---falou ela. Nada passava despercebido por minha mãe.

---Não. ---enquanto eu falava estava esperando que ele tenha saído de lá e ido para a área dele. Não conseguia imaginar um Vitoriano que gostasse de uma Bahiana. Talvez ele queira me usar, como eu pensava, e então exibir pra todo o mundo o quanto ele foi mal com uma Bahiana ingênua.

O jogo acabou empatado. E eu só soube disso por que Kevin comentou no final. “Empatado, que vergonha”, eu realmente nem estava aprestando atenção. Meu pai parecia revoltado como todos os outros torcedores. Saímos do estádio por ultimo como sempre, meu pai comentando todos os pobres com os Bahianos que ficaram. Eu só fiquei esperando apoiada pelo cotovelo. Ele era realmente lindo. Lindo é apelido. Que vergonha. Pare de pensar nele, Sofia!

Assim que saímos do estádio, andei por ultimo, presa em pensamentos, quando vi de novo o garoto lindo do estádio encostado na parede esperando alguém. Qual era real problema daquele garoto? Tentei continuar andando, mas fiquei olhando ele de boca aberta. O que não ajudou nem um pouco, por que ele me viu e já estava vindo até mim correndo.

---Ninguém me matou. ---falou sorrindo. Eu continuei o encarando, surpresa demais pra fazer qualquer coisa. Ele suspirou e me encarou também, queria saber o que ele estava pensando olhando pra mim daquela forma. Depois balancei a cabeça, tentando recuperar os sentidos.

---Quem você fica esperando em todo final de jogo? ---perguntei sem querer.

Ele deu um risinho. Que me fez ir no céu e voltar.

---Você, é claro. ---disse. ---Quem mais seria?

---Não sei né! Nunca vi um Vitoriano como você. Você devia querer manter distancia de mim! ---exclamei surpresa.

---Não sou como os outros. ---disse. ---Por quê? Você quer manter distancia de mim?

Fiquei confusa. Depois me repreendi.

---Absolutamente. Somos inimigos! Eu tenho que te odiar.

---Você tem, não quer. ---disse sorrindo. ---Mas não me importo com isso, provavelmente você teve um ensinamento que eu não tive.

---Se você acha que vai ser meu amigo, está muito enganado! ---falei cruzando os braços. Meu pai iria mata-lo.

---Não pretendo ser seu amigo. ---disse sorrindo maliciosamente.

---Você é louco.

---Talvez eu seja...

---É melhor nem se aproximar de mim! ---falei assustada. ---Eu não quero ser nada sua. Na verdade, eu te odeio!

---É o que todas dizem. ---disse rindo. Como assim O que todas dizem? Ele deve fazer isso com outras Bahianas também. Enganá-las. Mas eu não vou passar por isso. ---Não estou falando isso por que já gostei de uma Bahiana, você é a primeira.

Ele leu minha mente? Hora de vazar antes que...

---Você vai ficar me perseguindo em todos os jogos? ---perguntei com medo de acabar fazendo algo que eu não quero.

---Não pretendo chegar a tanto. Na verdade, eu vejo que está disposta a me odiar para sempre. ---falou sorrindo. ---Então, vou deixar que o destino se encarregue de fazer você mudar de ideia. Essa é a ultima vez que vou te procurar;

---Sério? ---falei querendo garantias.

---Sim. ---falou de má vontade. ---Mas, também prometo que se nos virmos outra vez, não vou desistir de você.

Esperava não vê-lo outra vez, por que ele não parecia estar brincando.

---Por que eu? ---perguntei. ---Tem tantas garotas normais pra você. Que você poderia ficar sem problemas. ---falei mais estava feliz por ser eu, na verdade.

---Eu sei. Não sei por que, mas é você. Meu santo bateu!---disse simplesmente.

---Você sabe que se eu não quiser não vai rolar, não é? ---eu disse.

---O que eu sei é que se você não fosse Bahia e eu Vitoria, tenho certeza que aceitaria jantar comigo. ---falou sorrindo.

---Você é muito convencido. ---falei impressionada. ---pois eu discordo.

---Ok. Mas, nesse momento eu estou desafiando o destino. Se for pra eu ficar com você, vamos nos encontrar de novo. Sem armações.

---Então vai mofar esperando isso. Mesmo se o destino quiser, eu...

---Eu vou conquistar você. Vou fazer você gostar de mim pelo que eu sou, não pelo que eu represento. ---falou rindo da minha persistência. Respirei fundo por que sabia que se ele se esforçasse mais, eu cairia em seus braços.

---Continue pensando isso, eu vou embora. ---falei me virando.

---Qual é o seu nome? ---falou. Não conseguia imaginar por que ele estava tão obstinado a me conquistar. Talvez por que eu era uma conquista difícil e ele queria um desafio. Só de pensar nisso ficava irritada.

---Já disse que não vou...

---Se não me falar agora, vou descobrir de qualquer jeito. ---falou se virando.

---Sofia! ---falei irritada por ele me persuadir desse jeito.

Ele sorriu abertamente.

---Christian. ---falou. O nome mais lindo para o garoto mais lindo. Deus... ---Eu sei que vou te ver de novo.

---Não creio nisso.

---Você vai ver. E sem armações! ---falou me olhando intensamente. Meu pai já devia estar impaciente; Sai correndo deixando Christian me olhando.

Cheguei em casa totalmente tonta. Não sabia se ficava feliz por um garoto querer ficar comigo loucamente como Christian, ou se ficava triste pelo provável motivo de ele querer ficar comigo tão loucamente assim. Só podia ser pra me humilhar. Ou por que eu era uma conquista difícil e ele queria um desafio. Ou os dois. É claro, por que ele nem me conhece. Não pode haver outro motivo... Né?

---Está decepcionada, filha? ---Tomei um susto e olhei para o meu pai surpresa de como ele poderia saber...

---O que? ---perguntei.

---O jogo foi horrível, eu sei. Mas é melhor empatar do que perder. ---falou ele abrindo a porta de casa. Meu pai não conseguia aceitar perder para o Vitoria. E eu não conseguia não pensar em um certo alguém do Vitoria.

---Pessoal, eu vou subir. Estou exausta. ---falei e subi correndo ás escadas. Encontrei Kelly na minha cama com uma cara nada boa. Primeiro fiquei assustada por vê-la na minha cama, na minha casa. Mas depois me lembrei de quando fizemos um voto de confiança dando ás chaves de casa uma pra outra.

Coloquei minha bolsa na cabeceira e fui até ela, preocupada.

---Aconteceu alguma coisa?

---Aconteceu... ---falou, mas começou a chorar antes de terminar, o que me assustou genuinamente.

---Calma ok? Você e o Cleandro brigaram? ---perguntei a abraçando.

---Não. ---falou chorando.

---Foi sua mãe e o seu pai?

---Não.

---Foi alguma coisa? ---perguntei confusa. Ela se afastou de mim e me olhou meio irritada.

---O que você acha, Sofia? Que eu estou de TPM? Que eu estou chorando sem motivo algum? ---falou abismada. Eu olhei pra ela sem saber o que dizer.

---É claro que não, obvio. ---tentei.

---Desculpe, eu te amo tanto amiga! ---falou soluçando me abraçando de novo.

---Você pode me dizer o que está acontecendo?

---Minha mãe vai se mudar! ---falou rápido. Me abraçando ainda mais forte; Se é que é possível. Não entendi muito bem o que ela falou.

---Sua mãe vai se matar?

---Não! Ela vai se mudar! Você não está entendendo o que estou falando?

---Não.---admiti. ---Respire e fale claramente... Peraí. Sua mãe... Vai se mudar? E você vai junto?

---Claro que vou, a não ser que eu more embaixo da ponte! ---falou sorrindo um pouquinho. Não sabia o que dizer. Minha melhor e única amiga vai embora.

---Tipo, Pra sempre? ---perguntei com os olhos cheios de lagrimas.

---Até eu me formar e ter dinheiro pra me sustentar sozinha. Mais prometo que assim que isso acontecer eu volto. ---falou chorando.

---Vou passar muito tempo sem te ver. ---conclui deprimida.

---Eu sei. Vou sentir tanta a sua falta. ---disse chorando.

---Pra onde você vai? ---perguntei estressada.

---Para o Chile. Deve ser horrível. Eu pesquisei sobre lá e descobri que até terremoto tem. Eu não quero ir; ---falou triste.

---E eu não quero que você vá. ---falei deprimida. ---Com quem eu vou conversar? Eu não tenho ninguém pra...

---Eu sei. Minha mãe estragou a minha vida. ---disse.

---Mas... Mas por que sua mãe quer ir para o Chile? ---perguntei abismada.

---Meu pai foi transferido. Ele não queria ir, mas ela o convenceu. Eu acho que a noticia de que um Vitoriano morreu a deixou muito abalada. ---falou. ---E o meu pai ainda ficou feliz. Já sabe, né?

---Eu to muito... Chocada. ---conclui. ---Acho que essa é a palavra. Não vou ver mais você? Quero dizer... O que...

---Podemos nos falar por e-mail. ---falou limpando lagrimas dos olhos. ---Prometo mandar noticias todos os dias.

---Ok. ---falei a abraçando.

¨

Faltavam apenas dez minutos para o embarque do avião. Já estava nervosa. Olhei para o relógio e vi que não podíamos ficar paradas lá sem nos falar adiando algo que tem acontecer. Olhei pra ela e ela olhou pra mim na mesma hora. Não falamos nada apenas nos abraçamos bem forte como se nossa vida dependesse disso. Ela foi a primeira a me soltar, acho que ouviu sua mãe a chamando. Depois simplesmente olhou pra mim e sorriu. Sorri também. Não era um adeus. Eu só tinha que me convencer disso. Ela foi embora sem falar nada, acho que não há nada que se fale que não pareça um adeus num momento desses. Foi melhor assim.

Voltei pra casa sem chão e acabada. Fui recebida com abraços e chocolates quentes, acho que estavam com pena de mim, depois fui para o meu quarto, deitei na cama esperando que o amanhã não chegasse e eu pudesse dormir para sempre.

---Acho que você precisa de um café preto. ---concluiu minha mãe me analisando de manhã. Eu achava que precisava de um penhasco pra eu me jogar, isso sim.

---Não gosto de café preto. ---disse simplesmente.

---Como você não gosta de Dipirona? É totalmente normal. É só fingir que o café é um remédio que vai te curar. ---disse sorrindo pacientemente.

---Só que eu sei que não é, e não vai adiantar. ---falei com mal humor.

---Jesus, Sofia, você ta na maior manguaça. ---falou Kevin rindo da própria frase.

Meu pai olhou pra ele sério.

---Você sabe o que “manguaça” significa, Kevin? ---perguntou ele.

---Sei lá, o Marcelo disse que quer dizer “tristeza”. Só que eu acho a palavra engraçada. ---disse rindo.

---Só que seu amigo é um retardado, por que “manguaça” significa bêbado. Bebum. Acabado.

---Ele mentiu pra mim? ---perguntou Kevin abismado. ---Ele só pode ser um retardado mesmo.

---Talvez até ele não saiba o que é e alguém mentiu pra ele também. ---falou minha mãe.

---Duvido. Ele riu quando falou pra mim. Aquele psicopata. ---falou Kevin correndo pra seu quarto e brigar com o amigo.

---alguém pode se importar com a minha situação? ---falei me sentindo excluída.

---Ah filha, vocês vão se ver de novo. ---disse minha mãe. ---Só vai demorar um tempinho.

---É desse tempinho que eu não gosto. ---falei deprimida.

---Droga, houve briga ontem entre um Bahiano e um Vitorino, o Bahiano perdeu. Levou uma facada na mão. Que azar. ---disse meu pai olhando o Notebook.

---Pare de falar essas coisas para os meus filhos, não quero que eles virem Serial Killers. ---revoltou-se minha mãe saindo da mesa.

Notas finais
Comentem!!!!